{"id":624,"date":"2019-04-23T15:29:00","date_gmt":"2019-04-23T15:29:00","guid":{"rendered":"http:\/\/tierra.jerrejerre.com\/es\/?p=624"},"modified":"2021-04-21T16:46:39","modified_gmt":"2021-04-21T16:46:39","slug":"el-fantasma-de-nankints","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/2019\/04\/23\/el-fantasma-de-nankints\/","title":{"rendered":"O fantasma de Nankints"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-color has-small-font-size\" style=\"color:#0f0f0f;max-width:830px;margin-top:0px;margin-bottom:68px\"><em><strong>Em 2016, uma comunidade shuar no sul do Equador foi desalojada, atacada e alvo de ass\u00e9dio judicial. Uma mineradora se instalou em seu territ\u00f3rio. Dois anos mais tarde, seus 32 habitantes ainda n\u00e3o puderam retornar \u00e0 sua terra.<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Quando Sandro Chinkim retornou \u00e0 sua aldeia, ela j\u00e1 n\u00e3o existia mais. Chinkim, um pai de fam\u00edlia por volta dos 30 anos de idade, tinha deixado sua comunidade, Nankints, na v\u00e9spera para visitar seus sogros, que moram a apenas 100 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia. &#8220;Quando voltei, j\u00e1 n\u00e3o havia casas, e todas estavam enterradas. N\u00e3o havia nem as pranchas sequer&#8221;, disse ele. 32 pessoas moravam em Nankints &#8211; um pequeno enclave de ind\u00edgenas shuar aos p\u00e9s da Cordilheira do Condor, ao sul da Amaz\u00f4nia equatoriana. <strong>Mas quando Chinkim retornou, n\u00e3o havia sinal delas, nem de suas casas.<\/strong> Havia militares, policiais e os restos de madeira e zinco, talvez a \u00fanica evid\u00eancia de que havia uma comunidade ali. Era 13 de agosto de 2016.<\/p>\n\n\n\n<p>Quarenta e oito horas antes, <strong>um piquete de pol\u00edcia, com uma ordem judicial, tinha desalojado a comunidade<\/strong>: a terra era propriedade da empresa mineradora <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">Explorcobres S.A.<\/span>, disseram, e eles estavam invadindo a propriedade. Ao contr\u00e1rio de seu filho, os pais de Sandro Chinkim estavam em Nankints naquele dia.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Disseram eles que tinham dois minutos para pegar suas coisas e sair&#8221;<\/p><cite>Sandro Chinkim.<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>&#8220;Disseram eles que tinham dois minutos para pegar suas coisas e sair&#8221;, diz Chinkim. &#8220;Logo depois derrubaram as casas e as enterraram em um buraco que cobriram com terra&#8221;. As oito fam\u00edlias de Nankints se refugiaram em comunidades vizinhas como San Carlos de Lim\u00f3n, Santiago de Pananza e Tsuntsuim. Era quinta-feira 11 de agosto de 2016 quando Nankints deixou de existir.<strong> Seus quatro hectares se tornaram, pela for\u00e7a da remo\u00e7\u00e3o, no acampamento da mina La Esperanza (a Esperan\u00e7a).<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Seus habitantes nunca mais conseguiram voltar \u00e0 sua terra.<\/p>\n\n\n\n<p>Dois anos e meio depois, em uma manh\u00e3 de fevereiro de 2019, no que antes era Nankints, n\u00e3o havia mais restos de madeira e zinco. H\u00e1 sete pequenas casas com telhados prateados, em meio a estradas de terra, rodeadas por uma cerca de metal de dois metros de altura, refor\u00e7ada com bobinas de arame farpado amea\u00e7adoras.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images.prismic.io\/opendataiii\/a4d65b92879be32614246aaffc86cbb0f3e8021d_15.jpg?auto=compress,format\" alt=\"\"\/><figcaption>O ACAMPAMENTO LA ESPERANZA EST\u00c1 RODEADO POR UMA CERCA DE METAL REFOR\u00c7ADA COM ARAME FARPADO. FOTOGRAFIA DE JOS\u00c9 MAR\u00cdA LE\u00d3N.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Dentro de uma guarita de cimento, um seguran\u00e7a olha desconfiado a caminhoneta quatro por quatro que avan\u00e7a levantando uma fuma\u00e7a de terra enquanto passa devagar \u00e0 beira acampamento do projeto Panantza-San Carlos, onde a Explorcobres S.A. quer come\u00e7ar a explorar a cordilheira, rica do cobi\u00e7ado cobre, durante 25 anos.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>in\u00edcio da escalada violenta de um conflito entre a mineradora e os ind\u00edgenas, que resultou em morte, persegui\u00e7\u00e3o, ass\u00e9dio judicial e deslocamento.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Mas a mineradora n\u00e3o conseguiu por causa da resist\u00eancia do povo shuar. A remo\u00e7\u00e3o for\u00e7ada que Sandro Chinkim n\u00e3o viu, mas que o deixou sem casa e sem aldeia, foi apenas o in\u00edcio dos quatro meses que se seguiram \u00e0quela quinta-feira 11 de agosto de 2016, in\u00edcio da escalada violenta de um conflito entre a mineradora e os ind\u00edgenas, que resultou em morte, persegui\u00e7\u00e3o, ass\u00e9dio judicial e deslocamento.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\">***<\/h2>\n\n\n\n<p>Jonathan e Steven, de seis e quatro anos, correm de gol a gol. Eles riem. Na grama que separa as casas da quadra, uma mulher puxa uma mula que relincha. Rita, de 21 anos, agacha-se e corta a grama ao redor de sua casa. Uma galinha cacareja.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Tsuntsuim n\u00e3o h\u00e1 centro de sa\u00fade nem mercearia. H\u00e1 apenas uma escola para todas as crian\u00e7as entre 5 e 13 anos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/dialogochino.net\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/DSC_0787.jpg\" alt=\"\"\/><figcaption>Foto: Jos\u00e9 Mar\u00eda Le\u00f3n.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>No dia em que as oito fam\u00edlias foram expulsas de Nankints, algumas se refugiaram em Tsuntsuim, que fica a cerca de seis quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia. Alvino Pinchup\u00e1, morador de Tsuntsuim, lembra que <strong>&#8220;eles chegaram com apenas um cobertor debaixo do bra\u00e7o. &#8216;Eles nos desalojaram&#8217;, disseram, e n\u00f3s os convidamos a ficar aqui&#8221;.<\/strong>\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A not\u00edcia do desalojamento se espalhou pelas prov\u00edncias de Morona Santiago e Zamora Chinchipe, parte do territ\u00f3rio ancestral dos shuar &#8211; uma das 15 nacionalidades ind\u00edgenas do Equador. Quase uma d\u00fazia de homens, que n\u00e3o eram de Nankints, foram para Tsuntsuim para apoiar seus companheiros e retomar a comunidade.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Antes do que aconteceu em Nankints, j\u00e1 vinha se falando e protestando sobre a quest\u00e3o da minera\u00e7\u00e3o, mas algu\u00e9m aqui tinha que decidir e agir&#8221;<\/p><cite>Domingo Nayash.<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Domingo Nayash tinha sido nomeado s\u00edndico de Tsuntsuim, a m\u00e1xima autoridade administrativa, havia um m\u00eas, quando <strong>ajudou a planejar o que ele chamou de &#8220;o golpe&#8221;<\/strong>. &#8220;Antes do que aconteceu em Nankints, j\u00e1 vinha se falando e protestando sobre a quest\u00e3o da minera\u00e7\u00e3o, mas algu\u00e9m aqui tinha que decidir e agir&#8221;, diz Nayash, um homem magro, moreno, com nariz largo e bra\u00e7os fortes, sentado em um banco de madeira embaixo um teto de lata onde penduram camisetas, cal\u00e7as e meias molhadas rec\u00e9m\u00a0lavadas.\u00a0<strong>Nos meses ap\u00f3s o despejo, houve assembleias, reuni\u00f5es e planejamento entre os l\u00edderes das organiza\u00e7\u00f5es shuar e os homens que se juntaram para defender seu territ\u00f3rio.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s semanas de planejamento, <strong>na madrugada de domingo 20 de novembro, cerca de 25 homens sa\u00edram de Tsuntsuim para o acampamento La Esperanza.<\/strong> &#8220;Demorou mais do que pens\u00e1vamos porque entre n\u00f3s havia dois homens gordos que caminhavam devagar. Quer\u00edamos chegar \u00e0s tr\u00eas da manh\u00e3 para surpreender os trabalhadores, mas chegamos quando j\u00e1 estava claro&#8221;, lembra Nayash.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Entre disparos, golpes e principalmente confus\u00e3o, os trabalhadores da Explorcobres S.A. e a pol\u00edcia cuidava deles, bateram em retirada<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>Eram as seis da manh\u00e3 quando os shuar &#8211; alguns com lan\u00e7as, outros com explosivos e espingardas &#8211; irromperam no acampamento. <\/strong>Entre disparos, golpes e principalmente confus\u00e3o, os trabalhadores da Explorcobres S.A. e a pol\u00edcia cuidava deles, bateram em retirada. Nayash diz que o plano era queimar as casas, mas algu\u00e9m do grupo sugeriu n\u00e3o as destruir porque poderiam ser \u00fateis aos moradores de Nankints que, de acordo com seus planos, voltariam para refundar sua comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mas o contra-ataque da mineradora e do Estado foi esmagador.<\/strong> Os shuar dormiram uma noite no acampamento ocupado, mas na manh\u00e3 seguinte um contingente policial e militar, cujo n\u00famero, segundo Nayash, havia dobrado, os expulsou. A retomada de La Esperanza durou 24 horas.<\/p>\n\n\n\n<p>Os shuar se retiram para San Carlos de Lim\u00f3n, um pequeno povoado de colonos e ind\u00edgenas que fica entre a comunidade de Tsuntsuim e a \u00e1rea onde Nankints existiu outrora.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/dialogochino.net\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/DSC_0421.jpg\" alt=\"\"\/><figcaption>O TARABITA (TELEF\u00c9RICO PRIMITIVO) LIGA O LIM\u00d3N COM AS OUTRAS COMUNIDADES. FOTOGRAFIA DE JOS\u00c9 MAR\u00cdA LE\u00d3N. DURANTE O ESTADO DE EXCE\u00c7\u00c3O, OS MILITARES ARMARAM SUAS BARRACAS NO ACAMPAMENTO NA QUADRA COBERTA DE SAN CARLOS DE LIM\u00d3N. FOTOGRAFIA DE BRAULIO GUTI\u00c9RREZ.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>H\u00e1 tr\u00eas vias para chegar a San Carlos de Lim\u00f3n (tamb\u00e9m chamado apenas de &#8216;Lim\u00f3n&#8217;): o mais f\u00e1cil e r\u00e1pido &#8211; que leva entre 3 e 4 minutos &#8211; \u00e9 atravessar meio quil\u00f4metro em um telef\u00e9rico (chamado de tarabita) a 300 metros acima do rio Zamora.\u00a0 <strong>Os mais de vinte homens que foram, mais uma vez, expulsos do antigo Nankints se refugiaram- em Lim\u00f3n durante as tr\u00eas semanas seguintes.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0\u00a0&#8220;Vamos dar outro golpe&#8221;, ouviu o s\u00edndico de Nayash falar aos homens que tinham vindo para apoi\u00e1-los de outras comunidades. Vinte e quatro dias depois, <strong>em 14 de dezembro, os shuar voltaram para La Esperanza. Mas desta vez o acampamento era custodiado por milhares de policiais e militares<\/strong>. O confronto foi mais violento. &#8220;Dava para escutar o tiroteio daqui&#8221;, diz Natalia Nankamai, uma moradora de Tsuntsuim.<\/p>\n\n\n\n<p>A troca de balas deixou dois militares, cinco policiais e dois shuar feridos. <strong>O policial Jos\u00e9 Luis Mej\u00eda morreu de um tiro que as autoridades dizem ter vindo dos shuar, e que os shuar dizem ter sido dos militares.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/dialogochino.net\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/limon.jpg\" alt=\"\"\/><figcaption>Foto: Braulio Guti\u00e9rrez.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\">***<\/h2>\n\n\n\n<p>Na mesma quarta-feira, 14 de dezembro, o ent\u00e3o presidente <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">Rafael Correa<\/span> <strong><a class=\"rank-math-link\" href=\"https:\/\/www.scribd.com\/document\/404853423\/Decreto-presidencial-que-declara-estado-de-excepcion-en-Morona-Santiago-Ecuador\">decretou<\/a> o aumento de presen\u00e7a militar na \u00e1rea, e um estado de exce\u00e7\u00e3o de 30 dias na prov\u00edncia de Morona Santiago.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tr\u00eas dias depois, nas transmiss\u00f5es de r\u00e1dio e televis\u00e3o que Correa dava todos os s\u00e1bados para relatar sobre sua administra\u00e7\u00e3o e atacar seus inimigos, ele mentiu: <strong>ele disse que os shuar eram parte de &#8220;<a href=\"https:\/\/youtu.be\/4Q4ltUqhoYg?t=2798\">um grupo armado extremamente violento<\/a>&#8221; e negou que a \u00e1rea fosse territ\u00f3rio ancestral<\/strong>. O comandante da pol\u00edcia na \u00e9poca, Diego Mej\u00eda, disse que eles tinham &#8220;<a href=\"https:\/\/youtu.be\/kRgT99Lk_ko?t=55\">armas de grande calibre<\/a>&#8220;. <strong>Alvino Pinchup\u00e1 e Domingo Nayash insistem que s\u00f3 tinham carabinas, dinamite e lan\u00e7as.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Aqueles dias de dezembro de 2016 permanecem intactos nas mentes das mulheres e crian\u00e7as de Tsuntsuim. Nayash estava em San Carlos de Lim\u00f3n, mas dois dias depois decidiu deixar Tsuntsuim para contar aos outros o que tinha acontecido.<\/p>\n\n\n\n<figure><iframe loading=\"lazy\" width=\"480\" height=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/AdCfZrWnjm0?feature=oembed\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe><\/figure>\n\n\n\n<p>O caminho entre a o principal munic\u00edpio e a comunidade tem trechos de lama profunda e movedi\u00e7a, como concreto fresco; outros s\u00e3o empinados, rochosos e com mofo, em meio a ravinas \u00edngremes, e rios de anacondas e pedras pr\u00e9-hist\u00f3ricas que s\u00e3o atravessados por troncos escorregadios. Os as pessoas da regi\u00e3o levam cerca de quarenta minutos para percorr\u00ea-lo enquanto as pessoas de fora podem levar at\u00e9 quatro horas.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cEles vieram com carros blindados e tanques de guerra destruindo tudo. Usaram tr\u00eas frentes para entrar, queriam nos fazer uma emboscada\u201d.<\/p><cite>Domingo Nayash.<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Nayash lembra que enquanto caminhava em dire\u00e7\u00e3o a Tsuntusim ouvia tiros e helic\u00f3pteros. &#8220;Eles vieram com carros blindados e tanques de guerra destruindo tudo. Usaram tr\u00eas frentes para entrar, queriam nos fazer uma emboscada&#8221;.\u00a0 <strong>Os militares e a pol\u00edcia invadiram v\u00e1rias aldeias da regi\u00e3o. O objetivo deles era prender os suspeitos da morte do policial Jos\u00e9 Luis Mej\u00eda.\u00a0<\/strong>\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Rosa Tuits, moradora de San Pedro, uma comunidade perto de Tsuntsuim, diz que estava tomando banho quando eles come\u00e7aram a chutar em sua porta. &#8220;Isso me assustou. Ainda bem que eu estava em casa porque as pessoas que n\u00e3o estavam tiveram suas portas arrombadas. Em minha casa, eles procuraram e quebraram tudo, e levaram a carabina. Sempre tivemos armas porque vivemos na selva e temos p\u00e1ssaros. Eles pegaram aquela arma&#8221;. <strong>Tuits e seus vizinhos fizeram parte da opera\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio do Interior que apreendeu armas de fogo e explosivos para analis\u00e1-los e determinar quem tinha participado do confronto do dia 14.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure><iframe loading=\"lazy\" width=\"480\" height=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/CceyClc_EVg?feature=oembed\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe><\/figure>\n\n\n\n<p>O ent\u00e3o ministro do interior, <strong>Diego Fuentes, publicou em seu Twitter: &#8220;Negamos qualquer afirma\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o de interven\u00e7\u00f5es violentas por parte das for\u00e7as de seguran\u00e7a&#8221;.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os habitantes de Tsuntsuim tinham medo. O som dos helic\u00f3pteros, das balas e dos drones horrorizava as crian\u00e7as. <strong>Por volta das oito horas da noite, as 27 fam\u00edlias decidiram deixar sua comunidade.<\/strong> Eles n\u00e3o queriam se encontrar com os militares e a pol\u00edcia. &#8220;Vinham militares atirando, consegu\u00edamos ouvir os helic\u00f3pteros baixos. Eu tive que pegar as crian\u00e7as e me esquecer dos animais, dos cobertores, de tudo. Sa\u00edmos sem nada e tivemos que dormir nas montanhas. As crian\u00e7as n\u00e3o tinham lanches&#8221;, lembra Benito Jimpikit, um morador de Tsuntsuim. Nayash diz que muitas pessoas sa\u00edram &#8220;com o que tinham&#8221;.\u00a0 <strong>Eles n\u00e3o conseguiram fazer mala nem levar comida. Nada. Durante a noite e a madrugada, muitos n\u00e3o tinham sequer uma lanterna para caminhar pela floresta espessa, na escurid\u00e3o<\/strong>.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Na manh\u00e3 seguinte chegaram a Tink, outra comunidade shuar a 12,4 quil\u00f4metros (em linha reta) de Tsuntsuim, onde se refugiaram. <strong>&#8220;N\u00e3o sab\u00edamos o que ia acontecer, pensei que no dia seguinte eu voltaria para ver minhas coisas, e trazer comida para meus filhos&#8221;<\/strong>, diz Nayash. Segundo ele, eles levaram quatro meses para voltar.<\/p>\n\n\n\n<p>Eles retornaram somente quando tinham certeza de que todos os militares tinham abandonado a comunidade.<\/p>\n\n\n\n<figure><iframe loading=\"lazy\" width=\"480\" height=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/UqSbvhOjo30?feature=oembed\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\">***<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Benito Jimpikit e tr\u00eas outros membros da comunidade tiveram sua casa incendiada. <\/strong>&#8220;Eu tinha uma cozinha, uma geladeira, 7 vacas e 78 frangos. E quando voltei, s\u00f3 recebi uma ajuda de 25 folhas de zinco para reconstruir. Eu apenas comecei a me recuperar&#8221;, diz ele. Ele se lembra da noite em que, escondido dos militares que ainda ocupavam Tsuntsuim, chegou para avaliar a situa\u00e7\u00e3o: era verdade, ele n\u00e3o tinha casa nem restava nenhuma vaca. Ele retornou para que sua esposa e come\u00e7ou a chorar, aflito por tudo o que havia perdido. <strong>&#8220;Chorei como quem quer morrer naquele momento&#8221;.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/dialogochino.net\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/DSC_0980.jpg\" alt=\"\"\/><figcaption>Foto: Jos\u00e9 Mar\u00eda Le\u00f3n.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Mar\u00eda Luisa Utititiaj, de 61 anos, est\u00e1 sentada junto \u00e0 mesa de madeira de sua cozinha, rodeada de panelas de alum\u00ednio e cachos de bananas da terra verdes. Em sua m\u00e3o ela segura o cadeado fechado preso a uma dobradi\u00e7a que ela ainda tem da porta que os militares e a pol\u00edcia derrubaram. Ela j\u00e1 estava refugiada em Tink quando aconteceu, mas ela diz que eles comeram suas galinhas e levaram seus botij\u00f5es de g\u00e1s. &#8220;Eles n\u00e3o respeitaram nada&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Soledad Chumpik era a professora da escola de Tsuntsuim. Passava de segunda a sexta-feira na comunidade e o fim de semana com sua fam\u00edlia em Gualaquiza, uma cidade pr\u00f3xima. Chumpik n\u00e3o estava no dia em que todos os moradores fugiram para Tink, mas voltou para a comunidade dois dias depois. O distrito educacional pediu-lhe que fizesse um relat\u00f3rio sobre a situa\u00e7\u00e3o da escola. Quando chegou a Tsuntsuim, diz ela, estava repleto de militares e policiais. <strong>&#8220;Eles tinham invadido as casas, a escola, tudo estava uma bagun\u00e7a. A comida que eu tinha no meu quarto tinha desaparecido, tudo tinha sido usado pela pol\u00edcia, que ainda ocupava meu quarto.<\/strong> Naquela noite, Chimpik dormiu em Tsuntsuim, no dia seguinte ela tirou fotos da escola e fez anota\u00e7\u00f5es para o relat\u00f3rio que lhe tinham solicitado.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/2493d844a533566964b924357adee66c47c8523f_3-3-1024x683.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4152\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211732\/2493d844a533566964b924357adee66c47c8523f_3-3-1024x683.png 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211732\/2493d844a533566964b924357adee66c47c8523f_3-3-300x200.png 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211732\/2493d844a533566964b924357adee66c47c8523f_3-3-768x512.png 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211732\/2493d844a533566964b924357adee66c47c8523f_3-3-1536x1025.png 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211732\/2493d844a533566964b924357adee66c47c8523f_3-3-150x100.png 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211732\/2493d844a533566964b924357adee66c47c8523f_3-3-696x464.png 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211732\/2493d844a533566964b924357adee66c47c8523f_3-3-1068x712.png 1068w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211732\/2493d844a533566964b924357adee66c47c8523f_3-3.png 1919w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>A PROFESSORA DA ESCOLA, SOLEDAD CHUMPIK, E A MORADORA DE TSUNTSUIM, MAR\u00cdA LUISA UTITITIAJ. FOTOGRAFIAS DE JOS\u00c9 MAR\u00cdA LE\u00d3N.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Numa manh\u00e3 de fevereiro de 2019, no corredor da pequena escola de Tsuntsuim que ela ainda lidera, Chumpik diz ter cumprido a ordem que lhe foi dada. <strong>&#8220;N\u00e3o tive medo de estar ali porque n\u00e3o tive nada a ver com isso&#8221;.<\/strong> Entretanto, a pol\u00edcia a prendeu e a levou algemada para um posto de controle em San Juan Bosco, onde ela dormiu uma noite. &#8220;No dia seguinte me levaram ao hospital para me examinar, depois \u00e0 Unidade de Pol\u00edcia Comunit\u00e1ria, e ao Minist\u00e9rio P\u00fablico&#8221;. O marido de Chumpik cuidou da papelada e dos advogados. Ela diz que nos interrogat\u00f3rios lhe pediam que entregasse provas. <strong>&#8220;Que provas eu podia dar se eu n\u00e3o sabia de nada?&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Muchos quedaron traumatizados, asustados por los helic\u00f3pteros, los disparos y por la huida en mitad de la noche, sin linternas, hacia el Tink.<\/p><cite>Soledad Chumpik.<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>Chumpik foi acusada do crime de incitar a disc\u00f3rdia entre os cidad\u00e3os. <\/strong>Por enquanto, espera que os alunos terminem um trabalho de casa antes de envi\u00e1-los de f\u00e9rias, ela lembra como a emboscada da pol\u00edcia afetou as crian\u00e7as. Muitos ficaram traumatizados, assustados com os helic\u00f3pteros, os tiros e pela fuga no meio da noite, sem lanternas, para Tink.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\">***<\/h2>\n\n\n\n<p>Nenhum pol\u00edtico nacional jamais p\u00f4s os p\u00e9s em Tsuntsuim. Nunca. <strong>Durante as campanhas eleitorais, alguns candidatos \u00e0 c\u00e2mara municipal ou \u00e0 prefeitura da prov\u00edncia visitaram.<\/strong> <strong>Mas suas visitas n\u00e3o levaram \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de obras concretas. <\/strong>Basta percorrer a estrada lamacenta e intransit\u00e1vel para entender que para eles a comunidade n\u00e3o \u00e9 uma prioridade.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez a \u00faltima vez que receberam alguma aten\u00e7\u00e3o tenha sido durante a guerra com o Peru que terminou em 1998. O territ\u00f3rio disputado com o pa\u00eds vizinho \u00e9 muito pr\u00f3ximo de Tsuntsuim e durante o conflito, os shuar foram recrutados pelo ex\u00e9rcito equatoriano. <strong>Ap\u00f3s a guerra, por\u00e9m, seu apoio e contribui\u00e7\u00e3o n\u00e3o foram reconhecidos, segundo ind\u00edgenas da regi\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s o conflito em Nankints, diz um homem que n\u00e3o quis se identificar, muitos jornalistas, ambientalistas e ativistas sociais visitaram.\u00a0 <strong>&#8220;Mas aqui estamos dois anos depois, tudo continua igual, ainda n\u00e3o nos recuperamos e ningu\u00e9m se importa&#8221;.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\">***<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/dialogochino.net\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/DSC_0816.jpg\" alt=\"\"\/><figcaption>Foto: Jos\u00e9 Mar\u00eda Le\u00f3n.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\">***<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>A remo\u00e7\u00e3o de Nankints para instalar o acampamento La Esperanza ocorreu em 2016, mas o projeto de minera\u00e7\u00e3o durar\u00e1 mais de 10 anos. Ocupa quase 42.000 hectares &#8211; tr\u00eas vezes o tamanho de Miami.<\/strong> Segundo um <a href=\"https:\/\/www.fundaciontiam.org\/biblioteca\">relat\u00f3rio<\/a> da Funda\u00e7\u00e3o Tiam (que se ocupa dos direitos humanos e da natureza), quatro aldeias &#8211; Indanza, San Miguel de Conchay, San Carlos de Lim\u00f3n e San Jacinto de Wakambeis &#8211; est\u00e3o dentro das \u00e1reas de concess\u00e3o. Outras quatro &#8211; San Antonio, Pan de Az\u00facar, San Juan Bosco e Santiago de Pananza &#8211; est\u00e3o na \u00e1rea de influ\u00eancia do projeto. <strong>Mais de 12.000 pessoas seriam afetadas, das quais 5.000 s\u00e3o shuar.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>O relat\u00f3rio concluiu que o projeto apresenta sete irregularidades porque os minist\u00e9rios envolvidos n\u00e3o cumpriram leis como o Mandato de Minera\u00e7\u00e3o e a Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Em 2012, a Controladoria Geral do Estado <a href=\"https:\/\/www.scribd.com\/document\/404852967\/Informe-de-Controlaria-Proyecto-minero-Panantza-San-Carlos-Ecuador\">auditou<\/a> a gest\u00e3o dos Minist\u00e9rios do Meio Ambiente, Energia e Recursos Naturais N\u00e3o Renov\u00e1veis, e de outras institui\u00e7\u00f5es relacionadas ao projeto de minera\u00e7\u00e3o Panantza-San Carlos. O relat\u00f3rio concluiu que o projeto apresenta sete irregularidades porque os minist\u00e9rios envolvidos n\u00e3o cumpriram leis como o Mandato de Minera\u00e7\u00e3o e a Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>Especificamente, de acordo com a Controladoria, o governo deveria ter suspendido o projeto devido a que <strong>a empresa Explorcobres S.A. excedeu o n\u00famero de concess\u00f5es permitidas sob o mandato de minera\u00e7\u00e3o (s\u00e3o permitidas no m\u00e1ximo 3, mas 4 estavam em vigor e 7 suspensas);\u00a0 est\u00e1 em um territ\u00f3rio com nascentes e fontes de \u00e1gua; e a que o estudo de impacto ambiental que estava &#8220;\u00e0 margem da legisla\u00e7\u00e3o aplic\u00e1vel&#8221;.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O relat\u00f3rio deixa claro que os aspectos ambientais, sociais e at\u00e9 econ\u00f4micos do projeto foram realizados com padr\u00f5es duvidosos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Em fevereiro de 2019, Panantza-San Carlos estava na fase de explora\u00e7\u00e3o avan\u00e7ada<\/strong>. Ou seja, j\u00e1 havia conclu\u00eddo a etapa de prospec\u00e7\u00e3o &#8211; para determinar se h\u00e1 ou n\u00e3o minerais no solo &#8211; e a de explora\u00e7\u00e3o \u2013 quando abrem trilhas se fazem perfura\u00e7\u00f5es.\u00a0\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>En el Ecuador existe solo un proyecto de miner\u00eda a cielo abierto que ya empez\u00f3 con la explotaci\u00f3n y no est\u00e1 lejos de Panantza-San Carlos, en la misma Cordillera del C\u00f3ndor donde quedaba Nankints. Est\u00e1 concesionado a una empresa distinta, llamada Ecuacorriente S.A., pero que <strong>es en realidad una filial del\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" class=\"rank-math-link\" href=\"https:\/\/www.business-humanrights.org\/en\/explorcobres-exsa-part-of-corriente-resources\" target=\"_blank\">mismo conglomerado chino<\/a><\/strong>: lo integran las empresas estatales Tongling Nonferrous Metals \u2014dedicada a la miner\u00eda met\u00e1lica\u2014 y China Railway Construction Corporation (CRCC) \u2014dedicada a la construcci\u00f3n de infraestructura. Al final, <strong>los dos proyectos pretenden explotar el mismo yacimiento<\/strong>, que se extiende debajo de las provincias de Morona Santiago y Zamora Chinchipe, y se conoce como <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">\u2018el cintur\u00f3n de cobre\u2019<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Mirador atraiu mais aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico no Equador devido aos j\u00e1 vis\u00edveis danos ambientais e danos \u00e0s comunidades pr\u00f3ximas. Mas espera-se que em Panantza-San Carlos dobre em extens\u00e3o e, portanto, em danos ambientais.\u00a0<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Mirador atraiu mais aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico no Equador devido aos j\u00e1 vis\u00edveis danos ambientais e danos \u00e0s comunidades pr\u00f3ximas. Mas espera-se que em Panantza-San Carlos dobre em extens\u00e3o e, portanto, em danos ambientais.\u00a0N\u00e3o se sabe quem escolheu o nome La Esperanza para o acampamento onde a profecia deve ser cumprida, nem se suas motiva\u00e7\u00f5es nasceram do cinismo, do desprezo ou da arrog\u00e2ncia mais abjeta.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\">***<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2000\" height=\"1333\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Copia-de-DSC_0540.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4153\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211731\/Copia-de-DSC_0540.jpg 2000w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211731\/Copia-de-DSC_0540-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211731\/Copia-de-DSC_0540-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211731\/Copia-de-DSC_0540-768x512.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211731\/Copia-de-DSC_0540-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211731\/Copia-de-DSC_0540-150x100.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211731\/Copia-de-DSC_0540-696x464.jpg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211731\/Copia-de-DSC_0540-1068x712.jpg 1068w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211731\/Copia-de-DSC_0540-1920x1280.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 2000px) 100vw, 2000px\" \/><figcaption>Foto: Jos\u00e9 Mar\u00eda Le\u00f3n.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\">***<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>A resist\u00eancia dos shuar n\u00e3o \u00e9 nova.<\/strong> Em novembro de 2006, habitantes da comunidade shuar de Warints, tamb\u00e9m no sul da Amaz\u00f4nia, chegaram com lan\u00e7as e espingardas ao acampamento da empresa canadense Lowell Mineral Exploration e exigiram que abandonasse seu territ\u00f3rio. Tal foi a press\u00e3o &#8211; eles at\u00e9 bloquearam a pista de pouso para evitar a chegada de militares e policiais &#8211; que a mineradora foi embora.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Os problemas sociais tamb\u00e9m t\u00eam sido consequ\u00eancia da minera\u00e7\u00e3o no sul do Equador.<\/p><cite>Ra\u00fal Ankuash.<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ra\u00fal Ankuash \u00e9 um dos l\u00edderes shuar que tem participado da luta e resist\u00eancia contra a minera\u00e7\u00e3o. Ele \u00e9 atualmente um l\u00edder territorial da Federa\u00e7\u00e3o Interprovincial dos Centros Shuar (Ficsh) <strong>e diz que a na\u00e7\u00e3o shuar sempre rejeitou a minera\u00e7\u00e3o em seu territ\u00f3rio ancestral<\/strong>. &#8220;Mas as empresas geraram divis\u00f5es internas dentro da organiza\u00e7\u00e3o e continuam gerando mais conflitos. Ainda h\u00e1 uma pessoa financiada por uma empresa&#8221;, diz ele. Os problemas sociais tamb\u00e9m t\u00eam sido consequ\u00eancia da minera\u00e7\u00e3o no sul do Equador.<\/p>\n\n\n\n<p>O conflito com a Explorcobres S.A. \u00e9 um novo cap\u00edtulo na hist\u00f3ria. <strong>&#8220;Se n\u00e3o fosse a resist\u00eancia do povo shuar, o projeto Panantza-San Carlos teria come\u00e7ado h\u00e1 muito tempo&#8221;<\/strong>, diz Gloria Chicaiza da A\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica, uma organiza\u00e7\u00e3o que defende os direitos ambientais. Segundo Chicaiza, a vit\u00f3ria contra a Lowell teve um efeito cascata e levou \u00e0 paralisa\u00e7\u00e3o do projeto Panantza-San Carlos, cujo acampamento tinha um nome mais sincero &#8216;Rosa de Oro&#8217;. &#8220;Para os shuar, estas a\u00e7\u00f5es foram uma limpeza de territ\u00f3rio&#8221;. Era uma forma de deixar claro que eles queriam suas terras livres da minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Embora o artigo 57 da Constitui\u00e7\u00e3o do Equador reconhe\u00e7a os territ\u00f3rios ind\u00edgenas ancestrais, a hist\u00f3ria pol\u00edtica, especialmente a das terras na Amaz\u00f4nia, \u00e9 mais complexa.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A \u00e1rea onde as empresas de minera\u00e7\u00e3o querem cavar a c\u00e9u aberto no sudeste do Equador \u00e9 o territ\u00f3rio ancestral do povo Shuar Arutam, formado por cerca de 13.000 pessoas da etnia shuar. Embora o artigo 57 da Constitui\u00e7\u00e3o do Equador reconhe\u00e7a os territ\u00f3rios ind\u00edgenas ancestrais, a hist\u00f3ria pol\u00edtica, especialmente a das terras na Amaz\u00f4nia, \u00e9 mais complexa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images.prismic.io\/opendataiii\/442134c25c0f50a00f0f243b1c305df620fa984c_nankintz-shuar-horizontal.jpg?auto=compress,format\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Na quinta-feira 11 de agosto de 2016, a remo\u00e7\u00e3o dos habitantes de Nankints foi justificada, segundo o Minist\u00e9rio do Interior, devido a que comunidade era uma &#8220;<a href=\"https:\/\/www.ministeriointerior.gob.ec\/invasion-ilegal-de-28-predios-en-morona-concluyo-con-el-desalojo-por-orden-judicial\/\">invas\u00e3o ilegal<\/a>&#8221; e os pr\u00e9dios tinham sido concedidos \u00e0 Explorcobres S.A. <strong>Dez anos antes, em novembro de 2006, outro acampamento mineiro, Rosa de Oro, operava na mesma \u00e1rea<\/strong> (hoje acampamento La Esperanza, antigo Nankints). Os ind\u00edgenas shuar se apropriaram do acampamento, deram-lhe o nome de Nankints, e moraram ali durante 10 anos. A empresa, que insistiu em ser dona do territ\u00f3rio, processou os ind\u00edgenas e, em 2015, <strong>a Corte Provincial de Morona Santiago decidiu em favor da empresa quanto \u00e0 posse e uso da \u00e1rea de concess\u00e3o mineira.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images.prismic.io\/opendataiii\/e4aa9cc0a7c4a418d8b20352d0f62fcef8a3dbc5_verde.png?auto=compress,format\" alt=\"\"\/><figcaption>DENTRO DE UM BARRACO ESTREITO, OSWALDO DOM\u00cdNGUEZ &#8211; NATIVO DA PROV\u00cdNCIA DE AZUAY E HABITANTE DE LIM\u00d3N H\u00c1 MAIS DE 50 ANOS &#8211; MOSTRA OS TESTEMUNHOS DA PERFURA\u00c7\u00c3O DA EMPRESA DE MINERA\u00c7\u00c3O BILLINGTON QUE REALIZOU A EXPLORA\u00c7\u00c3O H\u00c1 MAIS DE UMA D\u00c9CADA. FOTOGRAFIA DE ISABELA PONCE.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Mario Melo \u00e9 o advogado do povo Shuar Arutam e insiste que este territ\u00f3rio pertence \u00e0 na\u00e7\u00e3o Shuar. O contexto hist\u00f3rico \u00e9 longo e complexo, mas entre os fatores que ele menciona para explicar como e por que os shuar foram &#8220;encurralados&#8221; em seu pr\u00f3prio territ\u00f3rio: <strong>a miss\u00e3o dos monges salesianos e a seca dos anos 60 na serra do sul que levou os camponeses a ocupar terras na Amaz\u00f4nia.<\/strong> Um <a href=\"https:\/\/www.inredh.org\/archivos\/pdf\/informe_preleminar_nankints.pdf\">relat\u00f3rio<\/a> da Funda\u00e7\u00e3o Regional de Assessoria em Direitos (Inredh) tamb\u00e9m menciona que nos anos 70 houve um processo de coloniza\u00e7\u00e3o promovido pelo ent\u00e3o Instituto Equatoriano de Reforma Agr\u00e1ria e Coloniza\u00e7\u00e3o (IERAC) <strong>&#8220;que concedeu terras ancestrais shuar aos colonos como se elas n\u00e3o existissem&#8221;.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>apesar de saber a regi\u00e3o \u00e9 territ\u00f3rio ind\u00edgena ancestral, concedeu t\u00edtulos de terra a camponeses.<\/p><cite>Mario Melo.<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Melo explica que o Estado, apesar de saber a regi\u00e3o \u00e9 territ\u00f3rio ind\u00edgena ancestral, concedeu t\u00edtulos de terra a camponeses. &#8220;As pessoas da serra chegaram com uma mentalidade diferente, para elas a propriedade coletiva n\u00e3o faz sentido, por isso pediram para legalizar em seu nome, individualmente, dois ou tr\u00eas hectares, que eram lotes pequenos e isolados, o que n\u00e3o parecia preocupar os shuar&#8221;. <strong>Mas tudo mudou quando os camponeses venderam esses t\u00edtulos para as empresas de minera\u00e7\u00e3o<\/strong>. Em 1998, come\u00e7ou a prospec\u00e7\u00e3o na Cordilheira do Condor, uma \u00e1rea que antes estava em disputa, era uma zona de guerra (tr\u00eas anos antes, o Equador e o Peru tinham enviado soldados pobres para atirar uns nos outros, nas margens do rio Cenepa), e as atividades civis foram proibidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Melo, <strong>os camponeses viram uma oportunidade de neg\u00f3cios: pediram ao Estado os t\u00edtulos em troca do cultivo da terra e uma vez que tinham os pap\u00e9is, venderam os terrenos \u00e0s empresas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;A empresa \u00e9 propriet\u00e1ria desse terreno, mas essa transa\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi realmente leg\u00edtima&#8221;<\/p><cite>Ver\u00f3nica Potes.<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>&#8220;A empresa \u00e9 propriet\u00e1ria desse terreno, mas essa transa\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi realmente leg\u00edtima. <strong>Se olharmos para o passado, encontraremos que houve um momento de entrega de t\u00edtulos por parte de alguma organiza\u00e7\u00e3o do Estado. Esse \u00e9 o in\u00edcio da remo\u00e7\u00e3o dos shuar&#8221;<\/strong>, diz Ver\u00f3nica Potes, uma advogada especializada em direitos ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p>V\u00e1rios desses t\u00edtulos que os colonos venderam para as mineradoras incluem o territ\u00f3rio do acampamento La Esperanza. A empresa Explorcobres S.A. tem t\u00edtulos de 150 hectares, mas a concess\u00e3o que o Estado equatoriano lhes concedeu \u00e9 de quase 42.000 hectares. <strong>Essa diferen\u00e7a pertence ao povo Shuar Arutam que, desde a \u00faltima d\u00e9cada do s\u00e9culo XX, tem feito procedimentos e seguido processos para que o Estado lhe d\u00ea t\u00edtulos de um territ\u00f3rio que, em teoria, a Constitui\u00e7\u00e3o do Equador reconhece que lhes pertence.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\">***<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/dialogochino.net\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Copia-de-RDP.jpg\" alt=\"\"\/><figcaption>Foto: Isabela Ponce.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Em 12 de fevereiro de 2019, a sala de imprensa da Confedera\u00e7\u00e3o de Nacionalidades Ind\u00edgenas do Equador (Conaie), em Quito, estava repleta de jornalistas e cinegrafistas. Na mesa, o advogado Mario Melo, acompanhado pelos l\u00edderes e dirigentes shuar, iniciou a coletiva de imprensa e anunciou que <strong>o povo Shuar Arutam entraria com uma a\u00e7\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o &#8211; um mecanismo legal para proteger os direitos humanos &#8211; contra o projeto Panantza-San Carlos.\u00a0<\/strong>Melo explicou que o principal argumento \u00e9 que<strong> o Estado n\u00e3o cumpriu com o direito constitucional \u00e0 consulta livre, pr\u00e9via e informada, um requisito indispens\u00e1vel para qualquer projeto extrativista no Equador<\/strong>, um compromisso que o pa\u00eds tamb\u00e9m assumiu quando assinou a Conven\u00e7\u00e3o 169 da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho das Na\u00e7\u00f5es Unidas. Em \u00e1reas de explora\u00e7\u00e3o, consiste basicamente em consultar os habitantes dos povos ind\u00edgenas se permitem ou n\u00e3o a extra\u00e7\u00e3o de recursos em seus territ\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201catrav\u00e9s de atos violentos que ocorreram em 2016, o direito \u00e0 vida com dignidade e integridade foi violado\u201d.<\/p><cite>Mario Melo.<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Quando o governo de Rafael Correa percebeu que tinha desrespeitado a Constitui\u00e7\u00e3o escrita por eles mesmos, criou modelos de consulta em papel. Segundo Melo, no caso dos Panantza-San Carlos, <strong>a identidade cultural dos povos ind\u00edgenas est\u00e1 sendo desrespeitada<\/strong>. &#8220;Al\u00e9m disso, atrav\u00e9s de atos violentos que ocorreram em 2016, o direito \u00e0 vida com dignidade e integridade foi violado&#8221; disse.<\/p>\n\n\n\n<p>Cinco dias ap\u00f3s a coletiva de imprensa, na par\u00f3quia de San Carlos de Lim\u00f3n, em Morona Santiago, Claudio Washikiat, um shuar l\u00edder territorial da Conaie, com marcas em ziguezague vermelho pintadas em suas bochechas, fala em uma assembleia das comunidades shuar de Morona Santiago sobre a a\u00e7\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A assembleia \u00e9 realizada em um centro comunit\u00e1rio que tem uma quadra poliesportiva de cimento, um palco, um teto curvo de zinco e algumas arquibancadas pintadas de amarelo e verde, as cores da prov\u00edncia, que s\u00e3o como uma met\u00e1fora da Cordilheira do Condor: floresta e mineiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse mesmo lugar, dois anos antes, os militares montaram suas tendas e viveram ali durante os 30 dias do estado de exce\u00e7\u00e3o. Agora, por\u00e9m, o lugar est\u00e1 repleto de cadeiras brancas de pl\u00e1stico ocupadas por pessoas que querem saber, entre outras coisas, <strong>o que acontecer\u00e1 com a explora\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio que consideram legitimamente seu.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<center><figure><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/albumizr.com\/a\/P2ln\" allowfullscreen=\"\" width=\"1050\" height=\"600\"><\/iframe><\/figure><\/center>\n<center><div><small style=\"font-size:60%\"> NANKINTS NO ES LA \u00daNICA COMUNIDAD SHUAR QUE SE RESISTE A LA MINER\u00cdA. LA NACIONALIDAD IND\u00cdGENA HA MANIFESTADO EN M\u00c1S DE UNA OCASI\u00d3N QUE QUIERE LIBRE SU TERRITORIO DE EXTRACCI\u00d3N.<\/small><\/div><\/center>\n\n\n\n<p>No palco, falam Washikiat, Vicente Tsakimp &#8211; presidente do Povo Arutam Shuar -, um secret\u00e1rio que mant\u00e9m a agenda, e dois outros l\u00edderes shuar. A maior parte do di\u00e1logo \u00e9 em sua l\u00edngua. Mulheres e homens participam de longas interven\u00e7\u00f5es. O moderador lhes pede que fa\u00e7am propostas concretas. <strong>&#8220;Mas vamos recuperar o territ\u00f3rio?&#8221; <\/strong>pergunta uma das participantes, depois que lhe explicam para que serve a a\u00e7\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 uma pergunta que ningu\u00e9m se atreve a responder.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\">***<\/h2>\n\n\n\n<p>Tr\u00eas dias antes da assembleia em Lim\u00f3n, na noite de 14 de fevereiro de 2019, Claudio Washikiat &#8211; o rosto redondo com gestos duros, um ar de superioridade sobre os mesti\u00e7os e uma lideran\u00e7a consolidada em sua aldeia &#8211; chegou a Tsuntsuim, vindo de Quito. <strong>Ele n\u00e3o tinha voltado \u00e0 comunidade desde dezembro de 2016, depois da morte do policial e da declara\u00e7\u00e3o de estado de exce\u00e7\u00e3o do presidente Correa.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/dialogochino.net\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/DSC_1010.jpg\" alt=\"\"\/><figcaption>Foto: Jos\u00e9 Mar\u00eda Le\u00f3n.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O s\u00edndico Domingo Nayash, o morador Alvino Pinchup\u00e1 e sua esposa Mar\u00eda Natalia Nankamai o receberam com alegria. Em 2016, Washikiat foi vice-presidente da Federa\u00e7\u00e3o Interprovincial dos Centros Shuar (Ficsh). Quando o conflito estourou em novembro, ele foi um dos homens que chegaram para tentar recuperar Nankints, e ele foi um dos procurados pela pol\u00edcia e militares quando entravam nas pequenas comunidades shuar com helic\u00f3pteros e patrulhas. <strong>&#8220;Naquele dia em que voc\u00ea desapareceu, pensamos que tinham te matado&#8221;<\/strong>, diz-lhe Nayash.<\/p>\n\n\n\n<p>Washikiat termina de comer um caldo de tatu que lhe foi oferecido como boas-vindas e se levanta da mesa para contar o que ningu\u00e9m em Tsuntsuim sabia at\u00e9 ent\u00e3o. Ele se lembra dos helic\u00f3pteros voando baixo, dos carros blindados, dos tanques, da emboscada. <strong>Ele diz que quando se sentiu encurralado, lan\u00e7ou-se pelo barranco cheio de \u00e1rvores que termina no rio Zamora, onde est\u00e1 o telef\u00e9rico que conecta Lim\u00f3n com o resto das comunidades e munic\u00edpios.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Washikiat esteve escondido por meses porque tinha sido denunciado pelo assassinato do policial Mej\u00eda. <\/strong>Como ele, Rosa Tuits e um mesti\u00e7o de Lim\u00f3n chamado Oswaldo Dom\u00ednguez foram processados como suspeitos do homic\u00eddio. Mas diferente de Washikiat, <strong>Rosa Tuits e Oswaldo Dom\u00ednguez n\u00e3o estavam no acampamento La Esperanza em 14 de dezembro, quando Mej\u00eda morreu.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o Minist\u00e9rio P\u00fablico Geral, o caso do assassinato de Mej\u00eda ainda est\u00e1 em investiga\u00e7\u00e3o preliminar. Ap\u00f3s um m\u00eas solicitando informa\u00e7\u00f5es, os promotores responderam por e-mail que tinham sido apresentadas acusa\u00e7\u00f5es contra Oswaldo Dom\u00ednguez, Rosa Tuits e Claudio Washikiat. Mas tamb\u00e9m foi emitida uma absolvi\u00e7\u00e3o para Tuits e Washikiat, e que o caso de Dominguez foi arquivado. As informa\u00e7\u00f5es enviadas s\u00e3o as mesmas que est\u00e3o no sistema p\u00fablico do Conselho Judici\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-embed-handler wp-block-embed-embed-handler wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"youtube-embed\" data-video_id=\"ltWe-oGPBBk\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"Nankints: &quot;Nosotros no ten\u00edamos con qu\u00e9 defendernos&quot;, Oswaldo Dom\u00ednguez\" width=\"696\" height=\"392\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ltWe-oGPBBk?feature=oembed&#038;enablejsapi=1\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Os tiros, os helic\u00f3pteros e o deslocamento dos habitantes de Tsuntsuim por quatro meses n\u00e3o foram as \u00fanicas formas de viol\u00eancia sofridas pela popula\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o. <\/strong>43 pessoas &#8211; incluindo shuar e mesti\u00e7os &#8211; foram acusadas de assassinato, 22 de ataque ou resist\u00eancia, 10 de intimida\u00e7\u00e3o, 10 de incita\u00e7\u00e3o \u00e0 disc\u00f3rdia entre cidad\u00e3os, 4 de roubo, 3 de abigeato, 2 de recebimento de bens roubados, 2 de danos de bens de terceiros, 1 de furto e 1 de porte ilegal de armas.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>de janeiro de 2009 a dezembro de 2018 mais de 200 pessoas foram processadas durante protestos ou manifesta\u00e7\u00f5es que exigiam, entre outras coisas, um territ\u00f3rio livre de minera\u00e7\u00e3o.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>As acusa\u00e7\u00f5es &#8211; como as enfrentadas por Tuits e Dom\u00ednguez &#8211; ocorreram num contexto pol\u00edtico no qual qualquer um que resistisse ou protestasse era denunciado. <\/strong>Segundo listas elaboradas pela Conaie, a Ecuarunari (a Confedera\u00e7\u00e3o dos Povos da Nacionalidade Kichwa do Equador, que re\u00fane os povos ind\u00edgenas da Serra) e v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos, de janeiro de 2009 a dezembro de 2018 mais de 200 pessoas foram processadas durante protestos ou manifesta\u00e7\u00f5es que exigiam, entre outras coisas, um territ\u00f3rio livre de minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>No Equador, a criminaliza\u00e7\u00e3o do protesto foi a forma de viol\u00eancia mais recorrente sofrida pelos defensores do territ\u00f3rio durante a \u00faltima d\u00e9cada.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 6 de mar\u00e7o de 2019, o advogado Mario Melo entrou com a a\u00e7\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o que ele havia anunciado vinte e dois dias antes. <strong>Na segunda-feira, 25, a a\u00e7\u00e3o foi rejeitada.<\/strong> &#8220;O juiz disse oralmente que n\u00e3o houve consulta, mas que n\u00e3o foi provado que, por n\u00e3o ter havido consulta, eles foram prejudicados&#8221;, diz Melo e acrescenta que <strong>eles v\u00e3o recorrer da decis\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto em Quito as organiza\u00e7\u00f5es que apoiam a luta do povo shuar se reunindo, preparando relat\u00f3rios, mapas sobre a perda de territ\u00f3rio e an\u00e1lise do impacto da minera\u00e7\u00e3o, Benito Jimpikit continua vivendo em seu s\u00edtio, porque ainda n\u00e3o tem dinheiro suficiente para construir uma nova casa em Tsuntsuim.<\/p>\n\n\n\n<figure><iframe loading=\"lazy\" width=\"480\" height=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/1z8vzktWupo?feature=oembed\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Ainda h\u00e1 pessoas shuar que vivem escondidas, com o peso de uma acusa\u00e7\u00e3o de assassinato nas suas costas. As fam\u00edlias de Tsuntsuim ainda lamentam a perda de seus escassos pertences. E as 32 pessoas deslocadas n\u00e3o puderam retornar ao seu territ\u00f3rio, Nankints.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sandro Chinkim, um dos 32 habitantes deslocados violentamente, ainda fala com amargura: &#8220;A partir do dia em que fomos despejados, ficamos sem terra. Minha fam\u00edlia inteira teve que procurar abrigo. Eu perdi tudo. Eu ainda estou me recuperando&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/eee.png\" alt=\"Tierra de Resistentes\" class=\"wp-image-3766\" width=\"100\" height=\"100\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211834\/eee.png 400w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211834\/eee-300x300.png 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211834\/eee-150x150.png 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 100px) 100vw, 100px\" \/><\/figure><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>En 2016 una comunidad shuar en el sur de Ecuador fue desplazada, atacada y acosada judicialmente. En su territorio se instal\u00f3 una minera. 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