{"id":400,"date":"2019-10-30T03:00:00","date_gmt":"2019-10-30T03:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/tierra.jerrejerre.com\/es\/?p=400"},"modified":"2021-05-02T00:36:32","modified_gmt":"2021-05-02T00:36:32","slug":"el-secreto-que-la-mina-se-trago","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/2019\/10\/30\/el-secreto-que-la-mina-se-trago\/","title":{"rendered":"O segredo que a mina engoliu"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-color has-small-font-size\" style=\"color:#0f0f0f;max-width:830px;margin-top:0px;margin-bottom:68px\"><em><strong>Jos\u00e9 Tendetza foi um l\u00edder da etnia  shuar. Era um bravo opositor da minera\u00e7\u00e3o em sua terra, a Cordilheira do Condor, no sul do Equador. Ap\u00f3s cinco anos do assassinato do l\u00edder ambientalista, ainda n\u00e3o foi esclarecido quem foram os autores intelectuais e materiais do crime. <\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Descal\u00e7o e encostado a uma das paredes de sua casa de madeira, Carlos Tendetza fala de Jos\u00e9, seu irm\u00e3o morto. Atrav\u00e9s das rachaduras nas t\u00e1buas, o sol do meio-dia entra e marca com claro-escuro o celeste p\u00e1lido e o friso com desenhos de animais, n\u00fameros e rabiscos infantis na parede. Carlos Tendetza, de os cabelos pretos como petr\u00f3leo, a camisa listrada horizontalmente, as cal\u00e7as ocres &#8211; diz que ap\u00f3s o assassinato de seu irm\u00e3o usou ayahuasca, a planta medicinal sagrada dos povos amaz\u00f4nicos, e o viu novamente. Jos\u00e9 Tendetza apontava com seu dedo para um homem com botas amarelas e disse a Carlos: &#8220;Olhe, irm\u00e3o, foi ele quem me matou&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Cinco anos depois, em agosto de 2019, Carlos Tendetza disse que n\u00e3o sabia identificar quem estava usando essas botas. Em Tundayme, uma comunidade rural na Cordilheira do Condo onde convivem os \u00edndios Shuar e mesti\u00e7os, as botas amarelas se multiplicaram: n\u00e3o s\u00f3 s\u00e3o usadas pelos trabalhadores da empresa mineira <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">Ecuacorriente<\/span>, mas tamb\u00e9m pelos agricultores. Tundayme pertence \u00e0 localidade El Pangui, na prov\u00edncia de Zamora Chinchipe, no sul da Amaz\u00f4nia equatoriana. E a Tundayme pertencem, administrativamente, popula\u00e7\u00f5es rurais ainda menores, como a comunidade Numpaim San Carlos, a comunidade Churuwia e Yanua Kim, <strong>onde Jos\u00e9 Tendetza era o s\u00edndico (l\u00edder administrativo).<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"600\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/DSC02853.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-410\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212437\/DSC02853.jpg 900w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212437\/DSC02853-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212437\/DSC02853-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><figcaption>FOTO: DIEGO AYALA LE\u00d3N<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Assim como Tundayme e suas comunidades, dezenas de outras cidades <strong>t\u00eam um cintur\u00e3o de cobre que, segundo ministros e presidentes, empres\u00e1rios e investidores, \u00e9 o novo bilhete de ouro do Equador para a prosperidade<\/strong>: o primeiro projeto de minera\u00e7\u00e3o em grande escala do Equador, Mirador, est\u00e1 sendo explorado na regi\u00e3o. De acordo com uma nota informativa da Ag\u00eancia de Controle e Regulamenta\u00e7\u00e3o Mineira (<a href=\"http:\/\/www.controlminero.gob.ec\/ecuador-inaugura-la-mineria-industrial-con-el-proyecto-mirador\/\">Arcom<\/a>), <strong>a Ecuacorriente, a empresa respons\u00e1vel pelo projeto, ter\u00e1 que pagar ao Estado US$ 30 milh\u00f5es por ano em royalties provenientes da extra\u00e7\u00e3o principalmente de cobre, mas tamb\u00e9m de ouro, prata e molibd\u00eanio.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A explora\u00e7\u00e3o da Ecuacorriente &#8211; que tem capital chin\u00eas &#8211; come\u00e7ou com um teste de produ\u00e7\u00e3o de <a href=\"https:\/\/contenido.bce.fin.ec\/documentos\/Estadisticas\/Hidrocarburos\/ReporteMinero012019.pdf\">tr\u00eas milh\u00f5es de toneladas por ano<\/a>. A estimativa at\u00e9 2020 era de 15 milh\u00f5es. A partir de 2021, a explora\u00e7\u00e3o poderia chegar a 21 milh\u00f5es de toneladas de minerais por ano.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Apesar de todas as promessas, na superf\u00edcie, a pobreza n\u00e3o mudou muito, e os conflitos sociais se tornaram mais agudos<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Apesar de todas as promessas, na superf\u00edcie, a pobreza n\u00e3o mudou muito, e os conflitos sociais se tornaram mais agudos. <strong>Conforme ambientalistas e l\u00edderes comunit\u00e1rios, a minera\u00e7\u00e3o poderia causar efeitos negativos tais como envenenar as fontes de \u00e1gua, mudar o curso dos rios, desmatar florestas inteiras e at\u00e9 causar trag\u00e9dias<\/strong> como as de Brumadinho e Mariana no Brasil, onde o rompimento da barragem de minera\u00e7\u00e3o devastou vilarejos, matou centenas de pessoas e contaminou e acabou com rios.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 por isso que Jos\u00e9 Tendetza, o shuar que seu irm\u00e3o v\u00ea novamente em uma vis\u00e3o m\u00edstica, se op\u00f4s \u00e0 mina em sua terra. <strong>\u00c9 por isso, muitos acreditam, que Jos\u00e9 Tendetza foi morto.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"600\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/DSC02831.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-413\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212436\/DSC02831.jpg 900w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212436\/DSC02831-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212436\/DSC02831-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><figcaption>DURANTE TODO O DIA OS CAMINH\u00d5ES BASCULANTES E CAMINHONETES DA MINERADORA ENTRAM E SAEM DE TUNDAYME. FOTO DE DIEGO AYALA LE\u00d3N.<br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\">***<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>O assassinato de Jos\u00e9 Tendetza ainda est\u00e1 impune. A minera\u00e7\u00e3o \u00e0 qual ele tanto se op\u00f4s est\u00e1 avan\u00e7ando na regi\u00e3o. <\/strong>A fam\u00edlia de Jos\u00e9 Tendetza e as poucas pessoas que se lembram dele dizem que ele falava forte, era muito corajoso e capaz de persuadir e conscientizar sobre a defesa do territ\u00f3rio e a oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 minera\u00e7\u00e3o. &#8220;Ele n\u00e3o tinha estudos acad\u00eamicos, mas tinha capacidade de lideran\u00e7a&#8221;, diz Manuel S\u00e1nchez, um mesti\u00e7o membro da Comunidade Amaz\u00f4nica de A\u00e7\u00e3o Social da Cordilheira do Condor Mirador (Cascomi).<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio da d\u00e9cada de 2000, o pai de Manuel S\u00e1nchez lhe deu uma fazenda que ele possu\u00eda em Tundayme para que a vendesse e pagasse as d\u00edvidas que estavam o afogando, depois que sua loja de eletrodom\u00e9sticos faliu. Eram os tempos da maior crise econ\u00f4mica e social do Equador, gerando&nbsp; milh\u00f5es de emigrantes e deixando o pa\u00eds sem moeda pr\u00f3pria e com seu sistema financeiro quase extinto. <strong>&#8220;O \u00fanico comprador potencial era a empresa mineradora&#8221;<\/strong>, lembra S\u00e1nchez.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cNem eu nem outros propriet\u00e1rios recebemos um pagamento justo pela terra\u201d<\/p><cite>Manuel S\u00e1nchez.<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Pela fazenda, ele recebeu mil d\u00f3lares da empresa Ecuacorriente. Posteriormente, <strong>Manuel S\u00e1nchez falou com um amigo seu, que trabalhava nessa empresa e lhe informou que a empresa iria come\u00e7ar a extrair cobre, ouro, prata e outros materiais do subsolo. <\/strong>Ele recomendou que S\u00e1nchez lesse alguns documentos do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente. Quando os leu, ele se sentiu enganado. &#8220;Nem eu nem outros propriet\u00e1rios recebemos um pagamento justo pela terra&#8221;, diz ele.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A partir desse momento, S\u00e1nchez come\u00e7ou a defender mais os direitos dos propriet\u00e1rios das terras de Tundayme. &#8220;Todos concordavam comigo, mas ningu\u00e9m apresentava uma solu\u00e7\u00e3o&#8221;, disse ele. <strong>Em 2015, a empresa mineira Ecuacorriente demoliu a escola, a capela e as casas da comunidade de <a href=\"https:\/\/gk.city\/2019\/07\/04\/proyecto-mirador-mineria-ecuador\/\">San Marcos<\/a> para construir dep\u00f3sitos para os res\u00edduos da mina<\/strong>. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"600\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/DSC02975-grande-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2121\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19212149\/DSC02975-grande-1.jpg 900w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19212149\/DSC02975-grande-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19212149\/DSC02975-grande-1-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><figcaption>AO LONGO DA ESTRADA QUE LEVA PARA TUNDAYME N\u00c3O H\u00c1 PLANTIOS. FOTOGRAFIA DE DIEGO AYALA LE\u00d3N.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Em sua luta, Manuel conheceu Jos\u00e9 Tendetza. Em suas falas nas reuni\u00f5es, Jos\u00e9 advertiu as pessoas sobre o que poderia acontecer, e o que a empresa estava fazendo na comunidade. Manuel disse que ap\u00f3s v\u00e1rias discuss\u00f5es, <strong>Jos\u00e9 Tendetza entendeu que mesti\u00e7os e shuar tinham que lutar juntos<\/strong>. Se eles lutarem l\u00e1, e n\u00f3s lutarmos aqui, n\u00e3o conseguiremos alcan\u00e7ar nossos objetivos, ele entendeu e aceitou isso, disse Manuel.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014Uma pessoa humilde, mas corajosa, diz S\u00e1nchez em um s\u00e1bado de feira em Gualaquiza.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Por seu assassinato havia dois homens sob investiga\u00e7\u00e3o, mas eles foram absolvidos.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Por seu assassinato havia dois homens sob investiga\u00e7\u00e3o, mas eles foram absolvidos. <strong>Ningu\u00e9m sabe quem estrangulou at\u00e9 a morte o l\u00edder shuar<\/strong> da comunidade Yanua Kim, vice-presidente da Federa\u00e7\u00e3o Shuar de Zamora, militante ativo da Confedera\u00e7\u00e3o de Nacionalidades Ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia Equatoriana e da Confedera\u00e7\u00e3o de Nacionalidades Ind\u00edgenas do Equador, e palestrante do Tribunal Internacional dos Direitos da Natureza, mas n\u00e3o chegou a Lima.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando morreu, Jos\u00e9 Tendetza tinha 49 anos e sete filhos com Carlota Mar\u00eda Ushap. Em 2008, eles se separaram: ela come\u00e7ou a trabalhar na Ecuacorriente, e Jos\u00e9 Tendetza n\u00e3o gostou disso. Jos\u00e9 Tendetza nasceu em Yanua Kim, outra pequena cidade na Cordilheira do Condor, na prov\u00edncia de Zamora Chinchipe, a mais de seiscentos quil\u00f4metros de Quito, a capital do Equador. No dia de sua morte, 29 de novembro de 2014, Jos\u00e9 Tendetza estava voltando para Yanua Kim.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns dias depois, ele planejava viajar para Lima e participar do Tribunal Internacional dos Direitos da Natureza, no \u00e2mbito da Confer\u00eancia Internacional sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica (COP20), realizada na capital peruana nos dias 5 e 6 de dezembro de 2014. Ele tinha sido convidado por organiza\u00e7\u00f5es de direitos da natureza. Mas Jos\u00e9 Tendetza nunca entrou naquele avi\u00e3o. <strong>Jos\u00e9 Tendetza nem sequer chegou a Yanua Kim.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"600\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Copia-de-DSC03041.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4105\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/19211734\/Copia-de-DSC03041.jpg 900w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/19211734\/Copia-de-DSC03041-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/19211734\/Copia-de-DSC03041-768x512.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/19211734\/Copia-de-DSC03041-150x100.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/19211734\/Copia-de-DSC03041-696x464.jpg 696w\" sizes=\"auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><figcaption><em>FOTO: DIEGO AYALA LE\u00d3N<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Sua morte foi o in\u00edcio do lento decl\u00ednio da resist\u00eancia contra a minera\u00e7\u00e3o na \u00e1rea.<\/strong> Seus irm\u00e3os dizem que onde quer que houvesse assembleias contra a minera\u00e7\u00e3o, Jos\u00e9 Tendetza estava presente. Ele era um agricultor de m\u00e3os duras e temperamento ainda mais forte. Seu irm\u00e3o Alfonso se lembra de quando Jos\u00e9 viu alguns funcion\u00e1rios da Ecuacorriente em frente a sua comunidade fazendo medi\u00e7\u00f5es para come\u00e7ar a pavimentar a estrada. Jos\u00e9 Tendetza se aproximou deles e sem dizer nada tirou o capacete de um deles, jogou-o no ch\u00e3o e o quebrou com uma grande pedra. &#8220;Ficou em peda\u00e7os&#8221;, diz Alfonso Tendetza. <strong>Antes de tornar-se um l\u00edder, Jos\u00e9 Tendetza trabalhou na mina de 2002 a 2006.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mas Jos\u00e9 Tendetza n\u00e3o quis continuar na ind\u00fastria do cobre. <strong>Ele preferiu ca\u00e7ar e pescar no rio<\/strong>, como todos os idosos de sua fam\u00edlia, e como eles, ele s\u00f3 completou o ensino prim\u00e1rio. Para participar nas assembleias contra a minera\u00e7\u00e3o &#8211; em Quito, Puyo, Loja ou Cuenca, todas as cidades a centenas de quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia &#8211; ele vendia as bananas, o milho e a papaia que plantava. <strong>Com o pouco que ele arrecadava, ele viajava.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Os dados s\u00e3o incertos porque, no julgamento pela sua morte, uma testemunha declarou que Tendetza n\u00e3o estava na reuni\u00e3o.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Naquele dia, ele estava voltando de Gualaquiza, uma cidade da prov\u00edncia de Morona Santiago. Segundo sua fam\u00edlia, estava voltando de uma reuni\u00e3o com a Associa\u00e7\u00e3o Shuar da comunidade Bomboiza e a Ag\u00eancia de Controle e Regulamenta\u00e7\u00e3o Mineira (Arcom). Os dados s\u00e3o incertos porque, no julgamento pela sua morte, uma testemunha declarou que Tendetza n\u00e3o estava na reuni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014O dia estava ensolarado e de repente choveu, lembra Alfonso Tendetza. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Duas testemunhas disseram no julgamento que o viram pela estrada que leva para as comunidades e que atr\u00e1s dele ia um homem de botas amarelas, funcion\u00e1rio da empresa mineira<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Jos\u00e9 Tendetza desceu da rancheira, um \u00f4nibus rudimentar sem portas nem janelas, em Chuchumbletza, muito perto de Yanua Kim. Aqueles que o viram descer afirmaram que ele n\u00e3o tinha dinheiro para pagar e disse ao motorista que ia ficar devendo. Yanua Kim fica a quarenta e cinco minutos caminhando. <strong>Duas testemunhas disseram no julgamento que o viram pela estrada que leva para as comunidades e que atr\u00e1s dele ia um homem de botas amarelas, funcion\u00e1rio da empresa mineira, mas n\u00e3o sabiam quem ele era. Essa foi a \u00faltima vez que algu\u00e9m o viu vivo. Ele nunca chegou.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em Yanua Kim, as pessoas come\u00e7aram a dizer que talvez ele se tivesse perdido no caminho de volta, mas seu irm\u00e3o Alfonso n\u00e3o acreditou. &#8220;Somente crian\u00e7as se perdem&#8221;, ele se lembra.&nbsp; Seus sobrinhos n\u00e3o estavam muito preocupados porque seu pai Jos\u00e9 Tendetza tinha muitos amigos em Gualaquiza, e \u00e0s vezes ele ficava e bebia chicha com eles. A verdade \u00e9 que a espera de 45 minutos j\u00e1 tinha se transformado em horas, e as horas em dias. <strong>Sua fam\u00edlia soube que ele estava morto, enterrado e marcado como um corpo n\u00e3o identificado, apenas quatro dias depois.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\"><strong>*** <\/strong><\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"600\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/DSC02945.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2120\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19212149\/DSC02945.jpg 900w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19212149\/DSC02945-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19212149\/DSC02945-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><figcaption><em>FOTO: DIEGO AYALA LE\u00d3N<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\">***<\/h2>\n\n\n\n<p>Na manh\u00e3 de dois de dezembro de 2014,&nbsp; um homem passando pela ponte sobre o rio Zamora, que une Tundayme a Chuchumbletza, viu algo flutuando no rio e pensou que era um porco morto. Ele chamou outros vizinhos para resgat\u00e1-lo e ass\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas ao se aproximarem em um pequeno barco de madeira, perceberam que n\u00e3o era um animal para alimentar-se, mas sim uma pessoa. <strong>Era o corpo de Jos\u00e9 Tendetza. A ponte sob a qual ele foi encontrado foi constru\u00edda pela Ecuacorriente entre 2014 e 2016.<\/strong> Nenhuma das pessoas que o encontraram o reconheceu.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas Alfonso n\u00e3o acredita neles e diz <strong>que eles fingiram n\u00e3o saber quem era<\/strong>. O corpo foi levado para um hospital pr\u00f3ximo, onde foi marcado como NN e enterrado no mesmo dia, no cemit\u00e9rio de outro pequeno vilarejo da prov\u00edncia, El Pangui. &#8220;Eles o enterram como se ele n\u00e3o tivesse fam\u00edlia&#8221;, diz Alfonso com uma voz cheia de raiva.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cSua luta pelo respeito aos direitos territoriais da floresta n\u00e3o \u00e9 compartilhada por toda a popula\u00e7\u00e3o local\u201d<\/p><cite>Roberto Narv\u00e1ez.<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Roberto Narvaez, o especialista que fez um estudo do ambiente cultural e social da comunidade Yanua Kim como parte da investiga\u00e7\u00e3o do assassinato de Jos\u00e9 Tendetza, diz que <strong>o corpo do l\u00edder shuar foi achado em estado de decomposi\u00e7\u00e3o e, portanto, ningu\u00e9m o reconheceu<\/strong>. Ele tamb\u00e9m diz que, a partir da cosmovis\u00e3o shuar, a lideran\u00e7a de Jos\u00e9 Tendetza estava crescendo e era reconhecida n\u00e3o apenas em sua comunidade, mas na regi\u00e3o da Cordilheira do Condor. &#8220;Sua luta pelo respeito aos direitos territoriais da floresta n\u00e3o \u00e9 compartilhada por toda a popula\u00e7\u00e3o local&#8221;, explica Narv\u00e1ez, <strong>porque muitos dos habitantes da \u00e1rea trabalham na grande empresa mineradora, Ecuacorriente, ou em outras menores.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\">***<\/h2>\n\n\n\n<p>\u00c9 a primeira segunda-feira de setembro de 2019 e alguns jovens caminham por Tundayme com envelopes e pastas esperando conseguir um emprego na empresa de minera\u00e7\u00e3o. Seus sotaques t\u00eam mais import\u00e2ncia do que suas palavras: eles s\u00e3o da costa e das montanhas, vieram de longe. Esta n\u00e3o \u00e9 a primeira vez na hist\u00f3ria c\u00edclica &#8211; reciclada? &#8211; equatoriana que <strong>o que est\u00e1 sob a terra impulsiona a migra\u00e7\u00e3o interna.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio da d\u00e9cada de 60, milhares pessoas de Loja se mudaram para o norte da Amaz\u00f4nia equatoriana para fazer parte do boom petrol\u00edfero equatoriano. Foram tantos que a cidade que fundaram se chama Nueva Loja &#8211; embora, seu nome original fosse Lago Agrio, em homenagem a Sour Lake, a cidade texana onde pela primeira vez, no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, foi explorado o primeiro po\u00e7o de petr\u00f3leo da Texaco, a mesma empresa que est\u00e1 operando no Equador.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>No come\u00e7o era o petr\u00f3leo bruto; hoje, milhares de anos depois, \u00e9 o cobre.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>No come\u00e7o era o petr\u00f3leo bruto; hoje, milhares de anos depois, \u00e9 o cobre. O cobre foi o metal que os seres humanos usaram pela primeira vez, h\u00e1 dez mil anos. No in\u00edcio da minera\u00e7\u00e3o de cobre, nas minas hisp\u00e2nicas da pr\u00e9-hist\u00f3ria, os mineiros retiravam o cobre misturado com ars\u00eanico, que era solicitado pelos povos do Mediterr\u00e2neo oriental.<\/p>\n\n\n\n<p>No s\u00e9culo XXI, o cobre \u00e9 um deus: ele est\u00e1 em toda parte. Est\u00e1 nos telefones celulares com que falamos, nos fios pelos quais passa a eletricidade (15% mais r\u00e1pido que o alum\u00ednio), nos tubos por onde passa a \u00e1gua, nos dispositivos intrauterinos que impem a reprodu\u00e7\u00e3o, nas moedas que continuam se multiplicando, nas colheres que colocamos na boca, nos m\u00f3veis onde tiramos uma soneca, na maquiagem com que escondemos imperfei\u00e7\u00f5es, nas pinturas com que cobrimos nossas paredes e nos fungicidas com que matamos pragas. O cobre pode ser misturado com ouro e bronze para fazer as joias que penduram de nossas orelhas, pesco\u00e7os, pulsos e dedos.<\/p>\n\n\n\n<p>No princ\u00edpio, era o norte. Hoje \u00e9 o sul. A extra\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias primas nos percorre como uma cruz. A Cordilheira do Condor \u00e9 seu G\u00f3lgota, <strong>onde opera a Ecuacorriente, que embora seja a subsidi\u00e1ria equatoriana da empresa canadense Corriente Resources Inc., \u00e9 controlada pela China Railway Construction Corporation e pelo grupo chin\u00eas Tongling Nonferrous Metals.<\/strong> No pa\u00eds, a <a href=\"https:\/\/www.fidh.org\/IMG\/pdf\/Resumen-Ejecutivo-Intervencion-Minera.pdf\">Corriente Resources Inc<\/a> tamb\u00e9m tem como subsidi\u00e1rias a ExplorCobres S.A-EXSA, a Hidrocruz S.A e a PuertoCobre S.A.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"600\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/DSC03030.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-417\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212435\/DSC03030.jpg 900w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212435\/DSC03030-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212435\/DSC03030-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><figcaption><em>FOTO: DIEGO AYALA LE\u00d3N<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>com os tanques n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de se v\u00e3o se romper, como em Mariana ou Brumadinho, mas quando.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A explora\u00e7\u00e3o de mineiros em Mirador durar\u00e1 trinta anos, e o contrato garante a renova\u00e7\u00e3o. As <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">atividades de explora\u00e7\u00e3o<\/span> come\u00e7aram em julho de 2019, <a href=\"https:\/\/therightsofnature.org\/wp-content\/uploads\/Caso-Condor-Mirador.pdf\">sete anos ap\u00f3s da concess\u00e3o ter sido assinada<\/a>. <strong>Ser\u00e1 a c\u00e9u aberto, um tipo de minera\u00e7\u00e3o em grande escala na qual a explora\u00e7\u00e3o \u00e9 feita de forma descendente<\/strong>: escava\u00e7\u00f5es de 300 a 500 metros de profundidade s\u00e3o realizadas para extrair os minerais. Para cada tonelada de cobre obtida, duas toneladas de res\u00edduos (como pedras e areia) s\u00e3o geradas e que acabam em um tanque de rejeitos. Ad\u00e1n Guzm\u00e1n, professor de minera\u00e7\u00e3o da Universidade Central, em seu min\u00fasculo escrit\u00f3rio cheio de colunas de teses e livros, explica que <strong>um tanque de rejeitos \u00e9 uma esp\u00e9cie de piscina que tem drenagem em sua base e \u00e9 feita com impermeabiliza\u00e7\u00e3o para que as subst\u00e2ncias nela contidas n\u00e3o saiam<\/strong>. Mirador recebe detritos mo\u00eddos para serem reutilizados no caso de terem cobre. Os res\u00edduos l\u00edquidos da \u00e1gua que vem do solo, chamados lixiviados, tamb\u00e9m chegam ao tanque.&nbsp; Um tanque de rejeitos cresce gradualmente, podendo atingir 170 ou 200 metros de altura.&nbsp; Alguns especialistas que dizem que com os tanques n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de se v\u00e3o se romper, como em Mariana ou Brumadinho, mas quando.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\">***<\/h2>\n\n\n\n<p>Um conjunto de chamadas foi a \u00fanica prova que a acusa\u00e7\u00e3o teve para apontar <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">Guido Yankur<\/span> e <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">Carlos Benito Unup<\/span> como os poss\u00edveis culpados da morte de Jos\u00e9 Tendetza. <strong>Em maio de 2016, ambos foram absolvidos do crime de assassinato de Jos\u00e9 Tendetza.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quando eles foram presos, ambos eram trabalhadores de campo na Ecuacorriente. &#8220;Ambos ainda est\u00e3o trabalhando na empresa de minera\u00e7\u00e3o&#8221;<\/strong>, diz Alfonso Tendetza. Em algumas ocasi\u00f5es, quando Alfonso vai a Gualaquiza para vender ayampacos (um prato t\u00edpico de peixe de rio enrolado em folhas da maranta charuto, junto com cebolas picadas que \u00e9 cozido a lenha), ele j\u00e1 os viu, mas n\u00e3o sabe mais nada deles. &#8220;Apesar de os ter procurado insistentemente &#8211; em Tundayme, por telefone, atrav\u00e9s de seus conhecidos \u2013 tem sido imposs\u00edvel encontr\u00e1-los.<\/p>\n\n\n\n<p>Vicente Romero, um morador de Tundayme, testemunhou na investiga\u00e7\u00e3o criminal e <strong>disse que Yankur o chamou em 29 de novembro de 2014 para avis\u00e1-lo de que Jos\u00e9 Tendetza tinha sido morto<\/strong>, embora a not\u00edcia da morte de Jos\u00e9 Tendetza s\u00f3 fosse conhecida tr\u00eas dias depois, quando seu corpo foi encontrado no rio Zamora. De acordo com um relat\u00f3rio da operadora telef\u00f4nica, a chamada foi feita do telefone celular do Guido Yankur. <strong>Outra testemunha, Angel Tsukanka, afirmou que Unup lhe disse que Jos\u00e9 foi obrigado a sofrer e que ele foi morto entre cinco pessoas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mas Guido Yankur e Carlos Benito Unup se defenderam dizendo que, de 21 de novembro a 5 de dezembro de 2014, estiveram de f\u00e9rias durante 15 dias em suas casas. Yankur na comunidade de Campana Etnsa; Unup na comunidade shuar Jaime Narv\u00e1ez. Yankur disse que no dia da morte de Jos\u00e9 Tendetza, sua esposa estava doente e um curandeiro estava cuidando dela. Unup disse que durante aqueles 15 dias de f\u00e9rias, ele estava dedicado \u00e0 agricultura em suas terras com sua fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>A cabe\u00e7a, o rosto, a boca, as orelhas, o nariz, os bra\u00e7os, as pernas, o t\u00f3rax, o abd\u00f4men, a p\u00e9lvis estavam em estado de putrefa\u00e7\u00e3o. No dia anterior, o filho mais velho de Jos\u00e9 Tendetza, Jorge, chegou a Yantzaza para reconhecer o corpo. Seus outros filhos, os irm\u00e3os e a m\u00e3e do l\u00edder shuar, tamb\u00e9m chegaram. <strong>A aut\u00f3psia determinou asfixia por estrangulamento<\/strong>, e certifica que o corpo de Jos\u00e9 foi introduzido na \u00e1gua quando ele j\u00e1 estava morto. O relat\u00f3rio do especialista explica que ele foi amarrado na cintura e pesco\u00e7o a uma \u00e1rvore ou algo grande com uma corda azul. Alfonso conta que se podia dizer que se tratava de uma corda nova.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>processo judicial disse que a investiga\u00e7\u00e3o conduzida pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico sobre a morte de Jos\u00e9 Tendetza n\u00e3o tinha dire\u00e7\u00e3o, nem era uma investiga\u00e7\u00e3o eficiente.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Yankur esclarece que ele ligou para Romero, mas o fez em 1 de dezembro de 2014, <strong>n\u00e3o para o avisar, mas para lhe perguntar se era verdade que o corpo encontrado no rio era o de Jos\u00e9 Tendetza<\/strong>. De acordo com a investiga\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico, o chip do telefone de Carlos Benito Unup foi inserido no celular de Jos\u00e9. Com esse telefone celular, Carlos Benito Unup supostamente ligou para Fernando Israel Abad, M\u00e1ximo Alc\u00edvar, Tinitana Ben\u00edtez e Guido Yankur em 29 de novembro. O juiz que resolveu o processo judicial disse que a investiga\u00e7\u00e3o conduzida pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico sobre a morte de Jos\u00e9 Tendetza n\u00e3o tinha dire\u00e7\u00e3o, nem era uma investiga\u00e7\u00e3o eficiente. <strong>Como resultado,<\/strong> <strong>a inoc\u00eancia de ambos os homens foi reiterada.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O assassinato de Jos\u00e9 Tendetza continua sem solu\u00e7\u00e3o.<\/strong> A Comiss\u00e3o Ecum\u00eanica de Direitos Humanos (CEDHU), juntamente com a fam\u00edlia de Jos\u00e9 Tendetza, apresentou um relat\u00f3rio sobre o caso em julho de 2017 \u00e0 Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos, explicando as irregularidades da investiga\u00e7\u00e3o do assassinato. <strong>Dizem que a investiga\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico foi &#8220;deficiente e apressada&#8221;, que o que estava sendo investigado era um crime passional<\/strong>, porque Tendetza estava separado de sua esposa e n\u00e3o viviam juntos. Esse relat\u00f3rio ainda n\u00e3o foi lido, nem analisado pela CIDH, diz Patricia Carri\u00f3n, advogada da CEDHU.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Os advogados da CEDHU tamb\u00e9m questionam que, como parte das investiga\u00e7\u00f5es, n\u00e3o houve busca e apreens\u00e3o na casa nem no acampamento da empresa onde os suspeitos viviam<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Os advogados da CEDHU tamb\u00e9m questionam que, como parte das investiga\u00e7\u00f5es, n\u00e3o houve busca e apreens\u00e3o na casa nem no acampamento da empresa onde os suspeitos viviam. Pelo contr\u00e1rio: <strong>as autoridades invadiram a casa de Jos\u00e9 Tendetza em busca de provas<\/strong>. O caso tamb\u00e9m foi apresentado na <a href=\"http:\/\/repositorio.dpe.gob.ec\/handle\/39000\/2300\">Comiss\u00e3o da Verdade e da Justi\u00e7a<\/a> que preparou o relat\u00f3rio Perseguidos Pol\u00edticos Nunca Mais. Publicado em 2018, <strong>analisa todos os casos de persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica durante o governo de Rafael Correa contra defensores da natureza, dos direitos humanos, da liberdade de express\u00e3o, e os envolvidos na revolta policial de 30 de setembro de 2019<\/strong>. Mas a investiga\u00e7\u00e3o formal sobre o assassinato de Jos\u00e9 Tendetza foi encerrada. Ningu\u00e9m sabe quem matou Jos\u00e9 Tendetza. Ningu\u00e9m parece querer descobrir.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\"><strong>***<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Jos\u00e9 Tendetza pressentia sua morte. <\/strong>Alfonso Tendetza conta: &#8220;Uma vez, enquanto bebia um pouco de licor, ele disse &#8216;algu\u00e9m vai me matar&#8217;, mas ele disse que n\u00e3o tinha medo. Ele tamb\u00e9m disse que iria para outro pa\u00eds para denunciar as atividades da empresa mineradora. Jos\u00e9 era um sonhador&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Seu desaparecimento e morte o impediram de chegar ao Tribunal Internacional dos Direitos da Natureza em Lima, onde iria denunciar o projeto Mirador. &#8220;Mas lhe tiraram a vida&#8221;, disse Alfonso. A apresenta\u00e7\u00e3o que Jos\u00e9 Tendetza ia fazer foi feita por Luis Coral, outro defensor dos direitos. A advogada Patricia Carri\u00f3n, da CEDHU, disse que <strong>Mirador \u00e9 um caso emblem\u00e1tico de defesa ambiental: \u00e9 o primeiro de minera\u00e7\u00e3o em grande escala, &#8220;o maior, o de maior impacto e o de maior polui\u00e7\u00e3o e viola\u00e7\u00e3o dos direitos da natureza&#8221;<\/strong>, disse ela. Na investiga\u00e7\u00e3o do assassinato de Jos\u00e9 Tendetza, o especialista Roberto Narv\u00e1ez confirmou que o conflito social na Cordilheira do Condor \u00e9 alto devido \u00e0 falta de reconhecimento dos direitos da popula\u00e7\u00e3o shuar sobre seu territ\u00f3rio ancestral.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\"><strong>***<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"600\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/DSC02593.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-411\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212436\/DSC02593.jpg 900w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212436\/DSC02593-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212436\/DSC02593-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><figcaption>DESDE A CHEGADA DA EMPRESA ECUACORRIENTE, CHINESES, SHUAR E MESTI\u00c7OS CONVIVEM EM TUNDAYME. FOTO DE DIEGO AYALA LE\u00d3N.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Os caminh\u00f5es basculantes passam rapidamente e desaparecem na poeira que levantam. No centro de Tundayme, h\u00e1 casas de cimento de dois e tr\u00eas andares, rec\u00e9m pintadas, e algumas s\u00e3o anunciadas para venda em espanhol e chin\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00fanica rua principal h\u00e1 dois restaurante de comida chifa (chinesa com toque peruano) e outros restaurantes. S\u00e3o onze horas da manh\u00e3 do dia 2 de setembro de 2019. Delfa Placencia est\u00e1 limpando a entrada de um dos chifas, ela trabalha nesse lugar h\u00e1 um ano, recebe seu sal\u00e1rio b\u00e1sico e diz ter aprendido a preparar chaulafan e outros pratos asi\u00e1ticos.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Nossas exig\u00eancias, as da Cascomi, est\u00e3o no limbo&#8221;<\/p><cite>Manuel S\u00e1nchez.<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Outra residente de Tundayme, Mar\u00eda, diz que a mineradora Ecuacorriente lhe deu uma bolsa de estudos para estudar administra\u00e7\u00e3o de empresas em uma universidade de Cuenca, a maior cidade do sul do Equador. Mar\u00eda diz que n\u00e3o concorda com a explora\u00e7\u00e3o mineira, mas como tem a bolsa de estudos, n\u00e3o participou mais das reuni\u00f5es contra as atividades de minera\u00e7\u00e3o organizadas pela Cascomi. <strong>Maria diz que seu padrasto foi uma das pessoas despejadas da comunidade de San Marcos, que desapareceu. Aquele terreno \u00e9 onde est\u00e1 agora a piscina de rejeitos, de acordo com o plano do projeto Mirador. <\/strong>&#8220;Nossas exig\u00eancias, as da Cascomi, est\u00e3o no limbo&#8221;, diz Manuel S\u00e1nchez.<\/p>\n\n\n\n<p>Por causa da destrui\u00e7\u00e3o de San Marcos, Maria participou de uma marcha de protesto. <strong>Quando os funcion\u00e1rios da empresa descobriram, eles lhe tiraram a bolsa de estudos. Eles lhe devolveram com um aviso: ela deve apoiar as atividades de minera\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">-Vou desistir dos protestos at\u00e9 terminar meus estudos, diz ela.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>A empresa de minera\u00e7\u00e3o tem mais aprova\u00e7\u00e3o das pessoas j\u00e1 que tem as autoridades como aliadas<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, Cascomi continua lutando pelos direitos de seu territ\u00f3rio. A empresa de minera\u00e7\u00e3o tem mais aprova\u00e7\u00e3o das pessoas j\u00e1 que tem as autoridades como aliadas. <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">Luis Urdiales<\/span> \u00e9 o novo presidente do Conselho Paroquial de Tundayme desde mar\u00e7o de 2019. Ele tem um relacionamento muito pr\u00f3ximo com a empresa. <strong>Luis tem projetos de ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica para a comunidade, de adapta\u00e7\u00e3o do parque principal, de entrega de kits escolares e de promo\u00e7\u00e3o de empreendimentos para as pessoas que apoiam a explora\u00e7\u00e3o mineira. <\/strong>Urdiales disse que o projeto de minera\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 em andamento, e que opor-se a ele \u00e9 muito dif\u00edcil.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos escrit\u00f3rios de rela\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias da Ecuacorriente em Tundayme, os comunicadores Juan Ignacio Eguiguren e Hugo Jumbo responderam que n\u00e3o podem dar entrevistas sobre o caso de Jos\u00e9 Tendetza. Por e-mail, Dunia Armijos, coordenador de rela\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias, respondeu que <strong>n\u00e3o pode comentar a morte de Jos\u00e9 Tendetza porque n\u00e3o tem nada a ver com suas atividades ou responsabilidades.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\">***<\/h2>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;\u00c9 hora de dizer basta&#8221;<\/p><cite>Jos\u00e9 Tendetza.<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Um dos \u00faltimos registros gr\u00e1ficos de Jos\u00e9 Tendetza \u00e9 um <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=NonpLvmnImo\">v\u00eddeo<\/a> de dezembro de 2013. No meio de uma assembleia, ele diz ao p\u00fablico &#8220;\u00c9 hora de dizer basta&#8221;, referindo-se \u00e0s atividades de minera\u00e7\u00e3o da Ecuacorriente em Tundayme. Ap\u00f3s sua morte, a m\u00eddia nacional e internacional mostrou uma foto dele com um largo sorriso, que provavelmente nunca mostrou aos funcion\u00e1rios da Ecuacorriente ou a funcion\u00e1rios da ag\u00eancia de controle de minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Alfonso Tendetza diz que <strong>ap\u00f3s a morte de Jos\u00e9 Tendetza, nada mudou em Yanua Kim<\/strong>. O filho de Jos\u00e9 Jorge deixou a comunidade Yanua Kim antes de seu pai morrer. Outro de seus filhos morreu meses mais tarde. Maribel e Rosa Tendetza, as filhas de Jos\u00e9, ainda vivem na casa de bloco e telhas que pertencia a seu pai.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"600\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/DSC_0631.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-418\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212435\/DSC_0631.jpg 900w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212435\/DSC_0631-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212435\/DSC_0631-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><figcaption><em>FOTO: DIEGO AYALA LE\u00d3N<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Carlos Tendetza sustenta que ele \u00e9 o novo l\u00edder comunit\u00e1rio e contra a minera\u00e7\u00e3o, que tomou o lugar de seu irm\u00e3o assassinado, com quem aprendeu sobre leis e direitos de seu territ\u00f3rio. <strong>&#8220;Carlos n\u00e3o \u00e9 o l\u00edder comunit\u00e1rio. Ele s\u00f3 busca \u00e9 interesse pessoal, e isso n\u00e3o \u00e9 ser um l\u00edder&#8221;<\/strong>, diz seu irm\u00e3o Alfonso. &#8220;Carlos viaja para Quito e outros lugares, para pedir ajuda econ\u00f4mica para sua m\u00e3e, mas ele n\u00e3o lhe deu nada. Ele fica com tudo em nome de minha m\u00e3e&#8221;, diz o Tendetza mais velho.<\/p>\n\n\n\n<p>Rosa Ant\u00fan est\u00e1 sentada na pequena varanda de sua casa de madeira, os \u00fanicos que fazem barulho s\u00e3o dois cachorros pequenos e magros como um espeto que a acompanham, algumas galinhas que comem milho do ch\u00e3o de sua casa, e um par de patos que andam em volta de uma lagoa suja com uma ponte de ferro enferrujada, quando chove muito e a lagoa cresce. <strong>Rosa Ant\u00fan \u00e9 a m\u00e3e dos Tendetza<\/strong>, fala com uma mistura quase incompreens\u00edvel de shuar e espanhol, tem rugas na testa e ao redor de sua boca e tem as marcas geom\u00e9tricas em suas ma\u00e7\u00e3s do rosto das pinturas faciais de sua nacionalidade.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\">\u2014 <strong>Como podemos esquecer<\/strong>, diz Rosa Ant\u00fan.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando seu filho lhe disse que iria \u00e0 reuni\u00e3o em Bomboiza, Rosa Ant\u00fan lhe disse para n\u00e3o ir porque n\u00e3o tinha dinheiro. <strong>Ela sempre pensou que o dia 29 de novembro Jos\u00e9 Tendetza estava trabalhando na agricultura.<\/strong> Ela perguntou por ele \u00e0s quatro horas da tarde e foi informada de que ele n\u00e3o tinha retornado. \u00c0s seis horas, seu filho Alfonso veio perguntar-lhe por ele. Ele ainda n\u00e3o tinha retornado. As pessoas come\u00e7aram a dizer que ele estava perdido.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"600\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/DSC02803-grande.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-419\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212433\/DSC02803-grande.jpg 900w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212433\/DSC02803-grande-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19212433\/DSC02803-grande-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><figcaption>ROSA ANT\u00daN, A M\u00c3E DE JOS\u00c9 TENDETZA, VIVE SOZINHA EM UMA CASA DE MADEIRA. FOTO DE DIEGO AYALA LE\u00d3N.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\">***<\/h2>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;E assim eles querem que eu apoie a minera\u00e7\u00e3o&#8221;<\/p><cite>Alfonso Tendetza.<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Alfonso, o mais velho dos irm\u00e3os Tendetza, caminha com um fac\u00e3o na m\u00e3o, tem uma camisa azul manchada de lama e suor. Ele diz que n\u00e3o usa ayahuasca h\u00e1 muito tempo, mas em seus sonhos ele tamb\u00e9m viu seu irm\u00e3o assassinado. &#8220;Ele n\u00e3o me diz nada, ele est\u00e1 calmo, mas \u00e0s vezes sofre, porque n\u00e3o morreu de uma doen\u00e7a, mas porque tiraram sua vida&#8221;. Ele diz que, <strong>embora tenha ido \u00e0 empresa para pedir trabalho, sempre negam dizendo que s\u00f3 d\u00e3o trabalho a pessoas que est\u00e3o preparadas. Mas estas pessoas s\u00e3o de outras prov\u00edncias<\/strong>. &#8220;E assim eles querem que eu apoie a minera\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Alfonso.<\/p>\n\n\n\n<p>Na porta de sua casa, ele tem um banco de madeira com teto de zinco que queima por causa do sol amaz\u00f4nico. No banco, ele tem quatro cachos de bananas verdes, cada um \u00e9 vendido por um d\u00f3lar. Alfonso diz que tenta ajudar sua m\u00e3e, mas o dinheiro n\u00e3o \u00e9 suficiente. <strong>Quando Jos\u00e9 Tendetza era vivo, trazia alimentos ou lenha para sua m\u00e3e<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"600\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/DSC_0496.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2122\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19212148\/DSC_0496.jpg 900w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19212148\/DSC_0496-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19212148\/DSC_0496-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><figcaption>ALFONSO TENDETZA APONTA OS SINAIS DE PROPRIEDADE PRIVADA QUE A MINERADORA COLOCOU EM TORNO DE YANUA KIM. FOTO DE DIEGO AYALA LE\u00d3N.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>A mina divide a terra. A mina divide uma fam\u00edlia. A mina divide uma comunidade. A mina divide um pa\u00eds.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Carlos Tendetza diz que n\u00e3o viaja h\u00e1 muito tempo para Quito ou outros lugares para reuni\u00f5es contra a minera\u00e7\u00e3o, porque n\u00e3o tem dinheiro. Ele diz que mesmo assim, permanece firme na luta por seu territ\u00f3rio. Ele diz que a empresa oferece progresso, mas s\u00f3 d\u00e1 f\u00f3sforos, frangos, porquinhos-da-\u00cdndia&nbsp;e balas de doce. &#8220;Isso \u00e9 zombaria para pessoas que n\u00e3o sabem&#8221;, diz ele. Ele comenta que, apesar do que eles oferecem, n\u00e3o se deixa comprar. Segundo a Ecuacorriente, sete parentes de Jos\u00e9 Tendetza trabalham para a empresa.&nbsp; No final de setembro de 2019, funcion\u00e1rios da Ecuacorriente visitaram Yanua Kim para entregar vacas. Em um <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/watch\/?v=385534382115226\">v\u00eddeo<\/a>, Alfonso Tendetza aparece agradecendo \u00e0 empresa por sempre apoiar a comunidade e dizendo que o povo shuar \u00e9 dono da minera\u00e7\u00e3o. A mina divide a terra. A mina divide uma fam\u00edlia. A mina divide uma comunidade. A mina divide um pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/eee.png\" alt=\"Tierra de Resistentes\" class=\"wp-image-3766\" width=\"100\" height=\"100\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211834\/eee.png 400w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211834\/eee-300x300.png 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211834\/eee-150x150.png 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 100px) 100vw, 100px\" \/><\/figure><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Tendetza fue un l\u00edder del pueblo shuar. Era un rabioso opositor a la miner\u00eda en su tierra, en la Cordillera del C\u00f3ndor, al sur del Ecuador. Han pasado cinco a\u00f1os del  asesinato del l\u00edder ambiental y a\u00fan no se ha esclarecido qui\u00e9nes fueron los autores materiales e intelectuales del crimen.<\/p>\n","protected":false},"author":134,"featured_media":4095,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[4,44],"tags":[125,127,47,96,126],"coauthors":[131,122],"class_list":{"0":"post-400","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-ecuador","8":"category-reportajes","9":"tag-asesinato","10":"tag-ecuacorriente","11":"tag-fase-ii","12":"tag-mineria","13":"tag-mirador"},"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.4 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>O segredo que a mina engoliu<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/2019\/10\/30\/el-secreto-que-la-mina-se-trago\/\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Written by\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Mayuri Castro, GK\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. reading time\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"78 minutos\" \/>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"O segredo que a mina engoliu","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/2019\/10\/30\/el-secreto-que-la-mina-se-trago\/","twitter_misc":{"Written by":"Mayuri Castro, GK","Est. reading time":"78 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/en\/2019\/10\/30\/el-secreto-que-la-mina-se-trago\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/en\/2019\/10\/30\/el-secreto-que-la-mina-se-trago\/"},"author":{"name":"Mayuri Castro","@id":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/es\/#\/schema\/person\/7acc447500fec67d35b2c09639b52ee6"},"headline":"O segredo que a mina engoliu","datePublished":"2019-10-30T03:00:00+00:00","dateModified":"2021-05-02T00:36:32+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/en\/2019\/10\/30\/el-secreto-que-la-mina-se-trago\/"},"wordCount":15597,"commentCount":21,"publisher":{"@id":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/es\/#organization"},"image":{"@id":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/en\/2019\/10\/30\/el-secreto-que-la-mina-se-trago\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/19211735\/Copia-de-DSC02525.jpg","keywords":["asesinato","Ecuacorriente","Fase II","miner\u00eda","Mirador"],"articleSection":["Ecuador","Reportajes"],"inLanguage":"pt","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/tierraderesistentes.com\/en\/2019\/10\/30\/el-secreto-que-la-mina-se-trago\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/en\/2019\/10\/30\/el-secreto-que-la-mina-se-trago\/","url":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/en\/2019\/10\/30\/el-secreto-que-la-mina-se-trago\/","name":"O segredo que a mina engoliu","isPartOf":{"@id":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/es\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/en\/2019\/10\/30\/el-secreto-que-la-mina-se-trago\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/en\/2019\/10\/30\/el-secreto-que-la-mina-se-trago\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/19211735\/Copia-de-DSC02525.jpg","datePublished":"2019-10-30T03:00:00+00:00","dateModified":"2021-05-02T00:36:32+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/en\/2019\/10\/30\/el-secreto-que-la-mina-se-trago\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/tierraderesistentes.com\/en\/2019\/10\/30\/el-secreto-que-la-mina-se-trago\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt","@id":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/en\/2019\/10\/30\/el-secreto-que-la-mina-se-trago\/#primaryimage","url":"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/19211735\/Copia-de-DSC02525.jpg","contentUrl":"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/19211735\/Copia-de-DSC02525.jpg","width":900,"height":600},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/en\/2019\/10\/30\/el-secreto-que-la-mina-se-trago\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"Home","item":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/es\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"The Secret the Mine Swallowed"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/es\/#website","url":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/es\/","name":"Tierra de Resistentes | Consejo de Redacci\u00f3n","description":"Base de datos de defensores ambientales amenazados y asesinados en Latinoam\u00e9rica. Historias, fotograf\u00edas, videos y gr\u00e1ficos para entender la situaci\u00f3n de los resistentes.","publisher":{"@id":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/es\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/es\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/es\/#organization","name":"Tierra de resistentes","url":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/es\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt","@id":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/es\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/LogoEspanolAjustado-1.png","contentUrl":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/LogoEspanolAjustado-1.png","width":1568,"height":944,"caption":"Tierra de resistentes"},"image":{"@id":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/es\/#\/schema\/logo\/image\/"}},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/es\/#\/schema\/person\/7acc447500fec67d35b2c09639b52ee6","name":"Mayuri Castro","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt","@id":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/es\/#\/schema\/person\/image\/e33576637d4e7a2f3752de56d50b3972","url":"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211731\/Mayuri-Castro-150x150.jpg","contentUrl":"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211731\/Mayuri-Castro-150x150.jpg","caption":"Mayuri Castro"},"description":"Periodista de GK. Cubre migraci\u00f3n interna, educaci\u00f3n y escribe ensayos breves y reflexivos sobre coyuntura nacional.","url":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/author\/mayuricastro\/"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/400","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/134"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=400"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/400\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4095"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=400"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=400"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=400"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=400"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}