{"id":613,"date":"2019-04-23T15:11:00","date_gmt":"2019-04-23T15:11:00","guid":{"rendered":"http:\/\/tierra.jerrejerre.com\/es\/?p=613"},"modified":"2021-04-13T16:10:49","modified_gmt":"2021-04-13T16:10:49","slug":"el-pueblo-zenu-acorralado-por-el-desarrollo-minero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/2019\/04\/23\/el-pueblo-zenu-acorralado-por-el-desarrollo-minero\/","title":{"rendered":"O povo zen\u00fa, cercado pelo desenvolvimento da minera\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"max-width:860px\"><strong>O povo zen\u00fa de C\u00f3rdoba sobreviveu \u00e0 conquista e agora luta contra a ind\u00fastria de minera\u00e7\u00e3o de n\u00edquel. As vozes, assim como a tradi\u00e7\u00e3o oral ind\u00edgena da regi\u00e3o que se refere ao &#8220;grito da montanha&#8221;, s\u00e3o elevadas para encorajar-se mutuamente e contar o que est\u00e1 acontecendo. Irrael Aguilar, tradicional porta-voz dos ind\u00edgenas zen\u00fa, conta a hist\u00f3ria da resist\u00eancia de sua comunidade.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 19 de junho de 2018, em duas cidades distantes mais de 3.000 quil\u00f4metros, ocorreram dois assuntos relacionados \u00e0 batalha travada pelas minorias \u00e9tnicas contra o<span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\"> complexo de n\u00edquel Cerro Matoso S.A.<\/span> localizado no departamento de C\u00f3rdoba, no norte da Col\u00f4mbia.<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma escola do munic\u00edpio de San Jos\u00e9 de Ur\u00e9, em Alto San Jorge (C\u00f3rdoba), estava sendo realizada a consulta pr\u00e9via que, ap\u00f3s intensas lutas legais, foi ordenada pela Corte Constitucional da Col\u00f4mbia. <strong>A decis\u00e3o protege os direitos fundamentais \u00e0 sa\u00fade e a um ambiente saud\u00e1vel das comunidades \u00e9tnicas &#8211; ind\u00edgenas zen\u00fa e afrodescendentes &#8211; que vivem na \u00e1rea de influ\u00eancia e impacto da mina Cerro Matoso.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No mesmo dia, em um escrit\u00f3rio em Houston, Texas, um advogado pesquisava documentos que poderiam provar que a multinacional BHP Billiton deve responder pelos neg\u00f3cios de sua subsidi\u00e1ria South 32, para a qual transferiu o neg\u00f3cio de n\u00edquel colombiano em 2015.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora as minorias \u00e9tnicas tenham conseguido que o sistema de justi\u00e7a colombiano decidisse a seu favor, a prote\u00e7\u00e3o constitucional n\u00e3o as obriga a reparar os danos causados durante 37 anos. <strong>Por esta raz\u00e3o, eles confiam num plano B: que a BHP Billiton e a South 32 respondam civilmente pelos danos que a Cerro Matoso S.A. tem causado ao territ\u00f3rio ap\u00f3s d\u00e9cadas de opera\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"100%\" height=\"166\" scrolling=\"no\" frameborder=\"no\" allow=\"autoplay\" src=\"https:\/\/w.soundcloud.com\/player\/?url=https%3A\/\/api.soundcloud.com\/tracks\/607457613&#038;color=cad980\"><\/iframe><div style=\"font-size: 10px; color: #cccccc;line-break: anywhere;word-break: normal;overflow: hidden;white-space: nowrap;text-overflow: ellipsis; font-family: Interstate,Lucida Grande,Lucida Sans Unicode,Lucida Sans,Garuda,Verdana,Tahoma,sans-serif;font-weight: 100;\"><a href=\"https:\/\/soundcloud.com\/user-253781864\" title=\"EL TIEMPO Radio\" target=\"_blank\" style=\"color: #cccccc; text-decoration: none;\" rel=\"noopener\">DATOS EL TIEMPO Radio<\/a> \u00b7 <a href=\"https:\/\/soundcloud.com\/user-253781864\/afectaciones-de-cerro-matoso-contra-indigenas-en-colombia\" title=\"El pueblo zen\u00fa contra una niquelera | Tierra de resistentes\" target=\"_blank\" style=\"color: #cccccc; text-decoration: none;\" rel=\"noopener\">El pueblo zen\u00fa contra una niquelera | Tierra de resistentes<\/a><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma descoberta a n\u00e3o esquecer<\/h2>\n\n\n\n<p>Dois anos antes da cria\u00e7\u00e3o do departamento caribenho de C\u00f3rdoba, em 1952, a sorte come\u00e7ou a sorrir para esta regi\u00e3o colombiana com a descoberta da jazida de n\u00edquel. Em 1963, foi criada uma empresa com capital p\u00fablico-privado para explorar ferro-n\u00edquel.<\/p>\n\n\n\n<p>Todos os olhos estavam voltados para o mineral e a gest\u00e3o dos milh\u00f5es em royalties do Estado. A mina chamou a aten\u00e7\u00e3o dos pol\u00edticos de C\u00f3rdoba, especialmente do senador Salom\u00f3n N\u00e1der (agora falecido), por causa dos royalties que poderia trazer ao Estado, como Pl\u00ednio Apuleyo Mendoza relatou no artigo &#8220;<a href=\"https:\/\/www.eltiempo.com\/archivo\/documento\/MAM-56310\">Compadrazgos peligrosos<\/a>&#8221; (acordos perigosos), publicado em 26 de fevereiro de 1993 no jornal EL TIEMPO.<\/p>\n\n\n\n<p>Surpreendentemente, em 4 de mar\u00e7o de 1993, o ex-Ministro da Sa\u00fade da Col\u00f4mbia, Amaury Garc\u00eda Burgos, que tinha sido duas vezes governador de C\u00f3rdoba, foi assassinado quando saiu da reuni\u00e3o da diretoria da Cerro Matoso S.A. no munic\u00edpio de Montel\u00edbano, na qual representava o Governo Nacional como membro suplente.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;<strong>O que foi feito com os 48 milh\u00f5es de d\u00f3lares que C\u00f3rdoba recebeu em royalties? Algu\u00e9m se interessou por este assunto. Ele decidiu investig\u00e1-lo: o Dr. Amaury Garc\u00eda Burgos. Ele foi assassinado<\/strong>&#8220;<\/p><cite>Jornalista Plinio Apuleyo Mendoza<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O jornalista To\u00f1o S\u00e1nchez Jr., em seu livro Las Cr\u00f3nicas que no me Dejaban Contar (as cr\u00f4nicas que n\u00e3o me deixavam contar), conta como os jagun\u00e7os planejaram o crime de Garc\u00eda Burgos. &#8220;os cabe\u00e7as do crime nunca foram condenados&#8221;, diz hoje sua filha, a senadora conservadora Nora Garc\u00eda Burgos.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Vinte dias ap\u00f3s o crime de Garc\u00eda Burgos, o jornalista Plinio Apuleyo Mendoza perguntou em sua <a href=\"https:\/\/www.eltiempo.com\/archivo\/documento\/MAM-84790\">coluna regular no EL TIEMPO em 26 de mar\u00e7o de 1993<\/a>: &#8220;O que foi feito com os 48 milh\u00f5es de d\u00f3lares que C\u00f3rdoba recebeu em royalties? Algu\u00e9m se interessou por este assunto. Ele decidiu investig\u00e1-lo: o Dr. Amaury Garc\u00eda Burgos. Ele foi assassinado, e sua fam\u00edlia e amigos n\u00e3o t\u00eam d\u00favidas de que foi como consequ\u00eancia daquela investiga\u00e7\u00e3o que ele empreendeu&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A mina e seu contrato<\/h2>\n\n\n\n<p>A Cerro Matoso S.A. \u00e9 uma empresa do setor mineiro-industrial pertencente \u00e0 multinacional South32, dedicada \u00e0 explora\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o do n\u00edquel contido no ferro-n\u00edquel, por meio de um processo de utiliza\u00e7\u00e3o de energia.<\/p>\n\n\n\n<p>O n\u00edquel, combinado com o ferro, \u00e9 utilizado para produzir a\u00e7o inoxid\u00e1vel e \u00e9 \u00fatil nas ind\u00fastrias de avia\u00e7\u00e3o, equipamentos m\u00e9dicos e eletr\u00f4nicos, entre outras.<strong> A Cerro Matoso S.A. exportou ferro-n\u00edquel para 18 pa\u00edses do mundo entre 2012 e 2018, de acordo com Import Genius.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;At\u00e9 maio de 2015, a Cerro Matoso fazia parte do grupo BHP Billiton. Em 2015, completou-se o&nbsp; <a href=\"https:\/\/web.archive.org\/web\/20151101014400\/http:\/www.bhpbilliton.com\/investors\/news\/south32-demerger-implemented\">maior spin-off da hist\u00f3ria empresarial australiana<\/a>, a causa disso, diferentes opera\u00e7\u00f5es, colaboradores e empreiteiros selecionados sa\u00edram da BHP Billiton para conformar a companhia independente South32, uma empresa de minera\u00e7\u00e3o e metais globalmente diversificada&#8221;, relata a Cerro Matoso S.A. em um documento fornecido para esta mat\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<p>A Ag\u00eancia Nacional de Minera\u00e7\u00e3o (ANM) confirma que, de acordo com o ponto cinco da <a href=\"https:\/\/www.anm.gov.co\/sites\/default\/files\/otrosino4.pdf\">emenda N\u00ba 4 do contrato 051-96M<\/a> assinado entre a Cerro Matoso S.A. e o Governo, a opera\u00e7\u00e3o da mina estar\u00e1 em vigor por um prazo de 30 anos, de 1999 a 2029. <strong>Al\u00e9m disso, em virtude do da emenda N\u00ba 4, ele poderia ser prorrogado por mais 15 anos, ou seja, at\u00e9 agosto de 2044, desde que a capacidade de processamento de min\u00e9rio aumentasse de 3 milh\u00f5es de toneladas secas por ano para 4,5 milh\u00f5es.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Este \u00e9 um ponto que tem sido questionado pelas comunidades da \u00e1rea, que argumentam que a emenda modificou os contratos que regem as opera\u00e7\u00f5es de minera\u00e7\u00e3o, portanto a licen\u00e7a ambiental tinha que ser reprocessada porque os impactos ambientais seriam diferentes, somando-se aos que j\u00e1 tinham sido denunciados e que ningu\u00e9m atendeu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"codepen\" data-height=\"854\" data-theme-id=\"light\" data-default-tab=\"result\" data-user=\"Sarcas\" data-slug-hash=\"ROjPve\" style=\"height: 854px; box-sizing: border-box; display: flex; align-items: center; justify-content: center; border: 2px solid; margin: 1em 0; padding: 1em;\" data-pen-title=\"RutaNiquel para Tierra de Resistentes\">\n  <span>See the Pen <a href=\"https:\/\/codepen.io\/Sarcas\/pen\/ROjPve\">\n  RutaNiquel para Tierra de Resistentes<\/a> by Sara Castillejo (<a href=\"https:\/\/codepen.io\/Sarcas\">@Sarcas<\/a>)\n  on <a href=\"https:\/\/codepen.io\">CodePen<\/a>.<\/span>\n<\/p>\n<script async=\"\" src=\"https:\/\/cpwebassets.codepen.io\/assets\/embed\/ei.js\"><\/script>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">37 anos de gritos afogados<\/h2>\n\n\n\n<p>Foram necess\u00e1rias quatro d\u00e9cadas para que as comunidades zen\u00fa e afrodescendentes fossem escutadas. Ram\u00f3n Carvajal \u00c1vila, fundador da aldeia Uni\u00f3n Matoso, mais conhecida como Pueblo Flecha, no munic\u00edpio de Montel\u00edbano, viu desaparecer esp\u00e9cies da fauna e viu secar as fontes de \u00e1gua, associado &#8211; segundo ele &#8211; ao in\u00edcio da minera\u00e7\u00e3o de n\u00edquel pela empresa Cerro Matoso S.A.<\/p>\n\n\n\n<figure><iframe loading=\"lazy\" width=\"480\" height=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7fTCD2-c9SM?feature=oembed\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;<strong>Isto era uma floresta. Havia cinco c\u00f3rregos: Aguazul, Za\u00edno Macho, Pueblo R\u00edo, La Bertel e Junco. Havia pacas, caititus, veados e capivaras. E agora, de tempos em tempos, somente capivaras&#8230; <\/strong>Estes riachos eram ricos em peixes: dourada, blanquillo, tra\u00edra, mojarra, e havia uma esp\u00e9cie de tartaruga. Viv\u00edamos da ca\u00e7a e da agricultura. Neste momento o que vemos \u00e9 &#8216;aridez&#8217;, as florestas est\u00e3o esgotadas. A empresa arrasou todas as \u00e1rvores&#8221;, diz Ram\u00f3n Carvajal.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Neste momento o que vemos \u00e9 &#8216;aridez&#8217;, as florestas est\u00e3o esgotadas. A empresa arrasou todas as \u00e1rvores&#8221;<\/p><cite>Ram\u00f3n Carvajal<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O homem fundou a aldeia aos 26 anos de idade, tinha sido deslocado pela avalanche do riacho Ur\u00e9, que afetou a comunidade de Versalles. Com os outros ind\u00edgenas zen\u00fa, eles constru\u00edram suas casas em uma colina, em um hectare de terreno doado pelo fazendeiro Jos\u00e9 Arboleda.<\/p>\n\n\n\n<p>Uni\u00f3n Matoso ou Pueblo Flecha fica perto da Cerro Matoso, a 902 metros da mina, de acordo com a senten\u00e7a T-733 da Corte Constitucional de 2017. A poeira com res\u00edduos qu\u00edmicos chega a suas casas e se espalha com os ventos pelos riachos e entre as casas dos moradores, fazendo com que adoe\u00e7am, diz Carvajal \u00c1vila. A empresa informou \u00e0 Corte uma dist\u00e2ncia de 3.719 metros.<\/p>\n\n\n\n<div align=\"center\"><figure><iframe loading=\"lazy\" width=\"70%\" height=\"600\" style=\"background-color:#374141; border-style:none;\" src=\"https:\/\/live.amcharts.com\/Q5NWN\/embed\/\"><\/iframe><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Os gritos das comunidades da regi\u00e3o n\u00e3o puderam ser ouvidos al\u00e9m do Alto San Jorge. Tamb\u00e9m n\u00e3o foram ouvidas as vozes dos trabalhadores da mina, que denunciaram complica\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, que &#8211; segundo eles &#8211; nunca foram certificadas pela empresa como riscos ocupacionais.<\/p>\n\n\n\n<figure><iframe loading=\"lazy\" width=\"480\" height=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7fTCD2-c9SM?feature=oembed\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe><\/figure>\n\n\n\n<p>Victor Pineda trabalhou na mina de 1982 a 2003 e diz: <strong>&#8220;Sa\u00ed (da empresa) por causa de problemas de sa\u00fade. Desde aquele tempo at\u00e9 agora, tenho estado em tratamento cont\u00ednuo&#8221;<\/strong>. Explica que ele e 69 outros trabalhadores apresentaram reclama\u00e7\u00f5es em 2008. Eles procuraram o advogado Adolfo Elles, que em 2012 entrou com uma a\u00e7\u00e3o coletiva. &#8220;Desde ent\u00e3o, seis colegas morreram de c\u00e2ncer&#8221;, diz Victor. A justi\u00e7a ainda lhes deve uma decis\u00e3o sobre o m\u00e9rito de seus casos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quase sete anos ap\u00f3s a a\u00e7\u00e3o ter sido movida, a ju\u00edza Gladys Arteaga D\u00edaz, em primeira inst\u00e2ncia, negou as reivindica\u00e7\u00f5es da a\u00e7\u00e3o judicial dos antigos trabalhadores.<\/strong> Entretanto, na p\u00e1gina 55 ela afirma que &#8220;esta unidade judicial considera que h\u00e1 provas suficientes para considerar que existe uma rela\u00e7\u00e3o causal entre as doen\u00e7as de muitos trabalhadores da empresa Cerro Matoso S.A. e a exposi\u00e7\u00e3o ao risco no trabalho&#8221;. Advogados e antigos trabalhadores est\u00e3o cruzando os dedos para uma decis\u00e3o favor\u00e1vel em segunda inst\u00e2ncia e eventualmente uma revis\u00e3o na Corte Constitucional.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;esta unidade judicial considera que h\u00e1 provas suficientes para considerar que existe uma rela\u00e7\u00e3o causal entre as doen\u00e7as de muitos trabalhadores da empresa Cerro Matoso S.A. e a exposi\u00e7\u00e3o ao risco no trabalho&#8221;<\/p><cite>Ju\u00edza Gladys Arteaga D\u00edaz<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Os ind\u00edgenas n\u00e3o ficaram sem fazer nada: come\u00e7aram a exigir que o governo nacional realizasse uma consulta pr\u00e9via, conforme exigido pela <a href=\"https:\/\/www.ilo.org\/dyn\/normlex\/es\/f?p=NORMLEXPUB:12100:0::NO::P12100_INSTRUMENT_ID:312314\">Conven\u00e7\u00e3o 169 sobre os povos ind\u00edgenas da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho das Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/a>, que a Col\u00f4mbia assinou e depois incorporou \u00e0 sua legisla\u00e7\u00e3o com a Constitui\u00e7\u00e3o de 1991.<\/p>\n\n\n\n<p>A consulta pr\u00e9via \u00e9 o consentimento formal das comunidades para os projetos a serem desenvolvidos nos territ\u00f3rios onde eles est\u00e3o estabelecidos ou pelos quais transitam.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Javier de la Hoz, s\u00f3cio do escrit\u00f3rio De la Espriella Lawyers Enterprise e advogado dos ind\u00edgenas, as duas respostas do governo nacional \u00e0s comunidades \u00e9tnicas impediram uma consulta pr\u00e9via. <strong>&#8220;Primeiro, que a consulta pr\u00e9via n\u00e3o devia ser realizada porque o neg\u00f3cio de n\u00edquel j\u00e1 estava em opera\u00e7\u00e3o; e segundo, que eles deviam ser constitu\u00eddos como uma reserva (chamada de resguardo) perante o Minist\u00e9rio do Interior e somente ap\u00f3s este reconhecimento pol\u00edtico e legal seriam interlocutores v\u00e1lidos com diante a Cerro Matoso S.A.&#8221;<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<figure><iframe loading=\"lazy\" width=\"480\" height=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Zr3i5YAQvTQ?feature=oembed\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;E assim o fizemos. N\u00f3s constitu\u00edmos o resguardo, e isso nos custou muito&#8221;, diz Irrael Aguilar, tradicional porta-voz do Resguardo Alto San Jorge Zen\u00fa. <strong>&#8220;O processo de cria\u00e7\u00e3o da reserva come\u00e7ou em 1996, quando o extinto Instituto Colombiano de Reforma Agr\u00e1ria (Incora) realizou estudos iniciais para analisar as necessidades de terra das comunidades ind\u00edgenas do sul de C\u00f3rdoba. Em 1998 foram entregues as primeiras seis parcelas e em 1999 foi entregue a \u00faltima parcela, a fazenda San Nicol\u00e1s. Em 2000, a primeira assembleia foi estabelecida para continuar o resto&#8221;<\/strong>, explica Aguilar.\u00a0 Finalmente, a reserva foi criada atrav\u00e9s do Acordo 336 de 27 de maio de 2014 pelo <a href=\"https:\/\/www.scribd.com\/document\/405645351\/Ni-quel-Resguardos-constituidos-Informacio-n-del-Ministerio-del-Interior\">Minist\u00e9rio do Interior<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>O acordo foi conseguido depois de uma manifesta\u00e7\u00e3o ind\u00edgena nos arredores da empresa Cerro Matoso em Montel\u00edbano, que ocorreu desde 25 de setembro at\u00e9 30 de outubro de 2013, quando foi assinado um memorando de entendimento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Esta luta pela cria\u00e7\u00e3o da reserva significou dor e l\u00e1grimas para Irrael Aguilar e sua comunidade. Entre 2004 e 2015, 48 membros foram assassinados. Dez deles estavam diretamente ligados \u00e0s lutas pelo reconhecimento pol\u00edtico e pela prote\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio, raz\u00e3o pela qual desempenharam um papel crucial, de acordo com as den\u00fancias da comunidade, inclusive conforme <a href=\"https:\/\/www.cinep.org.co\/publicaciones\/PDFS\/20161201.Defender_territorio_paz.pdf\">documentos do Centro de Pesquisa e Educa\u00e7\u00e3o Popular (Cinep)<\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A reserva Alto San Jorge, integrada por de 5 comunidades, tem uma popula\u00e7\u00e3o de 1.301 pessoas. Entretanto, a \u00e1rea de influ\u00eancia de Cerro Matoso \u00e9 habitada por mais de 2.000 pessoas, incluindo os membros do Conselho Comunit\u00e1rio das Comunidades Negras de San Jos\u00e9 de Ur\u00e9, de acordo com a decis\u00e3o da Corte Constitucional de 2017.<\/p>\n\n\n\n<p>A reserva ocupa 960 hectares dos munic\u00edpios de Montel\u00edbano, Puerto Libertador, San Jos\u00e9 de Ur\u00e9 e La Apartada, na regi\u00e3o geogr\u00e1fica conhecida como San Jorge pelo rio que a atravessa. As quadrilhas criminosas est\u00e3o ativas na \u00e1rea, que s\u00e3o grupos residuais do tr\u00e1fico de drogas e do paramilitarismo que habitam na regi\u00e3o desde a d\u00e9cada de 1970.<strong> &#8220;Tem havido um processo sistem\u00e1tico de amea\u00e7as, persegui\u00e7\u00e3o e assassinato de l\u00edderes ind\u00edgenas&#8221;, diz Irrael Aguilar.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images.prismic.io\/opendataiii\/1401fe6d1dd62f245267f57f0b33dad3e66a346e_emiro-de-la-rosa-cacique-asesinado2.jpg?auto=compress,format\" alt=\"\"\/><figcaption>Emiro Manuel de la Rosa. Polic\u00eda. Assassinado.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Em 6 de outubro de 2009, o chefe da pol\u00edcia da reserva, Emiro Manuel de la Rosa Polo, foi assassinado no bairro 26 de Julio de Montelibano. O crime ocorreu na presen\u00e7a de sua esposa e dois filhos. Ele tinha um grande poder de convoca\u00e7\u00e3o nas comunidades e um enorme conhecimento da luta pela constitui\u00e7\u00e3o da reserva.<\/p>\n\n\n\n<p>O sil\u00eancio acabou se impondo em uma grande parte do territ\u00f3rio devido \u00e0 aus\u00eancia de justi\u00e7a. Um direito de peti\u00e7\u00e3o enviado \u00e0 Procuradoria Geral, para esta mat\u00e9ria, perguntando sobre a situa\u00e7\u00e3o das investiga\u00e7\u00f5es dos assassinatos em Alto San Jorge, mostra que dos crimes cometidos entre 2009 e 2018 naquela \u00e1rea, 45 no total: 20 casos est\u00e3o inativos e arquivados; 1 caso inativo com uma condena\u00e7\u00e3o; 2 casos na fase de inqu\u00e9rito; 8 casos em fase de investiga\u00e7\u00e3o; em 3 casos aguardam-se novas decis\u00f5es do m\u00e9rito por parte do Minist\u00e9rio P\u00fablico, uma vez que os poss\u00edveis perpetradores n\u00e3o foram identificados ou individualizados, e 11 casos n\u00e3o t\u00eam registro no sistema do Minist\u00e9rio P\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<div align=\"center\"><figure><iframe loading=\"lazy\" width=\"70%\" height=\"600\" style=\"background-color:#374141; border-style:none;\" src=\"https:\/\/live.amcharts.com\/WVjYm\/embed\/\"><\/iframe><\/figure><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Eles come\u00e7am a serem ouvidos<\/h2>\n\n\n\n<p>As a\u00e7\u00f5es judiciais contra a Cerro Matoso S.A. s\u00e3o antigas e come\u00e7aram nos tribunais ordin\u00e1rios de Monter\u00eda, com duas <a href=\"https:\/\/www.scribd.com\/document\/405645360\/Ni-quel-Tutela-Inicial-CMSA\">medidas de prote\u00e7\u00e3o<\/a> que levaram a decis\u00f5es do Tribunal Superior daquela capital em 15 de julho de 2013. Essas decis\u00f5es foram revistas pela Corte Constitucional da Col\u00f4mbia quatro anos depois.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 15 de dezembro de 2017, a Corte emitiu a de <a href=\"http:\/\/www.corteconstitucional.gov.co\/relatoria\/2017\/t-733-17.htm\">senten\u00e7a T-733<\/a>, no qual manteve os direitos fundamentais \u00e0 consulta pr\u00e9via, \u00e0 sa\u00fade e ao gozo de um ambiente saud\u00e1vel das comunidades \u00e9tnicas de Bocas de Ur\u00e9, Centro Am\u00e9rica, Guacar\u00ed-La Odisea, Pueblo Flecha, Puente de Ur\u00e9, Puerto Colombia, Torno Rojo e o Conselho Comunit\u00e1rio de San Jos\u00e9 de Ur\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>Em ess\u00eancia, a Corte ordenou que fossem estabelecidas medidas de preven\u00e7\u00e3o, mitiga\u00e7\u00e3o e compensa\u00e7\u00e3o ambiental com respeito aos danos que poderiam ser causados pela continua\u00e7\u00e3o das obras extrativas da empresa Cerro Matoso S.A.<\/p>\n\n\n\n<p>Come\u00e7aram a ser ouvidas as reivindica\u00e7\u00f5es de Irrael Manuel Aguilar Solano, que na \u00e9poca era o cacique maior do Resguardo Zen\u00fa do Alto San Jorge; e de Luis Hern\u00e1n Jacobo Otero, presidente do Conselho Comunit\u00e1rio das Comunidades Negras de Ur\u00e9. Irrael Aguilar \u00e9 atualmente l\u00edder e porta-voz que participa da consulta em nome do Resguardo.<\/p>\n\n\n\n<p>Na decis\u00e3o, a Corte ordenou que fosse realizada uma consulta pr\u00e9via a respeito da assinatura da Emenda n\u00ba 4 de 2012 do Contrato n\u00ba 051-96M da Cerro Matoso; da dura\u00e7\u00e3o estimada das atividades de explora\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o em todo o complexo mineiro; e das conclus\u00f5es contempladas em termos de impactos ambientais e sanit\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as estrat\u00e9gias espec\u00edficas de prote\u00e7\u00e3o, a Corte ordenou a inclus\u00e3o de medidas para descontaminar o ecossistema (ar, solo e corpos de \u00e1gua); a ado\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos t\u00e9cnicos para evitar a eleva\u00e7\u00e3o e dispers\u00e3o de material particulado; a restaura\u00e7\u00e3o da bacia hidrogr\u00e1fica do Ca\u00f1o Zaino; o restabelecimento da capacidade produtiva das terras afetadas; a recupera\u00e7\u00e3o da paisagem; e o isolamento do complexo mineiro por meio de barreiras artificiais ou naturais.<\/p>\n\n\n\n<figure><iframe loading=\"lazy\" width=\"480\" height=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/s8g3EjeeUwg?feature=oembed\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe><\/figure>\n\n\n\n<p>A senten\u00e7a incluiu relat\u00f3rios da <a href=\"https:\/\/es.scribd.com\/document\/405771457\/Ni-quel-Informe-de-la-Contralori-a-General-de-la-Repu-blica\">Controladoria Geral<\/a> que alertaram que a Cerro Matoso S.A. n\u00e3o possu\u00eda uma licen\u00e7a ambiental que inclu\u00edsse de forma abrangente as atividades de explora\u00e7\u00e3o que estavam sendo desenvolvidas e planejadas. Que a licen\u00e7a ambiental concedida em 1981 \u00e0 empresa n\u00e3o delimitava \u00e1reas de explora\u00e7\u00e3o nem previa medidas de mitiga\u00e7\u00e3o e compensa\u00e7\u00f5es ambientais. Tamb\u00e9m n\u00e3o estabeleceu um limite para a quantidade de material explorado, nem estabeleceu f\u00f3rmulas de controle e acompanhamento. <strong>Em resumo, a Controladoria indicou que a licen\u00e7a concedida na \u00e9poca pela Corpora\u00e7\u00e3o Aut\u00f4noma e Regional dos Vales de Sin\u00fa e San Jorge (CVS) &#8211; a autoridade ambiental regional &#8211; tinha perdido sua validade a partir de 1\u00ba de outubro de 2012,<\/strong> uma vez que n\u00e3o estava em conformidade com as normas constitucionais em vigor.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando perguntada sobre a <a href=\"https:\/\/www.scribd.com\/document\/405646978\/Ni-quel-Agencia-Nacional-de-Mineri-a-docx\">licen\u00e7a ambiental<\/a>, a Ag\u00eancia Nacional de Minera\u00e7\u00e3o (ANM) respondeu: &#8220;N\u00e3o \u00e9 verdade que o projeto de minera\u00e7\u00e3o desenvolvido pela Cerro Matoso n\u00e3o tenha um instrumento ambiental em vigor que proteja seu desenvolvimento&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Mar\u00eda Claudia Garc\u00eda, vice-ministra de pol\u00edticas ambientais e padroniza\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, disse que &#8220;a Corte Constitucional n\u00e3o suspendeu as atividades da empresa, observando que ela pode continuar operando sob a licen\u00e7a ambiental que possui, mas que, uma vez realizado o processo ordenado por ela, <strong>a empresa deve obter, para continuar sua opera\u00e7\u00e3o, uma nova licen\u00e7a ambiental<\/strong>&#8220;. Isto tamb\u00e9m \u00e9 confirmado pela Autoridade de Licenciamento Ambiental (ANLA).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">E os problemas de sa\u00fade?<\/h2>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/es.scribd.com\/document\/405771686\/Ni-quel-Sentencia-de-la-Corte-T-733\">A senten\u00e7a T-733<\/a> de 2017 da Corte Constitucional reviu tr\u00eas aspectos. Por um lado, os <a href=\"https:\/\/www.scribd.com\/document\/405908629\/Ni-quel-Dictamen-de-Medicina-Legal\">relat\u00f3rios<\/a> do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ci\u00eancias Forenses que confirmaram a presen\u00e7a de contamina\u00e7\u00e3o por n\u00edquel no ar e em corpos de \u00e1gua, acima dos valores permitidos; assim como a descri\u00e7\u00e3o da Controladoria Geral sobre a presen\u00e7a recorrente de emiss\u00f5es descontroladas e nuvens de esc\u00f3ria que chegavam aos vilarejos vizinhos, e o relat\u00f3rio detalhado da <a href=\"https:\/\/www.scribd.com\/document\/405645353\/Ni-quel-Informe-de-la-Defensori-a-del-Pueblo\">Ouvidoria<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o estudo, a Medicina Legal, entidade que realizou exames m\u00e9dicos, toxicol\u00f3gicos e radiol\u00f3gicos dos membros das comunidades \u00e9tnicas que habitam os munic\u00edpios de San Jos\u00e9 de Ur\u00e9 e Puerto Libertador, constatou que os habitantes de Pueblo Flecha foram afetados por doen\u00e7as da pele.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Ningu\u00e9m estava interessado no que nos aconteceu e \u00e9 por isso que continuamos lutando&#8221;<\/p><cite>Irrael Aguilar, o porta-voz dos zen\u00fa<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Apesar de tudo isso, os estudos dos efeitos sobre a sa\u00fade n\u00e3o foram sistem\u00e1ticos para estabelecer a rela\u00e7\u00e3o de causa e efeito entre a explora\u00e7\u00e3o do n\u00edquel e os problemas ambientais denunciados h\u00e1 muitos anos e repetidamente pelas comunidades e trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Irrael Aguilar, o porta-voz dos zen\u00fa \u00e9 claro: &#8220;Ningu\u00e9m estava interessado no que nos aconteceu e \u00e9 por isso que continuamos lutando&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<figure><iframe loading=\"lazy\" width=\"480\" height=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/f2e0NwZET0Y?feature=oembed\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe><\/figure>\n\n\n\n<p>A este respeito, a Corte, em sua senten\u00e7a T-733 de 2017, <strong>ordenou ao Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e Prote\u00e7\u00e3o Social: realizar uma avalia\u00e7\u00e3o m\u00e9dica das pessoas que est\u00e3o registradas no censo do Minist\u00e9rio do Interior como membros das comunidades Bocas de Ur\u00e9, Centro Am\u00e9rica, Guacar\u00ed- La Odisea, Pueblo Flecha, Puente Ur\u00e9, Puerto Colombia, Torno Rojo, bem como do Conselho Comunit\u00e1rio das Comunidades Negras de San Jos\u00e9 de Ur\u00e9<\/strong>; e construir o perfil epidemiol\u00f3gico dessas comunidades e de seus membros, e apresentar o relat\u00f3rio ao Tribunal Administrativo de Cundinamarca.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m ordenou \u00e0 empresa Cerro Matoso S.A. que prestasse assist\u00eancia m\u00e9dica abrangente e permanente \u00e0s pessoas registradas no censo do Minist\u00e9rio do Interior como membros das comunidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente, a Corte ordenou a cria\u00e7\u00e3o de um Fundo Especial Etnodesenvolvimento a fim de compensar as comunidades. A figura jur\u00eddica foi chamada de &#8220;condena\u00e7\u00e3o em abstrato&#8221;; ou seja, ordenar o pagamento dos danos causados.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O rev\u00e9s da Corte<\/h2>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a decis\u00e3o da Corte, as comunidades comemoraram, Irrael comemorou. A Cerro Matoso S.A. reagiu e entrou com um pedido para anular a decis\u00e3o. As comunidades estavam preocupadas.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.procuraduria.gov.co\/portal\/Procuraduria-negar-solicitud-nulidad-Cerro-Matoso.news\">A Procuradoria Geral<\/a> solicitou aos ju\u00edzes da Corte Constitucional que negassem o pedido de anula\u00e7\u00e3o apresentado pela Cerro Matoso S.A., mas o Minist\u00e9rio P\u00fablico n\u00e3o foi ouvido.<\/p>\n\n\n\n<p>A ju\u00edza Cristina Pardo Schlesinger &#8211; que chegou \u00e0 Corte Constitucional em 2017 depois de ter sido secret\u00e1ria jur\u00eddica do ex-presidente Juan Manuel Santos, cujo governo promoveu a chamada &#8220;locomotiva mineira&#8221; &#8211; assinou a senten\u00e7a T-733, que obrigou a Cerro Matoso a estar em conformidade com a lei, mas salvou seu voto sobre o que tinha a ver com a cria\u00e7\u00e3o, financiamento e opera\u00e7\u00e3o do fundo especial etno-desenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Nove meses depois, em 20 de setembro de 2018, a ju\u00edza Pardo tamb\u00e9m <a href=\"https:\/\/www.scribd.com\/document\/405909014\/Ni-quel-Auto-616-de-la-Corte\">assinou<\/a> a ordem 616, que anulou parcialmente alguns aspectos dessa decis\u00e3o, incluindo o fundo etno-desenvolvimento. O jornal EL TIEMPO procurou a ju\u00edza Pardo para saber mais das raz\u00f5es que ela tinha para assinar a ordem, <strong>mas a assessoria de imprensa da Corte se limitou a dizer que &#8220;a ju\u00edza tem dificuldades para falar com a m\u00eddia e mais ainda sobre esses casos&#8221;<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, os ju\u00edzes Diana Fajardo Rivera e Alberto Rojas R\u00edos assinaram a ordem 616, mas deixaram por escrito seu desacordo com ele, considerando que as discuss\u00f5es substantivas resolvidas na senten\u00e7a T-733 de 2017 n\u00e3o devem ser reabertas.<\/p>\n\n\n\n<p>A frustra\u00e7\u00e3o de Irrael Aguilar, l\u00edder Zen\u00fa, e Luis Hern\u00e1n Jacobo, defensor do conselho comunit\u00e1rio afro, ficou evidente diante da decis\u00e3o da Corte, pois eles ficaram sem nenhum recurso legal.<\/p>\n\n\n\n<p>O que a Corte fez?<strong> <a href=\"https:\/\/www.scribd.com\/document\/405645335\/Ni-quel-Comunicado-sobre-Nulidad-de-Sentencia-T-733-17\">Anulou<\/a> excepcionalmente, por meio de uma ordem, tr\u00eas pontos de uma senten\u00e7a final.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A primeira foi a senten\u00e7a contra a empresa de minera\u00e7\u00e3o, que a obrigou a pagar pelos danos causados \u00e0s comunidades. Na ordem, a Corte considerou que existem outros meios judiciais mais adequados do que a tutela para reivindicar danos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda, a obriga\u00e7\u00e3o de criar um fundo especial de etno-desenvolvimento para a repara\u00e7\u00e3o e compensa\u00e7\u00e3o das v\u00edtimas a partir de uma perspectiva coletiva e \u00e9tnica.<\/p>\n\n\n\n<p>A terceira foi a se\u00e7\u00e3o que declarou que se a Cerro Matoso S.A. n\u00e3o cumprisse a senten\u00e7a T-733, estaria sujeita a uma poss\u00edvel suspens\u00e3o das atividades extrativistas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-3 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"400\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/tornorojo.jpg\" alt=\"\" data-id=\"4751\" 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log\u00edsticos ou metodol\u00f3gicos. <strong>Este portf\u00f3lio foi consultado sobre este e outros aspectos desde 27 de fevereiro de 2018 atrav\u00e9s de um pedido de informa\u00e7\u00f5es, mas nunca respondeu<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante observar que dentro dos 3,7 bilh\u00f5es de pesos, as medidas de compensa\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e3o inclu\u00eddas, pois estas resultar\u00e3o da identifica\u00e7\u00e3o de impactos na consulta.<\/p>\n\n\n\n<p>A consulta pr\u00e9via deve ser realizada com todas as comunidades \u00e9tnicas da \u00e1rea de influ\u00eancia, para a qual a Corte concedeu um prazo de um ano, at\u00e9 setembro de 2019. <strong>O Tribunal Administrativo de Cundinamarca autorizou uma prorroga\u00e7\u00e3o da consulta atrav\u00e9s da ordem de 4 de mar\u00e7o de 2019, por mais cinco meses, ou seja, at\u00e9 fevereiro de 2020.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nem a Cerro Matoso S.A. nem a empresa controladora South 32 quiseram conceder uma entrevista direta para falar sobre o cen\u00e1rio intricado, solicitada desde 21 de fevereiro de 2019. Na sexta-feira 5 de abril, enviaram um documento de quatro p\u00e1ginas chamado &#8216;relat\u00f3rio branco&#8217; (<a href=\"https:\/\/www.scribd.com\/document\/405645364\/Ni-quel-White-Paper-de-CMSA-Sentencia-T-733-V-April-2019\">&#8216;white paper&#8217;<\/a> no ingl\u00eas), no qual eles exp\u00f5em suas raz\u00f5es para pedir a anula\u00e7\u00e3o de alguns aspectos da senten\u00e7a T-733.<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o dos efeitos na sa\u00fade, o relat\u00f3rio branco afirma que &#8220;<strong>a Corte interpretou erroneamente o relat\u00f3rio m\u00e9dico emitido pelo Instituto Colombiano de Medicina Legal<\/strong>, o qual declarou clara e inequivocamente que n\u00e3o \u00e9 conclusivo, pois n\u00e3o foi estabelecida uma rela\u00e7\u00e3o causal direta entre as doen\u00e7as encontradas na popula\u00e7\u00e3o e as atividades da Cerro Matoso&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 consulta pr\u00e9via, a Cerro Matoso indicou que &#8220;oito processos de consulta distintos est\u00e3o sendo realizados com sess\u00f5es individuais em cada uma das comunidades determinadas: Cabildos Uni\u00f3n Matoso de Pueblo Flecha; Puente Ur\u00e9, La Libertad &#8211; Puerto Colombia, Centro Am\u00e9rica, Boca de Ur\u00e9, Torno Rojo, Guacar\u00ed-La Odisea e o Conselho Comunit\u00e1rio das Comunidades Negras de San Jos\u00e9 de Ur\u00e9. 120 &#8216;sabedores&#8217; comunit\u00e1rios e 24 t\u00e9cnicos comunit\u00e1rios foram nomeados para apoiar as pr\u00f3ximas fases do processo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A Cerro Matoso informou que processos adicionais de consulta est\u00e3o sendo realizados com comunidades n\u00e3o protegidas pelas senten\u00e7as; seis comunidades camponesas e uma comunidade afro-colombiana.<\/p>\n\n\n\n<p>E finalmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 licen\u00e7a ambiental, a empresa disse que &#8220;j\u00e1 solicitou os termos de refer\u00eancia para a nova licen\u00e7a \u00e0 autoridade ambiental (ANLA) e est\u00e1 trabalhando neles&#8221;, o que daria raz\u00e3o \u00e0 posi\u00e7\u00e3o da Controladoria Geral da Rep\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Consulta e Plano B<\/h2>\n\n\n\n<p>As reuni\u00f5es de consulta pr\u00e9via que se realizaram em Alto San Jorge foram tensas. Duas cenas ilustram o n\u00edvel de tens\u00e3o nas reuni\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira ocorreu em 26 de setembro de 2018 nas aldeias do Centro Am\u00e9rica e Torno Rojo, onde foi realizada outra reuni\u00e3o da consulta pr\u00e9via. De acordo com a ata, <a href=\"https:\/\/www.scribd.com\/document\/405645346\/Ni-quel-Acta-consulta-previa-Sergio-Herna-ndez\">Sergio Hern\u00e1ndez<\/a> participou como delegado do Minist\u00e9rio do Ambiente. Os governadores ind\u00edgenas denunciaram por escrito que, entre 2007 e 2008, Hern\u00e1ndez foi consultor da empresa K2, contratada pela Cerro Matoso para monitorar a qualidade do ar no territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>A den\u00fancia consta de uma <a href=\"https:\/\/es.scribd.com\/document\/405771218\/Ni-quel-Carta-de-gobernadores-indi-genas-enviada-al-Ministerio-de-Ambiente-y-Desarrollo-Sostenible-1\">carta<\/a> enviada em 1\u00ba de outubro de 2018 ao ministro do ambiente, Ricardo Lozano, na qual lhe pedem que retire de seu posto seu delegado na consulta.<\/p>\n\n\n\n<p>Mar\u00eda Claudia Garc\u00eda, a vice-ministra do Ambiente, confirmou a EL TIEMPO que, em resposta \u00e0 reclama\u00e7\u00e3o, outro funcion\u00e1rio foi nomeado para n\u00e3o &#8220;esfriar o ambiente&#8221;.A segunda cena ocorreu em 28 de novembro de 2018, durante o encontro na casa comunit\u00e1ria Puente de Ur\u00e9, no munic\u00edpio de San Jos\u00e9 de Ur\u00e9. Segundo a ata, a reuni\u00e3o contou com a presen\u00e7a de quatro pessoas representando os interesses da Cerro Matoso S.A. e uma delas foi o advogado <a href=\"https:\/\/www.scribd.com\/document\/405645701\/Ni-quel-Acta-de-consulta-previa-Sebastia-n-Cabrales\">Sebasti\u00e1n Cabrales Villalba<\/a>, que foi funcion\u00e1rio da Ag\u00eancia Nacional de Minera\u00e7\u00e3o (ANM).<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images.prismic.io\/opendataiii%2F93fdb434-9159-4c3c-97a8-77ed6866cb58_curriculum.gif?auto=compress,format\" alt=\"\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>De acordo com seu <a href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/in\/sebasti%C3%A1n-cabrales-villalba-5816991a\">curr\u00edculo p\u00fablico na rede Linkedin<\/a>, Cabrales est\u00e1 efetivamente listado como assessor externo da Cerro Matoso desde maio de 2018 e assessor jur\u00eddico da South 32 desde mar\u00e7o de 2017. Um ano antes tinha sido consultor jur\u00eddico externo da ANM, <a href=\"https:\/\/es.scribd.com\/document\/405645350\/Ni-quel-Contrato-de-ANM-a-Sebastia-n-Cabrales\">contratado<\/a> por $86.000.000 (cerca de 28.000 d\u00f3lares) para tratar de quest\u00f5es ambientais, de gest\u00e3o social e de consulta pr\u00e9via relacionadas \u00e0 atividade mineradora nos territ\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p>As comunidades fizeram s\u00e9rias obje\u00e7\u00f5es ao fato de que um assessor da Cerro Matoso S.A., sentado para negociar em nome da empresa, tenha tido um relacionamento com a ag\u00eancia governamental que entrega t\u00edtulos de minera\u00e7\u00e3o, monitora contratos de concess\u00e3o e geralmente fornece orienta\u00e7\u00e3o ao setor de minera\u00e7\u00e3o. N\u00e3o houve resposta formal a esta reclama\u00e7\u00e3o feita pelas comunidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Para os porta-vozes ind\u00edgenas e afro, os dois casos exemplificam a &#8220;porta girat\u00f3ria&#8221;: embora n\u00e3o existam problemas legais com a mobilidade dos profissionais entre os setores p\u00fablico e privado, para os reclamantes \u00e9 claro que existem conflitos \u00e9ticos e de interesse. E, eventualmente, uma poss\u00edvel viola\u00e7\u00e3o do c\u00f3digo de \u00e9tica do advogado.<\/p>\n\n\n\n<p>E justamente por causa destes aspectos, que na opini\u00e3o das minorias \u00e9tnicas prejudicam a transpar\u00eancia do processo, elas t\u00eam um Plano B: contaram com seu advogado para buscar garantias em outros cen\u00e1rios, tais como os tribunais dos Estados Unidos.O advogado De la Hoz, com um escrit\u00f3rio especializado em Nova Iorque, est\u00e1 estudando as poss\u00edveis responsabilidades da BHP Billiton ou de sua subsidi\u00e1ria, com base no <a href=\"https:\/\/es.scribd.com\/document\/406517248\/Report-US-Bhp-Billiton\">documento<\/a> que encontraram no escrit\u00f3rio de Houston, que declara na p\u00e1gina 185:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images.prismic.io\/opendataiii\/f1541f85154998aa211db8ef627c52da01362253_documento.jpg?auto=compress,format\" alt=\"\" width=\"1011\" height=\"256\"\/><figcaption>Screen of the document they found in the Houston office.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\"><em>A BHP Billiton assumir\u00e1 e ser\u00e1 respons\u00e1vel por todas as obriga\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 BHP Billiton Businesses e \u00e0s antigas BHP Billiton Businesses e a BHP Billiton Limited assegura o Grupo South32 contra todas as reclama\u00e7\u00f5es e responsabilidades relacionadas a essas empresas (indeniza\u00e7\u00f5es separadas tamb\u00e9m se aplicam sob alguns dos acordos de venda relacionados com a Reestrutura\u00e7\u00e3o Interna).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\"><em>A South32 assumir\u00e1 e ser\u00e1 respons\u00e1vel por todas as obriga\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0s South32 Businesses e \u00e0s antigas South32 Businesses e indeniza o Grupo BHP Billiton contra todas as reclama\u00e7\u00f5es e responsabilidades relacionadas a essas empresas (indeniza\u00e7\u00f5es separadas tamb\u00e9m se aplicam sob alguns dos acordos de venda relacionados com a Reestrutura\u00e7\u00e3o Interna).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.jse.co.za\/current-companies\/companies-and-financial-instruments\/issuer-profile?issuermasterid=4077\">A South 32 est\u00e1 listada na bolsa de valores australiana<\/a> e \u00e9 ativa nos mercados de Londres e Johanesburgo. <a href=\"https:\/\/www.theglobeandmail.com\/investing\/markets\/stocks\/BHP-N\/\">O grupo BHP Billiton est\u00e1 listado nas bolsas<\/a> de valores da Austr\u00e1lia e Nova Iorque.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Territ\u00f3rio disputado<\/h2>\n\n\n\n<p>As reuni\u00f5es ordenadas pela Corte Constitucional Colombiana acontecem em um territ\u00f3rio amea\u00e7ado por atores armados. Em meados de fevereiro de 2019, treze dias depois que a equipe jornal\u00edstica visitou e entrevistou l\u00edderes e membros das comunidades zen\u00fa e afro para esta mat\u00e9ria, panfletos amea\u00e7adores foram espalhados pela regi\u00e3o do Alto San Jorge contra v\u00e1rias pessoas, incluindo o l\u00edder zen\u00fa Irrael Aguilar. Em um deles, os membros do resguardo s\u00e3o marcados como &#8220;aproveitadores&#8221; e anunciam: &#8220;Vamos pegar voc\u00eas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre mar\u00e7o e abril de 2019, mais de 2.000 pessoas do territ\u00f3rio foram deslocadas para os centros urbanos de Puerto Libertador e Montel\u00edbano porque as quadrilhas criminosas as ordenaram, de acordo com o Escrit\u00f3rio das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Coordena\u00e7\u00e3o de Assuntos Humanit\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"950\" height=\"475\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/5cbe44eb494c9.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4752\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211309\/5cbe44eb494c9.jpeg 950w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211309\/5cbe44eb494c9-300x150.jpeg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211309\/5cbe44eb494c9-768x384.jpeg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211309\/5cbe44eb494c9-150x75.jpeg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211309\/5cbe44eb494c9-696x348.jpeg 696w\" sizes=\"auto, (max-width: 950px) 100vw, 950px\" \/><figcaption>The communities in the entrace of Cerro Matoso complex. Photo credit: cortesy.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Apesar de tudo, as comunidades zen\u00fa e os afrodescendentes garantem que n\u00e3o desistir\u00e3o de suas reivindica\u00e7\u00f5es, como afirma Irrael Aguilar. O caso, para eles, exemplifica o div\u00f3rcio entre o desenvolvimento territorial e o desenvolvimento mineiro que tenta uma aproxima\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de uma consulta pr\u00e9via, ainda mas falta muito.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/eee.png\" alt=\"Tierra de Resistentes\" class=\"wp-image-3766\" width=\"100\" height=\"100\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211834\/eee.png 400w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211834\/eee-300x300.png 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211834\/eee-150x150.png 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 100px) 100vw, 100px\" \/><\/figure><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para los zen\u00faes del Alto San Jorge la tierra que habitan est\u00e1 tan enferma como ellos. Con la operaci\u00f3n minero-energ\u00e9tica en su territorio ancestral sufren por la contaminaci\u00f3n de fuentes h\u00eddricas, la desaparici\u00f3n de especies nativas y el acaparamiento de predios. Los ind\u00edgenas luchan contra Cerro Matoso, la mina de n\u00edquel a cielo abierto. 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Reportera y editora de asombro inacabado y profesora universitaria. Cofundadora de Consejo de Redacci\u00f3n. Ganadora del Premio Gabo en 2018, elegida Periodista del a\u00f1o del Premio Nacional de Periodismo Sim\u00f3n Bol\u00edvar, dos veces ganadora del Ortega y Gasset y del Premio a la Excelencia Period\u00edstica de la SIP. 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