{"id":1450,"date":"2020-04-22T02:57:00","date_gmt":"2020-04-22T02:57:00","guid":{"rendered":"http:\/\/tierra.jerrejerre.com\/es\/?p=1450"},"modified":"2021-05-01T23:21:55","modified_gmt":"2021-05-01T23:21:55","slug":"las-gobernadoras-siona-y-su-territorio-en-disputa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/2020\/04\/22\/las-gobernadoras-siona-y-su-territorio-en-disputa\/","title":{"rendered":"As governadoras siona e seu territ\u00f3rio sendo disputado"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"max-width:860px\"><strong><em>Na fronteira entre a Col\u00f4mbia e o Equador, a mais de duas horas a jusante de Puerto Asis, no Putumayo, duas mulheres siona &#8211; Milena Payoguaje e Martha Liliana Piaguaje &#8211; governam territ\u00f3rios ind\u00edgenas em meio a uma das \u00e1reas mais disputadas da Col\u00f4mbia, h\u00e1 uma empresa que est\u00e1 querendo extrair petr\u00f3leo e alguns explosivos s\u00edsmicos que ainda n\u00e3o se sabe se se v\u00e3o ser detonados.<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed aligncenter is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"youtube-embed\" data-video_id=\"Np55DS_CCKo\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"Las ind\u00edgenas resistentes, gobernadoras al sur de Colombia en defensa de su territorio\" width=\"696\" height=\"392\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Np55DS_CCKo?feature=oembed&#038;enablejsapi=1\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>A \u00e1gua chega \u00e0 canela, a cerca de dez cent\u00edmetros da borda da bota de borracha. As cal\u00e7as imperme\u00e1veis j\u00e1 est\u00e3o molhadas. No cinto, ele carrega o fac\u00e3o (machete) e um estojo para guardar objetos essenciais. A governadora do abrigo Santa Cruz de Pi\u00f1u\u00f1a Blanco, Martha Liliana Piaguaje, carrega seu bast\u00e3o pendurado no peito enquanto grava com a c\u00e2mera do seu celular um dos pontos onde a <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">empresa Amerisur Resources<\/span> (recentemente vendida \u00e0 chilena Geopark) instalou cargas de explosivos da marca sismigel para fazer estudos s\u00edsmicos.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Esta foto foi tirada no in\u00edcio de outubro de 2019, quando Liliana e sua guarda ind\u00edgena chegaram at\u00e9 os limites do seu abrigo com representantes da Amerisur e do Minist\u00e9rio do Interior, funcion\u00e1rios da Corpoamazonia e \u00f3rg\u00e3os de controle local, para dizer a eles que nunca deviam ter enterrado esse material l\u00e1. <strong>A empresa garante que as cargas est\u00e3o localizadas fora do territ\u00f3rio ind\u00edgena siona, mas Liliana e seus colegas dizem terem provas para demonstrar que est\u00e3o dentro dos limites do abrigo<\/strong>, a duas horas a jusante de Puerto Asis, na margem colombiana do rio Putumayo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"770\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Foto_0-2048x1365-1-e1586898207967-770x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1755\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19212235\/Foto_0-2048x1365-1-e1586898207967-770x1024.jpg 770w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19212235\/Foto_0-2048x1365-1-e1586898207967-226x300.jpg 226w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19212235\/Foto_0-2048x1365-1-e1586898207967-768x1021.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19212235\/Foto_0-2048x1365-1-e1586898207967.jpg 901w\" sizes=\"auto, (max-width: 770px) 100vw, 770px\" \/><figcaption><em>Milena Payoguaje, governadora da \u00e1rea do Baixo Santa Elena, olha para o Rio Putumayo. A maioria dos membros do seu povo, os siona, mora nas margens destas \u00e1guas que, neste ponto, s\u00e3o a fronteira natural entre a Col\u00f4mbia e o Equador. Foto: C\u00e9sar Rojas \u00c1ngel.<\/em><br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;Somos origin\u00e1rios do Putumayo, n\u00e3o viemos de nenhum outro lugar, nossos av\u00f3s s\u00e3o fam\u00edlia, temos ra\u00edzes dos tucanos, somos descendentes deles, tamb\u00e9m dos siona secoya do Equador&#8221;, diz Martha Liliana Piaguaje ao descrever seu povo. No Putumayo, uma das portas de entrada para a Amaz\u00f4nia colombiana, existem 12 comunidades siona. Santa Cruz de Pi\u00f1u\u00f1a Blanco \u00e9 um dos <a href=\"https:\/\/siic.mininterior.gov.co\/sites\/default\/files\/pueblo_siona_-_diagnostico_comunitario.pdf\">seis abrigos<\/a> legalmente constitu\u00eddos no departamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Martha Liliana Piaguaje n\u00e3o usa o seu primeiro nome. Em seu abrigo quase todos a chamam de Liliana e ela \u00e9 uma das lideran\u00e7as desta comunidade ind\u00edgena no Putumayo, no sul da Col\u00f4mbia. Trinta minutos rio acima, em dire\u00e7\u00e3o a Puerto As\u00eds, mora <strong>Milena Payoguaje, governadora da \u00e1rea de Baixo Santa Elena, a primeira mulher a governar esta comunidade e uma lideran\u00e7a que, at\u00e9 hoje, n\u00e3o teve contato direto com os avan\u00e7os das ind\u00fastrias extrativistas, mas que conhece os riscos de defender o territ\u00f3rio tanto quanto Liliana.<\/strong> As duas t\u00eam sofrido com o conflito, v\u00eaem de perto as planta\u00e7\u00f5es de coca que buscam expandir suas fronteiras, est\u00e3o tamb\u00e9m conscientes de que o rio, que \u00e9 a entrada de suas comunidades, \u00e9 um dos corredores do tr\u00e1fico de drogas mais disputados do pa\u00eds e tanto Milena quanto Liliana j\u00e1 foram amea\u00e7adas por diferentes atores que pretendem controlar esses territ\u00f3rios.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Nestas duas comunidades, bem como em outras organiza\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas da regi\u00e3o e de toda a Col\u00f4mbia, as mulheres s\u00e3o protagonistas da defesa do territ\u00f3rio e de seus direitos coletivos, em meio a um entorno hostil.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 22 de agosto de 2019, o Tribunal Administrativo de Cundinamarca decidiu a favor da comunidade do abrigo Santa Cruz de Pi\u00f1u\u00f1a Blanco. <strong>O juiz ordenou \u00e0 Amerisur que suspendesse os estudos s\u00edsmicos, instou as partes a constitu\u00edrem uma mesa de concilia\u00e7\u00e3o para resolver a disputa e solicitou \u00e0 Ag\u00eancia Nacional de Terras (ANT) que realizasse uma visita para determinar os limites geogr\u00e1ficos do abrigo<\/strong>, para assim esclarecer se as cargas de sismigel estavam localizadas dentro ou fora do territ\u00f3rio ind\u00edgena.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00faltima reuni\u00e3o dessa mesa de concilia\u00e7\u00e3o -um meio para fazer acompanhamento ao cumprimento da senten\u00e7a- foi realizada em 6 de dezembro. Desde ent\u00e3o, a comunidade de Santa Cruz de Pi\u00f1u\u00f1a Blanco n\u00e3o teve mais contato com a Amerisur Colombia, filial colombiana da empresa brit\u00e2nica Amerisur. Naqueles dias j\u00e1 se ouviam boatos de que a empresa ia ser vendida. A venda veio \u00e0 tona em 16 de janeiro. A empresa chilena <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">GeoPark<\/span>, que al\u00e9m de em sua matriz, tem opera\u00e7\u00f5es no Peru, Equador, Argentina e Brasil, <a href=\"https:\/\/www.geo-park.com\/files\/releases\/GPRK_-_Amerisur_Closing_Press_Final_003_1.pdf\">comprou a Amerisur<\/a> por 314 milh\u00f5es de d\u00f3lares. <strong>Com esta opera\u00e7\u00e3o, a GeoPark adquiriu os 13 blocos que a empresa brit\u00e2nica possu\u00eda na Col\u00f4mbia, 12 deles no Putumayo.\u00a0<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em dezembro, quando a venda parecia iminente, o abrigo Buenavista, o maior do povo siona no departamento do Putumayo e tamb\u00e9m o que mais se enfrenta aos avan\u00e7os da petroleira, <a href=\"https:\/\/twitter.com\/PuebloZiobain\/status\/1207779337124163585\">antecipou<\/a>: &#8220;Avisamos \u00e0 multinacional @GeoParkEmpresa, poss\u00edvel compradora da @AmerisurResourc, que N\u00c3O permitiremos atividades extrativistas e que, ao adquirir os referidos ativos, adquire suas responsabilidades pela viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos e dos direitos do nosso territ\u00f3rio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"twitter-tweet\"><p lang=\"es\" dir=\"ltr\">URGENTE| Advertimos a la multinacional @GeoParkEmpresa, posible compradora de @AmerisurResourc, que NO permitiremos actividades extractivas y que al adquirir los referidos activos adquiere sus responsabilidades por la violaci\u00f3n de los DDHH y los derechos de nuestro territorio <a href=\"https:\/\/t.co\/2xUFR7lV03\">pic.twitter.com\/2xUFR7lV03<\/a><\/p>\u2014 ZioBain Buenavista-Wisuya (@PuebloZiobain) <a href=\"https:\/\/twitter.com\/PuebloZiobain\/status\/1207779337124163585?ref_src=twsrc%5Etfw\">December 19, 2019<\/a><\/blockquote> <script async=\"\" src=\"https:\/\/platform.twitter.com\/widgets.js\" charset=\"utf-8\"><\/script>\n\n\n\n<p>As tens\u00f5es entre a petroleira e o povo siona come\u00e7aram em 2013, quando foi dado o primeiro passo para um processo de consulta pr\u00e9via. Em uma pesquisa publicada no final de fevereiro de 2020, a organiza\u00e7\u00e3o ambiental Ambiente y Sociedad afirmou que a <strong>Amerisur tinha iniciado separadamente processos de consulta pr\u00e9via com as comunidades de Buenavista, Bajo Santa Elena e Santa Cruz de Pi\u00f1u\u00f1a Blanco. O abrigo de Buenavista rejeitou qualquer interven\u00e7\u00e3o, mas as outras duas comunidades assinaram acordos em 2014.<\/strong> Hoje, Liliana, governadora de Santa Cruz de Pi\u00f1u\u00f1a Blanco, diz que n\u00e3o tinha informa\u00e7\u00f5es suficientes e que o fato de terem feito essa consulta separadamente foi para dividir o povo siona e que, de qualquer forma, a \u00e1rea onde instalaram os explosivos para os estudos s\u00edsmicos n\u00e3o era a que tinha sido decidida previamente.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/GOBERNADORAS-editada.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2099\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19212152\/GOBERNADORAS-editada.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19212152\/GOBERNADORAS-editada-300x169.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19212152\/GOBERNADORAS-editada-768x432.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption><em>Martha Liliana Piaguaje tem 35 anos e \u00e9 governadora do abrigo Santa Cruz de Pi\u00f1u\u00f1a Blanco desde 2017. Foto: C\u00e9sar Rojas \u00c1ngel.<\/em><br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Por isso, para ela, a senten\u00e7a a seu favor, que foi decidida em agosto, foi uma pequena vit\u00f3ria em meio a uma longa disputa entre a empresa petrol\u00edfera e o povo siona. Por\u00e9m, a comemora\u00e7\u00e3o foi curta. A Ag\u00eancia Nacional de Terras (ANT) atendeu a ordem da Corte para delimitar o territ\u00f3rio e j\u00e1 <a href=\"https:\/\/es.scribd.com\/document\/452064809\/Agencia-Nacional-de-Tierras-resguardo-Santa-Cruz-de-Pinuna-Blanco\">emitiu seu conceito<\/a>: &#8220;as cargas de sismigel est\u00e3o fora do Abrigo Ind\u00edgena Siona Santa Cruz de Pi\u00f1u\u00f1a Blanco&#8221;.<strong> A comunidade interpreta que isso poderia permitir que a empresa petrol\u00edfera continue com a explora\u00e7\u00e3o. Liliana Piaguaje e sua comunidade n\u00e3o sabem o que est\u00e1 por vir nesse processo. <\/strong>A possibilidade de o projeto petrol\u00edfero avan\u00e7ar se soma a outras preocupa\u00e7\u00f5es latentes, tais como que ocupem um territ\u00f3rio historicamente afetado pelo conflito, disputado por diferentes atores armados \u00e0 margem da lei e cheio de planta\u00e7\u00f5es il\u00edcitas.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>O Putumayo \u00e9 o terceiro maior departamento do pa\u00eds com mais hectares plantados com <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">coca<\/span>, de acordo com o relat\u00f3rio de 2018 do Sistema Integrado de Monitoramento das Planta\u00e7\u00f5es Il\u00edcitas do Escrit\u00f3rio das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Drogas e Crime. Esses 26.408 hectares equivalem a 16% do total de planta\u00e7\u00f5es realizadas no pa\u00eds. Al\u00e9m disso, 10% das planta\u00e7\u00f5es de coca do pa\u00eds est\u00e1 localizado nos abrigos ind\u00edgenas. Quanto \u00e0s amea\u00e7as que tudo isso implica, o relat\u00f3rio \u00e9 bem claro: <strong>&#8220;Uma maior presen\u00e7a das planta\u00e7\u00f5es de coca est\u00e1 diretamente relacionada ao deslocamento for\u00e7ado interno, com os efeitos das for\u00e7as p\u00fablicas (assassinados ou feridos), bem como com atos terroristas, atentados, lutas e intimida\u00e7\u00f5es realizados em n\u00edvel municipal&#8221;.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>E isso n\u00e3o para por a\u00ed: Liliana tem que lidar com sua pr\u00f3pria situa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a. Devido a sua condi\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7a, em agosto de 2018, a Unidade Nacional de Prote\u00e7\u00e3o do governo criou para ela um esquema de seguran\u00e7a com duas escoltas, uma caminhonete blindada e um telefone celular com minutos. <strong>Esse esquema foi aplicado at\u00e9 um ano depois de sua nomea\u00e7\u00e3o como governadora, agora, ela \u00e9 acompanhada unicamente \u00e0 \u00e1rea urbana de Puerto As\u00eds.\u00a0<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, as amea\u00e7as, que s\u00e3o transmitidas de boca em boca ou por uma nota an\u00f4nima, j\u00e1 chegaram at\u00e9 em seu abrigo, <strong>onde n\u00e3o chegam nem as caminhonetes nem a cobertura do celular.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong><strong>Os \u00edndios siona, um povo em perigo<\/strong><\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Somos pessoas de yag\u00e9&#8221;, diz Liliana, &#8220;bebemos muito yoko, tamb\u00e9m nos purgamos com tabaco, que faz parte das cren\u00e7as dos mais velhos, e n\u00f3s, como jovens, tamb\u00e9m estamos levando essas cren\u00e7as aos nossos filhos, para que eles n\u00e3o continuem se perdendo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Santa Cruz de Pi\u00f1u\u00f1a Blanco moram aproximadamente 40 fam\u00edlias, quase 200 pessoas, que ficaram aqui apesar de v\u00e1rios anos de viol\u00eancia e isolamento. <strong>\u201cSomos 105 fam\u00edlias segundo o censo geral&#8221;, diz Liliana, embora ela esclare\u00e7a rapidamente que esse n\u00famero inclui as fam\u00edlias que foram deslocadas porque, como ela diz, &#8220;sa\u00edram para melhorar sua qualidade de vida e moram nos centros urbanos&#8221;.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Foto_3-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1453\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19212247\/Foto_3-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19212247\/Foto_3-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19212247\/Foto_3-768x512.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19212247\/Foto_3-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19212247\/Foto_3-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption><em>Os siona usam o tabaco para se purgar, mas ele tamb\u00e9m \u00e9 um elemento fundamental em suas cerim\u00f4nias. Aqui, no caminho a uma lagoa sagrada, pr\u00f3xima ao seu territ\u00f3rio, dizem que o tabaco ajuda a afastar os esp\u00edritos maus. Foto: C\u00e9sar Rojas \u00c1ngel.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Durante v\u00e1rias d\u00e9cadas, o povo siona viveu em uma \u00e1rea de fogo cruzado. Os ind\u00edgenas est\u00e3o localizados nos dois lados do rio Putumayo, <strong>um territ\u00f3rio que \u00e9 tanto colombiano quanto equatoriano e eles j\u00e1 viram passar por l\u00e1 grupos paramilitares, guerrilheiros e For\u00e7as P\u00fablicas.\u00a0<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Alguns deles, bem como acontece com os habitantes da \u00e1rea do Baixo Santa Elena, carregam com cicatrizes bem mais fortes. <strong>Em 2011, antes do in\u00edcio do processo de paz, membros desmobilizados das ent\u00e3o For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias da Col\u00f4mbia (Farc) informaram que tinham instalado minas antipessoais nas proximidades deste territ\u00f3rio. <\/strong>A Campanha Colombiana contra as Minas j\u00e1 tirou as minas de uma \u00e1rea, mas h\u00e1 um novo campo que ainda deve ser revisado. A comunidade est\u00e1 procedendo simultaneamente com o Minist\u00e9rio do Interior para que sua \u00e1rea possa se tornar um abrigo. Milena diz que, se viram um abrigo, poderiam ter acesso a or\u00e7amentos coletivos \u00e9tnicos controlados pelo governo central.<\/p>\n\n\n\n<p>A governadora considera que, com esse reconhecimento estatal, a comunidade poderia contar com melhores ferramentas para fazer frente \u00e0s pessoas que, sem nenhum escr\u00fapulo, destroem os bosques, expandem a fronteira agr\u00edcola ou aumentam os hectares de planta\u00e7\u00f5es il\u00edcitas como a coca. A final de contas, <strong>13.903 hectares de bosque foram derrubados entre 2017 e 2018 no Putumayo, o quarto departamento com mais desmatamento no pa\u00eds<\/strong>, segundo o <a href=\"https:\/\/siic.mininterior.gov.co\/sites\/default\/files\/pueblo_siona_-_diagnostico_comunitario.pdf\">relat\u00f3rio anual de desmatamento do<\/a> Instituto de Hidrologia, Meteorologia e Estudos Ambientais (IDEAM).<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, Milena e Liliana sempre defenderam sua neutralidade e, estando sempre desarmadas, fizeram tudo o poss\u00edvel para impedir a entrada de qualquer um desses atores em seu territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Amea\u00e7as? Todas&#8221;, diz a governadora de Pi\u00f1u\u00f1a Blanco. <strong>Nem ela nem a Guarda Ind\u00edgena podem fazer os percursos de monitoramento que costumavam fazer nas \u00e1reas mais long\u00ednquas do seu pr\u00f3prio abrigo.<\/strong> &#8220;Se voc\u00eas vierem aqui, v\u00e3o sair mortos, caso puderem sair&#8221;, Liliana diz que lhe contou um colono, um dos muitos fazendeiros que se estabeleceram perto do abrigo para derrubar \u00e1rvores no bosque, plantar folhas de coca ou para explorar as terras f\u00e9rteis da Amaz\u00f4nia. Liliana prefere n\u00e3o falar sobre isso, pois ela n\u00e3o sabe se contar as amea\u00e7as \u00e9 mais arriscado do que mant\u00ea-las em sil\u00eancio e, simplesmente, reconhece que ela e seus companheiros est\u00e3o em perigo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Foto_4-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1454\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19212247\/Foto_4-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19212247\/Foto_4-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19212247\/Foto_4-768x512.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19212247\/Foto_4-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19212247\/Foto_4-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption><em>A maioria desses ind\u00edgenas mora nas margens do Rio Putumayo e tira de suas \u00e1guas ou de seus afluentes o que eles precisam para viver. O Putumayo \u00e9 tamb\u00e9m seu principal meio de transporte mas, nos \u00faltimos meses, o tr\u00e2nsito no rio tem sido proibido das 18h \u00e0s 6h. Essa \u00e9 uma regra t\u00e1cita que ningu\u00e9m sabe realmente de onde vem, mas que, mesmo assim, eles preferem cumprir. Foto: C\u00e9sar Rojas \u00c1ngel.<\/em><br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Pode-se chegar a esta comunidade somente atrav\u00e9s do rio. Uma lancha que sai de Puerto Asis todas as manh\u00e3s demora cerca de duas horas e meia para chegar \u00e0s margens de Pi\u00f1u\u00f1a Blanco. Nesta \u00e1rea do departamento, o rio Putumayo \u00e9 amplo e caudaloso, mas n\u00e3o tem corredeiras ou curvas abruptas. Ele serpenteia pela floresta que vai ficando mais espessa \u00e0 medida que se afasta de Puerto As\u00eds. <strong>Poucos minutos depois de sair do pequeno cais desse munic\u00edpio, n\u00e3o h\u00e1 mais postes de luz e, quase ao mesmo tempo, o celular perde cobertura. Apenas uma hora depois, aparece um povoado novamente<\/strong>, na margem esquerda do rio, e uma placa de tr\u00eas ou quatro metros de largura:\u00a0 que diz o seguinte: &#8220;Abrigo Buenavista&#8221;, o maior do povo siona no departamento.\u00a0 <\/p>\n\n\n\n<p>Os ind\u00edgenas siona de Buenavista tamb\u00e9m n\u00e3o gostam muito da GeoPark. A empresa tem dois blocos de petr\u00f3leo concedidos pela Ag\u00eancia Nacional de Hidrocarbonetos (ANH), mas nos quais ainda n\u00e3o tem direitos de explora\u00e7\u00e3o. Eles est\u00e3o localizados fora dos limites do abrigo, mas em uma \u00e1rea que os ind\u00edgenas est\u00e3o reivindicando desde 2018 como parte de seu territ\u00f3rio ancestral. Eles chegaram, at\u00e9 mesmo, a pedir no Primeiro Juizado C\u00edvel do Circuito Especializado em Restitui\u00e7\u00e3o de Terras, que est\u00e1 estudando os casos de desapropria\u00e7\u00e3o de terras por conta do conflito armado, que reivindique seu direito a 58.000 hectares e solicitou medidas cautelares para essas terras. <strong>O juizado concedeu as medidas cautelares, de modo que, em 21 de agosto de 2018, ordenou \u00e0 empresa a suspens\u00e3o de suas atividades na \u00e1rea at\u00e9 que seja definida a propriedade desse territ\u00f3rio.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de precisar percorrer uma hora em rio de Buenavista e cerca de 30 km de dist\u00e2ncia para chegar ao seu abrigo, Liliana diz que j\u00e1 recebeu l\u00e1 mensagens para parar de se opor \u00e0s inten\u00e7\u00f5es da companhia petrol\u00edfera, nas quais lhe disseram que \u201cevitasse problemas&#8221;.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>O hist\u00f3rico de amea\u00e7as e medidas cautelares de prote\u00e7\u00e3o \u00e9 longo. Na senten\u00e7a 004 de 2009, <strong>a Corte Constitucional incluiu os siona na lista dos 34 povos ind\u00edgenas mais amea\u00e7ados no pa\u00eds devido ao conflito e ao deslocamento for\u00e7ado<\/strong>. Nove anos depois, os abrigos Buenavista e Santa Cruz de Pi\u00f1u\u00f1a Blanco foram <a href=\"https:\/\/www.oas.org\/es\/cidh\/decisiones\/pdf\/2018\/53-18MC395-18-CO.pdf\">protegidos pela<\/a> Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) com medidas cautelares para proteger a integridade de suas vidas e seus territ\u00f3rios. A Comiss\u00e3o pediu ao Estado colombiano, entre outras solicita\u00e7\u00f5es, que adote medidas para que as comunidades desses abrigos &#8220;possam viver de forma segura em seu territ\u00f3rio, sem serem v\u00edtimas de viol\u00eancia, amea\u00e7as e intimida\u00e7\u00f5es&#8221;. Ambas as comunidades reclamam que o Estado colombiano n\u00e3o cumpriu com essas obriga\u00e7\u00f5es e que v\u00eaem que os fatores de risco est\u00e3o\u00a0se diversificando.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;V\u00e1rias vezes tive que dizer para eles [EX\u00c9RCITO] irem embora. Ent\u00e3o, eles dizem que estamos acobertando outros grupos, que somos n\u00f3s os que os apoiamos e essa acusa\u00e7\u00e3o se repete de muitas maneiras.&#8221;<\/p><cite>Milena Payoguaje<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>&#8220;Aqui chegou o Ex\u00e9rcito e aqui nem o Ex\u00e9rcito nem grupo nenhum pode entrar&#8221;, diz Milena Payoguaje, da \u00e1rea de Santa Elena. &#8220;V\u00e1rias vezes tive que dizer para eles irem embora. Ent\u00e3o, eles dizem que estamos acobertando outros grupos, que somos n\u00f3s os que os apoiamos e essa acusa\u00e7\u00e3o se repete de muitas maneiras. <strong>A governadora diz aos ex-guerrilheiros dissidentes das FARC que eles se afastaram do acordo de paz e mantiveram suas armas, que n\u00e3o podem estar em seu territ\u00f3rio e eles dizem que ela est\u00e1 do lado do Ex\u00e9rcito.<\/strong> E se ela rejeita a presen\u00e7a de um ator armado ilegal, como a chamada <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">&#8220;A M\u00e1fia&#8221;<\/span>, corre o risco de ser associada a um de seus inimigos. H\u00e1 anos as lideran\u00e7as ind\u00edgenas insistem em n\u00e3o tomar partido e, por isso, apoiam a expuls\u00e3o de qualquer ator armado do seu territ\u00f3rio e isto n\u00e3o \u00e9 bem visto por nenhuma das partes.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Foto_5-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1455\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19212246\/Foto_5-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19212246\/Foto_5-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19212246\/Foto_5-768x512.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19212246\/Foto_5-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19212246\/Foto_5-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption><em>Milena Payoguaje governa na \u00e1rea siona chamada de Baixo Santa Elena, localizada a uma hora e meia a jusante de Puerto As\u00eds, no departamento do Putumayo. Perto de seu territ\u00f3rio, h\u00e1 campos minados que ainda n\u00e3o foram desmontados. Foto: C\u00e9sar Rojas \u00c1ngel.<\/em><br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong><strong>Governadoras no fogo cruzado<\/strong><\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Em 26 de setembro de 2019, a Ouvidoria do Povo emitiu <a href=\"https:\/\/www.scribd.com\/document\/451610374\/Colombia-Putumayo-Alerta-Temprana-Sionas-2019\">um alerta precoce <\/a>para destacar a situa\u00e7\u00e3o de risco que est\u00e1 ocorrendo na regi\u00e3o de Pi\u00f1u\u00f1a Blanco onde, al\u00e9m do abrigo que governa Liliana, existem outras veredas e pequenos povoados.<\/p>\n\n\n\n<p>A entidade estatal que monitora o cumprimento dos direitos humanos na Col\u00f4mbia relata oito epis\u00f3dios de viol\u00eancia entre julho e setembro de 2019. Um deles ocorreu quando um desses grupos &#8211; que insiste em ser chamado como parte das Farc &#8211; chegou em 28 de julho na vereda de Pueblo Bello. Disseram \u00e0 comunidade que planejavam ficar e, \u00e0 tarde, em uma vereda vizinha, enfrentaram o grupo chamado \u201cA M\u00e1fia\u201d, um grupo formado por ex-paramilitares. <strong>Um campon\u00eas foi ferido e teve que ser levado a um hospital no centro de Puerto Asis. Entre 29 de julho e 2 de agosto n\u00e3o houve aulas nestas veredas. Os moradores se refugiaram na escola e no centro de sa\u00fade, as \u00fanicas estruturas de concreto que existem nesse lugar.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Liliana lembra que epis\u00f3dios semelhantes foram vividos no abrigo durante a d\u00e9cada de 2000. O ex\u00e9rcito e a guerrilha lutavam a poucos metros de suas casas e a comunidade tinha que se proteger atr\u00e1s das paredes da estrutura mais s\u00f3lida. Por isso muitos foram embora.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os cont\u00ednuos deslocamentos individuais tamb\u00e9m t\u00eam gerado riscos para as pessoas que v\u00eam exercendo alguma lideran\u00e7a nas comunidades de camponeses, de ind\u00edgenas e de afrodescendentes, pois qualquer a\u00e7\u00e3o violenta contra elas necessariamente gera um impacto direto na autonomia territorial das comunidades e em seus mecanismos de autoprote\u00e7\u00e3o e resist\u00eancia quando ocorrem disputas armadas entre os <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">dissidentes das FARC-EP e A M\u00e1fia<\/span>&#8220;, diz a Ouvidoria do Povo.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre suas recomenda\u00e7\u00f5es, a Ouvidoria pediu ao Ex\u00e9rcito &#8211; em conson\u00e2ncia com as solicita\u00e7\u00f5es feitas, por v\u00e1rios anos, pela Corte Constitucional &#8211; que &#8220;aplicasse plenamente os princ\u00edpios do DIH&#8221; e que &#8220;avalie&#8221; a melhor a\u00e7\u00e3o para a &#8220;prote\u00e7\u00e3o efetiva de seus habitantes&#8221;. <strong>A entidade de controle tamb\u00e9m destacou que os operativos devem &#8220;conter medidas concretas para a redu\u00e7\u00e3o dos riscos que possam surgir como rea\u00e7\u00e3o \u00e0 presen\u00e7a das For\u00e7as P\u00fablicas&#8221;.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a Ouvidoria solicitou a\u00e7\u00f5es urgentes do Governo Nacional, da Governa\u00e7\u00e3o do Putumayo, da Prefeitura de Puerto As\u00eds e da Procuradoria Geral. Por\u00e9m, o risco ainda continua por l\u00e1. &#8220;As entidades de controle at\u00e9 hoje n\u00e3o fizeram nada&#8221;, diz a governadora Liliana.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Foto_6-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1458\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19212245\/Foto_6-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19212245\/Foto_6-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19212245\/Foto_6-768x512.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19212245\/Foto_6-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19212245\/Foto_6-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption><em>A escola da \u00c1rea do Baixo Santa Elena se chama Zio Bain que, na l\u00edngua siona, significa &#8220;Pessoas de Ch\u00e1caras&#8221; ou &#8220;Pessoas do Campo&#8221;. Apesar de estar localizada a mais de 100 metros da margem do rio, durante a \u00faltima cheia do rio Putumayo, as salas de aula se inundaram. Agora, a comunidade est\u00e1 procurando recursos para deslocar a institui\u00e7\u00e3o para uma \u00e1rea mais segura. Foto: C\u00e9sar Rojas \u00c1ngel.<\/em><br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;A recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 n\u00e3o se aproximar de l\u00e1 at\u00e9 que melhore a situa\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Amanda Camilo, uma respeitada lideran\u00e7a das v\u00edtimas que, hoje, tamb\u00e9m \u00e9 coordenadora territorial no Putumayo e no sul do Huila da Comiss\u00e3o para o Esclarecimento da Verdade, entidade estatal criada junto com o acordo de paz para reconstruir o que aconteceu no pa\u00eds durante 52 anos de guerra. Amanda, que trabalha no centro urbano de Puerto As\u00eds, n\u00e3o conseguiu chegar com sua equipe at\u00e9 o abrigo Santa Cruz de Pi\u00f1u\u00f1a Blanco para entrevistar os moradores e esclarecer a verdade do que aconteceu com os siona.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cA recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 n\u00e3o se aproximar de l\u00e1 at\u00e9 que melhore a situa\u00e7\u00e3o\u201d<\/p><cite>Amanda Camilo, l\u00edder de v\u00edctimas<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Esta ativista conhece diferentes processos de defesa do territ\u00f3rio, da \u00e1gua e da fauna liderados por mulheres no Putumayo. Ela sabe que, para limitar suas a\u00e7\u00f5es, alguns atores dirigem suas amea\u00e7as a suas fam\u00edlias e filhos e, em muitos lugares, desabonam seus argumentos somente por elas serem mulheres. <strong>&#8220;Infelizmente, h\u00e1 lideran\u00e7as mulheres muito fortes no Putumayo, mas as mulheres s\u00e3o estigmatizadas, porque ainda prevalece muito o conceito da cultura patriarcal, na qual as negocia\u00e7\u00f5es n\u00e3o devem ser com as mulheres, mas sim entre homens&#8221;, diz Amanda.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ela tamb\u00e9m trabalhou por v\u00e1rios anos com a Rota Pac\u00edfica das Mulheres e \u00e9 uma das fundadoras da denominada Alian\u00e7a de Mulheres Tecedoras de Vida do Putumayo, uma organiza\u00e7\u00e3o que apoiou Liliana Piaguaje e o povo siona de Pi\u00f1u\u00f1a Blanco no processo de prote\u00e7\u00e3o, cujo resultado foi uma senten\u00e7a a seu favor em agosto.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Amanda, em particular, sabe o que os ind\u00edgenas siona t\u00eam enfrentado. &#8220;Eles s\u00e3o um povo que historicamente tem sido afetado e tem perdido sua integridade e sua condi\u00e7\u00e3o de povo origin\u00e1rio da Amaz\u00f4nia&#8221;, diz a lideran\u00e7a. <strong>&#8220;Eles se mantiveram entre Puerto As\u00eds e Puerto Legu\u00edzamo e, toda vez que aparece o boom das economias extrativistas, incluindo a explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, eles perdem um pouco de sua idiossincrasia e sua comunidade \u00e9 afetada por isso. Eles tiveram que abandonar sua \u00e1rea e perderam muito do que significa viver uma vida harmoniosa no territ\u00f3rio&#8221;.\u00a0<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong><strong>Os siona e seu territ\u00f3rio ancestral<\/strong><\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Liliana Piaguaje explica, enquanto aponta sucessivamente para sua coroa, sua barriga e o ch\u00e3o, que &#8220;no meio ambiente, temos nosso ser, a barriga dos nossos filhos, e a vida, que est\u00e1 na terra, \u00e9 o que nos d\u00e1 for\u00e7a para continuar nesta luta em defesa do territ\u00f3rio&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa defesa do territ\u00f3rio est\u00e1 em suas conversas di\u00e1rias. Liliana lembra, sem muito esfor\u00e7o, das excurs\u00f5es de reconhecimento que faz no abrigo, quando conversa com seus vizinhos, ela luta pela terra em todas as assembleias, a\u00ed os mais jovens recebem informa\u00e7\u00e3o sobre essa luta e, em muitas ocasi\u00f5es, \u00e9 assunto de conversa com o marido dela, Manuel Carlosama, presidente de todo o povo siona no departamento. <strong>Quando tomam o rem\u00e9dio, como muitas pessoas no sul da Col\u00f4mbia chamam o \u201cyag\u00e9\u201d, elas pedem conselhos aos av\u00f3s &#8211; seus ancestros e guias espirituais &#8211; para os orientar nessa luta.<\/strong>\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, agora h\u00e1 alguns explosivos enterrados em um de seus cananguchales, um complexo ecossistema inund\u00e1vel, dominado por umas palmeiras cujas ra\u00edzes saem da superf\u00edcie e, para os siona, s\u00e3o fonte de vida e conex\u00e3o com a terra. <strong>Quando voc\u00ea ouve falar Manuel sobre essas cargas de sismigel, d\u00e1 para sentir ang\u00fastia na voz dele. Ele e a governadora n\u00e3o est\u00e3o certos sobre qual ser\u00e1 a pr\u00f3xima a\u00e7\u00e3o da GeoPark<\/strong>. &#8220;Agora estamos no \u00faltimo passo, no final, pode-se dizer que estamos no momento no qual o juiz ordena uma mesa de concilia\u00e7\u00e3o entre as partes, entre a empresa e a comunidade&#8221;, explica Liliana. J\u00e1 foram feitas tr\u00eas reuni\u00f5es. Na \u00faltima, em 6 de dezembro, a ANT concluiu que a empresa petrol\u00edfera estava agindo fora do territ\u00f3rio dos ind\u00edgenas siona.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Como a venda foi feita recentemente, a GeoPark diz que est\u00e1 estudando seus processos e que ainda n\u00e3o quer se reunir pessoalmente com jornalistas. Apesar de termos v\u00e1rias semanas tentando, n\u00e3o foi poss\u00edvel marcar uma entrevista.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A GeoPark entrou em uma fase de avalia\u00e7\u00e3o e compreens\u00e3o de todos os processos e dos detalhes operacionais no local. \u201cAssim que tenhamos todas as informa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias, elaboraremos um plano de a\u00e7\u00e3o que vamos compartilhar com nosso p\u00fablico&#8221;, escreveu em um e-mail que nos enviou no dia 23 de janeiro, em resposta a um pedido de entrevista.<\/p>\n\n\n\n<p>Oito dias depois, sua coordenadora de conex\u00f5es, Mar\u00eda Camila Casallas, escreveu de novo para n\u00f3s. &#8220;Em 22 de agosto de 2019, o Tribunal Administrativo de Cundinamarca emitiu uma senten\u00e7a na qual ordenou a cria\u00e7\u00e3o de uma mesa de concilia\u00e7\u00e3o para consulta e cumprimento presidida pelo Minist\u00e9rio do Interior e constitu\u00edda por delegados da Ag\u00eancia Nacional de Terras (ANT), da Ouvidoria do Povo, da Procuradoria Encarregada dos Assuntos \u00c9tnicos, da Corpoamazonia, dois delegados do abrigo ind\u00edgena que tenham sido eleitos pela comunidade e representantes da empresa. Desde essa data, <strong>o projeto de aquisi\u00e7\u00e3o de sismigel foi suspenso preventivamente at\u00e9 terem sido estabelecidos acordos nessa mesa de concilia\u00e7\u00e3o<\/strong>&#8220;, disse ela.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery alignfull columns-2 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Foto_8-1-2-1024x768.jpg\" alt=\"\" data-id=\"2034\" data-full-url=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Foto_8-1-2-scaled.jpg\" data-link=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/es\/index.php\/2020\/04\/08\/las-gobernadoras-siona-y-su-territorio-en-disputa\/foto_8-1-2\/\" class=\"wp-image-2034\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19212153\/Foto_8-1-2-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19212153\/Foto_8-1-2-300x225.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19212153\/Foto_8-1-2-768x576.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19212153\/Foto_8-1-2-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19212153\/Foto_8-1-2-2048x1536.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Foto_7-1-2-1024x768.jpg\" alt=\"\" data-id=\"2033\" data-full-url=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Foto_7-1-2-scaled.jpg\" data-link=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/es\/index.php\/2020\/04\/08\/las-gobernadoras-siona-y-su-territorio-en-disputa\/foto_7-1-2\/\" class=\"wp-image-2033\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19212154\/Foto_7-1-2-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19212154\/Foto_7-1-2-300x225.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19212154\/Foto_7-1-2-768x576.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19212154\/Foto_7-1-2-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19212154\/Foto_7-1-2-2048x1536.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><figcaption class=\"blocks-gallery-caption\"><em>Para instalar as cargas, a empresa abriu uma trilha que hoje est\u00e1 inundada. Nela, h\u00e1 v\u00e1rios pontos de detona\u00e7\u00e3o e pontos com sensores. A detona\u00e7\u00e3o ajudaria a empresa a determinar se h\u00e1 petr\u00f3leo no solo. Foto: abrigo Santa Cruz de Pi\u00f1u\u00f1a Blanco.<\/em><br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>No entanto, a empresa n\u00e3o informou a comunidade sobre isso. Dias antes desse \u00faltimo e-mail, esta era a hist\u00f3ria que a Governadora Liliana conhecia: <strong>&#8220;A empresa nos diz que eles t\u00eam um cronograma pronto para chegar a detonar as cargas de sismigel que enterraram<\/strong> e, justamente agora, estamos muito preocupados porque o fato de eles virem detonar isso geraria um grande preju\u00edzo em nosso territ\u00f3rio, porque toda a fauna e flora que est\u00e1 nesse local desapareceria.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;estamos muito preocupados porque o fato de eles virem detonar isso geraria um grande preju\u00edzo em nosso territ\u00f3rio, porque toda a fauna e flora que est\u00e1 nesse local desapareceria&#8221;<\/p><cite>Gobernadora Liliana<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Na foto, que foi tirada por um dos membros da Guarda Ind\u00edgena do abrigo no in\u00edcio de outubro, a quase quatro horas a p\u00e9 do centro povoado do abrigo Santa Cruz de Pi\u00f1u\u00f1a Blanco, sai do cananguchar um galho de uma \u00e1rvore com uma placa feita \u00e0 m\u00e3o que diz o seguinte &#8220;STK 1241&#8221;. <strong>Estas s\u00e3o as siglas que marcam os pontos onde os sensores est\u00e3o instalados para, depois da detona\u00e7\u00e3o, poder determinar se tem petr\u00f3leo no subsolo. Al\u00e9m disso, em cima de cartazes vermelhos, h\u00e1 outras placas feitas tamb\u00e9m \u00e0 m\u00e3o que dizem \u201cSP\u201d, marcando os pontos de detona\u00e7\u00e3o das cargas. <\/strong>Alguns galhos que cont\u00eam placas est\u00e3o quebrados e outros n\u00e3o s\u00e3o mais leg\u00edveis.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>As cargas est\u00e3o enterradas a cerca de dez metros de profundidade e ningu\u00e9m se sente tranquilo com elas l\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/eee.png\" alt=\"Tierra de Resistentes\" class=\"wp-image-3766\" width=\"100\" height=\"100\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211834\/eee.png 400w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211834\/eee-300x300.png 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211834\/eee-150x150.png 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 100px) 100vw, 100px\" \/><\/figure><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>En la frontera colombo ecuatoriana, a m\u00e1s de dos horas r\u00edo abajo de Puerto As\u00eds en Putumayo, dos mujeres siona -Milena Payoguaje y Martha Liliana Piaguaje- gobiernan territorios ind\u00edgenas en medio de una de las zonas m\u00e1s disputadas de Colombia. Hay una empresa que quiere sacar petr\u00f3leo y unos explosivos para s\u00edsmica que no se sabe si ser\u00e1n detonados.<\/p>\n","protected":false},"author":16,"featured_media":2099,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[345,323,47,347,346,349,344],"coauthors":[78,193],"class_list":{"0":"post-1450","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-colombia","8":"tag-amerisur-resources","9":"tag-farc","10":"tag-fase-ii","11":"tag-frontera","12":"tag-geopark","13":"tag-pueblo-siona","14":"tag-rio-putumayo"},"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.4 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>As governadoras siona e seu territ\u00f3rio sendo disputado<\/title>\n<meta name=\"robots\" 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