{"id":665,"date":"2019-04-23T17:35:00","date_gmt":"2019-04-23T17:35:00","guid":{"rendered":"http:\/\/tierra.jerrejerre.com\/es\/?p=665"},"modified":"2021-05-13T21:34:32","modified_gmt":"2021-05-13T21:34:32","slug":"miedo-y-olvido-en-saweto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/2019\/04\/23\/miedo-y-olvido-en-saweto\/","title":{"rendered":"Medo e esquecimento em Saweto"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-color has-small-font-size\" style=\"color:#0f0f0f;max-width:830px;margin-top:0px;margin-bottom:68px\"><em><strong>Depois do assassinato do l\u00edder ambiental Edwin Chota e tr\u00eas dirigentes da comunidade Alto Tamaya-Saweto em Pucallpa por madeireiros ilegais, as mulheres desta comunidade ash\u00e1ninka na fronteira entre o Peru e o Brasil s\u00e3o as que defendem a floresta. Elas enfrentam o crime organizado diante do medo dos homens de serem mortos como seus companheiros e da fraca prote\u00e7\u00e3o do Estado, que ainda n\u00e3o implementou melhorias de infraestrutura e projetos sociais que deveriam ter sido conclu\u00eddos desde 2015.\n\nCinco anos ap\u00f3s o horror que viveu Saweto, Convoca.pe, como parte do projeto colaborativo &#8220;Terra de Resistentes&#8221;, viajou para esta comunidade amaz\u00f4nica, localizada na regi\u00e3o de Ucayali, para conhecer a luta destas mulheres que vivem em constante perigo por defenderem as \u00faltimas \u00e1rvores na fronteira.\n<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sobrevivientes<\/h2>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014 Quanto tempo voc\u00eas demoraram em chegar at\u00e9 Pucallpa (a capital de Ucayali)?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014 Apenas tr\u00eas dias (&#8230;). Dia e noite viajamos de canoa (&#8230;) sem descansar\u2014 narra Julia P\u00e9rez, uma mulher de 42 anos, em p\u00e9 em um dos cantos da Casa Comunal de Saweto, com os p\u00e9s descal\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014 Era de noite, n\u00e3o era perigoso?<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014 N\u00e3o, n\u00e3o t\u00ednhamos medo, a senhora Ergilia, sua filha, o motorista e eu, os quatro.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014 Durante a viagem, pararam para comer?<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014 N\u00e3o, somente depois tivemos apoio para comer.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014 Naquela viagem, uma das vi\u00favas estava gr\u00e1vida. Quem era?<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014 Eu, nesse tempo tinha sete meses, o pai dele me deixou quando eu estava gr\u00e1vida.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014 E como voc\u00ea conseguiu viajar para Pucallpa?<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014 Fui assim mesmo, o que podemos fazer. Quando voc\u00ea quer, voc\u00ea faz, nada me impediu.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014Como se chama seu filho?<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014 Edwin.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014 Como o pai dele?<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014 Sim.<\/p>\n\n\n\n<p>Gr\u00e1vida e com muito medo, <strong>Julia Perez navegou o rio durante tr\u00eas dias de Saweto at\u00e9 a cidade de Pucallpa, depois de saber que seu marido Edwin Chota e tr\u00eas outros l\u00edderes comunit\u00e1rios tinham sido mortos.<\/strong> Julia ainda se lembra do grito de um sobrevivente durante aquele epis\u00f3dio horr\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014 Mataram Chota, Mataram nosso chefe\u2014 gritou Jaime Arevalo, membro do Alto Tamaya-Saweto, por volta das seis da tarde do dia 5 de setembro de 2014. Ele e sua esposa Hilda Cushimba mal podiam respirar quando chegaram para avisar a comunidade que Edwin Chota, Jorge R\u00edos, Leoncio Quintisima e Francisco Pinedo tinham sido assassinados.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/prismic-io.s3.amazonaws.com\/opendataiii%2F0d7ff355-f56b-409d-a590-1b0ebedeaea5_julia-pe%CC%81rez_-su-nueva-pareja-y-sus-hijos.jpg\" alt=\"\"\/><figcaption>JULIA P\u00c9REZ COM SEU NOVO COMPANHEIRO E SEUS FILHOS. FOTO: ANTHONY QUISPE \/ CONVOCA.PE<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Estefania Arevalo, filha de Hilda e Jaime, deu aviso para a comunidade porque seu pai &#8220;estava nervoso, n\u00e3o podia caminhar&#8221;. Ela herdou o peso da morte de um homem devastado e teve que contar \u00e0s vi\u00favas sobre a horr\u00edvel cena que seus pais encontraram em um barranco a oito horas de dist\u00e2ncia de Apiwtxa, a comunidade irm\u00e3 de Saweto no Acre, Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Hilda Cushimba narrou para a Procuradoria que ela estava segurando seu beb\u00ea nos bra\u00e7os quando seu marido Jaime Ar\u00e9valo descreveu o que havia na ladeira: ossos perto do rio Putaya com urubus roendo suas roupas, botas e sacolas boiando num po\u00e7o de \u00e1gua. Assustados, decidiram retornar a Saweto por outra via diferente da escolhida pelos quatro dirigentes assassinados.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cMeus sogros (&#8230;) conseguiram ver um cad\u00e1ver, n\u00e3o foram capazes de reconhecer quem era nem a roupa que tinha, assustaram-se e imediatamente voltaram para a comunidade\u201d<\/p><cite>Alex R\u00edos<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>&#8220;Meus sogros (&#8230;) conseguiram ver um cad\u00e1ver, n\u00e3o foram capazes de reconhecer quem era nem a roupa que tinha, assustaram-se e imediatamente voltaram para a comunidade&#8221;, descreveu Alex R\u00edos, genro de Jaime Ar\u00e9valo, em seu depoimento para a Procuradoria de Ucayali. Ele disse \u00e0s autoridades que acompanhou seus sogros at\u00e9 a comunidade nativa de Apiwtxa, em 29 de agosto de 2014, porque <strong>iam participar de uma assembleia nesse lugar no Brasil para organizar a defesa da floresta.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Jorge Arevalo tinha se adiantado para a reuni\u00e3o em Apiwtxa e quando voltou pelo mesmo caminho para saber o que tinha acontecido com os outros l\u00edderes de sua comunidade que n\u00e3o chegavam, encontrou-se com aquela cena de espanto.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando Estefan\u00eda Arevalo come\u00e7ou a descrever para as outras fam\u00edlias da comunidade o que seu pai viu, o medo come\u00e7ou a se espalhar. A lembran\u00e7a dos fatos e as amea\u00e7as pr\u00e9vias apontaram os <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">madeireiros ilegais que estavam perto de Saweto<\/span>. As fam\u00edlias come\u00e7aram a fugir para Apiwtxa, no Brasil, e para Pucallpa, no Peru. Diana R\u00edos, filha de um dos l\u00edderes assassinados e anterior companheira de Chota, disse que Alex R\u00edos, genro de Ar\u00e9valo, nunca voltou \u00e0 comunidade &#8220;por medo&#8221;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>A maioria dos homens do povo preferiu dar um passo atr\u00e1s por medo a que acabem com suas vidas.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>Hoje, 29 fam\u00edlias sobrevivem em Saweto, das quais apenas 20 permanecem na comunidade ash\u00e1ninka<\/strong>; as outras v\u00eam e v\u00e3o para outros lugares por raz\u00f5es de trabalho ou familiares, diz Karen Shawiri L\u00f3pez, de 28 anos, atual chefe desta comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o assassinato dos quatro l\u00edderes, <strong>as mulheres t\u00eam liderado a luta de Saweto contra o tr\u00e1fico de madeira.<\/strong> A maioria dos homens do povo preferiu dar um passo atr\u00e1s por medo a que acabem com suas vidas. Por isso, depois da trag\u00e9dia, Ergilia Rengifo L\u00f3pez, vi\u00fava do assassinado Jorge R\u00edos, tornou-se a primeira mulher a ser eleita chefe desta comunidade ash\u00e1ninka.<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/tierraderesistentes.convoca.pe\/mapa-saweto\/\" allowfullscreen width=\"100%\" height=\"800px\" style=\"border:none;\"><\/iframe>\n\n\n\n<p>Em meio \u00e0 dor, a primeira miss\u00e3o de Ergilia foi liderar uma comiss\u00e3o de viagem para Pucallpa, a capital de Ucayali, para denunciar a morte dos dirigentes. &#8220;Nem tempo para chorar havia&#8221;, lembra. Era de noite, Ergilia disse a sua filha Diana: &#8220;Voc\u00ea fica aqui, se me acontecer alguma coisa, voc\u00ea se comunica l\u00e1 na r\u00e1dio, se eu n\u00e3o aparecer em cinco dias&#8221;, descreve Diana, enquanto usa seu cushma azul e desenha linhas vermelhas no rosto em frente a um espelho com uma moldura de pl\u00e1stico.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A comitiva liderada por Ergilia incluiu sua filha mais velha, Juana R\u00edos, vi\u00fava de Leoncio Quintisima, e Julia P\u00e9rez, vi\u00fava de Edwin Chota e com sete meses de gravidez.<\/strong> As mulheres chegaram a Pucallpa ap\u00f3s tr\u00eas dias: &#8220;at\u00e9 viajamos \u00e0 noite, mas se chovia, dorm\u00edamos onde houvesse uma casa. No primeiro dia dormimos na praia de Ucayina, ao amanhecer ouvimos um motor [avisam que \u00e9 um som amea\u00e7ador] e depois em uma casa na comunidade de Nova Amaz\u00f4nia Tomahao, a dois dias de Saweto&#8221;, lembra Ergilia.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cat\u00e9 viajamos \u00e0 noite, mas se chovia, dorm\u00edamos onde houvesse uma casa.\u201d<\/p><cite>Ergilia.Rengifo L\u00f3pez<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Partindo de Pucallpa, para chegar a Saweto de canoa, os moradores podem levar tr\u00eas dias com o rio caudaloso na esta\u00e7\u00e3o chuvosa e at\u00e9 sete dias na esta\u00e7\u00e3o seca. <a href=\"http:\/\/convoca.pe\/\">Convoca.pe<\/a> fez uma viagem de 30 horas at\u00e9 a comunidade ashninka, usando um motor de 65 cavalos de pot\u00eancia. Navegamos um dos maiores tribut\u00e1rios do rio Amazonas, o Ucayali, at\u00e9 navegar por seus afluentes Tamaya e Putaya, esquivando os peda\u00e7os de madeira. Ao longo da viagem, apareceram diferentes barcos, alguns transportavam pessoas, outros transportavam gasolina e outros transportavam a cobi\u00e7ada madeira que sa\u00eda da floresta.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/prismic-io.s3.amazonaws.com\/opendataiii%2F0ecfc4de-af5f-41b2-b3df-034a1d1a634b_4.jpg\" alt=\"\"\/><figcaption>AS MULHERES DA COMUNIDADE SAWETO COM SEUS FILHOS. DE ESQUERDA PARA DIREITA: ERGILIA RENGIFO, TERESA L\u00d3PEZ E DIANA R\u00cdOS. FOTO: ANTHONY QUISPE \/ CONVOCA.PE<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A comitiva de Ergilia tomou esta mesma rota, mas ao contr\u00e1rio, em busca de ajuda e justi\u00e7a que ainda \u00e9 dolorosamente esquiva. At\u00e9 hoje, o caso continua na Promotoria de Ucayali sem puni\u00e7\u00e3o para os respons\u00e1veis pelo assassinato dos quatro l\u00edderes deste povo da Amaz\u00f4nia peruana, cada vez mais amea\u00e7ado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A cada dia que passa, o Peru perde 427,2 hectares de floresta amaz\u00f4nica<\/strong>, de acordo com a institui\u00e7\u00e3o governamental Servi\u00e7o Florestal e de Fauna Silvestre (Serfor). Somente em 2017, <a href=\"https:\/\/www.serfor.gob.pe\/noticias\/gobierno-presento-cifras-de-deforestacion-del-2017-y-las-principales-acciones-para-combatirla\">155.914<\/a> hectares de florestal foram cortados no Peru, e de acordo com uma revis\u00e3o hist\u00f3rica feita pela pr\u00f3pria Serfor, 7,7 milh\u00f5es de hectares de floresta foram perdidos, um n\u00famero equivalente a 6% do territ\u00f3rio peruano ou a toda a extens\u00e3o da regi\u00e3o imperial de Cusco.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2017, 60% das \u00e1reas desmatadas foram concentradas em <a href=\"https:\/\/www.serfor.gob.pe\/noticias\/gobierno-presento-cifras-de-deforestacion-del-2017-y-las-principales-acciones-para-combatirla\">Ucayali, Madre de Dios, Hu\u00e1nuco e Loreto<\/a>. Nessas regi\u00f5es opera o neg\u00f3cio milion\u00e1rio da minera\u00e7\u00e3o ilegal e do tr\u00e1fico de madeira.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Impunidade e tr\u00e1fico de madeira<\/h2>\n\n\n\n<p>As v\u00e1rias indica\u00e7\u00f5es apontam para cinco pessoas, incluindo o madeireiro brasileiro <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">Eurico Mapes<\/span>, como os supostos perpetradores do assassinato dos l\u00edderes Saweto. Mas em 23 de fevereiro de 2018, o promotor que investigava o caso, <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">Julio Re\u00e1tegui<\/span>, solicitou surpreendentemente a arquivamento da acusa\u00e7\u00e3o contra quatro dos suspeitos. Nove meses depois, em 19 de novembro de 2018, a Procuradoria Superior de Ucayali, atrav\u00e9s da disposi\u00e7\u00e3o N\u00b0037, pediu para retificar o controverso pedido de Re\u00e1tegui e ordenou que ele nomeasse um novo procurador para emitir um novo pedido e expandir o pedido de indiciamento contra os outros implicados.<\/p>\n\n\n\n<p>Pouco tempo depois, Re\u00e1tegui designou seu procurador adjunto, Otoniel Jara, para herdar o caso, ou seja, seu subordinado. Como resposta, na sexta-feira, 1\u00ba de mar\u00e7o de 2019, o advogado dos dirigentes assassinados, \u00d3scar Romero, pediu \u00e0 Promotoria Provincial Corporativa Especializada contra o Crime Organizado que anulasse a nomea\u00e7\u00e3o do promotor Jara porque ele responderia \u00e0 mesma postura de seu chefe.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>o promotor que investigava o caso, Julio Re\u00e1tegui, solicitou surpreendentemente a arquivamento da acusa\u00e7\u00e3o contra quatro dos suspeitos<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Para Re\u00e1tegui, h\u00e1 ind\u00edcios suficientes para acusar o madeireiro Eurico Mapes, mas n\u00e3o os outros quatro de nacionalidade peruana, Hugo Soria Flores, Jos\u00e9 Carlos Estrada Huayta, Josimar Atachi F\u00e9lix e Segundo Atachi F\u00e9lix, por terem cometido o crime de homic\u00eddio agravado.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o temos provas que os apontem. Uma coisa \u00e9 o que dizem os parentes e outra \u00e9 provar isso, n\u00e3o podemos sequer estabelecer se o sujeito ou sujeitos estiveram l\u00e1 na data dos homic\u00eddios&#8221;, disse Re\u00e1tegui para <a href=\"http:\/\/convoca.pe\/\">Convoca.pe<\/a>. &nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Espera-se que nos pr\u00f3ximos dias, o procurador Otoniel Jara cumpra o pedido da Procuradoria Superior de Ucayali e amplie a acusa\u00e7\u00e3o contra os outros quatro implicados no assassinato dos l\u00edderes de Saweto.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/prismic-io.s3.amazonaws.com\/opendataiii%2Fa4703e06-bb6b-4212-ab94-1bb4bcdb4b27_4_foto.jpg\" alt=\"\"\/><figcaption>NO CAMINHO PARA SAWETO ENCONTRAMOS MADEIRA CORTADA NA BEIRA DO RIO. FOTO: ANTHONY QUISPE \/ CONVOCA.PE<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Enquanto isso acontece nos escrit\u00f3rios do Minist\u00e9rio P\u00fablico em Pucallpa, as vi\u00favas de Saweto continuam vivendo no meio da floresta e desamparadas na fronteira com o Brasil. Margoth Quispe, ex-defensora do povo em Ucayali e diretora jur\u00eddica do Programa Peru da Funda\u00e7\u00e3o Rainforest dos Estados Unidos, diz que por raz\u00f5es de seguran\u00e7a e &#8220;por recomenda\u00e7\u00e3o do advogado&#8221;, \u00e9 melhor manter em reserva para estas mulheres a situa\u00e7\u00e3o das investiga\u00e7\u00f5es porque elas continuam vivendo &#8220;com o inimigo do seu lado&#8221;. <strong>Saweto est\u00e1 localizada a poucos minutos da comunidade de Putaya, onde vivem os madeireiros ilegais acusados de assassinar os l\u00edderes.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Elas sabem que est\u00e3o em risco: conheceram de perto as constantes amea\u00e7as que receberam os membros da comunidade assassinados, quem foi, onde e quando aconteceu.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eurico Mapes (o madeireiro brasileiro) \u00e9 o \u00fanico que parou de falar, mas tamb\u00e9m poderiam ser seus parentes (seu pai Adeuso Mapes) e o senhor (Juan Carlos) Estrada, porque ele tinha sua concess\u00e3o (florestal) aqui&#8221;, diz Ergilia Rengifo L\u00f3pez, acompanhada de Juana P\u00e9rez. Elas s\u00e3o as vi\u00favas de Edwin Chota e Jorge R\u00edos, respectivamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Meses antes de seu assassinato, Edwin Chota tinha acusado Eurico Mapes; o representante da empresa <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">Eco Forestal Ucayali S.A.C<\/span>., <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">Juan Carlos Estrada Huayta<\/span>, e outros de explora\u00e7\u00e3o madeireira ilegal. Essas den\u00fancias estavam respaldadas com fotografias das \u00e1rvores derrubadas e da localiza\u00e7\u00e3o georreferenciada destes danos ao meio ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p>Chota tinha um enfrentamento com a Eco Forestal Ucayali S.A.C. porque <strong>esta empresa tinha uma concess\u00e3o florestal sobreposta ao territ\u00f3rio ancestral de Saweto. Por vingan\u00e7a, Estrada Huayta acusou Chota de envolvimento com o tr\u00e1fico de drogas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;\u00e9 melhor manter em reserva para estas mulheres a situa\u00e7\u00e3o das investiga\u00e7\u00f5es porque elas continuam vivendo &#8220;com o inimigo do seu lado&#8221;.<\/p><cite>Margoth Quispe<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Os esfor\u00e7os do l\u00edder desta comunidade ash\u00e1ninka para defender a floresta despertaram o interesse das autoridades do Organismo de Supervis\u00e3o dos Recursos Florestais (Osinfor) ap\u00f3s v\u00e1rios anos de insist\u00eancia. Chota sabia ler, escrever e tinha aprendido a lidar com a burocracia atrav\u00e9s de cartas, relat\u00f3rios e den\u00fancias.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 22 de maio de 2014, Chota e outros cinco membros de sua comunidade foram recebidos pelas autoridades do Osinfor na sede da Presid\u00eancia do Conselho de Ministros, conforme diversos documentos aos que teve acesso <a href=\"http:\/\/convoca.pe\/\">Convoca.pe<\/a>. Pouco tempo depois, <strong>os funcion\u00e1rios <a href=\"https:\/\/es.scribd.com\/document\/406772950\/Acta-de-Coordinacion-Previa-a-La-Supervision-Edwin-Chota\">marcaram<\/a> com o l\u00edder Saweto a data da supervis\u00e3o para verificar a den\u00fancia de corte desmatamento ilegal: 15 de agosto de 2014. Finalmente, Chota tinha sido escutado.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Aquela vez, a supervis\u00e3o come\u00e7ou com a concess\u00e3o florestal de Ramiro Edwin Barrios Galv\u00e1n e continuou em 25 de agosto com a inspe\u00e7\u00e3o das atividades da Eco Forestal Ucayali, na qual o pr\u00f3prio Edwin Chota participou como supervisor. A inspe\u00e7\u00e3o durou at\u00e9 29 de agosto, em meio \u00e0 inseguran\u00e7a e a incerteza. <strong>Tr\u00eas dias depois, em 1 de setembro, o l\u00edder amaz\u00f4nico foi assassinado \u00e0 tiros.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A \u00faltima den\u00fancia de Chota sobre a depreda\u00e7\u00e3o da floresta foi confirmada duas semanas ap\u00f3s sua morte. Osinfor elaborou o relat\u00f3rio de supervis\u00e3o n\u00ba 092-2014, com data de 17 de setembro de 2014, no qual relatou que nas inspe\u00e7\u00f5es realizadas no m\u00eas anterior foram confirmadas atividades de desmatamento ilegal: <strong>o desaparecimento das esp\u00e9cies cedr\u00e3o, cedro, lupuna, copa\u00edba, ishpingo, estoraque, entre outras.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/prismic-io.s3.amazonaws.com\/opendataiii%2F38cf2e3c-e5d0-4f1e-90f8-e64edba165b2_7.jpg\" alt=\"\"\/><figcaption>MORADIA T\u00cdPICA DE UMA DAS FAM\u00cdLIAS DA COMUNIDADE ASHANINKA DE SAWETO, NA REGI\u00c3O UCAYALI. FOTO: ANTHONY QUISPE \/ CONVOCA.PE<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;Os fatos de aproveitamento n\u00e3o autorizado (desmatamento ilegal) s\u00e3o considerados graves devido \u00e0 quantidade de \u00e1rvores mobilizadas e porque <strong>as popula\u00e7\u00f5es naturais de esp\u00e9cies protegidas por disposi\u00e7\u00f5es legais espec\u00edficas <\/strong>(cedro, ishpingo e lupuna) foram afetadas, sem a m\u00ednima possibilidade de que na \u00e1rea se implementem medidas para mitigar e compensar os danos causados ao patrim\u00f4nio florestal&#8221;, afirma o documento. Como aquelas \u00e1rvores, Chota j\u00e1 estava morto.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Naquele momento, eu queria saber quem matou meu pai, quem estava envolvido, eu queria saber bem claro, ent\u00e3o quando tomei a ayahuasca (uma planta que gera efeitos alucin\u00f3genos e que \u00e9 usada na Amaz\u00f4nia por suas propriedades curativas) eu me concentrei e vi meu pai, assim como voc\u00ea, parado ali. Ele chegou perto de mim, tocou-me e disse: &#8216;N\u00e3o chore, j\u00e1 para eles terem me matado faz muito tempo&#8217;. Perguntei-lhe: &#8216;Quem s\u00e3o eles?&#8217; Ele respondeu: &#8216;O senhor Eurico e seus filhos estavam envolvidos&#8217;. Foi s\u00f3 isso que ele me respondeu&#8221;, lembra Diana, a filha do assassinado Jorge R\u00edos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Edwin Chota e Jorge R\u00edos tinham sido amea\u00e7ados de morte em v\u00e1rias oportunidades.<\/strong> Uma dessas ocasi\u00f5es foi registrada em uma <a href=\"https:\/\/es.scribd.com\/document\/406772943\/Acta-Fiscal-Abril-2014-Amenaza-Contra-Chota\">den\u00fancia<\/a> na Procuradoria de Ucayali, em abril de 2014. O l\u00edder comunit\u00e1rio disse que ap\u00f3s uma opera\u00e7\u00e3o de imobiliza\u00e7\u00e3o de madeira extra\u00edda ilegalmente pela empresa Forza Nuova E.I.R.L., seu representante Hugo Soria Flores amea\u00e7ou e Jorge R\u00edos, dizendo que &#8220;um sawetino ia morrer&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201c\u00e9 poss\u00edvel que no caso presente, os assassinatos tenham tido como motivo a oculta\u00e7\u00e3o de um crime continuado (assassinato para ocultar outro crime), entre eles, o tr\u00e1fico il\u00edcito de madeira e toda a organiza\u00e7\u00e3o criminosa por tr\u00e1s dele\u201d<\/p><cite>Disposici\u00f3n superior N\u00ba 037-2018 de la Fiscal\u00eda<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Alguns documentos do processo na Procuradoria aos quais <a href=\"http:\/\/convoca.pe\/\">Convoca.pe<\/a> teve acesso esclarecem os antecedentes do crime. Na disposi\u00e7\u00e3o superior N\u00ba 037-2018 da Procuradoria, parece que o Terceiro Tribunal de Investiga\u00e7\u00e3o Preparat\u00f3ria, presidido pela ju\u00edza Melina Elizabeth D\u00edaz, argumentou que &#8220;\u00e9 poss\u00edvel que no caso presente, os assassinatos tenham tido como motivo a oculta\u00e7\u00e3o de um crime continuado (assassinato para ocultar outro crime), entre eles, o tr\u00e1fico il\u00edcito de madeira e toda a organiza\u00e7\u00e3o criminosa por tr\u00e1s dele&#8221;. Esta situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi levada em conta &#8220;pelo promotor encarregado do caso&#8221;, enfatiza a ju\u00edza.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014 Por que a Procuradoria Geral ordena corrigir a sua acusa\u00e7\u00e3o? Perguntamos ao procurador Julio Re\u00e1tegui, quando o encontramos em Pucallpa.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014Claro, ele (o procurador geral) considera que h\u00e1 uma quest\u00e3o de autoria, que h\u00e1 um autor intelectual por tr\u00e1s do crime, ele considera que isso pode ser provado, mas eu n\u00e3o acho (\u2026). Eu penso que essa acusa\u00e7\u00e3o n\u00e3o vai chegar a nenhuma parte, processualmente falando.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, no meio da selva, a inseguran\u00e7a para as mulheres l\u00edderes e sobreviventes de Saweto continua. <strong>O corte ilegal de madeira n\u00e3o para.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/tierraderesistentes.convoca.pe\/galeria-las-viudas\/\" allowfullscreen width=\"100%\" height=\"800px\" style=\"border:none;\"><\/iframe>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A amea\u00e7a continua<\/h2>\n\n\n\n<p>Um <a href=\"https:\/\/es.scribd.com\/document\/406772133\/RFUS-SAWETO\">mapa<\/a> de 2016 de perda de cobertura florestal, elaborado por Rainforest, <strong>revelou que uma concess\u00e3o florestal ao norte da comunidade, a San Jorge E.I.R.L., estava cortando \u00e1rvores al\u00e9m dos limites de sua \u00e1rea.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;H\u00e1 madeireiros ilegais l\u00e1, nosso territ\u00f3rio \u00e9 grande (&#8230;). Eles est\u00e3o l\u00e1 no fundo (&#8230;) mas eles querem mostrar que s\u00f3 est\u00e3o trabalhando desse lado, n\u00e3o aqui&#8221;, adverte Karen Shawiri, a atual chefe da comunidade e a irm\u00e3 de Ergilia por parte de m\u00e3e.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1707\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/5_FOTO-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5439\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19210807\/5_FOTO-scaled.jpg 2560w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19210807\/5_FOTO-scaled-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19210807\/5_FOTO-scaled-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19210807\/5_FOTO-scaled-768x512.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19210807\/5_FOTO-scaled-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19210807\/5_FOTO-scaled-2048x1366.jpg 2048w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19210807\/5_FOTO-scaled-630x420.jpg 630w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19210807\/5_FOTO-scaled-150x100.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19210807\/5_FOTO-scaled-696x464.jpg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19210807\/5_FOTO-scaled-1068x712.jpg 1068w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19210807\/5_FOTO-scaled-1920x1280.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption>Karen Shawiri. Foto: Anthony Quispe \/ Convoca.pe<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Karen Shawiri, 28 anos, com pele morena e cushma marrom (roupa t\u00edpica), entende que sua responsabilidade \u00e9 servir seu povo, sair da comunidade somente quando necess\u00e1rio, chegar com resultados para a sua comunidade, lutar por suas florestas, e delegar fun\u00e7\u00f5es a suas outras companheiras.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;N\u00e3o \u00e9 porque somos fronteiri\u00e7os que eles v\u00e3o nos esquecer&#8221;.<\/p><cite>Karen Shawiri<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014Esta posi\u00e7\u00e3o \u00e9 muito forte para mim (&#8230;). Temos que lutar para poder estar tranquilos, unidos e alegres em nossa comunidade, diz Karen.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014 Contra quem voc\u00eas t\u00eam que lutar?<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014Contra os madeireiros ilegais \u2014 responde ela, e depois pede o apoio das autoridades \u2014. N\u00e3o \u00e9 porque somos fronteiri\u00e7os que eles v\u00e3o nos esquecer.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/convoca.pe\/\">Convoca.pe<\/a> teve acesso um <a href=\"https:\/\/es.scribd.com\/document\/406771828\/Analisis-Afectacion-CCNN-Saweto\">mapa<\/a>&nbsp;analisado pelo Servi\u00e7o Nacional de Florestas e Vida Silvestre (Serfor) com imagens Planet de dezembro de 2018 e fevereiro de 2019, que revelam pontos de desmatamento e poss\u00edvel corte ilegal de madeira no territ\u00f3rio de Saweto. Mas \u00e9 necess\u00e1ria uma visita de campo das autoridades para conhecer a dimens\u00e3o desta amea\u00e7a. Atrav\u00e9s de seu escrit\u00f3rio de comunica\u00e7\u00f5es, Osinfor tamb\u00e9m foi consultado em v\u00e1rias ocasi\u00f5es para esta reportagem sobre os \u00faltimos trabalhos de supervis\u00e3o realizados sobre as concess\u00f5es florestais em torno da comunidade Saweto ap\u00f3s o assassinato dos quatro l\u00edderes ash\u00e1ninka, mas n\u00e3o houve resposta.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201c\u00c9 o medo. \u00c0s vezes, quando os membros da comunidade veem que est\u00e3o cortando as \u00e1rvores dentro da comunidade, eles n\u00e3o dizem nada, e se um deles diz algo, a outra pessoa responde: &#8216;Eu vou te matar, voc\u00ea \u00e9 o fofoqueiro que vai contar l\u00e1&#8217; [\u00e0s autoridades]\u201d<\/p><cite>Karen Shawiri<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A inseguran\u00e7a invade o territ\u00f3rio de Saweto. Os nativos dizem que o n\u00famero de trabalhadores na extra\u00e7\u00e3o de madeira \u00e9 impreciso. <strong>Alguns se aventuram a estimar que existem mais de 30 madeireiros, todos com machado ou alguma arma de fogo. Se os homens de Saweto chegam a estes setores para supervisionar, preferem ignorar situa\u00e7\u00f5es suspeitas por seguran\u00e7a e medo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 o medo. \u00c0s vezes, quando os membros da comunidade veem que est\u00e3o cortando as \u00e1rvores dentro da comunidade, eles n\u00e3o dizem nada, e se um deles diz algo, a outra pessoa responde: &#8216;Eu vou te matar, voc\u00ea \u00e9 o fofoqueiro que vai contar l\u00e1&#8217; [\u00e0s autoridades]&#8221;, diz Karen Shawiri.<\/p>\n\n\n\n<p>Milton V\u00e1squez tem 25 anos, \u00e9 moreno e de altura m\u00e9dia. Ele se senta e escuta na Casa Comunal de Saweto, junto com alguns homens que observam em sil\u00eancio, a reuni\u00e3o da diretiva presidida por mulheres. Ele \u00e9 um dos poucos homens que assumiu um cargo de apoio como presidente da associa\u00e7\u00e3o de pais do ensino fundamental.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;o n\u00famero de madeireiros vindos do Brasil \u00e9 maior. Eles amea\u00e7am, cortam as \u00e1rvores e v\u00e3o embora. E quando reclamamos, eles v\u00eam \u00e0 sua porta, eles podem nos matar.&#8221;<\/p><cite>Milton V\u00e1squez<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>V\u00e1squez diz que apesar das amea\u00e7as e de que s\u00e3o apenas 20 homens, eles cuidam a floresta. Mas, por outro lado, &#8220;o n\u00famero de madeireiros vindos do Brasil \u00e9 maior. Eles amea\u00e7am, cortam as \u00e1rvores e v\u00e3o embora. E quando reclamamos, eles v\u00eam \u00e0 sua porta, eles podem nos matar. \u00c0s vezes vamos para a floresta procurar algo para comer, para pescar, mas l\u00e1 fora no mato, eles podem nos emboscar&#8221;, adverte ele.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1707\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/6_FOTO-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5440\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19210805\/6_FOTO-scaled.jpg 2560w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19210805\/6_FOTO-scaled-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19210805\/6_FOTO-scaled-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19210805\/6_FOTO-scaled-768x512.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19210805\/6_FOTO-scaled-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19210805\/6_FOTO-scaled-2048x1366.jpg 2048w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19210805\/6_FOTO-scaled-630x420.jpg 630w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19210805\/6_FOTO-scaled-150x100.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19210805\/6_FOTO-scaled-696x464.jpg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19210805\/6_FOTO-scaled-1068x712.jpg 1068w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19210805\/6_FOTO-scaled-1920x1280.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption>Foto: Anthony Quispe \/ Convoca.pe<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>A cada tr\u00eas meses, cinco homens que temem morrer fazem rondas para proteger o territ\u00f3rio de Saweto.<\/strong> Mas nem sempre isso \u00e9 poss\u00edvel. A \u00faltima vez que eles viajaram para os limites de suas terras foi em outubro de 2018. &#8220;N\u00e3o \u00e9 frequente porque n\u00e3o temos gasolina. \u00c9 uma viagem de barco de dois dias at\u00e9 o limite de nossas terras, caminhando \u00e9 uma semana, e a volta \u00e9 mais uma semana. \u00c9 longe&#8221;, descreve Vasquez. <strong>Mas s\u00e3o cerca de 80.000 hectares de territ\u00f3rio que eles t\u00eam que vigiar.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Antes havia muitos peixes aqui, mas quando chegaram as empresas madeireiras todos os animais sumiram, foram para longe&#8221;.<\/p><cite>Guillermo Ar\u00e9valo<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O som das m\u00e1quinas pesadas que carregam os troncos produto do desmatamento espanta a todos. Mesmo os animais que os membros da comunidade ca\u00e7am e comem tiveram que fugir para florestas mais seguras. &#8220;Os animais se tornaram cautelosos, mas antes eles eram t\u00e3o mansos quanto as galinhas. Agora os animais o veem, e fogem, fogem (&#8230;) Antes havia muitos peixes aqui, mas quando chegaram as empresas madeireiras todos os animais sumiram, foram para longe&#8221;, narra Guillermo Ar\u00e9valo, irm\u00e3o do l\u00edder assassinado Jaime Ar\u00e9valo, junto com Roger Shawiri, pai da chefe da comunidade, Karen Shawiri. Os homens e mulheres de Saweto s\u00e3o uma \u00fanica fam\u00edlia de sobreviventes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Guardi\u00e3s da floresta<\/h2>\n\n\n\n<p>\u00c9 meio-dia de quarta-feira, seis de fevereiro de 2019. O almo\u00e7o \u00e9 preparado na Casa Comunal de Saweto: eles v\u00e3o comer <em>sajino<\/em> (porco selvagem) neste povoado onde o ex-chefe da comunidade, Edwin Chota, uma vez bebeu masato, comeu, arrumou sua cama e criou seus filhos. O conselho diretivo e os moradores se re\u00fanem para falar sobre o futuro e sobre o que eles est\u00e3o precisando.<\/p>\n\n\n\n<p>Ergilia Rengifo L\u00f3pez, uma mulher de 1,60 metros de altura, de pele morena e cabelo preto ondulado, diz que a trag\u00e9dia de Saweto lhe deixou vi\u00fava com nove filhos. Ela n\u00e3o sabe quantos anos tem porque afirma que os registradores anotaram sua data de nascimento incorretamente, embora sua carteira de identidade nacional (DNI) mostre que ela tem 42 anos de idade.<\/p>\n\n\n\n<p>As vi\u00favas de Saweto n\u00e3o desistem de sua luta, mas isso n\u00e3o significa v\u00e3o estar para sempre de luto. A vida continua. Ergilia Rengifo L\u00f3pez tem um novo parceiro h\u00e1 dois anos. Julia Perez tem uma menina com seu novo marido, junto com os outros tr\u00eas filhos concebidos com Edwin Chota. Lita Rojas viaja frequentemente para a comunidade de Apiwtxa, onde seus pais moram. E a \u00faltima, Adelina Vargas, vive agora em outra comunidade longe de Saweto, mas na mesma regi\u00e3o amaz\u00f4nica.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Cinco anos ap\u00f3s o assassinato dos l\u00edderes da comunidade, Ergilia confessa que esse doloroso epis\u00f3dio lhe deu o impulso para buscar justi\u00e7a para sua gente e concluir, sem saber ler ou escrever, as gest\u00f5es que Edwin Chota tinha iniciado para Saweto<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Cinco anos ap\u00f3s o assassinato dos l\u00edderes da comunidade, Ergilia confessa que esse doloroso epis\u00f3dio lhe deu o impulso para buscar justi\u00e7a para sua gente e concluir, sem saber ler ou escrever, as gest\u00f5es que Edwin Chota tinha iniciado para Saweto: <strong>o t\u00edtulo da comunidade e a antena para telefonia m\u00f3vel.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Karen Shawiri diz que permanecer\u00e1 no cargo o tempo que for poss\u00edvel porque ouviu rumores de que eles querem acabar com sua vida.<\/p>\n\n\n\n<p>O posto policial mais pr\u00f3ximo est\u00e1 localizado na aldeia de Putaya, cerca de quinze minutos rio abaixo de barco pequeno. H\u00e1 ali uma entrada que leva ao posto de controle de tr\u00e1fego fluvial. Convoca.pe chegou a este lugar, <strong>onde verificou que este posto de controle nem sempre \u00e9 vigiado por policiais.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/prismic-io.s3.amazonaws.com\/opendataiii%2Fc6d76c47-d993-44ab-b494-3f410f9d19e1_7_foto.jpg\" alt=\"\"\/><figcaption>O POSTO POLICIAL EM PUTAYA, O MAIS PR\u00d3XIMO DA COMUNIDADE DE SAWETO, ESTAVA SEM POLICIAIS QUANDO A EQUIPE DE CONVOCA.PE CHEGOU AO LUGAR. FOTO: ANTHONY QUISPE \/ CONVOCA.PE<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Margoth Quispe, da funda\u00e7\u00e3o Rainforest e antiga ouvidora em Ucayali, alertou a pol\u00edcia sobre esta situa\u00e7\u00e3o. Por volta das 5:30 da quarta-feira 6 de fevereiro, a pol\u00edcia chegou \u00e0 Casa Comunal de Saweto para deixar const\u00e2ncia que est\u00e1 sempre alerta para proteger os membros da comunidade. Mas Karen Shawiri deu uma vers\u00e3o diferente.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014 Os policiais v\u00e3o \u00e0s rondas de vigil\u00e2ncia com voc\u00eas?<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014 N\u00e3o, n\u00e3o nos acompanham. Eles ficam no posto policial aqui perto [quinze minutos], em Putaya.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014 E eles resguardam, l\u00e1 e aqui?<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014 N\u00e3o resguardam, n\u00e3o resguardam. Voc\u00ea os em seu posto de controle?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014 Quando voc\u00eas recebem amea\u00e7as, eles recebem suas den\u00fancias?<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014Sim, dizem que passam o relat\u00f3rio para a Procuradoria. H\u00e1 pouco aconteceu um caso, viajarei a Pucallpa para ver, para confirmar bem se est\u00e3o fazendo seu trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Durante essa visita, a pol\u00edcia prometeu colaborar todos os domingos, compartilhando seus gal\u00f5es de gasolina para que os membros da comunidade pudessem navegar at\u00e9 os marcos da fronteira e proteger suas terras.<\/strong> Esse foi o compromisso at\u00e9 o fechamento desta reportagem.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cMientras el Estado no tenga presencia permanente en la zona de frontera cercada por el crimen organizado, esta situaci\u00f3n de peligro para los pobladores de Saweto se va a mantener\u201d.<\/p><cite>Margoth Quispe<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O diretor da D\u00e9cima Terceira Macrorregi\u00e3o de Ucayali da Pol\u00edcia Nacional do Peru, <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">General Miguel Fernando Lostanau Fuentes<\/span>, menciona que h\u00e1 pessoal policial patrulhando 24 horas por dia. &#8220;Usamos barcos da Marinha ou do Ex\u00e9rcito que podem estar na \u00e1rea, h\u00e1 uma presen\u00e7a do Estado em alguns lugares onde est\u00e3o o Ex\u00e9rcito e a Marinha, mas n\u00e3o direi que \u00e9 100%&#8221;, admitiu.<\/p>\n\n\n\n<p>Margoth Quispe menciona que &#8220;o posto policial de Putaya \u00e9 a \u00fanica institui\u00e7\u00e3o que controla e resguarda a seguran\u00e7a&#8221; em Saweto. Por isso que \u00e9 importante que ela fa\u00e7a seu trabalho. &#8220;Enquanto o Estado n\u00e3o tiver uma presen\u00e7a permanente na \u00e1rea fronteiri\u00e7a cercada pelo crime organizado, esta situa\u00e7\u00e3o de perigo para os moradores de Saweto continuar\u00e1&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A ajuda para Saweto foi novamente posta \u00e0 prova em 8 de abril passado com o desaparecimento de <a href=\"http:\/\/convoca.pe\/agenda-propia\/policia-busca-ninos-desparecidos-de-la-comunidad-ashaninka-saweto\">quatro crian\u00e7as<\/a> da comunidade.<\/strong> Ap\u00f3s uma semana, as crian\u00e7as foram encontradas por uma <a href=\"http:\/\/convoca.pe\/agenda-propia\/saweto-ninos-ashaninkas-rescatados-llegaron-salvo-pucallpa\">equipe especial<\/a> da Pol\u00edcia Nacional do Peru, os nativos e a Marinha. Nesses dias, Saweto despertou novamente o interesse do p\u00fablico devido a uma poss\u00edvel desgra\u00e7a, mas agora tudo voltou novamente ao seu estado habitual: o esquecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>A comunidade de Alto Tamaya &#8211; Saweto n\u00e3o est\u00e1 segura: tem um territ\u00f3rio titulado em duas partes: 64.432,49 hectares de selva (t\u00edtulo de propriedade A) e 13.696,73 hectares (t\u00edtulo de propriedade B), que n\u00e3o est\u00e3o totalmente resguardadas. Mas tamb\u00e9m vive em meio \u00e0 escassez e \u00e0s promessas que n\u00e3o s\u00e3o cumpridas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O plano inacabado<\/h2>\n\n\n\n<p>&#8220;Talvez algu\u00e9m vai ter que morrer para que nos escutem&#8221;, Edwin Chota advertiu uma vez.<\/p>\n\n\n\n<p>E assim foi. Na primeira semana de setembro de 2014, a morte dos quatro l\u00edderes Saweto foi a <a href=\"https:\/\/www.servindi.org\/actualidad\/112857\">not\u00edcia<\/a> que deu a volta ao mundo. O caso desencadeou uma <a href=\"https:\/\/peru21.pe\/politica\/humala-anuncio-investigacion-asesinato-cuatro-ashaninkas-ucayali-184502\">rea\u00e7\u00e3o<\/a> do ent\u00e3o presidente Ollanta Humala que n\u00e3o era esperada. Ergilia Rengifo lembra que somente &#8220;depois que os l\u00edderes foram assassinados, o governo veio nos apoiar, n\u00e3o antes&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Talvez algu\u00e9m vai ter que morrer para que nos escutem&#8221;<\/p><cite>Edwin Chota<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ergilia percorre as constru\u00e7\u00f5es que o Estado executou de acordo com um Plano de A\u00e7\u00e3o, que foi liderado pela Presid\u00eancia do Conselho de Ministros, a cargo de Ana Jara em 2014 e cujo cargo foi assumido por Pedro Cateriano em 2015.<\/p>\n\n\n\n<p>No <a href=\"https:\/\/studylib.es\/doc\/925044\/plan-accion-saweto-v-15dic-2014\">Plano de A\u00e7\u00e3o &#8211; Saweto<\/a>, onze minist\u00e9rios identificaram as necessidades da comunidade nativa e se comprometeram a ajud\u00e1-la a partir do \u00faltimo semestre de 2014 at\u00e9 2015.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante nossa visita, a primeira constru\u00e7\u00e3o que se destaca entre todas aquelas que foram constru\u00eddas com madeira, \u00e9 o armaz\u00e9m, cujo or\u00e7amento excede um milh\u00e3o de soles (cerca de 300 mil d\u00f3lares) e <strong>permitir\u00e1 que v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es estatais tenham escrit\u00f3rios neste lugar para atender \u00e0s necessidades de Saweto<\/strong>. Em 2018 devia estar operacional, mas Ergilia Rengifo nos mostra que o telhado tem as calhas quebradas ou torcidas, o piso tem rachaduras, as paredes abrigam colmeias de vespas, musgo, formigas e at\u00e9 morcegos. O tanque de \u00e1gua est\u00e1 enferrujado, enquanto o tanque subterr\u00e2neo est\u00e1 cheio de mato. Dentro do armaz\u00e9m, h\u00e1 colch\u00f5es sujos. &#8220;Eles o deixaram assim, n\u00e3o o terminaram, e o engenheiro encarregado do trabalho morreu&#8221;, diz Karen Shawiri, chefe da comunidade.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/prismic-io.s3.amazonaws.com\/opendataiii%2Fec067138-1484-461b-8f4b-e608f005ed41_8_foto.jpg\" alt=\"\"\/><figcaption>ESTE ARMAZ\u00c9M FOI CONSTRU\u00cdDO COMO PARTE DE UM PLANO DE A\u00c7\u00c3O DO GOVERNO PARA ATENDER AS NECESSIDADES DA COMUNIDADE DE SAWETO. MAS AINDA N\u00c3O FUNCIONA. FOTO: ANTHONY QUISPE \/ CONVOCA.PE<br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O Minist\u00e9rio do Desenvolvimento e Inclus\u00e3o Social (Midis), que herdou a constru\u00e7\u00e3o do armaz\u00e9m, informou a Convoca.pe que houve &#8220;um atraso significativo devido \u00e0 morte inesperada do supervisor da constru\u00e7\u00e3o (por raz\u00f5es n\u00e3o relacionadas ao projeto) em outubro de 2018&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Um armaz\u00e9m nas \u00e1reas mais remotas do pa\u00eds deve garantir que os programas sociais e os benef\u00edcios do Estado cheguem efetivamente \u00e0s comunidades andinas ou nativas. Entretanto, em Saweto a constru\u00e7\u00e3o ainda est\u00e1 em 70%, segundo o Midis, devido ao &#8220;afastamento da \u00e1rea e suas condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e geogr\u00e1ficas&#8221;.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Erg\u00edlia, nossa guia, nos leva ao p\u00e2ntano da comunidade: um riacho do qual ela bebe e tira \u00e1gua com um prato para esfriar a cabe\u00e7a. &#8220;Daqui bebemos \u00e1gua&#8221;, diz. O masato (n\u00e9ctar tradicional) preparado pela idosa da comunidade Teresa Lopez, a m\u00e3e de Ergilia e Karen, cont\u00e9m a melhor das mandiocas macerada de Saweto e misturadas com a pior amostra \u00e1gua suja. &#8220;Nem sempre \u00e9 limpo, mas temos que beber&#8221;, diz Karen.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Nem sempre \u00e9 limpo, mas temos que beber&#8221;<\/p><cite>Karen Shawiri<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>Os &#8220;p\u00e2ntanos&#8221; tamb\u00e9m s\u00e3o usados para lavar roupas, panelas e pratos, e para tomar banho. Em Saweto n\u00e3o h\u00e1 \u00e1gua pot\u00e1vel. <\/strong>Embora em 2010, Edwin Chota conseguiu junto com a&nbsp; municipalidade Provincial de Coronel Portillo um tanque elevado que se conecta a duas piscinas, uma no jardim de inf\u00e2ncia da comunidade e outra na escola prim\u00e1ria, ambas se deterioraram, enferrujaram e est\u00e3o com musgo. N\u00e3o funcionam.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO reservat\u00f3rio para \u00e1gua Rotoplas h\u00e1 anos que tamb\u00e9m n\u00e3o funciona\u201d, adverte Julia P\u00e9rez.<\/p>\n\n\n\n<p>O <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">Minist\u00e9rio da Habita\u00e7\u00e3o, Constru\u00e7\u00e3o e Saneamento<\/span> se comprometeu a &#8220;reparar as duas piscinas&#8221; que Saweto possui, al\u00e9m de construir uma esta\u00e7\u00e3o de tratamento de \u00e1gua, reparar as tubula\u00e7\u00f5es e &#8220;adquirir um sistema de clora\u00e7\u00e3o para desinfetar a \u00e1gua e prevenir infec\u00e7\u00f5es devido \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o&#8221;. Mas ainda n\u00e3o se concreta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00e3o h\u00e1 eletricidade. Os moradores de Saweto v\u00e3o para a cama ao p\u00f4r-do-sol, \u00e0s 7 da noite.<\/strong> \u00c0s vezes eles permanecem acordados apenas para verificar as mensagens de seus celulares com baterias carregadas pelo gerador el\u00e9trico alimentado por um gal\u00e3o de gasolina. Os pain\u00e9is solares tamb\u00e9m est\u00e3o dispon\u00edveis, mas eles levam de dois a tr\u00eas dias para cobrar uma porcentagem m\u00ednima.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/prismic-io.s3.amazonaws.com\/opendataiii%2F90030b2c-7d9b-48c2-9d08-7264b85e8ff9_10_foto.jpg\" alt=\"\"\/><figcaption>VISTA DO INTERIOR DO ARMAZ\u00c9M QUE MOSTRA O ESTADO DE ABANDONO. FOTO: ANTHONY QUISPE \/ CONVOCA.PE<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Obter eletricidade por doze horas \u00e9 caro: meio gal\u00e3o de gasolina permite carregar quatro telefones celulares com muita sorte com o gerador el\u00e9trico. <strong>Cada gota de gasolina \u00e9 como cada gota de \u00e1gua, muito bem cuidada na comunidade.<\/strong> O pre\u00e7o por gal\u00e3o de gasolina chega a 35 soles (10,7 d\u00f3lares) se vier de Putaya, apesar de ser uma comunidade vizinha. Somente em Pucallpa pode ser comprado por 10 soles (3 d\u00f3lares) o gal\u00e3o, mas isso implica em m\u00e9dia tr\u00eas dias de viagem.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o <a href=\"https:\/\/studylib.es\/doc\/925044\/plan-accion-saweto-v-15dic-2014\">compromisso<\/a> do Minist\u00e9rio de Energia e Minas, cerca de 1.000 sistemas fotovoltaicos deveriam ter sido instalados em casas comunit\u00e1rias, com um investimento referencial de um milh\u00e3o de d\u00f3lares em todo o distrito de Masisea, onde Saweto est\u00e1 localizada. Mas por enquanto isso ainda n\u00e3o aconteceu. Os homens, mulheres e crian\u00e7as da fronteira deitam cedo porque a \u00fanica fonte de luz na comunidade \u00e9 o sol, e por hoje, ele j\u00e1 foi embora.<\/p>\n\n\n\n<p>Voltar descal\u00e7o durante a noite \u00e9 perigoso. A chefe Karen Shawiri acabou de furar a planta do p\u00e9 com uma farpa. A dor durar\u00e1 a noite toda, mas <strong>n\u00e3o h\u00e1 comprimidos de ibuprofeno na comunidade, apenas uma caixa de 10 miligramas de enalapril para a press\u00e3o alta e que est\u00e1 no arm\u00e1rio cheio de musgo escuro no \u00fanico estabelecimento de sa\u00fade de Saweto.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cSe quisermos atender qualquer emerg\u00eancia temos que ir ao posto de sa\u00fade em Putaya, n\u00e3o podemos ficar aqui&#8221;<\/p><cite>Ergilia Rengifo<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O posto de sa\u00fade sobrevive \u00e0 chuva e \u00e0s t\u00e9rmites. &#8220;Se quisermos atender qualquer emerg\u00eancia temos que ir ao posto de sa\u00fade em Putaya, n\u00e3o podemos ficar aqui&#8221;, diz Ergilia Rengifo. <strong>Mas Saweto tem uma rela\u00e7\u00e3o tensa com esta comunidade vizinha: de acordo com testemunhos dos moradores, os implicados no assassinato dos quatro l\u00edderes ambientais vivem ou t\u00eam v\u00ednculos com esta comunidade.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1707\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/11_FOTO-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5447\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19210802\/11_FOTO-scaled.jpg 2560w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19210802\/11_FOTO-scaled-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19210802\/11_FOTO-scaled-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19210802\/11_FOTO-scaled-768x512.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19210802\/11_FOTO-scaled-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19210802\/11_FOTO-scaled-2048x1366.jpg 2048w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19210802\/11_FOTO-scaled-630x420.jpg 630w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19210802\/11_FOTO-scaled-150x100.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19210802\/11_FOTO-scaled-696x464.jpg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19210802\/11_FOTO-scaled-1068x712.jpg 1068w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19210802\/11_FOTO-scaled-1920x1280.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption>Foto: Anthony Quispe \/ Convoca.pe<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade prop\u00f4s a melhoria dos equipamentos e mobili\u00e1rio do posto de sa\u00fade da comunidade, al\u00e9m de realizar sete campanhas de sa\u00fade entre 2014 e 2015, com um or\u00e7amento de 112.000 soles (cerca de 34.000 d\u00f3lares). Mas o problema ainda persiste. Os moradores de Saweto t\u00eam que viajar por 15 minutos de barco at\u00e9 Putaya ou, se o caso for muito mais s\u00e9rio, navegar tr\u00eas dias at\u00e9 Pucallpa na esta\u00e7\u00e3o chuvosa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os idosos na fronteira mencionam a necessidade de um posto de sa\u00fade em Saweto. <\/strong>Guillermo Arevalo sofre de uma estranha doen\u00e7a que faz tremer todo o seu bra\u00e7o. &#8220;Da outra vez tremia muito, estou tomando vitaminas para isso&#8221;, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta comunidade ash\u00e1ninka est\u00e1 quase anoitecendo. O sol est\u00e1 desaparecendo esta tarde de quarta-feira, 6 de fevereiro, enquanto Julia Perez amamenta a \u00faltima de suas filhas e suavemente sopra seus cabelos castanhos. Ela veste uma camiseta azul clara que contrasta com a camiseta branca de sua filhinha. Ambas andam descal\u00e7as, elas v\u00e3o sempre juntas para qualquer lugar. <strong>Julia n\u00e3o tem medo de defender as florestas, mas ela est\u00e1 preocupada com o futuro de seus filhos Tsonkiri, Edwin, Luz e com Kitoniro, filho de Edwin Chota e Diana Rios.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014Kitoniro est\u00e1 bem?<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014Sim, de vez em quando ele vem, me visita e brinca com os seus irm\u00e3ozinhos \u2013responde Julia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1707\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/1_FOTO_ABRIDORA-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5188\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19210956\/1_FOTO_ABRIDORA-scaled.jpg 2560w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19210956\/1_FOTO_ABRIDORA-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19210956\/1_FOTO_ABRIDORA-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19210956\/1_FOTO_ABRIDORA-768x512.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19210956\/1_FOTO_ABRIDORA-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19210956\/1_FOTO_ABRIDORA-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19210956\/1_FOTO_ABRIDORA-150x100.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19210956\/1_FOTO_ABRIDORA-696x464.jpg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19210956\/1_FOTO_ABRIDORA-1068x712.jpg 1068w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19210956\/1_FOTO_ABRIDORA-1920x1280.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption>Foto: Anthony Quispe \/ Convoca.pe<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&nbsp;As crian\u00e7as e os jovens que jogam futebol se divertem at\u00e9 os \u00faltimos raios de sol. A um lado caminha com as suas botas Kitoniro de 12 anos, vestido com uma bermuda jeans e uma camiseta verde. Tem o cabelo raspado, a pele queimada pelo sol e o sorriso amplo como o seu pai.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014Kitoniro, voc\u00ea sabe que o seu pai \u00e9 um her\u00f3i?<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014Sim.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014Voc\u00ea quer ser como o seu pai?<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014N\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014Por qu\u00ea?<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014 Quero ser engenheiro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Kitoniro ainda n\u00e3o sabe a extens\u00e3o da luta que acabou extinguindo a vida de seu pai, Edwin Chota.<\/strong> Ele e sua fam\u00edlia aprenderam a sobreviver, a permanecer de p\u00e9 e a resistir, como as \u00faltimas \u00e1rvores na fronteira.<\/p>\n\n\n\n<p>* Esta reportagem multim\u00eddia em tr\u00eas idiomas e a elabora\u00e7\u00e3o dos aplicativos contaram com o apoio da Sociedade Peruana de Direito Ambiental (SPDA), da Direito, Ambiente e Recursos Naturais (DAR), da Uni\u00e3o Europeia e da Coaliz\u00e3o Regional pela Transpar\u00eancia e a Participa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images.prismic.io\/opendataiii\/5f2c1f15adb11f483eb4c910a41bfbe739fbb6e0_logos-fondo-blanco.jpg?auto=compress,format\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/eee.png\" alt=\"Tierra de Resistentes\" class=\"wp-image-3766\" width=\"100\" height=\"100\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211834\/eee.png 400w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211834\/eee-300x300.png 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211834\/eee-150x150.png 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 100px) 100vw, 100px\" \/><\/figure><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Despu\u00e9s del asesinato del l\u00edder ambiental Edwin Chota y de tres dirigentes de la comunidad Alto Tamaya-Saweto en Pucallpa por taladores ilegales, las mujeres de este pueblo ash\u00e1ninka en la frontera de Per\u00fa con Brasil son las que defienden los bosques. Ellas se enfrentan al crimen organizado ante el miedo de los varones de ser asesinados como sus compa\u00f1eros y la d\u00e9bil protecci\u00f3n del Estado que a\u00fan no concreta las mejoras de infraestructura y la ejecuci\u00f3n de proyectos sociales que debieron cumplirse desde 2015.<\/p>\n<p> A cinco a\u00f1os del horror que vivi\u00f3 Saweto, Convoca.pe, como parte del proyecto colaborativo \u2018Tierra de resistentes\u2019, lleg\u00f3 a este pueblo amaz\u00f3nico, ubicado en la regi\u00f3n Ucayali, para conocer la lucha de estas mujeres que viven en constante peligro por defender los \u00faltimos \u00e1rboles en la frontera.<\/p>\n","protected":false},"author":32,"featured_media":5188,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[15,44],"tags":[45,347,354,259,353,355,356],"coauthors":[56,73,107],"class_list":{"0":"post-665","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-peru","8":"category-reportajes","9":"tag-fase-i","10":"tag-frontera","11":"tag-lideresas","12":"tag-madera","13":"tag-mujeres","14":"tag-saweto","15":"tag-tala-ilegal"},"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.4 - 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