{"id":295,"date":"2020-04-22T16:35:00","date_gmt":"2020-04-22T16:35:00","guid":{"rendered":"http:\/\/tierra.jerrejerre.com\/es\/?p=295"},"modified":"2021-05-01T23:34:45","modified_gmt":"2021-05-01T23:34:45","slug":"muerte-y-olvido-en-el-bosque-tol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/2020\/04\/22\/muerte-y-olvido-en-el-bosque-tol\/","title":{"rendered":"Morte e esquecimento no bosque Tol"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-color has-small-font-size\" style=\"color:#0f0f0f;max-width:830px;margin-top:0px;margin-bottom:68px\"><em><strong>Na tribo tolupana \u201cSan Francisco de Locomapa\u201d, em Yoro, j\u00e1 houve assassinatos, ass\u00e9dio judici\u00e1rio e ataques por sua oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 ind\u00fastria extrativa que pretende explorar madeira, minerais e rios para a gera\u00e7\u00e3o de energia em territ\u00f3rios onde essa tribo sempre viveu, mas que agora est\u00e3o em disputa. Nos \u00faltimos 20 anos, houve 40 assassinatos de ind\u00edgenas tolupanes, portanto, esta \u00e9 uma popula\u00e7\u00e3o que est\u00e1 fazendo frente ao seu pr\u00f3prio exterm\u00ednio.   \n<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Consuelo Soto fala mas sem deixar de olhar para o outro lado da rua, <strong>como se estivesse esperando outra vez que houvesse um ataque aos membros de sua comunidade, a qual tem sido atacada por anos. H\u00e1 um par de semanas chegaram por \u00faltima vez para amea\u00e7\u00e1-la. <\/strong>Ela responde as perguntas quase murmurando na frente de sua casa, que ainda tem vest\u00edgios da viol\u00eancia que persegue sua tribu.<\/p>\n\n\n\n<p>Consuelo \u00e9 uma das diversas lideran\u00e7as tolupanes que enfrenta amea\u00e7as e ataques por causa da defesa do territ\u00f3rio Tolup\u00e1n de San Francisco de Locomapa, localizado no departamento de Yoro, ao norte de Honduras. O conflito na tribo se iniciou quando, em 2009, as empresas Venta Local de Madera y Transformaci\u00f3n Ocotillo (Velomato) e a Industria Maderera Rene Eleazar (Inmare), junto com o Instituto Nacional de Conserva\u00e7\u00e3o y Desenvolvimento Florestal, \u00c1reas Protegidas e Vida Silvestre (ICF), <strong>criaram planos de gest\u00e3o florestal que levaram \u00e0 venda da madeira extra\u00edda dos bosques localizados dentro do territ\u00f3rio Tolup\u00e1n.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em S\u00e3o Francisco de Locomapa, existem opini\u00f5es contr\u00e1rias em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 gest\u00e3o do territ\u00f3rio. Embora os tolupanes estejam organizados atrav\u00e9s de uma estrutura hier\u00e1rquica que tem um cacique, que aconselha na tomada de decis\u00f5es; e um Conselho Diretivo da Tribo, encarregado de tomar as decis\u00f5es, <strong>em Locomapa nem todos concordam com as decis\u00f5es tomadas por esse \u00f3rg\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/contracorriente.red\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/9391-1536x1023.jpg\" alt=\"\"\/><figcaption>Foto: Mart\u00edn C\u00e1lix.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>De um lado do rio est\u00e3o o Conselho e cerca de 800 pessoas das 3000 que comp\u00f5em a tribo, que concordam com a entrada das motosserras para extrair madeira e vend\u00ea-la, enquanto que os outros rejeitam essa possibilidade ou t\u00eam medo de mostrar sua opini\u00e3o. Para fazer frente \u00e0 contraparte, eles decidiram criar uma entidade paralela chamada Conselho Tribal Preventivo.<\/p>\n\n\n\n<p>O presidente do Conselho Diretivo da Tribo, Jos\u00e9 Alberto Vieda, assegura que o bosque \u00e9 &#8220;renov\u00e1vel&#8221; e que a maioria da tribo est\u00e1 participando da decis\u00e3o sobre a venda. O homem, que tem mais de 40 anos, disse que vendeu 14.800 metros de madeira por 250 lempiras (10 d\u00f3lares americanos) cada metro, ao empres\u00e1rio hondurenho Wilder Dom\u00ednguez. Mais tarde, ele assegurou ter distribu\u00eddo o lucro durante a assembleia. Do total de vendas, a comunidade paga 15% \u00e0 Federa\u00e7\u00e3o de Tribos Xicaques de Yoro (Fetrixy), uma organiza\u00e7\u00e3o que agrupa todas as tribos tolupanes do pa\u00eds; e outras 40 lempiras ($1,62) por metro c\u00fabico tabular para o pagamento de impostos ao munic\u00edpio, segundo se afirmou em uma pesquisa realizada pelo Centro de Estudos para a Democracia (Cespad).<\/p>\n\n\n\n<p>Isto pressuporia que a comunidade ficou com aproximadamente 2,5 milh\u00f5es de lempiras (cerca de 100 mil d\u00f3lares). H\u00e1 aproximadamente 800 pessoas que concordam com os abates de madeira e recebem 500 lempiras (US$ 20) por cada 5 mil metros de madeira abatida que aprovam nas assembleias, de acordo com informa\u00e7\u00f5es publicadas em uma p\u00e1gina do Facebook do Conselho Diretivo.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Eles enfrentam uma situa\u00e7\u00e3o de discrimina\u00e7\u00e3o que os torna vulner\u00e1veis a condi\u00e7\u00f5es de trabalho injustas e prec\u00e1rias&#8221;<\/p><cite>Victoria Tauli-Corpuz.<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>Cerca de 93,9% dos tolupanes mal conseguem comprar a cesta b\u00e1sica, o que os coloca na linha de extrema pobreza<\/strong>, segundo um <a href=\"http:\/\/unsr.vtaulicorpuz.org\/\" class=\"rank-math-link\">relat\u00f3rio<\/a> da Relatora da ONU sobre Povos Ind\u00edgenas. &#8220;Eles enfrentam uma situa\u00e7\u00e3o de discrimina\u00e7\u00e3o que os torna vulner\u00e1veis a condi\u00e7\u00f5es de trabalho injustas e prec\u00e1rias&#8221;, diz a Relatora Victoria Tauli-Corpuz.<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"100%\" height=\"500\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/m7njrZn8e_A\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o deles de precariedade \u00e9 not\u00f3ria mesmo em um pa\u00eds que ocupa a 132\u00aa posi\u00e7\u00e3o entre 189 pa\u00edses no Relat\u00f3rio de Desenvolvimento Humano elaborado pelo Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no qual se informa, segundo outras organiza\u00e7\u00f5es, que mais da metade do pa\u00eds (67,4%) vive na pobreza.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>o abandono do estado \u00e9 muito mais evidente para o povo tolupan<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Como acontece em quase todos os povos ind\u00edgenas do pa\u00eds, as condi\u00e7\u00f5es da tribo de San Francisco de Locomapa s\u00e3o prec\u00e1rias. No entanto, o abandono do estado \u00e9 muito mais evidente para o povo tolupan: <strong>as ruas s\u00e3o de terra, n\u00e3o h\u00e1 ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica nem cobertura de celular em quase toda a comunidade e muitos t\u00eam que caminhar durante horas para poder chegar at\u00e9 um centro de sa\u00fade. <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para se comunicar com Consuelo, a gente tem que esperar a que, uma vez por semana, ela pague 10 lempiras ($0,45) para carregar seu telefone celular. Quando est\u00e1 ligado, o coloca sobre baldes bem pr\u00f3ximos do teto, onde ela diz que consegue ter cobertura \u00e0s vezes.<\/p>\n\n\n\n<p>Os tolupanes historicamente se dedicam \u00e0 agricultura, produzem especialmente milho, feij\u00e3o e caf\u00e9 para subsistir. <strong>Esta rela\u00e7\u00e3o criou neles la\u00e7os estreitos com a natureza e um sentido de responsabilidade e cuidado que deve ser dado aos bens naturais.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para chegar ao territ\u00f3rio tolup\u00e1n, \u00e9 necess\u00e1rio um ve\u00edculo apto para o terreno de montanha. Em meio dos melhores bosques de pinheiros de Honduras e de uma terra rica em minerais como \u00f3xido de ferro, prata e antim\u00f4nio, <strong>j\u00e1 ocorreram mais de 40 assassinatos de ind\u00edgenas nos \u00faltimos 20 anos<\/strong>, segundo um <a href=\"http:\/\/www.dplf.org\/sites\/default\/files\/informe_canada_resumen_ejecutivo.pdf\">relat\u00f3rio<\/a> do Grupo de Trabalho sobre Minera\u00e7\u00e3o e Direitos Humanos na Am\u00e9rica Latina que foi apresentado diante da Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).\u00a0<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2001\" height=\"1333\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/9066.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4269\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19211713\/9066.jpg 2001w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19211713\/9066-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19211713\/9066-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19211713\/9066-768x512.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19211713\/9066-1536x1023.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19211713\/9066-150x100.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19211713\/9066-696x464.jpg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19211713\/9066-1068x711.jpg 1068w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19211713\/9066-1920x1279.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 2001px) 100vw, 2001px\" \/><figcaption>Foto: Mart\u00edn C\u00e1lix.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Em S\u00e3o Francisco de Locomapa, os assassinatos ligados ao conflito extrativo come\u00e7aram em 2013. <\/strong>Desde ent\u00e3o, o Movimento Amplo pela Dignidade e pela Justi\u00e7a (MADJ) <strong>j\u00e1 contou 10 assassinatos que n\u00e3o est\u00e3o ligados unicamente ao conflito com a madeira, mas tamb\u00e9m com uma mina de antim\u00f4nio<\/strong>. Morreram Mar\u00eda Enriqueta Matute, Armando Funez, Ricardo Soto, Luis de los Reyes Marc\u00eda, Eracimo Vieda, Santos Matute, Ferm\u00edn Romero, Juan Samael Matute \u00c1vila, Jos\u00e9 Salom\u00f3n Matute, Milgen Idan Soto \u00c1vila, estes \u00faltimos tr\u00eas assassinatos ocorreram em 2019.\u00a0 <\/p>\n\n\n\n<p>Um dos assassinados foi o concubino de Consuelo, Luis de los Reyes Marc\u00eda, morto em 2015 quando voltavam para San Francisco de Locomapa depois de terem morado seis meses fora da comunidade, devido <strong>a amea\u00e7as que ele tamb\u00e9m recebia de pessoas que apoiavam uma empresa mineradora e a venda de madeira na comunidade.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Consuelo foi obrigada a fugir por segunda vez. Voltou um m\u00eas depois,<strong> mas algu\u00e9m estava a esperando em sua pr\u00f3pria casa para assassin\u00e1-la.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Por\u00e9m, as leis humanas s\u00e3o para punir algu\u00e9m que comete esses crimes&#8221;.<\/p><cite>Consuelo Soto.<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>\u201cTive que sair de novo de emerg\u00eancia e n\u00e3o quero nem me lembrar disso -diz Consuelo- Minhas filhas me dizem que n\u00e3o denuncie, que espere as coisas se acalmarem e que haja justi\u00e7a divina. Por\u00e9m, as leis humanas s\u00e3o para punir algu\u00e9m que comete esses crimes, <strong>mas essa lei n\u00e3o serve de nada porque, se estivessem fazendo realmente alguma coisa, teriam pego todas as pessoas que cometem esses crimes\u201d.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/contracorriente.red\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/8937-1536x1023.jpg\" alt=\"\"\/><figcaption>Foto: Mart\u00edn C\u00e1lix.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A meados de fevereiro de 2020, o Minist\u00e9rio P\u00fablico prendeu um dos supostos assassinos de Reyes Marc\u00eda: Fredy Antonio Matute Soto. No <a href=\"https:\/\/www.mp.hn\/index.php\/author-login\/153-febrero2020\/5461-mp-coordino-captura-de-supuesto-integrante-de-la-banda-los-matute-acusado-del-crimen-de-tolupanes\">comunicado oficial<\/a>, a entidade estatal assegura que <strong>\u201cquem foi preso junto com outros membros da quadrilha foram os respons\u00e1veis de v\u00e1rios assassinatos de ind\u00edgenas tolupanes\u201d<\/strong>, embora ainda se desconhe\u00e7am detalhes da causa exata do crime. <strong>Com a pris\u00e3o do suspeito Consuelo come\u00e7ou a receber novas amea\u00e7as<a href=\"https:\/\/www.mp.hn\/index.php\/author-login\/153-febrero2020\/5461-mp-coordino-captura-de-supuesto-integrante-de-la-banda-los-matute-acusado-del-crimen-de-tolupanes\">.<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Reyes Marc\u00eda e Consuelo fazem parte de um grupo de 38 pessoas as que a <a href=\"http:\/\/www.oas.org\/es\/cidh\/decisiones\/pdf\/MC416-13-Resolucion-es.PDF\" class=\"rank-math-link\">Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos (CIDH)<\/a> d<strong>a OEA tinha concedido medidas cautelares em 19 de dezembro de 2013, ap\u00f3s o assassinato de tr\u00eas outros ind\u00edgenas da tribo durante um protesto.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Contra Corriente procurou <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">Jany del Cid<\/span>, chefe da Procuradoria Especial para Assuntos \u00c9tnicos e Patrim\u00f4nio Cultural do Minist\u00e9rio P\u00fablico, que era respons\u00e1vel pela investiga\u00e7\u00e3o desses fatos, mas ela respondeu que n\u00e3o estava autorizada a dar entrevistas. A \u00e1rea de comunica\u00e7\u00f5es da entidade confirmou ter solicitado essas informa\u00e7\u00f5es para poder dar uma entrevista sobre o andamento das investiga\u00e7\u00f5es, mas nunca mais voltou a dar qualquer resposta.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>A CIDH denunciou n\u00e3o ter informa\u00e7\u00f5es sobre o cumprimento das medidas que o Estado devia aplicar para sua prote\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Dias depois do assassinato de Jos\u00e9 e de Juan Matute, <a href=\"https:\/\/www.oas.org\/es\/cidh\/prensa\/comunicados\/2019\/053.asp\">a Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos (CIDH)<\/a> da OEA <strong>exigiu que Honduras investigasse as mortes violentas e insistiu na necessidade de &#8220;incluir linhas de investiga\u00e7\u00e3o nas quais seja analisada como hip\u00f3tese que o crime tenha sido por causa de suas atividades como defensores de direitos humanos&#8221;<\/strong>. A CIDH denunciou n\u00e3o ter informa\u00e7\u00f5es sobre o cumprimento das medidas que o Estado devia aplicar para sua prote\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong><strong>Em conflito com a ind\u00fastria madeireira<\/strong><\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>&#8220;O abate de madeira \u00e9 satanizado pois aparece no plano de gest\u00e3o que foi aprovado pelo ICF, cumprindo com todas as normas t\u00e9cnicas, que n\u00e3o conhe\u00e7o muito, porque n\u00e3o sou engenheiro. A Fetrixy n\u00e3o pode se recusar a aprovar porque eles tenham decidido isso. <strong>A gente ensina ao povo que \u00e9 necess\u00e1rio fazer projetos sociais quando se fazem vendas<\/strong>&#8220;, disse No\u00e9 Rodr\u00edguez, coordenador da Fetrixy, cuja organiza\u00e7\u00e3o diz que se dedica \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Consuelo explica que, quando v\u00e1rios membros da comunidade perceberam que estavam sendo feitos abates de madeira, come\u00e7aram a se reunir para protestar contra isso e o Conselho Diretivo convocou uma assembleia onde <strong>n\u00e3o lhes deram a palavra<\/strong>. &#8220;No dia seguinte, eles apareceram dizendo que n\u00e3o dev\u00edamos estar l\u00e1, que as vendas tinham sido aprovadas pela assembleia. E que para isso tinham feito essa assembleia: para que fossem aprovados, porque j\u00e1 o antim\u00f4nio tinha sido aprovado, bem como a venda da madeira. Mas<strong> isso \u00e9 mentira porque na reuni\u00e3o a opini\u00e3o estava dividida<\/strong>&#8220;, acrescenta Consuelo.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>O povo tolupan, como outros povos origin\u00e1rios de Honduras, vive em uma constante batalha pela prote\u00e7\u00e3o do seu territ\u00f3rio.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O povo tolupan, como outros povos origin\u00e1rios de Honduras, vive em uma constante batalha pela prote\u00e7\u00e3o do seu territ\u00f3rio. Essa defesa \u00e9 amparada pela Conven\u00e7\u00e3o n\u00ba 169 da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT) sobre Povos Ind\u00edgenas e Tribais, da qual Honduras \u00e9 signat\u00e1ria. <strong>Essa \u00e9 a conven\u00e7\u00e3o internacional que protege o direito de n\u00e3o deslocar \u00e0 for\u00e7a os povos ind\u00edgenas e de n\u00e3o realizar projetos nos territ\u00f3rios deles &#8220;sem o consentimento livre, pr\u00e9vio e informado dos povos ind\u00edgenas em quest\u00e3o&#8221;.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um dos projetos de lei nos quais o Congresso Nacional (CN) est\u00e1 trabalhando atualmente \u00e9 a Lei de Consulta Livre, Pr\u00e9via e Informada. Depois de terem anunciado isso publicamente em janeiro deste ano, organiza\u00e7\u00f5es de povos origin\u00e1rios se manifestaram diante do CN para se declararem contra o projeto. <strong>Suas observa\u00e7\u00f5es incluem que a lei n\u00e3o cumpre com o previsto nos padr\u00f5es internacionais, pois nem todos os povos ind\u00edgenas concordam e porque a consulta \u00e9 vista partindo de uma perspectiva homog\u00eanea, sem respeitar as diferen\u00e7as de cada povo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Esta falta de consulta com as comunidades locais acontece em um ambiente tenso em Honduras. <strong>Diferentes projetos extrativos j\u00e1 geraram muitos conflitos e epis\u00f3dios de viol\u00eancia contra lideran\u00e7as e integrantes de comunidades que se opuseram a projetos de minera\u00e7\u00e3o, hidrel\u00e9tricos, madeireiros e de turismo, e at\u00e9 hoje o Estado ainda n\u00e3o conseguiu explicar as circunst\u00e2ncias ou os respons\u00e1veis desses crimes.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O assassinato em 2016 da reconhecida lideran\u00e7a ind\u00edgena Berta C\u00e1ceres, fundadora do Conselho de Organiza\u00e7\u00f5es Populares e Ind\u00edgenas de Honduras (COPINH), mostrou essa realidade de viol\u00eancia que enfrentam os defensores ambientais. No entanto, Honduras j\u00e1 tem muitos mais assassinatos por esta raz\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Entre 2010 e 2017, 120 lideran\u00e7as ambientalistas foram assassinados<\/strong>, segundo aparece nos relat\u00f3rios da Global Witness, uma ONG brit\u00e2nica que monitora esta quest\u00e3o no mundo todo. <strong>Esse n\u00famero leva Honduras a ser considerado o pa\u00eds mais perigoso para os ativistas do meio ambiente no mundo.\u00a0<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2001\" height=\"1333\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/0741.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4275\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19211710\/0741.jpg 2001w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19211710\/0741-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19211710\/0741-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19211710\/0741-768x512.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19211710\/0741-1536x1023.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19211710\/0741-150x100.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19211710\/0741-696x464.jpg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19211710\/0741-1068x711.jpg 1068w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19211710\/0741-1920x1279.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 2001px) 100vw, 2001px\" \/><figcaption>Consuelo, Tegucigalpa.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>nas comunidades ind\u00edgenas, aumentou a mis\u00e9ria para puderem manipular as necessidades b\u00e1sicas das pessoas e prometer projetos sociais em troca da aprova\u00e7\u00e3o desse tipo de leis.<\/p><cite>Berta Z\u00fa\u00f1iga.<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Berta Z\u00fa\u00f1iga, atual coordenadora da Copinh e filha de Berta C\u00e1ceres, afirma estar preocupada com o modelo econ\u00f4mico extrativo promovido pelo governo. <strong>&#8220;O obst\u00e1culo principal s\u00e3o os povos ind\u00edgenas que defendem com sua vida, com seu corpo, com sua luta comunit\u00e1ria, esses territ\u00f3rios das empresas nacionais e multinacionais&#8221;<\/strong>, diz. Al\u00e9m disso, ela denunciou que, nas comunidades ind\u00edgenas, aumentou a mis\u00e9ria para puderem manipular as necessidades b\u00e1sicas das pessoas e prometer projetos sociais em troca da aprova\u00e7\u00e3o desse tipo de leis.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta din\u00e2mica existe em San Francisco de Locomapa e, diante da falta de emprego, <strong>as empresas madeireiras oferecem \u00e0s pessoas um sustento e a promessa de trazerem programas sociais que v\u00e3o melhorar a situa\u00e7\u00e3o da comunidade.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 2001 havia 9.617 tolupanes em Yoro e Francisco Moraz\u00e1n (dois departamentos de Honduras unidos por montanhas), segundo se estabeleceu no Censo do Instituto Nacional de Estat\u00edstica. A antropologista francoamericana Anne Chapman, que estudou os povos tolupan e lenca de Honduras, calcula que o primeiro tem cerca de 5 mil anos de exist\u00eancia. Por sua vez, a Global Witness estabelece que <strong>&#8220;s\u00e3o o grupo ind\u00edgena mais marginalizado em Honduras, que vive em condi\u00e7\u00f5es de pobreza extrema em \u00e1reas rurais remotas, com um acesso limitado aos servi\u00e7os b\u00e1sicos&#8221;.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>As ind\u00fastrias madeireiras aproveitam toda esta situa\u00e7\u00e3o e desmatam os bosques sem o consentimento de toda a comunidade.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/contracorriente.red\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/0818-1536x1023.jpg\" alt=\"\"\/><figcaption>Foto: Mart\u00edn C\u00e1lix.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Inmare, uma serraria cujo detentor \u00e9 o empres\u00e1rio Wilder Dom\u00ednguez, opera com \u201ca compra direta de produtos florestais como madeira em rolo proveniente de diferentes locais aprovados pelo ICF\u201d, conforme se afirma em uma auditoria realizada pelo Instituto de Conserva\u00e7\u00e3o Florestal (ICF), um \u00f3rg\u00e3o governamental, em 2018. Um desses lugares \u00e9 San Francisco de Locomapa.<\/p>\n\n\n\n<p>Na regi\u00e3o tamb\u00e9m funciona uma serraria que se chama Velomato, detida pelo empres\u00e1rio hondurenho <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">Kenton Landa Ucl\u00e9s<\/span> e localizada na aldeia Las Tejeras, munic\u00edpio de Yoro. A madeira \u00e9 utilizada na empresa \u201cInversiones del Atl\u00e1ntico\u201d (<span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">Invertlan<\/span>), que faz parte do <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">Grupo Landa<\/span>, uma s\u00e9rie de empresas criadas por seu diretor corporativo, o mesmo Kenton Landa Ucl\u00e9s.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Nas auditorias do ICF se afirma que, nos \u00faltimos tr\u00eas anos, ambas as serrarias possuem entradas de madeira superiores \u00e0s constantes em seus relat\u00f3rios mensais<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Nas auditorias do ICF se afirma que, nos \u00faltimos tr\u00eas anos, ambas as serrarias possuem entradas de madeira superiores \u00e0s constantes em seus relat\u00f3rios mensais. Al\u00e9m disso, <strong>tamb\u00e9m se observa que as vendas de madeira de serra\u00e7\u00e3o s\u00e3o maiores aos volumes produzidos com a entrada da madeira, indicando que foi vendida ou extra\u00edda mais madeira na ind\u00fastria do que o informado.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ambos os empres\u00e1rios t\u00eam liga\u00e7\u00f5es com a empresa \u201cInversiones del Atl\u00e1ntico\u201d (Invertlan), segundo aparece na Junta Comercial da C\u00e2mara de Com\u00e9rcio e de Ind\u00fastrias de Cort\u00e9s. Kenton Landa Ucl\u00e9s \u00e9 parceiro comercial com 60% das quotas, enquanto Wilder Dom\u00ednguez, \u00e9 quotista com 40% das a\u00e7\u00f5es e tamb\u00e9m o gerente geral da empresa.<\/p>\n\n\n\n<p>A <a href=\"http:\/\/www.invertlan.com\/#contact\">Invertlan<\/a> e o <a href=\"http:\/\/www.grupolandahn.com\/grupo-landa.html\">Grupo Landa <\/a>afirmam que se dedicam ao fornecimento de madeira tratada ou sem tratar para linhas de tens\u00e3o el\u00e9trica e que s\u00e3o fornecedores de empresas do governo e privadas que trabalham na distribui\u00e7\u00e3o e na administra\u00e7\u00e3o de energia do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ainda n\u00e3o est\u00e1 claro onde termina a madeira que abate a Inmare.<\/strong> Os registros p\u00fablicos n\u00e3o explicam e o ICF de Yoro tamb\u00e9m n\u00e3o respondeu sobre qual o destino dessa madeira. Al\u00e9m disso, a Invertlan e o Grupo Landa t\u00eam o mesmo n\u00famero de telefone. Contra Corriente tentou entrar em contato com ambas as empresas, mas n\u00e3o recebeu nenhuma resposta e tamb\u00e9m n\u00e3o responderam atrav\u00e9s dos e-mails que aparecem nos seus dados p\u00fablicos de contato.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Caso n\u00f3s decid\u00edssemos processar a madeira por nossa conta, levar\u00edamos em conta que parte nos afeta e que parte n\u00e3o. A empresa n\u00e3o considera isso, isso n\u00e3o lhe interessa&#8221;.<\/p><cite>Celso Cabrera Matute.<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>&#8220;Caso n\u00f3s decid\u00edssemos processar a madeira por nossa conta, levar\u00edamos em conta que parte nos afeta e que parte n\u00e3o. A empresa n\u00e3o considera isso, isso n\u00e3o lhe interessa. Eles ocupam seu capital porque do que eles recebem desse bosque podem ir morar em Miami ou em qualquer parte do mundo e os grandes prejudicados com isso somos n\u00f3s&#8221;, diz Celso Cabrera Matute, que faz parte do grupo oposto ao Conselho Preventivo de Tribos que, atualmente, <strong>est\u00e1 sendo processado judicialmente por causa da defesa do seu territ\u00f3rio.\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2001\" height=\"1333\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/9280.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4272\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19211713\/9280.jpg 2001w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19211713\/9280-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19211713\/9280-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19211713\/9280-768x512.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19211713\/9280-1536x1023.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19211713\/9280-150x100.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19211713\/9280-696x464.jpg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19211713\/9280-1068x711.jpg 1068w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19211713\/9280-1920x1279.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 2001px) 100vw, 2001px\" \/><figcaption>Celso y Amado, Locomapa.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Celso andou durante v\u00e1rios minutos da montanha que est\u00e1 atr\u00e1s de sua casa. Suas m\u00e3os e sua roupa ainda t\u00eam terra fresca que chegou a\u00ed durante a realiza\u00e7\u00e3o do seu trabalho: a planta\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os b\u00e1sicos. Ele mora em uma casa de madeira muito pequena, o solo \u00e9 de terra e o teto tem buracos que, segundo ele conta, prov\u00eam de pedras que lhe jogaram para o amea\u00e7ar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00f3s n\u00e3o temos medo de morrer nem de sermos presos, mas devo dizer que me sinto um pouco mal pois perdi minha Nana (a m\u00e3e dele) e as autoridades n\u00e3o fizeram nenhuma mudan\u00e7a. Em vez disso, continuam me processando\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong><strong>Os processos judici\u00e1rios contra os tolupanes<\/strong><\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Em mar\u00e7o de 2010, o empresario Kenton Landa Ucl\u00e9s interp\u00f4s uma den\u00fancia contra os ind\u00edgenas Jos\u00e9 Mar\u00eda Pineda, Tom\u00e1s Matute, Melvin Castro, Carlos Mart\u00ednez, Bernardo Mart\u00ednez, Celso Cabrera Matute, Juan Matute e Armando F\u00fanez Medina, conforme aparece no arquivo 36-2010 nos juizados de Yoro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Eles foram acusados pelo crime de obstaculiza\u00e7\u00e3o da execu\u00e7\u00e3o de um plano de gest\u00e3o florestal que foi outorgado pelo Instituto Nacional de Conserva\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Florestal, \u00c1reas Protegidas e Vida Silvestre (ICF), em detrimento de sua empresa madeireira Velomato.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O processo demorou tr\u00eas anos e, ap\u00f3s uma decis\u00e3o da Corte de Apela\u00e7\u00e3o de San Pedro Sula, em 2013, os tolupanes obtiveram um arquivamento definitivo do processo.<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"100%\" height=\"500\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/jr7hJqcwqZg\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe>\n\n\n\n<p>\u201c<strong>O protesto ind\u00edgena n\u00e3o pode ser considerado uma a\u00e7\u00e3o \u201cilegal\u201d, uma vez que esses protestos foram legitimados na Conven\u00e7\u00e3o 169 da OIT<\/strong>, que os ampara para exigirem seu direito a serem consultados \u201cantes\u201d de ser iniciado ou autorizado qualquer programa de prospec\u00e7\u00e3o ou explora\u00e7\u00e3o dos recursos existentes em suas terras\u201d, afirma-se no documento da Corte de Apela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Sin embargo, el fallo no fue tomado en cuenta cuando, en enero de 2012, <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">Landa Ucl\u00e9s<\/span> inici\u00f3 un segundo proceso judicial contra dos de esos miembros de la comunidad (Jos\u00e9 Mar\u00eda Pineda y Celso Cabrera Matute) y otro nuevo (Oscar Cabrera Matute). <strong>Una vez m\u00e1s, solicit\u00f3 que les imputaran el delito de obstaculizaci\u00f3n de la ejecuci\u00f3n del plan de manejo aprobado por el ICF<\/strong>, en perjuicio de su empresa Velomato, despu\u00e9s de que la tribu realizara manifestaciones en el predio que ocupa la empresa.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o obstante, essa decis\u00e3o n\u00e3o foi levada em conta quando, em janeiro de 2012, <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">Landa Ucl\u00e9s<\/span> iniciou um segundo processo judici\u00e1rio contra dois desses membros da comunidade (Jos\u00e9 Mar\u00eda Pineda e Celso Cabrera Matute) e outro novo (Oscar Cabrera Matute). Mais uma vez, ele solicitou a imputa\u00e7\u00e3o pelo crime de obstaculiza\u00e7\u00e3o \u00e0 execu\u00e7\u00e3o do plano de gest\u00e3o aprovado pelo ICF, em detrimento de sua empresa Velomato, ap\u00f3s a tribo ter feito manifesta\u00e7\u00f5es no pr\u00e9dio onde funciona a empresa.<\/p>\n\n\n\n<p>Na audi\u00eancia inicial, o juiz que conheceu o caso ditou medidas cautelares para as lideran\u00e7as ind\u00edgenas e eles, finalmente, obtiveram o arquivamento definitivo do processo. Em uma nova decis\u00e3o da Corte Suprema de Justi\u00e7a, em 2015, <strong>o Estado admitiu que o protesto n\u00e3o podia ser considerado ilegal, pois a Conven\u00e7\u00e3o 169 da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT) prev\u00ea o direito que os ind\u00edgenas t\u00eam a serem consultados antes dos recursos em suas terras serem explorados.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Diante de ambas as medidas, no relat\u00f3rio \u201cViola\u00e7\u00e3o de Direitos Humanos dos Povos Ind\u00edgenas em Honduras: O caso do povo tolupan\u201d, realizado por v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos, afirmou-se que \u201cas medidas cautelares que obrigaram os ind\u00edgenas acusados a se apresentarem periodicamente no juizado localizado na capital do departamento de Yoro, por cinco anos, <strong>tamb\u00e9m afetaram a sua prec\u00e1ria economia, devido a que a \u00e1rea de San Francisco de Locomapa \u00e9 altamente pobre, sem fontes de emprego e o custo do \u00f4nibus que eles deviam pagar a cada 15 dias os deixou sem condi\u00e7\u00f5es de cobrir despesas b\u00e1sicas de subsist\u00eancia<\/strong>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2001\" height=\"1333\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/9542.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4273\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211712\/9542.jpg 2001w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211712\/9542-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211712\/9542-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211712\/9542-768x512.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211712\/9542-1536x1023.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211712\/9542-150x100.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211712\/9542-696x464.jpg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211712\/9542-1068x711.jpg 1068w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211712\/9542-1920x1279.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 2001px) 100vw, 2001px\" \/><figcaption>Foto de Mart\u00edn C\u00e1lix.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Apesar de terem duas decis\u00f5es nas quais foi determinado que o protesto dos ind\u00edgenas n\u00e3o podia ser considerado como ilegal, em 2017, nove membros da tribo foram acusados do mesmo crime, mas desta vez pela empresa madeireira Inmare.<\/strong> Os ind\u00edgenas acusados foram: Allison Pineda, \u00c1ngela Murillo, Oscar Vieda, Ram\u00f3n Matute, Sergio \u00c1vila, Wendy \u00c1vila, Oscar Cabrera Matute e, por terceira vez, Celso Cabrera Matute e Jos\u00e9 Mar\u00eda Pineda.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Esses caras estavam ignorando a decis\u00e3o da assembleia e estavam obstaculizando a execu\u00e7\u00e3o de um plano de gest\u00e3o e, depois de tantos abusos que eles fizeram l\u00e1, tamb\u00e9m houve gente da assembleia que foi agredida, eles jogavam pedras, utilizavam armas afiadas, furaram pneus dos carros, quebraram vidros&#8221;, diz Jos\u00e9 Alberto Vieda, presidente do Conselho Diretivo, que \u00e9 uma das partes demandantes. Segundo este l\u00edder, eles interpuseram a den\u00fancia contra suas autoridades contr\u00e1rias por causa dos constantes protestos que eles faziam.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>esse novo processo judici\u00e1rio \u00e9 ilegal pois a resolu\u00e7\u00e3o do processo anterior sentava precedentes \u00e0 jurisprud\u00eancia e n\u00e3o podia ser declarado como ilegal o protesto dos ind\u00edgenas<\/p><cite>Ariel Madrid.<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Segundo Ariel Madrid, coordenador da \u00e1rea legal do Movimento Amplo pela Dignidade e pela Justi\u00e7a (MADJ), que tratou dos casos dos tolupanes, esse novo processo judici\u00e1rio \u00e9 ilegal pois a resolu\u00e7\u00e3o do processo anterior sentava precedentes \u00e0 jurisprud\u00eancia e n\u00e3o podia ser declarado como ilegal o protesto dos ind\u00edgenas. Al\u00e9m disso, Madrid denunciou que, <strong>durante as audi\u00eancias, a ju\u00edza teve atitudes racistas e pedia que a pobreza dos ind\u00edgenas acusados fosse verificada.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do mais, <strong>o ICF assegura n\u00e3o conhecer os processos judici\u00e1rios que est\u00e3o em andamento contra os ind\u00edgenas<\/strong>. &#8220;N\u00e3o temos conhecimento dos processos que t\u00eam se iniciado, pelo menos pelo ICF, contra eles, o que mais tem \u00e9 harmonia e trabalho em equipe, desconhe\u00e7o se \u00e9 atrav\u00e9s de algum terceiro tem algum processo&#8221;, afirmou Samuel Arturo N\u00fa\u00f1ez, chefe regional do ICF em Yoro.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, Celso Cabrera Matute e Oscar Cabrera Matute ainda est\u00e3o esperando o in\u00edcio do julgamento oral e p\u00fablico. Os dois s\u00e3o filhos de uma das primeiras tolupanas assassinadas na \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"100%\" height=\"500\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/3G8cnUoNzYw\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong><strong>Uma mina ilegal e a reclama\u00e7\u00e3o constante por justi\u00e7a<\/strong><\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Em 2013, aumentou a viol\u00eancia. Em 25 de agosto, durante a tomada de uma autoestrada como manifesta\u00e7\u00e3o contra uma mina de antim\u00f4nio, um grupo de assassinos por encargo mataram tr\u00eas tolupanes que estavam protestando<\/strong>: Armando F\u00fanez Medina (44), Ricardo Soto F\u00fanez (40) e Mar\u00eda Enriqueta Matute (71), a m\u00e3e dos irm\u00e3os Cabrera Matute.<\/p>\n\n\n\n<p>Celso ainda est\u00e1 morando na casa onde sua m\u00e3e foi assassinada e faz refer\u00eancia a isto indicando o lugar: no ch\u00e3o perto de um poste de madeira. &#8220;A\u00ed colocaram a espingarda na cabe\u00e7a dele e mais nem um pio&#8221;, diz sobre a morte de Ricardo. <strong>Um dos assassinos contratados perguntou quem eram os chefes da comunidade que eram contra a extra\u00e7\u00e3o de madeira e minerais, lembra.<\/strong> Armando F\u00fanez respondeu que n\u00e3o havia chefes e que eles estavam defendendo os direitos de todos. Naquele momento, o assassino por encargo atirou nele, causando a sua morte. A m\u00e3e dele foi assassinada por ter presenciado tudo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/contracorriente.red\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/9324-1536x1023.jpg\" alt=\"\"\/><figcaption>Foto: Mart\u00edn C\u00e1lix.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Consuelo diz que esse dia os assassinatos por encargo tinham chegado ao lugar perguntando por ela. <\/strong>Que se ela n\u00e3o tivesse sa\u00eddo antes para tirar umas fotoc\u00f3pias, seu nome faria parte da lista dos assassinados esse dia, <strong>meses antes tinha recebido amea\u00e7as com mensagens machistas. <\/strong>&#8220;Pare de ficar na rua. Voc\u00ea sabe o que est\u00e1 fazendo? V\u00e3o te matar, \u00e9 melhor sair daqui e v\u00e1 para a sua casa que voc\u00ea tem muita coisa para fazer na cozinha. N\u00e3o sei por que voc\u00ea est\u00e1 perdendo seu tempo&#8221;, disseram para ela uma das vezes em que pediram falar com ela durante as tomadas da autoestrada.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo os membros da comunidade, os assassinatos por encargo tinham v\u00ednculos com a empresa mineira <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">Lachansa Co<\/span>, <a href=\"https:\/\/www.metals1.com\/metal-suppliers\/lachansa\">cuja informa\u00e7\u00e3o oficial<\/a> diz que se dedica \u00e0 extra\u00e7\u00e3o de antim\u00f4nio.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A partir de 2012, os tolupanes viram como a \u00e1gua do rio Guayma, uma vertente que chega a San Francisco de Locomapa, come\u00e7ou a ficar escura devido \u00e0 polui\u00e7\u00e3o decorrente da extra\u00e7\u00e3o do antim\u00f4nio.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o a esse mineral -que serve para a liga com outros metais como o chumbo e para a fabrica\u00e7\u00e3o de baterias, armas, revestimento para cabos e outros produtos industriais- durante um longo tempo <strong>pode provocar irrita\u00e7\u00e3o nos olhos, pele, pulm\u00f5es e, at\u00e9 mesmo, \u00falceras estomacais. Ainda n\u00e3o se sabe se essa exposi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m pode provocar c\u00e2ncer ou problemas reprodutivos<\/strong>, segundo afirma a Ag\u00eancia para Subst\u00e2ncias T\u00f3xicas e o Cadastro de Doen\u00e7as dos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2001\" height=\"1333\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/9342.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4274\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19211711\/9342.jpg 2001w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19211711\/9342-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19211711\/9342-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19211711\/9342-768x512.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19211711\/9342-1536x1023.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19211711\/9342-150x100.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19211711\/9342-696x464.jpg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19211711\/9342-1068x711.jpg 1068w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19211711\/9342-1920x1279.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 2001px) 100vw, 2001px\" \/><figcaption>Foto: Mart\u00edn C\u00e1lix.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>A prefeitura tinha dado as licen\u00e7as de forma irregular, sem a consulta \u00e0s comunidades. <\/strong>Por isso, em 2019, o<a href=\"https:\/\/www.mp.hn\/index.php\/author-login\/141-agosto2019\/4595-auto-de-formal-procesamiento-por-otorgamiento-ilegal-de-permisos-mineros-en-territorios-de-tribu-tolupan\"> Minist\u00e9rio P\u00fablico<\/a> (MP), atrav\u00e9s da Promotoria de Etnias, processou por abuso de autoridade o chefe da Unidade de Meio Ambiente da Prefeitura de Yoro, Medardo Varela Bustillo.<\/p>\n\n\n\n<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico constatou que a empresa solicitou \u00e0 Unidade Municipal Ambiental as licen\u00e7as de extra\u00e7\u00e3o de antim\u00f4nio nos locais La Mina e Lagunitas em Yoro (que fazem parte da tribo de San Francisco de Locomapa). A solicita\u00e7\u00e3o foi recebida pela prefeitura sob o n\u00famero 432688 e, <strong>embora n\u00e3o tenham se especificado quantidades, a\u00ed se afirma que Varela Bustillo recebeu \u201cum montante de dinheiro\u201d por essas licen\u00e7as. Tudo isso foi feito sem os respectivos regulamentos que aplica o Instituto Hondurenho de Geologia e Minas (INHGEOMIN) nas \u00e1reas em que pretendiam autorizar os projetos de minera\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>A minera\u00e7\u00e3o \u00e9 considerada por cientistas e por organiza\u00e7\u00f5es sociais uma das mais graves amea\u00e7as ambientais em Honduras.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A minera\u00e7\u00e3o \u00e9 considerada por cientistas e por organiza\u00e7\u00f5es sociais uma das mais graves amea\u00e7as ambientais em Honduras. Nesse pa\u00eds, existem 310 concess\u00f5es mineiras outorgadas, sendo 92 delas met\u00e1licas, 210 n\u00e3o met\u00e1licas, uma artesanal e sete est\u00e3o suspensas, segundo a <a href=\"https:\/\/www.dropbox.com\/sh\/m27kbpajskcyhwo\/AABG9snTYLjWadraJNnEmXHFa?dl=0&#038;fbclid=IwAR0e74OGCpsqbE5yCDpRyKQl7EAALtA71EZ-5WhtsIe9ncg6pgsX6hSgIQs\">base de dados<\/a> do Centro Hondurenho de Promo\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento Comunit\u00e1rio (CEHPRODEC). Al\u00e9m disso, existem outras 199 esperando por serem aprovadas.\u00a0\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Caso todas as concess\u00f5es que est\u00e3o sendo solicitadas forem aprovadas, <strong>75% dos rios do pa\u00eds seriam afetados<\/strong>, como advertiu a ONG internacional Oxfam em seu \u00faltimo relat\u00f3rio Territ\u00f3rios em Risco. <strong>Por\u00e9m, n\u00e3o seria somente a \u00e1gua a que estaria sendo polu\u00edda, as popula\u00e7\u00f5es localizadas a jusante das opera\u00e7\u00f5es mineiras tamb\u00e9m est\u00e3o expostas \u00e0 polui\u00e7\u00e3o das planta\u00e7\u00f5es<\/strong>. Pelo menos 27% da terra utilizada para agricultura em Honduras est\u00e1 exposta a poluentes ligados \u00e0 minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;A morte da minha m\u00e3e foi porque est\u00e1vamos na rua defendendo o meio ambiente, a terra, o bosque, a pedra, a areia, o rio, tudo. Porque se a gente deixar isso se perder, com que vamos nos fortalecer?&#8221;<\/p><cite>Celso Cabrera.<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>&#8220;A morte da minha m\u00e3e foi porque est\u00e1vamos na rua defendendo o meio ambiente, a terra, o bosque, a pedra, a areia, o rio, tudo. Porque se a gente deixar isso se perder, com que vamos nos fortalecer?&#8221;, diz Celso Cabrera, filho de Mar\u00eda Enriqueta.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2018, o Minist\u00e9rio P\u00fablico, atrav\u00e9s da Promotoria Especial de Etnias, obteve uma senten\u00e7a condenat\u00f3ria de 45 anos de pris\u00e3o contra Carlos Roberto Luque Varela por causa do assassinato de Mar\u00eda Enriqueta e dos outros dois tolupanes. <a href=\"http:\/\/www.elpais.hn\/2018\/10\/30\/matan-a-reo-que-habia-escapado-de-centro-penal-de-yoro\/\">Em seu comunicado oficial <\/a>se afirma que o sentenciado &#8220;tirou os machados de Ricardo Soto F\u00fanez e de Armando F\u00fanez Medina e os assassinou, posteriormente, assassinou a senhora Mar\u00eda Enriqueta Matute por ter presenciado tudo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Luque fugiu esse mesmo ano da cadeia junto com outros sete presos atrav\u00e9s de um t\u00fanel e, posteriormente, foi assassinado por desconhecidos.\u00a0<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 2019, a Diretoria Policial de Investiga\u00e7\u00f5es (DPI) prendeu <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">Sel\u00edn Eliazar F\u00fanez Bonilla<\/span>, que tamb\u00e9m foi acusado desses tr\u00eas assassinatos e, depois, a partir de 2013, tinha um mandado de deten\u00e7\u00e3o em sua contra. Atualmente, ele est\u00e1 na pris\u00e3o \u00e0 espera de um julgamento. <strong>As comunidades denunciaram que F\u00fanez Bonilla oferecia seguran\u00e7a a uma das empresas madeireiras.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico n\u00e3o deu informa\u00e7\u00e3o oficial sobre a senten\u00e7a condenat\u00f3ria dos autores materiais do assassinato dos tr\u00eas tolupanes nem sobre se existe informa\u00e7\u00e3o sobre uma autoria intelectual. Enquanto isso,<strong> os filhos de Mar\u00eda Enriqueta continuam sentindo que n\u00e3o houve justi\u00e7a, porque os capturados foram somente os autores materiais, mas n\u00e3o os que ordenaram os crimes.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"100%\" height=\"500\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fdPO3COMisE\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong><strong>A situa\u00e7\u00e3o de abandono dos tolupanes<\/strong><\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>As tribos tolupanas t\u00eam uma hist\u00f3ria de deslocamento.<\/strong> Elas chegaram \u00e0s montanhas de Yoro e de Francisco Moraz\u00e1n fugindo da escravid\u00e3o e da viol\u00eancia que eram caracter\u00edsticas na \u00e9poca colonial para os povos origin\u00e1rios. Agora est\u00e3o vivendo nestas \u00e1reas remotas florestais h\u00e1 mais de um s\u00e9culo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia e escravid\u00e3o provocou que os tolupanes ficassem &#8220;reclu\u00eddos nas serras e nos densos bosques tropicais da costa<\/strong>, ainda inacess\u00edveis para os conquistadores, pois estavam \u00e0 procura de um isolamento, da sobreviv\u00eancia de sua pr\u00f3pria cultura e da liberdade\u201d, como conta o sacerdote jesu\u00edta Jos\u00e9 Mar\u00eda Tojeira no livro<em> Los Hicaques de Yoro<\/em>.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Por essa raz\u00e3o, no s\u00e9culo XIX, o sacerdote Manuel de Jes\u00fas Subirana intercedeu pelos ind\u00edgenas para que o Estado reconhecesse e titulasse suas terras para poder liber\u00e1-los da escravid\u00e3o. <strong>V\u00e1rias tribos tolupanas receberam seu t\u00edtulo da seguinte forma: San Francisco de Locomapa o recebeu a partir de 1864 e, embora atualmente seja denominado &#8220;ancestral&#8221;, esse \u00e9 um t\u00edtulo legal que lhes outorgou o primeiro presidente da Rep\u00fablica de Honduras, o general Jos\u00e9 Mar\u00eda Medina.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na d\u00e9cada de 1980, o general do Ex\u00e9rcito, <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">Filander Armijo Ucl\u00e9s<\/span>, que atualmente est\u00e1 retirado, <strong>chegou ao territ\u00f3rio da tribo de San Francisco e come\u00e7ou a assumir o comando das terras<\/strong>. Chegou \u00e0 \u00e1rea e obteve do Instituto Nacional Agr\u00e1rio (INA) um t\u00edtulo suplet\u00f3rio, um documento que se utiliza quando n\u00e3o existe um t\u00edtulo de propriedade, afetando diretamente o territ\u00f3rio que, desde 1864, pertencia legalmente aos tolupanes.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Locomapa, Filander Ucl\u00e9s \u00e9 considerado um grande propriet\u00e1rio de terras com conex\u00f5es diretas com o <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">grupo pol\u00edtico dos Urbina<\/span> que, durante os anos 90, chegaram ao poder no munic\u00edpio. Um de seus l\u00edderes \u00e9 o exprefeito Arnaldo Urbina, que foi pedido em extradi\u00e7\u00e3o pelos Estados Unidos em 2019, <strong>acusado de conspirar para introduzir coca\u00edna no territ\u00f3rio americano. Ele ainda se encontra em Honduras, pois deve responder aqui por 24 supostos crimes de malversa\u00e7\u00e3o de verbas p\u00fablicas e 87 de abuso de autoridade.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">ex general Ucl\u00e9s<\/span> tinha realmente boas conex\u00f5es. Nos anos 80 ele foi diretor do Centro Regional de Treinamento Militar (CREM), como parte da Doutrina de Seguran\u00e7a Nacional que tinha sido subscrita com os Estados Unidos, segundo consta em <a href=\"http:\/\/www.cedoh.org\/Biblioteca_CEDOH\/archivos\/001003%20CEDOH%20BOLETIN%20ESPECIAL%20JULIO%201983%20No%202.pdf.\">um boletim<\/a> informativo do Centro de Documenta\u00e7\u00e3o de Honduras (CEDOH).<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2014, <strong>chegou \u00e0 casa dos C\u00f3rdoba Soto e amea\u00e7ou com queimar a casa dele e assassin\u00e1-los.<\/strong> Por isso, o general foi condenado, em janeiro de 2019, por danos e amea\u00e7as contra a fam\u00edlia ind\u00edgena. Desde que foi iniciado o processo, em 2015, nos tribunais, <strong>ele recebeu uma a\u00e7\u00e3o cautelar de afastamento e de proibi\u00e7\u00e3o de se aproximar da fam\u00edlia, mas ele a descumpriu quando chegou a amea\u00e7\u00e1-los uma \u00faltima vez em 2015.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ucl\u00e9s estava sempre armado, raz\u00e3o pela qual os 11 integrantes da fam\u00edlia C\u00f3rdoba Soto tiveram que se mudar e, atualmente, voltam \u00e0 propriedade unicamente para limpar de vez em quando, segundo palavras do advogado Madrid. <strong>Os C\u00f3rdoba Soto aparecem como os tolupanes benefici\u00e1rios das medidas cautelares emitidas pela Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) em 2013.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os conflitos sobre as terras dos tolupanes se repetem nas 31 tribos que est\u00e3o distribu\u00eddas em v\u00e1rios\u00a0 munic\u00edpios de Yoro, no norte de Honduras, bem como nos munic\u00edpios de Orica e Marale, no departamento de Francisco Moraz\u00e1n.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/contracorriente.red\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/8354-1536x1023.jpg\" alt=\"\"\/><figcaption>Foto: Mart\u00edn C\u00e1lix.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>As tribos que n\u00e3o t\u00eam conflitos com as empresas parecem ser mais esquecidas, mas nos seus bosques de pinheiros tamb\u00e9m h\u00e1 morte. <\/strong>Na \u201cMonta\u00f1a de la Flor\u201d, no departamento de Francisco Moraz\u00e1n, h\u00e1 5 tribos tolupanas que enfrentam problemas pela posse das terras. Gertrudis Bustillo, que foi coordenadora do Conselho de Tribos de San Juan, conta que camponeses ladinos (termo utilizado para se referir \u00e0s pessoas mesti\u00e7as que n\u00e3o faziam parte da elite dominante nem da popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena) chegaram aos seus territ\u00f3rios. <strong>At\u00e9 agora, j\u00e1 morreram oito tolupanes por t\u00ea-los defendido.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 quatro anos, o Instituto Nacional Agr\u00e1rio (INA) chegou \u00e0 \u00e1rea para fazer novas medi\u00e7\u00f5es no territ\u00f3rio tolupan depois de as comunidades terem pedido isso em diversas ocasi\u00f5es para tentar reduzir o conflito com outras pessoas. <strong>Bustillo diz que essa visita fez com que os coordenadores e caciques da comunidade recebessem amea\u00e7as e que ela n\u00e3o serviu em nada, pois a medi\u00e7\u00e3o ficou incompleta.<\/strong> <a href=\"https:\/\/www.presidencia.gob.hn\/index.php\/gob\/el-presidente\/1220-caciques-tolupanes-tendran-titulos-de-propiedad-de-sus-tierras\">Em uma visita <\/a>que fez o presidente, Juan Orlando Hern\u00e1ndez, em 2016, ele prometeu que resolveria o problema dos t\u00edtulos de propriedade e que, enquanto ele fosse presidente, &#8220;a Monta\u00f1a de la Flor nunca seria esquecida&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Agora todo mundo comenta que os \u00edndios n\u00e3o valemos nada. Morremos como animais e isso confirma o que eles dizem, n\u00e3o acreditamos mais nas leis&#8221;.<\/p><cite>Gertrudis Bustillo.<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Os tolupanes que est\u00e3o em San Juan dizem que mentiram para eles. &#8220;Agora todo mundo comenta que os \u00edndios n\u00e3o valemos nada. Morremos como animais e isso confirma o que eles dizem, n\u00e3o acreditamos mais nas leis&#8221;, diz Bustillo.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Anastacio Mart\u00ednez, o cacique da tribo San Juan, n\u00e3o quis dar declara\u00e7\u00f5es. Ele diz que j\u00e1 falou muitas vezes, que n\u00e3o v\u00ea uma resposta e sua situa\u00e7\u00e3o de vida n\u00e3o melhora.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8220;Eu acho que os tolupanes est\u00e3o passando pelo pior momento da hist\u00f3ria deles\u201d<\/strong>, afirma H\u00e9ctor Flores, um soci\u00f3logo que tem trabalhado de perto com esse grupo. \u201cEles est\u00e3o t\u00e3o fechados em si mesmos que n\u00e3o importa o que voc\u00ea fa\u00e7a com eles, <strong>eles est\u00e3o realmente cansados do mundo exterior, esgotados de n\u00e3o acharem respostas e est\u00e3o cruzados de bra\u00e7os\u201d.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A viol\u00eancia parece aumentar com o passar do tempo. Em 2015, diante da situa\u00e7\u00e3o de abandono e de viol\u00eancia, os tolupanes fizeram uma greve de fome em Tegucigalpa, em frente das instala\u00e7\u00f5es da Casa Presidencial, <strong>exigindo a captura das pessoas respons\u00e1veis pelos assassinatos de seus companheiros. Al\u00e9m disso, eles estavam exigindo o cumprimento das medidas de prote\u00e7\u00e3o outorgadas pela CIDH e a realiza\u00e7\u00e3o de uma consulta pr\u00e9via, livre e informada antes da extra\u00e7\u00e3o de recursos naturais.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A greve n\u00e3o conseguiu que o governo nem o Estado hondurenho assumissem suas obriga\u00e7\u00f5es e compromissos com o povo tolupan.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;A criminosa frialdade e dureza dos atuais governantes alimentaram nossa milen\u00e1ria indigna\u00e7\u00e3o e nossa rebeldia e, hoje mais do que nunca, assumimos nosso leg\u00edtimo direito de impedir, a qualquer custo, qualquer afronta contra nosso territ\u00f3rio&#8221;.<\/p><cite>Manifesto Tolup\u00e1n.<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Depois de passarem 32 dias sem comer, os tolupanes decidiram suspender a greve e emitiram um manifesto. \u201c<strong>Nossa fome hist\u00f3rica tem enchido e continua enchendo nosso povo de dor, luto, insalubridade, ignor\u00e2ncia e abandono <\/strong>\u2013disseram- A criminosa frialdade e dureza dos atuais governantes alimentaram nossa milen\u00e1ria indigna\u00e7\u00e3o e nossa rebeldia e, hoje mais do que nunca, assumimos nosso leg\u00edtimo direito de impedir, a qualquer custo, qualquer afronta contra nosso territ\u00f3rio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quase cinco anos depois dessa greve de fome, as condi\u00e7\u00f5es dos tolupanes parecem ter piorado. <\/strong>Dois parentes de Santos Matute, um dos grevistas, foram assassinados em 2019. Esquecidos nas montanhas continuam se enfrentando -\u00e0s vezes gritando, outras em sil\u00eancio- a ind\u00fastrias e a propriet\u00e1rios de terras para defender seus territ\u00f3rios cheios de riquezas em madeira e seus caudalosos rios e terras com abundantes minerais.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/eee.png\" alt=\"Tierra de Resistentes\" class=\"wp-image-3766\" width=\"100\" height=\"100\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211834\/eee.png 400w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211834\/eee-300x300.png 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211834\/eee-150x150.png 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 100px) 100vw, 100px\" \/><\/figure><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>La tribu tolupana San Francisco de Locomapa, en Yoro, ha sufrido asesinatos, acoso judicial y ataques por su oposici\u00f3n a la industria extractiva que busca explotar madera, minerales y r\u00edos para la generaci\u00f3n de energ\u00eda en territorios donde siempre han vivido, pero que ahora est\u00e1n en disputa. En los \u00faltimos 20 a\u00f1os hubo 40 asesinatos de ind\u00edgenas tolupanes, una poblaci\u00f3n que se enfrenta a su propio exterminio.<\/p>\n","protected":false},"author":29,"featured_media":4269,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[146,47,147,259,356,145],"coauthors":[75,143],"class_list":{"0":"post-295","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-honduras","8":"tag-conflicto-extractivo","9":"tag-fase-ii","10":"tag-industria-maderera","11":"tag-madera","12":"tag-tala-ilegal","13":"tag-tolupan"},"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.4 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Morte e esquecimento no bosque Tol<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, 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