{"id":1147,"date":"2020-04-22T23:04:00","date_gmt":"2020-04-22T23:04:00","guid":{"rendered":"http:\/\/tierra.jerrejerre.com\/es\/?p=1147"},"modified":"2021-04-30T12:33:36","modified_gmt":"2021-04-30T12:33:36","slug":"la-defensa-del-agua-les-esta-costando-la-vida-a-los-campesinos-de-putumayo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/2020\/04\/22\/la-defensa-del-agua-les-esta-costando-la-vida-a-los-campesinos-de-putumayo\/","title":{"rendered":"A defesa da \u00e1gua est\u00e1 custando a vida aos camponeses do Putumayo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-color has-small-font-size\" style=\"color:#0f0f0f;max-width:830px;margin-top:0px;margin-bottom:68px\"><em><strong>Uma visita ao munic\u00edpio de Puerto As\u00eds, no Baixo Putumayo da Col\u00f4mbia, mostra o drama di\u00e1rio que enfrentam seus habitantes. Amea\u00e7as de morte que se tornam realidade e comunidades sem \u00e1gua por causa da polui\u00e7\u00e3o\n<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A estrada n\u00e3o pavimentada para chegar da vereda Puerto Vega at\u00e9 a vereda de Tetey\u00e9 come\u00e7a \u00e0s margens do rio Putumayo, no munic\u00edpio de Puerto As\u00eds. A estrada empoeirada chega at\u00e9 a fronteira com o Equador e os pneus de motocicletas, dos tratores e dos caminh\u00f5es que viajam carregados de petr\u00f3leo jogam pedras que, perigosamente, se incrustam nos para-lamas, e toda essa poeira co\u00e7a nos olhos e levanta grandes nuvens marrons.<\/p>\n\n\n\n<p>O verde da flora amaz\u00f4nica perde a gra\u00e7a, por estar sempre coberto de uma grossa camada de poeira. Atravessando a estrada h\u00e1 18 riachos de \u00e1guas negras que correm para os rios Cohemb\u00ed, San Lorenzo e San Miguel, todos afluentes do Putumayo que, a 3.950 quil\u00f4metros rio abaixo, leva suas \u00e1guas ao rio Amazonas.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Neste cen\u00e1rio, houve tamb\u00e9m uma d\u00fazia de greves de camponeses que se op\u00f5em \u00e0 explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, \u00e0 polui\u00e7\u00e3o da \u00e1gua e ao uso do glifosato.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>Cada certo tempo, a paisagem muda e o verde se transforma em \u00e1rvores, chamin\u00e9s fumegantes e riachos oleosos e escurecidos, nos quais ningu\u00e9m toma banho nem bebe \u00e1gua. <\/strong>Isso \u00e9 bem estranho que aconte\u00e7a no Putumayo, um dos departamentos do pa\u00eds mais ricos em \u00e1gua, localizado na entrada da Amaz\u00f4nia colombiana.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa foi a situa\u00e7\u00e3o at\u00e9 2002, pois agora, pelo menos, 16 dos 18 riachos est\u00e3o polu\u00eddos com c\u00e1dmio, ars\u00eanico e chumbo, de acordo com o afirmado na consulta cient\u00edfica Terrae. <strong>H\u00e1 18 anos, os vazamentos de petr\u00f3leo e as fumiga\u00e7\u00f5es com glifosato para a erradica\u00e7\u00e3o das planta\u00e7\u00f5es de coca polu\u00edram as \u00e1guas e o solo que sustentam a vida dos 3.000 habitantes das 63 veredas deste corredor.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1920\" height=\"1080\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Copy-of-2_Corredor-Puerto-Vega-Teteye\u0301-1-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5300\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210855\/Copy-of-2_Corredor-Puerto-Vega-Teteye%CC%81-1-1.jpeg 1920w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210855\/Copy-of-2_Corredor-Puerto-Vega-Teteye%CC%81-1-1-300x169.jpeg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210855\/Copy-of-2_Corredor-Puerto-Vega-Teteye%CC%81-1-1-1024x576.jpeg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210855\/Copy-of-2_Corredor-Puerto-Vega-Teteye%CC%81-1-1-768x432.jpeg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210855\/Copy-of-2_Corredor-Puerto-Vega-Teteye%CC%81-1-1-1536x864.jpeg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210855\/Copy-of-2_Corredor-Puerto-Vega-Teteye%CC%81-1-1-747x420.jpeg 747w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210855\/Copy-of-2_Corredor-Puerto-Vega-Teteye%CC%81-1-1-150x84.jpeg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210855\/Copy-of-2_Corredor-Puerto-Vega-Teteye%CC%81-1-1-696x392.jpeg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210855\/Copy-of-2_Corredor-Puerto-Vega-Teteye%CC%81-1-1-1068x601.jpeg 1068w\" sizes=\"auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><figcaption><em>Este cartaz anuncia a passagem \u2013 embora cercada com arames &#8211; \u00e0s \u00e1reas polu\u00eddas, perto da vereda Buenos Aires. Cr\u00e9ditos: Andr\u00e9s Guti\u00e9rrez Cianci<\/em><br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Ao longo do caminho h\u00e1 duas bases militares do Batalh\u00e3o da Floresta n\u00ba 27, tr\u00eas abrigos ind\u00edgenas (dos povos Aw\u00e1 e Nasa) e um Espa\u00e7o Territorial de Treinamento e Reincorpora\u00e7\u00e3o (ETCR) na vereda de La Carmelita &#8211; o lugar onde os antigos guerrilheiros das FARC est\u00e3o fazendo sua transi\u00e7\u00e3o para a vida civil depois de terem deposto as armas.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>pelo menos quatro pessoas foram assassinadas nos \u00faltimos 10 anos<\/p><cite>Red de Derechos Humanos de Putumayo<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Neste cen\u00e1rio, houve tamb\u00e9m uma d\u00fazia de greves de camponeses que se op\u00f5em \u00e0 explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, \u00e0 polui\u00e7\u00e3o da \u00e1gua e ao uso do glifosato. <strong>Ao longo deste caminho, tamb\u00e9m diferentes defensores da \u00e1gua que j\u00e1 foram intimidados, perseguidos, amea\u00e7ados de morte ou, simplesmente, mortos a <a href=\"http:\/\/www.indepaz.org.co\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/NS-N%C2%B0-012-17-a-IR-N%C2%B0-008-16-Puerto-As%C3%ADs-PUT.pdf\">tiros. <\/a><\/strong>Muitos n\u00e3o ousam denunciar a polui\u00e7\u00e3o das \u00e1guas do Corredor por medo \u00e0s retalia\u00e7\u00f5es que grupos armados e empresas petrol\u00edferas com presen\u00e7a na regi\u00e3o possam aplicar neles ou em suas fam\u00edlias.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria de sangue desse Corredor \u00e9 uma demonstra\u00e7\u00e3o disso: pelo menos quatro pessoas foram assassinadas nos \u00faltimos 10 anos &#8211; duas em janeiro deste ano \u2013 e, at\u00e9 hoje, h\u00e1 oito pessoas amea\u00e7adas, segundo a Rede de Direitos Humanos do Putumayo. Ao percorrer as veredas, os caminhos e as fontes de \u00e1gua nesse corredor do Baixo Putumayo, podem se evidenciar as cicatrizes dos danos ambientais que eles denunciaram e que lhes custaram a vida. &#8220;Aqui os amea\u00e7ados por defender a \u00e1gua e a terra somos todos. Eles querem nos exterminar, que n\u00e3o incomodemos&#8221;, diz uma mulher que nos faz prometer n\u00e3o revelar sua identidade. Como ela, h\u00e1 outras onze pessoas consultadas preferiram falar mantendo o anonimato.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cAqui os amea\u00e7ados por defender a \u00e1gua e a terra somos todos. Eles querem nos exterminar, que n\u00e3o incomodemos&#8221;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Nenhuma den\u00fancia tem rosto, porque quem o mostrar, perde. Essa \u00e9 a sombra que paira nos defensores do meio ambiente em Puerto Vega-Tetey\u00e9. Por\u00e9m, o fato de serem an\u00f4nimos n\u00e3o os faz passivos. <a class=\"rank-math-link\" href=\"http:\/\/www.justiciaypazcolombia.com\/Situacion-corredor-Teteye-Putumayo\/\">Em 2002, a Ecopetrol instalou sua opera\u00e7\u00e3o no que, hoje, s\u00e3o 36 po\u00e7os petrol\u00edferos ativos, que pertenciam ao cons\u00f3rcio Colombia Energy e \u00e0 operadora Vetra e que, em 2016 (e at\u00e9 hoje), passaram \u00e0s m\u00e3os da empresa canadense <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">Gran Tierra Energy.<\/span> <\/a>Durante todos estes anos, os camponeses de Puerto Vega-Tetey\u00e9 j\u00e1 fizeram muitas greves contra a atividade petrol\u00edfera.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong><strong>Os mortos que os camponeses colocaram<\/strong><\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Muitos se lembram da hist\u00f3ria de Luis Melo, mas poucos a comentam porque a morte dele marca o in\u00edcio de uma s\u00e9rie de amea\u00e7as e assassinatos aos defensores da \u00e1gua.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Melo foi o presidente <a href=\"https:\/\/www.justiciaypazcolombia.com\/asesinado-luis-melo\/\">da Associa\u00e7\u00e3o Camponesa do Sudeste do Putumayo (Acsomayo, por suas siglas em espanhol),<\/a> e foi um dos primeiros a advertir, em 2005, que o <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">Cons\u00f3rcio Colombia Energy<\/span>, que naquela \u00e9poca detinha oito po\u00e7os, <strong>n\u00e3o tinha feito uma consulta pr\u00e9via com os ind\u00edgenas da regi\u00e3o<\/strong>. Ele virou o porta-voz das 63 veredas, dos dois abrigos e de cinco grupos da \u00e1rea, sendo uma das lideran\u00e7as das negocia\u00e7\u00f5es que foram feitas com a empresa. Sua solicita\u00e7\u00e3o era que fosse suspensa a explora\u00e7\u00e3o dos po\u00e7os.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Ele foi tirado do ve\u00edculo de servi\u00e7o p\u00fablico em que viajava em 1 de dezembro de 2005, \u00e0s 15:30, por um grupo de &#8220;civis&#8221; armados, aparentemente <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">paramilitares<\/span>, em um local a cinco minutos da cidade de Puerto As\u00eds. O corpo dele foi encontrado na lixeira municipal quatro dias depois.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Esse foi o primeiro e mais dram\u00e1tico aviso enviado \u00e0s comunidades de Puerto Vega-Tetey\u00e9. Quatro pessoas no corredor dizem que &#8220;ele foi morto por incomodar com a quest\u00e3o do petr\u00f3leo&#8221;. Quando as mulheres de sua fam\u00edlia sa\u00edram para buscar seu corpo em Puerto Asis, os paramilitares n\u00e3o as deixaram. Disseram a elas que eles mesmos entregariam o corpo e o entregaram vestido, mas em um caix\u00e3o. <strong>Disseram que o respeitavam, pois ele era um \u00f3timo dirigente, mas que estavam o entregando a\u00ed por ter dado opini\u00f5es em coisas que n\u00e3o eram do seu interesse<\/strong>, disse uma de suas melhores amigas, que tamb\u00e9m tinha sido alvo de amea\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1920\" height=\"1080\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Copy-of-10_Entrevista-lideresa-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5312\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210850\/Copy-of-10_Entrevista-lideresa-1.jpeg 1920w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210850\/Copy-of-10_Entrevista-lideresa-1-300x169.jpeg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210850\/Copy-of-10_Entrevista-lideresa-1-1024x576.jpeg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210850\/Copy-of-10_Entrevista-lideresa-1-768x432.jpeg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210850\/Copy-of-10_Entrevista-lideresa-1-1536x864.jpeg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210850\/Copy-of-10_Entrevista-lideresa-1-747x420.jpeg 747w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210850\/Copy-of-10_Entrevista-lideresa-1-150x84.jpeg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210850\/Copy-of-10_Entrevista-lideresa-1-696x392.jpeg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210850\/Copy-of-10_Entrevista-lideresa-1-1068x601.jpeg 1068w\" sizes=\"auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><figcaption><em>&#8220;N\u00e3o temos mais confian\u00e7a para tomar banho e beber \u00e1gua l\u00e1. N\u00f3s fomos afetados pela polui\u00e7\u00e3o porque eles vieram para p\u00f4r em funcionamento as m\u00e1quinas para a explora\u00e7\u00e3o. Essas m\u00e1quinas lan\u00e7am gases; t\u00eam v\u00e1lvulas que, quando tem algum vazamento, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel aguentar porque n\u00e3o pode se dormir por causa do cheiro, cheira muito mal, causa doen\u00e7as, co\u00e7am os olhos. A gente n\u00e3o consegue dormir e fica doente porque n\u00e3o descansa bem. Lideran\u00e7a ambiental amea\u00e7ada em dezembro de 2019.<\/em><br><em>Cr\u00e9ditos: Andr\u00e9s Guti\u00e9rrez Cianci<\/em><br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 fotos de Melo, sua fam\u00edlia deixou a \u00e1rea e n\u00e3o houve celebra\u00e7\u00f5es. Pouco resta do seu legado. Depois desse epis\u00f3dio, os defensores da \u00e1gua tiveram que se manter calados. Depois de 15 de setembro de 2006, segundo depoimentos de moradores, aproximadamente 10 homens, com armas longas e curtas, vestidos com roupas de civis, se estabeleceram no povoado de Puerto Vega. Estas pessoas foram reconhecidas pela popula\u00e7\u00e3o como antigos paramilitares do comando urbano das <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">Auto-Defesas Unidas da Col\u00f4mbia (AUC)<\/span> em Puerto As\u00eds, de acordo com resenhas da Comiss\u00e3o Intereclesi\u00e1stica de Justi\u00e7a e Paz. As pessoas disseram que <strong>esse grupo de homens morava em uma casa a tr\u00eas quil\u00f3metros de Puerto Vega, permaneciam armados, patrulhavam a \u00e1rea e obrigavam os transportadores p\u00fablicos a desloc\u00e1-los por toda a regi\u00e3o.\u00a0<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.colectivodeabogados.org\/?Las-comunidades-del-Territorio-de\">Entre 2006 e 2011,<\/a> camponeses e ind\u00edgenas associados \u00e0 Acsomayo fizeram sete greves para evitar que os caminh\u00f5es carregados de petr\u00f3leo chegassem at\u00e9 Puerto Vega. Todos eles acabaram com suas motos queimadas e sofreram com as interven\u00e7\u00f5es do Esquadr\u00e3o M\u00f3vel Anti-Manifesta\u00e7\u00f5es da Pol\u00edcia Nacional (Esmad), mas nunca chegaram a di\u00e1logo nenhum. <strong>A situa\u00e7\u00e3o mudou em 2011, quando camponeses, ind\u00edgenas e afro-colombianos se declararam em assembleia permanente e interromperam o tr\u00e2nsito no corredor, na altura da vereda Santa Maria, de 24 a 29 de novembro.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Esses anos foram decisivos: em 2010, <a href=\"https:\/\/sostenibilidad.semana.com\/medio-ambiente\/articulo\/el-petroleo-de-la-empresa-vetra-acabo-con-el-agua-en-puerto-asis\/36348\">o Minist\u00e9rio do Ambiente tinha ampliado a licen\u00e7a ambiental ao Cons\u00f3rcio Colombia Energy para permitir a explora\u00e7\u00e3o de mais petr\u00f3leo por\u00e9m, quando a Autoridade Nacional de Licen\u00e7as Ambientais (ANLA) foi criada, em<\/a> 2011, ela abriu um processo sancionat\u00f3rio contra a Vetra pela polui\u00e7\u00e3o dos recursos h\u00eddricos. No entanto, em 2012, foi ampliada a licen\u00e7a para a perfura\u00e7\u00e3o de mais 39 po\u00e7os de explora\u00e7\u00e3o. Um ano depois, foi iniciada outra investiga\u00e7\u00e3o pela inadimpl\u00eancia do plano de gest\u00e3o ambiental mas, ainda em mar\u00e7o de 2014, voltou a prorrogar a licen\u00e7a para a abertura de mais 100 po\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong><strong>As lideran\u00e7as lembradas<\/strong><\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Talvez a \u00fanica lembran\u00e7a f\u00edsica das lideran\u00e7as que foram assassinadas seja a placa comemorativa instalada dois quil\u00f4metros depois da vereda La Carmelita, localizada bem na entrada da \u00e1rea ind\u00edgena Kinancha. N\u00e3o h\u00e1 mais flores, mas h\u00e1 plantas que se balan\u00e7am com o vento. O texto escrito \u00e9 uma homenagem aos que participaram da greve c\u00edvica, realizada de 10 de julho a 14 de setembro de 2014, que terminou com a morte do l\u00edder Arnoldo Mu\u00f1oz.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A placa nos lembra a situa\u00e7\u00e3o que passamos com as lutas. \u00c9 algo muito perigoso para nossas vidas, mas tamb\u00e9m nos inspira a seguir em frente&#8221;, diz um motoqueiro que n\u00e3o \u00e9 uma lideran\u00e7a, mas que, bem como o resto das pessoas que deram depoimentos para este artigo jornal\u00edstico, prefere manter seu nome em anonimato, porque considera que a tens\u00e3o na \u00e1rea os p\u00f5e em alto risco.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cA placa nos lembra a situa\u00e7\u00e3o que passamos com as lutas. \u00c9 algo muito perigoso para nossas vidas, mas tamb\u00e9m nos inspira a seguir em frente\u201d<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>As controv\u00e9rsias e os confrontos entre comunidades e organiza\u00e7\u00f5es datam de antes e depois da morte de Arnold. Por isso, a placa come\u00e7a dizendo: &#8220;As comunidades do corredor Puerto Vega-Tetey\u00e9, Sincafromayo, abrigo nasa, kiwnas cxchab e Asomayo prestam homenagem p\u00f3stuma aos companheiros que ofereceram suas vidas ao longo da hist\u00f3ria em prol da defesa de nossos territ\u00f3rios, com abnega\u00e7\u00e3o, lealdade, coragem, sacrif\u00edcio e luta\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Com Arnoldo participaram cerca de 400 camponeses de 27 comunidades. Eles estavam protestando perto da sede da <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">empresa Vetra<\/span>, operadora do Cons\u00f3rcio Colombia Energy. <strong>Eles exigiam solu\u00e7\u00f5es para o que denominaram uma \u201ccrise social\u201d, devido \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o da licen\u00e7a ambiental que permitiu ao Cons\u00f3rcio Colombia Energy aumentar suas opera\u00e7\u00f5es em 12.796 hectares do corredor e em mais de 100 po\u00e7os.\u00a0<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Naquela \u00e9poca, mais de 20 nascentes de \u00e1gua estavam secas ou polu\u00eddas com petr\u00f3leo bruto, segundo a <a href=\"https:\/\/www.justiciaypazcolombia.com\/la-proteccion-de-la-amazonia-es-incompatible-con-el-modelo-extractivo-minero-y-petrolero\/\">Comiss\u00e3o Mineiro-energ\u00e9tica da Mesa Regional do Putumayo,<\/a> um espa\u00e7o de di\u00e1logo entre a sociedade civil e o governo que nasceu como uma iniciativa para acabar com a greve dos camponeses, mas que foi mantida em vigor por mais de cinco anos. Naquele momento, no corredor de Puerto Vega- Tetey\u00e9 havia 32 po\u00e7os de petr\u00f3leo em 13 veredas e 1.200 fam\u00edlias n\u00e3o tinham \u00e1gua pot\u00e1vel.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00e1rea, est\u00e1 sendo desenvolvido o projeto petrol\u00edfero dos campos Quinde, Cohemb\u00ed e Quillacinga, que geram impactos nas cidades de Puerto Vega e Tetey\u00e9 com as veredas de Los \u00c1ngeles, Buenos Aires, Monta\u00f1itas, Cristales, Nuevo Porvenir, La Caba\u00f1a, La Carmelita, Campo Alegre, La Manuela, Santa Mar\u00eda Medio e Remolino, bem como o bairro de Acevedo, todos na jurisdi\u00e7\u00e3o de Puerto As\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o <a href=\"https:\/\/www.justiciaypazcolombia.com\/arnoldo-munoz-campesino-de-putumayo-es-asesinado-por-el-esmad\/\">Coletivo de Advogados Jos\u00e9 Alvear Restrepo, os confrontos com o Esmad e com a pol\u00edcia que ocorreram no abrigo Nasa Alto Lorenzo, em 2014, deixaram um m\u00ednimo de 48 pessoas feridas<\/a>. Em 14 de setembro, ap\u00f3s 74 dias de greve, enquanto os camponeses e o Esmad se confrontavam com balas de borracha e armas menos letais, uma arma atordoante que atirou um policial anti-manifesta\u00e7\u00f5es atingiu o lado direito da cabe\u00e7a de Arnoldo. Ele estava usando uma camiseta com uma frase atribu\u00edda a Simon Bol\u00edvar estampada nela: &#8220;N\u00f3s fazemos o imposs\u00edvel porque os outros se encarregam do poss\u00edvel&#8221;. Apesar de ter sido levado para o Hospital Cotocollao, em Quito, Equador, Mu\u00f1oz, de 29 anos, morreu com esse desejo no peito.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Havia muito medo. Quando comecei a exigir que a \u00e1gua n\u00e3o fosse mais polu\u00edda, recebi amea\u00e7as, primeiro sutis e, depois, muito diretas&#8221;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>&#8220;<strong>Depois do que aconteceu com o companheiro Luis Melo, foi tudo muito dif\u00edcil. Comecei a falar sobre isso novamente em 2013 e, quando Arnoldo foi morto, fiquei calado de novo<\/strong>. Havia muito medo. Quando comecei a exigir que a \u00e1gua n\u00e3o fosse mais polu\u00edda, recebi amea\u00e7as, primeiro sutis e, depois, muito diretas&#8221;, diz uma das <a href=\"https:\/\/twitter.com\/JulieDuque1\/status\/1201964422161485825\">melhores amigas do<\/a> falecido Melo, que tamb\u00e9m foi amea\u00e7ada, quando verificou como um caminh\u00e3o-pipa enchia 500 litros no p\u00e1tio da sua casa. &#8220;Eu recebia liga\u00e7\u00f5es estranhas e, quando atendia, desligavam. Depois, abri um pequeno neg\u00f3cio e descobri que os transportadores estavam proibidos de comer aqui e fiquei sozinha. Depois, contrataram um carro para tirar fotografias minhas porque achavam que eu era burra ou que n\u00e3o percebia\u201d.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das amea\u00e7as, as greves continuam. No dia 8 de janeiro, quase 100 moradores da vereda El Cristal decidiram fazer uma Greve pela \u00c1gua ou, nas palavras deles, um &#8220;confinamento&#8221;, j\u00e1 que <strong>o caminh\u00e3o-pipa da Gran Tierra Energy que leva \u00e1gua pot\u00e1vel \u00e0s veredas do Corredor n\u00e3o passou e eles n\u00e3o receberam o recurso.<\/strong>\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das organizadoras, uma mulher pequena e de voz doce, foi amea\u00e7ada em mais de uma ocasi\u00e3o, antes e depois da greve de janeiro. Homens em motos aparecem em sua casa durante horas da madrugada. Ela nunca abre a porta e eles, aparentemente, nunca esperam que ela fa\u00e7a isso. \u00c9 s\u00f3 uma forma de assust\u00e1-la.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;N\u00e3o t\u00ednhamos como cozinhar nem lavar. Todas as casas ficaram sem \u00e1gua, que \u00e9 a vida de todos, das pessoas e dos animais&#8221;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o t\u00ednhamos como cozinhar nem lavar. Todas as casas ficaram sem \u00e1gua, que \u00e9 a vida de todos, das pessoas e dos animais. A empresa foi chamada e uma vizinha avisou e mesmo assim eles n\u00e3o nos enviaram nada. Eles diziam que era feriado e que n\u00e3o havia ningu\u00e9m para trazer a \u00e1gua. <strong>Ent\u00e3o, as pessoas disseram que estava na hora de fazer confinamentos, n\u00e3o era mais poss\u00edvel aguentar essa situa\u00e7\u00e3o, especialmente, com este ver\u00e3o. Os confinamentos foram algo pac\u00edfico<\/strong>&#8220;, diz a lideran\u00e7a camponesa que mora na vereda El Cristal. Ela \u00e9, entre outras, uma das mulheres que liderou a greve pela \u00e1gua em janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>A lideran\u00e7a faz uma pausa e, depois, continua: &#8220;Quando viram o confinamento pediram o di\u00e1logo, o <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">secret\u00e1rio do governo<\/span> nos chamou e nos disse para paramos com isso, que isso era um crime. Ele queria nos assustar, disse que ia enviar um cord\u00e3o de seguran\u00e7a&#8221;. N\u00f3s respondemos que j\u00e1 t\u00ednhamos aprendido a confrontar com eles, que mandasse o cord\u00e3o se queria, pois o que est\u00e1vamos pedindo era \u00e1gua.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;N\u00f3s respondemos que j\u00e1 t\u00ednhamos aprendido a confrontar com eles, que mandasse o cord\u00e3o se queria, pois o que est\u00e1vamos pedindo era \u00e1gua&#8221;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Outra lideran\u00e7a, que \u00e9 uma representante camponesa em Puerto Asis e que saiu de Puerto Vega-Tetey\u00e9 por ter recebido amea\u00e7as h\u00e1 alguns anos, complementa que &#8220;as empresas petrol\u00edferas est\u00e3o nos prejudicando&#8221;. Por exemplo, do rio Pi\u00f1u\u00f1a Blanco que chega ao rio Putumayo, n\u00e3o pode se consumir mais \u00e1gua. Isto acontece devido a essas empresas petrol\u00edferas e ao garimpo e, agora, em vez de \u00e1gua, h\u00e1 lama, mas n\u00e3o se diz nada sobre essas empresas, ent\u00e3o quem \u00e9 que est\u00e1 nos deixando sem \u00e1gua? N\u00e3o \u00e9 por causa do p\u00f3 de talco, das regatas ou da celebra\u00e7\u00e3o do dia 28 de novembro. At\u00e9 2015, a \u00e1gua daquele rio ainda era clara, mas agora est\u00e1 suja. Os peixes est\u00e3o morrendo com toda essa polui\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"100%\" height=\"500\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/SLQd-sgmtRk\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong><strong>Uma solu\u00e7\u00e3o decorrente da Suprema Corte<\/strong><\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Apesar das greves e dos assassinatos, para a popula\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o existe apenas uma vit\u00f3ria, pelo menos em mat\u00e9ria legal. Ap\u00f3s dezenas de mobiliza\u00e7\u00f5es e cinco anos depois do in\u00edcio da explora\u00e7\u00e3o na \u00e1rea de influ\u00eancia dos abrigos ind\u00edgenas sem consulta pr\u00e9via, as comunidades receberam uma vit\u00f3ria inesperado: <strong>a Suprema Corte de Justi\u00e7a decidiu a seu favor em 2016 e ordenou a prote\u00e7\u00e3o dos direitos \u00e0 consulta pr\u00e9via, contradizendo o Minist\u00e9rio do Interior que tinha certificado que n\u00e3o havia mais ind\u00edgenas na \u00e1rea de influ\u00eancia e que o meio ambiente continua sendo saud\u00e1vel, bem como a \u00e1gua pot\u00e1vel dos camponeses e ind\u00edgenas em Puerto Vega-Tetey\u00e9.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, para chegar a uma decis\u00e3o judici\u00e1ria, teve que correr sangue naquele lugar. As amea\u00e7as, assassinatos e deslocamentos n\u00e3o pararam. &#8220;Estive dois anos fora da minha vereda por causa das intimida\u00e7\u00f5es&#8221;, diz uma lideran\u00e7a que voltou \u00e0 \u00e1rea e que tamb\u00e9m prefere n\u00e3o ter seu nome identificado. &#8220;Nos primeiros 30 dias do ano j\u00e1 mataram dois defensores da \u00e1gua e seis habitantes do corredor\u201d.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Nos primeiros 30 dias do ano j\u00e1 mataram dois defensores da \u00e1gua e seis habitantes do corredor&#8221;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Em 2016, os representantes de nove comunidades camponesas, ind\u00edgenas e afrodescendentes das veredas Buenos Aires, La Monta\u00f1ita, Tetey\u00e9, El Diamante, Guayabal, Campo Alegre e La Gotera fizeram uma solicita\u00e7\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o argumentando que seu direito fundamental \u00e0 \u00e1gua estava sendo vulnerado e que <strong>eles eram v\u00edtimas de &#8220;impactos negativos decorrentes da atividade petrol\u00edfera&#8221;. Em particular, responsabilizaram as &#8220;atividades de perfura\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o realizadas pelo Cons\u00f3rcio Colombia Energy e pela Vetra Exploraci\u00f3n y Producci\u00f3n Colombia S.A.\u00a0<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nessa solicita\u00e7\u00e3o, designaram como respons\u00e1veis o Minist\u00e9rio do Ambiente, o cons\u00f3rcio, a empresa petrol\u00edfera estatal Ecopetrol, a autoridade ambiental regional Corpoamaz\u00f4nia, a ANLA, a Prefeitura de Puerto Asis e a Governa\u00e7\u00e3o do Putumayo, acusando tamb\u00e9m o Minist\u00e9rio da Habita\u00e7\u00e3o, a EPS Ind\u00edgena Mallamas e o IPS Hospital Local de Puerto As\u00eds, o Comit\u00ea de Gest\u00e3o de Riscos e Emerg\u00eancias da mesma cidade e a Ag\u00eancia Nacional de Hidrocarbonetos (ANH) pela polui\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima \u00e0s \u00e1reas de interesse dos po\u00e7os Quinde, Cohemb\u00ed e Quillacinga, especialmente, nos canais e nos riachos afluentes do rio San Miguel, nos canais El Diamante, Mochilero e Buenos Aires.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;As perfura\u00e7\u00f5es e as explora\u00e7\u00f5es dentro do territ\u00f3rio j\u00e1 afetaram &#8220;(&#8230;) as fontes de \u00e1gua dos rios, os canais, os riachos e o ecossistema&#8221;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>&#8220;As perfura\u00e7\u00f5es e as explora\u00e7\u00f5es dentro do territ\u00f3rio j\u00e1 afetaram &#8220;(&#8230;) as fontes de \u00e1gua dos rios, os canais, os riachos e o ecossistema (&#8230;)&#8221;, por n\u00e3o ter sido aplicado um plano de gest\u00e3o ambiental, j\u00e1 que essas atividades causaram &#8220;(&#8230;) polui\u00e7\u00e3o excessiva, ru\u00eddo e despejo de todo tipo de poluentes (&#8230;)&#8221;, escreveram os denunciantes.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o processo que foi apresentado perante a Corte, devido \u00e0s falhas operacionais de outubro de 2014 e depois em maio, junho e outubro de 2015, as fontes de \u00e1gua dos habitantes das veredas Agua Blanca, Buenos Aires, Monta\u00f1ita e Los Cristales foram afetadas. Embora os comit\u00eas de gest\u00e3o de risco do Putumayo fornecessem \u00e1gua pot\u00e1vel em caminh\u00f5es-pipa, <strong>as comunidades denunciaram que as autoridades municipais nunca atenderam a emerg\u00eancia e que os acordos atingidos com a empresa n\u00e3o estavam sendo cumpridos.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Cons\u00f3rcio Colombia Energy se comprometeu com a comunidade e com as autoridades comunit\u00e1rias a fazer v\u00e1rias coisas: despoluir os canais e corpos de \u00e1gua; fornecer \u00e1gua pot\u00e1vel para o consumo humano; realizar trabalhos t\u00e9cnicos industriais para mitigar o impacto ambiental gerado pelos vazamentos de petr\u00f3leo; e contratar pessoas do Corredor Puerto Vega &#8211; Tetey\u00e9 para esses trabalhos. No entanto, a maioria desses compromissos &#8220;n\u00e3o foi cumprida&#8221;, segundo a Corte: o fornecimento &#8220;de \u00e1gua pot\u00e1vel transportada em caminh\u00f5es-pipa para essas veredas n\u00e3o foi gerido adequadamente, uma vez que foi se fez <strong>uma demonstra\u00e7\u00e3o p\u00fablica de que &#8220;essa \u00e1gua est\u00e1 chegando polu\u00edda&#8221;.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A pedido da Suprema Corte, a Vetra Exploraci\u00f3n y Producci\u00f3n Colombia S.A.S explicou que carregava \u00e1gua unicamente nos riachos El Diamante, Agua Blanca e nos rios Cohemb\u00ed e Putumayo &#8211; nos quais tem licen\u00e7a &#8211; e disse que os vazamentos de petr\u00f3leo tinham sido causados pelo capotamento de um caminh\u00e3o nos corpos de \u00e1gua, mas que eles tinham sido contidos. Al\u00e9m disso, informaram que, desde 2011, n\u00e3o h\u00e1 vazamentos em nenhum corpo de \u00e1gua superficial.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel a qual devia ser fornecida \u00e0 comunidade, a Vetra disse que a entregou at\u00e9 2015; &#8220;no entanto, essas tarefas foram suspensas \u00e0 medida que foram ocorrendo os fatos, tais como: bloqueios, intimida\u00e7\u00e3o por grupos armados e nega\u00e7\u00e3o de alguns membros da comunidade, como se evidencia nas diversas comunica\u00e7\u00f5es enviadas \u00e0 Corpoamaz\u00f4nia\u201d. At\u00e9 agora, nem a Vetra nem a Gran Tierra Energy responderam \u00e0s perguntas de \u201cTierra de Resistentes\u201d, uma iniciativa do Conselho Editorial que se junta aos esfor\u00e7os dos jornalistas latino-americanos para contar as hist\u00f3rias das lideran\u00e7as ambientais silenciadas no continente. Vale a pena salientar que esta equipe jornal\u00edstica conseguiu verificar que a \u00e1gua sim estava sendo entregue nas casas do Corredor.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>V\u00e1rios dos moradores inclu\u00edram seus prontu\u00e1rios m\u00e9dicos como prova de que a polui\u00e7\u00e3o estava afetando a sa\u00fade deles. <\/strong>Um deles, Gerardo Estrada, desenvolveu c\u00e2ncer de est\u00f4mago &#8220;devido \u00e0 falta de um sistema adequado de aqueduto e esgotos&#8221; e morreu antes da efetiva\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a. Outro morador disse que sua esposa, que sofria de c\u00e2ncer de colo do \u00fatero, morreu em 2014, quando seu estado piorou devido \u00e0 falta de \u00e1gua pot\u00e1vel. Outro chefe de fam\u00edlia anexou os prontu\u00e1rios m\u00e9dicos dos seus dois filhos, que sofriam de problemas estomacais e que, de acordo com o constante em seus prontu\u00e1rios m\u00e9dicos vindos da sua EPS e partilhados com a Suprema Corte, estavam relacionados com o consumo de \u00e1gua polu\u00edda.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Copy-of-15_Historias-cli\u0301nicas.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5327\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210847\/Copy-of-15_Historias-cli%CC%81nicas.jpeg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210847\/Copy-of-15_Historias-cli%CC%81nicas-300x225.jpeg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210847\/Copy-of-15_Historias-cli%CC%81nicas-768x576.jpeg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210847\/Copy-of-15_Historias-cli%CC%81nicas-560x420.jpeg 560w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210847\/Copy-of-15_Historias-cli%CC%81nicas-80x60.jpeg 80w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210847\/Copy-of-15_Historias-cli%CC%81nicas-150x113.jpeg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210847\/Copy-of-15_Historias-cli%CC%81nicas-696x522.jpeg 696w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption><em>Depoimentos registrados na Senten\u00e7a 7360 de 2016 da Suprema Corte de Justi\u00e7a (Col\u00f4mbia). Os nomes foram eliminados.<\/em><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A ANLA argumentou que os denunciantes n\u00e3o tinham apresentado provas da polui\u00e7\u00e3o. &#8220;\u00c9 uma simples avalia\u00e7\u00e3o pessoal dos demandantes, sem terem plena certeza dos fatores reais de uma poss\u00edvel polui\u00e7\u00e3o dos canais e dos afluentes do rio San Miguel, Ca\u00f1o Diamante, Ca\u00f1o Mochilero, Ca\u00f1o Buenos Aires, bem como dos riachos La Amarilla e Monta\u00f1ita&#8221;, como aparece em sua comunica\u00e7\u00e3o \u00e0 Corte.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Os trabalhadores t\u00eam sido atingidos em sua sa\u00fade pelos poluentes qu\u00edmicos vazados, provocando neles alergias, infec\u00e7\u00f5es, c\u00e2ncer de es\u00f3fago e crian\u00e7as doentes.<\/p><cite>Corte Suprema<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s uma inspe\u00e7\u00e3o ocular, em junho de 2016, a Suprema Corte determinou que &#8220;<strong>os vazamentos produzidos em setembro de 2013, outubro de 2014 e maio de 2015, polu\u00edram as fontes, uma vez que a empresa atrasou a implanta\u00e7\u00e3o do plano de conting\u00eancia, permitindo que o vazamento se espalhasse por suas terras e canais<\/strong>&#8220;. Os trabalhadores t\u00eam sido atingidos em sua sa\u00fade pelos poluentes qu\u00edmicos vazados, provocando neles alergias, infec\u00e7\u00f5es, c\u00e2ncer de es\u00f3fago e crian\u00e7as doentes. O ru\u00eddo decorrente dos caminh\u00f5es que passam pela autoestrada transportando o petr\u00f3leo bruto e \u00e1guas industriais tamb\u00e9m os afeta. Entre outras coisas, e talvez por um golpe de sorte, os representantes da Corte visitaram os canais no ver\u00e3o, quando o caudal \u00e9 mais baixo e, mesmo assim, \u00e9 poss\u00edvel ver as manchas de petr\u00f3leo bruto aparecerem atrav\u00e9s da lama.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse ano, a Postob\u00f3n S.A. entregou cinco garraf\u00f5es de \u00e1gua por fam\u00edlia e a ONG francesa \u201cAcci\u00f3n contra el Hambre\u201d colocou caixas d\u00b4\u00e1gua em cada im\u00f3vel e para cada fam\u00edlia, a fim de que seus membros pudessem utilizar a \u00e1gua da chuva mas, <strong>devido \u00e0 seca que durou dois meses, eles foram obrigados a utilizar novamente a \u00e1gua dos canais.\u00a0<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1920\" height=\"1080\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Copy-of-9_Entrevista-Li\u0301der-Hombre.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5304\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210853\/Copy-of-9_Entrevista-Li%CC%81der-Hombre.jpeg 1920w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210853\/Copy-of-9_Entrevista-Li%CC%81der-Hombre-300x169.jpeg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210853\/Copy-of-9_Entrevista-Li%CC%81der-Hombre-1024x576.jpeg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210853\/Copy-of-9_Entrevista-Li%CC%81der-Hombre-768x432.jpeg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210853\/Copy-of-9_Entrevista-Li%CC%81der-Hombre-1536x864.jpeg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210853\/Copy-of-9_Entrevista-Li%CC%81der-Hombre-747x420.jpeg 747w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210853\/Copy-of-9_Entrevista-Li%CC%81der-Hombre-150x84.jpeg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210853\/Copy-of-9_Entrevista-Li%CC%81der-Hombre-696x392.jpeg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210853\/Copy-of-9_Entrevista-Li%CC%81der-Hombre-1068x601.jpeg 1068w\" sizes=\"auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><figcaption><em>&#8220;T\u00ednhamos coca, n\u00e3o estou mentindo, mas \u00e9ramos legais. Nos canais pesc\u00e1vamos \u201cmojarritas\u201d, sardinhas, \u201cdentones\u201d e \u201cguarajas\u201d. Esses peixes t\u00eam sido vistos novamente, mas mortos. L\u00edder ambiental amea\u00e7ado em dezembro de 2019.\u00a0<\/em><br><em>Cr\u00e9ditos: Andr\u00e9s Guti\u00e9rrez Cianci<\/em><br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A Suprema Corte de Justi\u00e7a deu a raz\u00e3o aos ind\u00edgenas, camponeses e afro-colombianos, obrigando o Cons\u00f3rcio Colombia Energy Vetra Exploracion y Produccion Colombia S.A. a fornecerem \u00e1gua pot\u00e1vel nessas veredas e a despoluir esses canais, independentemente de a polui\u00e7\u00e3o ter sido causada por outros.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Eu sou um campon\u00eas, n\u00e3o sei beber de garrafas e barris como os que existem agora em todas as casas. Eu costumava beber a \u00e1gua dos canais e, agora, para falar a verdade, tive que beber de garrafa, mas com medo. Quando n\u00e3o tem \u00e1gua, tenho que fazer isso&#8221;.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>&#8220;Eu sou um campon\u00eas, n\u00e3o sei beber de garrafas e barris como os que existem agora em todas as casas. Eu costumava beber a \u00e1gua dos canais e, agora, para falar a verdade, tive que beber de garrafa, mas com medo. Quando n\u00e3o tem \u00e1gua, tenho que fazer isso. A senten\u00e7a foi importante, mas apesar dela, ningu\u00e9m resolveu o problema que temos aqui&#8221;, diz um l\u00edder veterano que mora no Putumayo desde que tinha cinco anos de idade e foi deslocado dessa \u00e1rea quando falou sobre a senten\u00e7a.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong><strong>Polui\u00e7\u00e3o por terceiros<\/strong><\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Embora a Gran Tierra Energy tenha chegado ao corredor de Puerto Vega-Tetey\u00e9 h\u00e1 apenas dois anos, a explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo no Putumayo se faz h\u00e1 muito tempo. A atividade de extra\u00e7\u00e3o data da primeira metade do s\u00e9culo XX, quando a empresa americana <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">Texas Petroleum Company (TPC)<\/span><a class=\"rank-math-link\" href=\"https:\/\/crudotransparente.com\/2019\/09\/18\/en-torno-a-la-actividad-petrolera-en-el-putumayo-2016-2019\/\"> iniciou a explora\u00e7\u00e3o, em 1942 e em 1963, do primeiro po\u00e7o, localizado perto do Rio Orito, de acordo com o portal Crudo Transparente.<\/a><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>a empresa estava pressionando as autoridades encarregadas a concederem a propriedade para dificultar os processos judici\u00e1rios<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>Nos anos 60, come\u00e7aram os primeiros conflitos entre empresas petrol\u00edferas e comunidades locais no Putumayo.<\/strong> A comunidade camponesa que morava na \u00e1rea naquela \u00e9poca advertiu que a empresa estava pressionando as autoridades encarregadas a concederem a propriedade para dificultar os processos judici\u00e1rios dos pequenos propriet\u00e1rios de s\u00edtios localizados exatamente onde os po\u00e7os est\u00e3o hoje. <strong>As pessoas que trabalhavam para a TPC criticaram as condi\u00e7\u00f5es de trabalho e os que estavam insatisfeitos com essas condi\u00e7\u00f5es foram demitidos e terminaram trabalhando nas planta\u00e7\u00f5es de coca, que tem estado presente no munic\u00edpio de Puerto As\u00eds nas \u00faltimas cinco d\u00e9cadas. <\/strong><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>As onze fontes consultadas no terreno para a elabora\u00e7\u00e3o deste artigo concordam em que pioraram as intimida\u00e7\u00f5es que come\u00e7aram em 2002.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A medida que o petr\u00f3leo foi se tornando o primeiro elemento da economia da regi\u00e3o, <strong>continuaram as fumiga\u00e7\u00f5es em massa das planta\u00e7\u00f5es de coca, as incurs\u00f5es de grupos paramilitares, o lan\u00e7amento do Plano Col\u00f4mbia no ano 2000, a implanta\u00e7\u00e3o da Pol\u00edtica de Seguran\u00e7a Democr\u00e1tica desde 2002 at\u00e9 que o departamento foi declarado Distrito Especial Mineiro em 2011 e aumentaram os assassinatos e os deslocamentos.<\/strong> As onze fontes consultadas no terreno para a elabora\u00e7\u00e3o deste artigo concordam em que pioraram as intimida\u00e7\u00f5es que come\u00e7aram em 2002.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2007, a empresa canadense Gran Tierra Energy, que hoje det\u00e9m os po\u00e7os do Corredor de Puerto Vega Tetey\u00e9, extra\u00eda 23.920 barris em outras partes do Putumayo. Em 2013, sua produ\u00e7\u00e3o bruta atingiu os 36.770 barris di\u00e1rios, segundo a Crudo Transparente, uma iniciativa da sociedade civil para monitorar o setor de hidrocarbonetos na Col\u00f4mbia.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong><strong>&#8220;\u00c9 evidente que h\u00e1 polui\u00e7\u00e3o&#8221;<\/strong><\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, o Putumayo tem passado por vazamentos de petr\u00f3leo e por ataques \u00e0 infraestrutura petrol\u00edfera, apesar da presen\u00e7a de duas bases militares no corredor. <a href=\"https:\/\/www.defensoria.gov.co\/es\/nube\/enlosmedios\/3879\/Farc-cometieron-64-acciones-criminales-en-dos-meses-sin-cese-al-fuego.htm\">Em 15 de julho de<\/a> 2014, cinco homens armados, alegando pertencerem \u00e0 <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">Frente 48 da guerrilha das FARC<\/span>, interceptaram quatro caminh\u00f5es carregados de petr\u00f3leo e os obrigaram a despejar toda sua carga nos munic\u00edpios Puerto As\u00eds e Orito.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.eltiempo.com\/archivo\/documento\/CMS-15926117\">Quinze dias antes desse incidente, dezenove caminh\u00f5es tinham sido parados por homens armados que jogaram 5.090 barris de petr\u00f3leo no ch\u00e3o e na \u00e1gua. Quase um ano depois, em 8 de junho de 2015,<\/a> supostos membros das antigas Farc pararam \u00e0 m\u00e3o armada uma caravana de 23 caminh\u00f5es no corredor de Puerto Vega-Tetey\u00e9, na altura de La Caba\u00f1a, e obrigaram os motoristas a abrirem as v\u00e1lvulas de 19 ve\u00edculos e despejar o petr\u00f3leo. Cerca de 200.000 gal\u00f5es de combust\u00edvel foram derramados naquele dia, afetando cerca de 150 fam\u00edlias, de acordo com o afirmado pela Secretaria do Governo de Puerto As\u00eds. O petr\u00f3leo correu de dois a tr\u00eas quil\u00f3metros rio abaixo.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;N\u00f3s j\u00e1 documentados v\u00e1rias falhas operacionais da empresa&#8221;.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, h\u00e1 uma parte da hist\u00f3ria da polui\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o clara. Muitos moradores deste corredor acreditam que a polui\u00e7\u00e3o de suas \u00e1guas n\u00e3o foi ocasionada apenas pelos vazamentos de petr\u00f3leo causados pela guerrilha. &#8220;N\u00f3s j\u00e1 documentados v\u00e1rias falhas operacionais da empresa. <strong>Eles nos contrataram porque t\u00eam que oferecer emprego a pessoas da \u00e1rea e, como somos operadores, nos relatam os danos provocados<\/strong>&#8220;, diz um campon\u00eas que foi <a href=\"https:\/\/twitter.com\/JulieDuque1\/status\/1201964422161485825\">amea\u00e7ado em 28 de janeiro<\/a> deste ano, entre outras raz\u00f5es, por ter documentado as falhas operacionais da Vetra e, hoje, da Gran Tierra Energy, que resultaram em vazamentos nos canais.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Nos po\u00e7os de Quillacinga e Curiquinga, houve pelo menos um vazamento por ano em 2005, 2006, 2010 e 2011, segundo o campon\u00eas, que conhece em primeira m\u00e3o a polui\u00e7\u00e3o, particularmente do canal Buenos Aires, por ter trabalhado para cada uma das empresas petrol\u00edferas. &#8220;Em muitos casos, os operadores <strong>deixam de olhar para os tanques e a\u00ed h\u00e1 vazamento e, mesmo que seja apenas por uma hora, nesse tempo, s\u00e3o despejados entre 500 e 1.000 barris de petr\u00f3leo na \u00e1gua que estiver por perto. <\/strong>Outras vezes, <strong>o fogo se apaga e, quando isso acontece, o petr\u00f3leo come\u00e7a a vazar<\/strong> e tudo fica cheio de petr\u00f3leo: o solo, a \u00e1gua, tudo. Em Pi\u00f1u\u00f1a 5, em 2012, uma chave se quebrou na plataforma e todo o petr\u00f3leo caiu nos canais El Resguardo e El Diamante. Em 2014, outra chave se quebrou na vereda Buenos Aires e todo o petr\u00f3leo bruto caiu no canal El Mochilero durante tr\u00eas horas&#8221;.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>2015 foi o ano mais grave em rela\u00e7\u00e3o a falhas operacionais. Em 30 de setembro, um duto detido pelo Cons\u00f3rcio Colombia Energy e pela Vetra que vinha do po\u00e7o Pi\u00f1u\u00f1a 5, na vereda Buenos Aires, rompeu-se, poluindo com petr\u00f3leo o canal El Mochilero, que chega ao rio San Miguel, segundo um relat\u00f3rio do Coletivo de Advogados Jos\u00e9 Alvear Restrepo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1920\" height=\"1080\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Copy-of-5_Corredor-Puerto-Vega-Teteye\u0301-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5302\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210854\/Copy-of-5_Corredor-Puerto-Vega-Teteye%CC%81-1.jpeg 1920w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210854\/Copy-of-5_Corredor-Puerto-Vega-Teteye%CC%81-1-300x169.jpeg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210854\/Copy-of-5_Corredor-Puerto-Vega-Teteye%CC%81-1-1024x576.jpeg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210854\/Copy-of-5_Corredor-Puerto-Vega-Teteye%CC%81-1-768x432.jpeg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210854\/Copy-of-5_Corredor-Puerto-Vega-Teteye%CC%81-1-1536x864.jpeg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210854\/Copy-of-5_Corredor-Puerto-Vega-Teteye%CC%81-1-747x420.jpeg 747w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210854\/Copy-of-5_Corredor-Puerto-Vega-Teteye%CC%81-1-150x84.jpeg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210854\/Copy-of-5_Corredor-Puerto-Vega-Teteye%CC%81-1-696x392.jpeg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210854\/Copy-of-5_Corredor-Puerto-Vega-Teteye%CC%81-1-1068x601.jpeg 1068w\" sizes=\"auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><figcaption>Uma mancha de petr\u00f3leo perto do po\u00e7o Pi\u00f1u\u00f1a, na vereda Buenos Aires. A comunidade garante que os dejetos foram despejados l\u00e1 em 2002.<br>Cr\u00e9ditos: Andr\u00e9s Guti\u00e9rrez Cianci<br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Cerca de 60 fam\u00edlias ficaram sem \u00e1gua para o consumo e os pr\u00e9dios de outras cinco ficaram, praticamente, soterrados sob betume preto, a maioria deles localizados na vereda Buenos Aires. <strong>Um m\u00eas ap\u00f3s o vazamento, come\u00e7aram as chuvas, espalhando o petr\u00f3leo a outros canais que n\u00e3o estavam previamente polu\u00eddos. A escola justamente est\u00e1 localizada nessa vereda.<\/strong>\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 dif\u00edcil tentar estabelecer quanto do petr\u00f3leo vazado em rios tem sido por causa de &#8220;terceiros&#8221; e quanto foi por uma falha operacional. No entanto, <strong>cerca de 17 mil hectares na \u00e1rea foram afetados por vazamentos de petr\u00f3leo nos \u00faltimos dez anos<\/strong>, segundo o Escrit\u00f3rio das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Coordena\u00e7\u00e3o de Assuntos Humanit\u00e1rios.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o dossi\u00ea da ANLA, as empresas que det\u00eam ou operam com petr\u00f3leo na \u00e1rea informaram de seis vazamentos operacionais de 2008 a 2020. Em 2008, a Ecopetrol relatou o vazamento de 22 barris no quil\u00f4metro 37. &#8220;A empresa indica que foi ativado o plano de conting\u00eancia para evitar que a comunidade bebesse \u00e1gua do riacho&#8221;, diz o dossi\u00ea.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Todos os casos informados totalizam 40 barris de petr\u00f3leo. No tocante aos vazamentos provocados por &#8220;terceiros&#8221;, as empresas reportaram quatro casos.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A Vetra informou os outros cinco: dois em 2010, um em 2011 e outro em 2017, todos no Campo Quillacinga, afetando o leito do rio San Miguel e o riacho Buenos Aires e, embora o plano de conten\u00e7\u00e3o dependa da emerg\u00eancia, a maioria deles consistiu em<strong> fechar as v\u00e1lvulas que bombeiam o petr\u00f3leo bruto para os tanques de conten\u00e7\u00e3o, recolher o petr\u00f3leo bruto em valas de conten\u00e7\u00e3o, limpar o corpo de \u00e1gua &#8211; n\u00e3o especificam como &#8211; e fazer o monitoramento f\u00edsico-qu\u00edmico. <\/strong>Todos os casos informados totalizam 40 barris de petr\u00f3leo. No tocante aos vazamentos provocados por &#8220;terceiros&#8221;, as empresas reportaram quatro casos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As manchas de petr\u00f3leo nos canais pr\u00f3ximos ainda s\u00e3o vis\u00edveis no caminho, algumas delas est\u00e3o cercadas por sinais de aviso de minas antipessoais. Ningu\u00e9m pode se aproximar para v\u00ea-las, muito menos ousar limp\u00e1-las.<\/strong> No final de janeiro deste ano, a vaca de um fazendeiro caiu justamente em uma das manchas de tr\u00eas metros quadrados, localizada na vereda Buenos Aires, e foram necess\u00e1rios seis homens para poder tir\u00e1-la da\u00ed e, depois, limp\u00e1-la.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1032\" height=\"774\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Copy-of-14_Vacas-petroleo_Cortesi\u0301a.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5307\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210852\/Copy-of-14_Vacas-petroleo_Cortesi%CC%81a.jpeg 1032w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210852\/Copy-of-14_Vacas-petroleo_Cortesi%CC%81a-300x225.jpeg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210852\/Copy-of-14_Vacas-petroleo_Cortesi%CC%81a-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210852\/Copy-of-14_Vacas-petroleo_Cortesi%CC%81a-768x576.jpeg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210852\/Copy-of-14_Vacas-petroleo_Cortesi%CC%81a-560x420.jpeg 560w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210852\/Copy-of-14_Vacas-petroleo_Cortesi%CC%81a-80x60.jpeg 80w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210852\/Copy-of-14_Vacas-petroleo_Cortesi%CC%81a-150x113.jpeg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210852\/Copy-of-14_Vacas-petroleo_Cortesi%CC%81a-696x522.jpeg 696w\" sizes=\"auto, (max-width: 1032px) 100vw, 1032px\" \/><figcaption>Demoraram tr\u00eas horas para conseguir tir\u00e1-las da\u00ed. A economia de alguns pequenos produtores de leite ou carne depende desses animais. Cr\u00e9ditos: Cortesia:<br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong><strong>A \u00e1gua nunca mais ser\u00e1 a mesma<\/strong><\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Para p\u00f4r fim \u00e0 Greve da \u00c1gua de 2014, o Governo e a Mesa de Organiza\u00e7\u00f5es Sociais do Putumayo estabeleceram um espa\u00e7o de di\u00e1logo e consenso sobre quest\u00f5es como os programas de substitui\u00e7\u00e3o da coca, direitos humanos e problemas mineiro-energ\u00e9ticos na regi\u00e3o. <strong>Parte do acordo era contratar um estudo independente feito por especialistas escolhidos pelas comunidades e financiados pela Ag\u00eancia Nacional de Hidrocarbonetos (ANH)<\/strong> para se opor a um estudo antigo que aliviava o peso da responsabilidade das empresas.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo um estudo da Comiss\u00e3o de Revis\u00e3o Socioambiental e Jur\u00eddica \u00e0 Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 1930 de 2010, realizado pela ANH e pelo Minist\u00e9rio do Ambiente, &#8220;nos casos em que os resultados das medi\u00e7\u00f5es estejam acima das faixas estabelecidas pela norma, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel estabelecer com um exatid\u00e3o uma rela\u00e7\u00e3o direta com as atividades ligadas aos hidrocarbonetos, pois na \u00e1rea existem causas de origem antr\u00f3pica ou natural que podem gerar a mudan\u00e7a desses elementos&#8221;. Em resumo, <strong>o estudo indica que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel determinar se a presen\u00e7a de c\u00e1dmio, ars\u00eanico e chumbo na \u00e1gua responde \u00e0 atividade industrial.\u00a0<\/strong><\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"100%\" height=\"500\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/vyJlx0eJ-4U\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe>\n\n\n\n<div><small style=\"font-size:60%\">O riacho \u00c1guas Claras, localizado na vereda El Cristal, est\u00e1 polu\u00eddo com petr\u00f3leo bruto devido a um vazamento de um caminh\u00e3o causado por um ataque da guerrilha em 2014. Aqui a comunidade est\u00e1 fazendo trabalhos de despolui\u00e7\u00e3o.\nCr\u00e9ditos: Andr\u00e9s Guti\u00e9rrez Cianci\n<\/small><div class=\"_3C-sm\"><div><p><\/p><\/div><\/div><\/div>\n\n\n\n<p>No entanto, outro estudo mostrou o outro lado da moeda. A conclus\u00e3o dos ge\u00f3logos da consultora cient\u00edfica Terrae, que <strong>contratou a comunidade para a realiza\u00e7\u00e3o de estudos alternativos em 2015, foi clara: h\u00e1 c\u00e1dmio, ars\u00eanico e chumbo em 16 de 18 riachos.<\/strong> Os ge\u00f3logos independentes recolheram 32 amostras de \u00e1gua em diferentes pontos do Corredor Puerto Vega-Tetey\u00e9 e analisaram os documentos do processo de licenciamento ambiental. Havia tamb\u00e9m sinais claros de polui\u00e7\u00e3o nas fontes de \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cDesde o primeiro estudo de impacto ambiental, notou-se que havia um conflito armado na \u00e1rea. De fato, este foi um argumento para n\u00e3o apresentar informa\u00e7\u00f5es de tipo ambiental mais s\u00f3lidas\u201d<\/p><cite>Julio Fierro<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Na sua opini\u00e3o, os estudos pr\u00e9vios \u00e0 licen\u00e7a ambiental da Vetra careciam de &#8220;rigor t\u00e9cnico em geologia, geomorfologia, geotecnia, hidrogeologia e sismicidade&#8221;. Tamb\u00e9m houve defici\u00eancias na coleta de informa\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas necess\u00e1rias para definir uma linha de base ambiental. &#8220;Desde o primeiro estudo de impacto ambiental, notou-se que havia um conflito armado na \u00e1rea. De fato, este foi um argumento para n\u00e3o apresentar informa\u00e7\u00f5es de tipo ambiental mais s\u00f3lidas&#8221;, diz o ge\u00f3logo Julio Fierro, l\u00edder da Terrae, ex-funcion\u00e1rio da Controladoria-Geral em quest\u00f5es de minera\u00e7\u00e3o e principal autor do relat\u00f3rio das comunidades.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o obstante, a an\u00e1lise da \u00e1gua do rio San Miguel e do riacho Agua Blanca, na fronteira com o Equador, mostrou fen\u00f3is de 323 mg\/L, quando o limite legal \u00e9 de 0,2mg\/L. <strong>At\u00e9 a cisterna da escola de El Porvenir se excedeu nas concentra\u00e7\u00f5es de ars\u00eanico em quatro vezes o m\u00e1ximo legal permitido. <\/strong>O estudo tamb\u00e9m menciona que as \u00e1guas subterr\u00e2neas s\u00f3 foram monitoradas depois do segundo semestre de 2013 e unicamente no campo de Quinde.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Respecto al agua para consumo humano, los fenoles han sobrepasado la norma entre cien y doscientas veces. Y el plomo y el cadmio, hasta diez veces. Los r\u00edos y lagunas tampoco escapan de la contaminaci\u00f3n ambiental&#8221;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>&#8220;Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e1gua para consumo humano, os fen\u00f3is ultrapassaram a norma entre cem e duzentas vezes. E chumbo e c\u00e1dmio at\u00e9 dez vezes. Os rios e lagoas tamb\u00e9m n\u00e3o escapam \u00e0 polui\u00e7\u00e3o ambiental relacionada ao projeto petrol\u00edfero, encontrando altas concentra\u00e7\u00f5es da mesma magnitude nas cisternas tanto para fen\u00f3is, cloretos, c\u00e1dmio, chumbo, gorduras e \u00f3leos&#8221;, afirma-se no relat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1920\" height=\"1080\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Copy-of-6_Corredor-Puerto-Vega-Teteye\u0301-1-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5303\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210854\/Copy-of-6_Corredor-Puerto-Vega-Teteye%CC%81-1-1.jpeg 1920w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210854\/Copy-of-6_Corredor-Puerto-Vega-Teteye%CC%81-1-1-300x169.jpeg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210854\/Copy-of-6_Corredor-Puerto-Vega-Teteye%CC%81-1-1-1024x576.jpeg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210854\/Copy-of-6_Corredor-Puerto-Vega-Teteye%CC%81-1-1-768x432.jpeg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210854\/Copy-of-6_Corredor-Puerto-Vega-Teteye%CC%81-1-1-1536x864.jpeg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210854\/Copy-of-6_Corredor-Puerto-Vega-Teteye%CC%81-1-1-747x420.jpeg 747w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210854\/Copy-of-6_Corredor-Puerto-Vega-Teteye%CC%81-1-1-150x84.jpeg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210854\/Copy-of-6_Corredor-Puerto-Vega-Teteye%CC%81-1-1-696x392.jpeg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/19210854\/Copy-of-6_Corredor-Puerto-Vega-Teteye%CC%81-1-1-1068x601.jpeg 1068w\" sizes=\"auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><figcaption><em>Parte dos trabalhos de despolui\u00e7\u00e3o consiste em levar a lama polu\u00edda do fundo dos rios e dos canais para umas &#8220;piscinas&#8221; feitas com poliestireno ou armazen\u00e1-la e deixa-la na beira da estrada.\u00a0<\/em><br><em>Cr\u00e9ditos: Andr\u00e9s Guti\u00e9rrez Cianci<\/em><br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Segundo um<a href=\"https:\/\/www.scribd.com\/document\/451826862\/Helena-Respuestas-ANLA-El-Espectador\" target=\"_blank\" aria-label=\" direito de peti\u00e7\u00e3o respondido pela ANLA (opens in a new tab)\" rel=\"noreferrer noopener\" class=\"rank-math-link\"> direito de peti\u00e7\u00e3o respondido pela ANLA<\/a>, a entidade sabia, pelo menos, desde 2014 que a empresa n\u00e3o estava cumprindo com os par\u00e2metros dos n\u00edveis de gordura, \u00f3leos, s\u00f3lidos e cloretos no rio San Miguel, gra\u00e7as a relat\u00f3rios realizados pela Ag\u00eancia Nacional de Hidrocarbonetos.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, em 2014, ap\u00f3s estender a licen\u00e7a ambiental \u00e0 Vetra, a ANLA tinha advertido que, no ponto de capta\u00e7\u00e3o do riacho Campo Alegre, estavam sendo ultrapassados os limites permitidos de polui\u00e7\u00e3o, mas <strong>somente em janeiro de 2019 ordenou que a empresa fizesse &#8220;uma delimita\u00e7\u00e3o das \u00e1reas afetadas, uma busca dos remanescentes de hidrocarbonetos atrav\u00e9s de inspe\u00e7\u00f5es nas \u00e1reas afetadas, remo\u00e7\u00e3o de material vegetal polu\u00eddo, cria\u00e7\u00e3o de trincheiras com forma de espinhas de peixes para a canaliza\u00e7\u00e3o das \u00e1reas a serem atendidas, limpeza das bordas dos corpos de \u00e1gua, lavagem da superf\u00edcie e do fundo dos corpos de \u00e1gua atendidos, remo\u00e7\u00e3o de lama e sedimentos acumulados nos filtros instalados e instala\u00e7\u00e3o de piez\u00f3metros para a verifica\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo bruto infiltrado&#8221;.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;At\u00e9 \u00e0 data j\u00e1 foram realizados 12 comit\u00eas de verifica\u00e7\u00e3o dos quais a ANLA participou e, a partir dos seus resultados, foi analisado o progresso da limpeza realizada pela empresa&#8221;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>No extenso dossi\u00ea da ANLA sobre as licen\u00e7as ambientais da Gran Tierra Energy &#8211; e antes do Cons\u00f3rcio Colombia Energy\u2013 demonstra-se que as empresas t\u00eam sido muito pontuais na entrega dos relat\u00f3rios semestrais a essa autoridade e que as a\u00e7\u00f5es da entidade se limitavam somente ao monitoramento. Em conformidade \u00e0 ordem da Corte, a ANLA afirmou ter realizado 12 visitas t\u00e9cnicas &#8220;para analisar o progresso da limpeza realizada pela empresa&#8221;, neste caso, a Gran Tierra Energy. At\u00e9 hoje, n\u00e3o existem san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas contra esta ou qualquer outra empresa como resultado destas investiga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;At\u00e9 \u00e0 data j\u00e1 foram realizados 12 comit\u00eas de verifica\u00e7\u00e3o dos quais a ANLA participou e, a partir dos seus resultados, foi analisado o progresso da limpeza realizada pela empresa&#8221;, respondeu a autoridade em licenciamento. No entanto, at\u00e9 hoje, nem a Vetra nem o Cons\u00f3rcio Colombia Energy, nem a Gran Tierra Energy responderam \u00e0s perguntas da Tierra de Resistentes<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cTudo morreu\u201d<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>&#8220;Antes de 2002, podiam ser vistos on\u00e7as, veados, esquilos, araras e p\u00e1ssaros ex\u00f3ticos, mas j\u00e1 n\u00e3o aparecem mais. Havia esquilos; perus; jacar\u00e9s; p\u00e1ssaros como \u201cpicones\u201d, \u201cpaujiles\u201d; e peixes como os ventones, mas agora nos rios, somente tem \u201cmojarritas\u201d e sardinhas. Os peixes de baixo, como o peixe-gato, j\u00e1 n\u00e3o aparecem mais. Umas cobras que se chamam \u201ccuchillas\u201d aparecem, mas mortas.\u00a0 Os pargos, os \u201cguarajas\u201d tamb\u00e9m. Tudo morreu&#8221;, diz uma das lideran\u00e7as que foi amea\u00e7ada no in\u00edcio do ano.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 uma raz\u00e3o pela qual este campon\u00eas e lideran\u00e7a ambiental foi capaz de documentar com tanto cuidado as falhas operacionais: Jairo e outros oito das onze lideran\u00e7as consultadas s\u00e3o oper\u00e1rios da Gran Tierra. <strong>&#8220;\u00c9 o \u00fanico lugar onde a gente pode procurar emprego por aqui\u201d.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ele tamb\u00e9m tem certeza de que h\u00e1 muito mais falhas operacionais do que somente os vazamentos provocados por qualquer guerrilha e, apesar do seu trabalho de documenta\u00e7\u00e3o, ele diz que n\u00e3o pode compartilhar nem fotos nem v\u00eddeos: &#8220;A bateria do meu computador estragou e tinha tudo isso armazenado l\u00e1\u201d.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;al\u00e9m da polui\u00e7\u00e3o pelos vazamentos de petr\u00f3leo, tamb\u00e9m existe a polui\u00e7\u00e3o por glifosato&#8221;<\/p><cite>Santiago Duque<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Para v\u00e1rios especialistas, <strong>diferenciar quanto da polui\u00e7\u00e3o da \u00e1gua \u00e9 culpa dos vazamentos de petr\u00f3leo gerados por &#8220;terceiros&#8221;, tais como a guerrilha, e quanto \u00e9 devido a falhas operacionais \u00e9 praticamente imposs\u00edvel ou, pelo menos, sai muito caro determinar isso.<\/strong>\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns acreditam que outros fatores tamb\u00e9m podem ter determinado essa polui\u00e7\u00e3o. &#8220;O Putumayo, por ser uma \u00e1rea de planta\u00e7\u00e3o de coca,<strong> teve per\u00edodos nos quais a fumiga\u00e7\u00e3o a\u00e9rea com glifosato foi frequente<\/strong>, a cada cinco meses, mais ou menos o mesmo ciclo de crescimento da coca. Como a base da maioria dos pesticidas \u00e9 o petr\u00f3leo e tem seus mesmos componentes, al\u00e9m da polui\u00e7\u00e3o pelos vazamentos de petr\u00f3leo, tamb\u00e9m existe a polui\u00e7\u00e3o por glifosato. Analisar quanto corresponde a cada evento \u00e9 praticamente imposs\u00edvel&#8221;, diz Santiago Duque, diretor do Laborat\u00f3rio de \u00c1guas da Universidade Nacional de Leticia, que liderou a caracteriza\u00e7\u00e3o morfol\u00f3gica do solo e das \u00e1guas para a Corpora\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel do Sul da Amaz\u00f4nia (Corpoamaz\u00f4nia) em 2011.\u00a0 <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Estamos fazendo uma limpeza, mas n\u00e3o estamos utilizando produtos qu\u00edmicos.&#8221;<\/p><cite>Lideresa<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>&#8220;Estamos fazendo uma limpeza, mas n\u00e3o estamos utilizando produtos qu\u00edmicos. Estamos tirando madeira, fazendo limpeza do mato nas margens dos rios. Isso \u00e9 para poder caminhar e evitar acidentes quando se faz a hidrolavagem. Usamos sab\u00e3o em p\u00f3 de lavar roupa, mas esse sab\u00e3o n\u00e3o mata os peixes e n\u00e3o se usa muita quantidade. O sab\u00e3o \u00e9 jogado e se colocam algumas barreiras, o sab\u00e3o lava e se dispersa, uma vala de conten\u00e7\u00e3o recolhe o petr\u00f3leo bruto&#8221;, diz a lideran\u00e7a que organizou a Greve pela \u00c1gua no in\u00edcio do ano que tamb\u00e9m est\u00e1 liderando a despolui\u00e7\u00e3o dos canais.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong><strong>Os mortos de hoje<\/strong><\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.eltiempo.com\/colombia\/otras-ciudades\/asesinan-a-yordan-tovar-lider-social-de-puerto-asis-putumayo-452788\">No dia 18 de janeiro deste ano,<\/a> a lideran\u00e7a e membro do Sindicato dos Trabalhadores Camponeses na Fronteira do Putumayo (Sintcafromayo), <strong>Yordan Tovar, foi baleado e morto \u00e0s 19h30<\/strong>, enquanto estava em um bar em frente \u00e0 sede do sindicato, na vereda de Tetey\u00e9. Tovar n\u00e3o tinha recebido amea\u00e7as nem tinha inimigos mas, segundo outra lideran\u00e7a da regi\u00e3o, ele foi obrigado a se deslocar por cinco anos para proteger sua vida. Ele era, sem lugar a d\u00favidas, um defensor da \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ele participou ativamente das reuni\u00f5es com a empresa petrol\u00edfera e, claro, ele era um l\u00edder ambiental. Foi muito ativo na greve pela \u00e1gua de 2014 e era muito insistente. A que horas eles vir\u00e3o por n\u00f3s? Minhas pernas est\u00e3o tremendo&#8221;, disse um membro da Rede de Direitos Humanos Putumayo que est\u00e1 morando em Mocoa, depois de compartilhar a not\u00edcia com esta equipe jornal\u00edstica atrav\u00e9s do Whatsapp.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cEle participou ativamente das reuni\u00f5es com a empresa petrol\u00edfera e, claro, ele era um l\u00edder ambiental. Foi muito ativo na greve pela \u00e1gua de 2014 e era muito insistente. A que horas eles vir\u00e3o por n\u00f3s? Minhas pernas est\u00e3o tremendo\u201d<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/conexionputumayo.com\/otro-lider-campesino-fue-asesinado-en-la-frontera-colomboecuatoriana\/\">Em 28 de janeiro,<\/a> <strong>apenas dez dias depois, \u00e0s 6 da manh\u00e3, foi assassinado Bayron Rueda Ruiz, ex-presidente do Conselho de A\u00e7\u00e3o Comunit\u00e1ria da vereda &#8220;La 18&#8221;<\/strong> e morador da vereda El Azul, no corredor Puerto Vega-Tetey\u00e9. Embora os motivos do seu assassinato ainda n\u00e3o estejam claros, \u00e9 sabido que Bayron morava na margem direita do rio San Miguel e que, durante essa manh\u00e3, quando estava saindo para trabalhar na terra, ele foi morto a tiros. Al\u00e9m desses dois assassinatos, um cidad\u00e3o equatoriano n\u00e3o identificado tamb\u00e9m foi morto na vereda La Azul.<\/p>\n\n\n\n<p>A Defensoria do Povo emitiu <a href=\"http:\/\/www.indepaz.org.co\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/AT-N%C2%B0-040-19-PUT-Puerto-As%C3%ADs.pdf\">um alerta precoce em<\/a> setembro de 2019 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 complexa situa\u00e7\u00e3o de Puerto As\u00eds devido \u00e0 disputa territorial entre <strong>dissidentes das Frentes 1\u00b0 e 48 das FARC, e ao aumento dos controles na vida comunit\u00e1ria <\/strong>&#8220;como estrat\u00e9gia e mecanismo de press\u00e3o e controle populacional na entrada e sa\u00edda dos habitantes da \u00e1rea, um aspecto que tem afetado o desenvolvimento de suas atividades di\u00e1rias e o exerc\u00edcio de outros direitos&#8221;. Essa mesma entidade emitiu um relat\u00f3rio de risco em 2016 e um outro alerta precoce em 2018 com um conte\u00fado semelhante ao do ano passado e se manifestou tr\u00eas vezes nos conselhos de seguran\u00e7a do departamento do Putumayo. \u00a0 \u00a0<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Al\u00e9m disso, as greves agr\u00edcolas nacionais come\u00e7aram aqui&#8221;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>Nesta \u00e1rea do Baixo Putumayo, est\u00e3o aparecendo muitas lideran\u00e7as comunit\u00e1rias. <\/strong>Em algum momento, elas lutaram contra a erradica\u00e7\u00e3o da coca com glifosato, contra a explora\u00e7\u00e3o petrol\u00edfera. &#8220;Eles tamb\u00e9m lutaram pelos interesses do setor agr\u00edcola. Al\u00e9m disso, as greves agr\u00edcolas nacionais come\u00e7aram aqui&#8221;, segundo um representante da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Usu\u00e1rios Camponeses (ANUC).\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Al\u00e9m disso, em diferentes momentos, a guerrilha, as Farc, os paramilitares, o bloco do sul, os traficantes de drogas, o cartel de Medell\u00edn e, atualmente, as planta\u00e7\u00f5es de coca e o crime comum t\u00eam trabalhado juntos.<\/strong> Por isso, \u00e9 complicado determinar de onde v\u00eam as balas e as amea\u00e7as que aparecem nesse territ\u00f3rio. \u00a0 \u00a0<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Isto acontece conosco por termos nascido no campo&#8221;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>Defender a \u00e1gua neste corredor \u00e9 uma senten\u00e7a de morte.<\/strong> O corredor Puerto Vega-Tetey\u00e9, em Puerto As\u00eds, \u00e9 outro extremo da Col\u00f4mbia, onde predominam as riquezas naturais e o verde dos seus campos que, em outra \u00e9poca, enfeitavam os rios cristalinos. A\u00ed, infelizmente, tamb\u00e9m se ouvem hist\u00f3rias como a que acabamos de ver.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Isto acontece conosco por termos nascido no campo&#8221;, lamenta uma mulher da vereda La Carmelita.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/eee.png\" alt=\"Tierra de Resistentes\" class=\"wp-image-3766\" width=\"100\" height=\"100\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211834\/eee.png 400w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211834\/eee-300x300.png 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/19211834\/eee-150x150.png 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 100px) 100vw, 100px\" \/><\/figure><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Un recorrido por el municipio de Puerto As\u00eds, en el Bajo Putumayo de Colombia, revela el drama diario que afrontan sus pobladores. 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