{"id":667,"date":"2019-04-23T17:36:00","date_gmt":"2019-04-23T17:36:00","guid":{"rendered":"http:\/\/tierra.jerrejerre.com\/es\/?p=667"},"modified":"2021-04-21T05:56:09","modified_gmt":"2021-04-21T05:56:09","slug":"peligro-en-la-frontera-indigenas-tikuna-defienden-el-bosque-de-las-garras-del-narcotrafico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/2019\/04\/23\/peligro-en-la-frontera-indigenas-tikuna-defienden-el-bosque-de-las-garras-del-narcotrafico\/","title":{"rendered":"Perigo na fronteira: os ind\u00edgenas ticuna defendem a floresta das garras dos narcotraficantes"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-color has-small-font-size\" style=\"color:#0f0f0f;max-width:830px;margin-top:0px;margin-bottom:68px\"><em><strong>Os ind\u00edgenas ticuna resolveram proteger suas florestas em uma \u00e1rea do Peru onde culturas il\u00edcitas declararam guerra \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o. Equipados com telefones celulares, GPS e mapas, eles enfrentam madeireiros e traficantes de drogas, que respondem amea\u00e7ando mat\u00e1-los. Estes homens e mulheres, os esquecidos da fronteira, imploram ao Estado que os escute por uma vez.<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Toda vez que a erradica\u00e7\u00e3o de cultivos il\u00edcitos \u00e9 realizada em uma comunidade ind\u00edgena do lado peruano do trap\u00e9zio amaz\u00f4nico, seus habitantes se sentem perdidos. Eles sabem que o que est\u00e1 por vir \u00e9 o inferno e que levantar-se levar\u00e1 uma eternidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 como se eles estivessem demolindo uma casa e ela ca\u00edsse sobre voc\u00ea&#8221;, diz Artemio da comunidade ind\u00edgena de Nueva Galilea, no extremo leste do departamento peruano de Loreto. Por causa do risco que enfrentam, pede que seu sobrenome n\u00e3o seja mencionado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A \u00faltima vez que o Estado erradicou as planta\u00e7\u00f5es ilegais de folha de coca naquela parte do pa\u00eds foi em 2015. <\/strong>Naquele ano, Pablo Garcia, um l\u00edder ind\u00edgena ticuna, escolheu n\u00e3o se deixar levar pelo desespero e entendeu aquele epis\u00f3dio, a erradica\u00e7\u00e3o das plantas, como uma met\u00e1fora.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>O problema \u00e9 que agora ele tem que enfrentar os madeireiros e traficantes de drogas que invadem seu territ\u00f3rio.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Essa cena para Pablo representou apenas uma coisa: um novo come\u00e7o. Ele \u00e9 talvez o \u00fanico ou um dos poucos que ousa ser otimista em uma das fronteiras mais esquecidas do Peru. Ele n\u00e3o apenas decidiu optar por uma economia legal, mas escolheu, junto com tr\u00eas de seus companheiros, tornar-se um guardi\u00e3o da floresta. Desde esse momento, <strong>equipado com um telefone celular com GPS e um mapa de sat\u00e9lite, ele persegue os alertas de desmatamento sempre que eles aparecem em sua tela.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O problema \u00e9 que agora ele tem que enfrentar os madeireiros e traficantes de drogas que invadem seu territ\u00f3rio. Ele sabe que n\u00e3o \u00e9 mais apenas sua economia que est\u00e1 em jogo, mas tamb\u00e9m sua vida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images.prismic.io\/opendataiii\/f3178957610805b2badf973b69ee7c72b5dde5ae_img_4307.jpg?auto=compress,format\" alt=\"\"\/><figcaption>QUADRO DE DESMATAMENTO REGISTRADO, COM A AJUDA DE UM DRONE, PELOS MONITORES AMBIENTAIS DO BUEN JARD\u00cdN EM FEVEREIRO DESTE ANO. FOTO: MONITORES AMBIENTAIS DE BUEN JARD\u00cdN.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Ele ainda se lembra de quando dois grupos de traficantes de drogas transformaram a comunidade de Buen Jard\u00edn de Callar\u00fa em um campo de batalha.<\/strong> &#8220;Eu era o <em>apu<\/em> (l\u00edder) da comunidade, estava realizando uma reuni\u00e3o com o professor e outras autoridades, e \u00e0s 8 horas da manh\u00e3 ouvimos que alguns botes estavam chegando aqui em quantidade, uma chalupa, eles estavam atirando. E o outro grupo, os que estavam no bote, foi at\u00e9 a comunidade e come\u00e7ou a correr armado, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0quela casa ali e os outros estavam atirando&#8221;. Isso aconteceu em 2014, um ano antes da segunda campanha de erradica\u00e7\u00e3o da coca nesta comunidade de Loreto localizada na prov\u00edncia de Mariscal Ram\u00f3n Castilla, distrito de Yavar\u00ed. Perguntamos a Pablo se ele teme que a viol\u00eancia volte \u00e0 sua comunidade, e ele respondeu que sim.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Eu era o <em>apu<\/em> (l\u00edder) da comunidade, estava realizando uma reuni\u00e3o com o professor e outras autoridades, e \u00e0s 8 horas da manh\u00e3 ouvimos que alguns botes estavam chegando aqui em quantidade, uma chalupa, eles estavam atirando.&#8221;<\/p><cite>Pablo Garc\u00eda<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>As amea\u00e7as s\u00e3o uma sombra persegue a este grupo de monitores ambientais. <\/strong>Eles s\u00e3o vistos como uma pedra no sapato daqueles que ganham a vida com o tr\u00e1fico de drogas. \u00c0s vezes eles s\u00e3o tamb\u00e9m o muro que impede que as culturas il\u00edcitas continuem avan\u00e7ando. Isto acontece em Buen Jard\u00edn, mas tamb\u00e9m em outras comunidades ticuna como Nueva Galilea e Cushillococha. <strong>As planta\u00e7\u00f5es de folha de coca se recuperaram ap\u00f3s a \u00faltima interven\u00e7\u00e3o do Estado, a replanta\u00e7\u00e3o \u00e9 uma realidade e neste cen\u00e1rio surge uma quest\u00e3o: o que est\u00e1 em jogo quando se quer cuidar da floresta?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">&#8220;Disse que ia nos matar&#8221;<\/h2>\n\n\n\n<p>Para viajar no in\u00edcio do ano para as comunidades ind\u00edgenas do Baixo Amazonas, na tripla fronteira com Leticia e Tabatinga, cidades da Col\u00f4mbia e do Brasil, \u00e9 necess\u00e1rio se locomover o tempo todo de &#8216;peque-peques&#8217;, pequenos barcos r\u00fasticos que navegam diariamente na bacia amaz\u00f4nica. As chuvas elevam o n\u00edvel dos rios, aparecem novas <em>cochas<\/em> (lagos) e \u00e9 a melhor \u00e9poca do ano para conhecer as florestas inundadas da Amaz\u00f4nia peruana.<\/p>\n\n\n\n<p>Para chegar \u00e0 casa de Pablo Garcia tivemos que navegar, sem exageros, pelas ruas da comunidade. As estacas de sua casa ficaram afundadas debaixo d&#8217;\u00e1gua, \u00e9 por isso que tivemos que pular no meio das escadas. Pablo estava esperando por n\u00f3s, pronto para o patrulhamento. Botas altas de borracha, um jeans gasto, um estojo de celular pendurado em seu cinto, uma pequena mochila preta que ele carrega cruzada de um lado para o outro &#8211; como se ele tivesse o cuidado de n\u00e3o deixar nada prejudicar sua mobilidade &#8211; e aquele entusiasmo que \u00e9 contagioso para aqueles ao seu redor.<\/p>\n\n\n\n<figure><iframe loading=\"lazy\" width=\"480\" height=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mlQB9lS0kcU?feature=oembed\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe><\/figure>\n\n\n\n<p>Talvez devido a esse otimismo e coragem de enfrentar as tempestades, os habitantes de Buen Jard\u00edn o designaram a<em>pu<\/em> da comunidade no per\u00edodo anterior. Hoje o cargo est\u00e1 nas m\u00e3os de outro ticuna, mas Pablo Garc\u00eda, do cargo de secret\u00e1rio que ocupa agora, est\u00e1 envolvido em todas as decis\u00f5es e tarefas de Buen Jard\u00edn. O respeito e a aten\u00e7\u00e3o com que o escutam \u00e9 o de uma autoridade que ainda conserva.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A primeira coisa que ele fez quando nos viu foi nos dizer que h\u00e1 dois dias tinham detectado um novo fragmento de desmatamento: 30 hectares dos 1771 hectares que s\u00e3o parte da comunidade, plantados com culturas ilegais.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Isso n\u00e3o estava l\u00e1 e agora h\u00e1 s\u00f3 plantas de coca, n\u00e3o cultivamos quase coca. \u00c9 territ\u00f3rio de Buen Jard\u00edn&#8221;, diz Pablo.<\/p>\n\n\n\n<p>O desmatamento n\u00e3o passa mais despercebido a Pablo e aos outros monitores. Hoje eles conhecem muito bem os limites de seu territ\u00f3rio, n\u00e3o s\u00f3 porque o patrulham, mas tamb\u00e9m porque o viram pela primeira vez em um mapa de sat\u00e9lite.<strong> Todos os dias, com seus celulares e um aplicativo que lhes permite receber alertas, eles saem para verificar poss\u00edveis incurs\u00f5es em suas florestas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Hoje eles conhecem muito bem os limites de seu territ\u00f3rio, n\u00e3o s\u00f3 porque o patrulham, mas tamb\u00e9m porque o viram pela primeira vez em um mapa de sat\u00e9lite<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Naquela manh\u00e3 eles nos guiaram para um dos fragmentos que mais os preocupa. O bote se movia lentamente ao longo de um riacho, contornando as \u00e1rvores, os troncos, passando pelos raios de luz que penetravam suavemente atrav\u00e9s do dossel florestal. Seis pessoas a bordo de um \u2018peque peque\u2019 navegando pela selva inundada da comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Meia hora depois desembarcamos, caminhamos por 10 minutos, at\u00e9 que o verde claro das folhas de coca come\u00e7ou a nos envolver. Pablo tirou seus \u00f3culos de leitura e junto com Camila Flores, Miguel Rivera e Enoc Chanchari come\u00e7aram a identificar o lugar. <strong>O GPS indicava que est\u00e1vamos a poucos metros do fragmento, mas a \u00e1gua se tornou um obst\u00e1culo. Os monitores usaram um drone, que aprenderam a usar com a ajuda da Rainforest Foundation<\/strong> &#8211; uma funda\u00e7\u00e3o americana que os treinou no uso desta e de outras tecnologias &#8211; e o ativaram para mostrar o desmatamento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O drone subiu sobre as copas das \u00e1rvores e de repente um quadrante completamente desmatado apareceu na tela do telefone celular.<\/strong> Os paus no ch\u00e3o contrastavam com a vegeta\u00e7\u00e3o abundante da \u00e1rea e as planta\u00e7\u00f5es de cacau da comunidade. Uma ilha de terra no meio de um verde intenso. Eles estimam que perderam mais 300 metros quadrados de floresta.<\/p>\n\n\n\n<figure><iframe loading=\"lazy\" width=\"480\" height=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/OjEn4Ki5QTk?feature=oembed\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe><\/figure>\n\n\n\n<p>Quando receberam o primeiro alerta, em meados de 2008, eles foram imediatamente investigar a \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;<strong>Fomos at\u00e9 onde estava a fronteira de nosso territ\u00f3rio e encontramos um invasor que vive em Bellavista<\/strong>&#8220;, diz Pablo Garc\u00eda. Disseram-lhe que trariam as autoridades, mas o invasor &#8220;continuava nos amea\u00e7ando, dizendo que ia nos matar&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Como ele n\u00e3o saiu de seu territ\u00f3rio e as amea\u00e7as continuaram, Pablo Garc\u00eda e Jorge Guerrero, o <em>apu<\/em> de Buen Jard\u00edn, foram conversar com o <em>apu<\/em> da comunidade ticuna de Bellavista de Callar\u00fa, cujo territ\u00f3rio faz fronteira com o deles.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o queremos que voc\u00eas entrem mais em nosso territ\u00f3rio e deteriorem nossa floresta. J\u00e1 chega, parem com isso. Se voc\u00ea tem essa fazenda, cultive essa fazenda, mas n\u00e3o desmate mais minha floresta. Nosso territ\u00f3rio vai se tornar pampa&#8221;, narra Pablo que eles disseram ao <em>apu<\/em> de Bellavista e que ele concordou em parar o problema.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas Pablo voltou para Buen Jard\u00edn com muito pouca esperan\u00e7a, especialmente porque antes de entrar na reuni\u00e3o eles o tinham amea\u00e7ado novamente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;N\u00e3o queremos que voc\u00eas entrem mais em nosso territ\u00f3rio e deteriorem nossa floresta. J\u00e1 chega, parem com isso. Se voc\u00ea tem essa fazenda, cultive essa fazenda, mas n\u00e3o desmate mais minha floresta. Nosso territ\u00f3rio vai se tornar pampa&#8221;<\/p><cite>Pablo Garc\u00eda<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>&#8220;Voc\u00ea sabe, Pablo, agora mesmo eles v\u00e3o te pegar, v\u00e3o te amarrar e dar sua surra. Eu disse: &#8216;Por que v\u00e3o me pegar e dar uma surra? Por acaso eu estou entrando em seu territ\u00f3rio? N\u00e3o estou entrando em seu territ\u00f3rio, mas voc\u00eas se intrometeram e n\u00f3s temos que cuidar desse assunto&#8221;. \u00c9 assim que Pablo Garcia se lembra daquela cena que permanece fresca em sua mem\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele tamb\u00e9m n\u00e3o esquece as \u00faltimas palavras que lhe disseram antes de entrar na reuni\u00e3o: &#8220;Vamos enforc\u00e1-los&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os moradores de Buen Jard\u00edn nunca se cansam de repetir, quase como um mantra, que o tr\u00e1fico de drogas ainda est\u00e1 presente em Bellavista.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quando em 2014, o <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">Projeto Especial <a href=\"https:\/\/mail.corahperu.org\/\">Corah<\/a><\/span> &#8211; respons\u00e1vel pela erradica\u00e7\u00e3o de cultivos il\u00edcitos em todo o Peru &#8211; come\u00e7ou a operar na prov\u00edncia de Mariscal Ramon Castilla, no Baixo Amazonas, erradicou uma \u00e1rea de 1.816 hectares de coca. Naquele ano eles n\u00e3o chegaram a Bellavista de Callar\u00fa. Mas um ano depois, em 2015, a interven\u00e7\u00e3o foi muito maior e foram eliminados 13.805 hectares de coca na prov\u00edncia e somente em Bellavista, 1.426 hectares distribu\u00eddos em 795 parcelas. As campanhas de 2014 e 2015, de acordo com o \u00faltimo <a href=\"https:\/\/www.unodc.org\/documents\/crop-monitoring\/Peru\/Peru_Monitoreo_de_Cultivos_de_Coca_2017_web.pdf\">relat\u00f3rio<\/a> de monitoramento do cultivo de coca do Escrit\u00f3rio das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), reduziram os cultivos il\u00edcitos na Baixa Amaz\u00f4nia para 370 hectares, mas em 2017 houve um replantio significativo e um aumento que atinge cerca 1823 hectares. A este n\u00famero devem ser acrescentadas, al\u00e9m disso, as planta\u00e7\u00f5es de coca do ano passado.<\/p>\n\n\n\n<figure><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/e.infogram.com\/c40ddd34-cb60-4ba6-a166-eff3fef5ed92?src=embed\" width=\"100%\" height=\"720\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;A maior concentra\u00e7\u00e3o de cultivo foi encontrada nas comunidades de San Jos\u00e9 de Cochiquinas, Alto Monte, San Pablo, Cushillococha, Bellavista e Erene&#8221;, detalha o <a href=\"https:\/\/www.unodc.org\/documents\/crop-monitoring\/Peru\/Peru_Monitoreo_de_Cultivos_de_Coca_2017_web.pdf\">relat\u00f3rio<\/a> do UNODC. Segundo a ag\u00eancia da ONU, a produ\u00e7\u00e3o de coca est\u00e1 &#8220;ligada&#8221; ao mercado colombiano devido a dois fatores: <strong>&#8220;a aus\u00eancia de galp\u00f5es para a secagem&#8221; nesta \u00e1rea do Peru, o que sugere que a folha de coca \u00e9 processada &#8220;verde&#8221; (como \u00e9 costume na Col\u00f4mbia), e a proximidade com a fronteira colombiana.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Isto coincide com as informa\u00e7\u00f5es fornecidas por fontes policiais da \u00e1rea. Em uma conversa com Mongabay Latam, eles disseram que s\u00e3o <strong>os cidad\u00e3os colombianos que injetam dinheiro nas comunidades peruanas do Trap\u00e9zio Amaz\u00f4nico para que eles plantem coca e depois comprar toda a colheita deles.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>a produ\u00e7\u00e3o de coca est\u00e1 &#8220;ligada&#8221; ao mercado colombiano<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Pablo Garc\u00eda e o <em>apu<\/em> Jorge Guerrero sustentam que em Bellavista eles s\u00e3o vistos como informantes do servi\u00e7o de intelig\u00eancia, da divis\u00e3o de narc\u00f3ticos, apesar de lhes terem explicado mais de uma vez que n\u00e3o informam \u00e0 pol\u00edcia, que s\u00f3 est\u00e3o interessados em cuidar de sua floresta.<\/p>\n\n\n\n<p>Por causa de amea\u00e7as como esta e da hist\u00f3ria de Bellavista, Pablo Garc\u00eda est\u00e1 convencido de que as planta\u00e7\u00f5es de coca logo aparecer\u00e3o no espa\u00e7o rec\u00e9m-desmatado.<\/p>\n\n\n\n<figure><iframe loading=\"lazy\" width=\"480\" height=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/YSpGpdda9aM?feature=oembed\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe><\/figure>\n\n\n\n<p>Entramos em contato com o <em>apu<\/em> de Bellavista, Teodoro Ayde Lozano, para perguntar-lhe sobre estas acusa\u00e7\u00f5es. <strong>&#8220;Solicitamos uma expans\u00e3o do territ\u00f3rio. Depois dessa expans\u00e3o, na verdade \u00e9 Buen Jard\u00edn que est\u00e1 invadindo as terras de Bellavista&#8221;, respondeu.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O que Buen Jard\u00edn est\u00e1 denunciando \u00e9 que est\u00e1 sendo plantada coca naquela \u00e1rea&#8221;, n\u00f3s lhe dissemos. &#8220;Nada, apenas mandioca, nada mais&#8221;, respondeu o <em>apu<\/em> de forma contundente. &#8220;Aqui n\u00e3o acontece, as pessoas trabalham bem&#8221;, continua. A entrevista acontece dentro de sua casa e ele n\u00e3o para de olhar constantemente para a rua. <strong>Durante os 30 minutos da conversa, passaram pelo menos tr\u00eas cidad\u00e3os colombianos, saudando-o.\u00a0 &#8220;Antes havia problemas, mas agora tudo est\u00e1 calmo&#8221;, conclui.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>As coordenadas, por\u00e9m, n\u00e3o mentem: essa floresta pertence a Buen Jard\u00edn de Callar\u00fa.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A chegada de um promotor<\/h2>\n\n\n\n<p>No final de 2018, o <em>apu<\/em> de Buen Jard\u00edn recebeu uma visita inesperada na comunidade. Um grupo de colombianos queria falar com ele.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">-Havia muitos colombianos que me diziam: &#8220;Para com isso, <em>apu<\/em>, eu te dou uma grana, arranje mais terreno!&#8221; Isso foi no m\u00eas de outubro de 2018.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">-Voc\u00ea se assustou?<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">-Sim, \u00e9 por isso que eu tamb\u00e9m n\u00e3o aceitei. Eu n\u00e3o aceitei para que n\u00e3o come\u00e7assem a destrui\u00e7\u00e3o e depois o plantio da coca. Eles queriam me dar dinheiro. &#8216;N\u00e3o&#8217;, eu lhes disse.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fartos da press\u00e3o e das amea\u00e7as, os habitantes de Buen Jard\u00edn tomaram uma decis\u00e3o: levar as provas reunidas a um procurador<\/strong> (ponto georreferenciado, fotografias e v\u00eddeos). O presidente da Organiza\u00e7\u00e3o Regional dos Povos Ind\u00edgenas do Leste (Orpio) ajudou-os a canalizar sua den\u00fancia, que chegou \u00e0s m\u00e3os de Alberto Yusen Caraza, procurador provincial da Procuradoria Especializada em Assuntos Ambientais (FEMA) de Loreto.<\/p>\n\n\n\n<p>O promotor Caraza chegou a Buen Jard\u00edn de Callar\u00fa no in\u00edcio de fevereiro deste ano, acompanhado de membros da pol\u00edcia nacional. Eles n\u00e3o encontraram o invasor no local, mas percorreram a floresta e registraram imagens do desmatamento com a ajuda de um drone. Em uma entrevista com Mongabay Latam, o promotor da FEMA de Loreto disse que eles tamb\u00e9m detectaram <strong>&#8220;uma zona de perigo a 200 metros de dist\u00e2ncia, devido \u00e0 presen\u00e7a de planta\u00e7\u00f5es de coca&#8221;.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images.prismic.io\/opendataiii\/66bf28937acd5c919b150f456942b86b54aded8d_3.jpg?auto=compress,format\" alt=\"\"\/><figcaption>O PROMOTOR ALBERTO CARAZA CHEGOU EM FEVEREIRO DESTE ANO A BUEN JARDIN DE CALLAR\u00da PARA CONFIRMAR A DEN\u00daNCIA APRESENTADA PELA COMUNIDADE. FOTO: RAINFOREST FOUNDATION.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s confirmar o desmatamento e reconhecer a presen\u00e7a de cultivos il\u00edcitos, o promotor ambiental falou sobre a seguran\u00e7a na \u00e1rea.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Na \u00e1rea h\u00e1 um problema de seguran\u00e7a pessoal; \u00e9 uma zona de cultivo de coca que \u00e9 sempre vigiada por pessoas armadas&#8221;, disse Caraza, que acrescentou que esta n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica den\u00fancia deste tipo que receberam este ano.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os habitantes de Buen Jard\u00edn n\u00e3o sabem o que mais fazer, e agora tamb\u00e9m t\u00eam que lidar com os 30 hectares de coca que surgiram recentemente em seu territ\u00f3rio.<\/strong>\u00a0<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cNa \u00e1rea h\u00e1 um problema de seguran\u00e7a pessoal; \u00e9 uma zona de cultivo de coca que \u00e9 sempre vigiada por pessoas armadas\u201d<\/p><cite>Alberto Yusen Caraza<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>&#8220;Eles est\u00e3o cortando at\u00e9 agora. N\u00e3o sei como vamos resolver isso, terei que ir com o <em>apu<\/em> para conversar com as pessoas de Bellavista, para que eles n\u00e3o avancem mais aqui&#8221;, diz Pablo Garc\u00eda, que sabe muito bem que a cada visita ele coloca sua vida em risco.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Aqui n\u00e3o podemos falar abertamente sobre a m\u00e1fia, n\u00e3o podemos falar&#8221;. Se formos denunci\u00e1-los \u00e0 pol\u00edcia, a pol\u00edcia informa a eles. &#8220;Se voc\u00ea for comprar alguma coisa em Tabatinga (Brasil), ali eles te desaparecem&#8221;, confessa Pablo com resigna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Aqui n\u00e3o podemos falar abertamente sobre a m\u00e1fia, n\u00e3o podemos falar&#8221;. Se formos denunci\u00e1-los \u00e0 pol\u00edcia, a pol\u00edcia informa a eles. &#8220;Se voc\u00ea for comprar alguma coisa em Tabatinga (Brasil), ali eles te desaparecem&#8221;.<\/p><cite>Pablo Garc\u00eda<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>Em Bellavista, longe do medo incutido nos habitantes de Buen Jard\u00edn, h\u00e1 um ar de impunidade. <\/strong>No pequeno porto desta pequena cidade h\u00e1 barcos a motor estacionados, restaurantes, armaz\u00e9ns e lojas bem abastecidas, como em nenhuma outra comunidade de ticuna na regi\u00e3o. <strong>Os testemunhos que conseguimos reunir indicam que colombianos e peruanos chegam todos os dias de diferentes partes da comunidade para trabalhar como &#8216;raspachines&#8217;<\/strong>, como s\u00e3o conhecidos aqueles que colhem folhas de coca, ou para trabalhar nos laborat\u00f3rios de processamento estabelecidos dentro da comunidade, longe do n\u00facleo do centro da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/albumizr.com\/a\/bkuY\" allowfullscreen=\"\" width=\"100%\" height=\"500\"><\/iframe><\/figure>\n\n\n\n<div><small style=\"font-size:60%\">VISTAS DA COMUNIDADE DE BELLAVISTA DE CALLAR\u00da REGISTRADAS COM DIFICULDADE PORQUE H\u00c1 RESIST\u00caNCIA DOS HABITANTES QUANDO ELES V\u00caEM PESSOAS TIRANDO FOTOGRAFIAS. FOTO: VANESSA ROMO.<\/small><div class=\"_3C-sm\"><div><p><\/p><\/div><\/div><\/div>\n\n\n\n<p>Os poucos ind\u00edgenas que ainda vivem em Bellavista preferem n\u00e3o contradizer o estilo de vida do resto dos habitantes, porque muitos desses colombianos e peruanos ficaram morando na comunidade. <strong>&#8220;A popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 crescendo, h\u00e1 estrangeiros que v\u00eam morar aqui e ficam com os ticunas&#8221;<\/strong>, diz Leonel Ayde, vice-prefeito da comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p>O processo de erradica\u00e7\u00e3o aqui seguiu o mesmo caminho que no resto do Trap\u00e9zio Amaz\u00f4nico, j\u00e1 que <strong>ap\u00f3s a interven\u00e7\u00e3o do Corah e o fracasso das culturas alternativas, o replantio da folha de coca escalou<\/strong>. &#8220;Por aqui, a maioria das pessoas se dedica a isso porque n\u00e3o h\u00e1 alternativa&#8221;, diz Leonel. Ele est\u00e1 se referindo ao povo ind\u00edgena. &#8220;N\u00f3s plantamos coca para sobreviver, porque se esperarmos pelos resultados do cacau, quanto tempo ele vai durar?&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Solicitamos uma entrevista com a Pol\u00edcia Nacional do Peru, atrav\u00e9s de sua Diretoria de Comunica\u00e7\u00e3o e Imagem Institucional, para saber como eles controlam a viol\u00eancia e as atividades ilegais nesta \u00e1rea de fronteira, mas at\u00e9 o momento da reda\u00e7\u00e3o desta reportagem n\u00e3o recebemos resposta.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cN\u00f3s plantamos coca para sobreviver, porque se esperarmos pelos resultados do cacau, quanto tempo ele vai durar?\u201d<\/p><cite>Leonel Ayde<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Para Tom Bewick, diretor no Peru do projeto Rainforest Foundation, que equipou com tecnologia 36 comunidades ind\u00edgenas em Loreto, incluindo Buen Jard\u00edn, os monitores ambientais que vivem na \u00e1rea s\u00e3o vulner\u00e1veis por causa do trabalho que fazem para conservar suas florestas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8220;O importante para n\u00f3s \u00e9 que o Estado implemente a\u00e7\u00f5es para proteger os defensores ambientais ind\u00edgenas que assumem a lideran\u00e7a na prote\u00e7\u00e3o de suas florestas&#8221;<\/strong>, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Bewick explica que devido ao trabalho que eles fazem, que est\u00e1 na contram\u00e3o dos interesses dos atores ilegais na \u00e1rea, os monitores s\u00e3o vistos como um perigo. \u00c9 por isso que ele enfatiza a necessidade de manter um registro das amea\u00e7as e reunir mais provas para entregar \u00e0s autoridades. &#8220;Acho que eles v\u00e3o receber mais amea\u00e7as porque est\u00e3o trabalhando para proteger, para conservar seu territ\u00f3rio&#8221;, conclui.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">&#8220;N\u00f3s matamos os informantes&#8221;<\/h2>\n\n\n\n<p>Isaac Witancor e Leidi Valent\u00edn patrulham seu territ\u00f3rio a cada tr\u00eas dias, guiados pelos alertas de desmatamento que recebem em seus telefones celulares. Os dois vivem na comunidade ticuna de Nueva Galilea e enfrentam um enorme desafio: conservar mais de 2.787 hectares de floresta.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre 2001 e 2017, de acordo com relat\u00f3rios da Rainforest Foundation, a comunidade perdeu mais de 682 hectares de floresta devido \u00e0 incurs\u00e3o de invasores.<\/p>\n\n\n\n<p>Isaac lembra que h\u00e1 seis meses, durante um de seus monitoramentos, <strong>eles se depararam com um grupo de colombianos que derrubavam as \u00e1rvores de Nueva Galilea<\/strong>. &#8220;Eles cortaram e fizeram uma fazenda de cacau, bananas e, principalmente, cultivos il\u00edcitos&#8221;, disse o monitor de 23 anos, que diz que dez pessoas, incluindo homens e mulheres, est\u00e3o sempre percorrendo o territ\u00f3rio da comunidade.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cEles v\u00eam e se instalam, montam acampamento e trabalham l\u00e1. N\u00f3s vamos avis\u00e1-los, para que n\u00e3o toquem mais na floresta virgem, e fazemos este trabalho para que n\u00e3o haja mais invasores\u201d<\/p><cite>Isaac Witancor<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>&#8220;Eles v\u00eam e se instalam, montam acampamento e trabalham l\u00e1. N\u00f3s vamos avis\u00e1-los, para que n\u00e3o toquem mais na floresta virgem, e fazemos este trabalho para que n\u00e3o haja mais invasores&#8221;, explica com preocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Leidi Valent\u00edn, a \u00fanica monitora feminina da comunidade, tamb\u00e9m lamenta a perda da floresta, mas especialmente porque <strong>ela ver como as aves, os caititus, as queixadas e as antas t\u00eam se afastado da comunidade<\/strong>. Aqueles gritos de que ela gosta tanto dos animais, s\u00f3 pode ouvi-los agora quando faz patrulhamento na floresta.<\/p>\n\n\n\n<p>Como seu parceiro, Leidi detectou planta\u00e7\u00f5es ilegais em seu territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2013 O que eles est\u00e3o plantando?<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2013O que eles est\u00e3o plantando \u00e9 coca.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2013N\u00e3o \u00e9 perigoso?<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2013 N\u00f3s vamos a esse ponto, mas eles n\u00e3o est\u00e3o l\u00e1, eles est\u00e3o longe da fazenda. Agora h\u00e1 rumores de que estamos dando informa\u00e7\u00f5es, e eles est\u00e3o nos amea\u00e7ando. Eles falaram para meus colegas que eles eram &#8220;delatores&#8221; que algo poderia nos acontecer a qualquer momento, que n\u00e3o est\u00e1 certo porque n\u00f3s damos informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Ser um monitor ambiental em uma \u00e1rea atingida pelo tr\u00e1fico de drogas o torna vulner\u00e1vel. Mas a esta jovem de 19 anos, obcecada em cuidar das florestas de Nueva Galilea, o perigo n\u00e3o a desanima.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Agora h\u00e1 rumores de que estamos dando informa\u00e7\u00f5es, e eles est\u00e3o nos amea\u00e7ando.&#8221;.<\/p><cite>Leidi Valent\u00edn<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Nem Darwin Isuiza, o mais velho de todos os monitores ambientais de Nueva Galilea, que est\u00e1 ciente dos perigos que enfrentam durante as patrulhas, tamb\u00e9m n\u00e3o se incomoda.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c0s vezes eles dizem que n\u00f3s somos informantes porque temos GPS, porque podemos dar informa\u00e7\u00f5es. \u00c9 o que eles est\u00e3o me dizendo&#8221;, diz Darwin, que agora est\u00e1 considerando deixar seu trabalho como monitor. &#8220;Eles podem fazer algo comigo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Os habitantes da comunidade ticuna de Nueva Galilea se deslocam, inevitavelmente, em um territ\u00f3rio cinzento. <strong>Embora seja claro que eles querem conservar suas florestas e gostariam de viver de uma economia legal, por enquanto n\u00e3o encontraram um mercado est\u00e1vel para o cacau que produzem. <\/strong>Eles n\u00e3o t\u00eam para onde lev\u00e1-lo e nenhum comprador, sem mencionar que uma boa parte dele acaba apodrecendo, como dizem, porque o Estado s\u00f3 os ajudou a administrar as colheitas.<\/p>\n\n\n\n<figure><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/albumizr.com\/a\/9T2g\" allowfullscreen=\"\" width=\"100%\" height=\"500\"><\/iframe><\/figure>\n\n\n\n<div><small style=\"font-size:60%\">VISTA DA COMUNIDADE DE BELLAVISTA DE CALLAR\u00da REGISTRADAS COM DIFICULDADE PORQUE H\u00c1 RESIST\u00caNCIA DOS HABITANTES QUANDO ELES VEEM PESSOAS TIRANDO FOTOGRAFIAS. FOTO: VANESSA ROMO.<\/small><div class=\"_3C-sm\"><div><p><\/p><\/div><\/div><\/div>\n\n\n\n<p>Isto os obriga, como dizem as autoridades comunit\u00e1rias, a trabalhar pelo menos duas vezes por m\u00eas como &#8220;raspachines&#8221; de folha de coca. Em um aparente paradoxo, eles ent\u00e3o investem parte do dinheiro que ganham em suas planta\u00e7\u00f5es de cacau.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira coisa que Artemio nos diz quando lhe perguntamos sobre suas planta\u00e7\u00f5es de cacau \u00e9: &#8220;Nos estamos em crise&#8221;. Por raz\u00f5es de seguran\u00e7a, ele n\u00e3o quer revelar mais detalhes de sua identidade, mas nos diz que<strong> est\u00e1 farto de que o Estado os obrigue a cuidar de seu cacau, que lhes deem fertilizantes e que n\u00e3o lhes deem nenhuma ajuda para sobreviver. <\/strong>&#8220;Precisamos de dinheiro para tirar o cacau e para fazer isso temos que trabalhar com a coca&#8221;, confessa, com vergonha.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cNos estamos em crise\u201d<\/p><cite>Artemio<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Esta \u00e9 a ironia da realidade com a qual eles t\u00eam que viver: <strong>para manter suas planta\u00e7\u00f5es de cacau, eles t\u00eam que ir e trabalhar com as planta\u00e7\u00f5es de coca.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Embora Nueva Galilea tente manter os invasores e as planta\u00e7\u00f5es ilegais fora de seu territ\u00f3rio, nos \u00faltimos anos eles sentem que est\u00e3o perdendo a batalha e, ao longo do caminho, arriscando suas vidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Edinson Ney \u00e9 o tenente governador da comunidade. Ele \u00e9 colombiano e chegou h\u00e1 mais de dez anos ap\u00f3s se casar com uma mulher ticuna de Nueva Galilea. Durante seu tempo na comunidade, ele confessa ter visto muitas coisas: <strong>desde a erradica\u00e7\u00e3o at\u00e9 o aumento do tr\u00e1fico de drogas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Hoje ele conta como \u00e9 dif\u00edcil enfrentar aqueles que invadem suas florestas.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Agora voc\u00ea vai e diz algo a eles e eles respondem: \u2018N\u00f3s matamos os informantes\u2019. Eu n\u00e3o quero voltar para l\u00e1, n\u00e3o tenho vontade de ir&#8221;<\/p><cite>Edinson Ney<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>&#8220;S\u00e3o as pessoas que t\u00eam dinheiro que chegaram h\u00e1 dois ou tr\u00eas anos e ganharam poder aqui. Agora voc\u00ea vai e diz algo a eles e eles respondem: \u2018N\u00f3s matamos os informantes\u2019. Eu n\u00e3o quero voltar para l\u00e1, n\u00e3o tenho vontade de ir&#8221;, diz Ney, para quem a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 cada vez mais complicada. Alguns dias antes desta entrevista, diz, algu\u00e9m foi morto no mato.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8220;Na semana passada houve uma morte l\u00e1, em Nueva Galilea, entre os colombianos. Quem matou foi um nativo, de Bellavista&#8221;<\/strong>, narra.<\/p>\n\n\n\n<p>A viol\u00eancia se instalou em suas florestas, onde hoje t\u00eam medo de fazer patrulhamento. Uma situa\u00e7\u00e3o da qual eles gostariam de fugir, mas para a qual s\u00e3o for\u00e7ados a voltar para sobreviver.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 mais nada para ganhar dinheiro aqui. Se n\u00e3o fosse pela coca, todas as casas da regi\u00e3o, todos os barcos, desapareceriam. Se n\u00e3o houvesse coca, n\u00e3o haveria nada. O governo n\u00e3o d\u00e1 nada aqui\u201d.<\/p><cite>Edinson Ney<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>&#8220;Quando voc\u00ea vai l\u00e1, voc\u00ea tem de ficar por uma semana inteira. E quando queremos, temos que ir com a esposa, com os filhos, com tudo, porque l\u00e1 h\u00e1 caf\u00e9 da manh\u00e3, almo\u00e7o e jantar. E aqui, quando n\u00e3o h\u00e1 comida, l\u00e1 eles d\u00e3o comida. Pego meus filhos e os coloco no bote, at\u00e9 os c\u00e3es comem l\u00e1&#8221;, diz ele sem se envergonhar. Edinson diz que para cada arroba de folha de coca coletado, eles recebem 0,70 centavos (menos de um d\u00f3lar). <strong>Um menino de 11 anos pode ganhar cerca de 29 soles por dia (8 USD), uma mulher 56 soles (16 USD) e um homem 105 soles por dia (31 USD).<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ele deixa passar alguns segundos, olha-nos nos olhos e acrescenta: &#8220;N\u00e3o h\u00e1 mais nada para ganhar dinheiro aqui. Se n\u00e3o fosse pela coca, todas as casas da regi\u00e3o, todos os barcos, desapareceriam. Se n\u00e3o houvesse coca, n\u00e3o haveria nada. O governo n\u00e3o d\u00e1 nada aqui&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Os esquecidos da fronteira<\/h2>\n\n\n\n<p>Sara, uma mulher ticuna que nos pede para ocultar seu verdadeiro nome por raz\u00f5es de seguran\u00e7a, lembra-se muito claramente do dia em que a erradica\u00e7\u00e3o chegou a Cushillococha. Eram 7 horas da manh\u00e3 e o som do alto-falante ecoava na casa de seus habitantes. A mensagem era clara e direta: <strong>o ex\u00e9rcito chegou, temos que enfrent\u00e1-los.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A comunidade inteira participou, \u00e9ramos 300 pessoas. Crian\u00e7as, jovens, adultos, av\u00f3s, todos. Eu n\u00e3o sabia o que ia acontecer, peguei meu beb\u00ea e cheguei. <strong>Os jovens come\u00e7aram a confrontar a pol\u00edcia. Os funcion\u00e1rios do Corah tamb\u00e9m.<\/strong> N\u00e3o houve tanta gente ferida, mas houve muita confronta\u00e7\u00e3o, pancadas, troca de palavras. Dissemos-lhes que n\u00e3o \u00e9 justo que eles nos fa\u00e7am essas coisas, que ganhemos a vida com isso&#8221;, diz Sara, que se lembra acima de tudo dos rostos desesperados do povo.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Dissemos-lhes que n\u00e3o \u00e9 justo que eles nos fa\u00e7am essas coisas, que ganhemos a vida com isso&#8221;<\/p><cite>Sara<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ela, como a maioria dos ticunas de Cushillococha, temia a chegada da crise. &#8220;Por que eles est\u00e3o fazendo isso conosco se somos o povo mais esquecidos de todos&#8221;, perguntou-se esta professora.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela lembra que um ano depois, chegou a <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">Devida<\/span> &#8211; a institui\u00e7\u00e3o governamental respons\u00e1vel pela estrat\u00e9gia nacional antidrogas &#8211; e o Pedicp &#8211; um projeto do Minist\u00e9rio da Agricultura que trabalha no desenvolvimento integral da bacia do rio Putumayo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ambas as institui\u00e7\u00f5es, segundo os entrevistados, propuseram os mesmos projetos a todas as comunidades: planta\u00e7\u00f5es de cacau ou mandioca, esta \u00faltima para produzir farinha. <strong>Todos se lembram da interven\u00e7\u00e3o da mesma maneira: a chegada dos promotores \u00e0s comunidades, o treinamento, a grande quantidade de fertilizantes que lhes deixaram e a aus\u00eancia de alimentos.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cPor que eles est\u00e3o fazendo isso conosco se somos o povo mais esquecidos de todos\u201d<\/p><cite>Sara<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>&#8220;O que aconteceu com a Devida \u00e9 que eles trouxeram muito material para trabalhar: fertilizantes, bombas, ferramentas&#8221;, explica o tenente governador de Nueva Galilea, para quem tudo estava bem at\u00e9 com isso. &#8220;<strong>O que eles &#8211; as comunidades &#8211; n\u00e3o imaginavam era que os alimentos n\u00e3o vinham com o equipamento<\/strong>, e todos descobriram que n\u00e3o havia alimentos para trabalhar. Naquele momento, todos entraram em crise&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Pablo Garc\u00eda de Buen Jard\u00edn, <strong>a pobreza nos distritos fronteiri\u00e7os \u00e9 imensa. <\/strong>Ele sobrevive vendendo suas bananas, mandioca e o cacau que aprendeu a processar artesanalmente. Ele o m\u00f3i em casa e faz pequenas bolinhas de chocolate que depois vende em Tabatinga. Hoje ele tem tr\u00eas hectares de cacau em produ\u00e7\u00e3o, mas ele reconhece que n\u00e3o \u00e9 suficiente.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Com dinheiro voc\u00ea ganha dinheiro, mas se n\u00e3o h\u00e1 dinheiro, como voc\u00ea vai ganhar dinheiro? Vivemos toda nossa vida neste estado em que estamos, queremos progredir, mas n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m para nos apoiar. N\u00f3s cultivamos, fazemos tudo, mas&#8230; com\u00e9rcio?&#8221; Essa \u00e9 a pergunta que todos est\u00e3o fazendo.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;e todos descobriram que n\u00e3o havia alimentos para trabalhar. Naquele momento, todos entraram em crise&#8221;<\/p><cite>Edinson Ney<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Entramos em contato com a Devida para perguntar-lhes sobre a interven\u00e7\u00e3o e como eles pretendem atender \u00e0s necessidades das comunidades ind\u00edgenas nos distritos de Ram\u00f3n Castilla e Yavar\u00ed, mas eles se recusaram a dar uma entrevista.<\/p>\n\n\n\n<p>O sil\u00eancio de Devida contrasta com as declara\u00e7\u00f5es do <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">Ministro do Interior Carlos Mor\u00e1n<\/span>, que h\u00e1 uma semana confirmou que ser\u00e3o realizadas a\u00e7\u00f5es de interdi\u00e7\u00e3o no Trap\u00e9zio Amaz\u00f4nico a partir deste m\u00eas at\u00e9 outubro. <strong>&#8220;Vamos erradicar 6200 hectares&#8221;<\/strong>, disse ele concisamente no contexto de um conflito social sobre o in\u00edcio da erradica\u00e7\u00e3o da coca em uma cidade do sul do Peru. Entretanto, segundo fontes no distrito de Ram\u00f3n Castilla, <strong>a tens\u00e3o sobre a iminente chegada do projeto Corah j\u00e1 est\u00e1 na comunidade, assim como foi quando eles chegaram pela primeira vez.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O general do PNP Victor Rucoba, diretor do Projeto Especial Corah &#8211; que depende do Minist\u00e9rio do Interior peruano &#8211; diz que a Devida deve se juntar ao esfor\u00e7o de erradica\u00e7\u00e3o, mas os recursos n\u00e3o s\u00e3o suficientes. Tamb\u00e9m n\u00e3o t\u00eam, explica ele, &#8220;a capacidade operacional para nos monitorar [Devida]. \u00c9 mais dif\u00edcil&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Vivemos toda nossa vida neste estado em que estamos, queremos progredir, mas n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m para nos apoiar.&#8221;.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O site de Devida, no entanto, indica que sua estrat\u00e9gia est\u00e1 progredindo muito bem em <a href=\"https:\/\/www.devida.gob.pe\/-\/devida-continua-promoviendo-desarrollo-de-15-comunidades-nativas-en-loreto\">pelo menos 15 comunidades ind\u00edgenas na Baixa Amaz\u00f4nia<\/a>. Ela anuncia o desenvolvimento de cadeias de produ\u00e7\u00e3o farinha, desenvolvimento comunit\u00e1rio, treinamento de lideran\u00e7a, capacita\u00e7\u00e3o, assessoria t\u00e9cnica e muito mais. As tr\u00eas comunidades nativas que mencionamos neste relat\u00f3rio s\u00e3o apenas tr\u00eas delas. Entretanto, os habitantes das comunidades n\u00e3o notam as transforma\u00e7\u00f5es, nem eram evidentes quando n\u00f3s as visitamos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;H\u00e1 pessoas que se dedicam a plantar cacau e mandioca, mas nada vem disso&#8221;, diz Sara. Ela tem um irm\u00e3o que, ap\u00f3s a erradica\u00e7\u00e3o, se dedicou inteiramente ao cacau. Ele agora tem tr\u00eas hectares, mas para Sara &#8220;ele faz isso porque quer, o que saiu, apodreceu, porque Devida n\u00e3o compra. Agora ele est\u00e1 plantando coca novamente h\u00e1 um ano&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Lorenzo Vallejos, chefe de assuntos ambientais do UNODC para o Peru e Equador, salienta que o planejamento \u00e9 a base para um desenvolvimento alternativo bem-sucedido, e a pesquisa \u00e9 a melhor ferramenta para este fim. &#8220;Uma maneira real de reverter o cultivo da coca \u00e9 saber que tipo de produtos ou servi\u00e7os podem ser competitivos para migrar da economia da coca para uma economia legal, com base em estudos de adequa\u00e7\u00e3o do solo ou ferramentas como o ZEE (Zoneamento Ecol\u00f3gico e Econ\u00f4mico), e at\u00e9 mesmo atrav\u00e9s do desenvolvimento de planos de neg\u00f3cios&#8221;, diz.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Uma maneira real de reverter o cultivo da coca \u00e9 saber que tipo de produtos ou servi\u00e7os podem ser competitivos para migrar da economia da coca para uma economia legal&#8221;<\/p><cite>Lorenzo Vallejos<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Somente se o Estado oferecer solu\u00e7\u00f5es vi\u00e1veis e sustent\u00e1veis, acrescenta, as comunidades pensar\u00e3o em deixar a coca, mesmo correndo o risco de ganhar menos. <strong>&#8220;Eles sabem que, com uma estrutura legal, n\u00e3o se preocupar\u00e3o que as autoridades erradiquem suas parcelas, causando-lhes preju\u00edzos&#8221;.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em Buen Jard\u00edn de Callar\u00fa, Nueva Galilea e outras comunidades ind\u00edgenas Ticuna, <strong>o esquecimento \u00e9 visto nos detalhes: postos de sa\u00fade inexistentes e &#8211; se houver &#8211; sem medicamentos, escolas com tr\u00eas professores ensinando cinco s\u00e9ries diferentes na mesma sala de aula, servi\u00e7os b\u00e1sicos que n\u00e3o s\u00e3o atendidos, depend\u00eancia de uma economia il\u00edcita para sobreviver \u00e0 pobreza, falta de confian\u00e7a nas autoridades, tr\u00e1fico de drogas, e muitas vidas penduradas por um fio.<\/strong> Com tudo contra eles, sem ver uma oportunidade e com amea\u00e7as caminhando perto deles, um grupo de monitores ambientais insiste em conservar a floresta, aquela selva que se rende todos os dias ao som de uma motosserra para ser substitu\u00edda mais tarde por planta\u00e7\u00f5es de coca.<\/p>\n\n\n\n<p><br><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/eee.png\" alt=\"Tierra de Resistentes\" class=\"wp-image-3766\" width=\"100\" height=\"100\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211834\/eee.png 400w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211834\/eee-300x300.png 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211834\/eee-150x150.png 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 100px) 100vw, 100px\" \/><\/figure><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Los ind\u00edgenas tikuna se han propuesto cuidar sus bosques en una zona de Per\u00fa donde los cultivos il\u00edcitos le han declarado la guerra a la conservaci\u00f3n. Equipados con celulares, GPS y mapas se enfrentan a taladores y narcotraficantes y estos responden amenaz\u00e1ndolos de muerte. Estos hombres y mujeres, los olvidados de la frontera, ruegan que por una vez el Estado los escuche.<\/p>\n","protected":false},"author":31,"featured_media":5199,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[15,44],"tags":[360,359,45,357,356,358],"coauthors":[174,240,215],"class_list":{"0":"post-667","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-peru","8":"category-reportajes","9":"tag-cacao","10":"tag-colombianos","11":"tag-fase-i","12":"tag-nueva-galilea","13":"tag-tala-ilegal","14":"tag-tikuna"},"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.4 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Perigo na fronteira: os ind\u00edgenas ticuna defendem a floresta das garras dos narcotraficantes<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/2019\/04\/23\/peligro-en-la-frontera-indigenas-tikuna-defienden-el-bosque-de-las-garras-del-narcotrafico\/\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Written by\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Alexa V\u00e9lez, Vanessa Romo, Mongabay Latam\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. reading time\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"84 minutos\" \/>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Perigo na fronteira: os ind\u00edgenas ticuna defendem a floresta das garras dos narcotraficantes","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/2019\/04\/23\/peligro-en-la-frontera-indigenas-tikuna-defienden-el-bosque-de-las-garras-del-narcotrafico\/","twitter_misc":{"Written by":"Alexa V\u00e9lez, Vanessa Romo, Mongabay Latam","Est. reading time":"84 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/2019\/04\/23\/peligro-en-la-frontera-indigenas-tikuna-defienden-el-bosque-de-las-garras-del-narcotrafico\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/2019\/04\/23\/peligro-en-la-frontera-indigenas-tikuna-defienden-el-bosque-de-las-garras-del-narcotrafico\/"},"author":{"name":"Alexa V\u00e9lez","@id":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/es\/#\/schema\/person\/90da74c59498327390d79b70a662556b"},"headline":"Perigo na fronteira: os ind\u00edgenas ticuna defendem a floresta das garras dos narcotraficantes","datePublished":"2019-04-23T17:36:00+00:00","dateModified":"2021-04-21T05:56:09+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/2019\/04\/23\/peligro-en-la-frontera-indigenas-tikuna-defienden-el-bosque-de-las-garras-del-narcotrafico\/"},"wordCount":16780,"commentCount":17,"publisher":{"@id":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/es\/#organization"},"image":{"@id":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/2019\/04\/23\/peligro-en-la-frontera-indigenas-tikuna-defienden-el-bosque-de-las-garras-del-narcotrafico\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210954\/descarga-1.png","keywords":["cacao","colombianos","Fase I","Nueva Galilea","Tala ilegal","tikuna"],"articleSection":["Per\u00fa","Reportajes"],"inLanguage":"pt","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/2019\/04\/23\/peligro-en-la-frontera-indigenas-tikuna-defienden-el-bosque-de-las-garras-del-narcotrafico\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/2019\/04\/23\/peligro-en-la-frontera-indigenas-tikuna-defienden-el-bosque-de-las-garras-del-narcotrafico\/","url":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/2019\/04\/23\/peligro-en-la-frontera-indigenas-tikuna-defienden-el-bosque-de-las-garras-del-narcotrafico\/","name":"Perigo na fronteira: os ind\u00edgenas ticuna defendem a floresta das garras dos narcotraficantes","isPartOf":{"@id":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/es\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/2019\/04\/23\/peligro-en-la-frontera-indigenas-tikuna-defienden-el-bosque-de-las-garras-del-narcotrafico\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/2019\/04\/23\/peligro-en-la-frontera-indigenas-tikuna-defienden-el-bosque-de-las-garras-del-narcotrafico\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210954\/descarga-1.png","datePublished":"2019-04-23T17:36:00+00:00","dateModified":"2021-04-21T05:56:09+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/2019\/04\/23\/peligro-en-la-frontera-indigenas-tikuna-defienden-el-bosque-de-las-garras-del-narcotrafico\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/2019\/04\/23\/peligro-en-la-frontera-indigenas-tikuna-defienden-el-bosque-de-las-garras-del-narcotrafico\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt","@id":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/2019\/04\/23\/peligro-en-la-frontera-indigenas-tikuna-defienden-el-bosque-de-las-garras-del-narcotrafico\/#primaryimage","url":"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210954\/descarga-1.png","contentUrl":"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210954\/descarga-1.png","width":712,"height":500},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/2019\/04\/23\/peligro-en-la-frontera-indigenas-tikuna-defienden-el-bosque-de-las-garras-del-narcotrafico\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"Home","item":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/es\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Perigo na fronteira: os ind\u00edgenas ticuna defendem a floresta das garras dos narcotraficantes"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/es\/#website","url":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/es\/","name":"Tierra de Resistentes | Consejo de Redacci\u00f3n","description":"Base de datos de defensores ambientales amenazados y asesinados en Latinoam\u00e9rica. Historias, fotograf\u00edas, videos y gr\u00e1ficos para entender la situaci\u00f3n de los resistentes.","publisher":{"@id":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/es\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/es\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/es\/#organization","name":"Tierra de resistentes","url":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/es\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt","@id":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/es\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/LogoEspanolAjustado-1.png","contentUrl":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/LogoEspanolAjustado-1.png","width":1568,"height":944,"caption":"Tierra de resistentes"},"image":{"@id":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/es\/#\/schema\/logo\/image\/"}},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/es\/#\/schema\/person\/90da74c59498327390d79b70a662556b","name":"Alexa V\u00e9lez","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt","@id":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/es\/#\/schema\/person\/image\/6ac6e944d8c6c7e74a620692540b5f1c","url":"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/19212004\/Alexa-Velez-150x148.jpg","contentUrl":"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/19212004\/Alexa-Velez-150x148.jpg","caption":"Alexa V\u00e9lez"},"description":"Alexa V\u00e9lez tiene m\u00e1s de 15 a\u00f1os de experiencia como periodista y trabaja para Mongabay, medio de comunicaci\u00f3n especializado en temas ambientales con enfoque cient\u00edfico que cuenta con oficinas en Estados Unidos, Indonesia, Am\u00e9rica Latina, India y Brasil. Actualmente es la editora general de la oficina de Latinoam\u00e9rica. En los \u00faltimos tres a\u00f1os, ha recibido dos menciones honor\u00edficas de la Sociedad Interamericana de Prensa (SIP) por participar en dos especiales period\u00edsticos: Ganader\u00eda y narcodeforestaci\u00f3n: la lenta desaparici\u00f3n de los bosques en Centroam\u00e9rica y Tierra de Resistentes. Tambi\u00e9n ha sido finalista durante dos a\u00f1os consecutivos del Premio Nacional de Periodismo en Per\u00fa con reportajes de investigaci\u00f3n sobre el avance del narcotr\u00e1fico en la triple frontera -que comparten Colombia, Brasil y Per\u00fa- y sobre miner\u00eda ilegal y narcotr\u00e1fico en \u00e1reas naturales protegidas.","url":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/author\/alexa\/"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/667","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/31"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=667"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/667\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5199"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=667"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=667"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=667"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=667"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}