{"id":794,"date":"2020-04-22T00:14:00","date_gmt":"2020-04-22T00:14:00","guid":{"rendered":"http:\/\/tierra.jerrejerre.com\/es\/?p=794"},"modified":"2024-09-09T21:59:45","modified_gmt":"2024-09-09T21:59:45","slug":"los-campesinos-que-quieren-apagar-las-motosierras-en-guaviare","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/2020\/04\/22\/los-campesinos-que-quieren-apagar-las-motosierras-en-guaviare\/","title":{"rendered":"Os camponeses que querem desligar as motoserras em Guaviare"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"max-width:860px\"><strong>Em Guaviare, o terceiro departamento com maior \u00edndice de desmatamento da Col\u00f4mbia, camponeses e colonos<strong> <\/strong>impulsionam iniciativas de conserva\u00e7\u00e3o e aproveitamento sustent\u00e1vel da floresta amaz\u00f4nica, na contram\u00e3o de atividades mais rent\u00e1veis e populares por\u00e9m prejudiciais: a pecu\u00e1ria extensiva e o cultivo da coca.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 quatro anos que Mar\u00eda Gait\u00e1n n\u00e3o derruba uma \u00e1rvore. F\u00ea-lo quando comprou sua fazenda e levou gado assim como faziam seus patr\u00f5es, para quem trabalhava colhendo folha de coca. Hoje, conserva um encrave de floresta que resiste \u00e0 pecu\u00e1ria e aos cultivos il\u00edcitos, principais atividades econ\u00f4micas em Guaviare, um dos departamentos amaz\u00f4nicos da Col\u00f4mbia com maiores \u00edndices de desmatamento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Isso foi o que nos ensinaram, e essa foi nossa maneira de viver, porque outros faziam. Olha para a pastagem, era s\u00f3 floresta. Isto n\u00e3o era uma pastagem limpa&#8221;, diz a mulher de 35 anos olhando para a paisagem onde ela vive,&nbsp; uma \u00e1rea pr\u00f3xima de afloramentos rochosos de alto valor tur\u00edstico que se encontram no meio de &#8220;um mosaico diversificado de florestas, savanas e arbustos que abrigam elementos da regi\u00e3o da Orinoquia, dos Andes, da Amaz\u00f4nia e do Escudo Guian\u00eas&#8221;, como descrito em um r\u00e1pido invent\u00e1rio feito por cientistas de diferentes institui\u00e7\u00f5es e organiza\u00e7\u00f5es sociais em 2017.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 precisamente por causa de seu conhecimento da localidade que hoje Mar\u00eda lidera, junto com seu parceiro, Olmes Rodr\u00edguez, um projeto de conserva\u00e7\u00e3o e uso sustent\u00e1vel da floresta, desde sua fazenda El Sina\u00ed.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eu mesmo costumava desmatar a floresta. Eu fiz contratos para derrubar 10, 12, 15 hectares, e derrubava com uma motosserra&#8221;, diz Olmes Rodr\u00edguez, que chegou aos 17 anos a Guaviare, vindo de San Pedro de Jagua, na zona rural de Ubal\u00e1, Cundinamarca, no centro da Col\u00f4mbia, atra\u00eddo pela &#8220;ambi\u00e7\u00e3o gerada pela coca&#8221;. Primeiro, ele colheu folhas de coca; depois, trabalhou no processo de produ\u00e7\u00e3o da pasta \u00e0 base de coca\u00edna. Finalmente, ele teve um terreno onde cultivava plantas da coca.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas apostar na conserva\u00e7\u00e3o e no uso sustent\u00e1vel da terra tamb\u00e9m implica para os camponeses riscos, estigmatiza\u00e7\u00e3o e amea\u00e7as que \u00e0s vezes pretendem dissuadi-los de denunciar crimes, e outras vezes desencorajam seus esfor\u00e7os para proteger os ecossistemas florestais em que vivem.<\/p>\n\n\n\n<div align=\"center\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/albumizr.com\/a\/cfYh\" scrolling=\"no\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"\" width=\"100%\" height=\"400\"><\/iframe><\/div>\n\n\n\n<p>Para chegar \u00e0 fazenda El Sinai, na localidade de Tortugas, \u00e9 preciso viajar tr\u00eas horas de motocicleta desde San Jos\u00e9 del Guaviare, a capital do departamento, e atravessar a aldeia El Capricho, por estradas de terra que podem ser uma tortura no inverno. A paisagem \u00e9 dominada pelas fazendas de gado, exceto por um trecho da Serran\u00eda de La Lindosa que se caracteriza por suas imponentes forma\u00e7\u00f5es de pedra, pinturas rupestres pr\u00e9-hisp\u00e2nicas e canais com plantas aqu\u00e1ticas carmesim que se tornaram destinos tur\u00edsticos.<\/p>\n\n\n\n<p>O mesmo acontece em duas outras rotas importantes: a que vai para o sul de San Jos\u00e9 em dire\u00e7\u00e3o ao munic\u00edpio Calamar, e a une Calamar a Miraflores. A pecu\u00e1ria extensiva cobre quase tudo e a apropria\u00e7\u00e3o de terras amea\u00e7a com novos colonos. Tudo isso no meio da Amaz\u00f4nia colombiana.<\/p>\n\n\n\n<p>A posi\u00e7\u00e3o do Estado tem sido historicamente amb\u00edgua em Guaviare. Por um lado, em 1959 ordenou tudo o que hoje \u00e9 o departamento como \u00e1rea de reserva florestal coberta pela Lei Segunda; por outro lado, incentivou a coloniza\u00e7\u00e3o camponesa nessa reserva, como tamb\u00e9m consta no invent\u00e1rio r\u00e1pido, onde se explica que &#8220;a popula\u00e7\u00e3o atual est\u00e1 h\u00e1 100 anos ou menos nesta regi\u00e3o&#8221; de El Capricho e que seu &#8220;povoamento mais importante ocorreu a partir de 1968, quando o Governo Nacional encorajou a coloniza\u00e7\u00e3o dirigida, com o objetivo de povoar amplos terrenos baldios do pa\u00eds&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/2-1024x683.jpg\" alt=\"Guaviare. Foto: FCDS.\" class=\"wp-image-789\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212355\/2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212355\/2-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212355\/2-768x512.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212355\/2-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212355\/2-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>\u00c1REAS DE FLORESTA DESMATADA PARA A PASTAGEM NA ESTRADA CALAMAR-MIRAFLORES, CONSIDERADAS ILEGAIS PELAS AUTORIDADES. FOTO: FUNDA\u00c7\u00c3O PARA A CONSERVA\u00c7\u00c3O E O DESENVOLVIMENTO SUSTENT\u00c1VEL (FCDS)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Entre a conserva\u00e7\u00e3o e a coloniza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Mar\u00eda Gait\u00e1n e Olmes Rodr\u00edguez falam sobre seu passado de corte de \u00e1rvores em pequena escala desde um peda\u00e7o de floresta virgem que ela mant\u00e9m no meio de seus pr\u00f3prios pastos e de fazendas de gado vizinhas.<\/p>\n\n\n\n<p>Eles tamb\u00e9m falam de seu futuro: a silvicultura comunit\u00e1ria, a forma sustent\u00e1vel de usar a floresta para fins lucrativos. Come\u00e7aram em 2018 e j\u00e1 trabalham com 110 fam\u00edlias de sete comunidades da aldeia.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de se tornarem um casal, os dois j\u00e1 ocupavam posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a: Gait\u00e1n era coordenadora da Rede de Mulheres Comunais de El Capricho; e Rodr\u00edguez, presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Conselhos de A\u00e7\u00e3o Comunal da mesma cidade. Mas foi no ano passado, em um encontro de conserva\u00e7\u00e3o, que sua preocupa\u00e7\u00e3o com o meio ambiente os uniu.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/3.jpg\" alt=\"Guaviare. Foto: Sara Castillejo Ditta.\" class=\"wp-image-790\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212354\/3.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212354\/3-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212354\/3-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>A PAIX\u00c3O POR CUIDAR DO MEIO AMBIENTE UNIU OLMES RODR\u00cdGUEZ E MAR\u00cdA GAIT\u00c1N. JUNTAMENTE COM DEZENAS DE OUTRAS FAM\u00cdLIAS, ELES EST\u00c3O APOSTANDO NA CONSERVA\u00c7\u00c3O DIANTE DAS PRESS\u00d5ES DE UM AMBIENTE EXTRATIVISTA. FOTO: SARA CASTILLEJO.<br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Antes de se tornarem um casal, os dois j\u00e1 ocupavam posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a: Gait\u00e1n era coordenadora da Rede de Mulheres Comunais de El Capricho; e Rodr\u00edguez, presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Conselhos de A\u00e7\u00e3o Comunal da mesma cidade. Mas foi no ano passado, em um encontro de conserva\u00e7\u00e3o, que sua preocupa\u00e7\u00e3o com o meio ambiente os uniu.<\/p>\n\n\n\n<p>Cercados por \u00e1rvores de a\u00e7a\u00ed, patau\u00e1, abarco e cedrorana, todas nativas da Amaz\u00f4nia, o casal falou em montar um viveiro e recuperar a floresta que haviam derrubado. N\u00e3o t\u00e3o longe, uma motosserra pode ser ouvida.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas s\u00e3o as duas faces do departamento, que atingiu seu n\u00edvel mais alto de desmatamento em 2017, 38.221 hectares cortados, de acordo com dados do Sistema de Monitoramento da Floresta e do Carbono do Instituto de Hidrologia, Meteorologia e Estudos Ambientais (Ideam). Esse recorde hist\u00f3rico ocorreu exatamente um ano ap\u00f3s a assinatura do Acordo de Paz entre o governo de Juan Manuel Santos e o grupo guerrilheiro das For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias da Col\u00f4mbia (Farc). O n\u00famero representou um aumento de 233% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior, e um total de 17% do contabilizado em todo o pa\u00eds nesse ano (220.000 hectares). Estes n\u00fameros alarmantes colocaram Guaviare como o segundo departamento mais desmatado, s\u00f3 perdendo para Caquet\u00e1, com o qual compartilha uma fronteira.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde ent\u00e3o, os n\u00fameros continuam alarmando. Em 2018 a estimativa caiu para 34.527 hectares e para 2019 ainda n\u00e3o h\u00e1 n\u00fameros oficiais, embora a iniciativa de Conserva\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia-ACCA MAAP estime que estes representem um &#8220;poss\u00edvel grande decl\u00ednio na Amaz\u00f4nia colombiana ap\u00f3s um recente boom de desmatamento&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<div align=\"center\"><iframe loading=\"lazy\" width=\"70%\" height=\"500\" src=\"https:\/\/live.amcharts.com\/ZTcwN\/embed\/\" frameborder=\"0\"><\/iframe><\/div>\n\n\n\n<p>Os \u00edndices de desmatamento s\u00e3o altos, mesmo quando em Guaviare deveria, por regulamenta\u00e7\u00e3o, prevalecer a conserva\u00e7\u00e3o. Da zona de reserva florestal estabelecida em 1959, foram posteriormente estabelecidas outras \u00e1reas especiais: uma zona de reserva camponesa, v\u00e1rias reservas ind\u00edgenas e dois parques nacionais: Nukak e Serran\u00eda de Chiribiquete. Este \u00faltimo, uma cadeia de montanhas das mais antigas do planeta que faz parte do Escudo Guian\u00eas, foi declarado&nbsp; pela UNESCO como Patrim\u00f4nio Misto da Humanidade em julho de 2018 por seu valor natural e arqueol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<p>Ang\u00e9lica Rojas, coordenadora regional de Guaviare e Meta Sul da Funda\u00e7\u00e3o para a Conserva\u00e7\u00e3o e o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (FCDS), acrescenta que a portaria &#8220;basicamente determina dois usos para este territ\u00f3rio: ou se vive da economia florestal ou se conserva a floresta&#8221;. Pelo menos \u00e9 o que o documento aponta.<\/p>\n\n\n\n<p>Rojas explica que dos 5,4 milh\u00f5es de hectares de Guaviare, apenas 7% (400.000 hectares) podem estar sujeitos a legaliza\u00e7\u00e3o de propriedade. Ou seja, somente um colono pode legalizar sua propriedade. Esta \u00e1rea sujeita a legaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 a maior reserva camponesa do pa\u00eds: uma figura criada pela lei colombiana na d\u00e9cada de 90 para promover a economia camponesa que, precisamente por esta raz\u00e3o, que est\u00e1 protegida da apropria\u00e7\u00e3o de terras, uma vez que somente terras do tamanho de uma Unidade Agr\u00edcola Familiar (FAU) s\u00e3o concedidas, que \u00e9 o m\u00ednimo que uma fam\u00edlia precisa para sobreviver com dignidade, em todos os casos menos de 200 hectares.<\/p>\n\n\n\n<div align=\"center\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/gfycat.com\/ifr\/FlamboyantCalmBighornedsheep\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\" allowfullscreen=\"\" width=\"640\" height=\"684\"><\/iframe><\/div>\n\n\n\n<p>Mesmo assim, os t\u00edtulos propriedade dos camponeses nesta \u00e1rea s\u00e3o poucos, enquanto o \u00edndice de ac\u00famulo de terras por parte dos latifundi\u00e1rios \u00e9 alto . Esta \u00e9 outra raz\u00e3o pela qual a ocupa\u00e7\u00e3o, o desmatamento, as vacas e a coca passaram destes limites para \u00e1reas ambientalmente protegidas de Guaviare.Um dos exemplos mais dr\u00e1sticos do n\u00e3o cumprimento dessas normas \u00e9 o dos nukak, um povo ind\u00edgena que permaneceu sem contato at\u00e9 1988, e que o Tribunal Constitucional declarou &#8220;em risco de exterm\u00ednio \u00e9tnico e cultural&#8221; em uma famosa decis\u00e3o de 2009. Os nukak sofreram deslocamento for\u00e7ado de sua reserva legalmente constitu\u00edda devido \u00e0s din\u00e2micas de coloniza\u00e7\u00e3o, desmatamento e cultivos il\u00edcitos. Muitos deles vivem hoje em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias, na \u00e1rea urbana de San Jos\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/4-1-1-1024x768.jpg\" alt=\"Guaviare. Foto: Sara Castillejo Ditta.\" class=\"wp-image-791\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212354\/4-1-1-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212354\/4-1-1-300x225.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212354\/4-1-1-768x576.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212354\/4-1-1-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212354\/4-1-1-2048x1536.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>ALGUNS NUKAK DESLOCADOS VIVEM EM UM TERRENO PERTO DA CIDADE DE SAN JOS\u00c9 DEL GUAVIARE E GERALMENTE PASSAM O DIA NO PARQUE DA CIDADE. FOTO: SARA CASTILLEJO.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Em abril de 2018, a Corte Suprema de Justi\u00e7a declarou a Amaz\u00f4nia colombiana &#8211; incluindo Guaviare- como sujeito de direitos e ordenou, mediante a senten\u00e7a STC 4360 de 2018, a implementa\u00e7\u00e3o de mecanismos para deter o desmatamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Em termos de justi\u00e7a, isto significava que o Minist\u00e9rio P\u00fablico devia estabelecer um grupo de oito promotores de justi\u00e7a para investigar crimes como apropria\u00e7\u00e3o de terras, tr\u00e1fico de madeira, minera\u00e7\u00e3o ilegal e tr\u00e1fico de drogas nos sete departamentos que comp\u00f5em esta regi\u00e3o. Guaviare passou de registrar quatro processos em 2018 para 191 em 2019, por nove crimes relacionados ao meio ambiente, de acordo com a Procuradoria Geral da Rep\u00fablica. Do total, 70% (136) est\u00e3o sob investiga\u00e7\u00e3o e 24% (48) est\u00e3o na fase judicial. A institui\u00e7\u00e3o reservou os nomes dos envolvidos porque nenhum processo tem sido conclu\u00eddo.<\/p>\n\n\n\n<div align=\"center\"><iframe loading=\"lazy\" width=\"75%\" height=\"700\" src=\"https:\/\/live.amcharts.com\/0YmUz\/embed\/\" frameborder=\"0\"><\/iframe><\/div>\n\n\n\n<p>O Ex\u00e9rcito tamb\u00e9m assumiu novas tarefas. Em abril de 2019, lan\u00e7ou a Opera\u00e7\u00e3o Artemis como uma ofensiva contra o desmatamento. Esse ano, s\u00f3 em Guaviare, foram capturadas 48 pessoas. Nenhum peixe grande entre eles. O pr\u00f3prio coronel Norberto Salgado, comandante da 22\u00aa Brigada, disse em janeiro de 2020 que eram camponeses com motosserras que estavam ganhando a vida, &#8220;que estavam derrubando 3, 4,5, 10, 15, 20 hectares&#8221;. Ele insistiu que &#8220;a maioria dos hectares que est\u00e3o derrubando est\u00e3o sendo utilizados para novas planta\u00e7\u00f5es de coca&#8221;, embora as demais fontes consultadas para esta mat\u00e9ria apontem a pecu\u00e1ria extensiva como o principal fator de desmatamento.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 grandes desmatadores que tenham sido presos ou identificados. Neste cen\u00e1rio, os agricultores temem que a den\u00fancia implique riscos e que as autoridades sejam permissivas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Melhor ficar calado?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Jairo Sedano \u00e9 o propriet\u00e1rio da reserva natural O Diamante das \u00c1guas e inspetor ambiental da Rede de Vigil\u00e2ncia Cidad\u00e3 Guaviare em Paz. Ele era um pecuarista &#8220;muito pr\u00f3spero, defensor da pecu\u00e1ria, na Serran\u00eda de La Lindosa&#8221;, lembra-se. Ele tinha 65 cabe\u00e7as de gado, mas come\u00e7ou a ter em conta o discurso sobre conserva\u00e7\u00e3o e o treinamento em quest\u00f5es ambientais. H\u00e1 14 anos ele decidiu tirar todo o gado e se dedicou a recuperar o que havia cortado. Hoje ele tem 31,5 hectares de reserva natural e conseguiu repovoar sua propriedade com \u00e1rvores como patau\u00e1, a\u00e7a\u00ed, abarco, macano, cachicamo e guayabeto. Sua propriedade tamb\u00e9m serve para o trabalho de campo de estudantes universit\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/5.jpg\" alt=\"Guaviare. Foto: Jeanneth Valdivieso\" class=\"wp-image-792\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212354\/5.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212354\/5-300x225.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212354\/5-768x576.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>JAIRO SEDANO DECIDIU ABANDONAR A PECU\u00c1RIA PARA CRIAR UMA RESERVA NATURAL, UMA DECIS\u00c3O QUE O ENCHE DE ORGULHO. FOTO: JEANNETH VALDIVIESO.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio de 2020, Sedano ouviu &#8220;uma motosserra funcionando por oito dias&#8221; perto de sua propriedade e, semanas depois, gravou em v\u00eddeo derrubada em um p\u00e2ntano perto de San Jos\u00e9 del Guaviare por parte de construtores.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele sabe que falar tem seu pre\u00e7o. &#8220;Por defender a vida, voc\u00ea acaba sendo identificado e exclu\u00eddo da sociedade. A conserva\u00e7\u00e3o em Guaviare \u00e9 dif\u00edcil&#8221;, diz este homem que chegou de Santander, no centro-norte da Col\u00f4mbia, h\u00e1 35 anos. Hoje ele \u00e9 um forte defensor da conserva\u00e7\u00e3o, apesar de acreditar que h\u00e1 poucos incentivos. Junto com outros membros da rede de vigil\u00e2ncia, Sedano est\u00e1 sempre monitorando o impacto ambiental das obras p\u00fablicas e privadas, e acompanha os planos e projetos no departamento.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O que eles sempre dizem \u00e9: &#8216;Por que voc\u00ea mexe com o que n\u00e3o lhe interessa?&#8217; Por causa disso, n\u00f3s que estamos no territ\u00f3rio, come\u00e7amos a ter medo, a sentir que estamos sendo menosprezados. Mas por qu\u00ea? Porque as institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o querem fazer o trabalho e s\u00e3o permissivas.<\/p>\n\n\n\n<p>A vontade de conservar, que \u00e9 a bandeira de Gait\u00e1n, Rodr\u00edguez e Sedano, n\u00e3o \u00e9 a regra, mas a exce\u00e7\u00e3o entre os camponeses de Guaviare e os novos propriet\u00e1rios de terras. Convenc\u00ea-los a mudar de opini\u00e3o n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, e at\u00e9 &#8220;h\u00e1 pessoas que n\u00e3o gostam da conserva\u00e7\u00e3o&#8221; e preferem estender seus pastos sem fim, diz Rodr\u00edguez.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, est\u00e1 a inquietude de ir contra a mar\u00e9: &#8220;\u2019Maria est\u00e1 convencida de n\u00e3o cortar, de cuidar\u2026 de daqui a pouco vai nos delatar, ela est\u00e1 pensando nisso. Ela j\u00e1 est\u00e1 nessa hist\u00f3ria\u2019. J\u00e1 me falaram&#8221;, diz Gait\u00e1n. Seu parceiro, Rodr\u00edguez, admite sentir-se &#8220;assustado&#8221; por defender a floresta. &#8220;N\u00e3o recebi nenhuma amea\u00e7a direta, mas houve alguns coment\u00e1rios. H\u00e1 pessoas que nos acusam de falar em quem est\u00e1 desmatando quando isso \u00e9 uma mentira. Eu n\u00e3o denunciei ningu\u00e9m, s\u00e3o pessoas que falam sem ter nenhum embasamento, mas um coment\u00e1rio como esse pode nos prejudicar&#8221;, acrescenta ele.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/6.jpg\" alt=\"Guaviare. Foto: Sara Castillejo Ditta.\" class=\"wp-image-793\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212353\/6.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212353\/6-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212353\/6-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>JORGE AVENDA\u00d1O MORA EM CALAMAR. POR TER DENUNCIADO PROBLEMAS NA COMUNIDADE, COMO L\u00cdDER E INSPETOR CIDAD\u00c3O, ELE J\u00c1 RECEBEU INTIMIDA\u00c7\u00d5ES E AMEA\u00c7AS. FOTO: SARA CASTILLEJO.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Em Calamar, Jorge Avenda\u00f1o, l\u00edder social, inspetor cidad\u00e3o e soldador por profiss\u00e3o, mora em Guaviare h\u00e1 20 anos, mas somente a partir de 2016 come\u00e7ou a receber amea\u00e7as e intimida\u00e7\u00f5es. O \u00faltimo epis\u00f3dio veio na forma de um panfleto com o logotipo das Farc deixado em sua casa em julho de 2018, que dizia que ele era um &#8220;alvo militar&#8221; e tinha que &#8220;manter sua dist\u00e2ncia dos fatos que est\u00e3o acontecendo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Como parte de suas tarefas como inspetor e l\u00edder, ele tem denunciado a falta de a\u00e7\u00e3o das autoridades locais diante dos problemas na regi\u00e3o e a m\u00e1 administra\u00e7\u00e3o dos recursos p\u00fablicos. &#8220;Parece que h\u00e1 neg\u00f3cios entre as administra\u00e7\u00f5es (municipais) e as pessoas que est\u00e3o invadindo&#8221;, diz Avenda\u00f1o, que denunciou as amea\u00e7as no Minist\u00e9rio P\u00fablico e depois recebeu um telefone celular, um bot\u00e3o de emerg\u00eancia e um colete \u00e0 prova de balas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele explica o sil\u00eancio que reina em Guaviare diante dos respons\u00e1veis pelo desmatamento, que &#8211; insiste &#8211; n\u00e3o s\u00e3o os pequenos camponeses: &#8220;Aqueles que t\u00eam essas grandes extens\u00f5es de terra s\u00e3o poderosos. Quem vai denunciar uma dessas pessoas se souber que o que vai acontecer com ele \u00e9 a morte? na Col\u00f4mbia estamos acostumados a viver desse jeito:\u2018 se eu n\u00e3o disser nada, melhor, vivo mais\u2018. \u00c9 por isso que nada acontece e aqueles que t\u00eam as armas n\u00e3o est\u00e3o agindo (&#8230;) Como n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m que tenha o controle, toda a gente come\u00e7ou&nbsp; a desmatar&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>A centralidade da Coca<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Em Guaviare, durante d\u00e9cadas, as Farc eram a lei e controlavam tudo, at\u00e9 o desmatamento. Com o desarmamento, ap\u00f3s a assinatura do Acordo de Paz em novembro de 2016, ficou um v\u00e1cuo que o Estado n\u00e3o conseguiu preencher e que foi aproveitado por aqueles que derrubam \u00e1rvores. Al\u00e9m disso, os grupos dissidentes que se afastaram do acordo pegaram novamente em armas e continuam a se definir como &#8220;guerrilheiros&#8221;, imp\u00f5em-se em extensas \u00e1reas distantes dos centros urbanos. No departamento, operam com a Frente Primeira sob o comando de &#8216;Iv\u00e1n Mordisco&#8217; e a Frente S\u00e9tima, liderada por &#8216;Gentil Duarte&#8217;. Tamb\u00e9m est\u00e3o presentes grupos criminosos (ou bacrim) formados por ex-membros de grupos paramilitares.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com um relat\u00f3rio de Crime Insight, os dissidentes das Farc &#8220;se beneficiam do desmatamento extorquindo dinheiro dos latifundi\u00e1rios&#8221;, com uma taxa cobrada por hectare de floresta derrubado e por cada cabe\u00e7a de gado. Eles tamb\u00e9m continuam controlando o cultivo il\u00edcito de coca e as rotas do narcotr\u00e1fico na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A economia da coca cresceu em Guaviare na d\u00e9cada de 90 sob a administra\u00e7\u00e3o das Farc, e em 1997 havia atra\u00eddo os paramilitares do Bloco Centauros das For\u00e7as Unidas de Autodefesa da Col\u00f4mbia (AUC). Os dois lados se enfrentaram em um cap\u00edtulo do conflito armado que ficou gravado na mem\u00f3ria dos habitantes locais. Em 2006, os paramilitares se desmobilizaram e a viol\u00eancia se tornou menos geral, mas a coca permaneceu.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/7-1024x683.jpg\" alt=\"Guaviare. Foto: Sara Castillejo Ditta.\" class=\"wp-image-795\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212353\/7-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212353\/7-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212353\/7-768x512.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212353\/7-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212353\/7-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>A ECONOMIA DA COCA ATINGIU OS TEPUIS OU GRANDES FORMA\u00c7\u00d5ES ROCHOSAS DA RESERVA NATURAL NACIONAL NUKAK. FOTO: FCDS<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>De acordo com dados do Sistema Integrado de Monitoramento de Culturas Il\u00edcitas das Na\u00e7\u00f5es Unidas, em 2006 Guaviare registrou um pico de 9.477 hectares plantados com coca. Em 2018 o n\u00famero desceu para 4.340. Uma das raz\u00f5es da redu\u00e7\u00e3o foi a implementa\u00e7\u00e3o do Programa Nacional de Substitui\u00e7\u00e3o de Culturas Il\u00edcitas (PNIS), que nasceu ap\u00f3s o Acordo de Paz assinado em 2016, com o objetivo de incorporar os camponeses em uma economia legal com o compromisso de n\u00e3o voltar a plantar coca.<\/p>\n\n\n\n<p>7.251 fam\u00edlias foram incorporadas ao programa em Guaviare e erradicaram suas planta\u00e7\u00f5es de forma manual e voluntariamente, como fez Olmes Rodr\u00edguez, o l\u00edder de El Capricho que agora quer se dedicar \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O povo estava convencido e arrancou seus arbustos. A maioria das pessoas que tinha arbustos os arrancou. Assinamos um acordo de substitui\u00e7\u00e3o mediante o qual eles nos deram dois milh\u00f5es de pesos (586 d\u00f3lares para fevereiro de 2020) no primeiro pagamento, e t\u00ednhamos 60 dias para arrancar os arbustos&#8221;, conta. Depois vieram outros recursos para um projeto de seguran\u00e7a alimentar, que 62% (4.490) das fam\u00edlias de Guaviare receberam at\u00e9 outubro do ano passado, de acordo com o \u00faltimo relat\u00f3rio de monitoramento das Na\u00e7\u00f5es Unidas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As demais fam\u00edlias ainda n\u00e3o receberam o pagamento, e resta que os recursos para projetos produtivos sejam fornecidos. Estes atrasos provocaram reclama\u00e7\u00f5es de camponeses, que desenterraram 1.481 hectares de folha de coca dos 3.019 hectares identificados, de acordo com dados da ONU. Isto significa que, com esta economia ilegal, mais de 7.000 fam\u00edlias se&nbsp; sustentavam com um impacto ambiental de 1.481 hectares de floresta derrubada.<\/p>\n\n\n\n<p>O n\u00e3o cumprimento fez com que os camponeses buscassem outras op\u00e7\u00f5es legais para seu sustento. &#8220;\u00c9 por isso que a pecu\u00e1ria tem aumentado, porque as pessoas se afastaram da coca&#8221;, e n\u00e3o t\u00eam alternativas, explica Rodr\u00edguez. Ele tamb\u00e9m comenta que o cultivo de alimentos para vender n\u00e3o \u00e9 lucrativo devido ao mau estado das estradas e \u00e0s dist\u00e2ncias envolvidas. &#8220;As pessoas vivem do leite e do gado, da ordenha, \u00e9 da\u00ed que obt\u00eam o queijo que vendem&#8221;, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Mateo Federico Cruz, vereador da Calamar, que antes de tomar posse era um inspetor ambiental, concorda: &#8220;Quase todas essas pessoas que t\u00eam desistido (da coca) para implementar modelos de pecu\u00e1ria, de engorda e de dupla finalidade (carne e leite)&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>A pecu\u00e1ria que devora a floresta<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/8.jpg\" alt=\"Guaviare. Foto: Sara Castillejo Ditta.\" class=\"wp-image-796\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212353\/8.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212353\/8-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212353\/8-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>A PRADERIZAC\u00c3O PARA A CRIA\u00c7\u00c3O DE GADO ELIMINOU A FLORESTA TROPICAL CARACTER\u00cdSTICA DE GUAVIARE, UM DEPARTAMENTO QUE TEM 450 MIL CABE\u00c7AS DE GADO. FOTO: SARA CASTILLEJO.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;A pecu\u00e1ria \u00e9 um dos principais motores do desmatamento, j\u00e1 que eles transformam a floresta em pastagem: derrubam as \u00e1rvores, queimam a floresta e plantam pastagem para depois trazer as vacas&#8221;, explica Andrea Fernanda Calder\u00f3n Caycedo, diretora da se\u00e7\u00e3o Guaviare da Corpora\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel do Norte e Leste da Amaz\u00f4nia (CDA), a autoridade ambiental da regi\u00e3o. Eles est\u00e3o fazendo isso inclusive em \u00e1reas protegidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Aldemar Galeano, chefe de assuntos t\u00e9cnicos e administrativos do Comit\u00ea de Pecuaristas de Guaviare, descreve a rela\u00e7\u00e3o gado-coca nestes termos: &#8220;Depois da coca, a coisa mais lucrativa aqui \u00e9 a pecu\u00e1ria&#8221;. E como \u00e9 que muitos conseguiram come\u00e7ar na pecu\u00e1ria? Com o lucro que ficou da coca.<\/p>\n\n\n\n<p>As pessoas optaram por comprar fazendas e gado, e o n\u00famero come\u00e7ou a crescer. Hoje, a capacidade de carga das fazendas de gado em Guaviare \u00e9 de uma vaca por hectare, ou at\u00e9 menos. Segundo os n\u00fameros recolhidos por Galeano, respons\u00e1vel pela vacina\u00e7\u00e3o do gado em todo o departamento, o n\u00famero de cabe\u00e7as de gado em Guaviare \u00e9 de 450.000. Ou seja, 450.000 hectares de pastagens de gado no territ\u00f3rio amaz\u00f4nico, o que equivale a toda a \u00e1rea para legaliza\u00e7\u00e3o da propriedade dispon\u00edvel para os camponeses. Se todas as terras que as vacas pisam estivessem legalizadas, ningu\u00e9m mais conseguiria viver no departamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas grande parte dessas terras n\u00e3o t\u00eam t\u00edtulos e muitas dessas pastagens s\u00e3o novas. A diretora regional da CDA denuncia o fato de seu trabalho estar sendo interrompido devido a sua impopularidade entre vizinhos e grupos armados. &#8220;Nossa equipe t\u00e9cnica j\u00e1 teve inconvenientes devido a que n\u00e3o \u00e9 bem recebida pela comunidade, ela j\u00e1 foi sabotada e, por outro lado, houve reten\u00e7\u00f5es por parte desses grupos fora da lei&#8221;, adverte ela.<\/p>\n\n\n\n<p>O precedente mais grave foi registrado em mar\u00e7o de 2015 quando Ricardo Molina, um funcion\u00e1rio da CDA, foi morto por pistoleiros quando sa\u00eda da entidade. Ele controlava a minera\u00e7\u00e3o ilegal. Hoje, como nos Parques Nacionais, as autoridades ambientais s\u00e3o proibidas de entrar em \u00e1reas onde deveriam exercer controle, devido a amea\u00e7as de grupos armados. Desde a assinatura do Acordo de Paz, dois assassinatos de l\u00edderes sociais foram registrados em Guaviare (em junho e outubro de 2017), de acordo com informa\u00e7\u00f5es da Ouvidoria do Povo e da organiza\u00e7\u00e3o Somos Defensores.<\/p>\n\n\n\n<p>A diretora seccional da CDA lamenta tamb\u00e9m que o trabalho da Corpora\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja &#8220;bem visto&#8221; na comunidade porque &#8220;suas linhas econ\u00f4micas&#8221; est\u00e3o concentradas na pecu\u00e1ria extensiva, o que contraria o uso da terra em Guaviare.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Conhe\u00e7o criadores de gado h\u00e1 mais de 15 anos que come\u00e7aram com 10&nbsp; cabe\u00e7as de gado e agora t\u00eam 500&#8221;, diz Galeano, do Comit\u00ea Pecu\u00e1rio. \u201cA\u00ed surge a quest\u00e3o do desmatamento: o fazendeiro come\u00e7ou com 10 hectares de pastagem, mas no ano seguinte, como nasceram cinco filhotes, ele foi e derrubou outros cinco hectares. E foi aumentando at\u00e9 chegar aonde est\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/9-2-1024x768.jpg\" alt=\"Guaviare. Foto: Sara Castillejo Ditta.\" class=\"wp-image-797\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212352\/9-2-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212352\/9-2-300x225.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212352\/9-2-768x576.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212352\/9-2-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212352\/9-2-2048x1536.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>NAS PROXIMIDADES DA \u00c1REA URBANA DE SAN JOS\u00c9 DEL GUAVIARE, O GADO OCUPA TERRIT\u00d3RIO ANTERIORMENTE HABITADO POR ESP\u00c9CIES NATIVAS DA AMAZ\u00d4NIA COLOMBIANA. FOTO: SARA CASTILLEJO.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>De acordo com esta l\u00f3gica, o desmatamento para a pecu\u00e1ria seria local e obedeceria \u00e0 economia de subsist\u00eancia das pessoas de Guaviare, que \u00e9 tamb\u00e9m sua alternativa mais vi\u00e1vel para n\u00e3o voltar ao cultivo da coca. Para Ang\u00e9lica Rojas, entretanto, os constantes sobrevoos de monitoramento da cobertura vegetal que ela faz com a FCDS mostram que, embora seja verdade que os habitantes locais t\u00eam gado, eles n\u00e3o s\u00e3o o principal problema. &#8220;O foco deveria estar nos grandes desmatadores, que eles chamam de &#8216;Los Caquete\u00f1os&#8217; ou &#8216;Los Gorgojos&#8217;, que s\u00e3o basicamente redes de apropria\u00e7\u00e3o e mau uso da terra&#8221;, diz ela.<\/p>\n\n\n\n<p>Heydeer Palacio, governador de Guaviare desde janeiro de 2020, concorda que &#8220;s\u00e3o os forasteiros que fazem essas m\u00e1s interven\u00e7\u00f5es&#8221;. Ele afirma que s\u00e3o as pessoas com dinheiro vindo de Bogot\u00e1, Arauca, Boyac\u00e1 e Bucaramanga que est\u00e3o comprando terreno fora da zona de reserva camponesa. Estas vendas seriam atrav\u00e9s de um mercado clandestino, porque oficialmente tudo que est\u00e1 fora da reserva camponesa \u00e9 propriedade inalien\u00e1vel da na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ningu\u00e9m ousa nomear os respons\u00e1veis, mas nas conversas se fala das &#8220;sepulturas de \u00e1rvores&#8221;, os dep\u00f3sitos de \u00e1rvores ca\u00eddas ap\u00f3s a derrubada.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/101.jpg\" alt=\"Guaviare. Foto: Sara Castillejo Ditta.\" class=\"wp-image-798\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212352\/101.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212352\/101-300x225.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212352\/101-768x576.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>IMAGEM DO DESMATAMENTO NA AMAZ\u00d4NIA DE GUAVIARE ANTES DE A \u00c1REA SER TRANSFORMADA EM PASTAGENS PARA VACAS. FOTO: SARA CASTILLEJO.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Para as institui\u00e7\u00f5es, a identifica\u00e7\u00e3o dos culpados n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. A diretora da autoridade ambiental procura um mapa do departamento para explicar e mostrar a \u00e1rea onde o desmatamento est\u00e1 concentrado. \u201cEste \u00e9 terreno baldio, da na\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o tem dono, que n\u00e3o est\u00e1 sujeito \u00e0 legaliza\u00e7\u00e3o da propriedade&#8221;. Diga-me, como autoridade da CDA, como posso saber quem \u00e9 o dono disso, se o dono disso \u00e9 o Estado?<\/p>\n\n\n\n<p>O inconveniente ocorre quando os camponeses n\u00e3o veem san\u00e7\u00f5es para os grandes desmatadores, mas as veem para derrubadas menores. &#8220;Se voc\u00ea tem dinheiro, a lei n\u00e3o existe, e se voc\u00ea n\u00e3o tem dinheiro, a lei existe (&#8230;) \u00c9 com isso que a maioria das pessoas n\u00e3o concorda&#8221;, reclama Olmes Rodr\u00edguez. Os pequenos desmatadores s\u00e3o geralmente pegos em flagrante, mas para os outros \u00e9 preciso um trabalho de intelig\u00eancia que at\u00e9 agora n\u00e3o teve sucesso, explica Calder\u00f3n Caycedo.<\/p>\n\n\n\n<p>Rodr\u00edguez explica que primeiro \u00e9 encontrado o campon\u00eas que est\u00e1 derrubando. Ele come\u00e7a a se defender e aponta o outro que o contratou, que por sua vez aponta para outro, que finalmente diz: &#8220;&#8216;N\u00e3o, o respons\u00e1vel \u00e9 um m\u00e9dico de Bogot\u00e1'&#8221;. Mas esta pessoa nunca aparece em Guaviare. &#8220;Se verificar o banco de dados, os instrumentos p\u00fablicos, corroboro que s\u00e3o terrenos do Estado&#8221;, diz ela. Ou seja, n\u00e3o aparece nenhum propriet\u00e1rio do terreno, mas a posse \u00e9 efetivada atrav\u00e9s do desmatamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a CDA aplique penalidades financeiras a indiv\u00edduos, a diretora reconhece que o n\u00edvel de cumprimento &#8220;\u00e9 baixo&#8221;. O mesmo acontece com as institui\u00e7\u00f5es. Em 2019, ela imp\u00f4s multas \u00e0 governa\u00e7\u00e3o e \u00e0s prefeituras de tr\u00eas dos quatro munic\u00edpios de Guaviare &#8211; Calamar, Miraflores e El Retorno &#8211; por a\u00e7\u00f5es contra o meio ambiente. A Procuradoria Geral tamb\u00e9m est\u00e1 investigando os casos de Pedro Pablo Novoa e Jhonivar Cumbelos, prefeitos dos dois primeiros munic\u00edpios, que ocuparam cargos at\u00e9 o final de 2019, &#8220;como supostamente respons\u00e1veis pelos crimes de danos agravados aos recursos naturais e invas\u00e3o de uma \u00e1rea de especial import\u00e2ncia ecol\u00f3gica&#8221;. Oscar Ospina, prefeito de El Retorno, foi suspenso de seu posto e permanece em pris\u00e3o domiciliar &#8220;por suposta responsabilidade em crimes ambientais e atos de corrup\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Ang\u00e9lica Rojas, a especialista em terras da FCDS, explica que entre os dias de desmatamento, plantio de pastagem e localiza\u00e7\u00e3o do gado, que \u00e9 como funciona o ciclo de acumulac\u00e7\u00e3o de terra, &#8220;h\u00e1 um per\u00edodo de espera, que \u00e9 para ver se algu\u00e9m vem disputar, como a corpora\u00e7\u00e3o (ambiental) a pol\u00edcia, ou o ex\u00e9rcito, algu\u00e9m venha para criar problemas por essa \u00e1rea que foi desmatada&#8221;, diz ela.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela explica que como ningu\u00e9m diz nada, a ocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 consolidada, e acrescenta que os novos ocupantes &#8220;n\u00e3o est\u00e3o interessados no terreno, eles n\u00e3o querem ficar com o terreno. Eles sabem que em algum momento ser\u00e3o expulsos, o que eles querem \u00e9 aproveitar, usar essa terra enquanto n\u00e3o forem expulsos, o que pode acontecer em um ano, 50 anos ou nunca&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>De colonos a reflorestadores<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Agora estamos vivenciando a mais recente onda de coloniza\u00e7\u00e3o. A primeira come\u00e7ou em meados do s\u00e9culo 20, liderada pelo Estado, que batizou os rec\u00e9m-chegados como &#8220;colonos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Um colono \u00e9 fundamentalmente um campon\u00eas deslocado&#8221;, aponta Alfredo Molano, escritor e pesquisador do conflito colombiano, em uma palestra sobre a coca. No sudeste da Col\u00f4mbia, explica, era &#8220;uma verdadeira proeza derrubar um hectare com um machado naquela \u00e9poca&#8221;. Tratava-se de uma tarefa verdadeiramente tit\u00e2nica. E foi isso que os colonos fizeram: entraram, derrubaram a floresta e imediatamente a queimavam para plantar milho.<\/p>\n\n\n\n<p>Os colonos receberam o status de &#8220;civilizadores&#8221; de terras ausentes, e suas fazendas foram valorizadas como os lugares onde a economia capitalista e o progresso se juntavam&#8221;, explicam os antrop\u00f3logos Carlos Del Cairo e Iv\u00e1n Montenegro-Perini no artigo &#8220;Espa\u00e7os, Camponeses e Subjetividades Ambientais em Guaviare&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/102.jpg\" alt=\"Guaviare. Foto: Sara Castillejo Ditta.\" class=\"wp-image-799\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212352\/102.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212352\/102-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212352\/102-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>A CHEGADA DOS PRIMEIROS COLONOS QUE ATRAVESSARAM A FLORESTA EM GUAVIARE REMONTA A MEADOS DO S\u00c9CULO XX. FOTO: SARA CASTILLEJO.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Ainda hoje, em San Jos\u00e9&nbsp; se pode observar certo hero\u00edsmo quando os vizinhos se apresentam como &#8220;colonos&#8221; que vieram de todos os cantos da Col\u00f4mbia. De fato, todos os anos, em agosto, \u00e9 realizado o Festival das Col\u00f4nias, promovido pelo governo.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa gera\u00e7\u00e3o n\u00e3o tinha rela\u00e7\u00e3o profunda com Guaviare, e estava condicionada pela ind\u00fastria extrativista. Antes, era a borracha, a madeira, as peles e, mais recentemente, a maconha, a coca e o gado, explica Ang\u00e9lica Rojas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O tempo todo se ouvia: &#8216;O que eu posso ganhar para poder ir embora?&#8217; N\u00e3o &#8216;o que eu posso deixar para o solo?&#8217; Nem &#8216;como posso me relacionar melhor com isto?&#8217;.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas uma nova gera\u00e7\u00e3o de habitantes mais enraizados a Guaviare, e inclusive aqueles nascidos nesta regi\u00e3o amaz\u00f4nica, parecem desafiar a tradi\u00e7\u00e3o. Embora as tens\u00f5es persistam, e o gado e a coca continuem, desde a fazenda El Sina\u00ed, de Gait\u00e1n e Rodr\u00edguez, ou de El Diamante de las Aguas, de Jairo Sedano,&nbsp; s\u00e3o feitos pequenos ou grandes gestos de conserva\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m expressam sua inten\u00e7\u00e3o de permanecer no territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/10-2-1024x768.jpg\" alt=\"Guaviare. Foto: Sara Castillejo Ditta.\" class=\"wp-image-800\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212351\/10-2-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212351\/10-2-300x225.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212351\/10-2-768x576.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212351\/10-2-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212351\/10-2-2048x1536.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>MARIA GAIT\u00c1N, NASCIDA EM GUAVIARE E PERTENCENTE \u00c0 GERA\u00c7\u00c3O DOS FILHOS DOS PRIMEIROS COLONOS, EST\u00c1 DISPOSTA A MUDAR SUA RELA\u00c7\u00c3O COM A FLORESTA PARA FICAR. FOTO: SARA CASTILLEJO.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Antes, acrescenta Maria, &#8220;\u00e9ramos cru\u00e9is com a floresta (&#8230;) Agiamos contra a floresta sem compaix\u00e3o. Hoje d\u00f3i, d\u00f3i derrubar uma \u00e1rvore&#8221; e ela se lembra de seus filhos. &#8220;Essa mentalidade que eu tinha, eles n\u00e3o a t\u00eam&#8221;. A menina, o menino (&#8230;) eles comem uma semente e plantam uma \u00e1rvore ou dizem: &#8220;Mam\u00e3e, leve uma para a fazenda e plante&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/eee.png\" alt=\"Tierra de Resistentes\" class=\"wp-image-3766\" width=\"100\" height=\"100\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211834\/eee.png 400w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211834\/eee-300x300.png 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211834\/eee-150x150.png 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 100px) 100vw, 100px\" \/><\/figure><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em Guaviare, o terceiro departamento com maior \u00edndice de desmatamento da Col\u00f4mbia, camponeses e colonos impulsionam iniciativas de conserva\u00e7\u00e3o e aproveitamento sustent\u00e1vel da floresta amaz\u00f4nica, na contram\u00e3o de atividades mais rent\u00e1veis e populares por\u00e9m prejudiciais: a pecu\u00e1ria extensiva e o cultivo da coca. 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