{"id":4636,"date":"2021-04-14T00:01:00","date_gmt":"2021-04-14T00:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/es\/?p=4636"},"modified":"2021-05-14T04:55:23","modified_gmt":"2021-05-14T04:55:23","slug":"jaime-monge-la-sangre-derramada-sobre-la-pachamama","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/2021\/04\/14\/jaime-monge-la-sangre-derramada-sobre-la-pachamama\/","title":{"rendered":"Jaime Monge, o sangue derramado na Pachamama"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"max-width:860px\"><strong><em>O crime deste l\u00edder ambiental em 2020 revelou que as m\u00e1fias do ouro e da madeira t\u00eam explorado sem controle o Parque Nacional Farallones de Cali, uma f\u00e1brica de \u00e1gua e oxig\u00eanio no Pac\u00edfico colombiano.<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Uma semana antes de ser assassinado, Jaime Monge Amann perguntou a sua filha Alexandra se ele estava coberto pelo plano funer\u00e1rio familiar.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Claro, pai, todos n\u00f3s estamos cobertos. Por que voc\u00ea est\u00e1 me fazendo esta pergunta?&#8221;, respondeu Alexandra naquele telefonema em meados de agosto de 2020, que ela agora considera premonit\u00f3rio. Naquele momento, ela n\u00e3o pensou muito nisso.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o era que Jaime estivesse doente. Havia 25 anos ele tinha deixado o conforto da cidade para viver na vila de Villacarmelo, na entrada do Parque Natural Nacional Farallones, 14 quil\u00f4metros a oeste de Cali.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O terreno aonde ele chegou era s\u00f3 floresta e ele praticamente o deixou assim. Jaime construiu apenas uma cabana perto do rio Mel\u00e9ndez e se dedicou ao cultivo do terreno e a conhecer a montanha. Depois construiu uma acomoda\u00e7\u00e3o, um restaurante e deu forma ao que hoje \u00e9 conhecido como Pachamama, uma fazenda de ecoturismo que oferecia aos visitantes caminhadas ecol\u00f3gicas e oficinas para aprender sobre o tesouro ambiental dos Farallones, que s\u00e3o as forma\u00e7\u00f5es rochosas mais jovens da Cordilheira Ocidental, conectando Cali com o Pac\u00edfico colombiano, bem como a import\u00e2ncia das culturas ind\u00edgenas nasa e yanacona, habitantes ancestrais da regi\u00e3o. Cerca de seis meses antes do telefonema para Alexandra, Jaime tinha sentido que sua presen\u00e7a na \u00e1rea estava se tornando insustent\u00e1vel e gerando desconforto. Ele tinha recebido coment\u00e1rios.&nbsp; &nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014\u00c9 muito triste que ele tenha expressado isso, que soubesse que algo iria acontecer com ele. E lembro-me que ele me disse que mesmo assim iria lutar. E \u00e0s vezes voc\u00ea n\u00e3o acha que as coisas s\u00e3o t\u00e3o perigosas, t\u00e3o dif\u00edceis. Essas foram nossas \u00faltimas conversas\u2014 lembra Alexandra, sentada no escrit\u00f3rio onde trabalha como advogada de recursos humanos, com um ar de afli\u00e7\u00e3o em seus olhos verdes.<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio de agosto de 2020, quando as pessoas sa\u00edram de suas casas novamente ap\u00f3s uma longa quarentena no pa\u00eds por causa da pandemia, Jaime estava com o \u00e2nimo renovado. Estava feliz por os visitantes terem voltado a Pachamama, o lugar que ele tinha criado para que os habitantes da cidade se conectassem com natureza, plantassem \u00e1rvores e acampassem. Jaime contou cerca de 160 trilhas ao redor da fazenda, muitas das quais apresentam quedas d&#8217;\u00e1gua e nascentes.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"youtube-embed\" data-video_id=\"fWcLMt78DpI\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"COLOMBIA: La sangre derramada sobre la pachamama\" width=\"696\" height=\"392\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fWcLMt78DpI?feature=oembed&#038;enablejsapi=1\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>No Parque Nacional Farallones, que se estende por quase 196.429 hectares dentro do per\u00edmetro dos munic\u00edpios de Cali, Dagua, Jamund\u00ed e Buenaventura, h\u00e1 30 rios e 84 c\u00f3rregos. H\u00e1 picos que atingem 4.100 metros acima do n\u00edvel do mar. Trata-se de um tesouro a apenas quinze minutos da ca\u00f3tica cidade de Cali, que tem 2,2 milh\u00f5es de habitantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Naqueles dias, as crian\u00e7as tinham retornado aos cursos em Pachamama. A fazenda estava viva novamente. Jaime p\u00f4de voltar para dar oficinas, cultivar abacates da variedade Lorena conhecidos como papelilhos, e encontrar-se com amigos que n\u00e3o via h\u00e1 meses.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 18 de agosto, por volta das 10:00 da manh\u00e3, um homem foi a Pachamama e procurou Jaime entre v\u00e1rios camponeses que estavam falando sobre a colheita de abacates e a ideia de vend\u00ea-los na cidade. Ele atirou Jaime pelas costas.<\/p>\n\n\n\n<p>Nem mesmo Alexandra estava ciente do n\u00famero de pessoas que amavam e conheciam o trabalho de Jaime. Que ficou deitado de cara, morto instantaneamente, em uma cena que talvez ele tenha temido que pudesse acontecer.<\/p>\n\n\n\n<p>As preocupa\u00e7\u00f5es de Jaime aumentaram com o assassinato de Jorge Enrique Oramas, outro gerente ambiental que ele teve que enterrar meses antes. Eles eram vizinhos. Oramas foi atingido \u00e0 queima-roupa em 16 de maio, durante a quarentena nacional pela Covid19, em circunst\u00e2ncias que ainda n\u00e3o foram esclarecidas pelas autoridades. No mundo do ecologismo e dos direitos humanos no Vale, houve uma grande perturba\u00e7\u00e3o por causa do crime.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Ele foi um claro defensor da biodiversidade dos Farallones de Cali, um irredut\u00edvel opositor da explora\u00e7\u00e3o mineira e do extrativismo&#8221;<\/p><cite>Associa\u00e7\u00e3o Sociol\u00f3gica Colombiana sobre Jorge Enrique Oramas<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o Sociol\u00f3gica Colombiana declarou em <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/XIIICNS\/posts\/146069800314933\">um comunicado<\/a> algo que deu pistas sobre o que estava acontecendo no ambiente de Farallones. &#8220;Como parte de sua lideran\u00e7a, Oramas denunciou e desafiou os grandes monop\u00f3lios de empresas <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">multinacionais de fertilizantes, sementes e desfolhantes<\/span> que t\u00eam sido totalmente favorecidos pelas elites governantes do pa\u00eds por d\u00e9cadas. Ele foi um claro defensor da biodiversidade dos Farallones de Cali, um irredut\u00edvel opositor da explora\u00e7\u00e3o mineira e do extrativismo&#8221;, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>Juan Bello, chefe do escrit\u00f3rio de Meio Ambiente da ONU na Col\u00f4mbia, tamb\u00e9m reagiu ao assassinato em um tweet: &#8220;Lutemos por um mundo em que defender a natureza e cuidar de um ambiente saud\u00e1vel n\u00e3o custe a vida&#8221;, <a href=\"https:\/\/twitter.com\/juanbello_onu\/status\/1262358481857925122?s=20\">escreveu<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Oramas tinha uma associa\u00e7\u00e3o chamada Biocanto do Mil\u00eanio. Era uma esp\u00e9cie de fazenda localizada na aldeia de La Candelaria, onde cultivava gr\u00e3os ancestrais, como quinoa e amaranto, frutas, ra\u00edzes e plantas medicinais org\u00e2nicas, com a filosofia de que os alimentos nutrem o corpo e curam doen\u00e7as. O que ele recebia da comercializa\u00e7\u00e3o era destinado a um programa de suporte nutricional para os mesmos camponeses que trabalhavam a terra.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Jorge-Enrique-Oramas-ilustracion-Camila-Santafe-768x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4639\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211414\/Jorge-Enrique-Oramas-ilustracion-Camila-Santafe-768x1024.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211414\/Jorge-Enrique-Oramas-ilustracion-Camila-Santafe-225x300.jpg 225w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211414\/Jorge-Enrique-Oramas-ilustracion-Camila-Santafe-1152x1536.jpg 1152w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211414\/Jorge-Enrique-Oramas-ilustracion-Camila-Santafe-1536x2048.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211414\/Jorge-Enrique-Oramas-ilustracion-Camila-Santafe-150x200.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211414\/Jorge-Enrique-Oramas-ilustracion-Camila-Santafe-300x400.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211414\/Jorge-Enrique-Oramas-ilustracion-Camila-Santafe-696x928.jpg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211414\/Jorge-Enrique-Oramas-ilustracion-Camila-Santafe-1068x1424.jpg 1068w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211414\/Jorge-Enrique-Oramas-ilustracion-Camila-Santafe-scaled.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption>Jorge Enrique Oramas ten\u00eda 70 a\u00f1os. Lo mataron el 16 de mayo de 2020. La Alcald\u00eda de Cali ofreci\u00f3 una recompensa de 20 millones de pesos para quien diera pistas para esclarecer el crimen.&nbsp;Ilustraci\u00f3n: Camila Santaf\u00e9.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Quando a quarentena estava apenas come\u00e7ando, Oramas gravou um v\u00eddeo em seu telefone celular. Capturou, em poucos segundos, sua maneira de ver o mundo. Estava vestido com uma camisa rosa, uma mochila ind\u00edgena e um chap\u00e9u vermelho. Podem-se ver nas imagens as olheiras profundas sob os olhos e uma pinta na p\u00e1lpebra esquerda. Atr\u00e1s dele, a fazenda, as bananeiras, o som dos insetos e a \u00e1gua. &#8220;Temos que respeitar os direitos que a pr\u00f3pria terra tem para que possamos viver e ela possa viver. Ela est\u00e1 feliz porque est\u00e1 se recuperando de tantas afrontas que lhe infligiu um bando de loucos que agora est\u00e1 confinado&#8221;, diz no v\u00eddeo.<\/p>\n\n\n\n<p>Monge e Oramas tinham muito em comum. A primeira \u00e9 que eles eram contempor\u00e2neos. O primeiro tinha 62 anos, o segundo 70. Nenhum deles ficou em sil\u00eancio quando viram a minera\u00e7\u00e3o ilegal de ouro come\u00e7ar a perfurar irremediavelmente a parte superior dos Farallones.<\/p>\n\n\n\n<p>Eles n\u00e3o ficaram em sil\u00eancio quando viram que estranhos estavam entrando na montanha para cortar \u00e1rvores de madeira fina sem qualquer tipo de autoriza\u00e7\u00e3o. Eles falavam abertamente sobre isso com a comunidade, de acordo com v\u00e1rios testemunhos coletados na \u00e1rea. Monge e Oramas exerciam lideran\u00e7a. Os ind\u00edgenas e camponeses costumavam consult\u00e1-los quando tinham problemas, desde os mais costumeiros, como uma briga entre vizinhos, at\u00e9 as amea\u00e7as que circulavam para quem se atrevesse a falar sobre as minas de ouro.<\/p>\n\n\n\n<p>O que est\u00e1 acontecendo nos Farallones e est\u00e1 causando a morte de seus l\u00edderes?<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014O grande problema \u00e9 a enorme pilhagem deste para\u00edso natural por <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">pessoas muito proeminentes de Cali<\/span>, madeireiros e garimpeiros de ouro ilegais. \u00c9 uma pilhagem contra a natureza, porque n\u00e3o h\u00e1 licen\u00e7as ambientais. E qualquer um que o denuncie \u00e9 morto. Estes n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos crimes, h\u00e1 mais mortos, de muito tempo atr\u00e1s\u2014 diz outro l\u00edder ambientalista da regi\u00e3o que vive ao redor da montanha h\u00e1 anos. Ele n\u00e3o ousa dar seu nome por medo de sofrer o mesmo destino que seus conhecidos<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014Estou absolutamente certo da conex\u00e3o entre situa\u00e7\u00f5es graves no parque e o assassinato de l\u00edderes. \u00c9 \u00f3bvio. \u00c9 por isso que os matam. Os caminh\u00f5es chegam e em 15 dias cortam 20 hectares de floresta sem nenhum controle. E eles n\u00e3o cortam apenas em um lugar a fim de que o n\u00e3o seja evidente, eles o fazem seletivamente. Eles s\u00e3o flibusteiros, piratas, n\u00e3o respeitam nada\u2014, acrescenta ele.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o que este homem p\u00f4de perceber nos \u00faltimos dois anos, no Parque Nacional Farallones, existem m\u00e1fias que extraem ilegalmente madeira fina, apesar de os parques nacionais gozarem de prote\u00e7\u00e3o constitucional e de atividades como desmatamento e minera\u00e7\u00e3o serem estritamente proibidas dentro deles. O prefeito de Cali, Jorge Iv\u00e1n Ospina, disse que grupos armados est\u00e3o por tr\u00e1s deste neg\u00f3cio. Embora as autoridades mencionem n\u00e3o oficialmente o <a href=\"https:\/\/www.elpais.com.co\/cali\/ospina-denuncia-presencia-de-hombres-armados-en-los-farallones-de.html\">Clan del Golfo, Las \u00c1guilas Negras e Los Pelusos<\/a> como os atores armados ilegais que teriam o neg\u00f3cio do ouro, n\u00e3o h\u00e1 uma identifica\u00e7\u00e3o clara no que diz respeito \u00e0 pol\u00edtica p\u00fablica. Apenas \u00e9 dito que eles s\u00e3o <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">paramilitares<\/span>.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Estas amea\u00e7as tamb\u00e9m foram dirigidas a funcion\u00e1rios p\u00fablicos que guardam Farallones. Entre 2012 e 2018, foram registradas oito amea\u00e7as contra os guardas florestais, de acordo com informa\u00e7\u00f5es dos Parques Nacionais inclu\u00eddas nesta <a href=\"https:\/\/tierraderesistentes.com\/es\/index.php\/2020\/02\/04\/los-guardianes-de-los-parques-que-la-guerra-se-llevo\/\">outra reportagem<\/a> de Tierra de Resistentes<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014Uma \u00e1rvore pode custar 25 ou 30 milh\u00f5es de pesos. E se voc\u00ea o transforma em um sof\u00e1, o pre\u00e7o dispara. <strong>A Col\u00f4mbia tem algumas das madeiras mais preciosas do mundo, a\u00ed h\u00e1 nazarenos ou carvalhos negros que est\u00e3o em alta demanda no mercado clandestino<\/strong>\u2014, continua a fonte. Segundo o escrit\u00f3rio de Parques Nacionais, entre as esp\u00e9cies arb\u00f3reas mais representativas est\u00e3o o carvalho, o pouteria sapota, a \u00e1rvore-da-orelha-de-elefante, o encenillo, o azuceno, a emba\u00faba branca, o guanacaste e o pau-de-balsa.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora as fazendas Oramas e Monge estejam fora do per\u00edmetro do parque nacional, elas aparecem no mapa como estando na entrada da \u00e1rea protegida. As atividades ilegais que as autoridades conseguiram detectar est\u00e3o ocorrendo nas partes mais altas do parque, mais precisamente em um lugar conhecido como Alto del Buey, que s\u00e3o \u00e1reas de dif\u00edcil acesso e est\u00e3o a mais de seis horas de subida da comunidade de Villacarmelo.<\/p>\n\n\n\n<p>No final de janeiro de 2021, o prefeito de Cali, Jorge Iv\u00e1n Ospina, disse que a minera\u00e7\u00e3o ilegal nos Farallones tinha continuado durante os dias da pandemia da covid19: &#8220;Continuamos tendo pessoas irrespons\u00e1veis que est\u00e3o deteriorando nosso ecossistema, colocando em risco o abastecimento de \u00e1gua para as gera\u00e7\u00f5es futuras&#8221;, disse Ospina \u00e0 imprensa, acrescentando que era sua responsabilidade buscar o acompanhamento do governo nacional porque \u00e9 uma jurisdi\u00e7\u00e3o de Parques Nacionais que excede a capacidade da prefeitura. <strong>O escrit\u00f3rio de imprensa do Departamento Administrativo de Gest\u00e3o Ambiental (Dagma), a autoridade ambiental do munic\u00edpio, n\u00e3o respondeu \u00e0s perguntas para esta reportagem sobre as a\u00e7\u00f5es tomadas na \u00e1rea.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Robinson Galindo, diretor do escrit\u00f3rio territorial do Pac\u00edfico dos Parques Naturais Nacionais, 700 hectares foram devastados pela minera\u00e7\u00e3o nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A minera\u00e7\u00e3o ilegal de ouro em Alto del Buey trouxe danos irrepar\u00e1veis ao meio ambiente e viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014As amea\u00e7as aos l\u00edderes e os assassinatos s\u00e3o preocupantes. O problema \u00e9 que Monge e Oramas tinham um alto n\u00edvel de conhecimento das quest\u00f5es ambientais. Eles n\u00e3o matam aqueles que n\u00e3o sabem de nada. Eles matam aquele que sabe o que est\u00e1 acontecendo na cima da montanha \u2014 diz outro ambientalista que viveu nos Farallones at\u00e9 o in\u00edcio da pandemia, em mar\u00e7o do ano passado.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele voltou para Cali porque percebeu que sua vida j\u00e1 estava comprometida. <strong>Depois de Oramas e Monge, ele sentiu que o pr\u00f3ximo a ser morto poderia ser ele.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"724\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Jaime-Monge-2-ilustracion-Camila-Santafe-724x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4644\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211411\/Jaime-Monge-2-ilustracion-Camila-Santafe-724x1024.jpg 724w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211411\/Jaime-Monge-2-ilustracion-Camila-Santafe-212x300.jpg 212w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211411\/Jaime-Monge-2-ilustracion-Camila-Santafe-768x1086.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211411\/Jaime-Monge-2-ilustracion-Camila-Santafe-1086x1536.jpg 1086w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211411\/Jaime-Monge-2-ilustracion-Camila-Santafe-1448x2048.jpg 1448w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211411\/Jaime-Monge-2-ilustracion-Camila-Santafe-150x212.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211411\/Jaime-Monge-2-ilustracion-Camila-Santafe-300x424.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211411\/Jaime-Monge-2-ilustracion-Camila-Santafe-696x985.jpg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211411\/Jaime-Monge-2-ilustracion-Camila-Santafe-1068x1511.jpg 1068w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211411\/Jaime-Monge-2-ilustracion-Camila-Santafe-1920x2716.jpg 1920w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211411\/Jaime-Monge-2-ilustracion-Camila-Santafe-scaled.jpg 1810w\" sizes=\"auto, (max-width: 724px) 100vw, 724px\" \/><figcaption>Hist\u00f3ricamente, los Farallones de Cali han servido como refugio de grupos armados, como el Eln, las Farc y los paramilitares. La miner\u00eda ilegal de oro y el negocio de la madera&nbsp; es un bot\u00edn que los ilegales se disputan en el Parque Nacional.&nbsp;Ilustraci\u00f3n: Camila Santaf\u00e9<strong>.<\/strong><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">**<\/p>\n\n\n\n<p>Na entrada dos Farallones foram vistos recentemente jupar\u00e1s, mam\u00edferos carn\u00edvoros do tamanho de ratos, eletrocutados, pendurados em postes de luz. Eles s\u00e3o como ursinhos, parentes do quati e do guaxinim. Ap\u00f3s cinco minutos subindo a estrada de terra, veem-se os udu-de-coroa-azul e borboletas azuis pairando perto das linhas el\u00e9tricas.<strong> \u00c9 inevit\u00e1vel pensar que os animais t\u00eam sido amea\u00e7ados pelo crescimento da cidade em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s montanhas. Os jupar\u00e1s mortos s\u00e3o um sinal disso, de acordo com um jovem guia que vive n\u00e3o muito longe dali.<\/strong> Como muitos entrevistados, ele prefere que seu nome n\u00e3o apare\u00e7a nesta reportagem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O Parque Nacional Farallones de Cali \u00e9 uma cadeia de montanhas da cordilheira ocidental dos Andes, que desde 1968 protegeu mais de 196.000 hectares que conectam Cali com o Pac\u00edfico colombiano. Estes majestosos e famosos picos azuis, que podem ser vistos da cidade em dias com pouca cobertura de nuvens, s\u00e3o as forma\u00e7\u00f5es rochosas mais jovens dos Andes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Este para\u00edso, que abrange quatro ecossistemas distintos: floresta tropical, floresta subandina, floresta alta andina e p\u00e1ramo, abriga 109 esp\u00e9cies de mam\u00edferos, de acordo com Parques Nacionais. H\u00e1 on\u00e7as, panteras, gatos-do-mato, raposas e ursos de \u00f3culos. Tamb\u00e9m h\u00e1 marsupiais, cinco esp\u00e9cies de primatas, tamandu\u00e1s, pregui\u00e7as, esquilos, coelhos-da-fl\u00f3rida, lontras, caititus, queixadas, veados, pacas, cutias, tatus e quatis.<\/p>\n\n\n\n<p>Com elas vivem cerca de 540 esp\u00e9cies de aves, representando mais de um quarto do total no pa\u00eds que tem o maior n\u00famero delas no mundo. Al\u00e9m disso, \u00e9 uma reserva de esp\u00e9cies \u00fanicas e amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o na Col\u00f4mbia e no mundo. A Associa\u00e7\u00e3o Calidris, que estuda e protege as aves aqu\u00e1ticas, lista o jacu-do-cauca (<a href=\"https:\/\/www.iucnredlist.org\/species\/22678379\/92770934\"><em>Penelope perspicax<\/em><\/a>) como uma dessas 55 esp\u00e9cies de aves end\u00eamicas da Col\u00f4mbia e amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tom\u00e1s Mu\u00f1oz \u00e9 um campon\u00eas e ambientalista que estuda a fauna e a flora dos Farallones h\u00e1 45 anos. Sua experi\u00eancia tem sido de grande ajuda para bi\u00f3logos e expedi\u00e7\u00f5es que t\u00eam ido para a \u00e1rea para estudar os ecossistemas e os animais. A barba branca e o chap\u00e9u do explorador s\u00e3o sua assinatura inconfund\u00edvel. Quando se trata de falar de fauna, imediatamente menciona pumas, jaguatiricas, ursos-de-\u00f3culos e alguns marsupiais que eram desconhecidos vinte anos atr\u00e1s. <strong>Com a Universidade Icesi ele est\u00e1 estudando uma ave t\u00edpica da \u00e1rea conhecida como o t\u00e1ngara multicolorido (chlorochrysa nitidissima)\u200b, cujas penas parecem a paleta de um pintor: s\u00e3o verdes, laranja, azuis e amarelas. \u00c9 um animal majestoso<\/strong>. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Farallones \u00e9, principalmente, uma f\u00e1brica de \u00e1gua e oxig\u00eanio. Estas montanhas s\u00e3o a fonte de mais de 30 rios e 80 riachos que irrigam o sudoeste da Col\u00f4mbia. Seis desses tribut\u00e1rios fluem para Cali. O aqueduto daquela cidade, uma das mais importantes da Col\u00f4mbia, tem como fontes os rios Cauca, Mel\u00e9ndez, Pance e Cali. Este \u00faltimo nasce em Alto del Buey, precisamente o ponto onde est\u00e1 ocorrendo a minera\u00e7\u00e3o ilegal de ouro. O rio Anchicay\u00e1, o maior rio do parque nacional, \u00e9 um dos tribut\u00e1rios que aflui para a barragem de Bajo Anchicay\u00e1, operada pela Celsia, para gera\u00e7\u00e3o de energia. Esta planta est\u00e1 localizada dentro do per\u00edmetro do parque, <a href=\"https:\/\/www.celsia.com\/es\/centrales-hidroelectricas\/\">acordo com a Celsia<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de seu valor h\u00eddrico, Farallones \u00e9 uma reserva natural que contribui para mitigar a mudan\u00e7a clim\u00e1tica por duas raz\u00f5es. Primeiro, ela cumpre a fun\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica de armazenar gases de efeito estufa, algo que s\u00f3 pode fazer se seus ecossistemas forem preservados em longo prazo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Farallones gera uma importante regula\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica que pode ser representada na diminui\u00e7\u00e3o da temperatura mesmo em v\u00e1rios graus Celsius para toda a regi\u00e3o andina do Parque&#8221;<\/p><cite>Parques Nacionais<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, segundo Parques Nacionais, &#8220;\u00e9 evidente que a altura da forma\u00e7\u00e3o Farallones gera uma importante regula\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica que pode ser representada na diminui\u00e7\u00e3o da temperatura mesmo em v\u00e1rios graus Celsius para toda a regi\u00e3o andina do Parque, especialmente para os munic\u00edpios de Santiago de Cali e Jamund\u00ed&#8221;. Isto \u00e9 essencial para evitar eventos clim\u00e1ticos extremos, em um pa\u00eds altamente vulner\u00e1vel aos efeitos sociais e ambientais de secas e enchentes. De fato, \u00e0 tarde, Cali recebe os ventos que v\u00eam do Pac\u00edfico atrav\u00e9s dos Farallones, e isso serve como uma esp\u00e9cie de b\u00e1lsamo que limpa o ar.<\/p>\n\n\n\n<p>Tom\u00e1s Mu\u00f1oz enfatiza os musgos de p\u00e1ramo ou bri\u00f3fitas, que t\u00eam sido pouco estudados nos Farallones: &#8220;Estes musgos s\u00e3o os her\u00f3is naturais porque absorvem \u00e1gua e formam uma esp\u00e9cie de colch\u00e3o&#8221;, explica. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9, em s\u00edntese, um territ\u00f3rio biodiverso e extremamente valioso para a cidade e para a regi\u00e3o do Vale do Cauca.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Toda essa riqueza est\u00e1 sendo devorada pela <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">minera\u00e7\u00e3o ilegal e pelas m\u00e1fias da madeira<\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014Com a pandemia, a minera\u00e7\u00e3o ilegal aumentou. N\u00e3o havia ningu\u00e9m l\u00e1 e eles podiam fazer o que quisessem. Eles recrutaram os mesmos jovens do territ\u00f3rio para subir a montanha\u2014diz um dos ambientalistas cuja identidade mantemos em segredo.<\/p>\n\n\n\n<p>A vereadora Ana Erazo, do Polo Democr\u00e1tico Alternativo, \u00e9 uma dessas poucas vozes em Cali que atingiu o ponto fraco da minera\u00e7\u00e3o ilegal e levantou sua voz sobre um problema que gera perigos e riscos \u00e0 vida. Ela \u00e9 jovem, morena, magra e n\u00e3o mede as palavras. Sentada no centro da c\u00e2mara do conselho cerimonial vazia em um momento de pandemia, ela faz uma lista de reclama\u00e7\u00f5es que vem fazendo nos \u00faltimos meses.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o que ela conseguiu documentar, existem 406 minas de ouro ilegais nas montanhas, 37 das quais ainda est\u00e3o ativas. Elas est\u00e3o exatamente em um lugar conhecido como as minas El Socorro em El Alto del Buey, muito perto dos rios Felidia e Pichind\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014Vimos que n\u00e3o s\u00e3o apenas as pessoas da cidade de Cali que est\u00e3o realizando esta atividade, h\u00e1 pessoas que v\u00eam de Cauca e Tolima para extrair ouro. <strong>Eles est\u00e3o minando tanto a montanha que ela pode entrar em colapso, sem mencionar o desmatamento. <\/strong>Eles est\u00e3o levando os animais, afetando as bacias hidrogr\u00e1ficas com cianeto, os rios est\u00e3o secando por causa destas a\u00e7\u00f5es no territ\u00f3rio. Isto \u00e9 lament\u00e1vel\u2014 diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Suas advert\u00eancias coincidem com o que outras pessoas est\u00e3o denunciando.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014Isso \u00e9 s\u00e9rio porque \u00e9 uma cadeia de montanhas jovem e muito fr\u00e1gil. Estes s\u00e3o solos fracos. Se forem carregados com \u00e1gua, eles desmoronam. <strong>A minera\u00e7\u00e3o ilegal afetou n\u00e3o apenas a biodiversidade, h\u00e1 tamb\u00e9m a deteriora\u00e7\u00e3o social, tem prejudicado as fam\u00edlias<\/strong>\u2014 diz outra pessoa que a vivenciou em primeira m\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 alguns meses, com o acompanhamento de soldados do Batalh\u00e3o de Alta Montanha N\u00ba 3 do Ex\u00e9rcito, Erazo conseguiu alcan\u00e7ar um dos picos mais altos dos Farallones. Em um percorrido de apenas um quil\u00f4metro, ele viu cinco minas. As imagens que ele tirou mostram os buracos deixados pela extra\u00e7\u00e3o do ouro, que de cima parecem manchas de argila circundadas pelo que os especialistas chamam de manchas da lua, lagos contaminados com merc\u00fario e cianeto. S\u00e3o solos irrecuper\u00e1veis, como as feridas que se apodrecem na terra, a Pachamama que Jaime Monge lutou tanto para proteger.<\/p>\n\n\n\n<p>O que as autoridades est\u00e3o fazendo? Em maio de 2020, o Ex\u00e9rcito, com o apoio dos Parques Nacionais, contou oito pessoas naquele m\u00eas que tinham sido pegas supostamente extraindo ouro ilegalmente em uma \u00e1rea protegida. No final do ano, o ex\u00e9rcito alegou ter capturado o &#8220;principal l\u00edder&#8221; da minera\u00e7\u00e3o ilegal nos Farallones. No entanto, hoje ele \u00e9 livre, como os outros capturados. Isto foi reconhecido pelo Tenente Coronel Andr\u00e9s Valencia Vel\u00e1squez, comandante do Batalh\u00e3o de Alta Montanha, em um debate de controle pol\u00edtico que a vereadora Erazo citou em 7 de dezembro. <strong>O oficial disse neste cen\u00e1rio que esta situa\u00e7\u00e3o ocorreu porque na Col\u00f4mbia n\u00e3o h\u00e1 crime para aqueles que n\u00e3o s\u00e3o pegos em uma mina em flagrante delito.<\/strong> &#8220;Deixamos livres e temos que recaptur\u00e1-los. H\u00e1 pessoas que j\u00e1 prendemos quatro, cinco e at\u00e9 seis vezes, infelizmente&#8221;, disse. Sobre a declara\u00e7\u00e3o do oficial, valeria a pena acrescentar que, embora seja verdade que n\u00e3o h\u00e1 nenhum tipo de crime que permita parar essas atividades, exceto nos casos de flagrante delito, existem crimes consagrados contra o meio ambiente.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cDeixamos livres e temos que recaptur\u00e1-los. H\u00e1 pessoas que j\u00e1 prendemos quatro, cinco e at\u00e9 seis vezes, infelizmente\u201d<\/p><cite>Tenente Coronel Andr\u00e9s Valencia Vel\u00e1squez, comandante do Batalh\u00e3o de Alta Montanha<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Controlar uma \u00e1rea t\u00e3o robusta e inacess\u00edvel \u00e9 uma tarefa complexa. A mais de 3.200 metros acima do n\u00edvel do mar, at\u00e9 mesmo as comunica\u00e7\u00f5es do Ex\u00e9rcito s\u00e3o interrompidas. As baixas temperaturas n\u00e3o s\u00e3o um problema menor para os soldados acampados ali. E n\u00e3o h\u00e1 muitos deles em Alto del Buey. Apenas quinze soldados protegem a \u00e1rea onde se encontram as Minas do Socorro. Esta for\u00e7a tem duas outras unidades com o mesmo n\u00famero de homens, al\u00e9m de um ponto de controle nas \u00e1reas baixas.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E esta n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o nova. A minera\u00e7\u00e3o ilegal vem ocorrendo h\u00e1 mais de cem anos, de acordo com os camponeses. Vale ressaltar que na Col\u00f4mbia, desde 1977, \u00e9 proibido desenvolver qualquer tipo de atividade de minera\u00e7\u00e3o nas \u00e1reas do Sistema de Parques Nacionais, de acordo com o artigo 30 do Decreto 622 de 1977.<\/p>\n\n\n\n<p>Os Farallones tamb\u00e9m foram um lugar onde ocorreu uma parte importante do conflito colombiano. A guerrilha do ELN, as Farc e as Autodefesas Unidas da Col\u00f4mbia dominaram o territ\u00f3rio at\u00e9 meados da d\u00e9cada de 2000, quando foi fundado o Batalh\u00e3o de Alta Montanha. Muitos lembram que os Farallones foram usados como rota de fuga pelas Farc no sequestro e 12 deputados do Vale do Cauca em 2002 e como cen\u00e1rio das marchas \u00e0s quais os ref\u00e9ns foram for\u00e7ados, onze dos quais foram mortos pela guerrilha cinco anos depois. Ap\u00f3s a assinatura do Acordo de Paz entre o governo e a agora desmobilizada guerrilha das Farc em 2016, os paramilitares voltaram aos Farallones com maior for\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta parte da cordilheira h\u00e1 in\u00fameras entradas e sa\u00eddas que levam ao Pac\u00edfico colombiano. S\u00e3o estradas e rotas labir\u00ednticas que a guerrilha conhecia bem e que os novos grupos agora dominam.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014Perseguir algu\u00e9m aqui \u00e9 muito dif\u00edcil, eles entram por um lado e pelo outro sem que o ex\u00e9rcito perceba. Aqui voc\u00ea \u00e9 facilmente enganado. <strong>Aqueles que n\u00e3o s\u00e3o daqui perdem-se. Por outro lado, quando voc\u00ea j\u00e1 viu um &#8220;diabo&#8221; se perder? Nunca<\/strong>\u2014, diz um habitante da comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;As estrat\u00e9gias de camuflagem para a minera\u00e7\u00e3o ilegal tamb\u00e9m mudaram ao longo dos anos.<strong> Alguns dos consultados dizem que os lucros do ouro at\u00e9 mudaram a propriedade da terra.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014O ouro move o dinheiro e o dinheiro move a terra. Se existe um neg\u00f3cio de ouro aqui, eles compram uma fazenda, a colocam em produ\u00e7\u00e3o, plantam algumas coisas, \u00e9 uma forma de camuflagem. Enquanto isso, eles se protegem. Parques Nacionais, por sua vez, confisca madeira o tempo todo, que \u00e9 movimentada \u00e0 noite e ao amanhecer. <strong>Durante esses per\u00edodos de controle pelas autoridades, esses novos propriet\u00e1rios de fazendas come\u00e7am a cultivar e passam por camponeses. <\/strong>E quando todos saem, eles v\u00e3o at\u00e9 a mina. \u00c9 a mesma t\u00e1tica utilizada pelos guerrilheiros. Quando o ex\u00e9rcito chegava, eles pegavam a enxada e mantinham as armas debaixo da terra\u2014 diz um homem da regi\u00e3o de Farallones.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-3 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Farallones1-768x1024.jpg\" alt=\"\" data-id=\"4647\" data-link=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/es\/index.php\/2021\/04\/09\/jaime-monge-la-sangre-derramada-sobre-la-pachamama\/farallones1\/\" class=\"wp-image-4647\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211408\/Farallones1-768x1024.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211408\/Farallones1-225x300.jpg 225w, 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class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Farallones3-1-1024x768.jpg\" alt=\"\" data-id=\"4653\" data-full-url=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Farallones3-1-scaled.jpg\" data-link=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/es\/index.php\/2021\/04\/09\/jaime-monge-la-sangre-derramada-sobre-la-pachamama\/farallones3-1\/\" class=\"wp-image-4653\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211359\/Farallones3-1-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211359\/Farallones3-1-300x225.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211359\/Farallones3-1-768x576.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211359\/Farallones3-1-1536x1152.jpg 1536w, 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En casi 197.000 hect\u00e1reas hay picos que alcanzan los 4.100 metros sobre el nivel del mar. Es, adem\u00e1s, una f\u00e1brica de agua. All\u00ed nacen 30 r\u00edos y 84 quebradas. La entrada a este santuario est\u00e1 a solo 15 minutos de Cali. Fotos: Jos\u00e9 Guarnizo.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">**<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 vinte anos, quando Alexandra Monge estava na s\u00e9tima s\u00e9rie, ela foi para Villacarmelo, onde seu pai morava sozinho, para que a ajudasse com uma experi\u00eancia de f\u00edsica que estava prevista para o dia seguinte.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Jaime, que anos antes em Cali tinha trabalhado em eletr\u00f4nica, consertando televisores e r\u00e1dios, construiu uma casa de madeira miniatura naquela noite. Alexandra se lembra dela como uma estrutura sofisticada em cujas salas as l\u00e2mpadas eram ligadas gra\u00e7as aos vidros e \u00edm\u00e3s.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir daquele dia, Alexandra soube que seu pai era um inventor recursivo e autodidata que lia tudo desde a hist\u00f3ria universal at\u00e9 a f\u00edsica e a biologia, e que tinha um cora\u00e7\u00e3o de explorador incorrig\u00edvel. <strong>Seus cinco filhos sempre se lembram de que o plano para o qual ele os convidava era caminhar nas montanhas. Uma vez Jaime foi acampar com um irm\u00e3o em um pico alto e frio.<\/strong> Quando estavam prestes a dormir, em temperaturas geladas, perceberam que tinham esquecido seus cobertores e jaquetas. Jaime, em poucos minutos, fez colchas de folhas que encontrou na floresta. Hoje a fam\u00edlia ri quando se lembra de que eles dormiram mais quente naquele dia do que se tivesse tido calefa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Vinte e cinco anos atr\u00e1s, muitos n\u00e3o entendiam a decis\u00e3o inesperada de Jaime de ir para uma selva que n\u00e3o tinha nada, quando em Cali ele tinha tudo: uma oficina, clientes, uma fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014N\u00f3s nos perguntamos por que uma mudan\u00e7a t\u00e3o abrupta, e eu acho que ele foi apresentado com algumas circunst\u00e2ncias espec\u00edficas e ent\u00e3o tomou decis\u00f5es. Desde crian\u00e7a, ele sempre procurou a natureza, ent\u00e3o aproveitou a oportunidade de adquirir aquela fazenda. Ele deixou sua outra vida para tr\u00e1s, seu neg\u00f3cio, e come\u00e7ou a moldar o projeto. Era o que ele sempre quis: viver em um ambiente onde houvesse ar fresco, diz Alexandra.<\/p>\n\n\n\n<p>A chegada de Jaime a Villacarmelo foi marcada por perguntas t\u00e3o existenciais quanto di\u00e1rias: &#8216;E agora? O que posso fazer para viver?&#8217; A partir do momento em que foi morar l\u00e1, ele come\u00e7ou a se envolver com a comunidade. Primeiro &#8211; e sem receber um centavo &#8211; foi professor de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica para as crian\u00e7as da escola local. <strong>Depois, os vizinhos come\u00e7aram a procur\u00e1-lo para dar inje\u00e7\u00f5es ou para consertar um transformador quando ficavam sem energia.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014Ele sempre teve uma grande habilidade para falar, para se expressar, gostava de ser escutado, tinha muitas ideias, lia muito. Mesmo n\u00e3o sendo muito bem estudado, falar com ele era um privil\u00e9gio, ele falava com voc\u00ea sobre os eg\u00edpcios, os sum\u00e9rios, sobre \u00e1rvores, plantas, e as pessoas perguntavam \u2018como era que ele sabia tanta coisa?\u2018 E a comunidade de l\u00e1 fez de meu pai uma refer\u00eancia. Eles diziam: &#8216;ele n\u00f3s entende e ajuda&#8217;, lembra sua filha. Jaime naturalmente se tornou um l\u00edder. No final, ele acabou lidando com os problemas do dia a dia dos vizinhos.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro problema de Jaime em Villacarmelo foi com a <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">guerrilha do ELN<\/span>, numa \u00e9poca em que eles andavam pela vila como se fossem os donos. H\u00e1 quinze anos, Jaime teve que deixar a fazenda com a ajuda do Comit\u00ea Internacional da Cruz Vermelha.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014Lembro-me daquele dia em eu o vi na Avenida Quinta, na sede da Cruz Vermelha, perto do mercado \u00c9xito (em Cali). Ele estava muito triste, desapontado. Recebeu ajuda e foi morar em outra cidade. A fazenda ficou s\u00f3 e um homem a invadiu, e ele teve que voltar, algum tempo depois, para recuper\u00e1-la\u2014 diz Alexandra.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando ele voltou, teve que come\u00e7ar do zero. Com seu filho Andr\u00e9s, ele foi para as <em>trochas <\/em>(trilhas ilegais), para conhec\u00ea-las. Para ver que possibilidades existiam para levar as pessoas a absorver a imensid\u00e3o e a riqueza dos Farallones. A ideia era fazer um ecoturismo consciente. Quando a guerrilha das Farc liberou a \u00e1rea com a assinatura do Acordo de Paz em 2016, Jaime j\u00e1 tinha se tornado um guia. Embora os turistas lhe pagassem pouco, as caminhadas serviram como treino. A selva era sua enciclop\u00e9dia. Ele se tornou um especialista em aves e \u00e1rvores, aliado \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o Asocampesina. Foi seu momento mais feliz, diz Alexandra. Grupos de escolas de Cali vieram \u00e0 Pachamama para receber oficinas e palestras. Alguns iam de bicicleta, outros acampavam.<\/p>\n\n\n\n<p>Jaime era nobre e mal-humorado. Ele ficava irritado quando lhe levavam sementes para plantar \u00e1rvores que n\u00e3o eram o que ele tinha pedido. <strong>&#8220;Senhor Jaime, mas n\u00f3s fizemos o que pod\u00edamos, n\u00e3o fique zangado&#8221;, diziam para ele. Ele respirava e depois ria. &#8220;Bem, vamos plantar isto e ver o que acontece&#8221;, respondia.<\/strong> As crian\u00e7as visitantes cavavam um buraco no ch\u00e3o e, enquanto se manchavam de lama, aprendiam sobre os tesouros ao redor da Pachamama.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Marina Torres era uma das amigas \u00edntimas de Monge. Ela diz que ele plantou 2.500 \u00e1rvores, incluindo guaduas, nogueiras, canelas de gar\u00e7a e carvalhos. Uma vez um homem cortou v\u00e1rios destes \u00faltimos para construir uma cabana e Jaime ficou furioso.<\/p>\n\n\n\n<p>Monge sentiu que seu discurso ambiental, que se opunha \u00e0 minera\u00e7\u00e3o e ao desmatamento, causava desconforto. E na \u00e1rea dizem que principalmente isso gerou uma rea\u00e7\u00e3o dos grupos armados que dirigem o neg\u00f3cio multimilion\u00e1rio da minera\u00e7\u00e3o de ouro nas partes altas das montanhas. Monge se entristecia pela contamina\u00e7\u00e3o dos rios e muitas vezes falou sobre isso com a comunidade<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Jaime-Monge-portada-ilustracion-Camila-Santafe-768x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4637\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211416\/Jaime-Monge-portada-ilustracion-Camila-Santafe-768x1024.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211416\/Jaime-Monge-portada-ilustracion-Camila-Santafe-225x300.jpg 225w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211416\/Jaime-Monge-portada-ilustracion-Camila-Santafe-1152x1536.jpg 1152w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211416\/Jaime-Monge-portada-ilustracion-Camila-Santafe-1536x2048.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211416\/Jaime-Monge-portada-ilustracion-Camila-Santafe-150x200.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211416\/Jaime-Monge-portada-ilustracion-Camila-Santafe-300x400.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211416\/Jaime-Monge-portada-ilustracion-Camila-Santafe-696x928.jpg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211416\/Jaime-Monge-portada-ilustracion-Camila-Santafe-1068x1424.jpg 1068w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19211416\/Jaime-Monge-portada-ilustracion-Camila-Santafe-scaled.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption>Jaime Monge. Ilustraci\u00f3n: Camila Santaf\u00e9.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>E eles o mataram. At\u00e9 fevereiro de 2021, as autoridades n\u00e3o tinham relatado nenhuma pris\u00e3o relacionada ao crime. O assassinato de Monge continua impune. Durante mais de um m\u00eas procuramos o Secret\u00e1rio de Governo de Cali, Jes\u00fas Dar\u00edo Gonz\u00e1lez, mas ele n\u00e3o respondeu sobre as a\u00e7\u00f5es das autoridades no caso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em Villacarmelo, os camponeses se mant\u00eam em sil\u00eancio para sua pr\u00f3pria seguran\u00e7a.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014Estamos em um pa\u00eds banhado pelo sangue daqueles que veem nos interesses da terra outros que n\u00e3o os naturais, que o veem como um modelo para o desenvolvimento econ\u00f4mico e n\u00e3o para a vida. Os movimentos sociais t\u00eam denunciado esta sistematiza\u00e7\u00e3o dos crimes. As v\u00edtimas s\u00e3o aquelas que est\u00e3o lutando nos territ\u00f3rios\u2014 diz a vereadora Ana Erazo, referindo-se a Oramas e Monge.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014N\u00f3s que conhecemos as quest\u00f5es ambientais em Cali sabemos que estes assassinatos t\u00eam a ver com conflitos pela terra, mas sobretudo por causa das constantes den\u00fancias de minera\u00e7\u00e3o ilegal no territ\u00f3rio. As investiga\u00e7\u00f5es t\u00eam de apontar nessa dire\u00e7\u00e3o. <strong>Eles denunciavam o que est\u00e1 acontecendo no parque natural e na comunidade. Jaime era uma pessoa que estava lutando devido aos impactos que os rios estavam sofrendo, o que era muito importante para ele<\/strong>\u2014acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra das fontes que conheceram Monge, que prefere manter seu nome confidencial por medo das consequ\u00eancias, fez esta reflex\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014Foi confirmado que na Col\u00f4mbia a defesa das florestas, dos p\u00e1ramos, dos rios e das zonas \u00famidas carrega um risco elevado. Por qu\u00ea? Por serem territ\u00f3rios cobi\u00e7ados, eles t\u00eam uma import\u00e2ncia estrat\u00e9gica do ponto de vista econ\u00f4mico. Os conflitos acontecem onde h\u00e1 riqueza, n\u00e3o onde o territ\u00f3rio \u00e9 pobre.<\/p>\n\n\n\n<p>O maior problema \u00e9 que o ouro \u00e9 ilegal nas montanhas, mas se torna legal na cidade. E Farallones, de Buenaventura a Cali, \u00e9 uma cordilheira de ouro.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014\u00c9 por isso que eles destru\u00edram o c\u00e2nion do rio Dagua extraindo ouro. Acabaram com o rio. Destru\u00edram o leito do rio, extraindo milh\u00f5es e milh\u00f5es de pesos\u2014 diz um especialista na \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Col\u00f4mbia, acrescenta o ambientalista que teve que deixar os Farallones h\u00e1 dez meses, matam aqueles que pensam, aqueles que falam.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014D\u00ea-lhe o nome que quiser: Gal\u00e1n, Gait\u00e1n, Pardo Leal. Ou os nomes dos l\u00edderes do campo, que d\u00e3o a cara, que t\u00eam ideias, que discutem e defendem o territ\u00f3rio, ou criticam o abuso da coloniza\u00e7\u00e3o ou a explora\u00e7\u00e3o de nosso meio ambiente. <strong>S\u00e3o eles que pensam, que t\u00eam voz. S\u00e3o eles que est\u00e3o morrendo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/eee.png\" alt=\"Tierra de Resistentes\" class=\"wp-image-3766\" width=\"100\" height=\"100\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211834\/eee.png 400w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211834\/eee-300x300.png 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211834\/eee-150x150.png 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 100px) 100vw, 100px\" \/><\/figure><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>El crimen de este l\u00edder ambiental en 2020 dej\u00f3 al descubierto que mafias del oro y la madera han venido explotando sin control el Parque Nacional Farallones de Cali, una f\u00e1brica de agua y ox\u00edgeno en el Pac\u00edfico colombiano.<\/p>\n","protected":false},"author":89,"featured_media":4637,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[262,261,46,259,258,257],"coauthors":[112,243,263],"class_list":{"0":"post-4636","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-colombia","8":"tag-cali","9":"tag-eln","10":"tag-fase-iii","11":"tag-madera","12":"tag-oro","13":"tag-parque-nacional-farallones"},"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.4 - 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