{"id":26,"date":"2019-04-23T16:18:00","date_gmt":"2019-04-23T16:18:00","guid":{"rendered":"http:\/\/tierra.local\/?p=26"},"modified":"2021-05-13T21:34:37","modified_gmt":"2021-05-13T21:34:37","slug":"los-guardianes-de-los-parques-que-la-guerra-se-llevo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/2019\/04\/23\/los-guardianes-de-los-parques-que-la-guerra-se-llevo\/","title":{"rendered":"Os guardi\u00f5es dos parques que a guerra levou consigo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-color has-small-font-size\" style=\"color:#0f0f0f;max-width:830px;margin-top:0px;margin-bottom:68px\"><em><strong>Proteger um parque nacional na Col\u00f4mbia, um pa\u00eds com um longo conflito armado, \u00e9 uma profiss\u00e3o arriscada e pouco agradecida. Ap\u00f3s anos de impunidade e esquecimento, as fam\u00edlias de tr\u00eas guardas florestais assassinados podem finalmente entender o que aconteceu com eles, agora que seus casos podem chegar \u00e0 justi\u00e7a de transi\u00e7\u00e3o criada pelo Acordo de Paz assinado entre o governo colombiano e a antiga guerrilha das FARC em 2016.\n<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Wilton Orrego estava patrulhando uma floresta no Parque Nacional Serra Nevada de Santa Marta em 14 de janeiro de 2019, <strong>quando assaltantes desconhecidos o interceptaram e atiraram nele cinco vezes.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Orrego, de 38 anos, morreu horas depois em um hospital de Santa Marta, deixando a esposa, uma filha adolescente e dois anos de trabalho como guarda florestal em um canto do Caribe colombiano onde belas praias, observadores de aves e turistas coexistem com grupos criminosos que lutam pelas rotas para tirar drogas do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Seu assassinato destacou uma trag\u00e9dia pouco conhecida na Col\u00f4mbia: cuidar das selvas, dos rios, dos p\u00e1ramos e, em geral, da riqueza natural do <a href=\"http:\/\/www.humboldt.org.co\/es\/boletines-y-comunicados\/item\/1087-biodiversidad-colombiana-numero-tener-en-cuenta\">segundo pa\u00eds<\/a> mais biodiverso do mundo implica n\u00edveis de risco extremamente elevados.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>cuidar das selvas, dos rios, dos p\u00e1ramos e, em geral, da riqueza natural do <a href=\"http:\/\/www.humboldt.org.co\/es\/boletines-y-comunicados\/item\/1087-biodiversidad-colombiana-numero-tener-en-cuenta\">segundo pa\u00eds<\/a> mais biodiverso do mundo implica n\u00edveis de risco extremamente elevados<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos 25 anos, <strong>pelo menos 11 guardas florestais morreram de maneira violenta enquanto protegiam as \u00e1reas naturais a seu cargo, impotentes diante de interesses comerciais milion\u00e1rios, como o tr\u00e1fico de drogas, a minera\u00e7\u00e3o ilegal e a guerra.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de serem dedicados funcion\u00e1rios estatais de Parques Nacionais que convencidos do valor de sua miss\u00e3o, hist\u00f3rias como as de Mart\u00edn Duarte do Parque Nacional Serra de La Macarena, Jairo Varela de Paramillo e Jaime Gir\u00f3n do Parque Serran\u00eda dos Churumbelos mostram, infelizmente, um padr\u00e3o semelhante: seus casos ficaram impunes, suas fam\u00edlias se sentem abandonadas por um Estado que se esqueceu deles, e seus colegas continuam trabalhando em condi\u00e7\u00f5es igualmente prec\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>seus casos ficaram impunes, suas fam\u00edlias se sentem abandonadas por um Estado que se esqueceu deles, e seus colegas continuam trabalhando em condi\u00e7\u00f5es igualmente prec\u00e1rias.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>No entanto, <strong>a assinatura do Acordo de Paz com as <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">ex-For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias da Col\u00f4mbia (Farc)<\/span> em 2016 traz uma nova oportunidade para entender o que aconteceu com eles.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Desde o ano passado, um grupo de respeitados l\u00edderes ambientais tem constru\u00eddo uma proposta para que o novo sistema de justi\u00e7a de transi\u00e7\u00e3o, que investigar\u00e1 e julgar\u00e1 os crimes cometidos durante o conflito colombiano, tamb\u00e9m investigue como o meio ambiente e aqueles que se preocupam com ele t\u00eam sido violentados.<\/p>\n\n\n\n<p>Em dois dos tr\u00eas casos, o de Mart\u00edn e o do Jairo, h\u00e1 fortes ind\u00edcios de que os guerrilheiros, que depuseram suas armas h\u00e1 quase dois anos e est\u00e3o em processo de reintegra\u00e7\u00e3o na vida civil, foram respons\u00e1veis por suas mortes.<strong> Isto significa que as Farc poderiam, como parte de seu compromisso com a paz, ajudar as fam\u00edlias a entender o que aconteceu e pedir perd\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<iframe src=\"https:\/\/albumizr.com\/a\/GU1M\" allowfullscreen=\"\" style=\"width:100%;height:700px\"><\/iframe>\n\n\n\n<div><small style=\"font-size:60%\">IMAGENS DO DESMATAMENTO NOS PARQUES NACIONAIS SERRA DA MACARENA, TINIGUA E NUKAK, TIRADAS PELA FUNDA\u00c7\u00c3O PARA A CONSERVA\u00c7\u00c3O E O DESENVOLVIMENTO SUSTENT\u00c1VEL (FCDS).<\/small><div class=\"_3C-sm\"><div><p><\/p><\/div><\/div><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O guardi\u00e3o de La Macarena<\/h2>\n\n\n\n<p>Mart\u00edn Duarte estava t\u00e3o feliz com seu trabalho como guarda floresta que decidiu estudar uma carreira profissional para faz\u00ea-lo melhor.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A miss\u00e3o do t\u00e9cnico agr\u00edcola de Bogot\u00e1, de 36 anos, era proteger o Parque Nacional Serra da Macarena<\/strong>, um o\u00e1sis rochoso no meio das terras baixas onde come\u00e7a a Amaz\u00f4nia colombiana e que \u00e9 parte do Escudo Guian\u00eas. Embora Ca\u00f1o Cristales &#8211; seu \u2018rio de sete cores\u2019 &#8211; seja uma paisagem ic\u00f4nica que adorna folhetos tur\u00edsticos e cartazes de aeroportos em todo o pa\u00eds, s\u00f3 agora os colombianos come\u00e7am a visitar a esta remota serra gra\u00e7as a uma maior seguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u00f3 agora os colombianos come\u00e7am a visitar a esta remota serra gra\u00e7as a uma maior seguran\u00e7a.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Em 2008, no entanto, La Macarena ainda era o cen\u00e1rio de fortes combates entre os militares, guerrilheiros e outros grupos criminosos. De fato, <strong>foi o epicentro de uma das <a href=\"https:\/\/economia.uniandes.edu.co\/components\/com_booklibrary\/ebooks\/dcede2011-13.pdf\">principais estrat\u00e9gias<\/a> &#8211; a de \u2018consolida\u00e7\u00e3o territorial\u2019 &#8211; com a qual o governo colombiano conseguiu reverter a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as com as Farc, <a href=\"https:\/\/www.ifit-transitions.org\/resources\/publications\/major-publications-briefings\/the-colombian-peace-talks-practical-lessons-for-negotiators-worldwide\/los-debates-de-la-habana.pdf\">empurrando-as<\/a> para negocia\u00e7\u00f5es de paz.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Naquela \u00e9poca, como hoje, <strong>uma das principais fun\u00e7\u00f5es dos guardas florestais era trabalhar com as comunidades camponesas ao redor &#8211; e at\u00e9 mesmo dentro &#8211; dos parques. A paix\u00e3o por essa parte de seu trabalho motivou Mart\u00edn a estudar psicologia social comunit\u00e1ria. <\/strong>Toda semana, ele ia de moto por uma hora de sua cabana dentro do parque, em San Juan de Arama, at\u00e9 a Universidade Nacional a Dist\u00e2ncia (UNAD) na comunidade de Acac\u00edas, ambas no departamento de Meta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Depois de oito semestres, apenas restava um para a formatura.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery alignfull columns-2 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1707\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/CYD_0075-scaled.jpg\" alt=\"\" data-id=\"4979\" data-full-url=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/CYD_0075-scaled.jpg\" data-link=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/es\/index.php\/2019\/04\/23\/los-guardianes-de-los-parques-que-la-guerra-se-llevo\/cyd_0075\/\" class=\"wp-image-4979\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211055\/CYD_0075-scaled.jpg 2560w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211055\/CYD_0075-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211055\/CYD_0075-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211055\/CYD_0075-768x512.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211055\/CYD_0075-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211055\/CYD_0075-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211055\/CYD_0075-150x100.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211055\/CYD_0075-696x464.jpg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211055\/CYD_0075-1068x712.jpg 1068w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211055\/CYD_0075-1920x1280.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1707\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Martin-3-scaled.jpg\" alt=\"\" data-id=\"4987\" data-full-url=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Martin-3-scaled.jpg\" data-link=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/es\/index.php\/2019\/04\/23\/los-guardianes-de-los-parques-que-la-guerra-se-llevo\/martin-3\/\" class=\"wp-image-4987\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211037\/Martin-3-scaled.jpg 2560w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211037\/Martin-3-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211037\/Martin-3-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211037\/Martin-3-768x512.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211037\/Martin-3-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211037\/Martin-3-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211037\/Martin-3-150x100.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211037\/Martin-3-696x464.jpg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211037\/Martin-3-1068x712.jpg 1068w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211037\/Martin-3-1920x1280.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><figcaption class=\"blocks-gallery-caption\">MART\u00cdN DUARTE<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Duarte levava 13 anos trabalhando no sistema de Parques Nacionais.<\/strong> Ele come\u00e7ou no parque nacional perto de Bogot\u00e1, que protege o p\u00e1ramo Sumapaz no alto da cordilheira. De l\u00e1 ele foi para Los Picachos, que protege as florestas de transi\u00e7\u00e3o da Cordilheira dos Andes para a floresta. Finalmente chegou a La Macarena ap\u00f3s separar-se de sua esposa e solicitar uma transfer\u00eancia para estar mais pr\u00f3ximo de sua filha Stephan\u00eda.<\/p>\n\n\n\n<p>As circunst\u00e2ncias da morte de Mart\u00edn ainda n\u00e3o est\u00e3o claras. O que sua fam\u00edlia foi capaz de reconstruir \u00e9 que, ao voltar para sua cabana depois de trabalhar com alguns camponeses da regi\u00e3o, ele se deparou com um grupo de homens armados que n\u00e3o conhecia. <strong>Havia quatro deles e eles estavam levando uma mulher \u00e0 for\u00e7a.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>ao voltar para sua cabana depois de trabalhar com alguns camponeses da regi\u00e3o, ele se deparou com um grupo de homens armados que n\u00e3o conhecia<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Depois disso, Mart\u00edn passou dois dias em Bogot\u00e1 de licen\u00e7a. <strong>Ele voltou cedo na sexta-feira para o parque, sem contar a ningu\u00e9m sobre a cena que testemunhou, certamente ciente de que isso poderia custar-lhe a vida.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No s\u00e1bado 2 de fevereiro de 2008, por volta das 8:30 da noite, ele ligou para sua tia Carmen Elena Triana, que ele visitava com frequ\u00eancia na comunidade vizinha de Granada. &#8220;Elenita, estou ferido, venha me pegar&#8221;, ele suplicou, sua voz se interrompia mas falava com urg\u00eancia. Embora n\u00e3o haja certeza, <strong>os ind\u00edcios sugerem que assaltantes desconhecidos atiraram nele pelas costas enquanto trabalhava. Eles devem ter-lhe tirado o telefone porque ele n\u00e3o o atendeu novamente.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Nunca lhe deram nenhum aviso. N\u00e3o lhe deram uma chance. Atiraram pelas costas&#8221;<\/p><cite>Elsa Acero<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Quando as autoridades chegaram \u00e0 cabana, Martin j\u00e1 estava morto. <strong>O <a href=\"https:\/\/www.fiscalia.gov.co\/colombia\/wp-content\/uploads\/Sentencia-2008-80012.pdf\">diagn\u00f3stico m\u00e9dico<\/a> foi de choque hipovol\u00eamico, causado pelo ferimento de bala na medula espinhal, perda severa de sangue e falta de atendimento m\u00e9dico.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Nunca lhe deram nenhum aviso. N\u00e3o lhe deram uma chance. Atiraram pelas costas&#8221;, diz Elsa Acero, sua m\u00e3e.<\/p>\n\n\n\n<p>Um m\u00eas depois, em uma opera\u00e7\u00e3o liderada pela Gaula (uma unidade antissequestro das For\u00e7as Armadas), Libia Camila Dom\u00ednguez, uma mulher de 22 anos para quem foi <a href=\"https:\/\/vanguardia.com.mx\/rescatanaestudianteenoperacionantisecuestroencolombia-134840.html\">pedido<\/a> um resgate de um bilh\u00e3o de pesos (US$ 300.000), foi resgatada. Quatro homens foram capturados, juntamente com um arsenal de armas: um fuzil AK-47, uma submetralhadora, duas granadas, duas espingardas e dois rev\u00f3lveres.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os quatro foram condenados pelo sequestro agravado por extors\u00e3o de Dom\u00ednguez a at\u00e9 59 anos de pris\u00e3o<\/strong>: Carlos Adolfo Plazas Ram\u00edrez, conhecido como \u2018Parrilla\u2019, comerciante; Elisein Pinto P\u00e9rez, conhecido como &#8216;Pedro&#8217;, pedreiro; Uriel Beltr\u00e1n Lozano, conhecido como &#8216;Fredy&#8217;, comerciante; E Gonzalo Ch\u00e1vez Vargas, conhecido como &#8216;Andr\u00e9s&#8217;, motorista.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1707\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/CYD_0096-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4980\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211051\/CYD_0096-scaled.jpg 2560w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211051\/CYD_0096-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211051\/CYD_0096-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211051\/CYD_0096-768x512.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211051\/CYD_0096-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211051\/CYD_0096-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211051\/CYD_0096-150x100.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211051\/CYD_0096-696x464.jpg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211051\/CYD_0096-1068x712.jpg 1068w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211051\/CYD_0096-1920x1280.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption>FOTOS DE MART\u00cdN DUARTE COMO GUARDA FLORESTAL. CORTESIA: FAM\u00cdLIA DUARTE ACERO<br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>no dia seguinte a ter ouvido um tiro na floresta, um deles lhe disse que tinha tido um problema com um engenheiro ambiental &#8220;alcaguete&#8221;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>O julgamento pelo assassinato de Mart\u00edn foi t\u00e3o traum\u00e1tico para a fam\u00edlia Duarte que eles deixaram de ir \u00e0s audi\u00eancias, feridos pelos constantes adiamentos por raz\u00f5es processuais.<\/strong> Para eles, o caso parecia forte e claro: Libia Camila <a href=\"https:\/\/www.fiscalia.gov.co\/colombia\/wp-content\/uploads\/Sentencia-2008-80012.pdf\">testemunhou<\/a> &#8211; de uma c\u00e2mara&nbsp;Gesell cuja janela escura impedia que seus captores a vissem &#8211; que, no dia seguinte a ter ouvido um tiro na floresta, um deles lhe disse que tinha tido um problema com um engenheiro ambiental &#8220;alcaguete&#8221;. <strong>&#8220;Voc\u00ea sabe que eles est\u00e3o a procurando e aquele homem viu alguma coisa, ent\u00e3o atiraram nele&#8221;<\/strong>, <a href=\"https:\/\/www.fiscalia.gov.co\/colombia\/wp-content\/uploads\/Sentencia-2008-80012.pdf\">disse ela<\/a> que um de seus captores lhe disse.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Muitos documentos, mas sem resultados&#8221;<\/p><cite>Jos\u00e9 Venancio Duarte<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Mesmo assim, em 28 de abril de 2014, seis anos ap\u00f3s o assassinato de Mart\u00edn e apesar do pedido da Procuradoria Geral para condenar os quatro suspeitos de homic\u00eddio agravado, um tribunal de Bogot\u00e1 os absolveu por falta de provas concretas. A ju\u00edza Martha Cecilia Artunduaga <a href=\"https:\/\/www.fiscalia.gov.co\/colombia\/wp-content\/uploads\/Sentencia-2008-80012.pdf\">decidiu<\/a> que &#8220;n\u00e3o se pode concluir que haja qualquer prova direta e s\u00e9ria que possa refutar a presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia dos r\u00e9us&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Muitos documentos, mas sem resultados&#8221;, diz o pai de Mart\u00edn, Jos\u00e9 Venancio Duarte, sem amargura, mas com profundo pesar.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Guardas florestais em meio \u00e0 guerra<\/h2>\n\n\n\n<p>Ser um guarda florestal na Col\u00f4mbia significa muito mais do que proteger um parque nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um pa\u00eds devastado por meio s\u00e9culo de guerra que <a href=\"https:\/\/www.unidadvictimas.gov.co\/es\/registro-unico-de-victimas-ruv\/37394\">deixou<\/a> 220.000 mortos e 8,8 milh\u00f5es de v\u00edtimas, significava lidar com uma mir\u00edade de grupos armados &#8211; muitas vezes em conflito entre eles &#8211; <strong>e persuadi-los de que seu trabalho n\u00e3o era prejudicial a eles.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ainda hoje eles t\u00eam que lidar com vastas planta\u00e7\u00f5es ilegais de coca e papoula<\/strong>, plantadas em pastagens onde as florestas foram derrubadas para dar lugar a elas. <strong>Com dragas e retroescavadeiras sedentas de ouro e coltan escondidos. Com o desmatamento desenfreado <\/strong>que procura deliberadamente &#8216;desmantelar&#8217; a floresta para vender <a href=\"https:\/\/www.elespectador.com\/noticias\/medio-ambiente\/asi-funciona-el-trafico-de-madera-en-colombia-articulo-815316\">madeiras finas<\/a> ou para apropriar-se de terras p\u00fablicas. <strong>Ou com as minas antipessoais<\/strong> plantadas para quebrar a perna de qualquer humano &#8211; ou animal &#8211; que as pise.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1707\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Martin-1-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4985\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211043\/Martin-1-scaled.jpg 2560w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211043\/Martin-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211043\/Martin-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211043\/Martin-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211043\/Martin-1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211043\/Martin-1-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211043\/Martin-1-150x100.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211043\/Martin-1-696x464.jpg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211043\/Martin-1-1068x712.jpg 1068w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211043\/Martin-1-1920x1280.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption>FOTOS DE MART\u00cdN DUARTE COMO GUARDA FLORESTAL. CORTESIA: FAM\u00cdLIA DUARTE ACERO<br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Martin n\u00e3o foi o primeiro. A lista \u00e9 longa e cobre quase toda a geografia do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Tr\u00eas anos mais tarde, dois outros guardas florestais morreram violentamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 29 de abril de 2011, o t\u00e9cnico ambiental Jaime Gir\u00f3n Portilla percorria uma trilha no Parque Natural Nacional Serra dos Churumbelos, que protege 970 quil\u00f4metros quadrados de floresta tropical na Bota Caucana, no sudoeste do pa\u00eds, <strong>quando uma <a href=\"https:\/\/www.elcolombiano.com\/historico\/no_mas_minas_antipersonal_en_los_parques_nacionales-DCEC_168658\">mina antipessoal<\/a> o matou.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cEle sempre teve o objetivo de trabalhar em Parques Nacionais. Estudava os nomes de todas as aves com seus livros e estava ciente dos danos causados \u00e0s florestas. \u2018Impacto ambiental\u2019 eram as palavras que ele falava com mais frequ\u00eancia\u201d<\/p><cite>Yadira Vargas<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Gir\u00f3n, que estava apenas em seu quarto m\u00eas como guarda florestal, <strong>estava no meio de uma viagem de uma semana para ajudar um vizinho a fazer georreferenciamento&nbsp;de terreno que seria usado para a conserva\u00e7\u00e3o.<\/strong> Ele foi evacuado em um helic\u00f3ptero militar, ferido na perna esquerda, mas morreu antes de chegar ao hospital em Villagarz\u00f3n, Putumayo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ele sempre teve o objetivo de trabalhar em Parques Nacionais. Estudava os nomes de todas as aves com seus livros e estava ciente dos danos causados \u00e0s florestas. \u2018Impacto ambiental\u2019 eram as palavras que ele falava com mais frequ\u00eancia&#8221;, lembra sua esposa Yadira Vargas, para quem <strong>o acidente significou ter que criar dois filhos, um deles com um ano de idade, sozinha.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cinco meses depois, Jairo Antonio Varela foi <a href=\"https:\/\/verdadabierta.com\/por-que-mataron-a-jairo-varela\/\">assassinado<\/a> no Parque Nacional Paramillo, um cruzamento de cordilheiras que tem sido uma das <strong>rotas mais <a href=\"https:\/\/lasillavacia.com\/silla-caribe\/la-coca-en-el-caribe-crece-en-donde-esta-la-guerra-68056\">cobi\u00e7adas<\/a> pelos traficantes de drogas para contrabandear drogas atrav\u00e9s do Mar do Caribe.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>estranhos os interceptaram em v\u00e1rias ocasi\u00f5es para perguntar por que estavam medindo as terras sem permiss\u00e3o.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Varela, de 48 anos, n\u00e3o era apenas um funcion\u00e1rio do parque, mas tamb\u00e9m o <a href=\"https:\/\/verdadabierta.com\/por-que-mataron-a-jairo-varela\/\">reconhecido l\u00edder<\/a> de Saiza, <strong>uma comunidade deslocada pelos paramilitares que estava retornando.<\/strong> Como <a href=\"https:\/\/verdadabierta.com\/por-que-mataron-a-jairo-varela\/\">reconstru\u00eddo<\/a> pelo site Verdad Abierta, <strong>Jairo e seus colegas estavam atualizando o censo de 1.039 fam\u00edlias que vivem dentro do parque, para eventualmente compens\u00e1-las pelas atividades que n\u00e3o podiam mais fazer porque viviam em uma \u00e1rea protegida.<\/strong> Para isso, eles visitaram, um a um, as 33 aldeias do corregimento onde Jairo nasceu, conversaram com os moradores e escreviam o que cada fam\u00edlia fazia em sua fazenda.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo se depararam com um problema: em um ter\u00e7o das aldeias, <strong>pessoas desconhecidas estavam plantando coca, resultado de um <a href=\"https:\/\/verdadabierta.com\/por-que-mataron-a-jairo-varela\/\">repovoamento<\/a> aparentemente dirigido pelas Farc. <\/strong>Embora Jairo tivesse falado com um l\u00edder local das Farc e o informado sobre a import\u00e2ncia do censo, estranhos os interceptaram em v\u00e1rias ocasi\u00f5es para perguntar por que estavam medindo as terras sem permiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images.prismic.io\/opendataiii\/9072e5e3b9db244d7817b46ca72b41134cc71a17_book.jpg?auto=compress,format\" alt=\"\"\/><figcaption>ESTE \u00c9 O DI\u00c1RIO DE CAMPO MANTIDO POR JAIME GIR\u00d3N DURANTE A VIAGEM NA QUAL ENCONTROU SUA MORTE NO PARQUE NACIONAL DE CHURUMBELOS.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Os tr\u00eas guardas florestais eram os olhos do Estado em territ\u00f3rios onde o ele historicamente esteve ausente e onde havia interesses muito mais poderosos do que aqueles que eles podiam controlar<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>Na noite de 5 de outubro de 2011, pessoas armadas o convocaram para uma reuni\u00e3o da qual ele nunca mais voltou.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os tr\u00eas guardas florestais eram os olhos do Estado em territ\u00f3rios onde o ele historicamente esteve ausente e onde havia interesses muito mais poderosos do que aqueles que eles podiam controlar.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;<strong>O fardo de ser o Estado \u00e9 realmente muito injusto. N\u00f3s lhes atribu\u00edmos fun\u00e7\u00f5es de controle e vigil\u00e2ncia para lidar com problemas de ca\u00e7a, turismo mal administrado ou uso indevido da \u00e1gua, como se estiv\u00e9ssemos em Yellowstone<\/strong>. Nunca se pensou que &#8211; armados com um uniforme e um c\u00f3digo de recursos naturais &#8211; teriam que enfrentar guerrilheiros, paramilitares e grupos criminosos&#8221;, diz Eugenia Ponce de Le\u00f3n, advogada ambientalista que dirigiu o Instituto Humboldt e foi ouvidora ambiental.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Nunca se pensou que &#8211; armados com um uniforme e um c\u00f3digo de recursos naturais &#8211; teriam que enfrentar guerrilheiros, paramilitares e grupos criminosos&#8221;<\/p><cite>Eugenia Ponce de Le\u00f3n<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Como diz a m\u00e3e de Mart\u00edn, &#8220;eles n\u00e3o tinham nem um alfinete para se defenderem, talvez os paus das \u00e1rvores&#8221;. Eles estavam totalmente desprotegidos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images.prismic.io\/opendataiii\/879287d1597327a7f4af5cda689d357c5ba51e32_jaime5.png?auto=compress,format\" alt=\"\"\/><figcaption>FOTOS DE JAIME GIR\u00d3N EM SUA \u00daLTIMA SEMANA DE TRABALHO E DE SUA ESPOSA YADIRA, QUE ASSUMIU SEU PAPEL DE GUARDA FLORESTAL. CORTESIA: YADIRA VARGAS<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A janela de oportunidade para descobrir o que aconteceu<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Uma coisa que as fam\u00edlias destes tr\u00eas guardas florestais t\u00eam em comum: elas querem, acima de tudo, saber exatamente por que eles morreram.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Queremos realmente saber o que aconteceu. <strong>Se n\u00e3o fosse porque ele fez a chamada, corajosamente, ferido mortalmente, n\u00e3o haveria nada. Estar\u00edamos falando de uma pessoa desaparecida<\/strong>&#8220;, diz Javier Duarte, um arquiteto especializado em espa\u00e7o p\u00fablico e irm\u00e3o mais velho de Mart\u00edn.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Queremos realmente saber o que aconteceu&#8221;.<\/p><cite>Javier Duarte<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Como muitas v\u00edtimas do conflito, a fam\u00edlia de Martin quer saber &#8211; acima de tudo &#8211; a verdade. Se as 27.000 propostas <a href=\"http:\/\/www.altocomisionadoparalapaz.gov.co\/Prensa\/Comunicados\/Documents\/2016\/proceso-paz-colombia-cartilla-acuerdo-victimas.pdf\">enviadas pelas v\u00edtimas<\/a> \u00e0 mesa de negocia\u00e7\u00f5es em Havana s\u00e3o algum indicador, <strong>aqueles que mais sofreram com a viol\u00eancia d\u00e3o prioridade \u00e0 possibilidade de reconstruir suas vidas (34%) e conhecer a verdade (16%), mesmo antes que a justi\u00e7a (11%).<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A fam\u00edlia Duarte tem v\u00e1rias hip\u00f3teses, mas poucas certezas. <strong>De acordo os boatos na \u00e1rea de La Macarena, dois dos detentos absolvidos eram guerrilheiros das Farc e os outros dois eram civis. Eles tamb\u00e9m acreditam que os sequestradores eram possivelmente novos guerrilheiros na \u00e1rea, o que explicaria porque n\u00e3o tinham nenhuma refer\u00eancia deles.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Onze anos ap\u00f3s o assassinato de Martin e dois anos ap\u00f3s a assinatura do Acordo de Paz, que levou a 13.049 membros das Farc a <a href=\"https:\/\/www.ifit-transitions.org\/resources\/publications\/major-publications-briefings\/the-colombian-peace-talks-practical-lessons-for-negotiators-worldwide\/los-debates-de-la-habana.pdf\">deporem<\/a> suas armas, h\u00e1 finalmente novas pistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de comparar os nomes das quatro pessoas condenadas pelo sequestro de Libia Camila com as listas das Farc, <strong>descobrimos que duas delas t\u00eam de fato alguma liga\u00e7\u00e3o com a antiga guerrilha marxista.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>j\u00e1 que a maioria das pessoas n\u00e3o entra no sistema prisional colombiano por causa de seu status de guerrilheiro, mas por causa de crimes espec\u00edficos<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Um deles, Elisein Pinto, est\u00e1 entre os 3.170 presos (&#8220;pessoas privadas de liberdade&#8221; ou PPL, no jarg\u00e3o do Acordo de Paz) que as Farc reconheceram nas listas que entregaram de seus combatentes. <strong>Ap\u00f3s as devidas verifica\u00e7\u00f5es, o governo o confirmou como membro das Farc, tornando-o assim eleg\u00edvel para os benef\u00edcios e obriga\u00e7\u00f5es do acordo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Embora j\u00e1 tenha passado uma d\u00e9cada desde sua condena\u00e7\u00e3o, s\u00f3 agora foi poss\u00edvel estabelecer com certeza sua filia\u00e7\u00e3o \u00e0 guerrilha, j\u00e1 que a maioria das pessoas n\u00e3o entra no sistema prisional colombiano por causa de seu status de guerrilheiro, mas por causa de crimes espec\u00edficos. Como resultado, o Estado muitas vezes n\u00e3o sabia quem eram os membros das Farc na pris\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo caso, o de Carlos Adolfo Plazas, \u00e9 mais complexo. <strong>Ele aparece nessas mesmas listas, mas depois foi exclu\u00eddo em 22 de setembro de 2017, a pedido das pr\u00f3prias Farc<\/strong>, mas raz\u00e3o \u00e9 pouco clara, em virtude de uma disposi\u00e7\u00e3o do acordo que lhes d\u00e1 a responsabilidade de compil\u00e1-las.<\/p>\n\n\n\n<p>Isto significa que pelo menos um dos suspeitos do assassinato de Mart\u00edn pode ajudar a reconstruir o que aconteceu em 2 de fevereiro de 2008.<\/p>\n\n\n\n<p>Este cen\u00e1rio \u00e9 poss\u00edvel porque o acordo de paz colombiano concebeu um <strong>sistema de justi\u00e7a de transi\u00e7\u00e3o inovador, em que &#8211; em vez de privilegiar o direito de qualquer v\u00edtima em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s demais &#8211; a Col\u00f4mbia optou por tentar satisfazer a todos.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>pelo menos um dos suspeitos do assassinato de Mart\u00edn pode ajudar a reconstruir o que aconteceu em 2 de fevereiro de 2008.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Sob esta f\u00f3rmula, ex-combatentes das Farc poder\u00e3o receber uma senten\u00e7a mais branda por crimes graves, como assassinato e sequestro, se cumprirem tr\u00eas condi\u00e7\u00f5es inevit\u00e1veis: <strong>reconhecer sua responsabilidade, contar a verdade que sabem e compensar suas v\u00edtimas. <\/strong>Com este modelo, a Col\u00f4mbia procura cumprir suas obriga\u00e7\u00f5es legais, assegurando ao mesmo tempo que os direitos das v\u00edtimas \u00e0 verdade, justi\u00e7a, repara\u00e7\u00e3o e n\u00e3o repeti\u00e7\u00e3o sejam respeitados.<\/p>\n\n\n\n<p>A Jurisdi\u00e7\u00e3o Especial para a Paz (comumente conhecida como JEP) est\u00e1 encarregada de investigar, julgar e punir os crimes mais graves, enquanto a Comiss\u00e3o da Verdade tem a miss\u00e3o de reconstruir a verdade sobre o que aconteceu no conflito e a Unidade de Busca de Pessoas Desaparecidas est\u00e1 localizando os mais de <a href=\"https:\/\/www.ifit-transitions.org\/resources\/publications\/major-publications-briefings\/the-colombian-peace-talks-practical-lessons-for-negotiators-worldwide\/los-debates-de-la-habana.pdf\">45.000 colombianos<\/a> dos quais n\u00e3o h\u00e1 rastros, como o guarda florestal Daniel Moy\u00e1 no Parque Nacional Los Kat\u00edos.<\/p>\n\n\n\n<p>A cria\u00e7\u00e3o deste sistema de justi\u00e7a de transi\u00e7\u00e3o &#8211; que vigorar\u00e1 por apenas tr\u00eas a quinze anos &#8211; fez com que v\u00e1rios cientistas e t\u00e9cnicos do setor ambiental pensassem: <strong>E se a JEP e a Comiss\u00e3o da Verdade investigarem os in\u00fameros danos contra o meio ambiente, desde os ataques contra oleodutos at\u00e9 o assassinato de funcion\u00e1rios que se preocupam com esses ecossistemas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1707\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/FamiliaMartin1-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4982\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211047\/FamiliaMartin1-scaled.jpg 2560w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211047\/FamiliaMartin1-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211047\/FamiliaMartin1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211047\/FamiliaMartin1-768x512.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211047\/FamiliaMartin1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211047\/FamiliaMartin1-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211047\/FamiliaMartin1-150x100.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211047\/FamiliaMartin1-696x464.jpg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211047\/FamiliaMartin1-1068x712.jpg 1068w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211047\/FamiliaMartin1-1920x1280.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;<strong>Dado o horror do que aconteceu na guerra, esta parece ser uma quest\u00e3o menor, mas n\u00e3o \u00e9. <\/strong>Os parques nacionais foram minerados, bombardeados, cultivados com coca, fumigados com glifosato [para erradic\u00e1-la], jogaram-lhes merc\u00fario, \u00f3leo, abriram estradas ilegais e comeram sua fauna&#8221;, diz Eugenia Ponce de Le\u00f3n, que trabalha com guardas florestais desde que come\u00e7ou sua carreira h\u00e1 tr\u00eas d\u00e9cadas como advogada dos Parques Nacionais.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Os parques nacionais foram minerados, bombardeados, cultivados com coca, fumigados com glifosato [para erradic\u00e1-la], jogaram-lhes merc\u00fario, \u00f3leo, abriram estradas ilegais e comeram sua fauna&#8221;<\/p><cite>Eugenia Ponce de Le\u00f3n<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ela e outros advogados ambientais prepararam uma an\u00e1lise jur\u00eddica propondo que <strong>h\u00e1 uma oportunidade \u00fanica de avaliar os danos ambientais deixados pela viol\u00eancia<\/strong>, conseguiram persuadir o sistema de Parques Nacionais e estes \u00faltimos ir\u00e3o propor formalmente ao sistema de justi\u00e7a de transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre seus argumentos est\u00e1 que o Estatuto de Roma &#8211; que criou o Tribunal Penal Internacional e que a Col\u00f4mbia assinou &#8211; contempla que <strong>ataques que causam &#8220;danos extensos, duradouros e graves ao meio ambiente natural&#8221; podem ser considerados, em certos casos, como crimes de guerra.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;<strong>Os parques nacionais n\u00e3o t\u00eam sido apenas o epicentro da guerra, mas s\u00e3o tamb\u00e9m o lar de recursos estrat\u00e9gicos: de minera\u00e7\u00e3o, energia, potencial agroindustrial e de infraestrutura<\/strong>. Apesar do Acordo de Paz, este patrim\u00f4nio coletivo de todos os colombianos corre o risco de ser novamente vitimizado, porque esses interesses e recursos ainda est\u00e3o l\u00e1&#8221;, diz Rodrigo Botero, <a href=\"http:\/\/fcds.org.co\/\">diretor<\/a> da Funda\u00e7\u00e3o para Conserva\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (FCDS), que foi chefe do escrit\u00f3rio regional de Parques Nacionais na Amaz\u00f4nia por 10 anos.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Apesar do Acordo de Paz, este patrim\u00f4nio coletivo de todos os colombianos corre o risco de ser novamente vitimizado, porque esses interesses e recursos ainda est\u00e3o l\u00e1&#8221;.<\/p><cite>Rodrigo Botero<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Sua proposta n\u00e3o sai de um v\u00e1cuo. <strong>O pr\u00f3prio Acordo de Paz menciona a possibilidade de o reflorestamento ser considerado como uma forma de repara\u00e7\u00e3o \u00e0s v\u00edtimas e como um projeto de trabalho para os ex-combatentes que est\u00e3o se reintegram na vida civil. <\/strong>Da mesma forma, o programa de substitui\u00e7\u00e3o da coca tem um plano especial para erradicar os 8.301 hectares de coca plantados em 16 parques (incluindo 2.832 em La Macarena). Finalmente, o mandato da Comiss\u00e3o da Verdade inclui a clarifica\u00e7\u00e3o do impacto sobre os direitos ambientais dos colombianos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Estas ideias, entretanto, precisam de um novo impulso ap\u00f3s a mudan\u00e7a de governo e a chegada do Presidente Iv\u00e1n Duque, que prometeu implementar o acordo, mas na pr\u00e1tica tem se inclinado a diluir seu significado hist\u00f3rico. <\/strong>Essa incerteza s\u00f3 cresceu em mar\u00e7o, com sua decis\u00e3o de se opor a partes de uma lei que regularia o trabalho do sistema de justi\u00e7a de transi\u00e7\u00e3o criado pelo acordo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 uma d\u00edvida deste pa\u00eds. N\u00e3o devemos continuar em sil\u00eancio sobre os passivos ambientais que esta guerra nos deixou. Esta \u00e9 a oportunidade de torn\u00e1-la vis\u00edvel e ter decis\u00f5es exemplares, para ver como podemos garantir que n\u00e3o volte a acontecer&#8221;, diz Ponce de Le\u00f3n.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Esta \u00e9 a oportunidade de torn\u00e1-la vis\u00edvel e ter decis\u00f5es exemplares, para ver como podemos garantir que n\u00e3o volte a acontecer&#8221;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Se essa ideia se concretizar e a JEP decidir abrir um macro caso, a Col\u00f4mbia poderia entender muito melhor o papel contradit\u00f3rio desempenhado por uma guerrilha que, ao mesmo tempo, <strong>se escondia no denso tapete verde da selva e impunha \u2018manuais ambientais\u2019 que restringiam a ca\u00e7a e o corte de madeira, enquanto explorava oleodutos e se financiava atrav\u00e9s de economias criminosas e predat\u00f3rias, como o cultivo de coca e a minera\u00e7\u00e3o ilegal.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A responsabilidade direta das Farc \u00e9 clara em pelo menos mais um desses tr\u00eas casos.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Infelizmente, sim, essa decis\u00e3o foi tomada&#8221;, <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=dr0HE85kl0I\">reconheceu<\/a> em 2016 <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">&#8216;Manteco&#8217;<\/span>, o comandante da 58\u00aa Frente operando na \u00e1rea, quando perguntado pelo portal de investiga\u00e7\u00e3o Verdad Abierta sobre a morte de Jairo Varela.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Foi dito a Jairo, quinze dias antes, &#8216;pare&#8217; porque ele estava fazendo um censo e medindo as terras com o \u00fanico prop\u00f3sito &#8211; que era o engano &#8211; de legalizar as terras e [que] Parques podia fazer qualquer negocia\u00e7\u00e3o com os camponeses. E o homem n\u00e3o estava fazendo isso: era um novo deslocamento&#8221;, acrescentou ele, falando em c\u00e2mera, em uma <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=dr0HE85kl0I\">reportagem especial<\/a> sobre caso de Paramillo.<\/p>\n\n\n\n<iframe style=\"width:100%;height:700px\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/dr0HE85kl0I\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe>\n\n\n\n<div><small style=\"font-size:60%\">CORTESIA DE VERDAD ABIERTA<\/small><div class=\"_3C-sm\"><div><p><\/p><\/div><\/div><\/div>\n\n\n\n<p>Um ano ap\u00f3s essa admiss\u00e3o, Yoverman S\u00e1nchez Arroyave &#8211; o verdadeiro nome de Manteco &#8211; dep\u00f4s suas armas como parte do Acordo de Paz e se estabeleceu na zona de concentra\u00e7\u00e3o de Gallo em C\u00f3rdoba, para iniciar o processo de reincorpora\u00e7\u00e3o \u00e0 legalidade. Ap\u00f3s as dificuldades log\u00edsticas deste local remoto, este grupo de ex-combatentes das Farc mudou seu acampamento para Mutat\u00e1, em Antioquia, onde come\u00e7aram sua nova vida e onde S\u00e1nchez ainda vive.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso de Jaime Gir\u00f3n, a responsabilidade \u00e9 mais dif\u00edcil de estabelecer, pois <strong>tanto as Farc quanto a guerrilha do Ex\u00e9rcito de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional (ELN), que ainda est\u00e1 em armas, usaram minas como arma de guerra e tiveram presen\u00e7a na Bota Caucana.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, o uso de minas &#8211; que <a href=\"https:\/\/www.unidadvictimas.gov.co\/es\/registro-unico-de-victimas-ruv\/37394\">deixou<\/a> 11.462 v\u00edtimas diretas (sem contar membros da fam\u00edlia) &#8211; \u00e9 uma das verdades pelas quais as Farc (desmobilizadas) ter\u00e3o que responder \u00e0 justi\u00e7a de transi\u00e7\u00e3o. O \u2018Monitor de Minas\u2019, o relat\u00f3rio anual da Campanha Internacional para a Elimina\u00e7\u00e3o de Minas (ICBL) que mede o cumprimento de cada pa\u00eds na elimina\u00e7\u00e3o desses dispositivos explosivos contemplados na Conven\u00e7\u00e3o de Ottawa, os <a href=\"http:\/\/archives.the-monitor.org\/index.php\/cp\/display\/region_profiles\/theme\/3350\">descreveu<\/a> como &#8220;os mais prol\u00edficos usu\u00e1rios de minas entre os grupos rebeldes do mundo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Se o dossi\u00ea ambiental chegar \u00e0 JEP e \u00e0 Comiss\u00e3o da Verdade, muitos ex-membros das Farc &#8211; incluindo Elisein Pinto e Yoverman S\u00e1nchez &#8211; ser\u00e3o obrigados a contar o que sabem sobre casos como o de Mart\u00edn e Jairo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Funcion\u00e1rios de um Estado insens\u00edvel<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;Muitas fam\u00edlias tamb\u00e9m se sentem feridas pelo Estado para o qual seus entes queridos trabalhavam, o qual eles julgam distante e indolente com suas trag\u00e9dias.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eles nunca nos ligaram nem vieram nos visitar. Voc\u00ea sabe o que aconteceu com a menina, que tinha 13 anos? Nunca lhes ocorreu ajudar-nos com um psic\u00f3logo para sua m\u00e3e, seu pai, seus irm\u00e3os? \u00c9 uma aus\u00eancia total do Estado&#8221;, diz Elsa Acero, sentada na sala de estar de sua casa no oeste de Bogot\u00e1. Na mesa na frente dela est\u00e1 uma foto de Mart\u00edn, sorrindo, usando seu colete azul de guarda florestal, em um barco no Parque Nacional de Amacayacu.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cEles nunca nos ligaram nem vieram nos visitar. Voc\u00ea sabe o que aconteceu com a menina, que tinha 13 anos? Nunca lhes ocorreu ajudar-nos com um psic\u00f3logo para sua m\u00e3e, seu pai, seus irm\u00e3os? \u00c9 uma aus\u00eancia total do Estado\u201d<\/p><cite>Elsa Acero<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>&#8220;Ele n\u00e3o merecia isso porque deu toda a sua vida em favor dos Parques. Ele vivia apaixonado por seu trabalho&#8221;, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Nunca houve indiferen\u00e7a. Com as fam\u00edlias em \u00e1reas remotas, n\u00e3o temos sido capazes de lhes fornecer o tipo de assist\u00eancia abrangente que gostar\u00edamos. <strong>Tentamos d\u00e1-la aos funcion\u00e1rios e contratantes: com eles j\u00e1 temos muitos casos, contando aqueles que foram amea\u00e7ados<\/strong>&#8220;, diz Julia Miranda, diretora de Parques Nacionais h\u00e1 15 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em resposta ao nosso direito de peti\u00e7\u00e3o, a entidade explicou que tinha a inten\u00e7\u00e3o de fornecer acompanhamento psicossocial aos membros da fam\u00edlia, mas que &#8220;devido a limita\u00e7\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias e log\u00edsticas, ao n\u00famero insuficiente de pessoal para tratar destas quest\u00f5es na \u00e9poca e \u00e0 operacionalidade das \u00e1reas na \u00e9poca dos eventos, apenas algumas abordagens iniciais foram feitas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cdevido a limita\u00e7\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias e log\u00edsticas, ao n\u00famero insuficiente de pessoal para tratar destas quest\u00f5es na \u00e9poca e \u00e0 operacionalidade das \u00e1reas na \u00e9poca dos eventos, apenas algumas abordagens iniciais foram feitas\u201d.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Com o passar do tempo, muitos dos objetos de Martin se perderam. Os cadernos e livros de psicologia foram entregues a uma sobrinha. Tiraram a &#8220;l\u00e2mpada de \u00e1rvore&#8221;, que ele fez em seu tempo livre de um tronco de \u00e1rvore, porque ocupava muito espa\u00e7o. Ainda ficam um cartaz de uma vit\u00f3ria real, e um marac\u00e1 que ele fez \u00e0 m\u00e3o de com <em>totumo<\/em> seco.<\/p>\n\n\n\n<p>Eles arcaram com tudo, desde curar a dor de perder um filho at\u00e9 criar sua neta, quase sozinhos. Agora eles est\u00e3o felizes porque Stephan\u00eda, engenheira civil da Universidade de La Salle e especialista em infraestrutura, acaba de entrar na Escola Naval de Cadetes para seguir uma carreira na Marinha colombiana. Seguindo os passos de seu pai, ela at\u00e9 trabalhou por seis meses na prefeitura de Puerto Nari\u00f1o, na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<iframe style=\"width:100%;height:700px;background-color:#262C2C\" src=\"https:\/\/live.amcharts.com\/I0ZDc\/embed\/\"><\/iframe>\n\n\n\n<p><strong>O \u00fanico apoio financeiro que eles <a href=\"http:\/\/www.pawansw.org\/newsletters\/TGL201002.pdf\">receberam<\/a>, dizem, veio da funda\u00e7\u00e3o The Thin Green Line<\/strong>, fundada pelo guarda florestal australiano Sean Willmore para apoiar as fam\u00edlias de seus colegas que morreram no cumprimento de suas obriga\u00e7\u00f5es ao redor do mundo. Caso contr\u00e1rio, nada.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Como funcion\u00e1rio p\u00fablico, digo: sempre que me lembro de que um irm\u00e3o deu sua vida por uma entidade, eu digo &#8216;n\u00e3o vale a pena&#8217;. O funcion\u00e1rio p\u00fablico tem esse problema: ele d\u00e1 muito por t\u00e3o pouco&#8221;, diz Javier Duarte.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;O funcion\u00e1rio p\u00fablico tem esse problema: ele d\u00e1 muito por t\u00e3o pouco&#8221;.<\/p><cite>Javier Duarte<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Para ser franco, n\u00e3o foi apenas o Estado que os abandonou. Um denso arquivo mostra como a <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">Colmena<\/span>, a seguradora de riscos ocupacionais, <strong>negou \u00e0 fam\u00edlia Duarte a indeniza\u00e7\u00e3o a que tinham direito porque Mart\u00edn tinha morrido enquanto trabalhava.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s uma longa troca de cartas entre Parques Nacionais e um advogado de risco ocupacional da Colmena, a empresa notificou o Governo em 4 de abril de 2008 que<strong> &#8211; em suas pr\u00f3prias palavras &#8211; &#8220;n\u00e3o est\u00e1 claro o que aconteceu&#8221; e que os acontecimentos &#8220;n\u00e3o est\u00e3o relacionados a fatores de risco ocupacional espec\u00edficos das fun\u00e7\u00f5es relacionadas ao trabalho do senhor Duarte como tecn\u00f3logo&#8221;<\/strong>. Portanto, determinou que &#8220;a presun\u00e7\u00e3o de origem comum do fato ocorrido n\u00e3o foi contestada, raz\u00e3o pela qual a Colmena Riesgos Profesionales classifica tal evento como de origem comum e n\u00e3o profissional&#8221;. A fam\u00edlia Duarte n\u00e3o foi sequer notificada pessoalmente.<\/p>\n\n\n\n<p>O Estado colombiano ratificou a vers\u00e3o da fam\u00edlia Duarte. <strong>&#8220;Todas as medidas administrativas pertinentes ao alcance da Administra\u00e7\u00e3o na reclama\u00e7\u00e3o foram tomadas, sem um resultado positivo&#8221;<\/strong>, nos reconheceu Parques Nacionais, ressaltando que a empresa argumentou que Duarte n\u00e3o tinha notificado seu chefe que ele estaria no parque e que ele estava em licen\u00e7a compensat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cHavia todas as evid\u00eancias, era claro o caminho que eles iriam tomar. Todos tiraram o corpo para n\u00e3o ter nenhuma responsabilidade\u201d<\/p><cite>Yadira Vargas<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Uma hist\u00f3ria semelhante aconteceu com a Yadira Vargas. <strong>Embora ela n\u00e3o tenha guardado nenhum documento, assegura que a empresa de risco profissional &#8211; no caso dela a estatal <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">Positiva<\/span> &#8211; tamb\u00e9m n\u00e3o reconheceu o acidente de trabalho de Jaime.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Havia todas as evid\u00eancias, era claro o caminho que eles iriam tomar. Todos tiraram o corpo para n\u00e3o ter nenhuma responsabilidade&#8221;, lembra Yadira, que ainda guarda em casa o caderno azul de campo do marido. Em suas p\u00e1ginas, juntamente com as datas do dia em que se conheceram e os nascimentos de seus filhos, Jaime escreveu meticulosamente as coordenadas, alturas e nomes de cada lugar por onde passaram naquela fat\u00eddica semana. Na sexta-feira &#8211; o quinto dia de sua viagem &#8211; o di\u00e1rio estava em branco.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8220;Eles n\u00e3o v\u00e3o dar dinheiro, mas eu tinha tanta responsabilidade com dois filhos pequenos &#8211; um deles de um ano &#8211; e eu fiquei s\u00f3&#8221;<\/strong>, diz Vargas, <strong>que foi demitida de seu emprego em uma empresa de sa\u00fade dois meses depois de ficar vi\u00fava porque, segundo lhe disseram, ela n\u00e3o estava separando assuntos pessoais e profissionais<\/strong>. Para criar Lesly e \u00d3scar, ela herdou o contrato de seu marido no Parque e praticamente retomou seu trabalho, incluindo caminhadas por at\u00e9 uma semana na floresta. Ela ficou em Churumbelos por um ano e meio, at\u00e9 desistir quando foi designada para um passeio perto do local onde ele pisou na mina. &#8220;O que acontecer\u00e1 com meus filhos se algo acontecer comigo, eu pensei. Parques \u00e9 uma empresa muito boa e seu objetivo \u00e9 muito bom, mas o risco \u00e9 latente&#8221;, lembra.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cO que acontecer\u00e1 com meus filhos se algo acontecer comigo, eu pensei. Parques \u00e9 uma empresa muito boa e seu objetivo \u00e9 muito bom, mas o risco \u00e9 latente\u201d.<\/p><cite>Yadira Vargas<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Julia Miranda reconhece estes problemas com as seguradoras, raz\u00e3o pela qual <strong>Parques Nacionais est\u00e1 atualmente promovendo uma mudan\u00e7a no regime trabalhista dos guardas parques que trabalham em \u00e1reas perigosas<\/strong>, o que incluiria pr\u00eamios de risco e medidas adicionais de prote\u00e7\u00e3o. <strong>A proposta, explicou, est\u00e1 pronta, mas ter\u00e1 de passar pelo Congresso.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A fam\u00edlia Duarte sofreu outra grande decep\u00e7\u00e3o quando escreveu para o reitor da <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">Universidade Nacional Aberta e \u00e0 Dist\u00e2ncia<\/span> onde Mart\u00edn estava estudando, pedindo-lhe que considerasse a possibilidade de conceder-lhe um diploma p\u00f3stumo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Eles receberam apenas uma recusa fria.<\/strong> De acordo com Javier, &#8220;a resposta foi que n\u00e3o era poss\u00edvel, que ele tinha que ter aprovado o nono semestre, quando se tratava de uma quest\u00e3o humana&#8221;. <strong>N\u00e3o importava para eles que este favor &#8211; que n\u00e3o prejudicava ningu\u00e9m &#8211; fosse o que os ajudaria a reconstruir suas vidas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como diz Elsa, &#8220;imagine, a satisfa\u00e7\u00e3o de ver seu filho como psic\u00f3logo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Decepcionados no Estado, a fam\u00edlia Duarte decidiu n\u00e3o se credenciar perante a Lei de V\u00edtimas criada pelo governo de Juan Manuel Santos em 2011 para identificar e reparar as 8,8 milh\u00f5es de v\u00edtimas do conflito colombiano.<\/strong> Como resultado, eles n\u00e3o est\u00e3o nem mesmo entre as estat\u00edsticas do legado de atrocidades deixadas por meio s\u00e9culo de viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201c\u00c9 uma ferida aberta, uma ferida do dia a dia. N\u00e3o estamos interessados em nada, mas que eles sejam realmente lembrados\u201d<\/p><cite>Jos\u00e9 Venancio Duarte<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Embora o registro de v\u00edtimas tenha sido conclu\u00eddo em 2015, <strong>alguns juristas acreditam que o prazo extraordin\u00e1rio de dois anos por motivos de for\u00e7a maior deveria se aplicar \u00e0s v\u00edtimas das Farc, visto que muitas vivem em regi\u00f5es onde antes n\u00e3o havia condi\u00e7\u00f5es para denunciar o que elas sofreram. <\/strong>Esse per\u00edodo, que seria marcado pelo fim do desarmamento em agosto de 2017, terminaria para a fam\u00edlia Duarte em seis meses.<\/p>\n\n\n\n<p>No final, com que fam\u00edlias como as de Martin, Jairo, Jaime ou o rec\u00e9m-falecido Wilton sonham?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 uma ferida aberta, uma ferida do dia a dia. N\u00e3o estamos interessados em nada, mas que eles sejam realmente lembrados&#8221;, diz Jos\u00e9 Venancio Duarte.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cos her\u00f3is n\u00e3o s\u00f3 usam verde [militar ou policial], mas tamb\u00e9m azul\u201d.&nbsp;<\/p><cite>Rodrigo Botero<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Para cada fam\u00edlia a forma \u00e9 diferente, mas a subst\u00e2ncia \u00e9 a mesma: uma placa, o nome de uma escola rural, uma foto dele em um pr\u00e9dio p\u00fablico, um sal\u00e3o da fama que mostre &#8211; nas palavras de Rodrigo Botero &#8211; que &#8220;os her\u00f3is n\u00e3o s\u00f3 usam verde [militar ou policial], mas tamb\u00e9m azul&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Como diz Javier, <strong>&#8220;os guardas florestais devem receber o status que t\u00eam em outras partes do mundo: s\u00e3o protetores da natureza e das comunidades, disseminadores da vida. Aqui eles n\u00e3o s\u00e3o ningu\u00e9m&#8221;.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em><em>Esta reportagem foi feita como parte de uma bolsa de jornalismo do Centro Carter sobre a sa\u00fade mental e emocional das v\u00edtimas do conflito.<\/em><\/em><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/eee.png\" alt=\"Tierra de Resistentes\" class=\"wp-image-3766\" width=\"100\" height=\"100\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211834\/eee.png 400w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211834\/eee-300x300.png 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211834\/eee-150x150.png 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 100px) 100vw, 100px\" \/><\/figure><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cuidar un parque nacional en Colombia, con su longevo conflicto armado, es una profesi\u00f3n riesgosa y poco agradecida. Tras a\u00f1os de impunidad y olvido, las familias de tres guardaparques asesinados podr\u00edan por fin entender qu\u00e9 les sucedi\u00f3, ahora que sus casos podr\u00edan llegar a la justicia transicional creada por el Acuerdo de paz firmado entre el Gobierno colombiano y la antigua guerrilla de las FARC en 2016.<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":4986,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[2,44],"tags":[323,45,324,27,322],"coauthors":[80],"class_list":{"0":"post-26","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-colombia","8":"category-reportajes","9":"tag-farc","10":"tag-fase-i","11":"tag-guardaparques","12":"tag-impunidad","13":"tag-parques-naturales-nacionales"},"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.4 - 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