{"id":4679,"date":"2021-04-14T00:01:00","date_gmt":"2021-04-14T00:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/es\/?p=4679"},"modified":"2021-05-19T18:24:24","modified_gmt":"2021-05-19T18:24:24","slug":"kwesx-yu-kiwe-el-resguardo-nasa-que-se-levanta-contra-la-megacarretera-que-unira-buenaventura-y-puerto-carreno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/2021\/04\/14\/kwesx-yu-kiwe-el-resguardo-nasa-que-se-levanta-contra-la-megacarretera-que-unira-buenaventura-y-puerto-carreno\/","title":{"rendered":"Kwesx Yu Kiwe: o resguardo ind\u00edgena se revolta contra a mega-estrada que ligar\u00e1 Buenaventura a Puerto Carre\u00f1o"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"max-width:860px\"><em><strong><em>As comunidades ind\u00edgenas nasa de Fl\u00f3rida, no Vale do Cauca, denunciam a viol\u00eancia que sofrem por causa de sua luta contra uma estrada de 1.490 km que, dizem, afetar\u00e1 os p\u00e1ramos Las Hermosas e Las Tinajas, e poder\u00e1 for\u00e7\u00e1-los se deslocar de seu territ\u00f3rio. Seus l\u00edderes est\u00e3o recebendo amea\u00e7as.&nbsp;&nbsp;<\/em><\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Era pouco antes das seis da manh\u00e3 daquele s\u00e1bado de janeiro de 2020, quando dois homens em uma motocicleta chegaram a sua casa procurando por ele.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014O Nilson est\u00e1 em casa?<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014N\u00e3o, ele n\u00e3o mora aqui.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:1043px\">Os homens hesitaram, mas n\u00e3o foram embora.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014Qual \u00e9 o seu nome?<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014Jorge Milton.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014Oh, ent\u00e3o acho que \u00e9 o senhor que estamos procurando. Olha, disseram para lhe pedir para ficar quieto.<\/p>\n\n\n\n<p>Jorge Milton Conda. Milton. \u00cdndio nasa. Quarenta anos, pai de duas filhas. L\u00edder ambiental e social, defensor dos direitos humanos. Milton, n\u00e3o Nilson.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:869px\">\u2014E tamb\u00e9m lhes pe\u00e7o que digam a seus chefes que n\u00e3o vou parar de lutar pelos povos ind\u00edgenas.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Milton conta este epis\u00f3dio a bordo de um ve\u00edculo que percorre a estrada entre o munic\u00edpio de Fl\u00f3rida, no sudeste do departamento do Vale do Cauca, e a comunidade de La Rivera, onde mora, no resguardo (terra ind\u00edgena) Kwesx Yu Kiwe, um nome que significa &#8220;territ\u00f3rio da \u00e1gua&#8221;. <strong>Ele o conta e ri. Como se ele tivesse pregado uma pe\u00e7a. Ou como se n\u00e3o fosse com ele. Ou como se ele n\u00e3o tivesse outra op\u00e7\u00e3o al\u00e9m de rir.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os homens que vieram a sua casa disseram que pertenciam ao <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">&#8220;Los Pelusos&#8221;<\/span>, uma dissid\u00eancia do Ex\u00e9rcito de Liberta\u00e7\u00e3o Popular ou EPL (um grupo guerrilheiro desmobilizado em 1991) que hoje \u00e9 considerado pelas for\u00e7as de seguran\u00e7a como um grupo armado organizado (GAO) e que se dedica, principalmente, ao tr\u00e1fico de drogas. Eles tamb\u00e9m foram para a casa de sua m\u00e3e dois meses antes. Nesse momento eram supostamente emiss\u00e1rios da <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">coluna Dagoberto Ramos<\/span>, uma dissid\u00eancia<strong>&nbsp;<\/strong>da guerrilha das Farc que n\u00e3o se desarmou com o Acordo de Paz de 2016 e que est\u00e1 tentando retomar o controle do Vale do Cauca e do norte do Cauca com sangue e fogo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em panfletos que foram lan\u00e7ados fora do escrit\u00f3rio da casa ind\u00edgena, a sede principal do resguardo Kwesx Yu Kiwe em Florida, o grupo criminoso o advertiu e a outros l\u00edderes nasa para &#8220;parar de brincar e parar de falar em defender a terra&#8221;. <a href=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/19210604\/TERCERA-AMENAZA.pdf\" target=\"_blank\" aria-label=\"Em outro panfleto (opens in a new tab)\" rel=\"noreferrer noopener\" class=\"rank-math-link\">Em outro panfleto<\/a> que circulou, que foi atribu\u00eddo a quadrilhas criminosas operando em alian\u00e7a com dissidentes das Farc, eles o <strong>declararam &#8220;alvo militar&#8221; e o acusaram de &#8220;n\u00e3o permitir o desenvolvimento da estrada Pac\u00edfico-Orinoquia&#8221;<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">-N\u00e3o faz muito tempo que alguns homens armados vieram \u00e0 comunidade onde vivo, reuniram as pessoas, contaram-lhes sobre a mega-estrada Pac\u00edfico-Orinoquia e lhes disseram que vinham para lutar pelo povo, supostamente. N\u00f3s n\u00e3o somos contra o desenvolvimento, mas denunciamos os tremendos danos ambientais que esta estrada vai causar.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"COLOMBIA: La batalla de los Nasa contra la megacarretera que unir\u00e1 el Pac\u00edfico y la Orinoqu\u00eda\" width=\"696\" height=\"392\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/6sl8R87s7o8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>*****<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A conex\u00e3o Pac\u00edfico-Orinoquia &#8211; como \u00e9 chamada a estrada \u00e0 qual se refere Milton Conda &#8211; \u00e9 <strong>uma rota de 1.490 km que procura atravessar as tr\u00eas cordilheiras andinas, algo sem precedentes no pa\u00eds, para conectar a regi\u00e3o do Pac\u00edfico a partir do porto de Buenaventura<\/strong>, com o vale do rio Magdalena e at\u00e9 Puerto Carre\u00f1o (Vichada) nas plan\u00edcies orientais na fronteira com a Venezuela.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados oficiais do Invias (Instituto Nacional de Estradas) e da Funda\u00e7\u00e3o Propac\u00edfico (que apoia a constru\u00e7\u00e3o da estrada) s\u00e3o espantosos: aproximadamente 50 trilh\u00f5es de pesos de investimento p\u00fablico-privado (excedendo em quase 34 trilh\u00f5es ao projeto Hidroituango, que seria a maior usina hidrel\u00e9trica do pa\u00eds); 250 mil novos empregos derivados dos cultivos de arroz, milho e soja e atividades pecu\u00e1rias; 7 trilh\u00f5es de pesos projetados em benef\u00edcios econ\u00f4micos, especialmente para a agricultura, a pecu\u00e1ria e o agroneg\u00f3cio; uma redu\u00e7\u00e3o aproximada de 27% no custo do transporte de carga por tonelada e a consolida\u00e7\u00e3o da Col\u00f4mbia como pot\u00eancia agr\u00edcola. Esse \u00e9 o &#8220;lado A&#8221; do projeto.<\/p>\n\n\n\n<p>Este ambicioso trabalho est\u00e1 inclu\u00eddo no <a href=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/19210606\/Plan-Maestro-de-Transporte-Intermodal.pdf\" target=\"_blank\" aria-label=\"Plano Diretor de Transporte Intermodal (PMTI) 2015-2035 (opens in a new tab)\" rel=\"noreferrer noopener\" class=\"rank-math-link\">Plano Diretor de Transporte Intermodal (PMTI) 2015-2035<\/a>, uma rede de infraestrutura projetada para melhorar a conex\u00e3o do pa\u00eds atrav\u00e9s de estradas, aeroportos, portos e ferrovias. A apresenta\u00e7\u00e3o deste \u2018roteiro\u2019 ocorreu em 25 de novembro de 2015 em Cartagena, no Congresso Nacional de Infraestrutura, e foi liderada pelo<span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\"> vice-presidente Germ\u00e1n Vargas Lleras<\/span>.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O Plano Diretor de Transporte \u00e9 o horizonte da Col\u00f4mbia, um exerc\u00edcio t\u00e9cnico e cient\u00edfico que visa tir\u00e1-lo do atraso em que se encontra para que estejamos na vanguarda da Am\u00e9rica Latina nos pr\u00f3ximos anos&#8221;, disse o exultante Vargas Lleras, o n\u00famero dois do governo de Juan Manuel Santos na \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p>Em n\u00fameros, o PMTI abrange 101 projetos rodovi\u00e1rios (12.681 quil\u00f4metros), 52 em redes de integra\u00e7\u00e3o (6.880 quil\u00f4metros); 5 estradas ligadas \u00e0 rede ferrovi\u00e1ria (1.769 quil\u00f4metros); 8 rios ligados \u00e0 rede fluvial (5.065 quil\u00f4metros), 31 obras em aeroportos e dragagens nos oceanos Atl\u00e2ntico e Pac\u00edfico. <strong>O investimento m\u00e9dio anual \u00e9 de 10,4 trilh\u00f5es de pesos ao longo de vinte anos.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Desde o an\u00fancio de Vargas Lleras, a Vice-Presid\u00eancia, o Minist\u00e9rio dos Transportes, a Ag\u00eancia Nacional de Infraestrutura (ANI) e o Invias t\u00eam trabalhado em sua execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A transversal come\u00e7a no porto de Buenaventura. <strong>H\u00e1 oito trechos rodovi\u00e1rios que envolvem diretamente 34 munic\u00edpios em cinco departamentos<\/strong>: Vale do Cauca, Huila, Tolima, Meta e Vichada (o que significa uma popula\u00e7\u00e3o de cerca de 9 milh\u00f5es de habitantes) e indiretamente outros 350 munic\u00edpios em treze departamentos das regi\u00f5es Central, Orinoco e Pac\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<p>25% do percurso j\u00e1 foram constru\u00eddos (378 quil\u00f4metros em trechos entre Mulal\u00f3 e Florida, no Vale do Cauca, e entre Mesetas e Puerto Gait\u00e1n, em Meta); 16% est\u00e3o em constru\u00e7\u00e3o (240 quil\u00f4metros entre Buenaventura e Mulal\u00f3, entre La Uribe e Mesetas, e entre Puerto Gait\u00e1n e Puente Arimena); 55% est\u00e3o em estudo (819 quil\u00f4metros entre Florida e o munic\u00edpio de Col\u00f4mbia, em Hu\u00edla, e entre Puente Arimena e Puerto Carre\u00f1o) e os 4% restantes est\u00e3o &#8220;por serem resolvidos&#8221; (53 quil\u00f4metros entre Col\u00f4mbia, no departamento de Hu\u00edla, e La Uribe), de acordo com o Invias.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O &#8216;lado B&#8217; &#8211; e menos conhecido &#8211; da conex\u00e3o Pac\u00edfico-Orinoquia, inclu\u00edda no Plano Nacional de Desenvolvimento do atual governo de Iv\u00e1n Duque, \u00e9 que faz fronteira com v\u00e1rios ecossistemas sens\u00edveis e corredores biol\u00f3gicos fundamentais<\/strong>: os p\u00e1ramos de Las Tinajas e Las Hermosas (Vale do Cauca e Tolima), o Parque Natural Nacional Nevado do Huila, o Parque Regional P\u00e1ramo do Meridiano (Tolima) e o Parque Nacional El Tuparro (Vichada).<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a Comiss\u00e3o Nacional de Territ\u00f3rios Ind\u00edgenas, a mega-estrada passa ou faz fronteira com os territ\u00f3rios coletivos de pelo menos oito povos ind\u00edgenas, incluindo nasas, nukaks, sikuanis, amoruas, miskuas, jiw, emberas cham\u00ed e totor\u00f3s. Isto significa que ainda h\u00e1 um rastro de d\u00favidas sobre os impactos ambientais e sociais que a estrada poderia ter.<\/p>\n\n\n\n<p>A rota entre Florida e o munic\u00edpio de Col\u00f4mbia tem um or\u00e7amento de aproximadamente 22 trilh\u00f5es de pesos e abrange 140 quil\u00f4metros divididos em tr\u00eas se\u00e7\u00f5es. No trecho que liga Florida \u00e0 aldeia de La Herrera (Tolima), foi planejado um projeto ambicioso e ousado em termos de engenharia: um t\u00fanel ferrovi\u00e1rio multimodal com uma plataforma para trens que transportar\u00e1 ve\u00edculos de uma ponta a outra e atravessar\u00e1 a cordilheira central a uma profundidade de 2.500 metros. <strong>Ter\u00e1 40 quil\u00f4metros de comprimento, quase cinco vezes o tamanho do controverso t\u00fanel de La Linea &#8211; 8,65 quil\u00f4metros e o mais longo de seu tipo na Am\u00e9rica Latina.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Bem onde o mega-t\u00fanel foi projetado, est\u00e3o localizados o conselho comunit\u00e1rio das comunidades negras de San Antonio de los Caballeros e os resguardos ind\u00edgenas nasa de Kwesx Yu Kiwe, Kwe&#8217;s Kiwe, Cristal P\u00e1ez e Nasa Th\u00e1, localizadas em Florida e Las Mercedes, no munic\u00edpio de Rioblanco (Tolima).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Kwesx Yu Kiwe, onde mora Milton Conda, seria provavelmente o mais afetado pelo futuro t\u00fanel<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas nem sequer aparecem nos <a href=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/19210609\/LOCALIZACION-IGAC-COMUNIDADES-aportado-por-periodista.pdf\" target=\"_blank\" aria-label=\"mapas do Instituto Geogr\u00e1fico Agust\u00edn Codazzi (Igac) de 2015 (opens in a new tab)\" rel=\"noreferrer noopener\" class=\"rank-math-link\">mapas do Instituto Geogr\u00e1fico Agust\u00edn Codazzi (Igac) de 2015<\/a> que o Invias utilizou como base para o desenho dessa rota.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 como se n\u00e3o existisse.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/FOTO-1-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4699\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211329\/FOTO-1-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211329\/FOTO-1-300x225.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211329\/FOTO-1-768x576.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211329\/FOTO-1-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211329\/FOTO-1-2048x1536.jpg 2048w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211329\/FOTO-1-150x113.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211329\/FOTO-1-696x522.jpg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211329\/FOTO-1-1068x801.jpg 1068w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211329\/FOTO-1-1920x1440.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>El cartel que da la bienvenida al resguardo Kwesx Yu Kiwe, formado por siete comunidades que suman cerca de 2.100 habitantes. Foto: Tatiana Esc\u00e1rraga.&nbsp;<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>*****<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O resguardo Kwesx Yu Kiwe \u00e9 formada por sete comunidades ind\u00edgenas nasa: El Salado, La Rivera, Granates, Altamira, Nuevo Horizonte, La Cumbre e Nueva Esperanza. H\u00e1 cerca de 666 fam\u00edlias que, juntas, t\u00eam cerca de 2.100 habitantes, distribu\u00eddos em 2.539 hectares e 8.975 metros quadrados declarados oficialmente como resguardo, embora as autoridades ind\u00edgenas afirmem que seu territ\u00f3rio ancestral se estende por 41.000 hectares.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os vilarejos est\u00e3o localizados ao redor do p\u00e1ramo Las Tinajas, que faz parte do complexo de p\u00e1ramos Las Hermosas.<\/strong> Para esses povos, suas divindades vivem no fundo das lagoas e nas neblinas dos p\u00e1ramos da cordilheira. Suas cren\u00e7as e s\u00edmbolos atravessam as esferas pol\u00edtica, econ\u00f4mica e social. A terra \u00e9 o lar. \u00c9 a vida. E \u00e9 respeitada.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde que ele se lembra, Milton se viu fugindo das balas. Ele diz que est\u00e1 vivo por milagre. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil acreditar nele. Um relat\u00f3rio <strong>da Unidade de V\u00edtimas reconhece 15,6% da popula\u00e7\u00e3o de Florida como v\u00edtima do conflito armado, o que equivale a 9.000 das quase 60.000 pessoas que vivem no munic\u00edpio.&nbsp;&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos tempos da guerrilha M-19, na d\u00e9cada de 1980, eles deslocaram todas as comunidades que viviam no territ\u00f3rio hoje ocupado pelo resguardo. Depois vieram as Farc, cujas duas estruturas extintas &#8211; a Sexta Frente e a Coluna M\u00f3vel Gabriel Galvis do Bloco Comandante Alfonso Cano &#8211; transformaram esta terra em seu feudo criminoso.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre 2001 e 2002, quando j\u00e1 servia como secret\u00e1rio de sua organiza\u00e7\u00e3o, Milton teve que resistir a duas tomadas de controle paramilitares pelo Bloco Calima das Autodefesas Unidas da Col\u00f4mbia (AUC) que deixaram grande quantidade de mortos no seu rastro. <strong>Ele teve que levar algumas crian\u00e7as em meio a um tiroteio, e teve que enterrar dois tios: um que os paramilitares seguraram em um posto de controle e mataram ao banh\u00e1-lo em \u00e1cido, e outro que os guerrilheiros mataram<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos anos, tamb\u00e9m enterrou v\u00e1rios membros do resguardo ind\u00edgena, aqueles homens e mulheres que protegem o territ\u00f3rio coletivo e resistem, desarmados, \u00e0 investida cada vez mais insana dos violentos. Neste ponto, muitos habitantes desta regi\u00e3o do pa\u00eds sentem que a paz era uma ilus\u00e3o que desapareceu em um piscar de olhos. Os anos de negocia\u00e7\u00f5es em Havana e a assinatura do acordo com as Farc significaram uma fr\u00e1gil esperan\u00e7a que acabou se desvanecendo. Aqui a paz parece desfocada. Como quando se insiste em lembrar, ao acordar, um sonho que escapa da cabe\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>A realidade atual \u00e9 que o tr\u00e1fico de drogas, os dissidentes guerrilheiros e grupos residuais da desmobiliza\u00e7\u00e3o dos paramilitares &#8211; conhecidos como &#8220;bandas criminosas&#8221; ou &#8220;bacrim&#8221; &#8211; est\u00e3o presentes no territ\u00f3rio. A Ouvidoria emitiu <a href=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/19210603\/AT-N%C2%B0-074-18-VAL-Florida-y-Pradera.pdf\" target=\"_blank\" aria-label=\"um alerta precoce (opens in a new tab)\" rel=\"noreferrer noopener\" class=\"rank-math-link\">um alerta precoce<\/a> em 2018 para Florida e outro munic\u00edpio, Pradera, onde alertou sobre a grave situa\u00e7\u00e3o e <strong>confirmou a presen\u00e7a de dissidentes da Sexta Frente das Farc, do EPL, do ELN e das Autodefesas Gaitanistas da Col\u00f4mbia (tamb\u00e9m conhecidas como Cl\u00e3 do Golfo), herdeiros do narco-paramilitarismo<\/strong>. \u00c9 neste contexto que Kwesx Yu Kiwe resiste.\u00a0\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Em setembro de 2019 e ap\u00f3s uma intensa batalha judicial, o terceiro juiz civil do Circuito Especializado em Restitui\u00e7\u00e3o de Terras de Cali, Diego Sossa S\u00e1nchez, ordenou que o resguardo fosse reconhecido como v\u00edtima do conflito armado e que 5.021 hectares de terras ancestrais fossem devolvidos a eles. <a href=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/19210605\/Sentencia20199216124.pdf\" target=\"_blank\" aria-label=\"A senten\u00e7a 57 (opens in a new tab)\" rel=\"noreferrer noopener\" class=\"rank-math-link\">A senten\u00e7a 57<\/a> reconhece que os habitantes deste resguardo foram v\u00edtimas do M-19, das Farc e das for\u00e7as de seguran\u00e7a e que sofreram persegui\u00e7\u00e3o, deslocamento for\u00e7ado, confinamento, despossess\u00e3o e assassinatos seletivos.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Essa foi a primeira decis\u00e3o de restitui\u00e7\u00e3o de terras para as comunidades ind\u00edgenas no Vale do Cauca, parte de uma pol\u00edtica que come\u00e7ou h\u00e1 uma d\u00e9cada para reparar as v\u00edtimas e devolver as terras que lhes foram tiradas pelos autores da viol\u00eancia. Apenas um m\u00eas antes, em agosto daquele ano, Kwesx Yu Kiwe tinha sido legalmente constitu\u00eddo como resguardo atrav\u00e9s do <a href=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/19210608\/ACUERDO-96-Por-el-cual-se-constituye-el-Resguardo-Indigena-KWEXSYUKIWE.pdf\" target=\"_blank\" aria-label=\"acordo 96 de agosto de 2019 (opens in a new tab)\" rel=\"noreferrer noopener\" class=\"rank-math-link\">acordo 96 de agosto de 2019<\/a> entre o Minist\u00e9rio da Agricultura e a Ag\u00eancia Nacional de Terras.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas agora, quando conquistaram o direito de ser reconhecidos como resguardo, os ind\u00edgenas acreditam que sua exist\u00eancia est\u00e1 em perigo. <strong>Se antes eles eram amea\u00e7ados por balas, agora tamb\u00e9m s\u00e3o amea\u00e7ados pelo desenvolvimento.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>****<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>El Salado \u00e9 uma comunidade localizada a 1.800 metros acima da cordilheira central. Nesta brilhante manh\u00e3 de novembro, uma comitiva alegre e expectante d\u00e1 as boas-vindas aos visitantes. H\u00e1 crian\u00e7as correndo e adultos de p\u00e9 nas esquinas, como a professora da escola, Dora Lilia Baltazar e o l\u00edder (autoridade tradicional) Francisco Antonio Yonda.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"575\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/FOTO-2-1024x575.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4698\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211332\/FOTO-2-1024x575.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211332\/FOTO-2-300x169.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211332\/FOTO-2-768x431.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211332\/FOTO-2-1536x863.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211332\/FOTO-2-2048x1150.jpg 2048w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211332\/FOTO-2-150x84.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211332\/FOTO-2-696x391.jpg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211332\/FOTO-2-1068x600.jpg 1068w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211332\/FOTO-2-1920x1079.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Habitantes de El Salado, una comunidad enclavada sobre la cordillera central. Foto: Tatiana Esc\u00e1rraga.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">-Estamos muito preocupados porque acreditamos que eles n\u00e3o estudaram os impactos da estrada sobre nossas comunidades ou o meio ambiente. Veja, o caminho passa pela quadra de futebol, pela escola, bem aqui onde estamos- diz Yonda, um pai de 55 anos de idade, de dois filhos.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Veja, o caminho passa pela quadra de futebol, pela escola, bem aqui onde estamos&#8221;<\/p><cite>Autoridade tradicional Francisco Antonio Yonda<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Quando ele fala, baixa o olhar. Um ar de tristeza marca seu rosto. &#8220;Tem havido balas de um lado e do outro. E tivemos que nos acostumar a isso. J\u00e1 fomos deslocados tr\u00eas vezes. Primeiro por causa do M-19 na d\u00e9cada de 1980 e depois foi pelos paramilitares na d\u00e9cada de 2000. E agora estamos novamente na mesma situa\u00e7\u00e3o, com os dissidentes das Farc deixando panfletos amea\u00e7adores, assediando, extorquindo.<strong> E, al\u00e9m disso, temos o problema da estrada. Vivemos do cultivo de caf\u00e9, bananas, pl\u00e1tanos, mandioca, mandioquinha, gr\u00e3os, milho, tudo isso seria perdido. Para onde iremos se tivermos que sair daqui?<\/strong>&#8221; pergunta Yonda.<\/p>\n\n\n\n<p>Do outro lado do resguardo, para entrar nas comunidades de La Rivera e Granates, \u00e9 preciso primeiro passar pelo posto de controle da guarda ind\u00edgena. Dois homens e uma menina de n\u00e3o mais de treze anos d\u00e3o as boas-vindas. Depois, seu ritual de biosseguran\u00e7a contra a Covid: um incenso com plantas medicinais de alecrim e eucalipto e uma bebida arom\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Este territ\u00f3rio parece suspenso no tempo. Sem conex\u00e3o \u00e0 internet, t\u00e3o longe de tudo, cercado por montanhas e estradas de terra; com algumas casas constru\u00eddas em cimento e pequenos terra\u00e7os cheios de plantas coloridas, e atravessado por um rio, o Frayle, que desce do p\u00e1ramo de Las Tinajas. <strong>Uma paisagem andina verde onde o sil\u00eancio reina, por vezes interrompido apenas pelo canto dos p\u00e1ssaros que cruzam este c\u00e9u. A vegeta\u00e7\u00e3o \u00e9 exuberante e o ar limpo. Um ambiente t\u00e3o belo e generoso que at\u00e9 intimida.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Alguns minutos a p\u00e9 separam La Rivera de Granates. Uma \u00fanica estrada de terra os conecta. Onde essa estrada termina, em Granates, h\u00e1 um enorme campo de futebol, uma ponte de madeira sobre o rio e o ponto de partida da rota que leva a Las Tinajas. Os ind\u00edgenas dizem que leva entre um e tr\u00eas dias para chegar ao cora\u00e7\u00e3o do p\u00e1ramo, um ecossistema de alta montanha de grande valor ecol\u00f3gico que permanece relativamente desconhecido para o pa\u00eds (devido a que foi durante anos um ref\u00fagio para atores armados) e t\u00e3o fr\u00e1gil que qualquer interven\u00e7\u00e3o derivada de obras de infraestrutura pode ser catastr\u00f3fica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/FOTO-3-768x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4702\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211327\/FOTO-3-768x1024.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211327\/FOTO-3-225x300.jpg 225w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211327\/FOTO-3-1152x1536.jpg 1152w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211327\/FOTO-3-1536x2048.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211327\/FOTO-3-150x200.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211327\/FOTO-3-300x400.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211327\/FOTO-3-696x928.jpg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211327\/FOTO-3-1068x1424.jpg 1068w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211327\/FOTO-3-scaled.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption>Donde termina la comunidad de Granates comienza el camino que conduce a los p\u00e1ramos de Las Tinajas y Las Hermosas. Foto: Tatiana Esc\u00e1rraga.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O p\u00e1ramo de Las Tinajas, que faz parte do complexo de p\u00e1ramos Las Hermosas, cobre uma \u00e1rea de aproximadamente 18.400 hectares distribu\u00eddos entre Palmira, Fl\u00f3rida e Pradera. \u00c9, segundo a Corpora\u00e7\u00e3o Regional Aut\u00f4noma do Vale do Cauca (CVC), a autoridade ambiental regional, um &#8220;ecossistema primordial regulador da \u00e1gua&#8221;, j\u00e1 que <strong>tanto a vegeta\u00e7\u00e3o quanto os solos atuam como uma \u2018esponja\u2019 que ret\u00e9m naturalmente o l\u00edquido durante a esta\u00e7\u00e3o chuvosa, e o libera gradualmente no sistema aqu\u00edfero do Vale do Cauca no ver\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em Las Tinajas h\u00e1 tamb\u00e9m um grupo de nove lagoas (incluindo Fe, Esperanza, Caridad, El Espejo, Laguna Negra e Guayabal) das quais se originam os rios Frayle e Santa B\u00e1rbara, abastecendo tanto as comunidades rurais como urbanas de Fl\u00f3rida e outras \u00e1reas pr\u00f3ximas.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Um <a href=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/19210607\/Concepto-tinajas-CVC.pdf\" target=\"_blank\" aria-label=\"relat\u00f3rio (opens in a new tab)\" rel=\"noreferrer noopener\" class=\"rank-math-link\">relat\u00f3rio<\/a> da CVC aconselha declarar Tinajas uma \u00e1rea de conserva\u00e7\u00e3o devido ao grau de amea\u00e7a \u00e0s esp\u00e9cies vegetais e animais como a r\u00e3 de cristal, o musaranho, o urso andino, a on\u00e7a, o quati, o pudu-do-norte, a marreca-pardinha e a \u00e1guia-serrana, entre outros. &#8220;Com base nos valores da biodiversidade e dos servi\u00e7os ecossist\u00eamicos gerados no p\u00e1ramo Las Tinajas, sua fragilidade e grau de conserva\u00e7\u00e3o (&#8230;) \u00e9 poss\u00edvel que seu equil\u00edbrio seja profundamente afetado no caso de promover atividades que n\u00e3o estejam de acordo com sua voca\u00e7\u00e3o, tais como obras de infraestrutura, minera\u00e7\u00e3o e pecu\u00e1ria extensiva&#8221;, conclui o documento.<\/p>\n\n\n\n<p>Las Hermosas, o complexo de p\u00e1ramos do qual faz parte Tinajas, fornece \u00e1gua a cerca de 900.000 pessoas &#8211; quase 2% da popula\u00e7\u00e3o colombiana &#8211; incluindo os munic\u00edpios de Palmira, Tulu\u00e1, Buga e Chaparral. 80% de seu territ\u00f3rio est\u00e3o no departamento de Tolima e os restantes 20% no Vale do Cauca.<strong> Foi o ber\u00e7o das Farc e, durante d\u00e9cadas, seu dom\u00ednio absoluto. O desfiladeiro de Las Hermosas, no lado de Tolima, tornou-se o ref\u00fagio do falecido &#8216;Alfonso Cano&#8217;, que foi o principal l\u00edder da guerrilha agora extinta entre 2008 e 2011<\/strong>. Um pouco mais da metade de sua extens\u00e3o \u00e9 um parque nacional criado em 1977, chamado precisamente Las Hermosas, o que significa que est\u00e1 constitucionalmente protegido de interven\u00e7\u00f5es como uma estrada.<\/p>\n\n\n\n<p>Las Tinajas, por outro lado, n\u00e3o tem esse n\u00edvel de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;a conserva\u00e7\u00e3o dos p\u00e1ramos \u00e9 considerada fundamental para reduzir as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa na atmosfera&#8221;<\/p><cite>Ge\u00f3grafo Carlos Sarmiento<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O ge\u00f3grafo Carlos Sarmiento, um dos maiores especialistas em p\u00e1ramos do pa\u00eds, conhece bem a import\u00e2ncia destes ecossistemas. &#8220;Um dos fatores-chave \u00e9 a \u00e1gua. N\u00e3o \u00e9 que os p\u00e1ramos tenham mais do que outros ecossistemas, mas a \u00e1gua que obtemos deles chega \u00e0s cidades por gravidade, o que economiza milh\u00f5es em custos de transporte. <strong>Al\u00e9m disso, \u00e9 a \u00e1gua que n\u00e3o recebe contaminantes nem do homem nem da pr\u00f3pria natureza, portanto, o tratamento necess\u00e1rio \u00e9 m\u00ednimo<\/strong>&#8220;, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>A Col\u00f4mbia tem aproximadamente 50% dos p\u00e1ramos do mundo, mas Sarmiento aponta que \u00e9 um &#8220;ecossistema muito raro&#8221; que s\u00f3 ocorre em pa\u00edses que possuem altas montanhas nos tr\u00f3picos. E n\u00e3o s\u00e3o muitos: Venezuela, Equador, Costa Rica, Panam\u00e1, Col\u00f4mbia e alguns pa\u00edses africanos com sistemas semelhantes.<\/p>\n\n\n\n<p>A vantagem para o pa\u00eds, explica Sarmiento, \u00e9 que possui os p\u00e1ramos mais diversificados. Poder-se-ia dizer que eles t\u00eam identidade pr\u00f3pria. Embora tamb\u00e9m deva ser acrescentado que eles s\u00e3o fr\u00e1geis e lentos de recupera\u00e7\u00e3o. &#8220;As baixas temperaturas e os baixos n\u00edveis de oxig\u00eanio significam que os processos metab\u00f3licos da vegeta\u00e7\u00e3o e da fauna s\u00e3o muito lentos. <strong>\u00c9 por isso que qualquer atividade que remova a vegeta\u00e7\u00e3o do solo \u00e9 t\u00e3o perigosa<\/strong>&#8220;, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa \u2019perigosidade\u2019 tamb\u00e9m tem a ver com o fato de que os p\u00e1ramos conservam grandes quantidades de carbono. &#8220;Como seu solo armazena uma grande quantidade de mat\u00e9ria org\u00e2nica n\u00e3o decomposta ou em processo de lenta decomposi\u00e7\u00e3o, eles s\u00e3o o que chamamos de um reservat\u00f3rio de carbono muito importante. Ainda mais do que as florestas amaz\u00f4nicas, acreditam alguns cientistas. Portanto, a conserva\u00e7\u00e3o dos p\u00e1ramos \u00e9 considerada fundamental para reduzir as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa na atmosfera&#8221;, diz Sarmiento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>****<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No dia da chegada a Granates, o governador do resguardo Kwesx Yu Kiwe, Jos\u00e9 Arbey Ipia Medina, assiste a uma reuni\u00e3o que n\u00e3o ser\u00e1 muito longa porque ele recebeu amea\u00e7as. A Sexta Frente das Farc o obrigou a se deslocar em 2008. Agora \u00e9 a coluna Dagoberto Ramos que o impede de retornar a Altamira, onde ele morava antes. <strong>Se ele est\u00e1 aqui hoje, \u00e9 porque confia em seu sistema de seguran\u00e7a e porque est\u00e1 relutante em deixar que os grupos violentos o impe\u00e7am de colocar os p\u00e9s em suas terras. Mas suas visitas s\u00e3o r\u00e1pidas como rel\u00e2mpagos.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">-Pedimos que nos escutem, n\u00e3o com armas, n\u00e3o com ego\u00edsmo, nem com discrimina\u00e7\u00e3o. Dizemos ao governo que temos o direito de consulta pr\u00e9via. Enquanto n\u00e3o o aprovarmos, n\u00e3o permitiremos que o megaprojeto passe por aqui, defenderemos esta terra at\u00e9 a morte, adverte o governador Ipia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"youtube-embed\" data-video_id=\"wUi3kl-7gC8\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"COLOMBIA: Pueblo nasa exige la consulta previa para megacarretera\" width=\"696\" height=\"392\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/wUi3kl-7gC8?feature=oembed&#038;enablejsapi=1\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>A agita\u00e7\u00e3o nestas comunidades \u00e9 muito profunda. Eles temem que as m\u00e1quinas cortem montanhas, contaminem rios e, em resumo, alterem a paisagem e o equil\u00edbrio do ecossistema. E que isto, em longo prazo, force-os a sair daqui num futuro sombrio e n\u00e3o muito distante.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211;<strong>Vemos a estrada Pacifico-Orinoquia como uma amea\u00e7a de exterm\u00ednio.<\/strong> O mega-t\u00fanel far\u00e1 desaparecer as comunidades de Granates e La Rivera e tamb\u00e9m afetaria outras popula\u00e7\u00f5es. Denunciamos isso e a resposta \u00e9 que o projeto continuaria em andamento- diz Ipia. Seus medos e os de seu povo contrastam com a convic\u00e7\u00e3o de dois governos consecutivos (Santos e Duque) de que este \u00e9 um projeto priorit\u00e1rio para o pa\u00eds.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;temos certeza de que haver\u00e1 um cuidado ambiental exemplar e respeitoso com os territ\u00f3rios e costumes das comunidades \u00e9tnicas sem deixar de ser competitivos&#8221;<\/p><cite>Guillermo Toro Acu\u00f1a, diretor t\u00e9cnico do Invias<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 claro que, se estamos nos comprometendo a cruzar a cordilheira central a uma altura de mais de 1,5 km \u00e1rea superficial dos p\u00e1ramos, e com a magnitude do or\u00e7amento de investimento que temos, \u00e9 porque temos certeza de que haver\u00e1 um cuidado ambiental exemplar e respeitoso com os territ\u00f3rios e costumes das comunidades \u00e9tnicas sem deixar de ser competitivos&#8221;, diz Guillermo Toro Acu\u00f1a, diretor t\u00e9cnico do Invias.<\/p>\n\n\n\n<p>Os estudos preliminares, no entanto, mostram uma realidade menos otimista.<\/p>\n\n\n\n<p>Em fevereiro de 2018, <strong>a Autoridade Nacional de Licenciamento Ambiental (ANLA) publicou o Auto <a href=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/19210607\/ANLA-auto_0587_19022018_ct_6754.pdf\" target=\"_blank\" aria-label=\"00587 (opens in a new tab)\" rel=\"noreferrer noopener\" class=\"rank-math-link\">00587<\/a>, que escolheu uma das quatro rotas propostas pelo Invias para o trecho entre Fl\u00f3rida e a Col\u00f4mbia, e que inclui o mega-t\u00fanel<\/strong>. Foi a resposta ao diagn\u00f3stico ambiental de alternativas (DAA) &#8211; um estudo com informa\u00e7\u00f5es para avaliar e comparar as diferentes op\u00e7\u00f5es antes de obter uma licen\u00e7a ambiental &#8211; que o Invias vinha apresentando desde 2014 e ao qual foram feitas modifica\u00e7\u00f5es posteriores.<\/p>\n\n\n\n<p>A rota escolhida pela ANLA abrange 7 munic\u00edpios e 42 unidades territoriais menores, incluindo vilarejos. Esta op\u00e7\u00e3o \u00e9, segundo a autoridade ambiental, &#8220;a mais conveniente&#8221;, pois <strong>&#8220;minimiza os fatores de risco e reduz ostensivamente os impactos e efeitos sociais e ambientais em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s outras propostas&#8221;<\/strong>. Nenhuma das outras tr\u00eas op\u00e7\u00f5es apresentadas pelo Invias evitava o t\u00fanel. Elas at\u00e9 propunham que fosse projetado em uma eleva\u00e7\u00e3o mais alta e mais pr\u00f3xima do p\u00e1ramo.<\/p>\n\n\n\n<p>O auto da ANLA reconhece que o projeto atravessar\u00e1 \u00e1reas de p\u00e1ramo (Las Hermosas, El Meridiano e Las Tinajas), que as \u00e1guas residuais ser\u00e3o descarregadas em c\u00f3rregos como Los Negros, El Tabl\u00f3n, Agua Fr\u00eda e o rio Hereje, que explosivos ser\u00e3o utilizados para as obras e que haver\u00e1 mudan\u00e7as na riqueza e diversidade das esp\u00e9cies vegetais e animais.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta decis\u00e3o, <strong>a ANLA adverte que a alternativa escolhida &#8220;n\u00e3o determina a viabilidade ambiental do projeto&#8221;<\/strong>, pois ainda est\u00e1 sujeita \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o de um estudo de impacto ambiental (EIA) sobre aquela se\u00e7\u00e3o espec\u00edfica e \u00e0 concess\u00e3o de uma licen\u00e7a ambiental, sem a qual n\u00e3o poderia ser dada luz verde.<\/p>\n\n\n\n<p>Este estudo de impacto ambiental deve incluir um documento do Minist\u00e9rio do Interior, que o Invias j\u00e1 solicitou, certificando a presen\u00e7a de comunidades \u00e9tnicas nas \u00e1reas de influ\u00eancia do projeto, os resultados de uma consulta pr\u00e9via a que os povos \u00e9tnicos que vivem na \u00e1rea de influ\u00eancia t\u00eam direito, e um plano de gest\u00e3o ambiental que explique como seus efeitos ser\u00e3o mitigados. <strong>O problema \u00e9 que o Minist\u00e9rio do Interior n\u00e3o apresentou o certificado que reconhece os resguardos, o que significa que para o Invias Kwesx Yu Kiwe nem sequer existe.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O paradoxo \u00e9 que para que um resguardo seja constitu\u00eddo, como no nosso caso, o Minist\u00e9rio do Interior tem que dar um conceito pr\u00e9vio. <strong>Sem isso, n\u00e3o teria sido poss\u00edvel. Al\u00e9m disso, h\u00e1 a senten\u00e7a que nos reconhece como v\u00edtimas do conflito e ordena a restitui\u00e7\u00e3o das terras. E agora acontece que o minist\u00e9rio nos reconhece<\/strong>&#8220;, diz Milton Conda.&nbsp; N\u00f3s tentamos entrar em contato com o Minist\u00e9rio do Interior para saber sua vers\u00e3o, mas n\u00e3o houve resposta.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde que souberam da exist\u00eancia do projeto Conex\u00e3o Pacifico-Orinoquia, os quatro resguardos e duas comunidades de Florida se uniram em uma batalha contra esta estrada. A rejei\u00e7\u00e3o \u00e9 un\u00e2nime. Desde 2013, eles t\u00eam expressado isto nas mesas t\u00e9cnicas do Invias, ao escrit\u00f3rio do Relator Especial da ONU sobre os direitos dos povos ind\u00edgenas, atrav\u00e9s da Onic (Organiza\u00e7\u00e3o Nacional Ind\u00edgena da Col\u00f4mbia) e nos poucos meios de comunica\u00e7\u00e3o que t\u00eam comunicado sua den\u00fancia.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Se eles foram capazes de se esquivar das balas da guerra e se continuam enfrentando a viol\u00eancia, este novo cap\u00edtulo, dizem eles, n\u00e3o ao vai os desencorajar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sua estrat\u00e9gia, por enquanto, \u00e9 impedir que os t\u00e9cnicos do Invias e da ANLA entrem em seu territ\u00f3rio<\/strong>. Isso, dizem, seria autorizar o trabalho a come\u00e7ar. As conversa\u00e7\u00f5es, por tanto, est\u00e3o num impasse. Em um tipo de impasse legal dif\u00edcil de superar, porque os nasa continuam firme em sua rejei\u00e7\u00e3o do projeto. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;As persegui\u00e7\u00f5es que ocorreram no munic\u00edpio de Florida nos \u00faltimos dois anos e que tivemos que acompanhar t\u00eam muito a ver com a conex\u00e3o Pacifico-Orinoquia&#8221;<\/p><cite>L\u00edder nasa Caucana Aida Quilcu\u00e9<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">-Eles est\u00e3o desenhando rotas a partir de um escrit\u00f3rio, sem nos consultar, sem nos mostrar o estudo de impacto ambiental, escondendo informa\u00e7\u00f5es de n\u00f3s, reclama Milton Conda.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">-O governo quer avan\u00e7ar com este projeto, violando o direito \u00e0 consulta pr\u00e9via. As persegui\u00e7\u00f5es que ocorreram no munic\u00edpio de Florida nos \u00faltimos dois anos e que tivemos que acompanhar t\u00eam muito a ver com a conex\u00e3o Pacifico-Orinoquia. Tivemos at\u00e9 que buscar asilo pol\u00edtico para uma governadora- diz a l\u00edder nasa Caucana Aida Quilcu\u00e9, ex-conselheira de direitos humanos da ONIC e uma das autoridades mais respeitadas do movimento ind\u00edgena.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>****<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sem ainda ter o certificado do Minist\u00e9rio do Interior sobre a presen\u00e7a de comunidades \u00e9tnicas no setor onde o t\u00fanel est\u00e1 planejado, e sem ter realizado uma consulta pr\u00e9via com os povos ind\u00edgenas e afro na \u00e1rea, Invias avan\u00e7ou em um estudo de impacto ambiental que encomendou \u00e0 empresa <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">EDL S.A.S. Engenheiros Consultores<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com <a href=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Resumen_Ejecutivo_Final.-V0-1.pdf\" target=\"_blank\" aria-label=\"este documento (opens in a new tab)\" rel=\"noreferrer noopener\" class=\"rank-math-link\">este documento<\/a>, os efeitos positivos do megaprojeto a n\u00edvel social incluem &#8220;a melhoria das condi\u00e7\u00f5es de vida, o aumento da cria\u00e7\u00e3o de empregos e o aumento da capacidade de autogest\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>No que diz respeito ao cap\u00edtulo ambiental, no entanto, h\u00e1 muitas d\u00favidas. <strong>Embora fale de medidas de gest\u00e3o para corrigir, mitigar, prevenir e compensar os impactos, e que estes n\u00e3o sejam classificados como cr\u00edticos, o mesmo estudo aponta para v\u00e1rias consequ\u00eancias<\/strong>: diminui\u00e7\u00e3o da cobertura vegetal, em habitats para a fauna &#8211; que ser\u00e3o muito alterados -, perda de g\u00eaneros e esp\u00e9cies, efeitos sobre os recursos h\u00eddricos devido a materiais provenientes do trabalho e do despejo de \u00e1guas residuais e combust\u00edveis, e no ar devido \u00e0 entrada em opera\u00e7\u00e3o de plantas de concreto e mudan\u00e7as no uso do solo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O lament\u00e1vel \u00e9 que na Col\u00f4mbia os estudos de impacto ambiental n\u00e3o t\u00eam uma revis\u00e3o externa, o que chamamos de &#8216;revis\u00e3o por pares&#8217;, um agente externo que possa avaliar ou contradizer o estudo ou que possa fornecer outras informa\u00e7\u00f5es. N\u00e3o acredito que no pa\u00eds exista um precedente de um t\u00fanel com a extens\u00e3o e profundidade que este prop\u00f5e. <strong>E temos muito pouco conhecimento da estrutura geol\u00f3gica para saber exatamente quais seriam os efeitos de atravessar essa cadeia montanhosa<\/strong>&#8220;, disse Carlos Sarmiento, um especialista em p\u00e1ramos.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo de impacto ambiental tamb\u00e9m fala de comunidades &#8220;sujeitas a reassentamento&#8221;, embora o Invias sempre tenha prometido nas reuni\u00f5es t\u00e9cnicas que realizou com os povos ind\u00edgenas que n\u00e3o considera essa possibilidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As comunidades ter\u00e3o voz no que est\u00e1 por vir &#8211; ou &#8220;capacidade de autogest\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o&#8221;, como \u00e9 chamado pelo estudo de impacto ambiental &#8211; se o Minist\u00e9rio do Interior certificar as comunidades \u00e9tnicas na zona de influ\u00eancia.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas por enquanto n\u00e3o parece haver a vontade de avan\u00e7ar com este processo. E tamb\u00e9m n\u00e3o vai ser t\u00e3o f\u00e1cil. O conselho comunit\u00e1rio das comunidades negras da comunidade de San Antonio de los Caballeros, por exemplo, \u00e9 reconhecido pela prefeitura de Florida, mas n\u00e3o pelo Minist\u00e9rio do Interior, j\u00e1 que ainda est\u00e1 em processo de obten\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo coletivo de propriedade de suas terras na Ag\u00eancia Nacional de Terras.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Algumas pessoas vieram aqui h\u00e1 cerca de dois anos para nos falar sobre a estrada e um t\u00fanel na parte superior da montanha, mas n\u00e3o ouvimos mais nada. Temos muito pouca informa\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Leidy Bonilla, sua representante legal.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Quando chegamos a consultas pr\u00e9vias, h\u00e1 sempre uma forte oposi\u00e7\u00e3o das comunidades, mas tamb\u00e9m constatamos que elas est\u00e3o muito desinformadas&#8221;<\/p><cite>Guillermo Toro, do Inv\u00edas<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, o t\u00fanel da se\u00e7\u00e3o Florida-Col\u00f4mbia da mega conex\u00e3o Pac\u00edfico-Orinoquia permanece em espera at\u00e9 que as quest\u00f5es legais e o conflito com as comunidades sejam resolvidos.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 prazos, dizem no Invias. &#8220;Estabelecer um prazo soaria quase como uma imposi\u00e7\u00e3o do governo nacional. E n\u00f3s n\u00e3o queremos isso. Quando chegamos a consultas pr\u00e9vias, h\u00e1 sempre uma forte oposi\u00e7\u00e3o das comunidades, mas tamb\u00e9m constatamos que elas est\u00e3o muito desinformadas. <strong>Estamos certos de que isto vai mudar se eles nos deixarem mostrar que estamos tentando defender seu meio ambiente e seus costumes<\/strong>&#8220;, diz Guillermo Toro, do Invias.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas essas palavras n\u00e3o convencem de forma alguma aos nasa.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;os p\u00e1ramos de Las Tinajas e Las Hermosas est\u00e3o em perigo e n\u00f3s exigimos que o mundo o saiba&#8221;<\/p><cite>Milton Conda, l\u00edder nasa<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">-Esta \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o complexa e n\u00f3s estamos muito preocupados. Aqui, defender a terra e o meio ambiente \u00e9 uma condena\u00e7\u00e3o, mas os p\u00e1ramos de Las Tinajas e Las Hermosas est\u00e3o em perigo e n\u00f3s exigimos que o mundo o saiba- conclui Milton Conda. A comunidade ind\u00edgena nasa n\u00e3o est\u00e1 disposta a desistir de sua luta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/eee.png\" alt=\"Tierra de Resistentes\" class=\"wp-image-3766\" width=\"100\" height=\"100\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211834\/eee.png 400w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211834\/eee-300x300.png 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211834\/eee-150x150.png 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 100px) 100vw, 100px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Las comunidades de ind\u00edgenas nasa de Florida, en el Valle del Cauca, denuncian la violencia que sufren por la lucha que han emprendido contra una carretera de 1490 kil\u00f3metros que, dicen, afectar\u00e1 a los p\u00e1ramos de Las Hermosas y Las Tinajas, y podr\u00eda obligarlos a desplazarse del territorio. Sus l\u00edderes est\u00e1n recibiendo amenazas.<\/p>\n","protected":false},"author":88,"featured_media":4703,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[279,277,273,46,276,280,278,275,257,272],"coauthors":[238],"class_list":{"0":"post-4679","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-colombia","8":"tag-afrodescendientes","9":"tag-bacrim","10":"tag-conexion-pacifico-orinoquia","11":"tag-fase-iii","12":"tag-guardia-indigena","13":"tag-invias","14":"tag-onic","15":"tag-paramo-las-tinajas","16":"tag-parque-nacional-farallones","17":"tag-pueblo-nasa"},"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.4 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Kwesx Yu Kiwe: o resguardo ind\u00edgena se revolta 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Su formaci\u00f3n arranc\u00f3 en el diario El Heraldo. Luego se traslad\u00f3 a Espa\u00f1a, donde vivi\u00f3 14 a\u00f1os. All\u00ed trabaj\u00f3 en El Pa\u00eds, en el diario digital 20minutos.es, en la revista Ocio Latino y en la edici\u00f3n en espa\u00f1ol de Vanity Fair, entre otros. En 2011 regres\u00f3 a Colombia para formar parte de la redacci\u00f3n dominical de El Tiempo como editora. Actualmente es periodista freelance. Ha publicado en la Liga contra el Silencio, Semana y Diners. Tambi\u00e9n ha estado a cargo de la jefatura de prensa de eventos culturales como el Carnaval de las Artes y el Festival \u00c9pico, ambos en Barranquilla. A lo largo de su carrera ha ganado dos veces el premio Sim\u00f3n Bol\u00edvar, el CPB y el Amway. 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