{"id":179,"date":"2020-04-22T17:48:00","date_gmt":"2020-04-22T17:48:00","guid":{"rendered":"http:\/\/tierra.jerrejerre.com\/es\/?p=179"},"modified":"2021-05-13T21:32:33","modified_gmt":"2021-05-13T21:32:33","slug":"lisa-lynn-henrito-percy-guardiana-del-pueblo-pemon","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/2020\/04\/22\/lisa-lynn-henrito-percy-guardiana-del-pueblo-pemon\/","title":{"rendered":"\u201cAtaques contra comunidades ind\u00edgenas buscam militarizar nosso territ\u00f3rio\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-color has-small-font-size\" style=\"color:#0f0f0f;max-width:830px;margin-top:0px;margin-bottom:68px\"><em><strong>Lisa Lynn Henrito Percy, guardi\u00e3 do povo pemon, foi acusada de secessionista e de traidora \u00e0 p\u00e1tria pelo alto comando militar venezuelano, o que ativou uma a\u00e7\u00e3o urgente da Anistia Internacional. Em um contexto de lideran\u00e7a predominantemente masculina, a dirigente se destaca n\u00e3o somente pela singularidade de ser uma mulher ind\u00edgena em uma regi\u00e3o amea\u00e7ada pelo garimpo e pelo contrabando, mas tamb\u00e9m por sua tenacidade na defesa da terra e da autodetermina\u00e7\u00e3o do seu povo.<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Uma mulher baixinha de cabelos longos e escuros faz frente a um major do Ex\u00e9rcito venezuelano que \u00e9 custodiado por tr\u00eas militares fardados. Nem as ins\u00edgnias nem a estatura dos homens parecem coibir a mulher. \u201cSe voc\u00eas querem fazer neste munic\u00edpio o que voc\u00eas est\u00e3o fazendo em todo o pa\u00eds, est\u00e3o muito enganados. Porque aqui tem um povo e n\u00e3o vamos permitir isso\u201d, ela diz para eles. Com gestos fortes, ela aparece na discuss\u00e3o com o militar que estava querendo evitar uma blitz ind\u00edgena em uma autoestrada da <em>Gran Sabana<\/em>, no sudeste da Venezuela.&nbsp; <strong>\u201cVoc\u00eas est\u00e3o cuidando de seus interesses. N\u00f3s estamos defendendo os nossos. Voc\u00ea sabe bem quem s\u00e3o os corruptos aqui e agora pretende acusar todo um povo\u201d<\/strong>, destaca ela em um v\u00eddeo an\u00f4nimo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A mulher que, com tom firme, conseguiu que os militares se retirassem da via \u00e9 Lisa Lynn Henrito Percy, lideran\u00e7a proveniente do povo pemon, que desde tempos ancestrais habita no territ\u00f3rio onde foi demarcado o sulino estado Bol\u00edvar que limita com a Guiana e o Brasil.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cSe voc\u00eas querem fazer neste munic\u00edpio o que voc\u00eas est\u00e3o fazendo em todo o pa\u00eds, est\u00e3o muito enganados. Porque aqui tem um povo e n\u00e3o vamos permitir isso\u201d<\/p><cite>Lisa Lynn Henrito Percy<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O v\u00eddeo, que termina com vivas e aplausos de um grupo de ind\u00edgenas, mostrou um dos tantos confrontos que a dirigente j\u00e1 teve com militares nos \u00faltimos quatro anos. N\u00e3o est\u00e1 posto no <em>YouTube<\/em> nem se viralizou nas redes sociais. \u00c9&nbsp; compartilhado entre as comunidades ind\u00edgenas mediante modestos celulares como se fosse um amuleto de coragem e orgulho em uma regi\u00e3o sem conex\u00e3o \u00e0 Internet nem servi\u00e7o de eletricidade, onde escasseia a gasolina para se deslocar pela Troncal 10, uma autoestrada que atravessa o setor oriental do Parque Nacional Canaima, que liga a Venezuela ao Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Aos seus 46 anos, Lisa Henrito est\u00e1 convencida de que a luta que travou desde finais dos anos 90 vai lev\u00e1-la \u00e0 morte ou \u00e0 cadeia. Ela n\u00e3o tem medo disso. Ele v\u00ea isso como parte de um futuro inilud\u00edvel.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1920\" height=\"1080\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/TdR_Venezuela_Pemones_7_FotoLorenaMele\u0301ndez.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5219\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210952\/TdR_Venezuela_Pemones_7_FotoLorenaMele%CC%81ndez.jpg 1920w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210952\/TdR_Venezuela_Pemones_7_FotoLorenaMele%CC%81ndez-300x169.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210952\/TdR_Venezuela_Pemones_7_FotoLorenaMele%CC%81ndez-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210952\/TdR_Venezuela_Pemones_7_FotoLorenaMele%CC%81ndez-768x432.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210952\/TdR_Venezuela_Pemones_7_FotoLorenaMele%CC%81ndez-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210952\/TdR_Venezuela_Pemones_7_FotoLorenaMele%CC%81ndez-150x84.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210952\/TdR_Venezuela_Pemones_7_FotoLorenaMele%CC%81ndez-696x392.jpg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210952\/TdR_Venezuela_Pemones_7_FotoLorenaMele%CC%81ndez-1068x601.jpg 1068w\" sizes=\"auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><figcaption>Foto Lorena Mel\u00e9ndez<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cSempre digo para minha gente: se eu tenho que morrer nisto, n\u00e3o quero que seja em v\u00e3o. Quero ter certeza de que voc\u00eas v\u00e3o continuar nesta luta. E caso eu for presa, n\u00e3o tentem me libertar. Entendam que o que eles querem (os militares) s\u00e3o as terras, n\u00e3o eu. N\u00e3o percam esse tempo tentando me tirar de l\u00e1, pois a luta \u00e9 aqui\u201d, diz aos seus conterr\u00e2neos pemons enquanto estende ambos os bra\u00e7os e as m\u00e3os para frente, como se tentasse cercar o caminho que devem tomar seus companheiros caso aconte\u00e7a alguma coisa com ela.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;se eu tenho que morrer nisto, n\u00e3o quero que seja em v\u00e3o. Quero ter certeza de que voc\u00eas v\u00e3o continuar nesta luta. E caso eu for presa, n\u00e3o tentem me libertar&#8221;<\/p><cite>Lisa Lynn Henrito Percy<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Lisa passou mais da metade de sua vida enfrentando o poder e esse exerc\u00edcio tem sido t\u00e3o intenso que talvez por isso ela acha que o tempo j\u00e1 come\u00e7ou a fazer sentir seus efeitos. \u201cSinto como se tivesse vivido mil anos\u201d, ela diz.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ela afirma que, nessa luta, desenvolveu uma \u201cmentalidade coletiva\u201d que n\u00e3o a deixa pensar em si mesma quando recebe alguma amea\u00e7a. Isso aconteceu quando ela ficou sabendo que, em um programa de hor\u00e1rio nobre, o canal de televis\u00e3o do Estado venezuelano, VTV, emitido em 23 de julho de 2018, um <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=UhckvEhvGSo&#038;t=1001s\">alto funcion\u00e1rio militar<\/a>, o general de brigada, <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">Roberto Gonz\u00e1lez C\u00e1rdenas<\/span>, <strong>a acusou de ser a lideran\u00e7a de um movimento secessionista dentro do grupo \u00e9tnico pemon e de \u201ctrair a p\u00e1tria\u201d<\/strong>. Nesse momento, Lisa se lembrou dos seus pais e ficou preocupada por saber como essa not\u00edcia sobre ela, que tinha aparecido na televis\u00e3o, poderia afet\u00e1-los. Esse fato tamb\u00e9m serviu para que ela refletisse sobre a verdadeira inten\u00e7\u00e3o dessa cal\u00fania.<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"100%\" height=\"500\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/LXrS-HRVqSk\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"732\" height=\"499\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/acusacion-contra-Lisa-Henrito.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5220\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210952\/acusacion-contra-Lisa-Henrito.png 732w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210952\/acusacion-contra-Lisa-Henrito-300x205.png 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210952\/acusacion-contra-Lisa-Henrito-150x102.png 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210952\/acusacion-contra-Lisa-Henrito-218x150.png 218w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210952\/acusacion-contra-Lisa-Henrito-696x474.png 696w\" sizes=\"auto, (max-width: 732px) 100vw, 732px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>\u201cCome\u00e7ou o ataque e est\u00e3o tentando justificar a interven\u00e7\u00e3o militar\u201d, foi o que eu pensei. Tento ser racional quando acontecem coisas desse tipo. O ataque foi contra mim, mas era para criar uma matriz de opini\u00e3o \u2013reflete. Tamb\u00e9m era \u00f3bvio que eles n\u00e3o tinham provas de nada e, se apareciam com provas, seriam inventadas. <strong>O que queriam era justificar uma interven\u00e7\u00e3o militar para poder continuar com o tr\u00e1fico de ouro e armas. O objetivo de tudo isso \u00e9 militarizar nosso territ\u00f3rio<\/strong>\u201d, acrescenta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A acusa\u00e7\u00e3o infundada do militar de uma alta hierarquia provocou uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es de rep\u00fadio. A <a href=\"https:\/\/www.amnistia.org\/ve\/blog\/2018\/09\/7692\/arrecia-la-criminalizacion-de-defensores-indigenas-en-venezuela\">Anistia Internacional<\/a> gerou uma alerta em rela\u00e7\u00e3o ao ataque e fez um apelo aos minist\u00e9rios do Interior, Justi\u00e7a e Paz, dos Povos Ind\u00edgenas e \u00e0 Ouvidoria do Povo.<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"100%\" height=\"500\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/8_4y8-TeoVw\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe>\n\n\n\n<p>\u201cLisa Henrito est\u00e1 sendo estigmatizada por seu trabalho como ativista de organiza\u00e7\u00f5es de mulheres ind\u00edgenas pemonas que <strong>exigem o fim da militariza\u00e7\u00e3o e do garimpo em seus territ\u00f3rios ancestrais sem consulta informada ou estudos pr\u00e9vios do impacto social<\/strong>&#8220;, afirma-se no <a href=\"https:\/\/www.amnistia.org\/ve\/noticias\/2018\/08\/7300\/venezuela-activista-indigena-difamada-y-estigmatizada\">comunicado enviado pela organiza\u00e7\u00e3o<\/a> em agosto desse mesmo ano. \u201cO Estado deve garantir a prote\u00e7\u00e3o da integridade f\u00edsica de Lisa Henrito e p\u00f4r fim a sua difama\u00e7\u00e3o e \u00e0 estigmatiza\u00e7\u00e3o de suas a\u00e7\u00f5es de defesa dos direitos de suas comunidades\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A Anistia Internacional fundamentou seu alerta na Constitui\u00e7\u00e3o venezuelana e nos mecanismos internacionais que protegem os povos ind\u00edgenas e seu territ\u00f3rio e, ao mesmo tempo, instou as autoridades a \u201cse absterem de utilizar express\u00f5es que os desabonem, estigmatizem, insultem ou discriminem\u201d.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cO Estado deve garantir a prote\u00e7\u00e3o da integridade f\u00edsica de Lisa Henrito e p\u00f4r fim a sua difama\u00e7\u00e3o e \u00e0 estigmatiza\u00e7\u00e3o de suas a\u00e7\u00f5es de defesa dos direitos de suas comunidades\u201d.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>As acusa\u00e7\u00f5es contra Lisa tamb\u00e9m foram criticadas pelo <a href=\"https:\/\/revistasic.gumilla.org\/2018\/comunicado-oficial-del-pueblo-pemon\/\">Conselho de Caciques Gerais<\/a>, a autoridade representativa do povo pemon que, em um comunicado do dia 25 de julho de 2018, rejeitou a \u201ccampanha de desacredita\u00e7\u00e3o das lutas ind\u00edgenas e dos seus porta-vozes\u201d, ratificando, ao mesmo tempo, a identidade ancestral do povo pemon e seus direitos territoriais por serem leg\u00edtimos habitantes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, al\u00e9m da cadeia e da morte, h\u00e1 coisas as quais Lisa Henrito tem bastante medo. <strong>Ela se preocupa com que seu povo, a etnia pemona, se desintegre.<\/strong> Que seus sobrinhos, com trauma por causa da persegui\u00e7\u00e3o dos militares contra os ind\u00edgenas, nunca mais possam voltar para sua casa ap\u00f3s terem sido obrigados a fugir ao Brasil depois do massacre de Kumarakapay, em fevereiro de 2019. Que os jovens que se manifestam contra o governo de Nicol\u00e1s Maduro vejam, para sempre, suas esperan\u00e7as frustradas. \u201c<strong>Est\u00e3o destruindo uma gera\u00e7\u00e3o completa e algumas lideran\u00e7as (pemonas) n\u00e3o veem isso<\/strong>\u201d, ela pronuncia em um tom fr\u00e1gil, bem diferente ao que ela usa para levantar a voz na frente dos militares fardados.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1707\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Copy-of-FDAI9035-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5221\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210950\/Copy-of-FDAI9035-scaled.jpg 2560w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210950\/Copy-of-FDAI9035-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210950\/Copy-of-FDAI9035-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210950\/Copy-of-FDAI9035-768x512.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210950\/Copy-of-FDAI9035-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210950\/Copy-of-FDAI9035-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210950\/Copy-of-FDAI9035-150x100.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210950\/Copy-of-FDAI9035-696x464.jpg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210950\/Copy-of-FDAI9035-1068x712.jpg 1068w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210950\/Copy-of-FDAI9035-1920x1280.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption>Foto: Lorena Mel\u00e9ndez<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>H\u00e1 pelo menos duas d\u00e9cadas, esta ativista de 46 anos decidiu apoiar a defesa da terra dos seus antepassados e enfrentar toda a inger\u00eancia sem importar sua origem. Isso lhe custou hoje n\u00e3o poder sair do sul do estado Bol\u00edvar pelo risco de ser presa ou ficar com medo quando viaja para Caracas, Ciudad Bol\u00edvar ou Puerto Ordaz para expor as amea\u00e7as e riscos aos que seus companheiros est\u00e3o expostos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cSomente pelo fato de falar ingl\u00eas e de ter nascido na Guiana, os militares me acusam de trabalhar para o Departamento de Estado dos Estados Unidos e, at\u00e9 mesmo, de estar atr\u00e1s do levantamento das barracas do Acnur\u201d<\/p><cite>Lisa Lynn Henrito Percy<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Lisa \u00e9 acusada pelo poder apesar de ela, durante o governo de Hugo Ch\u00e1vez, ter ocupado cargos no Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. \u201cSomente pelo fato de falar ingl\u00eas e de ter nascido na Guiana, os militares me acusam de trabalhar para o Departamento de Estado dos Estados Unidos e, at\u00e9 mesmo, de estar atr\u00e1s do levantamento das barracas do Acnur\u201d, ela diz. Ela faz refer\u00eancia aos acampamentos assistenciais estabelecidos pelo Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados na fronteira brasileira que abrigam os venezuelanos deslocados que fogem da mis\u00e9ria. <strong>Al\u00e9m disso, eles s\u00e3o toda uma prova da emerg\u00eancia humanit\u00e1ria que est\u00e1 havendo na Venezuela que o governo de <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">Nicol\u00e1s Maduro <\/span>demorou meses para admitir.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1920\" height=\"1080\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/TdR_Venezuela_Pemones_1_FotoLissethBoon.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5222\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210949\/TdR_Venezuela_Pemones_1_FotoLissethBoon.jpg 1920w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210949\/TdR_Venezuela_Pemones_1_FotoLissethBoon-300x169.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210949\/TdR_Venezuela_Pemones_1_FotoLissethBoon-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210949\/TdR_Venezuela_Pemones_1_FotoLissethBoon-768x432.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210949\/TdR_Venezuela_Pemones_1_FotoLissethBoon-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210949\/TdR_Venezuela_Pemones_1_FotoLissethBoon-150x84.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210949\/TdR_Venezuela_Pemones_1_FotoLissethBoon-696x392.jpg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210949\/TdR_Venezuela_Pemones_1_FotoLissethBoon-1068x601.jpg 1068w\" sizes=\"auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><figcaption>Foto: Lisseth Boon<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cLisa Henrito \u00e9 uma lideran\u00e7a reconhecida n\u00e3o somente pela comunidade pemona local, mas tamb\u00e9m no \u00e2mbito internacional. <strong>Ela se formou em faculdades estrangeiras como especialista em povos ind\u00edgenas, foi apoiada pela ONU e foi assessora do Conselho de Caciques do setor 6 do territ\u00f3rio pemon. <\/strong>Por isso, a Anistia Internacional emitiu o alerta de prote\u00e7\u00e3o logo depois de um militar t\u00ea-la criminalizado em um programa do canal do Estado\u201d, destaca Olnar Ortiz, defensor de direitos humanos e coordenador do Foro Penal dos Povos Ind\u00edgenas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Lexys Rend\u00f3n, ativista e pesquisadora da ONG Provea sobre direitos ind\u00edgenas, explica que o treinamento que Lisa recebeu permitiu que ela fosse diferente das outras lideran\u00e7as ind\u00edgenas e que tivesse &#8220;uma aptid\u00e3o adicional para analisar e entender os fatos&#8221;. Al\u00e9m disso, ela tamb\u00e9m a descreve como uma mulher comprometida, orgulhosa de sua cultura e &#8220;uma refer\u00eancia para as lideran\u00e7as mulheres ind\u00edgenas pemonas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Recorrendo \u00e0s ferramentas legais e constitucionais, Lisa se orgulha de defender o territ\u00f3rio e a autodetermina\u00e7\u00e3o do povo pemon, o quarto maior da Venezuela, de acordo com o \u00faltimo censo de 2011. A popula\u00e7\u00e3o dos &#8220;filhos do sol&#8221;, como eles s\u00e3o descritos em seu mito de origem, ultrapassa os 30 mil ind\u00edgenas, cuja maioria mora na parte sul do estado Bol\u00edvar.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1073\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Auyantepui_desde_el_rio_Carrao-Parque_Nacional_Canaima_Foto_LissethBoon-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5223\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210947\/Auyantepui_desde_el_rio_Carrao-Parque_Nacional_Canaima_Foto_LissethBoon-scaled.jpg 2560w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210947\/Auyantepui_desde_el_rio_Carrao-Parque_Nacional_Canaima_Foto_LissethBoon-300x126.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210947\/Auyantepui_desde_el_rio_Carrao-Parque_Nacional_Canaima_Foto_LissethBoon-1024x429.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210947\/Auyantepui_desde_el_rio_Carrao-Parque_Nacional_Canaima_Foto_LissethBoon-768x322.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210947\/Auyantepui_desde_el_rio_Carrao-Parque_Nacional_Canaima_Foto_LissethBoon-1536x644.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210947\/Auyantepui_desde_el_rio_Carrao-Parque_Nacional_Canaima_Foto_LissethBoon-2048x859.jpg 2048w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210947\/Auyantepui_desde_el_rio_Carrao-Parque_Nacional_Canaima_Foto_LissethBoon-150x63.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210947\/Auyantepui_desde_el_rio_Carrao-Parque_Nacional_Canaima_Foto_LissethBoon-696x292.jpg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210947\/Auyantepui_desde_el_rio_Carrao-Parque_Nacional_Canaima_Foto_LissethBoon-1068x448.jpg 1068w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210947\/Auyantepui_desde_el_rio_Carrao-Parque_Nacional_Canaima_Foto_LissethBoon-1920x805.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption><em>Foto: Lorena Mel\u00e9ndez<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong><strong>Um cerco mineiro<\/strong><\/strong><\/h2>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1080\" height=\"1363\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/PUEBLOPEMON.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5224\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210946\/PUEBLOPEMON.png 1080w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210946\/PUEBLOPEMON-238x300.png 238w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210946\/PUEBLOPEMON-811x1024.png 811w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210946\/PUEBLOPEMON-768x969.png 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210946\/PUEBLOPEMON-150x189.png 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210946\/PUEBLOPEMON-300x379.png 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210946\/PUEBLOPEMON-696x878.png 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210946\/PUEBLOPEMON-1068x1348.png 1068w\" sizes=\"auto, (max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A cria\u00e7\u00e3o do Arco Mineiro do Orinoco, em fevereiro de 2016, piorou os conflitos que atingem o povo pemon. Para esse mega projeto oficial de minera\u00e7\u00e3o, que ocupa 12% do territ\u00f3rio nacional e voltado \u00e0 explora\u00e7\u00e3o de minerais estrat\u00e9gicos como ouro, diamante, coltan, ferro e bauxita, <strong>o governo de Nicol\u00e1s Maduro n\u00e3o realizou a devida consulta pr\u00e9via, livre e informada <\/strong>dos habitantes origin\u00e1rios das terras ancestrais afetadas, conforme se estabelece na Constitui\u00e7\u00e3o venezuelana e na <a href=\"https:\/\/www.acnur.org\/fileadmin\/Documentos\/Pueblos_indigenas\/ley_organica_indigena_ven.pdf\" target=\"_blank\" aria-label=\"Lei dos Povos e Comunidades Ind\u00edgenas (opens in a new tab)\" rel=\"noreferrer noopener\" class=\"rank-math-link\">Lei dos Povos e Comunidades Ind\u00edgenas<\/a>. <strong>Tamb\u00e9m n\u00e3o realizou estudos de impacto ambiental em uma \u00e1rea de biodiversidade \u00fanica<\/strong>, onde existem 151 esp\u00e9cies de mam\u00edferos, 587 de aves, 111 de r\u00e9pteis e 95 de anf\u00edbios, segundo os invent\u00e1rios da Funda\u00e7\u00e3o La Salle.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a poligonal do Arco Mineiro do Orinoco esteja teoricamente confinada ao norte do estado de Bol\u00edvar, ela afeta o munic\u00edpio vizinho \u00e0 Gran Sabana, onde est\u00e1 localizado o Parque Nacional Canaima, <strong>declarado Patrim\u00f4nio da Humanidade pela UNESCO em 1974 por seu imenso valor natural<\/strong>. Dentro de 3 milh\u00f5es de hectares de bosques, rios, vales, savanas e tepuis, as forma\u00e7\u00f5es rochosas mais antigas do planeta, <strong>\u00e9 praticado o garimpo ilegal apesar de ser proibido por se tratar de uma \u00c1rea Sob Regime de Prote\u00e7\u00e3o Especial (Abrae)<\/strong>. Isto \u00e9 feito, em grande parte, pelos seus habitantes origin\u00e1rios, os pemons, que s\u00e3o obrigados devido ao colapso econ\u00f4mico e \u00e0 queda do turismo, a principal fonte de recursos deste ambiente paradis\u00edaco.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/albumizr.com\/a\/5bli\" scrolling=\"no\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"\" width=\"100%\" height=\"500\"><\/iframe>\n\n\n\n<p>Os efeitos perniciosos do Arco Mineiro do Orinoco foram destacados no <a href=\"https:\/\/www.ohchr.org\/sp\/newsevents\/pages\/DisplayNews.aspx?NewsID=25438&#038;LangID=S\" target=\"_blank\" aria-label=\"relat\u00f3rio atualizado (opens in a new tab)\" rel=\"noreferrer noopener\" class=\"rank-math-link\">relat\u00f3rio atualizado<\/a> do Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Direitos Humanos de dezembro de 2019, que registra <strong>&#8220;os altos n\u00edveis de viol\u00eancia e a presen\u00e7a de grupos armados irregulares no estado Bol\u00edvar, envolvidos na explora\u00e7\u00e3o ilegal de recursos naturais&#8221;<\/strong>. O documento afirma que, entre 22 e 23 de novembro de 2019, na comunidade de Ikabar\u00fa, localizada no territ\u00f3rio ind\u00edgena pemon, oito pessoas foram mortas com armas de fogo, entre elas um sargento da Guarda Nacional Bolivariana, um ind\u00edgena pemon e um adolescente.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;a extra\u00e7\u00e3o de minerais, especialmente nos estados Amazonas e Bol\u00edvar, provocou a viola\u00e7\u00e3o de diferentes direitos coletivos&#8221;&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 presen\u00e7a de for\u00e7as militares, quadrilhas de delinquentes e grupos armados no territ\u00f3rio pemon como uma das causas da perda de controle das terras ind\u00edgenas, o Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU, em um relat\u00f3rio pr\u00e9vio de julho de 2019 dedicado \u00e0 Venezuela, j\u00e1 tinha advertido esta situa\u00e7\u00e3o. No <a href=\"https:\/\/www.ohchr.org\/SP\/NewsEvents\/Pages\/DisplayNews.aspx?NewsID=24788&#038;LangID=S\">documento <\/a>se destaca que \u201ca extra\u00e7\u00e3o de minerais, especialmente nos estados Amazonas e Bol\u00edvar, provocou a viola\u00e7\u00e3o de diferentes direitos coletivos, entre outros os direitos a manter os costumes, os meios de vida tradicionais e uma rela\u00e7\u00e3o espiritual com sua terra\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo isso \u00e9 denunciado por Lisa Henrito, forte lideran\u00e7a do povo pemon.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong><strong>In\u00edcios de uma luta<\/strong><\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Lisa se lembra dos seus in\u00edcios como ativista no terra\u00e7o de uma casa com muros de pedra em Mana-kr\u00fc, um assentamento ind\u00edgena localizado na cidade fronteiri\u00e7a de Santa Elena de Uair\u00e9n, capital do munic\u00edpio Gran Sabana, <strong>que foi atacado por militares e grupos armados entre 22 e 28 de fevereiro de 2019, impedindo a entrada de ajuda humanit\u00e1ria <\/strong>promovida pela Assembleia Nacional e pelo presidente interino, Juan Guaid\u00f3. A incurs\u00e3o deixou 7 mortos, 57 feridos por balas, 65 presos e 960 deslocados que tiveram que fugir da repress\u00e3o e das balas.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1920\" height=\"1080\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/TdR_Venezuela_Pemones_3_FotoLorenaMele\u0301ndez.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5225\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210945\/TdR_Venezuela_Pemones_3_FotoLorenaMele%CC%81ndez.jpg 1920w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210945\/TdR_Venezuela_Pemones_3_FotoLorenaMele%CC%81ndez-300x169.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210945\/TdR_Venezuela_Pemones_3_FotoLorenaMele%CC%81ndez-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210945\/TdR_Venezuela_Pemones_3_FotoLorenaMele%CC%81ndez-768x432.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210945\/TdR_Venezuela_Pemones_3_FotoLorenaMele%CC%81ndez-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210945\/TdR_Venezuela_Pemones_3_FotoLorenaMele%CC%81ndez-150x84.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210945\/TdR_Venezuela_Pemones_3_FotoLorenaMele%CC%81ndez-696x392.jpg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210945\/TdR_Venezuela_Pemones_3_FotoLorenaMele%CC%81ndez-1068x601.jpg 1068w\" sizes=\"auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><figcaption>Foto: Lorena Mel\u00e9ndez<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;Meu nome n\u00e3o \u00e9 ind\u00edgena, \u00e9 mais como americano, mas meu nome realmente resume tudo o que aconteceu em minha vida: a influ\u00eancia dos mission\u00e1rios nos meus pais, esse encontro quando os mission\u00e1rios adventistas entraram nas terras do que \u00e9 hoje a Gran Sabana, o confronto com os cat\u00f3licos&#8221;, diz Lisa Henrito, a filha mais velha do primeiro pastor adventista pemon que se formou em teologia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela nasceu em Paruima, na Guiana, uma \u00e1rea de fronteira que faz parte do vasto territ\u00f3rio pemon dividido entre aquele pa\u00eds, a Venezuela e o Brasil. Embora sua m\u00e3e provenha dessa comunidade localizada \u00e0s margens do rio Kamarang, seus av\u00f3s s\u00e3o ind\u00edgenas taurepanes de Kavanay\u00e9n, no cora\u00e7\u00e3o do Parque Nacional Canaima, na Venezuela.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Minha linhagem \u00e9 de lideran\u00e7as&#8221;, diz ela, levantando o corpo. Devido aos estudos de seu pai, os Henrito Percy moraram durante um tempo em Trinidad e Tobago e, depois, voltaram para a Guiana, onde Lisa estudou o ensino m\u00e9dio. O ingl\u00eas e o dialeto taurepano foram suas primeiras l\u00ednguas. Foi s\u00f3 quando atingiu a maioria de idade que ela e sua fam\u00edlia se mudaram para a Venezuela e, ent\u00e3o, ela aprendeu espanhol. Em uma universidade adventista em Nirgua, estado Yaracuy, ela estudou e se formou em administra\u00e7\u00e3o de empresas.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois dessa experi\u00eancia, Lisa <strong>chegou \u00e0 terra dos seus antepassados e se estabeleceu em Maurak<\/strong>, uma comunidade ind\u00edgena que fica a 30 minutos aproximadamente de Santa Elena de Uair\u00e9n, a capital do munic\u00edpio Gran Sabana, que faz fronteira com o Brasil. Em sua mente, ela guardava o conselho que sempre repetiu seu pai: <strong>\u201cvoc\u00ea vai estudar, mas para apoiar e ajudar seu povo\u201d<\/strong>. Ela fez exatamente isso.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1080\" height=\"1363\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/territorio.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5228\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210941\/territorio.png 1080w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210941\/territorio-238x300.png 238w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210941\/territorio-811x1024.png 811w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210941\/territorio-768x969.png 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210941\/territorio-150x189.png 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210941\/territorio-300x379.png 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210941\/territorio-696x878.png 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210941\/territorio-1068x1348.png 1068w\" sizes=\"auto, (max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Lisa n\u00e3o demorou em apoiar a defesa do territ\u00f3rio. Em 1995, ela criticou a edifica\u00e7\u00e3o do <a href=\"https:\/\/www.ecopoliticavenezuela.org\/georreferenciacion\/64\/\">Complexo Hoteleiro Empresa Nacional de Turismo do Sul (Turisur<\/a>), um projeto privado que teve o apoio do Instituto Nacional de Parques (Inparques), mas n\u00e3o dos ind\u00edgenas, para a&nbsp;constru\u00e7\u00e3o de um hotel na Serra de Lema, porta de entrada da Gran Sabana. Portanto, <strong>o direito das comunidades ind\u00edgenas a decidirem e participarem da administra\u00e7\u00e3o e da utiliza\u00e7\u00e3o dos recursos naturais existentes em seu h\u00e1bitat foi violado<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Lisa, com vinte anos, se juntou aos dirigentes pemons que reclamavam dessa constru\u00e7\u00e3o e, justamente nesse momento, se inspirou em lideran\u00e7as ind\u00edgenas como Juvencio G\u00f3mez, Silviano Castro e Alexis Romero, que ainda hoje os considera como seu \u201cmodelo de luta\u201d por suas posi\u00e7\u00f5es frontais e firmes. As manifesta\u00e7\u00f5es em Ciudad Bol\u00edvar e Caracas contra Turisur fizeram com que os ind\u00edgenas fossem ouvidos em uma audi\u00eancia no Minist\u00e9rio do Ambiente, a institui\u00e7\u00e3o que deteve o projeto em outubro de 1996 quando, ap\u00f3s uma auditoria de gest\u00e3o, foi determinado que <strong>as licen\u00e7as que tinha outorgado Inparques n\u00e3o eram v\u00e1lidas por terem violado o Plano de Demarca\u00e7\u00e3o de Canaima.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com essa mesma for\u00e7a, <strong>Lisa participou dos lend\u00e1rios protestos contra as linhas de transmiss\u00e3o el\u00e9trica na Gran Sabana a finais dos anos 90, que tamb\u00e9m levaram \u00e0 paralisa\u00e7\u00e3o do <a href=\"https:\/\/ejatlas.org\/conflict\/reserva-forestal-imataca-region-guayana-de-venezuela\">Decreto 1850<\/a> que autorizou o garimpo na Reserva Florestal de Imataca.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cEu acho que ela \u00e9 uma mulher muito frontal, muito beligerante e, quando alguma coisa a incomoda, ela o diz diretamente. Isso pode ser muito dif\u00edcil de compreender em um povo no qual a mulher n\u00e3o \u00e9 a que tem esse poder, porque os que o tem s\u00e3o os caciques homens\u201d<\/p><cite>Lexys Rend\u00f3n<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>N\u00e3o obstante, ambas as lutas foram infrut\u00edferas e os projetos foram executados, levando-a a recuar e a trabalhar como administradora na mineradora canadense Crystallex que, nesse momento, funcionava na \u00e1rea de explora\u00e7\u00e3o de ouro do estado Bol\u00edvar. A\u00ed ela conheceu as terr\u00edveis condi\u00e7\u00f5es dos oper\u00e1rios do garimpo. Depois, trabalhou como encarregada da administra\u00e7\u00e3o de um col\u00e9gio privado adventista de Maurak, uma das 119 comunidades ind\u00edgenas do munic\u00edpio Gran Sabana.<\/p>\n\n\n\n<p>Pouco depois, Lisa se tornou a capit\u00e3 de Maurak, a comunidade ind\u00edgena onde ela ainda est\u00e1 morando. Seu car\u00e1ter forte, seu trabalho em favor da defesa do territ\u00f3rio, sua prepara\u00e7\u00e3o acad\u00eamica e o conhecimento que ela tinha para elaborar projetos que beneficiassem os ind\u00edgenas foram as raz\u00f5es que as lideran\u00e7as deram para por seu nome entre os candidatos, em 2002, a esse cargo por tr\u00eas anos. At\u00e9 agora, ela \u00e9 a \u00fanica mulher que chegou a ser capit\u00e3 em Maurak. Ela tinha 29 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Lisa se destaca como lideran\u00e7a do povo pemon em um contexto no qual o papel das mulheres, protetoras da cultura ind\u00edgena e da perman\u00eancia dos seus povos, que inclui a maternidade, os ro\u00e7ados, a prepara\u00e7\u00e3o do <em>casabe<\/em>, <em>kachiri e<\/em> <em>tum\u00e1<\/em>, a sopa t\u00edpica pemona que \u00e9 comida coletivamente. Ela ganhou o respeito de seus irm\u00e3os e irm\u00e3s no contexto latino-americano, onde apenas uma de cada 10 meninas ind\u00edgenas conclui o ensino m\u00e9dio, segundo a Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos da OEA.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1707\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Valle_de_Kamarata-Parque_Nacional_Canaima_FotoLorenaMele\u0301dez-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5234\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210933\/Valle_de_Kamarata-Parque_Nacional_Canaima_FotoLorenaMele%CC%81dez-scaled.jpg 2560w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210933\/Valle_de_Kamarata-Parque_Nacional_Canaima_FotoLorenaMele%CC%81dez-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210933\/Valle_de_Kamarata-Parque_Nacional_Canaima_FotoLorenaMele%CC%81dez-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210933\/Valle_de_Kamarata-Parque_Nacional_Canaima_FotoLorenaMele%CC%81dez-768x512.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210933\/Valle_de_Kamarata-Parque_Nacional_Canaima_FotoLorenaMele%CC%81dez-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210933\/Valle_de_Kamarata-Parque_Nacional_Canaima_FotoLorenaMele%CC%81dez-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210933\/Valle_de_Kamarata-Parque_Nacional_Canaima_FotoLorenaMele%CC%81dez-150x100.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210933\/Valle_de_Kamarata-Parque_Nacional_Canaima_FotoLorenaMele%CC%81dez-696x464.jpg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210933\/Valle_de_Kamarata-Parque_Nacional_Canaima_FotoLorenaMele%CC%81dez-1068x712.jpg 1068w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210933\/Valle_de_Kamarata-Parque_Nacional_Canaima_FotoLorenaMele%CC%81dez-1920x1280.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption><em>Foto: Lorena Mel\u00e9ndez<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Por\u00e9m, o fato de ser uma lideran\u00e7a a levou a ter que fazer frente \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o. Um dos idosos de sua comunidade lhe confessou que n\u00e3o estava de acordo com que ela fosse capit\u00e3, simplesmente, porque era mulher.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ela sentiu essa mesma resist\u00eancia at\u00e9 mesmo de suas pr\u00f3prias vizinhas. \u201cUma vez questionaram minha participa\u00e7\u00e3o em uma assembleia que era para discutir sobre o problema da gravidez precoce nas comunidades ind\u00edgenas, porque o que eu podia saber sobre essa quest\u00e3o se n\u00e3o tinha nem marido nem filhos?\u201d, conta Lisa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 pessoas que criticam Lisa por seu car\u00e1ter forte e combativo, mas poderia ser isso o que gera essa sensa\u00e7\u00e3o de rompimento nos mesmos costumes e nos papeis de sua cultura. \u201cEu acho que ela \u00e9 uma mulher muito frontal, muito beligerante e, quando alguma coisa a incomoda, ela o diz diretamente. Isso pode ser muito dif\u00edcil de compreender em um povo no qual a mulher n\u00e3o \u00e9 a que tem esse poder, porque os que o tem s\u00e3o os caciques homens\u201d, afirma Lexys Rend\u00f3n, diretora da organiza\u00e7\u00e3o Laborat\u00f3rio de Paz.<\/p>\n\n\n\n<p>A especialista explica que essa rejei\u00e7\u00e3o de algumas pessoas poderia ter tamb\u00e9m outra explica\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 mais f\u00e1cil culpar ela e manter a posi\u00e7\u00e3o da n\u00e3o confronta\u00e7\u00e3o porque sabem que s\u00e3o vulner\u00e1veis e porque as lideran\u00e7as apoiam o governo nos assuntos pol\u00edticos ou se engajam com ele em \u00e1reas comerciais, econ\u00f4micas, mineiras. O ind\u00edgena pemon passou por uma mudan\u00e7a cultural muito forte, devido \u00e0 coopta\u00e7\u00e3o e interven\u00e7\u00e3o do governo. Lisa \u00e9 diferente a muitas mulheres lideran\u00e7as e homens ind\u00edgenas. \u00c9 verdade, ela tem um car\u00e1ter forte, sei disso, e \u00e9 poss\u00edvel que, em algumas discuss\u00f5es, pare\u00e7a saturada pelos problemas do seu povo. No entanto, eu posso entender da minha perspectiva, porque <strong>ela est\u00e1 consciente de que uma parte do povo pemon n\u00e3o tem a vontade para apoiar nessa luta<\/strong>\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;\u00c9 mais f\u00e1cil culpar ela e manter a posi\u00e7\u00e3o da n\u00e3o confronta\u00e7\u00e3o porque sabem que s\u00e3o vulner\u00e1veis e porque as lideran\u00e7as apoiam o governo nos assuntos pol\u00edticos ou se engajam com ele em \u00e1reas comerciais, econ\u00f4micas, mineiras&#8221;.<\/p><cite>Lexys Rend\u00f3n<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Lisa tamb\u00e9m sofreu com o machismo al\u00e9m das fronteiras de Maurak. O fato de ter sido capit\u00e3 durante tr\u00eas anos lhe permite usar a pluma nas cerim\u00f4nias. Quando ela usa a pluma nas reuni\u00f5es ind\u00edgenas fora da Venezuela, as lideran\u00e7as mulheres olham para ela surpresas. O privil\u00e9gio de vestir essa pe\u00e7a est\u00e1 reservado aos homens em v\u00e1rios pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lisa reprova que, no Conselho de Caciques Gerais do Povo Pemon, nunca tenha participado uma mulher.<\/strong> Ela admite j\u00e1 ter pensado em se candidatar, mas ela sabe que essa \u00e9 uma tarefa complexa. \u201cEssa \u00e9 a m\u00e1xima autoridade. \u00c9 muita responsabilidade. Eu sei que posso fazer isso mas, se eu for fazer, vou faz\u00ea-lo bem\u201d, assevera.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre seus interesses tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 levar adiante uma carreira pol\u00edtica. Ela n\u00e3o est\u00e1 interessada em virar prefeita e, muito menos, governadora. <strong>\u201cComo ind\u00edgena, a lei ampara meus direitos constitucionais. Mas, se me meto na pol\u00edtica, me prendem\u201d<\/strong>, afirma.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong><strong>Proximidade com o poder<\/strong><\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Depois de ser capit\u00e3, <strong>Lisa foi designada tesoureira da Federa\u00e7\u00e3o Ind\u00edgena do estado Bol\u00edvar em 2005<\/strong>. Este foi um cargo p\u00fablico que a entusiasmou at\u00e9 que come\u00e7ou a ver como as redes da corrup\u00e7\u00e3o tinham come\u00e7ado a cercar a institui\u00e7\u00e3o que, hoje, \u00e9 considerada como cooptada pelo governo chavista.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cO dinheiro que caiu nas m\u00e3os da Federa\u00e7\u00e3o jamais foi utilizado para o fim que tinha se previsto\u201d<\/p><cite>Lisa Henrito<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Esses eram os dias do projeto <a href=\"https:\/\/www.venezuelaa.com\/noticias\/articulo.asp?id=357\">Canaima-GEF<\/a>, <strong>um plano de gest\u00e3o de recursos naturais dentro do parque nacional para harmonizar as atividades econ\u00f4micas e sociais da bacia do rio Caron\u00ed com&nbsp;os direitos origin\u00e1rios dos ind\u00edgenas pemons sobre essas terras<\/strong>. Esses fundos vinham do Banco Mundial, depois de terem sido fornecidos pelo Fundo para o Meio Ambiente Mundial (GEF). \u201cO dinheiro que caiu nas m\u00e3os da Federa\u00e7\u00e3o jamais foi utilizado para o fim que tinha se previsto\u201d, garante Lisa.<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"100%\" height=\"500\" frameborder=\"0\" src=\"https:\/\/www.globalforestwatch.org\/embed\/map\/country\/VEN\/6?mainMap=eyJzaG93QW5hbHlzaXMiOmZhbHNlLCJoaWRlTGVnZW5kIjpmYWxzZX0%3D&#038;map=eyJjZW50ZXIiOnsibGF0Ijo2LjAwNzYxNTk2MDQ3MDIwNSwibG5nIjotNjMuODE4NTQ5OTk5OTYzNTZ9LCJiZWFyaW5nIjowLCJwaXRjaCI6MCwiem9vbSI6Ni41NTQ1MzQyNzI4MjQ5ODksImNhbkJvdW5kIjpmYWxzZSwiYmJveCI6W10sImRyYXdpbmciOmZhbHNlLCJkYXRhc2V0cyI6W3siZGF0YXNldCI6ImZkYzhkYzFiLTI3MjgtNGE3OS1iMjNmLWIwOTQ4NTA1MmI4ZCIsImxheWVycyI6WyI2ZjY3OThlNi0zOWVjLTQxNjMtOTc5ZS0xODJhNzRjYTY1ZWUiLCJjNWQxZTAxMC0zODNhLTQ3MTMtOWFhYS00NGY3MjhjMDU3MWMiXSwib3BhY2l0eSI6MSwidmlzaWJpbGl0eSI6dHJ1ZX0seyJkYXRhc2V0IjoiODk3ZWNjNzYtMjMwOC00YzUxLWFlYjMtNDk1ZGUwYmRjYTc5IiwibGF5ZXJzIjpbImMzMDc1YzVhLTU1NjctNGIwOS1iYzBkLTk2ZWQxNjczZjhiNiJdLCJvcGFjaXR5IjoxLCJ2aXNpYmlsaXR5Ijp0cnVlLCJ0aW1lbGluZVBhcmFtcyI6eyJzdGFydERhdGUiOiIyMDAxLTAxLTAxIiwiZW5kRGF0ZSI6IjIwMTgtMDEtMDEiLCJ0cmltRW5kRGF0ZSI6IjIwMTgtMDEtMDEifX0seyJkYXRhc2V0IjoiMDQ0ZjRhZjgtYmU3Mi00OTk5LWI3ZGQtMTM0MzRmYzRhMzk0IiwibGF5ZXJzIjpbIjc4NzQ3ZWExLTM0YTktNGFhNy1iMDk5LWJkYjg5NDgyMDBmNCJdLCJvcGFjaXR5IjoxLCJ2aXNpYmlsaXR5Ijp0cnVlfV19&#038;menu=eyJtZW51U2VjdGlvbiI6IiIsImRhdGFzZXRDYXRlZ29yeSI6IiIsInNlYXJjaCI6ImJvbGl2YXIifQ%3D%3D\"><\/iframe>\n\n\n\n<p>A lideran\u00e7a decidiu demitir somente nove meses depois de ter assumido o cargo. Seis anos depois, <strong>o governo lhe abriu um procedimento administrativo por, aparentemente, ter aprovado movimentos de dinheiro relacionados com o Fundo, mas nunca conseguiram provar sua culpabilidade.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Posteriormente, Lisa come\u00e7ou a trabalhar, em 2006, no programa de Sa\u00fade Ind\u00edgena do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/strong> Desde pequena teve uma inclina\u00e7\u00e3o por atender os doentes, por isso costumava ir ao hospital de sua comunidade para falar com os pacientes. Quando ficou adulta, continuou indo nos domingos \u00e0 tarde para cantar para eles e, assim, anim\u00e1-los.<\/p>\n\n\n\n<p>As lideran\u00e7as das comunidades lhe propuseram que apresentasse e controlasse uma associa\u00e7\u00e3o de sa\u00fade para seus conterr\u00e2neos, que se tornou o Servi\u00e7o de Atendimento e Orienta\u00e7\u00e3o ao Ind\u00edgena (SAOI), que foi estabelecido nos principais centros de sa\u00fade dos estados venezuelanos onde tem assentamentos ind\u00edgenas. O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade a comissionou como coordenadora regional operacional do estado Bol\u00edvar de um novo departamento que, hoje, em meio da emerg\u00eancia humanit\u00e1ria complexa que est\u00e1 atravessando o pa\u00eds, desapareceu dos hospitais.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>A emerg\u00eancia humanit\u00e1ria complexa pode ser vista como o resultado de v\u00e1rios itens: a instabilidade pol\u00edtica, conflitos e viol\u00eancia, desigualdades sociais e pobreza<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A emerg\u00eancia humanit\u00e1ria complexa pode ser vista como o resultado de v\u00e1rios itens: a instabilidade pol\u00edtica, conflitos e viol\u00eancia, desigualdades sociais e pobreza que, no setor da sa\u00fade, se traduz no \u00eaxodo de m\u00e9dicos, a falta de tratamentos, escassez de medicinas e condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias no atendimento na rede hospitalar p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>A aproxima\u00e7\u00e3o ao servi\u00e7o p\u00fablico durou pouco. Lisa relata que, em 2007,&nbsp; um ano depois de ter iniciado seu trabalho na administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, ela se retirou. \u201cCome\u00e7aram os ataques pol\u00edticos\u201d, ela assegura. Diante da incapacidade do governo para oferecer aos ind\u00edgenas medicamentos e suprimentos m\u00e9dicos, <strong>ela pediu a colabora\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos adventistas americanos, que foram expulsos pelo governo logo depois de terem chegado. Lisa come\u00e7ou a ser chamada de \u201cagente do imp\u00e9rio\u201d<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Lisa \u00e9 uma lideran\u00e7a que tamb\u00e9m se formou na academia. Em 2010, ela fez o diplomado de Fortalecimento para a Lideran\u00e7a da Mulher Ind\u00edgena, pertencente ao Fundo para o Desenvolvimento dos Povos Ind\u00edgenas da Am\u00e9rica Latina e do Caribe (FILAC) e \u00e0 Universidade Ind\u00edgena Intercultural (UII), que lhe permitiu viajar, em 2010, para a Guatemala e o M\u00e9xico para sua capacita\u00e7\u00e3o. Seis anos depois, &nbsp;ela se formou como especialista em direitos humanos dos povos ind\u00edgenas por ter cursado o programa do <a href=\"https:\/\/socialesyhumanas.deusto.es\/cs\/Satellite\/socialesyhumanas\/es\/instituto-de-derechos-humanos\/docencia\/experto-en-derechos-humanos-de-los-pueblos-indigenas-0\">Instituto de Direitos Humanos da Universidade de Deusto<\/a>, em Bilbao, que permitiu que ela viajasse \u00e0 Europa e fizesse est\u00e1gios no Escrit\u00f3rio do Alto Comissariado para os Direitos Humanos das Na\u00e7\u00f5es Unidas (OACDH), em Genebra.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>ela come\u00e7ou a enviar mensagens \u00e0s lideran\u00e7as ind\u00edgenas que ela conhecia perguntando: \u201cO que aconteceu aqui? Como foi que voc\u00eas permitiram isto?\u201d<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Quando voltou \u00e0 Venezuela, em julho de 2016, em plena crise econ\u00f4mica e social, recebeu um golpe baixo.<\/p>\n\n\n\n<p>Lisa viu, no centro de Caracas, como os venezuelanos procuravam comida no lixo, como pediam alimentos para ela toda vez que ela se sentava \u00e0 mesa de um restaurante. Quando chegou a Santa Elena de Uair\u00e9n, viu como o terminal rodovi\u00e1rio era controlado por delinquentes. Cada cena a descreve com a face atribulada, impactada com o que viu. Imediatamente, ela come\u00e7ou a enviar mensagens \u00e0s lideran\u00e7as ind\u00edgenas que ela conhecia perguntando: \u201cO que aconteceu aqui? Como foi que voc\u00eas permitiram isto?\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Esse foi o in\u00edcio da a\u00e7\u00e3o mais rebelde que ela dirigiu em toda sua trajet\u00f3ria ativista: <strong>a cria\u00e7\u00e3o de um escrit\u00f3rio focado especialmente nos ind\u00edgenas, figura contemplada na Lei Org\u00e2nica dos Povos e das Comunidades Ind\u00edgenas, que lhes permite solucionar seus pr\u00f3prios conflitos de forma aut\u00f4noma, sempre mantendo a prote\u00e7\u00e3o aos direitos humanos.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1920\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Gran_Sabana_Troncal10_FotoLissethBoon-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5229\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210939\/Gran_Sabana_Troncal10_FotoLissethBoon-scaled.jpg 2560w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210939\/Gran_Sabana_Troncal10_FotoLissethBoon-300x225.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210939\/Gran_Sabana_Troncal10_FotoLissethBoon-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210939\/Gran_Sabana_Troncal10_FotoLissethBoon-768x576.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210939\/Gran_Sabana_Troncal10_FotoLissethBoon-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210939\/Gran_Sabana_Troncal10_FotoLissethBoon-2048x1536.jpg 2048w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210939\/Gran_Sabana_Troncal10_FotoLissethBoon-150x113.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210939\/Gran_Sabana_Troncal10_FotoLissethBoon-696x522.jpg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210939\/Gran_Sabana_Troncal10_FotoLissethBoon-1068x801.jpg 1068w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210939\/Gran_Sabana_Troncal10_FotoLissethBoon-1920x1440.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption><em>Foto: Lorena Mel\u00e9ndez<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong><strong>A<em> Tuenkaron<\/em> da Savana<\/strong><\/strong><\/h2>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow\">\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow\">\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow\">\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow\">\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow\">\n<p style=\"max-width:860px\"><em>\u201cTuenkaron \u00e9 uma personagem que mora nas \u00e1guas, rios e lagoas.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\"><em>\u00c9 uma pessoa baixinha, normalmente, uma mulher de&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\"><em>cabelos longos muito bonitos. Ela cuida da natureza dos<\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\"><em>profanadores do meio onde ela mora, zela seu h\u00e1bitat,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\"><em>pune quem o profana e a pessoa que a v\u00ea fica doente ou&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"max-width:860px\"><em>se desmaia\u201d.<\/em><\/p>\n<\/div><\/div>\n<\/div><\/div>\n<\/div><\/div>\n<\/div><\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow\">\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow\">\n<div><small style=\"font-size:60%\">Hist\u00f3ria dos pemons de Kumarakapay. Roroim\u00f3kok Dam\u00fak. Edi\u00e7\u00f5es Ivic, 2010\n<\/small><div class=\"_3C-sm\"><div><p><\/p><\/div><\/div><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n<\/div><\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p>Uma das primeiras tarefas desse escrit\u00f3rio especial foi criar uma Guarda Territorial Pemona em 2016, cujo intuito \u00e9 garantir a seguran\u00e7a do territ\u00f3rio. <strong>Isto foi decidido devido \u00e0 presen\u00e7a cada vez mais evidente de grupos armados no territ\u00f3rio ind\u00edgena e ao <a href=\"https:\/\/www.lapatilla.com\/2016\/09\/06\/protesta-en-santa-elena-de-uairen-por-asesinato-de-madre-e-hijo-en-intento-de-atraco-en-su-casa\/\">assassinato<\/a> da m\u00e3e e dos filhos de uma fam\u00edlia n\u00e3o ind\u00edgena que estava estabelecida em Santa Elena de Uair\u00e9n.<\/strong> Nesse caso, foi envolvida a <a class=\"rank-math-link\" href=\"https:\/\/www.eldiariodeguayana.com.ve\/a-vista-hermosa-dos-policias-y-tres-civiles-por-triple-homicidio-de-familia-arabe-2\/\"><span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">pol\u00edcia da governa\u00e7\u00e3o do estado&nbsp; Bol\u00edvar<\/span><\/a> junto com grupos criminosos. Lisa foi uma de suas organizadoras e de suas principais dirigentes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O aumento da viol\u00eancia na id\u00edlica Gran Sabana come\u00e7ou justamente em 2016, ano em que tamb\u00e9m o governo de Maduro oficializou o Arco Mineiro do Orinoco.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>nos tr\u00eas ataques militares a comunidades ind\u00edgenas dos \u00faltimos dois anos, as v\u00edtimas foram ind\u00edgenas, nunca militares<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>A Guarda Territorial Pemona tamb\u00e9m surgiu pela ina\u00e7\u00e3o das autoridades militares diante de crimes contra os ind\u00edgenas<\/strong>, apesar das den\u00fancias dos caciques gerais em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s a\u00e7\u00f5es de quadrilhas armadas na regi\u00e3o. Desmentindo as acusa\u00e7\u00f5es oficiais, Lisa insiste em que seus membros (mais de 300) nunca tiveram armas. \u201cSe n\u00f3s tiv\u00e9ssemos estado l\u00e1, o resultado seria outro\u201d, ela afirma, insistindo em que, nos tr\u00eas ataques militares a comunidades ind\u00edgenas dos \u00faltimos dois anos, as v\u00edtimas foram ind\u00edgenas, nunca militares.<\/p>\n\n\n\n<p>Sob o abrigo desse escrit\u00f3rio especial, <strong>os grupos ind\u00edgenas instalaram blitz nas autoestradas para reduzir o contrabando de gasolina<\/strong>, um bem escasso que, na Gran Sabana, tem um pre\u00e7o internacional, enquanto que, no resto do pa\u00eds, \u00e9 praticamente gratuito. Com essas blitz eles tamb\u00e9m recebem uma esp\u00e9cie de imposto dos garimpeiros pelo ouro extra\u00eddo na regi\u00e3o, devido a que eles n\u00e3o recebem nenhum tipo de ajuda do Estado venezuelano. <strong>\u201cAntes nos amparava a lei de Povos Ind\u00edgenas, na qual se estabelece que qualquer atividade econ\u00f4mica que seja realizada no territ\u00f3rio deve beneficiar as comunidades\u201d<\/strong>, assegura Lisa.&nbsp; Ela adiciona que, contr\u00e1rio ao que acontece nas blitz ilegais da Guarda Nacional Bolivariana, \u201cnas nossas, os recursos chegam realmente \u00e0s comunidades ind\u00edgenas. Temos direitos, mas tamb\u00e9m deveres. N\u00f3s fazemos uma lista detalhada das despesas, tais como medicinas; inclusive, compramos pneus para os carros da Guarda Nacional Bolivariana\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1920\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Salto_Soroape_Gran_Sabana_Parque_Nacional_Canaima_FotoLorenaMele\u0301ndez-1-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5230\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19210937\/Salto_Soroape_Gran_Sabana_Parque_Nacional_Canaima_FotoLorenaMele%CC%81ndez-1-scaled.jpg 2560w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19210937\/Salto_Soroape_Gran_Sabana_Parque_Nacional_Canaima_FotoLorenaMele%CC%81ndez-1-300x225.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19210937\/Salto_Soroape_Gran_Sabana_Parque_Nacional_Canaima_FotoLorenaMele%CC%81ndez-1-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19210937\/Salto_Soroape_Gran_Sabana_Parque_Nacional_Canaima_FotoLorenaMele%CC%81ndez-1-768x576.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19210937\/Salto_Soroape_Gran_Sabana_Parque_Nacional_Canaima_FotoLorenaMele%CC%81ndez-1-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19210937\/Salto_Soroape_Gran_Sabana_Parque_Nacional_Canaima_FotoLorenaMele%CC%81ndez-1-2048x1536.jpg 2048w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19210937\/Salto_Soroape_Gran_Sabana_Parque_Nacional_Canaima_FotoLorenaMele%CC%81ndez-1-150x113.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19210937\/Salto_Soroape_Gran_Sabana_Parque_Nacional_Canaima_FotoLorenaMele%CC%81ndez-1-696x522.jpg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19210937\/Salto_Soroape_Gran_Sabana_Parque_Nacional_Canaima_FotoLorenaMele%CC%81ndez-1-1068x801.jpg 1068w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19210937\/Salto_Soroape_Gran_Sabana_Parque_Nacional_Canaima_FotoLorenaMele%CC%81ndez-1-1920x1440.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption>Foto: Lorena Mel\u00e9ndez<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A Guarda Territorial Pemona se tornou uma esp\u00e9cie de promotoria que leva justi\u00e7a \u00e0 \u00e1rea. \u201c<strong>Quando se cometiam certos crimes como roubo, tr\u00e1fico de drogas e prostitui\u00e7\u00e3o, aplic\u00e1vamos san\u00e7\u00f5es decorrentes da normativa ind\u00edgena<\/strong>: rapar o cabelo \u201cficar careca\u201d, confinamento de 72 horas dentro de um silo, chicotadas, c\u00e2maras de pimenta e trabalho comunit\u00e1rio\u201d. Lisa acha que o principal problema da Venezuela n\u00e3o \u00e9 a corrup\u00e7\u00e3o, mas sim a impunidade. \u201cSe n\u00e3o s\u00e3o aplicadas san\u00e7\u00f5es, a pessoa continua roubando\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"100%\" height=\"500\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mSm0NdeQflI\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe>\n\n\n\n<p><strong>Durante quase dois anos, a Guarda Territorial tomou o lugar da pol\u00edcia regional em Santa Elena de Uair\u00e9n.<\/strong> A Guarda Territorial se \u201clivrou\u201d dos delinquentes em Ikabar\u00fa, uma comunidade ind\u00edgena historicamente mineira, localizada a uns 70 quil\u00f4metros da capital do munic\u00edpio Gran Sabana. \u201cN\u00e3o \u00edamos permitir a exist\u00eancia de grupos armados em nosso territ\u00f3rio, venham de onde vierem. Os ind\u00edgenas adquiriram prest\u00edgio porque as pessoas viam que est\u00e1vamos fazendo alguma coisa pela seguran\u00e7a da regi\u00e3o\u201d, afirma.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;N\u00e3o \u00edamos permitir a exist\u00eancia de grupos armados em nosso territ\u00f3rio, venham de onde vierem. Os ind\u00edgenas adquiriram prest\u00edgio porque as pessoas viam que est\u00e1vamos fazendo alguma coisa pela seguran\u00e7a da regi\u00e3o&#8221;<\/p><cite>Lisa Henrito<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, tr\u00eas anos ap\u00f3s sua cria\u00e7\u00e3o, o r\u00e1dio de a\u00e7\u00e3o da Guarda Territorial Pemona foi reduzido \u00e0s comunidades ind\u00edgenas ap\u00f3s o ataque militar \u00e0 comunidade de Kumaracapay (tamb\u00e9m conhecida como San Francisco de Yuruan\u00ed) em 22 de fevereiro de 2019, que provocou a morte de tr\u00eas ind\u00edgenas pemons, habitantes desse povoado que serve de acampamento base no caminho em dire\u00e7\u00e3o ao m\u00edtico tepui Roraima, montanha sagrada para eles e um dos \u00edcones tur\u00edsticos mais famosos da Venezuela.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;\u201cA maior amea\u00e7a contra o povo pemon \u00e9 a militar\u201d, afirma Lisa, sem d\u00favida nenhuma.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A dirigente n\u00e3o faz refer\u00eancia unicamente aos assaltos mais recentes, como o do setor 2 de Canaima (dezembro de 2018), Kumarakapay e Santa Elena de Uair\u00e9n (fevereiro de 2019) e Ikabar\u00fa (novembro de 2019), nos quais&nbsp; cinco ind\u00edgenas perderam a vida de forma violenta. Ela tamb\u00e9m se refere aos homic\u00eddios de cinco pemons cometidos por grupos criminosos que operavam nas \u00e1reas mineiras do estado Bol\u00edvar entre <a href=\"about:blank\">2016 e 2017<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Em 26 de setembro de 2018, foi assassinado Jos\u00e9 V\u00e1squez, comandante da Guarda Territorial Pemona na comunidade de Tusaren. As investiga\u00e7\u00f5es policiais indicaram o <a class=\"rank-math-link\" href=\"about:blank\">ex-funcion\u00e1rio das <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">For\u00e7as Armadas Nacionais<\/span><\/a>, Edward Frederick Curuma, como autor do homic\u00eddio agravado intencional.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&nbsp;\u201cA maior amea\u00e7a contra o povo pemon \u00e9 a militar\u201d<\/p><cite>LIsa Henrito<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>As tens\u00f5es entre pemons e militares apareceram a final da d\u00e9cada de 1990 com as linhas de transmiss\u00e3o el\u00e9trica que foram instaladas no territ\u00f3rio onde as comunidades pemonas est\u00e3o estabelecidas para levar o servi\u00e7o da hidrel\u00e9trica no estado Bol\u00edvar na Venezuela at\u00e9 o Brasil.&nbsp;<strong>Em alguns epis\u00f3dios, os ind\u00edgenas ativaram o escrit\u00f3rio especial ind\u00edgena e alguns funcion\u00e1rios militares foram presos por terem feito pr\u00e1ticas consideradas como abusivas e infratoras da lei. <\/strong>O caso ocorrido em outubro de 2011 no setor mineiro Amanaim\u00fc de La Paragua, cont\u00edguo ao Parque Nacional Canaima, onde cerca de 550 membros de 13 comunidades de ind\u00edgenas pemons capturaram e desarmaram <a href=\"about:blank\">19 funcion\u00e1rios das For\u00e7as Armada<\/a>s, que foram apanhados praticando garimpo ilegal em uma jazida que tinha sido fechada dois meses antes, demonstra a situa\u00e7\u00e3o.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Dois anos depois, representantes de 12 comunidades ind\u00edgenas do setor 3 de Urim\u00e1n, no munic\u00edpio Gran Sabana, prenderam e tiraram as armas de <a href=\"about:blank\">43 efetivos do Ex\u00e9rcito<\/a>, depois de a Regi\u00e3o Estrat\u00e9gica de Defesa Integrada da Guayana (Redi Guayana) ter suspenso as autoriza\u00e7\u00f5es de voos de avi\u00f5es que tinham sido considerados ilegais pois, na verdade, esses voos facilitavam o envio de alimentos e o deslocamento de pacientes das comunidades remotas do sul do pa\u00eds at\u00e9 os hospitais.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cA amea\u00e7a aos dirigentes ind\u00edgenas \u00e9 proporcional \u00e0 luta pela resist\u00eancia dos seus povos e \u00e0 reivindica\u00e7\u00e3o dos seus territ\u00f3rios\u201d<\/p><cite>Vladimir Aguilar<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>\u201cA amea\u00e7a aos dirigentes ind\u00edgenas \u00e9 proporcional \u00e0 luta pela resist\u00eancia dos seus povos e \u00e0 reivindica\u00e7\u00e3o dos seus territ\u00f3rios\u201d, insiste Vladimir Aguilar, advogado especialista em direito ind\u00edgena e diretor do Grupo de Trabalho sobre Assuntos Ind\u00edgenas (GTAI) da Universidade de Los Andes, na cidade de M\u00e9rida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O povo pemon n\u00e3o pode ser considerado como um conglomerado compacto, homog\u00eaneo, afirma o soci\u00f3logo e pesquisador Isaam Madi. Al\u00e9m das diferen\u00e7as das religi\u00f5es, ele explica que, dentro do territ\u00f3rio pemon, <strong>h\u00e1 lideran\u00e7as e setores que t\u00eam sido cooptados pelo chavismo e j\u00e1 aplicam seus preceitos, enquanto que outros continuam defendendo sua identidade e sua autonomia, raz\u00e3o pela qual costumam ser os mais atacados pelo poder.<\/strong> Esse \u00e9 o grupo ao que pertence Lisa Henrito.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Aguilar completa a ideia do soci\u00f3logo e destaca que os pemons ficaram separados por causa da divis\u00e3o pol\u00edtica. \u201c\u00c9 \u00f3bvio que aqueles que se mant\u00eam na primeira linha de luta pela reivindica\u00e7\u00e3o territorial t\u00eam sido alvo de todo tipo de zombaria p\u00fablica. Por\u00e9m, esta \u00e9 uma dura realidade que n\u00e3o s\u00f3 padecem os ind\u00edgenas pemons que se resistem, mas tamb\u00e9m qualquer dirigente ind\u00edgena de qualquer povo, afirma.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;\u00c9 \u00f3bvio que aqueles que se mant\u00eam na primeira linha de luta pela reivindica\u00e7\u00e3o territorial t\u00eam sido alvo de todo tipo de zombaria p\u00fablica&#8221;.<\/p><cite>Vladimir Aguilar<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>O governo negou a participa\u00e7\u00e3o da Guarda Nacional Bolivariana e do Ex\u00e9rcito no ataque contra os Kumarakapay. <\/strong>Longe de reconhecer a morte de tr\u00eas pemons, <a class=\"rank-math-link\" href=\"https:\/\/epmundo.com\/2019\/la-version-de-diosdado-cabello-sobre-el-ataque-a-los-pemones-te-dejara-loco\/\"><span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">Diosdado Cabello<\/span><\/a>, presidente do partido chavista chamado Partido Socialista Unido da Venezuela (Psuv), ele alegou que tinha sido um &#8220;falso positivo&#8221; e acusou membros do partido de oposi\u00e7\u00e3o, denominado Voluntad Popular, de serem autores desses fatos, bem como ao deputado Am\u00e9rico de Grazia, permanente denunciante do Arco Mineiro do Orinoco e dos abusos militares contra a popula\u00e7\u00e3o do estado Bol\u00edvar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, a ministra dos Povos Ind\u00edgenas, <a class=\"rank-math-link\" href=\"http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2019\/08\/05\/venezuela-aloha-nunez-la-voz-de-los-pueblos-indigenas\/\"><span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">Aloha Nu\u00f1ez<\/span>, <\/a>condenou o ataque ao povo pemon de fevereiro de 2019. Ap\u00f3s um m\u00eas do massacre de Kumarakapay e de Santa Elena de Uair\u00e9n, a funcion\u00e1ria reduziu esses eventos ao que ela chamou um &#8220;enfrentamento entre contrabandistas de ouro e as For\u00e7as Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB)&#8221;, que foi provocado por &#8220;grupos mercen\u00e1rios contratados pelo prefeito da Gran Sabana que tentaram gerar viol\u00eancia&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong><strong>Sangue em Kumarakapay&nbsp;<\/strong><\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Lisa ficou chocada com o massacre de Kumarakapay como se ela tivesse nascido nesse povoado ind\u00edgena localizado nessa autoestrada que atravessa o setor oriental do Parque Nacional Canaima.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ela sente dor pelos mortos e pela terra ferida que deixou o ataque militar ocorrido na madrugada do dia 22 de fevereiro do ano passado<\/strong>, quando a Assembleia Nacional e o presidente interino, Juan Guaid\u00f3, ativaram uma opera\u00e7\u00e3o para que entrasse ao pa\u00eds, da Col\u00f4mbia, das ilhas do Caribe e do Brasil, ajuda humanit\u00e1ria para aliviar a maior crise de sua hist\u00f3ria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/albumizr.com\/a\/1DZ7\" scrolling=\"no\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"\" width=\"100%\" height=\"500\"><\/iframe>\n\n\n\n<p><strong>Os ind\u00edgenas de Kumarakapay esperavam ansiosos a chegada de suprimentos m\u00e9dicos, medicamentos e alimentos e, por isso, bloquearam a passagem de quatro comboios militares que pretendiam fechar a fronteira por ordem do governo de Nicol\u00e1s Maduro<\/strong>. A resposta dos militares do Ex\u00e9rcito diante da a\u00e7\u00e3o da comunidade foi atirar neles com seus fuzis. Dessa forma mataram tr\u00eas ind\u00edgenas e feriram outros 14. Alguns deles ainda t\u00eam balas alojadas em seus corpos, outros ficaram com defici\u00eancias motoras ou parapl\u00e9gicos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Pelo menos oitenta habitantes da comunidade fugiram ao Brasil devido ao ass\u00e9dio militar. Em Kumarakapay nada voltou a ser igual.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A repress\u00e3o militar n\u00e3o ficou por a\u00ed s\u00f3. <strong>Nos dias seguintes, os militares fardados tamb\u00e9m abriram fogo contra os que estavam exigindo a entrada da ajuda humanit\u00e1ria em Santa Elena de Uair\u00e9n.<\/strong> A&nbsp; persegui\u00e7\u00e3o continuou em Kumarakapay, porque essa mesma noite do ataque houve invas\u00f5es ilegais nesse povoado. Os ind\u00edgenas tinham muito medo e se refugiaram nas montanhas pr\u00f3ximas ou ficaram escondidos em suas casas durante dias sem sequer poderem sair aos seus ro\u00e7ados para procurar alimentos. Pelo menos oitenta habitantes da comunidade fugiram ao Brasil devido ao ass\u00e9dio militar. Em Kumarakapay nada voltou a ser igual.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma parte da fam\u00edlia de Lisa tamb\u00e9m decidiu cruzar a fronteira para nunca mais voltar. Ela chora quando se lembra do seu irm\u00e3o e dos sobrinhos que tiveram que fugir pelas trilhas ilegais ao Brasil, por causa da persegui\u00e7\u00e3o armada da qual foram alvo os pemons. Ela perde a voz quando conta que as crian\u00e7as ind\u00edgenas nos ref\u00fagios das fronteiras desenham suas casas que foram deixadas para tr\u00e1s com a bandeira da Venezuela e sempre perguntando quando v\u00e3o voltar.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1920\" height=\"1080\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/TdR_Venezuela_Pemones_6_FotoLorenaMele\u0301ndez.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5231\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19210935\/TdR_Venezuela_Pemones_6_FotoLorenaMele%CC%81ndez.jpg 1920w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19210935\/TdR_Venezuela_Pemones_6_FotoLorenaMele%CC%81ndez-300x169.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19210935\/TdR_Venezuela_Pemones_6_FotoLorenaMele%CC%81ndez-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19210935\/TdR_Venezuela_Pemones_6_FotoLorenaMele%CC%81ndez-768x432.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19210935\/TdR_Venezuela_Pemones_6_FotoLorenaMele%CC%81ndez-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19210935\/TdR_Venezuela_Pemones_6_FotoLorenaMele%CC%81ndez-150x84.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19210935\/TdR_Venezuela_Pemones_6_FotoLorenaMele%CC%81ndez-696x392.jpg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/19210935\/TdR_Venezuela_Pemones_6_FotoLorenaMele%CC%81ndez-1068x601.jpg 1068w\" sizes=\"auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><figcaption>Foto: Lorena Mel\u00e9ndez<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Isto n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 sobre o povo de Kumarakapay, que conta com as medidas cautelares de prote\u00e7\u00e3o que outorgou a <a href=\"http:\/\/www.oas.org\/es\/cidh\/decisiones\/pdf\/2019\/7-19MC181-19-VE.pdf\">Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos (CIDH<\/a>) em 28 de fevereiro de 2019, depois de ter se determinado que havia uma \u201csitua\u00e7\u00e3o de gravidade ou urg\u00eancia\u201d, porque os direitos \u00e0 vida e \u00e0 integridade pessoal de seus habitantes estavam em \u201crisco de dano irrepar\u00e1vel\u201d. Tamb\u00e9m por causa do assalto da Guarda Nacional Bolivariana no<a href=\"https:\/\/alianza.shorthandstories.com\/canaima-el-paraiso-envenenado-por-el-oro\/index.html#group-La-sangre-y-el-tepuy-BB7ewK80g6\"> setor 2 de Canaima<\/a>, onde foi assassinado o ind\u00edgena pemon kamarakoto Charly Pe\u00f1aloza em dezembro de 2018, enquanto trabalhava como mineiro no rio Carrao. E, mais recentemente, do <a href=\"https:\/\/runrun.es\/rr-es-plus\/393967\/ikabaru-en-claves-de-bloque-especial-del-arco-minero-a-escenario-de-una-masacre\/\">massacre da comunidade mineira Ikabar\u00fa<\/a> em novembro de 2019, quando oito pessoas perderam a vida, entre elas um ind\u00edgena pemon, Edison Ram\u00f3n Soto Su\u00e1rez.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"   margin: 12px auto 6px auto;   font-family: Helvetica,Arial,Sans-serif;   font-style: normal;   font-variant: normal;   font-weight: normal;   font-size: 14px;   line-height: normal;   font-size-adjust: none;   font-stretch: normal;   -x-system-font: none;   display: block;\"><a title=\"View Medida Cautelar CIDH No. 181-19 para ind\u00edgenas pem\u00f3n de Kumarakapay, Venezuela on Scribd\" href=\"https:\/\/www.scribd.com\/document\/451593350\/Medida-Cautelar-CIDH-No-181-19-para-indigenas-pemon-de-Kumarakapay-Venezuela#from_embed\" style=\"text-decoration: underline;\">Medida Cautelar CIDH No. 18&#8230;<\/a> by <a title=\"View Open Data 2019's profile on Scribd\" href=\"https:\/\/www.scribd.com\/user\/454035651\/Open-Data-2019#from_embed\" style=\"text-decoration: underline;\">Open Data 2019<\/a> on Scribd<\/p><iframe loading=\"lazy\" class=\"scribd_iframe_embed\" title=\"Medida Cautelar CIDH No. 181-19 para ind\u00edgenas pem\u00f3n de Kumarakapay, Venezuela\" src=\"https:\/\/www.scribd.com\/embeds\/451593350\/content?start_page=1&#038;view_mode=scroll&#038;show_recommendations=false&#038;access_key=key-mPt7JefEs3bAcJqMuimY\" data-auto-height=\"true\" data-aspect-ratio=\"0.7729220222793488\" scrolling=\"no\" width=\"100%\" height=\"700\" frameborder=\"0\"><\/iframe>\n\n\n\n<p><strong>\u201cTodos esses ataques fazem parte da militariza\u00e7\u00e3o progressiva do territ\u00f3rio pemon\u201d<\/strong>, afirma Lisa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cTodos somos v\u00edtimas. O tiroteio e a tomada do povoado foram feitos para obter o controle dos nossos recursos: ouro, \u00e1gua e madeira, al\u00e9m do controle da fronteira por onde se faz o contrabando de mercadorias e de materiais estrat\u00e9gicos\u201d.&nbsp;<\/p><cite>Lisa Henrito<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ela acha que \u201ccom o massacre de Kumarakapay e Ikabar\u00fa, se abriram umas feridas muito profundas no povo pemon\u201d.&nbsp; Ap\u00f3s um ano da primeira trag\u00e9dia, ela est\u00e1 convencida de que o suposto bloqueio \u00e0 ajuda humanit\u00e1ria foi uma desculpa qualquer para atacar os pemons e militarizar a Gran Sabana. \u201cTodos somos v\u00edtimas. O tiroteio e a tomada do povoado foram feitos para obter o controle dos nossos recursos: ouro, \u00e1gua e madeira, al\u00e9m do controle da fronteira por onde se faz o contrabando de mercadorias e de materiais estrat\u00e9gicos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"100%\" height=\"500\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/foBsESQWHaQ\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe>\n\n\n\n<p>Lisa acredita que Kumarakapay sempre foi uma comunidade \u201corganizada, uma refer\u00eancia\u201d que n\u00e3o foi perdoada pela sua posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica independente. \u201c<strong>Bem sabemos que, para o governo, n\u00e3o pode existir ningu\u00e9m independente<\/strong>: ou voc\u00ea \u00e9 vermelho ou voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 deles. Como nos defendemos, estamos atingindo muitos dos interesses deles, tais como o tr\u00e1fico de dinheiro, ouro, armas, combust\u00edvel&#8221;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ela admite que, depois do assalto militar em Canaima, alguns capit\u00e3es negociaram com o poder. Ela acha que o ataque de 8 de dezembro de 2018, no qual morreu Charly Pe\u00f1aloza n\u00e3o foi um acidente, mas sim uma forma de medirem sua for\u00e7a. \u201cEles convenceram algumas lideran\u00e7as ind\u00edgenas e botaram toda essa luta a perder\u201d, ela diz.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1080\" height=\"1363\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/MINAS.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5227\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210943\/MINAS.png 1080w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210943\/MINAS-238x300.png 238w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210943\/MINAS-811x1024.png 811w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210943\/MINAS-768x969.png 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210943\/MINAS-150x189.png 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210943\/MINAS-300x379.png 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210943\/MINAS-696x878.png 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210943\/MINAS-1068x1348.png 1068w\" sizes=\"auto, (max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Lisa \u00e9 abertamente contra o garimpo no territ\u00f3rio pemon<\/strong>, embora entenda que \u00e9 uma atividade \u00e0 qual os povos <strong>ind\u00edgenas recorreram ancestralmente para subsistirem, n\u00e3o para se enriquecerem, como acontece na concep\u00e7\u00e3o ocidental<\/strong>. &#8220;Algumas comunidades continuam tendo essa vis\u00e3o, outras menos, especialmente algumas inst\u00e2ncias superiores, que n\u00e3o s\u00e3o do povo. \u00c9 claro que tem pessoas que n\u00e3o se importam com acabar com o rio s\u00f3 porque querem ter os \u00faltimos t\u00eanis Nike. <strong>Eu n\u00e3o apoio o garimpo de ouro, a menos que o povo decida participar, mas s\u00f3 se fosse como parceiro do Estado, porque este \u00e9 o nosso territ\u00f3rio.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"100%\" height=\"500\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/n02sGWU9Ykw\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Eles est\u00e3o matando \u00edndios e n\u00e3o h\u00e1 justi\u00e7a&#8221;.<\/p><cite>Lisa Henrito<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>As amea\u00e7as n\u00e3o minimizam Lisa Henrito, muito pelo contr\u00e1rio. &#8220;Tem algum militar preso pelo massacre em Kumarakapay? Eles est\u00e3o matando \u00edndios e n\u00e3o h\u00e1 justi\u00e7a. N\u00f3s pemons n\u00e3o somos os culpados dos ataques, mas temos a responsabilidade de ser cr\u00edticos e de defender a nossa agenda. <strong>Devemos valorizar o que somos, o que temos e continuar com nossa luta. Se eles vierem para nos dividir, comigo est\u00e3o bem enganados. N\u00e3o estou aqui para ser amada pelo povo, mas sim para lutar por ele.&nbsp;&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/eee.png\" alt=\"Tierra de Resistentes\" class=\"wp-image-3766\" width=\"100\" height=\"100\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211834\/eee.png 400w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211834\/eee-300x300.png 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211834\/eee-150x150.png 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 100px) 100vw, 100px\" \/><\/figure><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lisa Lynn Henrito Percy, guardi\u00e3 do povo pemon, foi acusada de secessionista e de traidora \u00e0 p\u00e1tria pelo alto comando militar venezuelano, o que ativou uma a\u00e7\u00e3o urgente da Anistia Internacional. Em um contexto de lideran\u00e7a predominantemente masculina, a dirigente se destaca n\u00e3o somente pela singularidade de ser uma mulher ind\u00edgena em uma regi\u00e3o amea\u00e7ada [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":35,"featured_media":5218,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[7,44],"tags":[365,368,47,367,361,366,258,363,364],"coauthors":[59,206,229],"class_list":{"0":"post-179","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-venezuela","8":"category-reportajes","9":"tag-armas","10":"tag-emergencia-humanitaria","11":"tag-fase-ii","12":"tag-lideresa","13":"tag-militares","14":"tag-mujer","15":"tag-oro","16":"tag-parque","17":"tag-pemones"},"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.4 - 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Por sus investigaciones sobre corrupci\u00f3n, crimen organizado, extractivismo y violaci\u00f3n de derechos humanos ha sido galardonada con el premio nacional de periodismo de investigaci\u00f3n del Instituto Prensa y Sociedad (Ipys), premio de la Conferencia Latinoamericana de Periodismo de Investigaci\u00f3n (Colpin), Premio Gabo de periodismo, premio de la excelencia de la Sociedad Interamericana de Prensa (Sip) y ONA. Graduada en la Universidad Cat\u00f3lica Andr\u00e9s Bello de Caracas, tiene estudios de posgrado de la Universidad Sim\u00f3n Bol\u00edvar de Caracas y la Universidad Pompeu Fabra de Barcelona, Espa\u00f1a. Fue becaria del programa de verano Draper Hills 2016 del CDDLR de la Universidad de Stanford, California as\u00ed como del Programa Fojo de la Agencia Sueca de Desarrollo Internacional (Asdi) en Suecia. Ha participado en proyectos colaborativos transfronterizos como Panama Papers, Investiga LavaJato, Tierra de Resistentes, Conexi\u00f3n Suiza y Fincen Files. 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