{"id":555,"date":"2020-04-19T04:07:00","date_gmt":"2020-04-19T04:07:00","guid":{"rendered":"http:\/\/tierra.jerrejerre.com\/es\/?p=555"},"modified":"2021-04-30T13:53:08","modified_gmt":"2021-04-30T13:53:08","slug":"retornar-para-cuidar-el-bosque-la-cruzada-de-yaguara-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/2020\/04\/19\/retornar-para-cuidar-el-bosque-la-cruzada-de-yaguara-ii\/","title":{"rendered":"Voltar para cuidar da floresta: a cruzada de Yaguara II"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-color has-small-font-size\" style=\"color:#0f0f0f;max-width:830px;margin-top:0px;margin-bottom:68px\"><em><strong>Tr\u00eas povos ind\u00edgenas tentam voltar para seu territ\u00f3rio, do que foram deslocados h\u00e1 quase duas d\u00e9cadas, com a inten\u00e7\u00e3o de evitar o avan\u00e7o do desmatamento. O Estado ainda n\u00e3o garantiu a seguran\u00e7a.  \n<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Nunca se soube de Escol\u00e1stico Ducuara. Quem o conheceu diz que ele era um homem trabalhador e com um temperamento forte. Inflex\u00edvel contra o sistema da guerra. Ele n\u00e3o hesitava em falar com as pessoas da floresta quando com falsas promessas eles tentavam recrutar os mais jovens e lev\u00e1-los para a floresta carregando uma espingarda pendurada no ombro. <strong>Dizem que ele era a pedra no sapato das antigas <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">Farc<\/span> e que, precisamente por causa disso, em 2 de maio de 2004 ele desapareceu e nunca mais se soube dele. Quem deu a ordem? Por qu\u00ea? Onde est\u00e1 o corpo dele?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Dezesseis anos depois, as mesmas perguntas ainda permanecem sem resposta. Os mais velhos, por\u00e9m, afirmam que foi o grupo guerrilheiro, que assinou um acordo de paz em 2016 e dep\u00f4s as armas um ano depois, que o raptou aos 87 anos de idade.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Ele n\u00e3o hesitava em falar com as pessoas da floresta quando com falsas promessas eles tentavam recrutar os mais jovens e lev\u00e1-los para a floresta carregando uma espingarda pendurada no ombro<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Escol\u00e1stico Ducuara foi um dos fundadores da reserva ind\u00edgena Llanos del Yar\u00ed-aguara II, estabelecida em 22 de fevereiro de 1995 em 146.500 hectares de terrenos baldios localizados entre os munic\u00edpios de San Vicente del Cagu\u00e1n (Caquet\u00e1), La Macarena (Meta) e Calamar (Guaviare). Essa reserva foi criada para beneficiar 38 fam\u00edlias de 169 pessoas dos povos Pijao, Tucano e Piratapuyo, segundo o ent\u00e3o Instituto Colombiano de Reforma Agr\u00e1ria (Incora), no que talvez seja o \u00fanico caso de coloniza\u00e7\u00e3o ind\u00edgena liderada pelo Estado colombiano.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1707\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/IMG_3686-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5402\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210820\/IMG_3686-scaled.jpg 2560w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210820\/IMG_3686-scaled-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210820\/IMG_3686-scaled-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210820\/IMG_3686-scaled-768x512.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210820\/IMG_3686-scaled-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210820\/IMG_3686-scaled-2048x1366.jpg 2048w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210820\/IMG_3686-scaled-630x420.jpg 630w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210820\/IMG_3686-scaled-150x100.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210820\/IMG_3686-scaled-696x464.jpg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210820\/IMG_3686-scaled-1068x712.jpg 1068w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210820\/IMG_3686-scaled-1920x1280.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption>No final de 2019, uma chiva (\u00f4nibus t\u00edpico) partiu de San Vicente del Cagu\u00e1n para Yaguara II com 70 ind\u00edgenas. Durante tr\u00eas dias eles discutiram as vantagens e desvantagens de voltar para sua reserva. Cr\u00e9dito: Tatiana Pardo Ibarra.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong><strong>Chegar em terra desconhecida<\/strong><\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Os primeiros exploradores foram os Pijao, que chegaram para sondar o terreno em 1964, transportados e assistidos pela For\u00e7a A\u00e9rea Colombiana desde Chaparral, no sul de Tolima. <strong>Eles fugiam da viol\u00eancia bipartid\u00e1ria que devastava a Col\u00f4mbia desde os anos 40 e da desapropria\u00e7\u00e3o de grande parte de suas terras. <\/strong>Foi o Estado que os encorajou a se estabelecerem em uma nova regi\u00e3o. Dos Andes, chegaram \u00e0 Amaz\u00f4nia sem saber ca\u00e7ar ou navegar. Eles aprenderam a agricultura de derrubada e gradualmente adaptaram o solo estrangeiro aos porcos, galinhas e gado. <strong>Queimaram a floresta, abriram as primeiras trilhas e constru\u00edram pequenas pontes. Outros chegaram mais tarde serpenteando o rio Tunia \u00e0 procura de alternativas \u00e0 borracha, peles de animais e coca.\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;isso foi muito dif\u00edcil porque os brancos nos tratavam como escravos. Os brancos abusavam e violavam mulheres&#8221;<\/p><cite>Ilda Barra<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014Meu pai pediu permiss\u00e3o ao Escol\u00e1stico para nos deixar viver aqui e ele nos acolheu como parte da comunidade\u201d, diz o Piratapuyo Ilda Barra Builes, de 44 anos. Eles arranharam paus de borracha, tiravam a leite e fizeram couro para os patr\u00f5es. Mais tarde eles trabalharam com peles de gato-do-mato, mas isso foi muito dif\u00edcil porque os brancos nos tratavam como escravos. Os brancos abusavam e violavam mulheres.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Barra \u2014com um cabelo liso e preto comprido at\u00e9 os quadris e magra como esparguete &#8211; lembra-se que levou 25 dias para chegar a Yaguara II da bacia do rio Apaporis. Ela e sua fam\u00edlia remaram de canoa pelo rio e cruzaram o Parque Nacional Serran\u00eda de Chiribiquete no ver\u00e3o para aproveitar os mont\u00edculos que se formam porque, segundo ela, \u201cse a \u00e1gua cresce, s\u00f3 ficam duas op\u00e7\u00f5es: afogar-se ou perder-se\u201d. Um ano depois, todos iram embora, exceto a Ilda. Ela foi a \u00fanica que ficou, e ela sofreu \u00e0 pior parte.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1707\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_3730-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5395\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210831\/IMG_3730-scaled.jpg 2560w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210831\/IMG_3730-scaled-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210831\/IMG_3730-scaled-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210831\/IMG_3730-scaled-768x512.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210831\/IMG_3730-scaled-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210831\/IMG_3730-scaled-2048x1366.jpg 2048w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210831\/IMG_3730-scaled-630x420.jpg 630w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210831\/IMG_3730-scaled-150x100.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210831\/IMG_3730-scaled-696x464.jpg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210831\/IMG_3730-scaled-1068x712.jpg 1068w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210831\/IMG_3730-scaled-1920x1280.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption><em>Foto: Tatiana Pardo Ibarra<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A aparente tranquilidade acabou em 2004. A Farc ordenou qualquer pessoa com o sobrenome Bocanegra deixar a reserva em menos de 72 horas.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201c93% da popula\u00e7\u00e3o foi v\u00edtima do deslocamento for\u00e7ado (&#8230;) e do desaparecimento for\u00e7ado de tr\u00eas membros da comunidade: Escol\u00e1stico Ducuara, Orlando Cruz e Seraf\u00edn M\u00e9ndez\u201d<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Apenas tr\u00eas fam\u00edlias ficaram em Yaguara II &#8211; entre elas a fam\u00edlia de Barra, que n\u00e3o estava mais sozinha, agora tinha v\u00e1rios filhos pequenos &#8211; \u201c93% da popula\u00e7\u00e3o foi v\u00edtima do deslocamento for\u00e7ado (&#8230;) e do desaparecimento for\u00e7ado de tr\u00eas membros da comunidade: Escol\u00e1stico Ducuara, Orlando Cruz e Seraf\u00edn M\u00e9ndez\u201d, segundo o <a href=\"https:\/\/www.mininterior.gov.co\/sites\/default\/files\/upload\/226_resguardo_yaguara_ii_caqueta-llanos_del_yari.pdf\">Plano para a prote\u00e7\u00e3o \u00e9tnica do Povo Pijao&#8217;<\/a> preparado pelo Minist\u00e9rio do Interior. A maioria destas fam\u00edlias se estabeleceram na \u00e1rea urbana de San Vicente del Cagu\u00e1n, em uma \u00e1rea chamada de Villa Norte, onde ainda permanecem. Outras foram para Villavicencio, Bogot\u00e1, Granada, Neiva, Ibagu\u00e9 e at\u00e9 para fora do pa\u00eds. <strong>O tecido social quebrou-se.\u00a0<\/strong><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Chegou a vez de outra gera\u00e7\u00e3o.&#8221;.<\/p><cite>Luis Carvajal<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014Aquele dia foi t\u00e3o dif\u00edcil. Todos choravam tentando decidir quais coisinhas levar com eles para n\u00e3o perder aquilo pelo que tinham trabalhado tanto\u201d, diz Luis Carvajal, 72 anos, que j\u00e1 tem v\u00e1rios buracos vis\u00edveis na boca por causa de sua falta de dentes. Foi assim que os Bocanegra sa\u00edram, mas depois todos por causa da press\u00e3o e do medo de retalia\u00e7\u00e3o.<strong> A gente sente que fica no ar, sabe? O mundo fica cabe\u00e7a para baixo e n\u00e3o sabes o que fazer com a tua vida. <\/strong>E agora, quando temos vontade de voltar por causa da paz, j\u00e1 n\u00e3o tenho idade suficiente para usar o machado, a gadanha ou a serra. Chegou a vez de outra gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong><strong>Desmatamento ap\u00f3s o deslocamento<\/strong><\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>26 de setembro de 2017 chegou com um ar de triunfo. A Vara de Primeira Inst\u00e2ncia no Civil da Circunscri\u00e7\u00e3o Especializada em Restitui\u00e7\u00e3o de Terras, em Ibagu\u00e9, concedeu medidas cautelares para a prote\u00e7\u00e3o da comunidade da reserva Llanos del Yar\u00ed &#8211; Yaguara II, como v\u00edtima coletiva do conflito armado na Col\u00f4mbia. <strong>O juiz reconheceu n\u00e3o apenas os atos de viol\u00eancia que as Farc cometeram contra eles<\/strong>, especialmente os Frentes 4\u00aa e 15\u00aa da coluna m\u00f3vel Te\u00f3filo Forero e \u00e0s vezes pelo primeiro frente do Guaviare, <strong>mas tamb\u00e9m o aumento \u201cdram\u00e1tico\u201d do desmatamento e a presen\u00e7a de culturas para uso il\u00edcito \u201cdesde o abandono do territ\u00f3rio\u201d.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na Ordem 0263, o mesmo juiz ordenou que o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, Corpoamazon\u00eda, o CDA e Cormacarena &#8211; as tr\u00eas autoridades ambientais regionais com jurisdi\u00e7\u00e3o na \u00e1rea da reserva &#8211; e a Procuradoria Geral da Rep\u00fablica implementassem uma \u201cestrat\u00e9gia integral e imediata\u201d para deter a derrubada indiscriminada da floresta em Yaguara II. A ordem incluiu tamb\u00e9m: as autoridades deveriam processar aqueles que \u201ctraficam madeira extra\u00edda sem permiss\u00e3o\u201d e implementar um \u201cplano de reflorestamento e recupera\u00e7\u00e3o ambiental\u201d.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>as autoridades deveriam processar aqueles que \u201ctraficam madeira extra\u00edda sem permiss\u00e3o\u201d e implementar um \u201cplano de reflorestamento e recupera\u00e7\u00e3o ambiental\u201d.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Com imagens de sat\u00e9lite e sobrevoos a\u00e9reos, a perda de floresta natural dentro da reserva ind\u00edgena pode ser efetivamente identificada e medida. Se simplesmente tra\u00e7\u00e1ssemos uma linha horizontal para dividir o territ\u00f3rio em dois, ver\u00edamos que na parte superior se concentra o desmatamento, especialmente nas aldeias de El Retiro, El Jord\u00e1n e El Morichal, que fazem parte do munic\u00edpio de La Macarena, e na aldeia de Itilla, em Calamar. L\u00e1, as estradas -que se abrem como espinhas de peixe para diferentes dire\u00e7\u00f5es- se conectam com a famosa Marginal de la Selva, um antigo e muito controvertido projeto rodovi\u00e1rio para atravessar os 381 quil\u00f4metros que separam San Vicente del Cagu\u00e1n e San Jos\u00e9 del Guaviare. Retroescavadeiras e motosserras t\u00eam derrubado parte do tapete verde da Amaz\u00f4nia colombiana a um ritmo preocupante.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1707\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Foto2-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5387\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210841\/Foto2-scaled.jpg 2560w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210841\/Foto2-scaled-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210841\/Foto2-scaled-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210841\/Foto2-scaled-768x512.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210841\/Foto2-scaled-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210841\/Foto2-scaled-2048x1366.jpg 2048w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210841\/Foto2-scaled-630x420.jpg 630w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210841\/Foto2-scaled-150x100.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210841\/Foto2-scaled-696x464.jpg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210841\/Foto2-scaled-1068x712.jpg 1068w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210841\/Foto2-scaled-1920x1280.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption>De acordo com a FCDS, a \u00e1rea de fragmentos de floresta desmatadas \u00e9 de 0,5 a 57 hectares. Foto: FCDS.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Foi dif\u00edcil para Yaguara II, estando no meio dos tr\u00eas departamentos mais desmatados do pa\u00eds, fugir deste flagelo. O \u00faltimo relat\u00f3rio do Instituto de Hidrologia, Meteorologia e Estudos Ambientais (Ideam) corrobora isso: <strong>em 2018, 9,3% do desmatamento nacional (cerca de 18.300 hectares) ocorreu dentro de reservas ind\u00edgenas.<\/strong> Depois do Nukak-Maku em Guaviare, Yaguara II \u00e9 o mais cr\u00edtico de todos: <strong>2.348 hectares de floresta foram destru\u00eddos em apenas um ano<\/strong>. Isso significa mais de 6 hectares por dia, o valor mais alto registado nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas. Cada fragmento de floresta derrubada mede, em m\u00e9dia, 8 hectares.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, dados em uma escala de 1:25.000 &#8211; superior \u00e0 do Governo Nacional &#8211; mostram uma situa\u00e7\u00e3o mais preocupante. A \u00e1rea dos lotes abertos entre abril de 2018 e setembro de 2019, \u00e9 de 0,5 e 57 hectares. Durante esse per\u00edodo, foram cortados 2.037 hectares de floresta, segundo o monitoramento da Funda\u00e7\u00e3o para a Conserva\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (FCDS) que trabalha na regi\u00e3o. <strong>Os pesquisadores da FCDS identificaram duas pistas de pouso<\/strong>: uma, da mesma aldeia, de aproximadamente um quil\u00f4metro de comprimento, constru\u00edda pelos primeiros ind\u00edgenas que vieram morar em Yaguara II, onde a for\u00e7a a\u00e9rea aterrissava duas vezes por m\u00eas para deixar mantimentos suficiente, e a outra, uma pista de pouso ilegal de 1,4 quil\u00f4metro de comprimento, localizada no limite oeste da reserva, na savana Yar\u00ed, que a comunidade insistentemente pede que seja desabilitada.<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/albumizr.com\/a\/cc3N\" scrolling=\"no\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"\" width=\"100%\" height=\"500\"><\/iframe>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014Esta \u00e9 uma das maiores reservas ind\u00edgenas do noroeste da Amaz\u00f4nia colombiana, explica a economista Gloria Gonz\u00e1lez, respons\u00e1vel pelas rela\u00e7\u00f5es com os povos ind\u00edgenas na FCDS, \u201ce \u00e9 importante porque \u00e9 um corredor que conecta as savanas Yar\u00ed e a floresta amaz\u00f4nica, entre as \u00e1reas protegidas de La Macarena e Chiribiquete\u201d. Se for derrubada, esse fluxo se interrompe.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Isto significa que a reserva est\u00e1 em um dos corredores biol\u00f3gicos mais importantes entre os Andes e a Amaz\u00f4nia colombiana, o que permite o fluxo e o interc\u00e2mbio gen\u00e9tico de um lado para o outro.<\/strong> Por causa do ritmo dessa desconex\u00e3o, \u00e9 cada vez mais dif\u00edcil para uma esp\u00e9cie &#8216;cruzar&#8217; e colonizar outros lugares. Em palavras correntes: popula\u00e7\u00f5es est\u00e3o sendo isoladas, com pouca margem de manobra. A paisagem corre o risco de se tornar menos diversificada.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cn\u00e3o h\u00e1 garantias nem apoio log\u00edstico para entrar na \u00e1rea e verificar a reclama\u00e7\u00e3o ambiental apresentada\u201d<\/p><cite>Mario \u00c1ngel Bar\u00f3n<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Corpoamazon\u00eda, la autoridad ambiental en el departamento de Caquet\u00e1, reconoce que <strong>\u201ces urgente la entrada al territorio (para frenar la deforestaci\u00f3n) pero en compa\u00f1\u00eda de las Fuerzas Militares debido a la complejidad topogr\u00e1fica y de orden p\u00fablico\u201d <\/strong>en Yaguara II, seg\u00fan dijo en su <a href=\"https:\/\/es.scribd.com\/document\/451297835\/Respuesta-derecho-de-peticio-n-CORPOAMAZONIA-Yaguara-II\" class=\"rank-math-link\">respuesta a un derecho de petici\u00f3n<\/a> para conocer los avances en el cumplimiento de las \u00f3rdenes dadas por el juez de Ibagu\u00e9. Su director, Mario \u00c1ngel Bar\u00f3n, se\u00f1al\u00f3 que han realizado ocho reuniones de trabajo (tanto internas como con la comunidad), pero insiste en que \u201cno hay garant\u00edas ni apoyo log\u00edstico para entrar a la zona y realizar la verificaci\u00f3n de la denuncia ambiental interpuesta\u201d. Pese a esas dificultades, m\u00e1s \u201cuna v\u00eda de acceso en p\u00e9simas condiciones\u201d, la autoridad logr\u00f3 evidenciar que \u2014en palabras de Bar\u00f3n\u2014 \u00a0\u201clas sabanas que pertenecen al resguardo est\u00e1n siendo quemadas con fines de ganader\u00eda\u201d.\u00a0 <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1009\" height=\"447\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/13-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5399\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19210824\/13-1.png 1009w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19210824\/13-1-300x133.png 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19210824\/13-1-768x340.png 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19210824\/13-1-948x420.png 948w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19210824\/13-1-150x66.png 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19210824\/13-1-696x308.png 696w\" sizes=\"auto, (max-width: 1009px) 100vw, 1009px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>A <a href=\"https:\/\/es.scribd.com\/document\/451297324\/Respuesta-derecho-de-peticion-CORMACARENA-Yaguara-II\">resposta da Cormacarena<\/a>, que \u00e9 a respons\u00e1vel ambiental pela \u00e1rea no departamento do Meta, \u00e9 no mesmo sentido. Seu vice-diretor de gest\u00e3o e controle ambiental, Wilson Eduardo Z\u00e1rate, referiu-se a Yaguara II como \u201cuma zona de delicada ordem p\u00fablica e bastante distante do centro urbano\u201d, que \u201ccondiciona e limita o exerc\u00edcio da autoridade ambiental no controle do desmatamento e na implementa\u00e7\u00e3o do protocolo de restaura\u00e7\u00e3o\u201d. Como a reserva fica a mais de 40 quil\u00f4metros de La Macarena, Z\u00e1rate diz que \u201c\u00e9 imposs\u00edvel para os funcion\u00e1rios realizarem seu trabalho sem o acompanhamento das for\u00e7as p\u00fablicas\u201d, o que \u201cfoi solicitado em v\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;as FARC controlavam e proibiram altos n\u00edveis de derrubada de florestas, mas as fam\u00edlias camponesas aproveitaram essa situa\u00e7\u00e3o para expandir suas fazendas para a pecu\u00e1ria&#8221;<\/p><cite>Gabriel Polo<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>As informa\u00e7\u00f5es fornecidas pela <a href=\"https:\/\/www.scribd.com\/document\/451296940\/Respuesta-derecho-de-peticion-CDA-Yaguara-II\" target=\"_blank\" aria-label=\"CDA (opens in a new tab)\" rel=\"noreferrer noopener\" class=\"rank-math-link\">CDA<\/a>, a autoridade ambiental em Guaviare, seguem a mesma tend\u00eancia:<strong> falta de pessoal, longas dist\u00e2ncias e presen\u00e7a das dissid\u00eancias das FARC.<\/strong> Em rela\u00e7\u00e3o ao aumento do desmatamento, o vice-diretor de qualidade ambiental, Gabriel Polo, assegura que \u201cse disparou\u201d em 2016 por causa das negocia\u00e7\u00f5es de paz, pois \u201cas FARC controlavam e proibiram altos n\u00edveis de derrubada de florestas, mas as fam\u00edlias camponesas aproveitaram essa situa\u00e7\u00e3o para expandir suas fazendas para a pecu\u00e1ria\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1707\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Foto3-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5388\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210839\/Foto3-scaled.jpg 2560w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210839\/Foto3-scaled-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210839\/Foto3-scaled-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210839\/Foto3-scaled-768x512.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210839\/Foto3-scaled-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210839\/Foto3-scaled-2048x1366.jpg 2048w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210839\/Foto3-scaled-630x420.jpg 630w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210839\/Foto3-scaled-150x100.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210839\/Foto3-scaled-696x464.jpg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210839\/Foto3-scaled-1068x712.jpg 1068w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210839\/Foto3-scaled-1920x1280.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption>Um sobrevoo a\u00e9reo em 2019 confirmou o fen\u00f4meno do desmatamento dentro do territ\u00f3rio ind\u00edgena, bem como a expans\u00e3o das parcelas para pecu\u00e1ria. Cr\u00e9dito: FCDS.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Enquanto isso acontece, de cima a floresta parece mordiscada e com v\u00e1rios fragmentos de floresta queimada. Mas esse \u00e9 ainda um olhar insuficiente, macro. <strong>Os tr\u00eas munic\u00edpios dos quais Yaguara II faz parte t\u00eam mais de 36 mil registros biol\u00f3gicos<\/strong>, segundo o Sistema de Informa\u00e7\u00e3o de Biodiversidade (SIB) da Col\u00f4mbia: em La Macarena s\u00e3o 27.309; em San Vicente del Cagu\u00e1n, 6.995; e em Calamar, 2.475. Somente na \u00e1rea correspondente ao territ\u00f3rio ind\u00edgena, existem 769 registros de 400 esp\u00e9cies diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 precisamente esta biodiversidade que a ordem judicial procura proteger. O Minist\u00e9rio do Meio Ambiente sente que seus esfor\u00e7os est\u00e3o indo na dire\u00e7\u00e3o certa e <a href=\"https:\/\/es.scribd.com\/document\/451298021\/Respuesta-derecho-de-peticion-MINAMBIENTE-Yaguara-II\">destaca como progresso<\/a>: a cria\u00e7\u00e3o do Conselho Nacional de Combate ao Desmatamento e Outros Crimes Ambientais Associados (Conaldef), Opera\u00e7\u00e3o Artemisa, em andamento desde abril de 2019 e catalogada como a grande aposta do governo contra os carrascos dos recursos naturais. Tamb\u00e9m destaca o programa Vis\u00e3o Amaz\u00f4nica &#8211; financiado pela Alemanha, Noruega e Reino Unido &#8211; e o Pacto pela Sustentabilidade \u201cproduzir conservando e conservar produzindo\u201d.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nenhuma destas a\u00e7\u00f5es foi feita em Yaguara II. O Minist\u00e9rio tamb\u00e9m n\u00e3o detalha nenhuma estrat\u00e9gia para esse territ\u00f3rio em particular, como foi instru\u00eddo.\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1707\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Foto7-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5392\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210835\/Foto7-scaled.jpg 2560w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210835\/Foto7-scaled-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210835\/Foto7-scaled-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210835\/Foto7-scaled-768x512.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210835\/Foto7-scaled-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210835\/Foto7-scaled-2048x1366.jpg 2048w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210835\/Foto7-scaled-630x420.jpg 630w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210835\/Foto7-scaled-150x100.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210835\/Foto7-scaled-696x464.jpg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210835\/Foto7-scaled-1068x712.jpg 1068w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210835\/Foto7-scaled-1920x1280.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption>Em Yaguara II h\u00e1 769 registros de 400 esp\u00e9cies diferentes no Sistema Colombiano de Biodiversidade -SIB. Cr\u00e9dito: Tatiana Pardo Ibarra<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong><strong>As amea\u00e7as<\/strong><\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>H\u00e1 exatamente um ano, um dia em mar\u00e7o, a mulher de Alexander Bocanegra Mendez, governador do conselho ind\u00edgena, chegou \u00e0 reserva junto com mais tr\u00eas membros da fam\u00edlia. Ela apareceu \u00e0s 2 da manh\u00e3 como se estivesse sendo perseguida. Era como se ela tivesse escapado e depois atravessado, sem descanso, dezenas de quil\u00f4metros de trilha, montanha e savana na esperan\u00e7a de n\u00e3o encontrar o marido deitado no ch\u00e3o. Morto. Ela chegou sem aviso pr\u00e9vio, ap\u00f3s receber uma chamada com uma breve mensagem que furou seu corpo como cortado por um sabre: \u201cDigam ao Alex que v\u00e3o mat\u00e1-lo\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em Yaguara II n\u00e3o h\u00e1 sinal de celular.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Desde esse dia estou com medo pela minha vida&#8221;<\/p><cite>Alexander Bocanegra <\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Nesse mesmo m\u00eas, Bocanegra foi ao ombudsman para alertar as autoridades de que a sua vida estava em perigo. <strong>\u201cO Sr. <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">Samuel Tumbo<\/span>, que est\u00e1 invadindo o territ\u00f3rio de Yaguara II, no dia 15 de mar\u00e7o, reuniu-se com um chefe das dissid\u00eancias das Farc, e ofereceu armas e dinheiro para que eu fosse morto<\/strong>. Ele aparentemente aceitou e disse que \u201cera agora um alvo militar\u201d. Desde esse dia estou com medo pela minha vida\u201d, l\u00ea-se na declara\u00e7\u00e3o dele.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Aquele membro da antiga guerrilha -que decidiu n\u00e3o participar do acordo de paz- a quem Bocanegra refere foi <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">Mario L\u00f3pez C\u00f3rdoba<\/span>, com o apelido \u201cNegro Edward\u201d, que morreu em um bombardeio do ex\u00e9rcito em junho de 2019. Segundo relat\u00f3rios da intelig\u00eancia, ele havia sido delegado pelo dissidente <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">&#8216;Gentil Duarte&#8217;<\/span> para expandir este grupo armado nos departamentos de Caquet\u00e1, Guaviare, Meta e Putumayo, <strong>\u201cparticularmente para controlar a cadeia de produ\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o de drogas com cart\u00e9is de drogas no exterior\u201d.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cPor isso nunca soube o que se passou, se eles realmente iam me matar ou n\u00e3o. Eu estava desorientado\u201d<\/p><cite>Alexander Bocanegra<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Algum tempo depois, Alexander Bocanegra diz que se encontrou e conversou durante 45 minutos com o comandante dos dissidentes <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">&#8216;Gildardo Cucho&#8217;<\/span> para esclarecer seu status de seguran\u00e7a, mas tamb\u00e9m morreu mais tarde em outra opera\u00e7\u00e3o militar na zona rural de San Vicente del Cagu\u00e1n que foi descrita pelo presidente <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">Ivan Duque<\/span> como \u201cmeticulosa e impec\u00e1vel\u201d, <strong>apesar de mais tarde ter sido descoberto que nessa opera\u00e7\u00e3o v\u00e1rios menores tinham sido mortos, o que gerou um esc\u00e2ndalo nacional.\u00a0<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPor isso nunca soube o que se passou, se eles realmente iam me matar ou n\u00e3o. Eu estava desorientado\u201d, diz ele.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1707\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Foto4-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5389\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210838\/Foto4-scaled.jpg 2560w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210838\/Foto4-scaled-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210838\/Foto4-scaled-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210838\/Foto4-scaled-768x512.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210838\/Foto4-scaled-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210838\/Foto4-scaled-2048x1366.jpg 2048w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210838\/Foto4-scaled-630x420.jpg 630w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210838\/Foto4-scaled-150x100.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210838\/Foto4-scaled-696x464.jpg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210838\/Foto4-scaled-1068x712.jpg 1068w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210838\/Foto4-scaled-1920x1280.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption>Alexander Bocanegra M\u00e9ndez, governador do conselho ind\u00edgena LLanos del Yar\u00ed-Yaguara II. Cr\u00e9dito: Tatiana Pardo Ibarra<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Bocanegra decidiu deixar a \u00e1rea. A Unidade Nacional de Prote\u00e7\u00e3o (UNP) designou-lhe um homem de seguran\u00e7a &#8211; um ind\u00edgena da comunidade desarmado -, mudou suas rotinas e deixou o departamento na esperan\u00e7a de que a tens\u00e3o fosse aliviar. Neste pa\u00eds, onde, <a href=\"https:\/\/news.un.org\/es\/story\/2020\/01\/1467912\" target=\"_blank\" aria-label=\"segundo a ONU (opens in a new tab)\" rel=\"noreferrer noopener\" class=\"rank-math-link\">segundo a ONU<\/a>, <strong>107 defensores dos direitos humanos foram mortos em 2019, em 98% dos munic\u00edpios onde operam atividades ilegais e grupos criminosos ou armados, proteger a floresta, rios, tundras e animais \u00e9 um trabalho que pode ser pago com a pr\u00f3pria vida.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cTodos os dias saio da cama na esperan\u00e7a de poder me deitar de novo. Eu fico com medo de n\u00e3o voltar para casa\u201d.\u00a0<\/p><cite>Alexander Bocanegra<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Para o Alexander Bocanegra o pre\u00e7o foi a sua paz. Em uma reuni\u00e3o com colonos da aldeia de Monte Bello, por exemplo, lembra-se que quando tomou a palavra para lhes explicar que estavam invadindo um territ\u00f3rio ind\u00edgena, foi isto o que eles responderam sem hesitar: \u201cVoc\u00ea devia ser morto para que cuide de seus pr\u00f3prios neg\u00f3cios\u201d e <strong>\u201cEstes ind\u00edgenas deviam ser eliminados para podermos continuar trabalhando aqui\u201d.\u00a0<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Seu \u00fanico filho est\u00e1 empoleirado em uma cerca para conseguir ouvir a resposta de seu pai. Talvez seja por isso que Bocanegra prefere dizer de forma sucinta que est\u00e1 bem, que cuida de si e tem seguran\u00e7a. Mas ent\u00e3o, quando a crian\u00e7a sai e vai com sua c\u00e2mera para tirar fotos, ele faz uma pausa e chora. Depois de um tempo ele recupera o f\u00f4lego: \u201cTodos os dias saio da cama na esperan\u00e7a de poder me deitar de novo. Eu fico com medo de n\u00e3o voltar para casa\u201d.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"100%\" height=\"500\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/3CgbfxioEeQ\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe>\n\n\n\n<p><strong>O territ\u00f3rio coletivo dos povos Pijao, Piratapuyo e Tucano faz parte do Cadastro de Terras Desapossadas e Abandonadas \u00e0 for\u00e7a mantido pela Unidade de Restitui\u00e7\u00e3o de Terras (URT).<\/strong> Isto significa que os 146.500 hectares que o Incora lhes entregou em 1995 est\u00e3o protegidos de qualquer a\u00e7\u00e3o que envolva aliena\u00e7\u00e3o ou transfer\u00eancia dos seus direitos de propriedade.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Yolima Isabel Jurado, funcion\u00e1ria da URT que acompanha de perto o processo, \u00e9 quem pede a restitui\u00e7\u00e3o dos direitos territoriais em favor das tr\u00eas comunidades ind\u00edgenas \u2013 com base na sua condi\u00e7\u00e3o de v\u00edtimas do conflito. Em 96 p\u00e1ginas, a funcion\u00e1ria detalhou os fatos que afetaram os direitos das v\u00edtimas ao seu pr\u00f3prio governo, ao uso e usufruto efetivo do territ\u00f3rio de acordo com suas pr\u00e1ticas tradicionais, a um ambiente saud\u00e1vel, \u00e0 seguran\u00e7a jur\u00eddica da propriedade coletiva do territ\u00f3rio, e \u00e0 soberania, seguran\u00e7a e autonomia alimentar.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201c12 crian\u00e7as e adolescentes entre 12 e 20 anos de idade foram recrutados \u00e0 for\u00e7a, o que \u00e9 uma viola\u00e7\u00e3o do direito humanit\u00e1rio internacional\u201d<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A a\u00e7\u00e3o apresentada por Jurado, que \u00e9 a representante perante o tribunal, tamb\u00e9m destaca o papel da natureza. Sublinha que as duas estradas constru\u00eddas pelas FARC entre 1998 e 2002, na \u00e9poca em que o ent\u00e3o presidente Andr\u00e9s Pastrana decretou uma zona de desmatamento de 42 mil quil\u00f4metros quadrados que inclu\u00eda Yaguara II em meio do falido processo de paz com esse grupo guerrilheiro, <strong>\u201cenvolveu a derrubada de florestas, o desmatamento de nichos ecol\u00f3gicos, a fuga de esp\u00e9cies, a explora\u00e7\u00e3o de madeira para pontes e, posteriormente, a chegada de colonos, ca\u00e7adores e pescadores que aumentaram a press\u00e3o sobre o ecossistema e seus recursos\u201d.<\/strong> Durante esse mesmo per\u00edodo, diz ele, \u201c12 crian\u00e7as e adolescentes entre 12 e 20 anos de idade foram recrutados \u00e0 for\u00e7a, o que \u00e9 uma viola\u00e7\u00e3o do direito humanit\u00e1rio internacional\u201d.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m mencionam os bombardeamentos a\u00e9reos militares -especialmente o de 1997 no \u00e2mbito da opera\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito Destructor II-, bem como a exist\u00eancia de 4 hectares ativos com culturas de coca dentro dos limites e 4 minas antipessoal.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Atenais M\u00e9ndez, m\u00e3e de Bocanegra, teme dia e noite pela vida de seu filho. Ela resume tudo em uma linha, com a voz entrecortada: \u201cE se Alex for o novo Escol\u00e1stico? E se um dia eu nunca mais volto v\u00ea-lo?\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong><strong>Voltar sim, mas assim n\u00e3o<\/strong><\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>No final de dezembro de 2019, uma chiva (\u00f4nibus) com 70 ind\u00edgenas a bordo partiu de San Vicente del Cagu\u00e1n para Yaguara II. Eram 5 da manh\u00e3 e a lua cheia ainda enluarava o caminho. Os adultos tinham embalado tudo o que era necess\u00e1rio para a viagem: panelas e sacos cheios de comida, colch\u00f5es enrolados, len\u00e7\u00f3is, almofadas, redes, tendas, artigos de higiene pessoal e at\u00e9 uma motocicleta e uma bicicleta amarrada com cordas na parte traseira. O \u00f4nibus percorreu 200 quil\u00f4metros, quase 11 horas, levantando poeira vermelha do solo argiloso, at\u00e9 chegar ao lugar que eles um dia chamaram de lar. Com filhos grandes e netos nos bra\u00e7os, eles chegaram para definir o futuro do seu territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1707\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/IMG_3653-1-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5409\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210819\/IMG_3653-1-scaled.jpg 2560w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210819\/IMG_3653-1-scaled-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210819\/IMG_3653-1-scaled-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210819\/IMG_3653-1-scaled-768x512.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210819\/IMG_3653-1-scaled-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210819\/IMG_3653-1-scaled-2048x1366.jpg 2048w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210819\/IMG_3653-1-scaled-630x420.jpg 630w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210819\/IMG_3653-1-scaled-150x100.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210819\/IMG_3653-1-scaled-696x464.jpg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210819\/IMG_3653-1-scaled-1068x712.jpg 1068w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210819\/IMG_3653-1-scaled-1920x1280.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption><em>Cr\u00e9dito: Tatiana Pardo Ibarra<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>E se a viol\u00eancia voltasse a bater \u00e0 porta deles? \u201cN\u00e3o aguent\u00e1vamos mais\u201d, dizem eles. \u201cOutra vez n\u00e3o\u201d.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Para alguns foi a primeira vez, ap\u00f3s 16 anos de deslocamento, que pisaram em Yaguara II. Se cumprimentaram e se abra\u00e7aram. Eles estavam curiosos sobre os males que v\u00eam com a velhice, sobre dores nos joelhos, sobre tornozelos inflamados pelo calor, sobre perda de vis\u00e3o ou uma dor nas costas. Adivinharam se o rio Tunia ainda teria a mesma quantidade de peixes como o jaco, o jurari e o guaruco como antes, se as planta\u00e7\u00f5es de milho e mandioca ainda estivessem no mesmo lugar, ou se as suas casas antigas ainda estivessem de p\u00e9 ou, melhor, enredadas com plantas. Falaram do destino que tinham moldado para si pr\u00f3prios quando o medo os obrigou a ir e dos muitos of\u00edcios que tiveram de aprender para sobreviver: eletricista, sapateiro, carpinteiro, empregada dom\u00e9stica, ama, oper\u00e1rio, cabeleireiro, carregador de pacotes no mercado. Por\u00e9m, o mais importante, eles se perguntavam se queriam voltar e sob que condi\u00e7\u00f5es. E se a viol\u00eancia voltasse a bater \u00e0 porta deles? \u201cN\u00e3o aguent\u00e1vamos mais\u201d, dizem eles. \u201cOutra vez n\u00e3o\u201d.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/albumizr.com\/a\/qMnx\" scrolling=\"no\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"\" width=\"100%\" height=\"500\"><\/iframe>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014Acreditamos que, recuperando esses espa\u00e7os, podemos parar o desmatamento\u201d, diz Alexander Bocanegra, 33 anos, abrindo seus bra\u00e7os em torno deles. As feridas que a natureza tem hoje s\u00e3o as mesmas que a guerra nos deixou a n\u00f3s com o deslocamento, desaparecimentos e mortes. Agora queremos curar com ela, viver dela e cuidar dela para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Bocanegra est\u00e1 convencido de que <strong>para acabar com o desmatamento \u00e9 preciso fortalecer a guarda ind\u00edgena e fazer sentir a sua presen\u00e7a no territ\u00f3rio.<\/strong> Embora durante esses dias 90 fam\u00edlias &#8211; de 99 &#8211; tenham assinado uma ata na que manifestaram o desejo de voltar voluntariamente \u00e0 reserva, <strong>o Estado ainda n\u00e3o deu as garantias de seguran\u00e7a e dignidade necess\u00e1rias para que isso aconte\u00e7a.\u00a0<\/strong><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;As feridas que a natureza tem hoje s\u00e3o as mesmas que a guerra nos deixou a n\u00f3s com o deslocamento, desaparecimentos e mortes. Agora queremos curar com ela, viver dela e cuidar dela para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es.&#8221;.<\/p><cite>Alex\u00e1nder Bocanegra<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014No \u00e2mbito da restitui\u00e7\u00e3o dos direitos territoriais, as comunidades ind\u00edgenas t\u00eam acesso a medidas de assist\u00eancia, cuidado e ressarcimento integral\u201d, explica Jurado, \u201c<strong>o que significa n\u00e3o apenas fazer esfor\u00e7os e a\u00e7\u00f5es para devolver seu territ\u00f3rio, mas tamb\u00e9m garantir que esse retorno seja acompanhado de qualidade de vida de acordo com os costumes e cosmovis\u00e3o dos povos<\/strong> (etno-educa\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o ocidental, sa\u00fade, constru\u00e7\u00e3o ou melhoria de habita\u00e7\u00e3o, projetos produtivos, soberania alimentar, etc&#8230;).\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>O plano para a devolu\u00e7\u00e3o da reserva, que foi uma ordem dada pelo juiz de restitui\u00e7\u00e3o de Ibagu\u00e9, foi realizado pela prefeitura de San Vicente del Cagu\u00e1n com o acompanhamento da Unidade de V\u00edtimas, criada pelo governo de Santos para identificar e ressarcir os 8,9 milh\u00f5es de v\u00edtimas de meio s\u00e9culo de conflito armado. O documento n\u00e3o detalha o roteiro para efetivar a devolu\u00e7\u00e3o, apenas enumera algumas condi\u00e7\u00f5es que devem ser cumpridas: fornece ferramentas essenciais para a presta\u00e7\u00e3o de primeiros socorros, construir um maloka para atividades comunit\u00e1rias, adaptar um cen\u00e1rio esportivo e colocar um quiosque Vive Digital para garantir a conectividade da escola, melhorar a moradia de 14 fam\u00edlias que j\u00e1 moram em Yaguara II, construir 68 casas para a popula\u00e7\u00e3o que precisa, construir uma eletrifica\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas fotovoltaicas para as 82 fam\u00edlias e um porto fluvial no rio Tunia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1707\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Foto6-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5391\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210837\/Foto6-scaled.jpg 2560w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210837\/Foto6-scaled-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210837\/Foto6-scaled-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210837\/Foto6-scaled-768x512.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210837\/Foto6-scaled-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210837\/Foto6-scaled-2048x1366.jpg 2048w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210837\/Foto6-scaled-630x420.jpg 630w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210837\/Foto6-scaled-150x100.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210837\/Foto6-scaled-696x464.jpg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210837\/Foto6-scaled-1068x712.jpg 1068w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210837\/Foto6-scaled-1920x1280.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption>Llanos del Yar\u00ed- Yaguara II foi criado em 22 de fevereiro de 1995 em 146.500 hectares. A maioria da comunidade foi v\u00edtima de deslocamento for\u00e7ado em 2004. Cr\u00e9dito: Tatiana Pardo Ibarra.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>De qualquer forma, embora tudo o supramencionado j\u00e1 existisse, fica faltando alguma coisa: ainda n\u00e3o h\u00e1 seguran\u00e7a. E \u201csem seguran\u00e7a, tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 retorno\u201d. As pessoas n\u00e3o v\u00e3o ser colocadas em risco\u201d, diz Deiby Madrigal, um funcion\u00e1rio do departamento de assuntos \u00e9tnicos da Unidade de V\u00edtimas de Caquet\u00e1. \u201cO cen\u00e1rio de conflito continua e \u00e9 uma das dificuldades para a comunidade ser ressarcida; porque para isso precisa de territ\u00f3rio\u201d.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cO cen\u00e1rio de conflito continua e \u00e9 uma das dificuldades para a comunidade ser ressarcida; porque para isso precisa de territ\u00f3rio\u201d<\/p><cite>Deiby Madrigal<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Da lista de coisas que precisam ser feitas para o Pijao, Piratapuyo e Tucano retornarem e serem ressarcidos, explica Madrigal, apenas duas coisas foram feitas: identificar quem comp\u00f5e o Yaguara II e explicar tanto a comunidade quanto a entidades p\u00fablicas o programa e quais ser\u00e3o as respectivas compet\u00eancias de cada um. \u201c<strong>Assim que a maioria regresse, estabelece-se uma consulta pr\u00e9via com o Minist\u00e9rio do Interior, uma vez que os danos sofridos devem ser caracterizados (em tempo, forma e lugar) e depois se formula o plano de ressarcimento (que inclui medidas materiais e imateriais)<\/strong>. A implementa\u00e7\u00e3o do plano leva aproximadamente tr\u00eas anos. N\u00e3o diz quanto tempo pode demorar.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Madrigal, por\u00e9m, reconhece que \u201co governador Alexander Bocanegra e os demais est\u00e3o em risco permanente\u201d. Nesse territ\u00f3rio h\u00e1 muitos interesses&#8230; com culturas il\u00edcitas, rotas de tr\u00e1fico de drogas, grupos armados&#8230;\u201d.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong><strong>As abelhas e a chagra<\/strong><\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Em Llanos del Yar\u00ed- Yaguara II a humidade mistura-se com o sol intenso do meio-dia e se introduz sem piedade na pele. \u00c0 noite, no entanto, um mar de estrelas cobre o c\u00e9u e o clima fresco embala o sonho. Na reserva ind\u00edgena h\u00e1 uma escola prim\u00e1ria com um quadro a giz coberta de teias de aranha, casas de madeira que a grama pouco a pouco, como recuperando seu territ\u00f3rio com o passar do tempo, foi devorando-as e habitando-as at\u00e9 que apenas o telhado fica \u00e0 vista. Uma igreja em ruinas, um carrinha para o trabalho comunit\u00e1rio, um cemit\u00e9rio, um local sagrado conhecido como Las Cruces e uma terra onde os velhos se lembram de ter deixado planta\u00e7\u00f5es de milho, cana de a\u00e7\u00facar, mandioca, cebola, cenoura, ab\u00f3bora, pepino, abacaxi, goiaba, Ing\u00e1-cip\u00f3 e pupunha.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;vamos nos empoderar porque temos uma riqueza enorme.&#8221;.<\/p><cite>Alex\u00e1nder Bocanegra<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O Governador Alexander Bocanegra fala com firmeza. Eles ouvem-no. Ele est\u00e1 diante da comunidade e explica, pormenorizadamente, como o projeto florestal comunit\u00e1rio proposto h\u00e1 meses \u00e0 Visi\u00f3n Amazon\u00eda, o programa do governo colombiano para alcan\u00e7ar o desmatamento 0 em 2020, tem avan\u00e7ado. Sua proposta est\u00e1 dividida em quatro componentes: <strong>construir o plano de vida (que \u00e9 como o roteiro de uma comunidade ind\u00edgena), formular e implementar o plano de organiza\u00e7\u00e3o ambiental, fortalecer a seguran\u00e7a alimentar e construir um n\u00facleo de desenvolvimento florestal sustent\u00e1vel.<\/strong> O investimento, que j\u00e1 foi aprovado, \u00e9 de 828 milh\u00f5es de pesos a serem executados durante 18 meses.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014 Preciso que me diga se posso realmente contar com voc\u00eas&#8230; e sejam sinceros &#8211; pergunta Bocanegra aos 70 ind\u00edgenas que chegaram para participar da assembleia &#8211; porque se somente dez querem trabalhar, ent\u00e3o com dez eu trabalho. Se voltamos isto j\u00e1 n\u00e3o ser\u00e1 mais \u201cminha fazenda\u201d, meu peda\u00e7o de terra, e se torna territ\u00f3rio coletivo. Nosso. De toda a gente. O viveiro, a horta da casa, a chagra&#8230; vamos nos empoderar porque temos uma riqueza enorme. Sim?\u00a0<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1707\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Foto5-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5390\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210838\/Foto5-scaled.jpg 2560w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210838\/Foto5-scaled-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210838\/Foto5-scaled-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210838\/Foto5-scaled-768x512.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210838\/Foto5-scaled-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210838\/Foto5-scaled-2048x1366.jpg 2048w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210838\/Foto5-scaled-630x420.jpg 630w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210838\/Foto5-scaled-150x100.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210838\/Foto5-scaled-696x464.jpg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210838\/Foto5-scaled-1068x712.jpg 1068w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210838\/Foto5-scaled-1920x1280.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption>Em 2017, os Pijao, Piratapuyo e Tucano foram declarados v\u00edtimas coletivas do conflito armado colombiano. Eles n\u00e3o t\u00eam garantia de seguran\u00e7a e dignidade para voltar. Foto: Tatiana Pardo Ibarra.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Bocanegra sabe que o Pijao, Piratapuyo e Tucano sentem-se como se estivessem caminhando num lugar lamacento, com medo de que a lama chegue ao pesco\u00e7o deles e ameace afog\u00e1-los, mas ele repete a mensagem com uma voz forte e otimista: \u201cVoc\u00eas n\u00e3o podem esperar que o Estado venha resgata-nos\u201d. <strong>Por uma vez eu digo que isto n\u00e3o vai acontecer. Mas vamos superar isto com esfor\u00e7o. N\u00e3o podemos matar o tigre e ficar com medo da pele\u201d.\u00a0<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ilda Barra fica entusiasmada com a ideia de eles voltarem. Enquanto ela prepara o sancocho (sopa t\u00edpica) e pendura as tripas do porco em uma corda perto do fog\u00e3o a lenha, ela se lembra que n\u00e3o deixar Yaguara II trouxe dor, porque \u201co sangue corria de um lado para o outro\u201d e \u201ceu me sentia sozinha dia e noite\u201d.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cVoc\u00eas n\u00e3o podem esperar que o Estado venha resgata-nos\u201d<\/p><cite>Alex\u00e1nder Bocanegra<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014Eu estava assustada e triste. Mais triste do que qualquer outra coisa. Eu fiquei aqui porque tinha um monte de filhos e n\u00e3o tinha vontade de ir mendigar nas ruas sem poder aliment\u00e1-los (&#8230;), mas eu quero que voc\u00eas voltem, t\u00e1! meu cora\u00e7\u00e3o ficou feliz novamente quando eu vi voc\u00eas de novo. \u00c9 que depois de 2004 a solid\u00e3o virou tristeza.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Os tr\u00eas povos ind\u00edgenas est\u00e3o se preparando. Eles j\u00e1 colocaram por escrito quais s\u00e3o os seus direitos e deveres com os 146.500 hectares do seu territ\u00f3rio. No \u201cregulamento interno\u201d \u00e9 claro que os membros da comunidade t\u00eam o direito de \u201cdesfrutar responsavelmente dos recursos\u201d, mas t\u00eam o dever de \u201cproteg\u00ea-los e cuid\u00e1-los\u201d. <strong>Entre os princ\u00edpios b\u00e1sicos, al\u00e9m da equidade, solidariedade e trabalho coletivo, est\u00e1 o respeito aos conhecimentos ancestrais e \u00e0 natureza.\u00a0<\/strong><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>No \u201cregulamento interno\u201d \u00e9 claro que os membros da comunidade t\u00eam o direito de \u201cdesfrutar responsavelmente dos recursos\u201d, mas t\u00eam o dever de \u201cproteg\u00ea-los e cuid\u00e1-los\u201d<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>A fim de voltar e se estabelecer novamente, eles decidiram apostar em projetos agr\u00edcolas, mas sustent\u00e1veis. Isto acompanhado pela pesca, ca\u00e7a e agricultura tradicional (chagra).<\/strong> O ecoturismo e a venda de mel. Cada fam\u00edlia, estimam, poder\u00e1 ter 150 hectares (50% \u00e9 conservado) para trabalhar em pequenas culturas alimentares b\u00e1sicas e pecu\u00e1ria, mas somente no modelo silvopastoral que mistura vacas com \u00e1rvores para conseguir maior produtividade por hectare.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery alignfull columns-2 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2048\" height=\"1366\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/16-1-2048x1366-1.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"5400\" data-full-url=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/16-1-2048x1366-1.jpeg\" data-link=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/es\/index.php\/2020\/04\/19\/retornar-para-cuidar-el-bosque-la-cruzada-de-yaguara-ii\/16-1-2048x1366-1\/\" class=\"wp-image-5400\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19210822\/16-1-2048x1366-1.jpeg 2048w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19210822\/16-1-2048x1366-1-300x200.jpeg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19210822\/16-1-2048x1366-1-1024x683.jpeg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19210822\/16-1-2048x1366-1-768x512.jpeg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19210822\/16-1-2048x1366-1-1536x1025.jpeg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19210822\/16-1-2048x1366-1-630x420.jpeg 630w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19210822\/16-1-2048x1366-1-150x100.jpeg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19210822\/16-1-2048x1366-1-696x464.jpeg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19210822\/16-1-2048x1366-1-1068x712.jpeg 1068w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19210822\/16-1-2048x1366-1-1920x1281.jpeg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 2048px) 100vw, 2048px\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1707\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_3621-scaled.jpg\" alt=\"\" data-id=\"5394\" data-full-url=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_3621-scaled.jpg\" data-link=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/es\/index.php\/2020\/04\/19\/retornar-para-cuidar-el-bosque-la-cruzada-de-yaguara-ii\/img_3621\/\" class=\"wp-image-5394\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210832\/IMG_3621-scaled.jpg 2560w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210832\/IMG_3621-scaled-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210832\/IMG_3621-scaled-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210832\/IMG_3621-scaled-768x512.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210832\/IMG_3621-scaled-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210832\/IMG_3621-scaled-2048x1366.jpg 2048w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210832\/IMG_3621-scaled-630x420.jpg 630w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210832\/IMG_3621-scaled-150x100.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210832\/IMG_3621-scaled-696x464.jpg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210832\/IMG_3621-scaled-1068x712.jpg 1068w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19210832\/IMG_3621-scaled-1920x1280.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n\n\n\n<p>O manual nem sempre parece uma constitui\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m tem passagens de eloqu\u00eancia quase po\u00e9tica, como quando prometem que as savanas naturais do Yar\u00ed, os arrabaldes, as moricheras, os canos que atravessam a terra, as lagoas e outras \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o natural n\u00e3o ser\u00e3o distribu\u00eddos, nem para moradia nem para o trabalho agr\u00edcola das fam\u00edlias. \u201cEles ser\u00e3o de responsabilidade coletiva.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Se n\u00f3s estivermos bem, o territ\u00f3rio tamb\u00e9m estar\u00e1 bem. O Estado ir\u00e1 nos ajudar? Sei l\u00e1!&#8221;<\/p><cite>Alex\u00e1nder Bocanegra<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A comunidade decidiu que ser\u00e1 proibido ca\u00e7ar animais como veados, perus, mutum-de-bico-azul, gato-do-mato ou \u201ctigres\u201d, o que eles chamam de on\u00e7as-pintadas. \u00c9 permitido ca\u00e7ar anta e pacas (agoutis) apenas em casos especiais, e cafuches, capivara e tatabros \u201cexclusivamente para consumo familiar e regulado de acordo com as esta\u00e7\u00f5es e locais\u201d. <strong>As lagoas s\u00e3o \u201clocais sagrados para a comunidade\u201d e \u201cpor nenhuma raz\u00e3o\u201d ser\u00e1 permitido o plantio ou processamento de culturas il\u00edcitas ou a minera\u00e7\u00e3o.<\/strong>\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>No meio da ansiedade, o governador n\u00e3o cede.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014Llanos del Llar\u00ed- Yaguara II \u00e9 um ber\u00e7o de biodiversidade para o mundo e \u00e9 o nosso lar. A nossa casa\u201d, diz Bocanegra, com certa preocupa\u00e7\u00e3o. Se n\u00f3s estivermos bem, o territ\u00f3rio tamb\u00e9m estar\u00e1 bem. O Estado ir\u00e1 nos ajudar? Sei l\u00e1!\u00a0<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/eee.png\" alt=\"Tierra de Resistentes\" class=\"wp-image-3766\" width=\"100\" height=\"100\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211834\/eee.png 400w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211834\/eee-300x300.png 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211834\/eee-150x150.png 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 100px) 100vw, 100px\" \/><\/figure><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tres pueblos ind\u00edgenas intentan retornar a su territorio, del que fueron desplazados hace casi dos d\u00e9cadas, con la intenci\u00f3n de impedir que la deforestaci\u00f3n avance. 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