{"id":110,"date":"2019-04-23T15:08:00","date_gmt":"2019-04-23T15:08:00","guid":{"rendered":"http:\/\/tierra.local\/es\/?p=110"},"modified":"2021-04-26T05:46:21","modified_gmt":"2021-04-26T05:46:21","slug":"el-tipnis-y-el-madidi-las-heridas-que-sangran-en-el-rostro-indigena-de-bolivia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tierraderesistentes.com\/pt\/2019\/04\/23\/el-tipnis-y-el-madidi-las-heridas-que-sangran-en-el-rostro-indigena-de-bolivia\/","title":{"rendered":"O Tipnis e o Madidi, as feridas que sangram no rosto ind\u00edgena da Bol\u00edvia"},"content":{"rendered":"\n<p>O rosto ind\u00edgena da Bol\u00edvia est\u00e1 ferido. Cada vez que acontecem amea\u00e7as e ataques contra seus povos nativos, sangra mais e mais. <strong>As \u00e1reas naturais de Tipnis e Madidi, ambas na Amaz\u00f4nia boliviana, s\u00e3o o cen\u00e1rio que destaca os maus tratos a estas comunidades, apesar de o pa\u00eds ser governado desde h\u00e1 13 anos pelo ind\u00edgena <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">Evo Morales.<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Terra&nbsp;Ind\u00edgena&nbsp;e Parque Nacional&nbsp;Isiboro-Secure&nbsp; (mais conhecido por suas iniciais <a href=\"http:\/\/sernap.gob.bo\/isiborosecure\/\">Tipnis<\/a>) est\u00e1 localizada entre os departamentos de Cochabamba e Beni. Seus habitantes t\u00eam sido os protagonistas das marchas para a sede do governo e <strong>vivem em emerg\u00eancia por causa do desejo do governo de construir uma estrada que dividir\u00e1 em duas partes a \u00e1rea protegida onde vivem h\u00e1 cinco d\u00e9cadas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mais ao norte, no Parque Nacional e \u00c1rea Natural de Gest\u00e3o Integrada Madidi, localizado na parte amaz\u00f4nica do departamento de La Paz, no noroeste do pa\u00eds, <strong>os moradores se opuseram \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de duas hidrel\u00e9tricas, uma odisseia que trouxe consequ\u00eancias negativas para suas fam\u00edlias e vilarejos.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Em ambos os casos, dezenas de l\u00edderes t\u00eam sido amea\u00e7ados, perseguidos e assediados.<\/strong> Com espancamentos e avisos pouco disfar\u00e7ados para suas fam\u00edlias de que perder\u00e3o seus empregos, todos sofrem as consequ\u00eancias da defesa dos direitos e territ\u00f3rios de suas comunidades ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1709\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Beni_Project_-9-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4400\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211657\/Beni_Project_-9-scaled.jpg 2560w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211657\/Beni_Project_-9-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211657\/Beni_Project_-9-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211657\/Beni_Project_-9-768x513.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211657\/Beni_Project_-9-1536x1026.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211657\/Beni_Project_-9-2048x1367.jpg 2048w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211657\/Beni_Project_-9-150x100.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211657\/Beni_Project_-9-696x465.jpg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211657\/Beni_Project_-9-1068x713.jpg 1068w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211657\/Beni_Project_-9-1920x1282.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption>Foto: Alejandro Lopez.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma estrada no meio da selva<\/h2>\n\n\n\n<p>O Tipnis \u00e9 um territ\u00f3rio fant\u00e1stico cheio de biodiversidade. Cobre 13.722 quil\u00f4metros quadrados e 63 comunidades, cada liderada por um corregedor ou autoridade ind\u00edgena m\u00e1xima. <strong>Ao sul, sofre com o desmatamento devido \u00e0 incurs\u00e3o dos produtores de coca dos tr\u00f3picos de Cochabamba<\/strong>, o ber\u00e7o pol\u00edtico de Evo Morales, raz\u00e3o pela qual sua lideran\u00e7a est\u00e1 alinhada com o partido do governo, o Movimento ao Socialismo (MAS).<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Esta luta j\u00e1 dura oito anos e deixou um rastro de sofrimento.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>No centro do Tipnis e em parte do norte, a lideran\u00e7a pr\u00f3-MAS foi consolidada, mas ainda h\u00e1 comunidades que mant\u00eam sua resist\u00eancia e oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 estrada. Esta luta j\u00e1 dura oito anos e deixou um rastro de sofrimento. Um dos epis\u00f3dios mais dolorosos ocorreu durante a Oitava Marcha Ind\u00edgena at\u00e9 a sede do governo, quando <strong>mais de 100 ind\u00edgenas foram brutalmente <a href=\"https:\/\/www.eldeber.com.bo\/bolivia\/A-7-anos-de-Chaparina-indigenas-haran-un-acto-de-desagravio-20180925-7309.html\">reprimidos<\/a> e amorda\u00e7ados pelas for\u00e7as policiais em uma \u00e1rea conhecida como Chaparina, entre Beni e La Paz.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Fernando Vargas Mosua foi o l\u00edder dessa marcha. Ele baixa seu olhar quando perguntado sobre aquele dia de 25 de setembro de 2011. Ele diz que d\u00f3i lembrar. <strong>Hoje, este l\u00edder ind\u00edgena n\u00e3o tem emprego, ele diz que \u00e9 rejeitado porque h\u00e1 press\u00e3o do governo. Al\u00e9m disso, sofreu o sequestro de uma de suas filhas e teve que deixar o lugar onde morava.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Acho que a luta n\u00e3o foi em v\u00e3o, mas agora n\u00e3o sabemos o que vai acontecer&#8221;<\/p><cite>Fernando Vargas Mosua.<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Seus dias s\u00e3o dif\u00edceis, mas ele n\u00e3o desiste. &#8220;Acho que a luta n\u00e3o foi em v\u00e3o, mas agora n\u00e3o sabemos o que vai acontecer&#8221;, diz ele com uma pitada de amargura e esperan\u00e7a em sua voz. Ele vive em Trinidad, a capital de Beni, em um modesto quarto cujas paredes improvisadas s\u00e3o feitas de chapas de zinco. No interior, h\u00e1 tr\u00eas camas e uma pequena cozinha. <strong>A casa pertence a seu irm\u00e3o, que teve que acolh\u00ea-lo e proteg\u00ea-lo das amea\u00e7as e ass\u00e9dios que ele sofre.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1709\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Beni_Project_-105-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4401\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211654\/Beni_Project_-105-scaled.jpg 2560w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211654\/Beni_Project_-105-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211654\/Beni_Project_-105-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211654\/Beni_Project_-105-768x513.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211654\/Beni_Project_-105-1536x1026.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211654\/Beni_Project_-105-2048x1367.jpg 2048w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211654\/Beni_Project_-105-150x100.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211654\/Beni_Project_-105-696x465.jpg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211654\/Beni_Project_-105-1068x713.jpg 1068w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211654\/Beni_Project_-105-1920x1282.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption><em>Foto: Alejandro L\u00f3pez.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>A defesa do Tipnis remonta a 1990.<\/strong> Os povos ind\u00edgenas das terras baixas bolivianas iniciaram a primeira mobiliza\u00e7\u00e3o ind\u00edgena chamada Marcha pelo Territ\u00f3rio e a Dignidade. Este protesto, que come\u00e7ou em Trinidad e depois de um m\u00eas de caminhada terminou em La Paz, significou um <strong>marco hist\u00f3rico porque conseguiu o reconhecimento estatal, que oficializou a exist\u00eancia dos primeiros territ\u00f3rios ind\u00edgenas na Amaz\u00f4nia boliviana.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Marcial Fabricano Noe, um l\u00edder ind\u00edgena veterano que nasceu em Tipnis, foi um dos l\u00edderes da marcha. Agora, 29 anos depois de liderar a coluna de nativos da Amaz\u00f4nia e conseguir a denomina\u00e7\u00e3o de Terra Comunit\u00e1ria de Origem (TCO) para o Tipnis (t\u00edtulo que protege a reserva ecol\u00f3gica e seus usos e costumes ind\u00edgenas), ele reflete sobre a situa\u00e7\u00e3o do que ele chama de sua &#8220;casa grande&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>em governos que n\u00e3o tinham o r\u00f3tulo de ind\u00edgenas, como o atual de Evo Morales, os ind\u00edgenas eram mais ouvidos e respeitados.<\/p><cite>Marcial Fabricano Noe.<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Sua conclus\u00e3o \u00e9 contundente: em governos que n\u00e3o tinham o r\u00f3tulo de ind\u00edgenas, como o atual de Evo Morales, os ind\u00edgenas eram mais ouvidos e respeitados.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8220;O atual governo tem dificultado todo o progresso que temos feito para ter nosso pr\u00f3prio espa\u00e7o e igualdade de direitos como cidad\u00e3os bolivianos&#8221;<\/strong>, salienta.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/prismic-io.s3.amazonaws.com\/opendataiii%2F5806ad37-e45f-468c-b0d8-00cc30dcff19_4.jpg\" alt=\"\"\/><figcaption><em>Foto: Alejandro L\u00f3pez.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>O l\u00edder agora sofre uma s\u00e9rie de amea\u00e7as. Ele n\u00e3o consegue arrumar emprego, foi perseguido pelas autoridades do MAS em Beni e sua fam\u00edlia recebeu avisos de pessoas an\u00f4nimas.<\/strong> Mesmo assim, ele continua lutando por seu territ\u00f3rio. Em 2009, outros ind\u00edgenas que apoiam o partido governista o detiveram e chicotearam, argumentando que foi uma medida corretiva no \u00e2mbito da justi\u00e7a comunit\u00e1ria, que \u00e9 garantida pela Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A repress\u00e3o em Chaparina h\u00e1 oito anos foi a maior crise pol\u00edtica dos 13 anos de Morales no poder.<\/strong> O aparato governamental teve que realizar uma campanha de m\u00eddia para contrariar o impacto na opini\u00e3o p\u00fablica da brutal interven\u00e7\u00e3o policial que buscava dissolver a mobiliza\u00e7\u00e3o de cerca de 1.500 ind\u00edgenas que, seguindo a mesma rota da hist\u00f3rica primeira marcha em 1990, caminhavam para La Paz para demonstrar sua rejei\u00e7\u00e3o \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da estrada que dividiria seu territ\u00f3rio ancestral em duas partes.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>em agosto de 2017, o Presidente Morales promulgou outra lei, a <a href=\"https:\/\/www.eldeber.com.bo\/bolivia\/Senado-aprueba-proyecto-de-ley-que-le-quita-intangibilidad-al-Tipnis-20170808-0055.html\">Lei 266<\/a>, que eliminou a condi\u00e7\u00e3o de intangibilidade e reabriu a porta para a estrada.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>Essa marcha levou \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o da <a href=\"https:\/\/cedib.org\/post_type_leyes\/decreto-reglamentario-de-la-ley-180-de-intangibilidad-del-tipnis\/\">Lei 180<\/a>, que declarou o Tipnis intang\u00edvel e impediu, pelo menos temporariamente, a constru\u00e7\u00e3o da estrada atrav\u00e9s do cora\u00e7\u00e3o do parque natural. <\/strong>Entretanto, em agosto de 2017, o Presidente Morales promulgou outra lei, a <a href=\"https:\/\/www.eldeber.com.bo\/bolivia\/Senado-aprueba-proyecto-de-ley-que-le-quita-intangibilidad-al-Tipnis-20170808-0055.html\">Lei 266<\/a>, que eliminou a condi\u00e7\u00e3o de intangibilidade e reabriu a porta para a estrada.<\/p>\n\n\n\n<p>Por enquanto, no entanto, o projeto est\u00e1 paralisado. A <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">Administra\u00e7\u00e3o Rodovi\u00e1ria Boliviana (ABC)<\/span>, que depende do Minist\u00e9rio de Obras P\u00fablicas, diz n\u00e3o ter inten\u00e7\u00e3o de continuar com sua constru\u00e7\u00e3o, que ainda tem um de seus trechos pendentes. &#8220;Por enquanto, estamos no est\u00e1gio zero, ainda n\u00e3o come\u00e7amos a construir nada. Essa \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o real&#8221;, disse seu presidente Luis Sanchez.<\/p>\n\n\n\n<p>Em qualquer caso, <strong>dois trechos est\u00e3o quase prontos<\/strong>. No primeiro est\u00e3o as bases de cultivo de coca de Evo Morales, onde os estranhos que entram s\u00e3o rigorosamente vigiados. No terceiro trecho, operava a c<span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">onstrutora brasileira OAS.<\/span><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1709\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Beni_Project_-28-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4402\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211652\/Beni_Project_-28-scaled.jpg 2560w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211652\/Beni_Project_-28-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211652\/Beni_Project_-28-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211652\/Beni_Project_-28-768x513.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211652\/Beni_Project_-28-1536x1026.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211652\/Beni_Project_-28-2048x1367.jpg 2048w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211652\/Beni_Project_-28-150x100.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211652\/Beni_Project_-28-696x465.jpg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211652\/Beni_Project_-28-1068x713.jpg 1068w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211652\/Beni_Project_-28-1920x1282.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption>Foto: Alejandro L\u00f3pez.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O Minist\u00e9rio do Meio Ambiente e \u00c1guas descartou os planos de persegui\u00e7\u00e3o contra os l\u00edderes do Tipnis. O Ministro <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">Carlos Ortu\u00f1o<\/span> diz que, pelo contr\u00e1rio, existem planos de desenvolvimento para os habitantes da reserva natural. <strong>&#8220;N\u00e3o h\u00e1 persegui\u00e7\u00e3o de nenhum tipo. O governo est\u00e1 trabalhando para que em Tipnis haja progresso&#8221;<\/strong>, disse ele ap\u00f3s ser contatado pelo El Deber.<\/p>\n\n\n\n<p>Ortu\u00f1o cita, por exemplo, que no parque existem projetos para <strong>centros de processamento de cacau, curtumes comunit\u00e1rios para o manejo de couro de lagarto no \u00e2mbito do Programa Nacional de Lagartos, e carpintaria, acrescentando que o fornecimento de \u00e1gua pot\u00e1vel \u00e9 uma prioridade.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A comunidade contra a estrada<\/h2>\n\n\n\n<p>Trinidacito \u00e9 a comunidade de Tipnis que mais resiste ao governo Morales. Nesta comunidade, ao norte da \u00e1rea protegida, <strong>a aten\u00e7\u00e3o do Estado n\u00e3o chega a eles e os habitantes vivem em condi\u00e7\u00f5es muito prec\u00e1rias e em meio \u00e0 pobreza.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery alignfull columns-3 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1709\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Beni_Project_-44-scaled.jpg\" alt=\"\" data-id=\"4404\" data-full-url=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Beni_Project_-44-scaled.jpg\" data-link=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/es\/index.php\/2019\/04\/23\/el-tipnis-y-el-madidi-las-heridas-que-sangran-en-el-rostro-indigena-de-bolivia\/beni_project_-44\/\" class=\"wp-image-4404\" 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A educa\u00e7\u00e3o s\u00f3 atinge o n\u00edvel prim\u00e1rio, quando h\u00e1 um professor. Os cuidados da sa\u00fade s\u00e3o inexistentes.<\/strong> N\u00e3o h\u00e1 m\u00e9dicos ou rem\u00e9dios. As casas s\u00e3o r\u00fasticas e o \u00fanico acesso \u00e0 \u00e1rea \u00e9 a p\u00e9 e de avi\u00e3o, a um custo de 600 d\u00f3lares, o que \u00e9 quase imposs\u00edvel de pagar para os moradores. Para se locomover, eles t\u00eam que caminhar por dias para fazer neg\u00f3cios em outras cidades. Na esta\u00e7\u00e3o chuvosa, os rios Isiboro e S\u00e9cure tornam-se seu principal meio de conex\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Marquesa Teco \u00e9 uma l\u00edder da Sub-Central de Mulheres de Tipnis. <strong>Ela lamenta que em Trinidacito n\u00e3o haja presen\u00e7a do Estado, simplesmente porque seus habitantes exigem a preserva\u00e7\u00e3o de seu territ\u00f3rio.<\/strong> Ela sofreu ataques em Trinidad, onde teve que se mudar porque seus filhos n\u00e3o podiam ter acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o em solo ind\u00edgena. Sua fam\u00edlia tamb\u00e9m \u00e9 v\u00edtima de amea\u00e7as. Teco \u00e9 vista como uma advers\u00e1ria pol\u00edtica, raz\u00e3o pela qual ningu\u00e9m quer empregar ela ou seus entes queridos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Meu marido partiu ap\u00f3s o g\u00e1s lacrimog\u00eaneo e a repress\u00e3o. As crian\u00e7as sofreram muito e houve abortos espont\u00e2neos por causa da gaseifica\u00e7\u00e3o. <strong>Amarraram as m\u00e3os de meu marido e o enviaram em um carro sem saber para onde ele ia. At\u00e9 hoje n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m para culpar&#8221;<\/strong>, reprova Teco.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1709\" height=\"2560\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Beni_Project_-2-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4413\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211618\/Beni_Project_-2-scaled.jpg 1709w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211618\/Beni_Project_-2-200x300.jpg 200w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211618\/Beni_Project_-2-684x1024.jpg 684w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211618\/Beni_Project_-2-768x1150.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211618\/Beni_Project_-2-1026x1536.jpg 1026w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211618\/Beni_Project_-2-1367x2048.jpg 1367w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211618\/Beni_Project_-2-150x225.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211618\/Beni_Project_-2-300x449.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211618\/Beni_Project_-2-696x1042.jpg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211618\/Beni_Project_-2-1068x1600.jpg 1068w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211618\/Beni_Project_-2-1920x2876.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 1709px) 100vw, 1709px\" \/><figcaption>Foto: Alejandro L\u00f3pez.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Estas vers\u00f5es t\u00eam sua contraparte. <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">Ramona Moye Camaconi<\/span> \u00e9 uma congressista eleita pelo partido de Evo. Ela \u00e9 uma mulher ind\u00edgena que vem de Tipnis e rejeita as posi\u00e7\u00f5es de seus detratores.<strong> Como legisladora, ela diz que luta pelo progresso de sua regi\u00e3o e nega que os l\u00edderes sofram qualquer tipo de persegui\u00e7\u00e3o por parte do governo.<\/strong> Moye \u00e9 clara sobre sua posi\u00e7\u00e3o e aplaude que a intangibilidade de Tipnis tenha sido eliminada, atrav\u00e9s da lei aprovada em 2017.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os habitantes de certas comunidades que vivem neste territ\u00f3rio tiveram acesso a moradia, sa\u00fade, telecentros, centros esportivos e projetos para unidades educacionais. Agora a quest\u00e3o da estrada est\u00e1 pendente, o que tamb\u00e9m \u00e9 um pedido do povo. N\u00e3o h\u00e1 persegui\u00e7\u00e3o de qualquer tipo. Al\u00e9m disso, os l\u00edderes que se opuseram \u00e0 estrada est\u00e3o agora falando com a m\u00eddia e alguns est\u00e3o coordenando com organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais&#8221;, disse ela.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema de Tipnis, que \u00e9 o lar dos povos ind\u00edgenas yuracar\u00e9, tchim\u00e1n e mojo trinitarios, tamb\u00e9m tocou outros l\u00edderes como Benigno Noza, F\u00e9lix Cayuba, Roberto Noza, Carmen Guasebe e Catalina Moy, que denunciam amea\u00e7as por se oporem \u00e0 estrada.<\/p>\n\n\n\n<p>Para <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">Pablo Sol\u00f3n<\/span>, que foi embaixador de Evo nas Na\u00e7\u00f5es Unidas e <a href=\"http:\/\/eju.tv\/2011\/06\/soln-confirma-que-present-su-renuncia-como-embajador-de-bolivia-en-la-onu\/\">se afastou<\/a> de seu governo por causa da repress\u00e3o policial sofrida pelos ind\u00edgenas que defendiam Tipnis, \u00e9 necess\u00e1rio entender a hist\u00f3ria da regi\u00e3o para enfrentar seus problemas.<\/p>\n\n\n\n<p>Duas d\u00e9cadas ap\u00f3s a primeira marcha, explica, o governo Morales concedeu ao povo ind\u00edgena de Tipnis o t\u00edtulo coletivo a seu territ\u00f3rio, mas apenas por 1.091.656 hectares. Pouco antes, em 2009, os cultivadores de coca tinham entrado no parque nacional e territ\u00f3rio ind\u00edgena, ocupando o que hoje \u00e9 conhecido como Pol\u00edgono 7, <strong>uma \u00e1rea onde os forasteiros est\u00e3o proibidos de entrar sem autoriza\u00e7\u00e3o desses colonizadores cujas organiza\u00e7\u00f5es sociais s\u00e3o filiadas ao partido MAS.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery alignfull columns-3 is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"684\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Beni_Project_-24-1024x684.jpg\" alt=\"\" data-id=\"4430\" data-full-url=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Beni_Project_-24-scaled.jpg\" 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\/><\/figure><\/li><\/ul><figcaption class=\"blocks-gallery-caption\">Fotos: Alejandro L\u00f3pez.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Soma-se a isso a imensa riqueza natural do parque que, segundo Sol\u00f3n, abriga 858 esp\u00e9cies de vertebrados, incluindo 470 aves, 108 mam\u00edferos, 39 r\u00e9pteis, 53 anf\u00edbios e 188 peixes, al\u00e9m de cerca de 2.500 esp\u00e9cies vegetais n\u00e3o registradas. <strong>Esta biodiversidade \u00e9 explicada pela grande variedade de ecossistemas em uma \u00e1rea que varia de florestas tropicais a 180 metros acima do n\u00edvel do mar a altas montanhas acima de 3.000 metros, que tamb\u00e9m tem a maior precipita\u00e7\u00e3o pluviom\u00e9trica da Bol\u00edvia.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8220;\u00c9 um dos pulm\u00f5es de oxig\u00eanio e uma das mais importantes bombas de \u00e1gua do pa\u00eds&#8221;<\/strong>, diz S\u00f3lon, lembrando que o naturalista franc\u00eas Alcide D&#8217;Orbigny o proclamou &#8220;a mais bela floresta do mundo&#8221; ap\u00f3s sua viagem entre <a href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/bifea\/6110\">1830 e 1833<\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Ele n\u00e3o v\u00ea frutos para os povos ind\u00edgenas da reserva natural e, em vez disso, acredita que s\u00f3 beneficiaria os colonizadores em uma \u00e1rea onde a maior parte da folha de coca \u00e9 destinada ao tr\u00e1fico de drogas.<\/p><cite>Pablo Sol\u00f3n.<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>S\u00f3lon fala da estrada como a &#8220;estrada amaldi\u00e7oada&#8221;. Ele n\u00e3o v\u00ea frutos para os povos ind\u00edgenas da reserva natural e, em vez disso, acredita que s\u00f3 beneficiaria os colonizadores em uma \u00e1rea onde a maior parte da folha de coca \u00e9 destinada ao tr\u00e1fico de drogas.<\/p>\n\n\n\n<p>O l\u00edder tacana Adolfo Ch\u00e1vez, que <a href=\"https:\/\/www.eldeber.com.bo\/bolivia\/Adolfo-Chavez-no-volvera-al-pais-y-le-buscan-refugio-20151216-58761.html\">se refugiou no Equador<\/a> ap\u00f3s declarar-se perseguido pol\u00edtico pelo governo de Evo, compartilha um ditado popular de seu povo que, diz, se encaixa perfeitamente em sua rela\u00e7\u00e3o com o governo: &#8220;quando o tigre come o c\u00e3o, ele est\u00e1 perto de atacar seu pr\u00f3prio dono&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ele, o tigre est\u00e1 comendo o dono de Tipnis. <strong>&#8220;Evo Morales \u00e9 contra os l\u00edderes, homens e mulheres, da bacia amaz\u00f4nica, porque o que ele fez em Chaparina com as crian\u00e7as, os jovens e idosos n\u00e3o \u00e9 inesquec\u00edvel&#8221;.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tipnis, que os ind\u00edgenas chamam de &#8220;a casa grande&#8221;, \u00e9 agora uma palavra que evoca um esp\u00edrito de resist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1709\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Beni_Project_-58-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4424\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211603\/Beni_Project_-58-scaled.jpg 2560w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211603\/Beni_Project_-58-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211603\/Beni_Project_-58-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211603\/Beni_Project_-58-768x513.jpg 768w, 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destrui\u00e7\u00e3o; o governo de Evo Morales, como uma prioridade para <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=UnMyczY526g\">transformar<\/a> a Bol\u00edvia no &#8220;cora\u00e7\u00e3o energ\u00e9tico da Am\u00e9rica do Sul&#8221;.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Domingo Ocampo, um ind\u00edgena moset\u00e9n, faz parte &#8220;deles&#8221;, aqueles que est\u00e3o resistindo \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de duas grandes hidrel\u00e9tricas em El Bala e Chepete.<\/p>\n\n\n\n<p>Eles, aqueles que fazem parte dessa resist\u00eancia, s\u00e3o mosetenes, chimanes, esse ejas, lecos, tacanas e uchupiamonas, povos ind\u00edgenas milenares que viveram &#8220;desde sempre&#8221; em <a href=\"http:\/\/identidadmadidi.org\/es-es\/MADIDI\/GENERAL-INFORMATION.aspx\">Madidi, uma \u00e1rea protegida<\/a> considerada <a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/es\/2018\/05\/22\/madidi-bolivia-diversidad\/\">a mais biodiversa do mundo<\/a>, e com a qual a Bol\u00edvia &#8220;orgulhou-se&#8221; no ano passado, ap\u00f3s <strong>uma <a href=\"https:\/\/www.efe.com\/efe\/america\/sociedad\/una-expedicion-confirma-que-la-mayor-biodiversidad-del-mundo-esta-en-bolivia\/20000013-3623136\">expedi\u00e7\u00e3o de cientistas<\/a> ter encontrado pelo menos 124 esp\u00e9cies de animais e plantas consideradas novas para a ci\u00eancia.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Se n\u00e3o o fizermos, o que deixaremos para nossos filhos e para os filhos de nossos filhos?&#8221;<\/p><cite>Domingo Ocampo.<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ocampo acredita que defender<a href=\"http:\/\/sernap.gob.bo\/madidi\/\">&nbsp;Madidi<\/a>&nbsp; do avan\u00e7o das hidrel\u00e9tricas \u00e9 uma quest\u00e3o de vida, mesmo que depois de dois anos e meio de luta isso tenha significado colocar sua pr\u00f3pria vida em risco. &#8220;Se n\u00e3o o fizermos, o que deixaremos para nossos filhos e para os filhos de nossos filhos?&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1709\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Beni_Project_-64-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4504\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211506\/Beni_Project_-64-scaled.jpg 2560w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211506\/Beni_Project_-64-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211506\/Beni_Project_-64-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211506\/Beni_Project_-64-768x513.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211506\/Beni_Project_-64-1536x1026.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211506\/Beni_Project_-64-2048x1367.jpg 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n\u00e3o pudessem passar&#8221;, diz este l\u00edder da comunidade Torewa, no noroeste do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>As embarca\u00e7\u00f5es que bloquearam pertenciam a uma empresa subcontratada pela consultoria italiana Geodata, \u00e0 qual foi adjudicado o contrato para os <a href=\"https:\/\/www.ende.bo\/noticia\/noticia\/57\">estudos de identifica\u00e7\u00e3o<\/a> para a constru\u00e7\u00e3o das barragens hidrel\u00e9tricas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1709\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Beni_Project_-1-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4414\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211616\/Beni_Project_-1-scaled.jpg 2560w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211616\/Beni_Project_-1-300x200.jpg 300w, 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\/><figcaption>Foto: Alejandro L\u00f3pez.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>As barragens El Bala e Chepete s\u00e3o centrais no plano de Evo de exportar eletricidade para pa\u00edses vizinhos como Brasil e Argentina, para o qual se pretende atingir uma capacidade instalada de 10.000 megawatts (MW) em v\u00e1rias barragens hidrel\u00e9tricas em todo o pa\u00eds. <\/strong>\u00c9 por isso que Morales as declarou de interesse nacional em 2007 e, oito anos depois, <a href=\"https:\/\/www.americaeconomia.com\/negocios-industrias\/proyecto-hidroelectrico-en-bolivia-tendria-un-costo-de-us7000-millones\">anunciou<\/a> um investimento de 7 milh\u00f5es de d\u00f3lares para torn\u00e1-las uma realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Atingir esse objetivo significaria multiplicar por cinco a capacidade hidroel\u00e9trica atual. A <a href=\"https:\/\/fundacionsolon.org\/2019\/02\/26\/estado-de-situacion-de-las-megahidroelectricas-en-bolivia\/\">Funda\u00e7\u00e3o Sol\u00f3n<\/a>, fundada pelo ex-diplomata Pablo Sol\u00f3n e especializada no estudo de barragens hidrel\u00e9tricas, questiona: &#8220;As barragens n\u00e3o representariam sequer 2% da energia instalada na Am\u00e9rica do Sul, portanto a frase &#8216;Bol\u00edvia, cora\u00e7\u00e3o energ\u00e9tico da Am\u00e9rica do Sul&#8217;, com a qual o governo inaugurou seu terceiro mandato, \u00e9 um slogan sem qualquer base na realidade&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Como este objetivo do governo afeta os povos ind\u00edgenas de Madidi?&nbsp; <strong>J\u00e1 que os projetos El Bala e Chepete inundariam pelo menos 771 km2 de seu territ\u00f3rio, eles sentem que o <a href=\"http:\/\/identidadmadidi.org\/es-es\/MADIDI\/GENERAL-INFORMATION.aspx\">parque nacional mais biodiverso do mundo<\/a>, bem como a \u00e1rea protegida vizinha da Reserva da Biosfera e Terra Comunit\u00e1ria de Origem Pil\u00f3n Lajas, est\u00e3o em perigo iminente de desaparecimento e deslocamento.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>O problema \u00e9 que os processos administrativos e de explora\u00e7\u00e3o come\u00e7aram sem sequer levar em conta os povos ancestrais que ali vivem.<\/p><cite>Domingo Ocampo.<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O problema, diz Domingo, \u00e9 que os processos administrativos e de explora\u00e7\u00e3o come\u00e7aram sem sequer levar em conta os povos ancestrais que ali vivem. Isso significa que <strong>o mandato da Constitui\u00e7\u00e3o foi violado, que garante, no <a href=\"https:\/\/www.oep.org.bo\/consultaprevia\/marco-legal\/\">artigo 30<\/a>, o &#8220;direito \u00e0 consulta pr\u00e9via obrigat\u00f3ria, realizada pelo Estado, de boa f\u00e9 e de acordo&#8221;, tamb\u00e9m consagrado na Conven\u00e7\u00e3o 169 da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho das Na\u00e7\u00f5es Unidas, que a Bol\u00edvia assinou.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, no <a href=\"https:\/\/www.oep.org.bo\/consultaprevia\/marco-legal\/\">artigo 352<\/a>, a Carta Magna da Bol\u00edvia afirma que &#8220;a explora\u00e7\u00e3o dos recursos naturais de um determinado territ\u00f3rio estar\u00e1 sujeita a um processo de consulta com a popula\u00e7\u00e3o afetada, convocado pelo Estado, que ser\u00e1 livre, pr\u00e9vio e informado. A participa\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os no processo de gest\u00e3o ambiental \u00e9 garantida e a conserva\u00e7\u00e3o dos ecossistemas ser\u00e1 promovida, de acordo com a Constitui\u00e7\u00e3o e a lei. Nas na\u00e7\u00f5es e povos ind\u00edgenas origin\u00e1rios camponeses, a consulta deve ocorrer de acordo com suas pr\u00f3prias regras e procedimentos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Pedir que a lei fosse respeitada coloca-os na vanguarda da oposi\u00e7\u00e3o a um governo tamb\u00e9m liderado por um homem ind\u00edgena. Este \u00e9 o aspecto que mais os incomoda.&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Pedir que a lei fosse respeitada coloca-os na vanguarda da oposi\u00e7\u00e3o a um governo tamb\u00e9m liderado por um homem ind\u00edgena. Este \u00e9 o aspecto que mais os incomoda.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Alex Villca Limaco concorda, ele \u00e9 um dos jovens l\u00edderes ind\u00edgenas mais ativos que est\u00e1 para o que der ou vier em defesa de seu territ\u00f3rio. Ele foi um dos que encorajaram o quase septuagen\u00e1rio Domingo a n\u00e3o baixar sua guarda. Naquela \u00e9poca, Domingo estava cansado de lutar com Golias, de que seus pr\u00f3prios irm\u00e3os fossem &#8220;cooptados&#8221; em troca de obras. <strong>Da Comunidade Camponesa Torewa, da qual ele \u00e9 secret\u00e1rio geral, foi criada uma organiza\u00e7\u00e3o paralela com colonos simpatizantes do partido pol\u00edtico de Morales, que recebiam os t\u00edtulos das terras, transformando os torewas origin\u00e1rios em inquilinos em suas pr\u00f3prias terras.<\/strong> Domingo se cansou disso. Foi chamado de divisionista e diziam que ele se opunha ao progresso de seu povo. Domingo se cansou disso. Ele foi defenestrado nas redes sociais,<strong> entre outros m\u00e9todos de dissuas\u00e3o que, denunciam os l\u00edderes ind\u00edgenas, s\u00e3o usados por pessoas pr\u00f3ximas ao governo para dobr\u00e1-los. Domingo tinha se cansado disso.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Estas press\u00f5es se intensificaram depois que, em novembro de 2016, bloquearam o estreito de El Bala por dez dias e for\u00e7aram a empresa que conduzia os estudos a se retirar.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1709\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Beni_Project_-23-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4433\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211549\/Beni_Project_-23-scaled.jpg 2560w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211549\/Beni_Project_-23-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211549\/Beni_Project_-23-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211549\/Beni_Project_-23-768x513.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211549\/Beni_Project_-23-1536x1026.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211549\/Beni_Project_-23-2048x1367.jpg 2048w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211549\/Beni_Project_-23-150x100.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211549\/Beni_Project_-23-696x465.jpg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211549\/Beni_Project_-23-1068x713.jpg 1068w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211549\/Beni_Project_-23-1920x1282.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption>Foto: Alejandro L\u00f3pez.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Alex \u00e9 da na\u00e7\u00e3o uchupiamona. Depois de trabalhar como guarda-parque em Madidi, formou-se em turismo na Universidade Maior de San Andr\u00e9s, em La Paz, e fez uma p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o na mesma \u00e1rea. Ele conhece o todo territ\u00f3rio que defende, bem como os custos socioambientais da constru\u00e7\u00e3o de hidrel\u00e9tricas.<\/p>\n\n\n\n<p>As amea\u00e7as tamb\u00e9m vieram de diferentes maneiras. Uma delas, por causa de sua forma\u00e7\u00e3o educacional. O ministro dos hidrocarbonetos, <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">Luis S\u00e1nchez<\/span>, <strong>negou sua identidade ind\u00edgena &#8220;por ter estudado na universidade e ter um empreendimento de ecoturismo&#8221;, denuncia.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De fato, segundo os arquivos da imprensa, o ministro S\u00e1nchez <a href=\"https:\/\/www.noticiasfides.com\/economia\/alex-villca-34se-nego-mi-condicion-de-indigena-por-ser-profesional-y-tener-actividad-ecoturistica-34-394063\">declarou<\/a> que &#8220;obviamente existem alguns porta-vozes, mas eles s\u00e3o porta-vozes das ONGs, porque no outro dia saiu uma pessoa do jornal P\u00e1gina 7 que disse n\u00e3o ao Bala, mas segundo coment\u00e1rios dos mesmos companheiros ind\u00edgenas, ele era um dos que tinham uma empresa de turismo importante e \u00e9 por isso que ele falava estas coisas e tamb\u00e9m que ele tinha um mestrado em uma universidade em La Paz. Portanto, ele n\u00e3o \u00e9 mais ind\u00edgena, ele j\u00e1 tem outra vis\u00e3o de obstruir os projetos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Os ataques n\u00e3o pararam. O jovem l\u00edder diz que os &#8220;porta-vozes&#8221; do governo tamb\u00e9m lhe enviaram amea\u00e7as, mesmo atrav\u00e9s de sua fam\u00edlia, para parar seu ativismo, caso contr\u00e1rio, fechariam seu neg\u00f3cio. <strong>Essas amea\u00e7as n\u00e3o foram concretizadas, mas isso n\u00e3o aconteceu no n\u00edvel digital.<\/strong> A cria\u00e7\u00e3o de perfis falsos nas redes sociais e a deslegitima\u00e7\u00e3o \u00e9 algo com que ela est\u00e1 constantemente lidando.<\/p>\n\n\n\n<p>O mesmo aconteceu com outra de suas companheiras de luta, a ind\u00edgena uchupiamona Ruth Alipaz.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ela, que tamb\u00e9m conseguiu se formar em administra\u00e7\u00e3o de empresas na Universidade Particular de Santa Cruz (UPSA) e promove um projeto de observa\u00e7\u00e3o de p\u00e1ssaros, os dardos come\u00e7aram a cair desde abril de 2018, quando <strong>ela denunciou perante a plen\u00e1ria do <a href=\"https:\/\/www.paginasiete.bo\/nacional\/2018\/4\/18\/nueva-york-indigenas-denuncian-al-gobierno-de-evo-por-poner-en-riesgo-su-existencia-177067.html\">F\u00f3rum Ind\u00edgena da ONU<\/a> que cerca de 51 comunidades ind\u00edgenas e camponesas da Bol\u00edvia perder\u00e3o suas terras ou ser\u00e3o afetadas se o governo Morales executar projetos hidrel\u00e9tricos.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>as mudan\u00e7as e impactos ambientais <a href=\"http:\/\/www.fan-bo.org\/wp-content\/files\/P-4_hidroelectricas_y_presas_2a.pdf\">das hidrel\u00e9tricas<\/a> podem ser irrevers\u00edveis.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O <a href=\"http:\/\/www.fan-bo.org\/atlas-socioambiental-de-las-tierras-bajas-y-yungas-de-bolivia\/\">Atlas Socioambiental<\/a> das Terras Baixas e Yungas da Bol\u00edvia, elaborado pela Funda\u00e7\u00e3o Amigos da Natureza (FAN), aponta que as mudan\u00e7as e impactos ambientais <a href=\"http:\/\/www.fan-bo.org\/wp-content\/files\/P-4_hidroelectricas_y_presas_2a.pdf\">das hidrel\u00e9tricas<\/a> podem ser irrevers\u00edveis. As \u00e1reas do rio abaixo das barragens a serem constru\u00eddas diminuiriam drasticamente seus fluxos, a biodiversidade aqu\u00e1tica diminuiria (quebrando o ciclo de reprodu\u00e7\u00e3o), afetando os p\u00e2ntanos vizinhos e a pesca de subsist\u00eancia dos povos nativos. Rio acima, as inunda\u00e7\u00f5es tenderiam a ser mais frequentes, e causariam maior eros\u00e3o e sedimenta\u00e7\u00e3o. <strong>A soma desses impactos causaria migra\u00e7\u00e3o e deslocamento de comunidades que dependem da flora e fauna da regi\u00e3o.<\/strong> A isto se somaria \u00e0 modifica\u00e7\u00e3o do clima local e \u00e0 perda de conectividade entre os rios de montanha e as plan\u00edcies.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1709\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Beni_Project_-62-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4434\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211545\/Beni_Project_-62-scaled.jpg 2560w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211545\/Beni_Project_-62-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211545\/Beni_Project_-62-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211545\/Beni_Project_-62-768x513.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211545\/Beni_Project_-62-1536x1026.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211545\/Beni_Project_-62-2048x1367.jpg 2048w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211545\/Beni_Project_-62-150x100.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211545\/Beni_Project_-62-696x465.jpg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211545\/Beni_Project_-62-1068x713.jpg 1068w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211545\/Beni_Project_-62-1920x1282.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption>Foto: Alejandro L\u00f3pez.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Segundo o ex-diplomata Pablo Sol\u00f3n, a barragem Chepete teria 677 quil\u00f4metros quadrados e a El Bala teria 94 quil\u00f4metros quadrados &#8211; uma \u00e1rea cinco vezes maior do que a \u00e1rea urbana da cidade de La Paz. <strong>No total, calcula Sol\u00f3n, 5.164 pessoas, na maioria ind\u00edgenas e camponeses, teriam que ser realocadas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;N\u00e3o vamos construir algo que signifique perda, pelo amor de Deus, nunca faremos, nunca construiremos instala\u00e7\u00f5es que signifiquem perda para o estado boliviano&#8221;<\/p><cite>Rafael Alarc\u00f3n.<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O Ministro da Energia, <span style=\"background-color:#374141\" class=\"td_text_highlight_marker\">Rafael Alarc\u00f3n<\/span>,<a href=\"http:\/\/lapatriaenlinea.com\/index2.php?t=ministro-advierte-que-estudio-a-disea-o-final-sera-diferente-al-de&#038;nota=319540\"> detalhou<\/a> em maio de 2018 que o projeto Chepete, de acordo com o estudo de pr\u00e9-viabilidade, era conveniente. O mesmo n\u00e3o aconteceu com El Bala, que tinha pre\u00e7os altos para o mercado na \u00e9poca. &#8220;H\u00e1 uma din\u00e2mica para isto. Portanto, estamos trabalhando com base na pr\u00e9-viabilidade (&#8230;). N\u00e3o vamos construir algo que signifique perda, pelo amor de Deus, nunca faremos, nunca construiremos instala\u00e7\u00f5es que signifiquem perda para o estado boliviano&#8221;, <a href=\"http:\/\/lapatriaenlinea.com\/index2.php?t=ministro-advierte-que-estudio-a-disea-o-final-sera-diferente-al-de&#038;nota=319540\">declarou<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o ministro, as vers\u00f5es dos detratores desses projetos s\u00e3o baseadas em documentos parciais e n\u00e3o no estudo final, cujo resultado ainda n\u00e3o \u00e9 conhecido. Segundo um <a href=\"https:\/\/fundacionsolon.org\/2019\/02\/26\/estado-de-situacion-de-las-megahidroelectricas-en-bolivia\/\">estudo da Funda\u00e7\u00e3o Sol\u00f3n<\/a> em fevereiro de 2019, El Bala e Chepete j\u00e1 possuem a seguinte documenta\u00e7\u00e3o: um estudo de identifica\u00e7\u00e3o que define sua localiza\u00e7\u00e3o (realizado pela consultoria italiana Geodata), arquivos ambientais e um estudo de projeto t\u00e9cnico de pr\u00e9-investimento que est\u00e1 sendo preparado.<\/p>\n\n\n\n<p>O jornal El Deber solicitou uma entrevista com Alarc\u00f3n para esta mat\u00e9ria, mas at\u00e9 o momento ele n\u00e3o tinha respondido ao pedido da imprensa.<\/p>\n\n\n\n<p>El Deber tamb\u00e9m procurou o vice-ministro de interculturalidade, Rodolfo Machaca, mas quando ele foi <a href=\"https:\/\/www.eldeber.com.bo\/bolivia\/Viceministro-es-denunciado-por-pensiones-y-renuncia-20190319-0084.html\">envolvido em um esc\u00e2ndalo<\/a> por pagamento de pens\u00f5es, recusou-se a responder ao pedido. Posteriormente ele se demitiu e esta pasta governamental continua, no momento da publica\u00e7\u00e3o desta mat\u00e9ria, sem algu\u00e9m no cargo. Tamb\u00e9m foi solicitada uma entrevista com o chanceler Diego Pary, um ind\u00edgena qu\u00e9chua, mas as perguntas enviadas \u00e0 \u00e1rea de comunica\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores sobre este caso e o caso Tipnis permanecem sem resposta.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Bol\u00edvia no ano 2025 &#8220;ser\u00e1 um pa\u00eds que produz e transforma alimentos, que produz e exporta eletricidade, aproveitando ao m\u00e1ximo seu potencial hidrel\u00e9trico&#8221;.<\/p><cite>Evo Morales.<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>No final de mar\u00e7o, o presidente Evo Morales, no programa da televis\u00e3o estatal O Povo \u00e9 Not\u00edcia, falou de seu plano de governo para 2020-2025, apesar de sua reelei\u00e7\u00e3o estar sendo resistida e descrita como ilegal. A Bol\u00edvia no ano 2025 &#8220;ser\u00e1 um pa\u00eds que produz e transforma alimentos, que produz e exporta eletricidade, aproveitando ao m\u00e1ximo seu potencial hidrel\u00e9trico&#8221;, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>A produ\u00e7\u00e3o de energia faz parte de sua &#8220;Agenda do Bicenten\u00e1rio&#8221;. Ele prev\u00ea que at\u00e9 2025 o pa\u00eds ter\u00e1 uma capacidade de produ\u00e7\u00e3o de 6.000 megawatts de eletricidade. <strong>&#8220;Propus 9.000 megawatts e alguns ministros disseram que eu estava louco, mas agora estamos perto desse objetivo (&#8230;); se nos deixarem construir a El Bala e Chepete n\u00f3s conseguiremos&#8221;<\/strong>, <a href=\"http:\/\/www.la-razon.com\/economia\/energia-bolivia-logro-generar-megavatios_0_3116688315.html\">salientou<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Evo tamb\u00e9m se referiu a viver em harmonia com a natureza, o foco das preocupa\u00e7\u00f5es de comunidades como as de Tipnis e Madidi. <strong>&#8220;\u00c9 obriga\u00e7\u00e3o do Estado garantir o pleno acesso do povo boliviano a esses servi\u00e7os em condi\u00e7\u00f5es equitativas e em equil\u00edbrio e harmonia com a M\u00e3e Terra&#8221;<\/strong>, disse.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A resist\u00eancia conseguiu para o projeto hidrel\u00e9trico, por enquanto.<\/strong> Mas h\u00e1 vozes que procuram continu\u00e1-lo, e \u00e9 por isso &#8211; para os moradores de Madidi &#8211; a defesa n\u00e3o para. O povo resistente n\u00e3o quer mais sangue no rosto ind\u00edgena da Bol\u00edvia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images.prismic.io\/opendataiii\/a3292f76c48f128cefc406391300c6dade5e824c_3.jpg?auto=compress,format\" alt=\"\"\/><figcaption>Foto: Alejandro L\u00f3pez.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\">***<\/h2>\n\n\n\n<p>Os ind\u00edgenas de Tipnis se op\u00f5em \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma estrada que iria atravessar seu territ\u00f3rio e, por causa dessa oposi\u00e7\u00e3o, acusam o Estado de abandono e persegui\u00e7\u00e3o de seus l\u00edderes. Assim como os de Madidi, eles se sentem duplamente feridos ao lutar contra Golias porque \u00e9 um &#8220;irm\u00e3o ind\u00edgena&#8221; que agora lidera o governo boliviano e n\u00e3o os escuta. Pelo contr\u00e1rio, ele os considera advers\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Fernando Vargas Mosua<\/h2>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">ELE SOFREU A REPRESS\u00c3O POLICIAL E O SEQUESTRO DE SUA FILHA.<\/h4>\n\n\n\n<figure><iframe loading=\"lazy\" width=\"480\" height=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ILlmqbeA4uk?feature=oembed\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Naquele 25 de setembro de 2011, Fernando Vargas estava liderando a marcha ind\u00edgena at\u00e9 La Paz para protestar contra a constru\u00e7\u00e3o de uma estrada no meio do Tipnis. Era um domingo e, enquanto desancava,&nbsp; sentiu golpes em seu corpo por parte dos policiais. <\/strong>Come\u00e7ou uma repress\u00e3o contra pelo menos 150 ind\u00edgenas que protegiam seu territ\u00f3rio. Eles o amarraram, bateram nele e depois o colocaram em um \u00f4nibus para um destino desconhecido, um destino semelhante ao de outros l\u00edderes. Eles o deixaram em uma comunidade pr\u00f3xima e ele escapou, junto com outros povos ind\u00edgenas, para juntar-se \u00e0 marcha.<\/p>\n\n\n\n<p>Os tristes epis\u00f3dios continuaram ap\u00f3s a marcha de 64 dias, que conseguiu paralisar o projeto rodovi\u00e1rio. <strong>Ele recebeu amea\u00e7as de morte, sofreu tentativas de atropelamento nas ruas de Trinidad, tentaram suborn\u00e1-lo e, pior de tudo, uma de suas filhas foi sequestrada.<\/strong> Isso foi em 2015 e ele derrama l\u00e1grimas enquanto lembra esse momento. Foi a prova mais dif\u00edcil que o levou at\u00e9 a deixar seu local de resid\u00eancia. <strong>Tr\u00eas dias depois devolveram sua filha de 13 anos com sinais de tortura e com mensagens de amea\u00e7as para ele: ele deveria abandonar o movimento ind\u00edgena.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;N\u00f3s defendemos o meio ambiente porque \u00e9 isso que a Constitui\u00e7\u00e3o determina, porque \u00e9 nosso habitat. Nosso territ\u00f3rio \u00e9 nossa casa grande&#8221;<\/p><cite>Fernando Vargas Mosua.<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>&#8220;Eu n\u00e3o posso trabalhar. Deram-me morte civil. Em todo lugar eles veem quem eu sou e me dizem que lamentam e que n\u00e3o podem me receber por medo do governo. <\/strong>N\u00f3s defendemos o meio ambiente porque \u00e9 isso que a Constitui\u00e7\u00e3o determina, porque \u00e9 nosso habitat. Nosso territ\u00f3rio \u00e9 nossa casa grande&#8221;, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>De Trinidad ele partiu para Santa Cruz em busca de uma vida melhor. Pouco tempo depois, o propriet\u00e1rio da f\u00e1brica onde trabalhava o demitiu devido \u00e0 press\u00e3o do governo. &#8220;Eles descobriram que eu estava trabalhando em Santa Cruz e o propriet\u00e1rio me disse que eu tinha que deixar o trabalho, que a decis\u00e3o n\u00e3o era dele, mas que funcion\u00e1rios do governo foram ao seu escrit\u00f3rio para dizer-lhe que perderiam contratos com o Estado se ele me continuava dando emprego&#8221;, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele retornou a Trinidad para a casa de um parente, onde montou um dormit\u00f3rio prec\u00e1rio. Ele vive seus dias procurando trabalho, mas ao mesmo tempo est\u00e1 estudando direito. Ele diz que n\u00e3o vai desistir da resist\u00eancia e que, n\u00e3o importa quantas mensagens lhe enviem com propinas, ele n\u00e3o vai aceit\u00e1-los.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Marcial Fabricano Noe<\/h2>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">SOFREU O FLAGELO DE SEU POVO E A PERSEGUI\u00c7\u00c3O POL\u00cdTICA<\/h4>\n\n\n\n<figure><iframe loading=\"lazy\" width=\"480\" height=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/uAI8HZSpPYo?feature=oembed\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe><\/figure>\n\n\n\n<p>Ele \u00e9 um veterano l\u00edder ind\u00edgena mojo trinit\u00e1rio que n\u00e3o se cansa de resistir. <strong>Liderou a primeira marcha ind\u00edgena de terras baixas na Bol\u00edvia em 1990.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sereno e com uma voz firme, Fabricano n\u00e3o deixa de mencionar Deus em suas declara\u00e7\u00f5es. Ele \u00e9 um crente e diz que o Senhor o acompanha nesta luta, que data de anos atr\u00e1s. O que mais o magoa \u00e9 ter sido atacado pelo governo de um presidente ind\u00edgena, como Evo Morales. <strong>Depois de lidar com muitos l\u00edderes de direita e neoliberais, Fabricano diz que alcan\u00e7ou mais acordos com eles do que com o atual chefe de Estado boliviano.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1709\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Beni_Project_-16-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4437\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211542\/Beni_Project_-16-scaled.jpg 2560w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211542\/Beni_Project_-16-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211542\/Beni_Project_-16-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211542\/Beni_Project_-16-768x513.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211542\/Beni_Project_-16-1536x1026.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211542\/Beni_Project_-16-2048x1367.jpg 2048w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211542\/Beni_Project_-16-150x100.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211542\/Beni_Project_-16-696x465.jpg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211542\/Beni_Project_-16-1068x713.jpg 1068w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211542\/Beni_Project_-16-1920x1282.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption>Foto: Alejandro L\u00f3pez.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Ele tem passado por momentos dif\u00edceis nos \u00faltimos dez anos. <strong>A persegui\u00e7\u00e3o que sofre o impede de encontrar um emprego. Vive da agricultura e de palestras que d\u00e1 nas universidades. Ele tem sofrido amea\u00e7as de morte e insultos nas ruas.<\/strong> Ele garante que aqueles que o chamam ou o atacam est\u00e3o ligados a Morales. Ele conheceu o presidente boliviano em 1990 quando era l\u00edder dos produtores de coca e Fabricano defendia seu territ\u00f3rio dos colonos camponeses que queriam entrar nele. <strong>Ele assinou um acordo com Morales delimitando as entradas, mas no final &#8211; ele diz &#8211; o atual presidente boliviano n\u00e3o respeitou o que foi dito. Hoje, no sul de Tipnis, os colonos est\u00e3o cultivando folha de coca, que geralmente \u00e9 desviada para o neg\u00f3cio do tr\u00e1fico de drogas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 2009, quando ele sofreu o flagelo em sua pr\u00f3pria comunidade. O governo de Morales dividiu sua organiza\u00e7\u00e3o e a parte que apoiou o presidente boliviano o torturou com 38 chicotadas, por n\u00e3o se alinhar com as pol\u00edticas promovidas pelo partido governista.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Amea\u00e7aram-me para me calar. O mais grave foi em 2008 e 2009. Naquela \u00e9poca, eu sofri puni\u00e7\u00e3o, humilha\u00e7\u00e3o. Agora eu perdi minha vergonha e fui punido por meus pr\u00f3prios irm\u00e3os, meus pr\u00f3prios parentes. Em uma reuni\u00e3o, o governo usou nossa estrutura para me atacar e me fazer algo que n\u00e3o tem nome: <strong>eles me a\u00e7oitaram s\u00f3 por n\u00e3o estar do lado deles&#8221;<\/strong>, conta.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Marquesa Teco Moyoviri<\/h2>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">N\u00c3O CONSEGUE ARRUMAR EMPREGO DEVIDO A SUA RESIST\u00caNCIA<\/h4>\n\n\n\n<figure><iframe loading=\"lazy\" width=\"480\" height=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/nlulEX-K62Q?feature=oembed\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe><\/figure>\n\n\n\n<p>Ela \u00e9 uma especialista em artesanato. Faz chap\u00e9us de palha tecidos \u00e0 m\u00e3o. Ela sobrevive da renda desta ocupa\u00e7\u00e3o, embora admita que \u00e9 muito pouca para sustentar sua fam\u00edlia. <strong>Como ela, seu marido tamb\u00e9m n\u00e3o consegue arrumar um emprego, j\u00e1 que s\u00e3o ativistas na defesa de Tipnis. Marquesa diz que ela sofreu persegui\u00e7\u00e3o por parte de grupos que apoiam o governo de Evo e que eles at\u00e9 tentaram expuls\u00e1-la de sua sede, j\u00e1 que ela representa as mulheres da reserva ecol\u00f3gica.<\/strong> Ela tamb\u00e9m revela que o governo de Morales enviou representantes da Procuradoria a sua comunidade com a inten\u00e7\u00e3o de prend\u00ea-la, mas eles n\u00e3o conseguiram porque n\u00e3o a consideraram culpada.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Temos sofrido muito nesta luta por defender nossa casa grande, que \u00e9 o Tipnis. Como mulher sofri muito, fui amea\u00e7ada, disseram que n\u00e3o era da comunidade e os grupos relacionados ao MAS n\u00e3o nos conhecem. Eles pediram que f\u00f4ssemos expulsas de nosso territ\u00f3rio. Como l\u00edder, sofri uma tentativa de me despejar da sede das mulheres ind\u00edgenas. Sofremos muito, em minha comunidade o governo enviou promotores para nos colocar na pris\u00e3o s\u00f3 por causa de nossa resist\u00eancia. Meu filho mais velho sofreu persegui\u00e7\u00e3o, eles o pegaram e esconderam&#8221;, conta Teco.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A l\u00edder baixa sua cabe\u00e7a depois de admitir que a lideran\u00e7a Tipnis est\u00e1 dividida. Al\u00e9m disso, ela diz que agora h\u00e1 poucos que se op\u00f5em \u00e0 estrada que o governo est\u00e1 promovendo. <strong>Teco quer reorganizar a lideran\u00e7a, mas admite que \u00e9 dif\u00edcil por causa da falta de recursos econ\u00f4micos.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Benigno Noza&nbsp;Semo<\/h2>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">PERSEGUI\u00c7\u00c3O POL\u00cdTICA POR DENUNCIAR OBRAS FANTASMAS<\/h4>\n\n\n\n<figure><iframe loading=\"lazy\" width=\"480\" height=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/qxau-iZ-OBM?feature=oembed\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe><\/figure>\n\n\n\n<p>Benigno \u00e9 um cara direto. Ele fala sem rodeios. <strong>Ele vai sem medo e acusa o governo Morales de anunciar obras fantasmas em sua comunidade<\/strong>: Nueva Galilea, ao norte de Tipnis. Ele fez essa acusa\u00e7\u00e3o em 2017 e ainda sofre persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Ele n\u00e3o pode ficar em um s\u00f3 lugar sem receber amea\u00e7as. E n\u00e3o s\u00f3 ele, mas tamb\u00e9m sua fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele pega um antigo panfleto de propaganda do governo. Nesse material h\u00e1 fotografias da infraestrutura que a administra\u00e7\u00e3o Morales supostamente construiu. Eles mostram uma escola e casas sociais. Noza diz que n\u00e3o h\u00e1 nada e que agora mesmo est\u00e1 sendo constru\u00edda uma pequena escola. Ele queria trabalhar l\u00e1 como pedreiro, mas foi negado.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1709\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Beni_Project_-67-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4438\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211532\/Beni_Project_-67-scaled.jpg 2560w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211532\/Beni_Project_-67-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211532\/Beni_Project_-67-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211532\/Beni_Project_-67-768x513.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211532\/Beni_Project_-67-1536x1026.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211532\/Beni_Project_-67-2048x1367.jpg 2048w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211532\/Beni_Project_-67-150x100.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211532\/Beni_Project_-67-696x465.jpg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211532\/Beni_Project_-67-1068x713.jpg 1068w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211532\/Beni_Project_-67-1920x1282.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption>Foto: Alejandro L\u00f3pez.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;Depois de fazer essa reclama\u00e7\u00e3o em Trinidad, n\u00e3o consigo arrumar trabalho. Onde quer que eu v\u00e1, eles me dizem que \u00e9 melhor n\u00e3o me contratar porque isso poderia prejudic\u00e1-los. <strong>Eu s\u00f3 disse a verdade: em minha comunidade n\u00e3o havia obras, toda aquela propaganda era fantasma e eles queriam enganar a popula\u00e7\u00e3o<\/strong>&#8220;, lamenta.<\/p>\n\n\n\n<p>O l\u00edder ind\u00edgena vai de lugar em lugar. Ele recebe amea\u00e7as de sua pr\u00f3pria comunidade, onde a maioria se virou a favor da linha pol\u00edtica de Evo. Noza sente que \u00e0s vezes ele est\u00e1 remando sozinho e contra a mar\u00e9, mas mesmo assim ele n\u00e3o baixa a guarda e vai direto. &#8220;Uma vez eu lhe disse na cara (ao Ministro Juan Ram\u00f3n Quintana, um pol\u00edtico muito pr\u00f3ximo de Evo Morales) para deixar meu territ\u00f3rio em paz, e eu lhe diria novamente&#8221;, salienta.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">F\u00e9lix Cayuba Yuco<\/h2>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">SUA COMUNIDADE FICOU ABANDONADA<\/h4>\n\n\n\n<figure><iframe loading=\"lazy\" width=\"480\" height=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/weLHTbIrfsI?feature=oembed\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe><\/figure>\n\n\n\n<p>Ele \u00e9 o representante da comunidade de Trinidacito, ao norte de Tipnis. Sente que a resist\u00eancia que vem realizando h\u00e1 anos tem prejudicado o desenvolvimento de sua comunidade, que sofre o abandono de qualquer iniciativa governamental. <strong>Ele n\u00e3o sofreu amea\u00e7as ou ataques diretos, mas ao ver sua comunidade abandonada, pesa muito mais.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O governo n\u00e3o vem aqui porque \u00e9 uma comunidade que \u00e9 contra a estrada. <strong>Esta estrada n\u00e3o nos serve de nada, ela passa muito longe daqui. \u00c9 por isso que nos opomos e \u00e9 por isso que eles nos abandonam. <\/strong>Isso d\u00f3i mais do que receber ataques diretos ou de familiares, porque ver seus irm\u00e3os sem trabalho, as crian\u00e7as sem educa\u00e7\u00e3o e as pessoas sem \u00e1gua e eletricidade, d\u00f3i muito mais&#8221;, diz.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1709\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Beni_Project_-71-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4439\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211524\/Beni_Project_-71-scaled.jpg 2560w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211524\/Beni_Project_-71-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211524\/Beni_Project_-71-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211524\/Beni_Project_-71-768x513.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211524\/Beni_Project_-71-1536x1026.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211524\/Beni_Project_-71-2048x1367.jpg 2048w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211524\/Beni_Project_-71-150x100.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211524\/Beni_Project_-71-696x465.jpg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211524\/Beni_Project_-71-1068x713.jpg 1068w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211524\/Beni_Project_-71-1920x1282.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption>Foto: Alejandro L\u00f3pez.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Trinidacito \u00e9 uma das poucas comunidades que s\u00e3o contra a constru\u00e7\u00e3o da estrada no meio do Tipnis. <strong>Essa luta custou a eles o abandono do governo. A popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem \u00e1gua pot\u00e1vel, eletricidade, esgoto e o acesso aos cuidados de sa\u00fade \u00e9 prec\u00e1rio. N\u00e3o h\u00e1 m\u00e9dicos. Para Cayuba, essa solid\u00e3o \u00e9 uma amea\u00e7a.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Roberto Noza Temo<\/h2>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">AMEA\u00c7ADO DESDE 1990<\/h4>\n\n\n\n<figure><iframe loading=\"lazy\" width=\"480\" height=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/1pKHqLpZG3g?feature=oembed\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe><\/figure>\n\n\n\n<p>Para o l\u00edder veterano que participou da primeira marcha ind\u00edgena em 1990, <strong>viver sob amea\u00e7a tornou-se um h\u00e1bito. <\/strong>Desde essa conquista, as amea\u00e7as n\u00e3o pararam, mas ele lamenta que em um governo chamado popular e ind\u00edgena essa forma de persegui\u00e7\u00e3o continue.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1709\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Beni_Project_-76-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4440\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211522\/Beni_Project_-76-scaled.jpg 2560w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211522\/Beni_Project_-76-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211522\/Beni_Project_-76-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211522\/Beni_Project_-76-768x513.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211522\/Beni_Project_-76-1536x1026.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211522\/Beni_Project_-76-2048x1367.jpg 2048w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211522\/Beni_Project_-76-150x100.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211522\/Beni_Project_-76-696x465.jpg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211522\/Beni_Project_-76-1068x713.jpg 1068w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211522\/Beni_Project_-76-1920x1282.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption>Foto: Alejandro L\u00f3pez.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;O governo atual sempre nos pressionou. Este territ\u00f3rio sempre \u00e9 amea\u00e7ado. Eles anularam uma lei que n\u00e3o nos torna propriet\u00e1rios de nosso territ\u00f3rio. Mas mesmo assim, continuaremos lutando para que nossos filhos e netos tenham seu territ\u00f3rio natural. N\u00f3s n\u00e3o somos contra as coisas boas que este governo est\u00e1 fazendo, mas vamos continuar com a luta. <strong>Como n\u00e3o conseguiram nos dobrar, a \u00faltima puni\u00e7\u00e3o foi tirar nossos m\u00e9dicos e enfermeiros. Tudo isso por defendermos nosso territ\u00f3rio<\/strong>&#8220;, salienta.<\/p>\n\n\n\n<p>O dirigente v\u00ea como uma puni\u00e7\u00e3o o abandono por parte do governo das comunidades que se op\u00f5em \u00e0 estrada. Noza insiste que esta resist\u00eancia o afetou na obten\u00e7\u00e3o de empregos nas capitais, mas tamb\u00e9m prejudicou seus familiares, que foram afetados por n\u00e3o terem acesso ao direito ao trabalho.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Carmen Guasebe Noe<\/h2>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">SEUS FILHOS AFETADOS PELA AUS\u00caNCIA DE EDUCA\u00c7\u00c3O<\/h4>\n\n\n\n<figure><iframe loading=\"lazy\" width=\"480\" height=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/loQ0iWQSFUM?feature=oembed\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe><\/figure>\n\n\n\n<p>Ela \u00e9 a l\u00edder feminina da comunidade de Trinidacito. <strong>Sua pior preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 ver seus filhos com pouca educa\u00e7\u00e3o. Nesta comunidade, as aulas n\u00e3o come\u00e7am a tempo e a educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o chega ao ensino superior.<\/strong> Isto for\u00e7a, diz ela, muitas fam\u00edlias a migrarem para as capitais. Por sua vez, esta migra\u00e7\u00e3o leva ao desaparecimento das aldeias, apesar do compromisso do governo de lhes proporcionar educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;N\u00e3o confiamos mais nas pessoas que v\u00eam, porque elas s\u00f3 trazem promessas&#8221;.<\/p><cite>Carmen Guasebe Noe.<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>&#8220;O ministro Juan Ram\u00f3n Quintana veio para prometer. Ele prometeu construir uma escola, mas agora n\u00e3o h\u00e1 nada. Eles nos prometem tudo. N\u00e3o confiamos mais nas pessoas que v\u00eam, porque elas s\u00f3 trazem promessas. <strong>Aqui a escola \u00e9 feita por nossas m\u00e3os, como muitas obras. Mas n\u00f3s tamb\u00e9m n\u00e3o temos acesso \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o<\/strong>, n\u00e3o temos internet, mesmo que eles tenham vindo instalar um telecentro&#8221;, afirma ela, com a certeza de que a oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 estrada fez com que o governo deixasse de lado as exig\u00eancias de sua comunidade.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery alignfull columns-2 is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"684\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Beni_Project_-86-1024x684.jpg\" alt=\"\" data-id=\"4441\" data-full-url=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Beni_Project_-86-scaled.jpg\" data-link=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/es\/index.php\/2019\/04\/23\/el-tipnis-y-el-madidi-las-heridas-que-sangran-en-el-rostro-indigena-de-bolivia\/beni_project_-86\/\" class=\"wp-image-4441\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211519\/Beni_Project_-86-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211519\/Beni_Project_-86-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211519\/Beni_Project_-86-768x513.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211519\/Beni_Project_-86-1536x1026.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211519\/Beni_Project_-86-2048x1367.jpg 2048w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211519\/Beni_Project_-86-150x100.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211519\/Beni_Project_-86-696x465.jpg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211519\/Beni_Project_-86-1068x713.jpg 1068w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211519\/Beni_Project_-86-1920x1282.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"684\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Beni_Project_-88-1024x684.jpg\" alt=\"\" data-id=\"4442\" data-full-url=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Beni_Project_-88-scaled.jpg\" data-link=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/es\/index.php\/2019\/04\/23\/el-tipnis-y-el-madidi-las-heridas-que-sangran-en-el-rostro-indigena-de-bolivia\/beni_project_-88\/\" class=\"wp-image-4442\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211517\/Beni_Project_-88-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211517\/Beni_Project_-88-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211517\/Beni_Project_-88-768x513.jpg 768w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211517\/Beni_Project_-88-1536x1026.jpg 1536w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211517\/Beni_Project_-88-2048x1367.jpg 2048w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211517\/Beni_Project_-88-150x100.jpg 150w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211517\/Beni_Project_-88-696x465.jpg 696w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211517\/Beni_Project_-88-1068x713.jpg 1068w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211517\/Beni_Project_-88-1920x1282.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><figcaption class=\"blocks-gallery-caption\">Fotos: Alejandro L\u00f3pez.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Catalina Moye Yubanure<\/h2>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">SUA IRM\u00c3 FOI ASSEDIADA NO TRABALHO<\/h4>\n\n\n\n<figure><iframe loading=\"lazy\" width=\"480\" height=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ymLlhT0bjlQ?feature=oembed\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe><\/figure>\n\n\n\n<p>Ela n\u00e3o pode acreditar que a defesa de seu territ\u00f3rio tenha afetado a vida de sua fam\u00edlia. Catalina Moye Yubanure mora na comunidade de Trinidacito e sua irm\u00e3, uma enfermeira de profiss\u00e3o, mora em Trinidad, a capital de Beni, e trabalha em um hospital p\u00fablico administrado pelo Gabinete do Governador daquele departamento nas m\u00e3os do partido de Morales. <strong>Ela est\u00e1 amea\u00e7ada de demiss\u00e3o porque Catalina apoia a luta em contra da estrada.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Minha irm\u00e3 \u00e9 enfermeira e por causa das amea\u00e7as do governo ela quase perdeu seu emprego. Disseram-lhe que se ela n\u00e3o \u00e9 a favor do governo, iriam a demitir. Al\u00e9m disso, disseram-lhe que se eu continuasse na resist\u00eancia tamb\u00e9m seria demitida. Ela \u00e9 a \u00fanica irm\u00e3 profissional e ela ajuda financeiramente a fam\u00edlia. Ela nos ajuda com dinheiro, mas se ela perder seu emprego, isso nos prejudicaria&#8221;, diz. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ela pensa que o governo abandonou sua comunidade pela oposi\u00e7\u00e3o ao projeto. <strong>&#8220;Nossa comunidade est\u00e1 triste, n\u00e3o temos nada, isso \u00e9 que d\u00f3i&#8221;<\/strong>, conclui.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ruth Alipaz<\/h2>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">LEVOU A VOZ DOS IND\u00cdGENAS PARA AS NA\u00c7\u00d5ES UNIDAS<\/h4>\n\n\n\n<figure><iframe loading=\"lazy\" width=\"480\" height=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/v9wStnZ7TMM?feature=oembed\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe><\/figure>\n\n\n\n<p>Ela est\u00e1 orgulhosa de suas ra\u00edzes uchupiamonas, uma das 36 na\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas reconhecidas na Constitui\u00e7\u00e3o de 2009, quando a Bol\u00edvia deixou de ser uma rep\u00fablica e se tornou um Estado Plurinacional. Embora o governo a tenha acusado de fazer parte da minoria que se op\u00f5e ao desenvolvimento e de negar seu status ind\u00edgena, ela n\u00e3o deixa de lutar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ela tamb\u00e9m n\u00e3o para mesmo com os &#8220;obst\u00e1culos&#8221; do sistema fiscal aos seus projetos de observa\u00e7\u00e3o de p\u00e1ssaros e ecoturismo, que resultaram na hipoteca de sua casa. <\/strong>Ela avan\u00e7a sem medo. &#8220;Quando as portas est\u00e3o fechadas na Bol\u00edvia, o que resta? Irmos onde podemos ser ouvidos. <strong>\u00c9 por isso que em abril de 2018 fomos \u00e0s Na\u00e7\u00f5es Unidas para denunciar a viola\u00e7\u00e3o de nossos direitos como povos ind\u00edgenas&#8221;<\/strong>, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela \u00e9 membro da Mancomunidade de Comunidades Ind\u00edgenas dos Rios Beni, Quiquibey e Tuichi, uma organiza\u00e7\u00e3o que re\u00fane 17 comunidades ind\u00edgenas mosetenes, chimanes, esse ejas, lecos, tacanas e uchupiamonas. Ele resume que sua luta \u00e9 contra a constru\u00e7\u00e3o de hidrel\u00e9tricas que <strong>&#8220;apagar\u00e3o do mapa o territ\u00f3rio de seis na\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, e pelo direito de existir&#8221;.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ele receia que 5.000 nativos sejam expulsos de seus territ\u00f3rios <\/strong>&#8220;para serem fisicamente extintos junto com nossa cultura e nossos idiomas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Alex Villca Limaco<\/h2>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">SUA IDENTIDADE IND\u00cdGENA QUESTIONADA POR TER UM MESTRADO<\/h4>\n\n\n\n<figure><iframe loading=\"lazy\" width=\"480\" height=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/CszkRN-8lPE?feature=oembed\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;Rios para a vida, n\u00e3o para a morte&#8221;. Este \u00e9 o aforismo da luta contra as hidroel\u00e9tricas deste jovem ind\u00edgena uchupiamona que se tornou um guardi\u00e3o de Madidi.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ser um defensor do meio ambiente na Bol\u00edvia \u00e9 complicado, diz, &#8220;por causa da persegui\u00e7\u00e3o, intimida\u00e7\u00e3o, desqualifica\u00e7\u00e3o e tentativas de silenciar aqueles que s\u00e3o vozes de resist\u00eancia&#8221;.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ele diz que pessoas pr\u00f3ximas ao governo Morales o acusam de todo tipo de coisas. Por exemplo, diz ele, de receber dinheiro de ONGs para se opor \u00e0s hidrel\u00e9tricas, de ser um &#8216;agente do imp\u00e9rio&#8217; ou da direita, mas o pior, diz, era &#8220;ser desconhecido como ind\u00edgena por ter estudado para um mestrado e promover o ecoturismo em seu territ\u00f3rio&#8221;. Ele conta que os ataques n\u00e3o pararam em desqualifica\u00e7\u00f5es p\u00fablicas ou nas redes sociais, mas atingiram sua fam\u00edlia e at\u00e9 amea\u00e7aram fechar seus neg\u00f3cios.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando perguntado de onde v\u00eam estas amea\u00e7as, ele n\u00e3o hesita: &#8220;do governo&#8221;, responde. Para ele, um ind\u00edgena sem educa\u00e7\u00e3o, sem conhecimento e que aceite o que \u00e9 determinado no poder \u00e9 o perfil que os tomadores de decis\u00e3o preferem.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1709\" src=\"https:\/\/tierra.jerre-dev.xyz\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Beni_Project_-30-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4447\" srcset=\"https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211514\/Beni_Project_-30-scaled.jpg 2560w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211514\/Beni_Project_-30-300x200.jpg 300w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211514\/Beni_Project_-30-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/media.tierraderesistentes.com\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/19211514\/Beni_Project_-30-768x513.jpg 768w, 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